Enfim, em paz.
1 Rio de Janeiro
Notas iniciais
Já se passava da meia-noite quando finalmente voltamos ao hotel que estávamos hospedados. Shamira havia cochilado na metade no caminho, e agora eu a observava, distraído. Com a capota do carro abaixada, a luz da lua refletia em sua pele alva, contrastando ainda mais com seus longos cabelos escuros. Sua beleza era estonteante.
Fiz uma curva leve, acompanhando a orla da praia. A noite estava linda, e a vista que se estendia pelo horizonte era majestosa. Foi então que ela disse:
– Lindo, não é? — E fez um aceno leve com a cabeça na direção do horizonte.
– Só não mais lindo do que você — Eu disse, sorrindo.Ela riu, e eu continuei – Pensei que você estivesse dormindo...
– Eu estava. – ela disse, sorrindo. — Mas como posso dormir, enquanto sei de tudo o que perco quando não estou acordada? — ela questionou, me olhando nos olhos.
– E o que você perde quando não está acordada? — indaguei.
– Você. — Ela disse, de forma simples e clara.
Eu sorri, e ela se aproximou de mim lentamente, até que nossos lábios se encontraram. Creio que essa sensação já deveria ter passado, pois esta não é a primeira vez que ela me beija. Mas sempre parece como a primeira vez. Seus lábios eram doces e delicados, quase frágeis. Mas a feiticeira de En-Dor não agia como tal. Seu beijo era voraz, arrebatador, me roubando o fôlego de forma incomparável.
Foi então que percebemos que o carro parado atrás de nós no farol, estava buzinando continuamente. Ao que parece, o farol estava aberto, e nós estávamos atravancando o transito. Shamira riu, e então se afastou de mim.
– Vamos voltar logo para o hotel — ela disse, entre risos.
– Como queira, feiticeira. — E pisei fundo no acelerador, fazendo com que o velocímetro disparasse até 110 km/h.
Quando estacionei o carro no beco ao lado do hotel, percebi que Shamira havia adormecido novamente. Resolvi deixa-la descansar, então dei a volta no carro, abri a porta do passageiro, e a peguei no colo. Seu vestido vermelho ia até a altura do joelho, e ondulava conforme o vento. Ele não deixava muito de seu corpo exposto, mas era o suficiente para que eu ficasse admirado com sua beleza.
Subi lentamente as escadas, temendo acorda-la. Quando cheguei a porta do quarto, destranquei-a com a mão livre e a abri. Entramos no ambiente já tão conhecido, e a levei diretamente para a cama. Aconcheguei-a entre os lençóis, descalçando seus sapatos e a cobrindo novamente. Até mesmo dormindo, Shamira não se parecia com uma mortal comum. Sua aura brilhava intensamente, possivelmente a aura mortal mais "viva" já conhecida.
Enquanto eu a observava dormir, ouvi ela sussurrar algo. Da primeira vez em que ela sussurrou, não pude entender muito bem. Mas ela repetiu o sussurro:
– Ablon... Meu general... — Disse ela, bem baixinho.
Com isso, não pude evitar de sorrir.
Levantei-me e fui sentar na cadeira ao lado da janela. A noite estava realmente magnífica, mas era apenas um pontinho brilhante, comparada a constelação magnífica que Shamira era.
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