Enfim Felizes
9 NOVE
Notas iniciais
Divirtam-se!!!
Capítulo Nove – POV Rose
Eu só quero chorar na sua frente
Eu não quero falar sobre isso
Porque eu estou apaixonada por você
Você é o único
Com quem eu ficaria até o final
Quando eu vou inacabada
Você me traz de volta
De volta abaixo das estrelas
De volta pros seus braços
Fall to pieces – Avril Lavigne
Eu olhei para cima e dei de cara com uma mulher, um pouco mais velha que eu... Acho que tinha a idade do Dimitri. Era morena só que seus cabelos eram mais claros que os meus e as pontas eram pintadas de loiro e cortado em channel. Ela se sentou ao meu lado de mim no chão.
Ela esperou que eu me acalmasse.
- Desculpe, mas eu vi você correndo e não pude deixar de segui-la. Posso saber o que aconteceu? Sabe, é sempre bom desabafar. – disse ela de modo simpática.
Não sei o que me aconteceu, mas eu acabei contando tudo o que aconteceu para ela, acho que deve ter sido, por estar mal e precisar d um ombro amigo. Enquanto eu falava, as lágrimas escapavam e ela me entregou um lenço.
- Nossa, sua vida para novela mexicana! – Com essa eu não pude deixar de sorrir. – Mas pelo o que você me disse você e o seu noivo se amam muito, uma hora tudo vai ser esclarecido. Por enquanto, dê um tempo para vocês dois. – ela disse francamente.
- Eu sei, mas é tão difícil ver o seu ódio direcionado a mim e eu não posso fazer nada! O pior é que aqui na corte nós sempre vamos nos encontrar! – eu disse com a voz embargada. – Eu mudei por ele, eu tentei ser uma pessoa melhor por ele, quando nos conhecemos, eu era rebelde, inconsequente e imatura. Mas, quando eu o conheci eu me apaixonei por ele, era é um homem digno, amoroso entre outras coisas.
- Você tem que fazer o que eu te disse. Dê um tempo para vocês e assim que estiver calma corra atrás dele e faça tudo para tê-lo de volta, enquanto isso, você pode estudar maneiras de o outro cara falar a real para o seu homem.
Depois disso, conversamos mais um pouco e em nenhum momento ela me disse o seu nome e eu não quis ser mal educada e forçá-la a dizer seu nome. Ainda mais por que ela estava me ajudando e me dando bons conselhos de como lidar com o meu caso. Só de pensar no ódio e repulsa que eu vi nos olhos de Dimitri. Isso me despedaçou! Eu me sentia como a última mulher na face da Terra!
Eu devia... Ah! Eu estava com uma vontade louca de matar Adrian! O que aquele infeliz tinha na cabeça quando aprontou aquilo? Por quê? Logo ele que parecia ser um Homem decente, porque prejudicar duas pessoas que se amam? Eu achei que ele queria a minha felicidade acima de tudo! Por causa dele eu só sinto dor... Me sinto destruída, incompleta e vazia. Ele fez meu outro pedaço morrer... Dimitri levou com ele a minha outra metade e, culpa disso tudo é minha e do Adrian; eu por minha estupidez e ele por achar que assim, dessa maneira sórdida me teria.
Ele só conseguiu de mim todos os sentimentos ruins possíveis. Eu o odeio, o enojo e tenho repulsa pelo simples fato de saber que ele existe e tirou de mim a coisa, a pessoa que eu mais amo; talvez mais do que a mim mesma.
Depois de me despedir daquela mulher, que eu ainda não seu o nome, eu fui para a casa de Lissa. Eu precisava dos meus amigos, eu precisava de colo. Eu estava me sentindo péssima. Eu estava andando pela corte quando eu o vejo. Ele estava com uma expressão sôfrega, com os olhos vermelhos e a roupa toda suja. Há um tempo eu me comoveria com essa cena, mas, agora, eu só consigo pensar que isso é o que ele merece.
Adrian estava cambaleando em minha direção, eu o olhei com ódio e repulsa, queria matá-lo, queria estar longe dele e do ar que ele respira olhá-lo me fazia mal. Mesmo ele vendo que eu não o queria por perto ele fez questão de vir ao meu encontro.
- Rose? Eu te amo. Perdoa-me! – Disse ele atropelando as palavras. As lágrimas rolavam pelo seu rosto e nada disso me comoveu. E eu continuei andando.
- Rose! Não me ignore! Ele não te merece como eu... — eu o interrompi.
- Cale-se! Cale a sua maldita boca, antes que essas sejam as suas últimas palavras. – minha voz saiu baixa, mas ainda sim a minha fúria era perceptiva. – Claro que ele não me merece igual a você, porque ele não é baixo como você. Doente, isso sim é que você é! O que você tem por mim não é amor, mas sim obsessão, pois se fosse amor você não iria querer que eu fosse infeliz. Iria desejar a minha felicidade à cima de tudo, de tudo! Mesmo que fosse com outra pessoa, mas não, você me quer como um brinquedinho; por capricho! Como um maldito troféu!!! E não se preocupou com o que eu sentia, se eu iria sofrer! – minha voz ainda era mantida baixa. Eu falei cada palavra olhando em seus olhos.
-Rose agora está livre para ficarmos juntos, ele não vai mais nos atrapalhar e você vai me amar. Eu sei que vai. – ele disse com a voz embargada.
- Doente. Eu repito você é doente, trate-se. Eu nunca o amei e não o amarei. O meu amor pertence à Dimitri Belikov, o homem mais incrível e honrado que eu já conheci na minha vida. Ontem, você teve o meu corpo, mas nunca terá a minha alma como ele tem. – eu disse. Ele automaticamente abaixou a minha cabeça, mas rapidamente ergueu a cabeça para me encarar.
- Você ainda vai se rastejar aos meus pés. Eu sei que vai Rose. – disse com a voz tremula. – Eu vou fazer você ver o quanto vai me amar!- sua mão se ergueu para acariciar a minha face, mas logo eu desviei o rosto. – Eu nunca vou esquecer o modo como você estava em meus braços. Sua pele macia, seus cabelos sedosos. Você é tão perfeita! – ele disse.
- Fique longe de mim. Saiba que a primeira coisa que eu fiz quando eu me livrei de você? Fui esfregar meu corpo. Por que quando você me toca, eu me sinto suja! Eu sinto nojo de você. Se há justiça nesse mundo, você vai pagar pelo que você fez. — eu disse com o tom mais alterado. – Eu amo o Dimitri e não há nada, nem ninguém que vá mudar isso!
- Você parece aquela Rose adolescente e inconsequente quando fala isso. Mas aí vai a verdade! Como pode não saber que era eu ao invés de Dimitri, huh? Você se diz super apaixonada, mas não sabe diferenciar seu “homem” na cama? Nossa! Rose, você já foi mais atenta a certos detalhes meu bem! – ele disse isso com sarcasmo e malicia misturado em seu tom de voz.
Eu não me contive e o esbofeteei, mas não foi uma bofetada qualquer, a que eu dei em sua face ficaria com uma bela marca, por pelo menos dois dias e o canto da boca de sua face esquerda estava sangrando. Ele passou a mão pelo rosto e pelo canto da boca e me encarou com a mão na face.
- Você pode me bater o quanto for, mas sabemos que isso não são as respostas que eu pedi. – ele saiu cambaleando sem nem ao menos olhar para trás.
Depois de discutir com o infeliz do Adrian, eu fui direto para a casa de Lissa. As pessoas me olhavam e eu fingia que não era comigo. Eu abri a porta da sala e Lissa estava lá com Christian assistindo filme e, quando eu entrei os dois olharam para mim e deram espaço para eu me sentar entre eles.
Eles me deram um abraço duplo e eu me permiti chorar mais uma vez nos braços dos meus amigos. Quando eu me aclamei contei a eles tudo o que aconteceu, principalmente a conversa com o Adrian.
- Ele só pode estar assim influenciado pelo espírito. – disse Lissa. – E para piorar ele não tem um Shadow Kissed para aliviar os efeitos.
- Não sei não, liss, Adrian ultrapassou os limites da moral... Isso sim! – Disse Christian.
- Concordo com você! – Eu disse.
- Mas, Rose, Dimitri também foi muito injusto com você. — disse liss.
- Eu faria a mesma coisa se fosse ele. – disse Christian. Eu concordei acenando com a cabeça.
- Ah... Você faria isso comigo Ozera? – Lissa disse com um olhar mortal direcionado ao Chris. Ele ficou vermelho e sua boca abria e fechava procurando uma resposta.
- N... não... Não liss, claro que não! Você sabe disso! – ele disse gaguejando.
- Christian Ozera! Diga ao algo mais uma vez que eu te pego com o cabo de vassoura! – disse ela. Eu não pude deixar de rir.
- Mas... Amor, eu já disse que eu não faria isso com você! – disse ele defendendo-se.
- Você vai dormir no sofá! –disse ela. Eu não puder deixar e cair na gargalhada! Eu não conseguia me conter... Eu queria ajudar o Chris, mas eu estava tendo um ataque de riso. – Você está pensando o quê?! – disse ela. Eu respirei fundo e tornei a dizer:
-Lissa! – ela notou minha presença na sala outra vez. – O Chris não fez nada! Por que você quer deixar no sofá? – disse eu me segurando para não rir. Christian olhar para mim aliviado.
- Ele não faria isso com você! Ele te ama! – disse eu.
- É... Eu te amo, liss! – disse ele tentando amansar a fera!
- Desculpa amor, perdi a cabeça... Mas se você inventar de fazer isso comigo... – Ela começou a chorar. Eu achava engraçada essa mudança repentina de humor da Lissa. Nós a abraçamos.
- Fica assim não! – disse o Chris.
- são essas merdas de hormônios! – disse ela entre lágrimas. – Eu quero que você sai logo daí meu filho! – disse ela para a barriga. Nós três começamos a rir.
Depois desse bizarro episódio, decidimos assistir alguns filmes de comédia, Se beber não case, foi um deles e é o meu favorito. Muito hilário por sinal! A liss graças aos céus não teve mais nenhum ataque hormonal que ameaçasse a nossa lucidez! Fomos jantar e eu logo me recolhi para o meu quarto.
Peguei o meu Ipod- coisa que eu não faço há muito tempo – E comecei a escutar música. Coloquei em uma das minas favoritas da Avril Lavigne.
Fall To Pieces – Avril Lavigne
Eu não quero cair aos pedaços
Eu só quero sentar e te olhar
Eu não quero falar sobre isso
Eu não quero conversar
Eu só quero chorar na sua frente
Eu não quero falar sobre isso
Porque eu estou apaixonada por você...
Essa música dizia tudo o que eu queria dizer ao Dimitri. E dizia tudo o que eu sentia... Eu só queria chorar! Eu estava me sentindo vazia incompleta... sinto que falta algo. Eu só queria estar nos braços de Dimitri e esquecer tudo isso, fingir que tudo isso não passou de um pesadelo!
Era tudo o que eu mais queria nesse momento, dormir e acordar nos braços de Dimitri, o homem que eu amo de verdade! Ele sempre me compreendeu, ele via além da minha fama de vadia, rebelde e inconsequente, Dimitri via a mulher que eu queria ser e que estava escondida dentro de mim. Ele acreditou em mim quando ninguém mais acreditou, ele me fez ver que eu posso ser mais, muito mais do que eu era... Que eu podia me tornar uma mulher/pessoa melhor.
E, se não fosse por ele, eu não seria a guardiã mais “foda” da corte. Por que ele me ensinou a acreditar em mim e na minha capacidade. Ele me fez mulher, ser sua mulher e eu sou dele. Não há Adrian, nem ninguém pode mudar isso. A música estava no fim e eu beirava a inconsciência. Eu desliguei meu Ipod e as luzes do meu quarto e adormeci.
POV Dimitri
Depois que Rose saiu e eu me joguei na cama e comecei a chorar. Eu não aguentava vê-la sofrer, mesmo sabendo que ela causou todo esse estrago, algo em minha dizia que eu deveria deixá-la falar, que eu deveria acreditar no que ela teria para me dizer, mas eu estava cego de ódio. E, ali não havia espaço para a razão e a coerência. Eu estava com a minha alma partida!
Eu estava aos pedaços! Só de pensar naquela cena nojenta que eu vi meu estômago embrulha. Eu levantei da cama e limpei o meu quarto, sumi com as garrafas e fui para um café que havia na corte. Eu coloquei os óculos, não estava a fim de ver as pessoas me encarar e cochichando do por que eu estava com os olhos vermelhos.
Eu não suporto essas pessoas que não tem mais o que fazer da vida e fica cochichando por aí. E a maior parte são Moroi comuns. Isso se o meu término com a Rose não estiver na boca desse povo! E, mais uma vez meus pensamentos são direcionados a ela... Rose. Eu ainda estou indignado com essa situação.
Eu estou arrependido de certas coisas que eu disse a ela no meu quarto, mas eu estou ferido demais para ir atrás dela e pedir desculpas. Ela me causou uma ferida enorme, talvez nunca cicatrize. Eu estava tão distraído que eu não percebi que estava no café, meu destino final.
Eu comecei a ouvir uma discussão, olhei para o outro lado da rua e vejo Adrian, bêbado e maltrapilho e, Rose com o rosto inchado de tanto chorar discutindo. Eu consegui ouvir o finalzinho da discussão dos dois.
Ela deu uma bofetada nele e, pelo jeito ela foi muito bem dada, tanto que seu rosto virou para o lado direito. Ele passou a mão pela face e depois não boca, havia um pequeno corte na boca do lado esquerdo. Ele ficou com a mão na face onde estava marcada com a mão de Rose e a encarou.
- Você pode me bater o quanto for, mas sabemos que isso não são as respostas que eu pedi. – ele disse e saiu cambaleando e Rose ficou parada, até que caiu em si e saiu rapidamente em direção a casa de Lissa.
Depois desse episódio, eu meio que fiquei feliz, pelo menos ele não a tem... Pelo menos não mais! Mas, ao mesmo tempo uma idéia me ocorreu. Vai saber se isso não é uma encenação bem feita, para que eu caia e eu volte com ela e com isso, os dois continuam a me fazer de idiotas. Isso Dimitri! Só pode ser isso! Por ouro lado, eles em momento algum olharam para o lado em que eu estava... Eu fiquei confuso, será que eles realmente se desentenderam?
Eu finalmente entrei no café e me sentei em uma mesa afastada e fiz o meu pedido, quando chegou continuei ali, comendo vagarosamente e distraído até que ouço:
- Dimitri? É você? – Eu reconheci a voz e olhei para cima. – Você está mais lindo do que nunca! – disse sem que eu pudesse recuperar a falar. – O tempo só o faz bem, querido! – disse sorridente. Meu espanto era tanto que só saiu.
- Você aqui?! – Eu disse e sorri amplamente.
POV Rose
John Mayer — Heartbreak Warfare
Eu acordei e sentei-me na cama, me perdi em pensamentos sobre tudo o que aconteceu ontem. A briga com Dimitri, o confronto com Adrian e conheci aquela mulher... Qual será o nome dela? Porque ela me ajudou? Essas perguntas rondavam a minha mente.
Acabei me levantando e indo em direção ao banheiro fazer a minha higiene pessoal e coloquei meu uniforme de guardião e fui fazer a minha ronda. Desci as escadas e não vi ninguém na sala, decidi ir ao pequeno jardim que havia na casa de liss, que era realmente muito lindo. Ao abrir a porta que dava para o jardim, avistei liss e Chris sentados na mesa sossegados tomando o café da manhã.
Eu achei melhor deixá-los a sós e me virei para ir para a cozinha, mas liss percebeu que eu estava os olhava e tornou a dizer:
- Rose! Junte-se a nós! – disse ela. Lissa normalmente parece um anjo, mas quando usa a sua voz meiga faz os anjos sentirem inveja dela!
- Lissa... – ela me cortou.
- Nem me venha com a história que vai ficar de vela, porque você sabe que isso não é verdade! – disse ela firme. Pela primeira vez Chris falou:
- Rose, vem cá! No meu coração cabem as duas... – disse ele. Lissa e eu caímos na risada e Chris nos acompanhou.
- Já que insistem em ter a minha adorável companhia!- disse eu com sarcasmo.
- Sempre presunçosa né, Hathaway? – disse Chris divertido.
- Como vão poder dizer que somos irmãos se eu não tiver nada em comum com você? – disse eu em tom de sarcasmos.
- Isso é verdade! – disse ele e caímos na gargalhada.
-Vocês não prestam! – disse liss rindo.
- Também te amamos! – dissemos eu e o Chris.
E mais uma vez comprovo um fato! Amigos são como sol, quando achamos que a tempestade nunca vai passar vem o sol prometendo um lindo dia. E, assim, foi a minha parte mais feliz dessa semana! Tomamos nossos cafés e eu logo me despedi deles e fui direto para o trabalho.
Fiz a ronda e conheci um guardião que chegou há pouco tempo, e passei lhe algumas informações. Ele fazia parte de um grupo de guardiões que vieram da Rússia. Seu nome é Nicolai Enko, tinha 23 anos e, era um belo moreno de cabeça raspada que possuía olhos castanho-claros. Era muito simpático! Em outro momento da minha vida com certeza eu daria em cima dele e o chamaria para sair, mas nesse momento da minha vida, eu estava apenas apreciando a sua beleza que não supera a de Dimitri em nada.
Seu inglês era fantástico, em alguns momentos eu estava quase que convencida de que ele era americano, talvez, falasse inglês melhor do que eu! Onde eles aprendem esse inglês perfeito? Mesmo assim, ele deixava escapar o seu forte sotaque que entregava sua origem.
É impressão minha ou de uns tempos pra cá só tenho conhecido Russos? Esse pensamento me fez pensar mais uma vez em Dimitri, o que fez com que meu sorriso murchasse. Nicolai percebeu e com gentileza perguntou:
- Fiz algo de errado? O que aconteceu? – perguntou ele... aflito?!
- Humm... Nada! É só que eu estava pensando em algumas coisas e... esquece, ok? Desculpe. – disse eu agitada. Ele muito educado não perguntou mais nada.
Assim que acabou a ronda estava andando de volta para o meu apartamento. Eu estava andando o mais devagar possível, não queria chegar perto, pois havia não só lembranças boas com Dimitri, mas foi lá que eu o perdi... Para sempre. Logo que cheguei ao prédio decidi subir de imediato uma vez que não queria ficar muito tempo aqui.
E achei que deveria contratar alguém para limpar aquilo. Eu não queria olhar nem mais um segundo para a cena da minha infelicidade. Eu estava distraída, perdida em meus pensamentos e não percebi que estava na porta, houve uma breve hesitação, mas entrei. A porta não estava trancada, então, ao chegar à soleira do quarto dou de cara com Dimitri pegando suas coisas no armário e, as colocando na mala.
Ele percebeu que havia alguém atrás dele e seu olhar foi de encontro ao meu. Eu rapidamente abaixei a cabeça e, em meus ouvidos sua voz ressoava com as palavras duras e ofensivas de ontem. Ele nada disse a mim, apenas voltou a arrumar as suas malas. As lágrimas rolaram do meu rosto.
E eu mais uma vez tentei falar com ele.
- Você sabe que eu nunca faria algo assim. Você sabe que eu o amo!- disse eu com o tom de voz mais calmo do que eu aparentava estar.
- Chega! – disse ele com a voz baixa e firme. Ele voltou a me olhar e eu levantei o rosto para encará-lo. – Não torne isso mais difícil do que já é. – Lágrimas grossas rolaram pelo seu rosto, eu não me contive e cheguei mais perto dele.
Pude ver que ele travava uma batalha mental, deixava ou não que eu me aproximasse mais dele? Não sei, mas mesmo assim me aproximei cada vez mais até que estava com nossos corpos quase que colados, minhas mãos automaticamente foram para o seu rosto. Ele prevendo minha ação tentou desviar o rosto, mas mesmo assim, eu insisti e peguei o seu rosto entre minhas mãos e com uma delas enxuguei as suas lágrimas. Vendo que ele congelou em seu lugar, fiquei na ponta dos pés e fiz a trilha de beijos por onde passaram as lágrimas e, ele automaticamente fechou os olhos.
Novamente voltei a beijá-lo, dessa vez descendo até que cheguei a seu queixo. Dimitri me puxou pela cintura e tomou meus lábios para os seus. No beijo havia fúria, paixão, frustração, tesão e decepção, foi um beijo esmagador e urgente. Quando paramos de nos beijar para buscar ar ele olhou em meus olhos, virou-se de costas para mim, fechou sua mala e partiu sem dizer ao menos adeus.
Eu estava congelada com a sua reação, mas assim, que eu caí em si minhas pernas ficaram bambas e eu caí no chão chorando. Eu acabei deitada no chão do meu quarto em forma de bola, abraçando as minhas pernas e me encolhendo mais e mais como uma menininha com medo do escuro se escondendo de baixo do lençol. Eu soluçava alto e compulsivamente, até que o torpor me abraçou, me jogando na inconsciência dos meus sonhos.
Poucas horas depois eu acordo com um Christian preocupado me sacudindo.
- Rose! Rose! Pelo amor de Deus! Acorde! Não posso perdê-la! Por favor, acorde! — dizia ele.
Eu estava tão grogue que grunhi algo ininteligível que ele entendeu como um sinal de vida. Abri meus olhos aos poucos me acostumando com a luminosidade do quarto, pisquei algumas vezes e Christian me abraçou.
- Nunca mais faça isso comigo, nunca faça isso com a gente! – disse ele firme. Eu o abracei de volta e chorei copiosamente.
Mais uma vez no dia de hoje eu tenho uma amostra do quanto é bom ter amigos do seu lado, amigos verdadeiros; são poucos. Porém podemos contar para o que der e vier. Christian esperou que eu me acalmasse e me fez sentar na cama e contei tudo o que aconteceu.
- Nossa... Aparece até novela mexicana! – disse ele, eu dei uma gargalhada fraca e sem humor.
- Bem-vindo a minha vida amorosa! – disse eu com sarcasmo e com faço tom de animação.
Eu fui pegar os uniformes que eu vim buscar e alguns objetos pessoais. Eu saí do apartamento e o tranquei, antes de sair notei que na mesinha de cantos estavam as chaves de Dimitri. Eu saí sem olhar para trás e fiz uma anotação mental de ligar para uma faxineira limpar aquilo tudo.
Saí pela corte conversando com o Christian e ele me convidou para irmos ao café que é na esquina da casa dele.
- Chris e a liss? – perguntei de imediato.
- Está dormindo, ela tinha acabado de jantar ficou te esperando e ficou muito nervosa com a sua demora, então, tive que dar a ela uma dose daquele floral para acalmá-la. – disse ele.
- Tudo bem... Vamos. – disse eu triste. Até os meus problemas afetam liss e o meu afilhado! Eu me senti péssima e o Christian percebeu e pegou minha mão.
- Calma, Rose, é normal isso acontecer, são os hormônios da gravidez! Lissa alterna rapidamente de humor, você mais do que ninguém sabe disso! Relaxa, não é sua culpa. – disse ele. Eu sacudi minha cabeça positivamente e tentando segurar as lágrimas que ameaçavam cair.
Fiz meu pedido e Christian o dele, os pedidos chegaram rápido e conversamos por um bom tempo, o que temporariamente me fez esquecer os meus problemas. Ele é um ótimo amigo, divertido, até mesmo quando é sarcástico. Ele e eu estávamos conversando animadamente quando Dimitri entra no café, seguido por uma mulher. Não era qualquer mulher, era a moça que me ajudou ontem... Eles deram um selinho rápido, Dimitri pareceu sentir que havia alguém o fuzilando e rapidamente encontrou meu olhar incrédulo. Ele continuou segurando o meu olhar, assim que a mulher tocou em seu braço ele desviou o olhar. A mulher percebendo a direção em que ele olhava, o seguiu e, quando me reconheceu lançou-me um sorriso simpático.
Ela estava vindo em minha direção. Christian até então alheio seguiu o meu olhar e ficou estático. A mulher puxou Dimitri e veio em nossa direção.
- Olá! Vejo que você está melhor. – disse ela sorrindo. Eu fiquei calada por alguns segundos tentando encontrar a minha voz que nesse exato momento havia sumido. Olhei para cima e vi um Dimitri curioso e confuso.
- Oi. – disse recuperando a voz e meio sem graça. – Eu estou tentando seguir em frente. – disse eu. Na última parte olhei para Dimitri.
- Fico feliz por você! – disse ela de modo simpático. Christian continuou calado e observando em cada gesto que nós três (Eu, A mulher e Dimitri) fazíamos.
- Desculpe, mas eu não me lembro de você ter me falado o seu nome. A propósito o meu é Rose Hathaway. – disse eu. Ela arregalou os olhos e olhou para Dimitri e acenou a cabeça positivamente para ela, que novamente voltou- se a olhar para mim.
- Oh... Desculpe! Que falta de educação a minha! Me chamo...
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