Enfermaria

1 Capítulo 1


Scorpius Malfoy era um garoto comum, não tinha grandes qualidades ou talentos relevantes, não possuía o ar de arrogância que outrora era tradicional em sua família, era tímido e mesmo não sendo um nerd tinha boas notas em seu boletim, sua paixão por quadribol resumia-se a arte de assistir.

Apesar de não possuir grandes atrativos muitas garotas em Hogwarts o achavam interessante, contudo, seus olhos e sua atenção eram voltados sempre para a mesma garota, a relação era completamente platônica. Um cara como Scorpius nunca teria chances com Rose Weasley

Diferente do resto da família Rose havia sido selecionada para a Corvinal. Talvez por isso não andasse sempre com seus primos ou com os fãs dos Weasley. Ela não gostava de multidões e geralmente podia ser vista pelo castelo com suas melhores amigas Melissa Blanc e Portia Lane ou com seu irmão Hugo e às vezes com sua prima Lilian ou seu primo Alvo. Porém, mesmo sendo popular – graças ao quadribol (ela foi a artilheira do campeonato no 5º e no 6º ano) sua inteligência e sua gentiliza – ela não era chegada a festas ou fãs a seguindo.

Rose queria ser uma repórter quando terminasse Hogwarts, sabia que seus pais não gostariam nem um pouco da escolha, mas já havia decidido e já conversava com alguns contatos no Profeta Diário.

Scorpius queria ser medi-bruxo, ele nunca gostou da profissão dos pais, e ficou surpreso quando percebeu durante aquele 7º ano o quanto parecia se encaixar na profissão. A enfermeira da escola, Madame Sprit havia concordado em aceitá-lo como ajudante durante o último ano em Hogwarts.

Foi na enfermaria de Hogwarts que Scorpius conversou com Rose pela primeira vez.

Madame Sprit pediu que ele ficasse aquela tarde com ela, pois não estava sentindo-se muito bem e como tinha jogo de quadribol alguém provavelmente apareceria por lá. Ele aceitou, apesar de ficar triste por perder pela primeira vez um jogo de Rose.

Madame Sprit estava certa e no fim da tarde uma multidão queria entrar na enfermaria. Enquanto a enfermeira-chefe expulsava qualquer um que não fosse parente próximo da sala, Scorpius indicava para Alvo onde ele deveria colocar Rose Weasley.

A garganta de Scorpius estava seca e seu coração batia acelerado, por um instante ele pensou o pior e teve medo de avaliá-la. Respirou fundo e contou até 10. Ele podia ficar com medo por 10 segundos e então ele tinha de agir. Aprendeu o truque com seu pai.

A garota estava desmaiada, provavelmente havia sido alvo de um balanço, ele percebeu que o braço esquerdo dela estava quebrado e o tornozelo direito torcido. Além disso, após uma avaliação com a varinha percebeu três costelas quebradas.

—O que acha senhor Malfoy?

Perguntou Madame Sprit, aproximando-se da maca.

—Braço esquerdo fraturado. Tornozelo direito torcido. Três costelas quebradas. E acredito que pelo menos duas trincadas. O ideal seria uma poção de remendar ossos e alguma coisa para dor. Um feitiço para colocar o tornozelo no lugar seria mais fácil, mas penso que seria mais útil a poção já que ela é jogadora qualquer milésimo errado pode acarretar em alguma lesão futura. Para as costelas eu daria uma poção de...

—Não pense, Malfoy. Faça.

Disse Madame Sprit orgulhosa.

—Minha irmã vai ficar bem?

Entrou Hugo feito um louco pela enfermaria.

—Senhor Weasley! Nada de entrar assim aqui. Sua irmã ficará bem. Precisará de repouso. Alguém pode me dizer como ele se machucou?

Hugo suspirou aliviado e segurou a mão da irmã, enquanto olhava desconfiado para Scorpius que dava poção para Rose.

—Ela caiu. Foi atingida por um balanço. Uma queda de cinco metros no mínimo.

Alvo respondeu.

—Entendo. Era o que eu suspeitava. Provavelmente ela ficará uns dois dias na enfermaria para que eu possa avaliar algum dano na cabeça devido à queda.

—Posso ficar aqui com ela?

Lilian Luna perguntou. Sabia que o próximo passo da manda Sprit era expulsar todos de lá.

—Não. Malfoy irá dar a ela uma poção para dor, que entre outras coisas a fará dormir. Voltem amanhã.

Hugo, Alvo, Lilian, Melissa e Portia não gostaram, como sempre, mas obedeceram a enfermeira.

—Scorpius. Sei que já exigi muito de você hoje, mas...

—Sim. Eu posso à noite aqui.

...

Não era a primeira vez que Scorpius passava a noite na enfermaria cuidando de algum paciente. Geralmente ele gostava, sempre ficava silencioso e ele podia ler os livros que haviam lá, bem como mexer nas poções, estudar feitiços. Mas, daquela vez era diferente, saber que sua paciente era Rose deixava seu coração confuso. Ele sabia que ela estava fora de perigo, mas a presença dela, mesmo que dormindo, o deixava inquieto.

Rose acordou e sentiu um vazio. Não conseguia lembrar onde estava, começou a se desesperar. Mas, rapidamente lembrou-se do quadribol, do balanço... Devia estar na enfermaria. Sim! Ela reconheceu o teto (ela andava muito na enfermaria).

Ao seu lado não estava seu irmão, nem suas amigas ou seus primos, mas sim um rapaz. Ela demorou um pouco para reconhece-lo, porque o gorro cobria parte de seu rosto, mas ela percebeu que era Scorpius Malfoy, adormecido ao seu lado, com um livro chamada “As doenças mágicas e o quadribol: uma relação inevitável”. Ela sorriu. Que tipo de pessoa lia esse tipo de livro antes de dormir?

Sem nada para fazer ficou observando o garoto por algum tempo. Ele era bem bonito. Esguio. Tinha um resquício de baba no canto de sua boca e ela sorriu novamente de Scorpius. Nunca o havia notado antes.

Claro que o conhecia, estudavam juntos poções e feitiços, mas ela nunca o havia notado de verdade. Para Rose ele era só mais carinha de Hogwarts que por acaso possuía um sobrenome que seu pai provavelmente odiaria, não que fosse difícil atrair a ira de Ronald Weasley. Quando percebeu que ele estava acordando ela fingiu que estava dormindo de novo.

Scorpius levantou-se e foi a da a sala anexa onde ficava o café, voltou com uma xícara.

—Você acordou!

Disse animado demais.

—Quando tempo eu dormir?

—Menos do que deveria. Está sentido alguma dor?

Perguntou ele aproximando-se dela.

—Não. Cadê a Madame Sprit?

—Ela não estava sentindo-se bem. Me deixou responsável por você.

Rose percebeu que ele havia ficado sem jeito.

—Por que você?

Perguntou curiosa. Madame Sprit era uma pessoa muito rigorosa. A enfermaria era uma coisa sagrada para ela.

—Eu meio que sou uma espécie de ajudante dela. Quero ser medi-bruxo. Conversei com ela no início desse ano letivo e ela... bom, ela aceitou, sabe-se lá o porquê.

—Entendo.

—Quer que eu chame alguém pra ficar com você?

—Não. Todos devem estar dormindo essa hora.

—Provavelmente. Eu tenho que te fazer algumas perguntas. Só para saber como está sua cabeça...

—Tudo bem. Estou acostumada.

—Se machuca muito?

Scorpius perguntou não contendo a curiosidade.

—Estou quase para ganhar uma carteirinha daqui.

Comentou fazendo-o rir. E Rose achou o sorriso dele encantador.

—Qual o seu nome?

—Rose Jean Granger Weasley.

—Onde você está?

—Na enfermaria de Hogwarts.

—Nome dos seus pais?

—Hermione Granger e Ronald Weasley.

—Possui irmãos?

—Somente um. Hugo Weasley.

—Lembra de como veio parar aqui?

—No jogo de quadribol... Um balanço me atingiu. Nós ganhamos o jogo?

Scorpius balançou a cabeça. Uma pessoa viciada em quadribol é sempre uma pessoa viciada de quadribol.

—Ei! Não me julgue. Tenho que saber se minha queda pelo menos valeu a pena.

Pediu ela

-Não estou te julgando. Só acho curioso que mesmo depois do acidente a única coisa que te preocupa é se venceram o jogo ou não. Mas, infelizmente não sei responder.

—Hm... Temos aqui uma pessoa que não gosta de quadribol.

—Eu adoro quadribol. Sou apaixonado. Sou péssimo jogando, mas gosto de assistir aos jogos. Porém sou apaixonado mesmo pelo campeonato nacional, mundial.

—Então não assiste aos jogos da sua casa?

—Assisto. Assisto inclusive os que não são da minha casa. Já te vi muito jogar. Você é talentosa. Devia tentar seguir a carreira depois de Hogwarts.

Rose não podia ver, mas sabia que seu rosto estava corado.

—Na verdade quero ser repórter.

—Repórter?

—Te decepcionei?

—Não. Só nunca pensei em você como uma repórter. Não que eu pense em você. Mas é...

Rose sorriu do nervosismo dele.

—Eu entendi, Malfoy.

...

Os dois conversaram por um longo tempo, principalmente sobre quadribol. Ela gostou dele, da forma como ele sorria e como passava a mão na nuca sempre que ficava sem jeito. Ela ria de alguma coisa que ele havia dito quando sentiu uma pontada na costela. Tentou disfarçar, mas Scorpius já tinha visto.

—Onde é a dor?

Perguntou atencioso.

—Na costela.

—Vou te dar outra poção para dor.

...

Acordou no outro dia sentindo-se bem melhor. Lilian já estava ao seu lado quando ela acordou.

—Meu plano era deixar você mais um dia aqui. Mas, Scorpius avaliou você hoje cedo e disse que não nenhum dano. Porém terá que usar uma imobilizadora no braço. E, não poderá fazer esforço. Vou liberá-la após o almoço.

—Tudo bem.

Rose disse animada. Assim que Sprit a deixou a sós com suas visitas. Disfarçadamente passou os olhos por toda a sala a procura de um certo loiro, mas não o viu.

—Ele não está aqui.

Lilian disse baixinho no seu ouvido.

—Como você...

—Passei a noite aqui com a capa. Os meninos falaram que o Malfoy era muito certinho, então se eu ficasse não podia tirar a capa.

...

Dois dias depois

Scorpius estava na biblioteca tentando fazer feitiços não-verbais, mas sem sucesso. Rose o avistou de longe. Antes de se dar conta estava andando até ele.

—Oi. Você sumiu.

Scorpius a olhou surpreso.

—Oi. Madame Sprit me deu uma folga.

Explicou-se.

—Por isso quando acordei não te encontrei.

—Vejo que está melhor.

Disse apontando para o braço enfaixado.

—Estou. Posso sentar?

—Claro.

Rose puxou o livro das mãos de Scorpius assim que sentou.

—Nós ganhamos o jogo.

Comentou enquanto folheava o livro “Curso de Feitiços não-verbais”.

—Então a queda valeu a pena.

Exclamou ele com uma animação exagerada. Rose sorriu. Scorpius sentia-se um tolo, queira mostrar para ela que poderia ser divertido.

—Está com dificuldade em realizar feitiços não verbais? Ou somente estudando por lazer?

—Quem estuda por lazer?

Scorpius perguntou tentando mostrar mais uma vez que não era um cara chato que só ler livros.

—Acho que você é uma dessas poucas pessoas. Afinal, não acho que alguém leia “As doenças mágicas e o quadribol: uma relação inevitável” antes de dormir se realmente não gostar do assunto.

Scorpius corou.

—Só queria saber se havia alguma chance de seus sintomas serem outra coisa além do óbvio.

Confessou.

—Estou com dificuldade em feitiços não verbais. Por isso o livro.

Scorpius retomou a conversa, após alguns segundos em silêncio.

—Se quiser posso te ajudar. Não que eu seja lá essas coisas, é uma forma extremamente difícil de feitiço. Mas, ontem consegui convocar um pano. Tudo bem que eu queria um lenço.

Scorpius riu junto com Rose. O sorriso dela era mais lindo de perto, percebeu ele.

—Já atrapalhei demais seus estudos.

Rose comentou levantando-se. Pela primeira vez Scorpius notou que a ruiva estava carregando três livros.

—Não pode carregar tanto peso.

—O quê?

Perguntou sem entender.

—Os livros. Se madame Sprit ver você carregando esse peso...

—Pensei que meu braço estava curado.

—E está. Mas não pode fazer esforço. Por isso que está usando essa atadura.

Rose sentou-se novamente.

—Atadura não é só uma precaução?

—Sim. Uma precaução para você não ficar utilizando o braço para coisas indevidas. A poção pra recuperar partes do corpo quebradas aceleram o processo de cura, mas o processo em si é feito pelo próprio corpo. Você é jovem, então o seu processo de cura é naturalmente mais rápido que de uma pessoa velha, mesmo assim, ele é um processo, o que demanda tempo. O fato de a poção acelerá-lo a ponto de você achar que estar curado não determina que seu braço esteja de fato apto para atividades cotidianas como carregar peso.

Rose encarava Scorpius com novos olhos. “Merlim como eu não o conheci antes?”. Pensou.

—Desculpe. Adam sempre diz que eu falo demais quando se trata de ...

—Gosta realmente disso né?

Rose o cortou. Gostou de vê-lo explicando sobre ossos, não que tenha escutado muita coisa, ela só havia prestado atenção nos olhos dele brilhando e em como fala com entusiasmo, como se ossos fossem as melhores coisas do mundo. Ele sorriu sem jeito com a pergunta e novamente coçou a nuca.

—Eu odiava. Meus pais são medi-bruxos então eu sempre os ouvi falar sobre essas coisas. E achava um saco. Então meu melhor amigo, Adam Zabini, se machucou feio durante um jogo de quadribol no ano passado e quando estávamos na enfermaria eu ficava perguntando para madame Sprit para que servia cada coisa que ela dava a ele. Eu achava incrível as coisas que ela dizia e fazia.

Antes que Rose pudesse comentar qualquer coisa. Duas alunas do 1º ano aproximaram-se da mesa. Duas morenas, pareciam envergonhadas por atrapalhar a conversa.

—Você é o Scorpius Malfoy, não é?

Perguntou uma das garotas.

—Sou.

Respondeu sem entender.

—Sou a Catherine – Continuou a garota – e essa é minha amiga Joana. Nós estávamos perto do Salgueiro Lutador e Joana se machucou. Vi você na Enfermaria uma vez. Pode nos ajudar? Ela tem medo da madame Sprit -Confessou a menina baixinho.

—Onde você se machucou?

Perguntou diretamente para Joana. A menina não respondeu. Apenas mostrou o braço cortado um abaixo do ombro. Era um corte feio. E, ela segurava na outra mão para que não sangrasse muito.

Scorpius não perdeu tempo. Calmamente retirou o braço da menina e com a varinha limpou o corte. Com delicadeza verificou o tamanho do corte, e de repente não existia mais corte algum.

—Eu te daria um chocolate, mas só tenho na enfermaria. Se você passar lá depois posso te dar. Aí te apresento a madame Sprit e você verá que ela só tem cara de mau, mas é um amor de pessoa.

Joana não respondeu. Apenas correu em direção a saída. Catherine revirou os olhos.

—Muito Obrigada. Desculpe a Joana. Ela tem uma quedinha por você.

Scorpius ficou vermelho como um tomate com a declaração da menina.

—Acho que você tem uma fã.

Comentou Rose rindo da expressão assustada de Scorpius.

...

1 semana depois.

—Devia chamar logo ele para sair.

Melissa comentou no café da manhã.

—Quem?

Desconversou Rose. Sabia que Mel falava de Scorpius Malfoy, o garoto que não saia da cabeça dela.

Os dois não haviam conversado novamente desde o dia da biblioteca. Mas, ela fazia questão de acenar ou sorri para ele sempre que o via a distância e percebeu que isso aconteceu muito. Scorpius sempre estava nos mesmos locais que ela, mas a distância.

—Fiz umas pesquisas sobre ele.

Melissa comentou atraindo a atenção de Rose.

—Você fez o quê?

—Não é todo dia que você fica interessada por um garoto. Então fiz umas perguntas por aí. Tudo na discrição.

—E o que descobriu?

Rose perguntou fingindo desinteresse.

—Que se quiser sair com ele terá que tomar atitude. O garoto é tímido. Típico nerd. Rato de biblioteca. Participa do Clube de Xadrez Bruxo. Quase não vai nas festas e quando vai geralmente é arrastado pelo seu amigo Adam Zabine. Que é o único amigo dele. Ele fala com quase todas as pessoas da casa dele, mas de amigos só o Zabine. E assiste todos os jogos de quadribol, da Sonserina e da Corvinal.

—Da Corvinal? Por que da Corvinal?

—Não sei. Talvez ele já estivesse de olho em você. Ou, ele pode passar as táticas do time para o Zabine, que é capitão do time da Sonserina.

—Descobriu alguma coisa sobre garotas?

Melissa sorriu. Ela propositalmente não tinha tocado nesse assunto. Queria ver o quanto Rose estava interessada;

—Ele não tem um currículo muito grande. Até onde averiguei só ficou com três garotas aqui no castelo. Amélia Sprout, no quinto ano, e Alexia Jung e Samatah Tannig no ano passado.

...

2 semanas depois

O time da Corvinal era o melhor nos dois últimos anos, mesmo sem Rose como artilheira, eles eram um bom time. O único time que conseguia dificultar muito o estilo de jogo corvino era o da Sonserina. Mas, ao contrário do que grande parcela da população de Hogwarts pensava a culpa não era de Zabine, capitão da equipe, e sim de Scorpius Malfoy.

Apesar de ser um péssimo jogador, ele era um excelente espectador, analisava as equipes como ninguém. Zabine sabendo disso convencia o amigo a assistir aos treinos e jogos da Corvinal. Scorpius sempre bancava o difícil, mas tanto ele quanto Zabine sabiam que Scorpius não perderia uma desculpa para ver Rose Weasley.

O lado ruim dela ter se machucado era que Scorpius não tinha nenhuma motivação para assistir aquele treino. Mesmo assim ainda estava ali porque seu amigo precisava dele.

—Seu amigo Zabine manda você assistir aos treinos das equipes adversárias?

Perguntou Rose sentando ao lado do loiro. Ela viu quando ele ficou surpreso pela presença dela.

—Mais ou menos.

Scorpius respondeu sem jeito. Tinha escolhido o lugar mais escondido para acompanhar os treinos e mesmo assim havia sido pego no flagra.

—E o que está achando?

Perguntou levantando o tom, pois naquele momento Steve Rogers, o atacante que substituía Rose acabara de marcar um ponto, fazendo um pequeno grupo de garotas gritarem histericamente.

—Barulhento.

Respondeu Scorpius olhando para o grupo de fãs. Rose sorriu da expressão do garoto.

Antes que algum dos dois pudessem comentar qualquer coisa Portia, Melissa, Alvo e Lilian sentaram-se no mesmo banco.

—Rose, não tinha como escolher um lugar mais longe? Daqui quase não consigo admirar a beleza do Ste...

Alvo parou quando percebeu que Rose estava acompanhada. A sexualidade de Alvo não era um segredo entre seus amigos, porém o resto de Hogwarts não sabia. Quando notou Scorpius engoliu em seco, congelado.

—Pessoal, esse é Scorpius Malfoy, ele é um espião do Zabine. Por isso ele escolheu esse lugar para perceber as táticas.

Comentou Rose sorrindo da expressão levemente corada de Scorpius.

Todo mundo cumprimentou Scorpius.

Lilian e Alvo tomaram a atenção de Rose falando sobre o casamento de uma prima que aconteceria nas férias do fim do ano. Enquanto Portia e Melissa comentavam sobre a festa que o time da Corvinal faria após o próximo jogo. Scorpius sentia-se desconfortável. Um dos seus piores defeitos era não saber como lidar com essas relações sociais. Deveria tentar comentar algo sobre a festa da Corvinal? Ou chamar atenção de Rose sobre outro fato?

Sem saber como agir concentrou-se em estudar o time da Corvinal, em como o time reagiria sem a sua principal artilheira. Logo notou que o substituto de Rose, Steve Rogers, era uma substituição meramente formal. Os três artilheiros da Corvinal tinham a característica natural de marcação quando estavam sem a bola, geralmente o ataque era formado em triangulo, dois iam na frente atacando e o outro ficaria para trás na retaguarda ajudando os batedores e ficando com eventuais rebotes e eventualmente em alguma jogada ensaiada. Steve, no entanto, não conseguia seguir a tática do time, de modo que a retaguarda da Corvinal estaria, pelo menos nos próximos jogos, desprotegida.

Scorpius não notou, mas levantou-se para perceber melhor se sua análise estava de fato correta e deu um pequeno sorriso quando notou o vazio na tática do time. Rose o olhava admirada, novamente ele tinha aquele brilho no olhar. Ela tentou olhar para o time e notar alguma coisa diferente, mas não achou nada diferente.

—O que você viu?

Perguntou Rose curiosa. Scorpius ficou vermelho quando percebeu que estava em pé e que tinha sido pego no flagra.

—O que você vê?

Questionou ele de volta. Rose olhou novamente para o time da Corvinal.

—O time parece estar jogando do mesmo jeito, claro que com menos qualidade, mas taticamente era o mesmo time.

—Com menos qualidade técnica?

Scorpius perguntou sem conter o sorriso pelo comentário de Rose.

—Não acha que eu sou uma jogadora melhor que o Steve?

Ela retrucou um pouco afetada. Por algum motivo desejava que ele a achasse uma ótima jogadora.

—Malfoy, eu sei que você chegou agora, mas os Weasley e, em especial Rose, são bem orgulhosos de seus talentos no quadribol.

Comentou Alvo. Rose corou.

—Mas eu não disse que Steve é melhor que ela. Rose é a melhor jogadora de Hogwarts.

Scorpius comentou sem olhar na direção de Rose, fingindo observar o time.

—Você está enrolando sem dizer o que viu de diferente na formação do time da Corvinal.

Melissa comentou. Scorpius sorriu.

—Se eu contar... qual seria a graça?

—Aposto o que você quiser que vamos vencer o jogo contra a Sonserina, mesmo com seja lá o que você viu.

—Eu poderia apostar, mas minha mãe sempre me ensinou a nunca tirar dinheiro de uma pessoa...

—Pensei que ser Malfoy era justamente o contrário.

Alvo, cortou-o. Não era sua intenção ofender Scorpius, pretendia unicamente fazer uma piada.

—Alvo!

Ralhou Rose, olhando o primo brava. Scorpius já estava acostumado com comentários desse tipo.

—Desculpa. Merlim. Foi uma brincadeira idiota. Juro que não tive...

Alvo disse assim que percebeu a bobagem que tinha dito.

—Tudo bem.

No entanto, ele não falou mais nada durante o resto do treino.

...

Alvo Potter também era da Sonserina. Não possuía os mesmos grupos de amigos de Scorpius, mas sabia que o Malfoy sempre tratava todo mundo com respeito e nunca tinha feito nada de ruim para ninguém. Justamente por isso, ainda se sentia mal pelo dissera no último treino da Corvinal.

—Posso jogar com você?

Alvo perguntou a Scorpius, que estava sentando em uma mesa de xadrez bruxo, sozinho.

—Acho que sim. Zabine deve demorar.

Durante 15 minutos os dois jogaram em completo silêncio. Scorpius era um excelente jogador de xadrez-bruxo, era uma de suas atividades preferidas, mas tinha que admitir o Potter também não era nada mal.

—Malfoy, sei que já disse isso, mas sinto muito pelo que eu disse.

Scorpius o encarou por breves segundos e percebeu que o Potter realmente estava arrependido.

—Eu já disse que está tudo bem.

—Sei que disse, mas depois daquele dia você saiu sem se despedir de ninguém, nem mesmo de Rose, então ela ficou furiosa comigo. E não queira ver Rose furiosa... Ela pode não ter ido para Grifinória, mas juro por Merlim que ela parece uma leoa.

Scorpius sorriu imaginando Rose brava.

—Não gosto de comentários como o que você fez, mas já estou acostumado, uma hora ou outra alguém vai usar minha família contra mim...

—Eu não quis...

—Potter, se me pedir desculpas mais uma vez eu vou te dar um soco.

Scorpius ameaçou com um tom divertido. Alvo entendeu.

...

—Não acredito que perdi. Estava invicto há um ano.

Alvo comentou sem acreditar que tinha perdido o jogo.

—Não se sinta mal, Potter. O Scorpius aqui é líder do Clube de Xadrez Bruxo, um dos melhores jogadores. Por isso que eu sempre me atraso quando marco de jogar, torço para que ele fique estressado e se distraia.

Adam Zabine comentou. Alvo Potter sorriu.

—Ainda bem que seu atraso foi proposital já ia pedir desculpas por roubar seu parceiro. Foi um bom jogo Malfoy.

Alvo disse estendendo a mão para Scorpius e saindo.

...

—Posso saber porque o Potter estava jogando com você?

Zabine perguntou.

—Eu estava te esperando ele apareceu e perguntou se podia jogar.

Scorpius disse dando de ombros.

—Tem certeza que não tem nada a ver com a prima dele?

Scorpius revirou os olhos para a insinuação do amigo, desde que Rose começou a cumprimentar e acenar para Scorpius sempre que os se encontravam Adam começou a fazer insinuações sobre romance, como se Rose fosse se interessar por ele.

—Ele sentou perto de mim no último treino da Corvinal e fez um comentário sem graça sobre minha família, acredito que eu tenha ficado com uma cara bem feia porque ele veio pediu para jogar e me pediu desculpas.

—E, por acaso ele sentou perto de você porque a prima dele se sentou perto de você?

—Cala a boca.

Zabine sorriu da resposta malcriada do amigo.

...

Três dias depois

...

O jogo foi exatamente como Scorpius havia imaginado. O time da Corvinal não estava eficiente da defesa e a Sonserina jogou justava no buraco defensivo deixado por Steve.

Quanto mais o tempo passava mais Rose queria tirar aquela maldita atadura e ir jogar com sua equipe. Alguma coisa não estava funcionando na defesa. O time parecia não ter defesa, de fato, o time da Sonserina estava trocando bolas e passes nas costas de Steve o tempo todo.

Ela tentou inutilmente olhar para a arquibancada da Sonserina na espera de encontrar a única pessoa que não estava surpresa com aquele jogo. Mas as arquibancadas estavam cheias demais.

300 a 70 foi o resultado final. O time da Sonserina se abraçou após o apito final. Estavam felizes. Praticamente estavam garantidos na final. O time da Corvinal havia se complicado precisava vencer a todo custo o time da lufa-lufa e preferencialmente com uma diferença de 200 pontos. Não seria um jogo fácil, pois a Lufa-Lufa tinha uma característica bastante defensiva.

Enquanto os corvinos caminhavam cabisbaixo em direção ao castelo Scorpius notou Rose indo em direção a equipe da Grifinória que ainda estava no campo. Ele se aproximou o suficiente para que pudesse ouvi-la, mas não tanto para que ela pudesse vê-lo.

—Eu sei que não tivemos nosso melhor desempenho hoje, mas não podemos no abater! O campeonato não acabou. Nós só temos que treinar mais. Melhorar mais.

Mesmo distante ele notou a mudança corporal no time após as palavras de Rose, eles realmente acreditavam nela. E, com um sorriso no rosto ficou admirando-a.

A festa na sala comunal da Sonserina estava animadíssima. Ganhar do super time da Corvinal era garantia de uma grande festa. Apesar de Scorpius querer fugir para estudar feitiços não verbais Adam e o resto do time não deixou, eles sabiam que o Malfoy era o responsável pela vitória.

—Você só pode ir depois que virar dois copos de uísque de fogo.

Adam decretou quando viu a tentativa de fuga de Scorpius. O loiro revirou os olhos.

—Eu não bebo.

E de fato Scorpius não bebia, pois sempre que bebia acordava com ressaca moral e as vezes nem lembrava do que fazia.

—Nós temos 17 anos... temos que nos dividir. E além disso, eu amo o Scorpius bêbado.

Scorpius balançou a cabeça negativamente para os drinks que Zabine segurava.

—Tudo bem. Não sabe o que está perdendo – e virou os copos.

...

Rose estava ansiosa para ver Scorpius, queria conversar com ele sobre o jogo.

—Merlim. Se continuar olhando assim para a mesa da Sonserina vou achar que está começando a gosta para valer desse garoto.

Portia comentou sorrindo da reação da amiga.

—Ele viu alguma coisa no treino. Preciso saber o que era.

—Ro, eu acho que seu interesse nele não tem a ver com quadribol.

Rose sabia que Portia tinha razão. Desde a conversa que tiveram na enfermaria ela simplesmente não conseguia tirá-lo dos seus pensamentos.

—Ele é... não sei explicar.

—Merlim, você está muito caidinha por ele.

—Cala a boca.

Respondeu Rose sem conseguir tirar o sorriso do rosto, mas as duas não comentaram mais sobre o assunto, pois Hugo sentou-se ao lado da irmã querendo tirar dúvidas sobre transfiguração.

...

Scorpius sentou-se próximo ao lago negro com intenção de treinar feitiços não verbais, após vários minutos conseguiu levitar uma pena. Talvez ainda houvesse esperança para ele afinal.

Rose recorreu ao mapa do maroto para encontrar Scorpius. Assim que o encontrou no lado negro notou que ele estava muito concentrado olhando para uma pena. Fiquei um pouco distante admirando o esforço dele, quando a pena finalmente levitou ela revelou sua presença.

—Finalmente!

Exclamou para a surpresa de Scorpius. Rose explicou que estava ali há um tempo e não queria atrapalhar a concentração dele.

—Nós já perdemos. Pode por favor me dizer o que você viu no treino?

Scorpius não pôde deixar de rir.

—Por que se importa tanto com isso?

—Não sei. Só não consigo parar de pensar que você e eu assistimos o mesmo treino, mas você, você, viu algo que ninguém mais viu.

—Tá bom – disse ele dando por vencido – o ataque da Corvinal é muito equilibrado, porque sempre fica um na retaguarda, mas mesmo quando o Steve ficava atrás ele não tinha uma posição de retaguarda, ele não estava defendendo o time de eventuais contra-ataques, só era um atacante mais recuado. Sem o equilíbrio do ataque a defesa estava exposta e sejamos sinceros Martin não é o melhor goleiro de Hogwarts.

Rose ficou por 5 segundos absorvendo aquela informação.

—Merlim, você é incrível!

Exclamou ela animada.

—Você não fica muito atrás. É uma boa líder. Foi admirável o modo como falou com o time após a derrota.

—Viu aquilo?

Scorpius assentiu. Os dois se encararam por um tempo.

—Sabe, as vezes tenho a sensação de que você de alguma forma sempre está me olhando.

Scorpius ficou vermelho.

—Eu... é difícil não ser um dos vários admiradores que você tem por Hogwarts. Mas, sinto se te incomodei.

—Não fiquei incomodada, na verdade nem poderia estar, pois desde o dia que te vi na enfermaria eu meio que também ando te observando.

Se Scorpius fosse uma dessas pessoas confiantes provavelmente beijaria Rose nesse momento, mas ele não era esse tipo de pessoa e apenas ficou em silêncio tentando entender se aquela conversa era de fato o que parecia.

—Quer ir a Hogsmeade comigo?

Rose perguntou sorrindo internamente da expressão levemente assustada que Scorpius fazia. Será que ela estava avançando rápido demais?

—Você quer ir a Hogsmeade comigo?

—Sim. Eu quero.

Scorpius a olhava como se Rose tivesse acabado de dizer que gostava de comer gatos. Ótimo. Eu o assustei de verdade. Pensou ela.

—Ok. Sábado então.

—Até Sábado, Scorpius.

...

Melissa e Portia conversam encostadas em uma poltrona na sala comunal da Corvinal. As duas discutiam o cronograma da ida a Hogsmeade naquele sábado, principalmente se iam no Três Vassoura após ou antes irem na Dedos de Mel. Ficaram felizes quando Rose chegou, ela sempre trazia a racionalidade para essas discussões.

—Então o que acha, Ro?

Melissa perguntou estranhando o ar sonhador que a ruiva exalava.

—Hm... Não sei. Convidei o Malfoy para ir comigo.

Rose tentou soar como se tivesse contado alguma coisa sem importância, mas ela não conseguia tirar a expressão animada do rosto.

—Finalmente!

Elas comemoram dando um high five.

—Eu já está quase jogando vocês dois dentro de algum armário de vassoura.

Portia comentou rindo.

—Bom, funcionou para nós duas.

Concluiu Mel. E as três riram.

—Mas, então... como foi esse convite?

Mel questionou curiosa.

—Bom... estávamos conversando perto do Lago Negro e sabe... ele é tão charmoso e ao mesmo tempo completamente lerdo... sério! Eu praticamente disse que não conseguia tirar os olhos deles e ele ficou lá me olhando com a boca entreaberta... Ou eu o convidava para ir para Hogsmeade ou me atirava em cima dele. Optei pelo que o assustaria menos.

—Eu disse que a iniciativa tinha que ser tua.

Mel comentou ainda achando estranho a expressão de Rose. Nunca tinha visto a amiga assim com nenhum outro garoto antes.

—A depender de como for o encontro podemos nos encontrar no Três Vassouras.

Sugeriu Portia, garantido discretamente a vitória na discussão anterior.

—Pode ser... Na verdade, não sei bem para onde vamos ou o que vamos saber. A única coisa que eu sei é sábado tenho um encontro com Scorpius Malfoy.

...

Scorpius simplesmente não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. Ele sempre foi um dos vários admiradores de Rose e agora, finalmente, teria a oportunidade de leva-la a um encontro.

Zabine sorriu feliz quando encontrou o amigo sentado com o olhar abobalhado no dormitório que dividiam. Provavelmente estava pensando em Rose. Quando ele finalmente pensou que Scorpius ia esquecer essa paixonite a garota começou a perceber que ele existia.

—Te encontrei! E tenho uma novidade maravilhosa. Você e eu temos um encontro duplo no sábado.

Luke disse exagerando na animação. Sabia que o amigo iria recusar de primeira, ele sempre recusava.

— E, antes que diga não... saiba que eu estou tentando sair com a Sarah Walker desde o início das aulas e ela disse que só faria isso se você saísse com uma amiga dela. E, acredite Scorp... Victorie Zamba é linda, maravilhosa...

—Não vou nesse encontro duplo no sábado – cortou Scorpius.

—Se você dizer que é porque tem que estudar eu juro que vou te atirar no lago negro.

—Eu não vou nesse encontro duplo porque tenho um encontro com Rose.

Scorpius disse em voz alta pela primeira vez, ainda sem acreditar.

Zabine praticamente pulou em Scorpius comemorando.

—Quem diria que você ia conseguir ein? – comentou dando tapas nas costas do amigo – acho que a pancada do jogo de quadribol afetou a Weasley...

Scorpius não ligou para as insinuações do amigo, estava animado demais para se deixar levar pelas suas inseguranças.

...

Quanto mais o fim de semana se aproximava mais Rose ficava apreensiva. Um pequeno lado seu dizia que ela tinha assustado Scorpius para valer.

“Ro, pelo amor de Deus, ele já aceitou ir a Hogsmeade com você... o que mais você quer”

Portia dizia quando ela confessou suas inseguranças.

“Mas, e se ele aceitou somente por educação. Nós mal conversamos durante essas semanas.... além disso, quase não o vi desde que o chamei para sair e ele está sempre por perto”.

Melissa revirou os olhos.

“Rose, o garoto é um nerd, faz mais cadeiras que todas as pessoas do nosso ano, no mínimo ele deve estar preso na biblioteca estudando. Por Merlim! Ele mal consegue olhar pra você sem ficar abobalhado. Seria ridículo se não fosse absurdamente fofo”.

“Eu sei, estou soando como uma tola, mas é que ele é tão....”

Portia e Melissa sorriram da amiga.

“Odeio vocês!”

Rose retrucou vermelha. Merlim! Era tão estúpido ela não conseguir falar sobre Scorpius sem parecer uma tola.

Mas, as três pararam de falar assim que chegaram na entrada da sala comunal, pois o assunto estava escorado perto da estátua que dava acesso a sala comunal.

Ele não notou quando elas se aproximaram, estava muito concentrado lendo um pergaminho. Rose não notou, mas mordeu o lábio inferior quando o viu. O Malfoy concentrado era uma das coisas mais sexys que ela já vira.

“Até mais, Rose”

Portia disse bem alto, assustando Scorpius. O loiro as cumprimentou e aproveitando que elas conversavam com a estátua aproximou-se de Rose.

“Como sabe onde é a nossa sala comunal?”

Perguntou ela sem conter a curiosidade.

“Zabine já saiu com garotas de todas as casas”

Rose o encarou impressionada, mas o loiro apenas deu de ombro.

Houve um breve momento de silêncio.

“Então...”

Rose disse chamando atenção do loiro, pois ele parecia petrificado encarando o rosto dela.

Scorpius coçou a garganta tentando disfarçar que não tinha ficado perdido no olhar de Rose. Mexendo na nuca, claramente envergonhado.

“Tem algum lugar que você precisa ir em Hogsmeade, no sábado?”

Perguntou apressadamente.

“Por que?”

Retrucou Rose sem entender se era o início de uma fora ou se ele só queria saber para onde iriam.

“É que....” – Scorpius estava corando. Ele sentia-se mais idiota. Ficou receoso que a ruiva pensasse que ele era um idiota, afinal que tipo de pessoa faz um cronograma para um encontro? Merlim, ele não devia ter ido ali. Devia ter ficado na biblioteca tentando terminar seu planejamento. Lembra-se de Luke dizendo “Scorpius, a Weasley não é uma garota qualquer, se quiser realmente ter uma chance com ela vai ter que ser menos você. Menos metódico, pragmático, nerd”. Talvez, o amigo estivesse certo.

“É que...” Repetiu Rose. O loiro engoliu em seco.

“Bom... eu estava fazendo um cronograma do nosso encontro e então lembrei que precisaria comprar penas novas, então achei que seria insensato da minha parte não considerar as coisas que você também tinha que fazer... sabe, pra colocar no cronograma”

“Você fez um cronograma sobre o nosso encontro?”

Perguntou Rose sem conter o sorriso nos lábios. Aquilo tinha sido a coisa mais fofa que ela já tinha ouvido. Lembrou-se de Mel dizendo minutos antes em como ele era ocupado... e mesmo assim tinha tirado um tempo para planejar detalhadamente o encontro do dois.

Mas, o loiro não respondeu, pelo contrário ficou extremamente sem jeito, mexendo compulsivamente nos cabelos nuca, o que só aumentou o sorriso de Rose.

“Espera... o nosso cronograma é aquele pergaminho que você estava lendo antes da minha chegada?”

Pronto. Scorpius tinha certeza que ele estava totalmente vermelho. Merlim! Porque uma só vez na vida não tinha escutado o conselho de Luke? O moreno claramente conhecia mais de mulheres que ele.

“Posso ver?”

Pediu Rose tentando controlar o riso, pois Scorpius sem jeito era muito divertido.

“Por favor”

Suplicou ela. E relutantemente ele entregou o pergaminho para ela. Na verdade, o loiro duvidava algum dia conseguir negar alguma coisa quando Rose pedia daquele jeito.

HOGSMEADE –/ S.M

9 AM — Saída castelo

9:30 AM – Passeio perto das Casas dos Gritos (talvez entrar)

10:15 AM – Lojas de Penas Escribas.

10:45 AM – Dedos de Mel

11: 45 AM – Spintwitches artigos esportivos

12: 15 PM – Dervixes e Bangues (peões e rainha para reparar).

12: 30 PM – Restaurante Pepper

14 PM – Passear pela estação

15 PM – Café Madame Puddifoot

17 PM – Três Vassouras

Rose não conseguia não ficar admirada com Scorpius.

“Por que cortou a Spintwitches?”

“Pensei que você talvez pudesse querer ir porque Luke sempre tem que passar lá quando vamos para Hogsmeade, aí depois eu pensei que fosse uma coisa somente dele e não de todos os viciados em quadribol”.

Rose sorriu.

“Eu sempre passo na Spintwitches”

“Então sim, é uma coisa de todos os viciados em quadribol”

Brincou Scorpius.

“Se eu não passar na Gemialidades Weasley em um passeio a Hogsmeade eu serei deserdada... Acho que podemos dividir o horário da Dedos de Mel. O que acha?”

Continuou Rose ainda concentrada na lista.

Scorpius assentiu.

É claro que ele lembrou que os tios de Rose tinham uma loja em Hogsmeade, mas tinha pensado que ela provavelmente não ia querer ser vista com ele lá.

HOGSMEADE –/ S.M & R.W

9: 00 AM — Saída castelo (Rose sempre se atrasa, prepare-se mentalmente)

9:30 AM – Passeio perto das Casas dos Gritos (tem medo de entrar?)

10:15 AM – Lojas de Penas Escribas.

10:45 AM – Dedos de Mel

11:15 AM – Gemialidades Weasley

11: 45 AM – Spintwitches artigos esportivos (missão do Scorpius – não deixar Rose gastar todo o dinheiro em mini vassouras)

12: 15 PM – Dervixes e Bangues (peões e rainha para reparar; mini vassoura para consertar).

12: 30 PM – Restaurante Pepper

14: 00 PM – Passear pela estação

15 :00 PM – Café Madame Puddifoot (pedi muffins de baunilha)

17: 00 PM – Três Vassouras

“Pronto para a sua aprovação”

Rose falou devolvendo o cronograma para Scorpius. Ele sorriu quando leu as anotações dela.

“Portia e Mel provavelmente irão nos encontrar no Três Vassouras. Se preferir, chame o Luke”.

“Ele tem um encontro duplo duvido que vá aparecer, mas farei o convite”

Os dois se encaram mais uma vez naquela noite.

Scorpius sentiu uma enorme vontade de beijá-la, mas lhe faltava a coragem e a principalmente a confiança.

“Boa noite, Scorpius”

“Boa noite, Rose”

...

Scorpius e Rose encontraram-se na entrada do castelo e acabaram dividindo uma carruagem junto com Alvo, Portia, Melissa e Hugo. Os três primeiros iam de um lado e os demais do outro lado.

Scorpius pouco conversou durante o trajeto. Alvo, Hugo e Rose praticamente dominaram as conversas enquanto discutiam qual o melhor time de Hogwarts. O loiro achou divertido como as orelhas ficam vermelhas quando ela parecia perder um argumento ou em como ela apertava os punhos sempre que o irmão dela dizia que a Grifinória tinha os melhores artilheiros do castelo.

“Basta ver – afirmava Hugo acidamente – o ranking de gols desse ano”

Scorpius sorriu internamente. Sabia que Hugo na verdade só queria provocar Rose, pois ela só não estava no topo do ranking por causa do acidente que sofrera no jogo da estreia. Era de conhecimento geral que não havia ninguém tão bom quanto Rose em todos os times de Hogwarts.

“Se você não estivesse aqui ela provavelmente já tinha se atirado em cima dele batendo”

Alvo confidenciou para o loiro. Rose encarava Hugo com tanta raiva que sequer ouviu o primo, apesar de estar sentada entre os dois. Pela forma como ela apertava cada vez mais os punhos Scorpius acreditava que sua presença não impediria a briga por muito tempo, sobretudo depois que Hugo disse:

“Além disso, temos mais chances de aumentar a quantidade de gols porque nossa presença na final é quase certa. Será que pode dizer isso do seu time?”

Hugo, como todo irmão mais novo, adorava irritar Rose. Na verdade, ele gostava de ser uma das pouquíssimas pessoas capazes de conseguir tirá-la do sério. Mas, naquele dia em especial ele queria saber o quanto Scorpius atingia a irmã. E, pelo auto controle que ela estava demonstrando até então... ele notou que era muito. Droga! Seu pai não ia gostar de saber que sua filhinha estava envolvida com um Malfoy.

Hugo, no entanto, ao contrário do pai, estava achando interessante e até divertido. Desde que notara as conversinhas pelos corredores do dois ficou de olho no loiro e percebeu que ele tinha uma grande admiração por Rose, o que facilitava e muito Hugo gostar dele. Assim que percebeu que a irmã prezava demais a presença de Scorpius para brigar, bufou em desistência. “O Scorpius vai ter que descobrir sozinho com quem ele está se metendo”.

Mas, antes que pudesse expressar que estava só brincando e que Rose era a melhor jogadora do universo, o loiro falou alguma coisa no ouvido dela e ela sorriu relaxando e os dois começaram a conversar baixinho.

Hugo, Portia, Melissa e Alvo se olharam intrigados, quando Rose estava armada para brigar nem mesmo Hermione era capaz de fazê-la deixar uma discussão para lá, sobretudo se envolvesse quadribol.

“Não gaste todo o progresso com seu braço por causa de uma discussão sem fundamento. Você é e sempre foi a melhor artilheira do castelo”.

Mas, ao contrário do que os demais pensaram não foi a frase que a desarmou foi o toque dele. Scorpius segurou gentilmente as mãos dela.

“Se soubesse como é ter irmãos saberia o quanto é difícil não bater nele”

Foi a vez de Scorpius rir.

“Pensa que a melhor forma de provar seu argumento é em cima da vassoura, mas se bater nele terá pelo menos mais três semanas de castigo antes de ser liberada para voltar aos jogos e treinos”

“Além disso – o loiro disse chegando mais perto do ouvido dela – se um dia ele chegar na enfermaria com dor prometo dar uma poção estragada para ele”.

“Vou cobrar isso, Malfoy”

Rose disse com um sorriso vingativo no rosto.

O grupo se separou na entrada do vilarejo.

“Espero que quando a gente se encontrar no Três Vassouras seus lábios estejam inchados”.

Melissa comentou no ouvido de Rose quando se despediram. A ruiva sorriu da amiga, mas no fundo desejava o mesmo.

...

Rose agradeceu internamente por Scorpius ter colocado a Casa dos Gritos como primeiro local para ser visitado, pois o lugar estava quase deserto dando privacidade aos dois.

“O local fica cheio no fim da tarde, é quando fica realmente assustador”

Scorpius tentou soar com uma voz monstruosa, mas Rose riu. Ela sabia a verdade por trás daquela “Casa mal assombrada”.

“Acredita mesmo que é uma casa amaldiçoada?”

Perguntou ela com certo desdém.

A verdade é que sua mãe e seu padrinho tinham transformado o lugar em um verdadeiro tributo aos Marotos, colocando diversos feitiços ao redor do local para que ele transparecesse aterrorizante.

Hermione tinha contado a verdade para a filha no terceiro ano, quando Rose precisava urgentemente de um lugar para conseguir se concentrar nos estudos. Assim, a Casa dos Gritos tinha se tornado o seu refúgio em Hogwarts.

“Depende do horário. Agora, por exemplo, me parece só uma casa abandonada qualquer. Mas, a noite... Eu não faço o tipo de cara corajoso então sequer venho aqui...”

Rose sorriu guardando mentalmente aquela informação. Talvez ela o levasse ali a noite e mostrasse como era a Casa dos Gritos de verdade.

Hermione tinha proibido que ela levasse qualquer garoto para lá, mas analisando bem – pensou a ruiva enquanto admirava Scorpius aproximando-se da cerca que levava ao caminho da Casa dos Gritos – o Malfoy não era “qualquer garoto”.

“Se os monstros que habitam esse local mal assombrado te pegarem... não vou tentar salvá-lo. Tenho que resguardar meu braço para o quadribol”

Scorpius gargalhou. Ele pensou seriamente em se arriscar indo até a Casa dos Gritos, apesar de morrer de medo, só para que Rose não pensasse que ele era um medroso.

“Nesse caso, vou desistir da tentativa de provar que eu não sou um covarde”

“Você me impressiona muito mais quando não tenta provar nada”

Os dois sorriram cumplices.

...

Scorpius e Rose chegara à Loja de Penas Escribas com alguns minutos de atraso, mas o loiro, tão rigoroso com os horários de seus cronogramas sequer se importou. Ele, na verdade, não se importava com absolutamente nada desde que Rose continuasse a segurar suas mãos como vinha fazendo por todo o caminho desde a Casa dos Gritos.

Rose comprou duas penas que fazia correção ortográfica e pergaminhos especiais que só abriam na presença de certas pessoas.

Scorpius comprou um conjunto com 50 pergaminhos, um tinteiro vermelho, no mesmo tom do cabelo da sua acompanhante e penas normais.

A ruiva ficou impressionada em como Scorpius gostava de estar entre pergaminhos e penas, podia ver o quanto ele estava se controlando para comprar somente aquilo de que precisava.

...

Já na Dedos de Mel foi a vez de Scorpius ficar admirado com a quantidade de doces que Rose estava comprando. Ela pegou várias varinhas de alcaçuz, alguns sapos de chocolate e de creme de menta, caramelos cor de mel, penas de algodão doce e vários tipos de chocolate. Scorpius pegou apenas alguns feijõezinhos de todos os sabores e bombons de cor de rosa de sorvete de coco que eram os preferidos de Astoria e ele tencionava mandar para ela.

“Tenho uma confissão a fazer”

Scorpius disse chamando a atenção da ruiva assim que saíram da Dedos de Mel. Ela o encarou curiosa.

“Eu tinha tirado a Gemialidades Weasley do roteiro original, pois estava com receio que talvez não quisesse que eu estivesse com você na loja dos seu tio”

Rose sorriu e entrelaçou os dedos deles.

“Sabe, a loja também é do meu pai. Ele largou a carreira no Ministério ano passado, aparentemente mamãe e ele estavam brigando muito por conta do trabalho e ele achou melhor trabalhar de vez com o meu tio. Papai sempre ajudou na loja, mas dessa vez é oficial”

Scorpius engoliu em seco. Agora ele não sabia se queria ir com Rose. Sempre escutou os boatos pelo castelo como Ronald Weasley era absurdamente ciumento com a filha. Rose notou o olhar de desespero que passou no rosto dele.

“Relaxa, ele não vai estar na loja. Mandei uma carta para minha mãe. Pedi que ela inventasse uma desculpa para ele não vim esse final de semana para a loja. Não que ele não fosse gostar de você, é que quando significa apresentar qualquer pessoa para Ronald Weasley é sempre mais seguro que a mamãe esteja por perto. Nas últimas férias Hugo cometeu a estupidez de levar Sarah Walker lá em casa sem consultar se a mamãe estaria lá... bom, digamos que eu fiquei com dó da garota”

“Pensei que ele era ciumento só contigo”

“Não mesmo, quando se trata do lado ciumento do meu pai, para o bem e para o mal, ele é bem justo comigo e Hugo”

“Assim, que entrarmos na loja ele não vai ser informado que entramos juntos?” Ele pensou em incluir ‘de mãos dadas’ na sentença, mas ficou com receio dela largar a mão dele.

“Bom, sim. Mas, até lá estaremos protegidos em Hogwarts”

E, Rose lhe deu um sorriso tão confiante que ele não controlou o ímpeto de puxá-la loja adentro.

Scorpius e Rose divertiram-se bastante dentro da loja. O legal das Gemialidades Weasley era que você não precisava comprar nada para se divertir na loja, ela era interativa.

Rose estava comprando dois kits do Infalível Removedor de Espinhas em 10 Segundos e uma fita que fazia tranças no cabelo quando seu tio Jorge apareceu ao lado dos dois. Ela não esperava que seu tio estivesse lá. Geralmente quando pedia que sua mãe impedisse que Ronald fosse para loja ela garantia que Jorge também não o fosse. O ciúme era uma marca registrada de todos os Weasley’s.

“Posso saber porque estava de mãos dadas com um certo loiro, senhorita?”

“Também estava com saudade do senhor tio”

Disse ela se fazendo de desentendida. Rose fez uma cara muito parecida com Gina quando era mais nova, o que fez Jorge sorrir.

“Agora entendo porque Hermione precisava urgentemente de Ronald o dia inteiro, mas eu estou de olho mocinha”

Rose sorriu para o tio. Se ela dissesse que Roxanne estava agora mesmo no Três Vassouras ele certamente a deixaria em paz e correia para estragar o encontro da filha, mas todos os primos que estudavam em Hogwarts tinham uma regra – eles nunca se deduravam.

Quando Scorpius inocentemente chegou perto de Rose sem se dar conta de que ela conversava com seu tio, Jorge disse em um tom absurdamente sério.

“Então, veio na minha loja e não gostou de nada, senhor Malfoy?”

A ruiva revirou os olhos. Mas, o Malfoy ficou nervoso.

“Não... nada disso, senhor Weasley. Eu... eu... ia levar isso”

Disse pegando a primeira coisa que viu ao seu lado – um Chapéu Sem Cabeças.

Jorge levantou uma sobrancelha para Scorpius.

“Acha mesmo que eu vou vender uma coisa que vai te deixar invisível? Como vai usar isso, senhor Malfoy? Espero que não tenha intenção de sair escondido da sua sala comunal para ir visitar minha sobrinha”

O loiro ficou extremamente vermelho e não conseguia pronunciar nenhuma frase.

“Pronto tio, o senhor já divertiu bastante as custas do coitado que tal deixar a gente em paz?”

Jorge sorriu. Merlim, como Rose parecia com Gina.

“Tudo bem, já estou indo, mas vou levar isso aqui”

Disse ele pegando o Chapéu Sem Cabeças das mãos de Scorpius.

...

Scorpius ria sem parar depois que saíram da Gemialidades Weasley. Rose acompanhou a risada dele.

“Desculpa, mais uma vez, pelo meu tio”

“Tubo bem. Depois do susto até que foi engraçado. Deus, não acredito que de todas as coisas naquela loja eu pequei justamente um chapéu sem cabeça... eu quase morri quando ele sugeriu...”

E, caiu na gargalhada mais uma vez.

Quando chegaram na Spintwitches estavam 20 minutos atrasados no cronograma. Rose olhava Scorpius de soslaio com receio de que ele estivesse irritado com o atraso, mas ele ainda tinha lagrimas dos olhos da última crise de riso.

Ela parou de se preocupar com o horário no momento em que colocou os pés dentro da Spintwitches. Ela amava aquele cheiro. Nunca soube descrever aquele cheiro, mas sempre lhe dava a sensação de estar no campo de quadribol.

Depois de quase 2 horas Scorpius sorriu quando Rose chegou perto do caixa com 15 mini vassouras nos braços.

“Tem certeza que precisa de todas essas de uma vez?”

Perguntou o loiro lembrando-se da sua missão.

Rose hesitou com a pergunta, mas o puxou para um canto da loja. E explicou detalhadamente o porquê cada uma daquelas mini vassouras eram essenciais na vida dela.

Enquanto ela falava ele se perguntava se Draco o mataria caso ele comprasse toda a loja para Rose. Sorriu pensando na expressão que o seu pai provavelmente faria.

“Tudo bem, entendi que é importante para ti, mas, sabe elas não vão embora daqui. Então que tal escolher no máximo duas”

Rose ficou encarando as 15 mini vassouras em seus braços e olhava pra Scorpius com pura indecisão.

“Eu odeio você, Malfoy”

Disse jogando as vassouras no braço dele e se dirigindo ao caixa com duas nimbus nas mãos.

...

Na Dervixes e Bangues foi rápido. Eles deixaram rapidamente seus itens e ficou acertado que receberiam por correio bruxo na semana seguinte.

...

“Eu acho o cronograma já não nos serve mais”

Comentou Rose nervosa olhando o horário, assim que chegaram no Restaurante Pepper.

Scorpius conferiu o cronograma.

“Bom, acho que podemos pular o passeio na estação. Podemos planejar um piquenique lá depois”.

“É impressão minha ou acabou de me chamar para sair?”

Perguntou Rose com um sorriso de canto de boca. Scorpius levantou o olhar do pergaminho, encarou os olhos azuis da ruiva e sorriu para ela.

“Se você quiser é claro... minha agenda está e sempre estará livre para você”

“Tem certeza? Já deixei claro hoje que não sei seguir cronogramas”

“A culpa foi minha. Eu devia saber que não tinha como reservar menos de três horas para você na Spintwitches”

Rose sorriu

“E livrarias. Por Merlim, não sei contar quantas vezes já fiquei de castigo poque minha mãe colocava um prazo para que eu voltasse e eu simplesmente me perdia entre os livros. Mas, confesso que hoje foi diferente... está na Spintwitches... não sei porque... não sei se foi o cheiro, o ar... eu senti uma falta do campo de quadribol. Acho que nunca tinha percebido o quanto era importante para mim está no campo”

“Eu sei que estou com saudade de jogar, sinceramente... acordo pensando nisso todo dia, mas, não sei, está na Spintwitches me fez perceber o quanto eu realmente estou com saudade do campo, de estar na vassoura, nos goles, nos gritos... Sei que é estúpido...”

“Não acho que seja. Você ama jogar quadribol e é perceptível o quanto você gosta da atmosfera que o jogo proporciona, então acredito que é mais do que natural que esteja sentindo tanta falta”.

“Essa sensação de privação do jogo me fez ter dúvidas quanto ao meu futuro... Sempre achei que queria fazer jornalismo, como James e minha madrinha, mas não sei se suporto não continuar jogando quadribol. Em poucas semanas eu já estou enlouquecendo..., mas, por outro lado sempre quis fazer algo significativo para o mundo e não se conseguiria realizar isso jogando quadribol profissionalmente”.

Rose se surpreendeu consigo mesma, era a primeira vez que expressava os pensamentos que rondavam sua cabeça durante as semanas.

“Por que acha que não pode contribuir significativamente para o mundo jogando quadribol?”

“Bom, para falar a verdade eu não sei”

Respondeu corando.

“Talvez, você tenha uma ideia muito própria do que isso signifique. É claro que revelar as verdades por trás das politicagens é uma forma bem direta e corajosa de dar os alicerces de uma mudança, mas se pensar bem a posição de jogadora de quadribol pode te torna uma pessoa influente com diversas camadas sociais. Se você souber trabalhar essa imagem... e eu acredito piamente nisso, você pode moldar as mentes das pessoas. Ser um exemplo também é capaz de mudar o mundo. E, eu corro o risco de dizer, inclusive, que as pessoas aprendem muito mais com ações que com palavras. É claro que nas duas profissões que escolher poderá realizar mudanças e ser um exemplo... na verdade, qualquer coisa que você escolher”

Rose ficou pensando sobre o que Scorpius disse enquanto comiam.

“O que seus pais acham de seguir a carreira deles?”

“Eles não sabem ainda” Confessou Scorpius. “Mas, provavelmente ficarão bem surpresos. Sempre odiei acompanha-los ao St. Mungus e não suportava discussões sobre doenças mágicas”.

Rose arregalou os olhos

“Um acidente com Zabine te mudou tanto assim?”

“Prefiro não dar todos os créditos a ele. Eu acho que sempre gostei, mas tinha ciúmes, sabe? Meus pais sempre trabalharam muito e eu sou filho único, então é meio normal que eu quisesse a atenção deles só pra mim, certo? Acredito que minha antipatia tenha partido disso. Mas, quando Luke se machucou eu percebi o quanto eu sempre gostei de tudo que envolvia doenças mágicas”

“Se qualquer pessoa me pedisse para fazer uma descrição de ti, eu jamais mencionaria ciumento”

Scorpius sorriu timidamente.

“Em geral eu não tenho, exceto com meus pais e coisas bem especificas”.

“Como o quê” Perguntou Rose sem conter a curiosidade.

“Eu tenho uma pena de faisão, que ganhei do meu pai na primeira vez que o venci no xadrez bruxo; meu tabuleiro de xadrez, minha mãe o encomendou especialmente para mim no dia que recebi minha carta de Hogwarts e me deu quando entrei para o Clube de Xadrez; e com o meu mapa estelar, minha avó paterna me deu quando eu tinha 7 anos, foi mais ou menos na época em que comecei a me apaixonar por astrologia. Ela escolheu meu nome. Segundo ela, o Scorpius tem uma simbologia de transformação, de renascimento e eu seria o início da transformação da família Malfoy”

“Então você só tem ciúmes de coisas significativas”

Scorpius pensou um pouco sobre a sentença da garota.

“Nunca tinha pensado por esse ângulo, mas acho que você tem razão”

“Os Weasley’s têm ciúmes de qualquer coisa. É quase nossa marca registrada”.

Os dois conversaram por quase duas horas sobre suas famílias.

Rose contou sobre como era crescer numa família tão grande e tão unida. Sobre os benefícios de ser filha e afilhada de heróis de guerra, sobre como era surpreendente que seus pais brigassem tanto e ao mesmo tempo se amassem, sobre como era bom e péssimo ter um irmão mais novo e tantos outros primos que eram quase irmãos, como era sempre poder montar dois times completos de quadribol sempre que a família se unia. Ela contou ainda da pressão que sempre sofria indiretamente da mãe para ser grande e em como o pai dela era um ótimo conselheiro para aposta de quadribol e principalmente contou sobre o quanto amava estar com a família.

Scorpius contou sobre o outro lado da moeda – como era crescer em uma família pequena, seus pais sempre foram muito dedicados ao trabalho, mas sempre arranjavam um tempo para ficar com ele, discutiam sobre quadribol, jogavam jogos de cartas, de tabuleiro, por vezes liam juntos, em momentos especiais cantavam. Os pais dele nunca brigavam, não que ele notasse pelo menos, os dois não eram de ficar falando o quanto amavam o filho, mas sempre demonstravam. Sua mãe sempre comprava a revista de gibi preferida dele quando tinha que ir no Beco Diagonal e Draco sempre fazia respeitou todas as escolhas do filho. Astoria e Draco nunca pressionaram Scorpius para ser nada além dele mesmo e sempre demonstravam estar orgulhosos dele.

“Scorpius, o que acha de comprarmos uns muffins na Madame Puddifoot e irmos para a estação?”

Rose sugeriu. Ir a Madame Puddifoot com Scorpius atrairia olhares para os dois, o que iria deixa-lo sem jeito. Ele sorriu satisfeito com a sugestão.

...

“Você sempre faz cronogramas para tudo?”

Perguntou Rose curiosa. Na verdade, ela estava surpresa por ter demorado tanto para perguntar.

“Nem sempre” Respondeu sem jeito. Como explicar pra a ruiva na sua frente que tinha se tornado um hábito? Que seus pais sempre o deixavam planejar um dia inteiro nas viagens que faziam. E, ele sempre se empenhava para tornar o dia perfeito, pesquisava tudo sobre o local, sobre os costumes, sobre os lugares para se conhecer, até saber o bastante para criar o roteiro de um dia. Um dia perfeito.

“Geralmente eu faço quando quero que o dia seja perfeito”

Rose o encarou e sem perceber mordeu o lábio inferior com a resposta do loiro. Eles estavam bem próximos um do outro. Tinham conjurado uma toalha de piquenique e haviam sentado perto da estação de trem com os chás e muffins da Madame Puddifoot.

“Se o objetivo era fazer desse o primeiro encontro perfeito eu diria que foi concluído com sucesso”.

Rose comentou sem tirar deixar de encarar os olhos cinzentos de Scorpius.

“Eu diria que foi quase perfeito”

Disse ele aproximando-se mais de Rose. Ela notou quando os olhos deles deixaram de encará-la e voltaram-se para a boca dela. A ruiva sentiu uma vontade enorme de rir, mas segurou-se, aquele, definitivamente, não era um momento para risadas.

“Quase? Está esperando nossa ida ao Três Vassouras para decidir?”

Scorpius usou toda a sua coragem para aproximar o rosto do de Rose. E eles ficaram a centímetros um do outro por breves segundos, então ele encostou os lábios delicadamente nos dela, um selinho somente e depois outro, e outro, até que ele a puxou para si.

Rose não acreditou, mas sentiu borboletas no estomago quando aprofundaram o beijo. E, Merlim, como ele beijava bem.

...

“Não acredito que conseguimos chegar antes deles”

Scorpius disse animado. Ele destetava chegar atrasado em compromissos, mas notou que daquela vez não estava chateado. Talvez, disse uma vozinha no fundo da sua cabeça, seja porque você estava aos beijos com Rose.

Os dois se encaravam sorrindo um para o outro, estavam sentados um do lado do outro. Discretamente ele colocou o braço nas costas de Rose e ela se aproximou ainda mais dele. Pediram duas cervejas amanteigadas enquanto aguardavam os amigos dela chegarem.

“Nunca conte com a pontualidade da minha família e dos meus amigos”

Scorpius assentiu e fez uma nota mental sobre.

Eles chegaram todos juntos. Assim, que o grupo entrou no Três Vassouras Scorpius tirou rapidamente os braços atrás de Rose, mas ao contrário do que ele imaginou ela não se afastou dele.

“Estão atrasados”

Foi a primeira coisa que Rose disse quando eles se aproximaram. Ele riu. Os dois só haviam chegado 7 minutos antes dos demais. A ruiva deu uma olhada para ele.

“Esse olhar significa cala a boca e não atrapalhe a lição de moral que estou prestes a dar”

Explicou Alvo sentando ao lado de Rose. Melissa e Portia sentaram ao lado dele. E do lado oposto da mesa sentaram Hugo e Lilian.

“A culpa foi totalmente minha. Passei horas para decidir entre dois vestidos, no fim das contas acabei comprando os dois. E, agora não tenho mais dinheiro para comprar mais nada”

Lilian disse tristonha. Alvo bufou irritado.

“Tá bom. Por Deus. Eu pago a bebida pra ti, mas por favor, só para de fazer essa cara”

“E essa senhora e senhores é a vantagem de ser a irmã caçula”

Lilian disse em seu tom normal.

Scorpius estava chocada com o teatro da Potter.

“O teatro é uma das características da família Weasley também?”

Perguntou Scorpius. Ele pretendia que só Rose o escutasse, mas falou alto demais. A mesa toda sorriu.

“Infelizmente não é uma coisa de família, mas de irmãos mais novos”

Respondeu Rose olhando diretamente para Hugo. O ruivo deu de ombros.

“Cada um joga com as armas que tem. Além de ótimo ator, sou muito bom em azarações. Entende o que eu quero dizer, Malfoy?”

Rose olhou brava para o irmão, mas Hugo não se importou e ficou encarando Scorpius. O loiro assentiu.

“O ciúme é uma marca registrada de todos os Weasley’s”

Disse ele baixinho no ouvido Rose quando percebeu que ela começava a se estressar com o irmão.

Ela sorriu pra ele. E os dois ficaram de mãos dados por debaixo da mesa. Somente Portia e Melissa perceberam, mas nenhum dos dois ligaram.

...

Eles se divertiram muito juntos. Scorpius é claro participou ativamente de poucas conversas, mas ninguém o pressionou a participar, de certo modo entendiam a dificuldade que era entrar no ritmo daquela família. Portia e Melissa foram as que mais davam abertura para ele, talvez porque em algum momento do passado tenham passado pelo mesmo.

...

Rose já sabia o que a esperava quando entrou em seu quarto. Portia e Melissa a esperavam ansiosas pelas fofocas. A ruiva entrou no quarto quase flutuando e atirou-se na cama com um grande sorriso nos lábios.

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“Foi tão bom assim?”

Melissa perguntou animada com a felicidade da amiga.

“Tenho que ficar falando para mim mesma que nós só nos conhecemos há poucas semanas, mas ele é tão....”

“E o beijo dele?”

Portia sem conter a curiosidade. Rose olhou para as amigas e suspirou caindo na cama em seguida.

“Deus, como você está caidinha por ele”

Melissa disse jogando uma almofada na amiga.

...

Scorpius estava claramente nervoso naquela manhã, na verdade mal tinha dormido, pois não conseguia parar de pensar em qual seria o melhor comportamento para adotar na manhã seguinte, afinal ele e Rose tiveram um ótimo encontro, tinham até mesmo trocado beijos, tinham voltado para o castelo de mãos dadas e ela deu um beijo de despedida nele.

Isso implicaria que ele tinha que aguardar ela na frente do dormitório da Corvinal para que fossem para o salão principal juntos? Eles deveriam tomar café juntos? E, se não, ele deveria em algum momento durante o café da manhã ir até ela desejar bom dia? Ou deveriam se encontrar após o café e acompanhar ela até a próxima aula?

—Você tem que ser indiferente. Não pode demonstrar que ela te afeta, você tem que agir como se o encontro tivesse sido apenas ok, e o mais importante só deve conversar sobre um próximo encontro após, pelo menos, duas semanas.

Afirmou Zabine quando Scorpius externou suas preocupações.

Quando finalmente amanheceu o loiro estava decidido que iria agir normalmente, seja lá o que aquilo indicasse.

Assim que sentou na mesa da Sonserina viu Rose do outro lado do salão conversando com seu irmão Hugo. Os dois sorriram um para o outro e pelo resto do café da manhã ficaram trocando olhares.

—Eu disse agir indiferente não ficar agindo feito bobo.

Zabine alfinetou, mas Scorpius não se importou, nada importava desde que Rose continuasse a sorrir para ele.

...

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