Endless Love

45 2ª Temporada Capítulo 19 - Limites no Amor


Notas iniciais
Boa noite! Cheguei com a primeira postagem de 2015. Espero que esse seja um ano maravilhoso, para todas nós e a nossa fic. E em questão de surpresas e novidades, o ano será recheado podem apostar ;). O título é bem sugestivo e ao longo do capítulo entenderão o porquê. Espero que gostem, nos falamos um pouco mais lá embaixo. Boa leitura. Apreciem Com Moderação. Capítulo Postado Em: 17/01/15

— Edward, onde está nos levando? Não sabe que sou a pessoa mais curiosa do mundo?

Perguntei pela milionésima vez, enquanto ele segue com o carro em direção a um lugar que até agora não sei qual é.

— Calma mamãe, já está chegando.

— Não pense que esquecerei que está compactuando com seu pai em esconder as coisas de mim, ouviu mocinho?

— Bella, por favor, calma. Em instantes saberá o que é. Realmente já estamos chegando.

— Pois bem. Se já estamos chegando, porque não falam logo do que se trata.

— Se falarmos, mesmo que agora, deixará de ser surpresa, não tente trapacear Bella, espere e verá.

Fechei a cara e cruzei os braços indignada com os dois.

Eles sorriram do meu jeito, mas percebi a troca de olhares significativa, porém permaneceram em silêncio.

Que ótimo, agora os dois são os cúmplices, enquanto apenas fico de fora dos acordos familiares.

Não passou muito tempo realmente, até ver Edward entrar em uma rua de menos movimento, uma rua residencial, pelo o que pude observar.

Não entendo o que podemos estar fazendo aqui, viemos visitar alguém? Algum amigo dele por suposto, alguém que não conheço, porque tenho certeza de nunca ter vindo aqui antes.

Edward estacionou o carro e o olhei, questionando sobre a parada. Ele não disse nada, apenas desceu e Miguel o seguiu. Ele deu a volta e abriu minha porta, sai e os acompanhei.

Paramos em frente a uma casa, os muros são altos, protegendo o redor da propriedade. A frente não pode ser vista da rua, apenas a construção elevada, indicando que há mais de um andar.

— Já pode dizer o que estamos fazendo aqui? É a casa de algum amigo seu? Se for, deveria ter avisado antes, para que me arrumasse um pouco mais e não ter me pego direto do trabalho e trago para cá.

— Em primeiro lugar Bella, você está linda. Já disse até que acho que vai arrumada demais para o trabalho. Depois, essa não é a casa de um amigo. Não haverá ninguém além de nós aqui.

— Então?

— Vem olhar mãe.

O percebi entrar na propriedade pelo portão social.

— Miguel, pare agora mesmo. Você não pode entrar sem ser convidado.

Tentei segui-lo, mas ele já está no jardim da casa. Edward, atrás de mim, não diz nada, apenas sorri.

— Edward, vai deixar seu filho entrar assim na casa alheia?

— Não tem problema entrar em uma casa que será sua.

Como?

— Essa é a surpresa Bella. A trouxemos para ouvir sua opinião, mas posso dizer que estou com um contrato praticamente fechado para comprar essa casa, para nós.

Creio que parei de respirar por um momento, até meu cérebro processar o que Edward falou.

— Uma casa? Para nós? Para nossa família?

— Exatamente, para morarmos assim que casarmos. Uma casa como imaginamos. Com jardim, área de lazer e piscina. Para aproveitarmos todos os momentos. Com espaço para termos mais filhos e criá-los com conforto e comodidade. Assim como foi conosco.

— Não estou acreditando... Edward! Como conseguiu? Desde quando tem visto isso? Quero saber tudo.

— Vou te contar, mas antes, que tal conhecer a casa por dentro? Você precisa conhecer tudo para ver se realmente gosta. Vamos?

— Sim, claro.

— Vem mamãe. Vou mostrar os cômodos, vim aqui com o papai e o corretor quando ele estava escolhendo. Ajudei a decidir, porque adorei o lugar. Tomara que a senhora goste também.

— Tenho certeza que vou, meu bem. Se você e seu pai gostaram, não tem como não gostar.

Com isso, comecei a observar melhor o local.

A casa é clara, suas cores contrastam entre o branco e o tom pastel, por fora tem a entrada social com um lindo calçamento de degraus que leva até a porta e ao lado se encontra a garagem.

Edward abriu a porta e ao entrarmos, se possível, me encantei mais. É claro que tudo ainda não passa de um espaço vazio, porém só ao ver a disposição dos cômodos e imaginar quando tudo estiver preenchido com nossos móveis, com nossa vida familiar, posso com certeza me encantar, como Edward e Miguel.

Os dois foram mostrando tudo, falando que o andar inferior dispõe de dois espaços. Onde um pode ser a sala de estar e o outro de jantar, esta próxima à cozinha, que é incrível também.

Há um cômodo que Edward sugeriu montarmos uma espécie de escritório/biblioteca, dado o exemplo da casa dos Cullen. Tem um banheiro no primeiro andar também. Pela cozinha e parte da sala, dá acesso à área externa de trás, com maior extensão do jardim e piscina.

Ao voltarmos para dentro da casa, me levaram ao andar de cima. Num corredor extenso que se dividi entre dois extremos, têm três quartos, mais uma suíte, além de outro banheiro social.

Entrei em todos os cômodos e Miguel fez questão de mostrar o quarto que vai querer, fica no extremo oposto esquerdo do corredor, onde a visão que tem é do fundo da casa e também da propriedade vizinha.

Ao chegarmos ao nosso possível quarto, com certeza pude imaginar um futuro ali. É o quarto com suíte e varanda, com uma vista incrível de pontos da cidade que não se pode ver de qualquer lugar.

De repente Edward e eu ficamos a sós.

— E ai? O que me diz? – Perguntou esperançoso.

— Não sei o que dizer, além de que, é perfeito. Amei, realmente soube escolher sabendo o que é melhor para nossa família. Por mim pode fechar o contrato amanhã mesmo.

— É o que farei. Fico realmente feliz que tenha gostado, a primeira vez que entrei, não sei, senti que é o lugar para continuarmos construindo o resto das nossas vidas.

— Senti isso também, a cada lugar, consegui visualizar perfeitamente nosso futuro, realmente me senti em casa, no nosso lar.

Sorri e Edward me acompanhou no gesto, pouco antes de me puxar para seus braços e beijar-me terna e calorosamente.

— Vamos ser muito felizes aqui, prometo.

— Eu sei, sinto isso a cada dia que estou contigo.

Permanecemos um tempo em silêncio, perdidos em nossa própria bolha.

— Bella, estou há dias querendo comentar uma coisa com você, agora que os convites já foram entregues, não posso mais adiar.

— Diga, sabe que pode falar qualquer coisa comigo.

— Estive pensando. Gostaria muito de ter convidado o Riley para ser meu padrinho de casamento, mas como temos a conta certa em casais, acabei não o chamando. Porque não tenho uma mulher que seja importante em minha vida, para que possa acompanhá-lo e ele tão pouco está namorando.

— Edward, deveria ter dito isso antes, teria poupado uma dor de cabeça mais, a nós dois.

— Por quê? Você tem alguém para convidar?

— É claro que tenho ou acha que estava feliz em não ter Angela como minha madrinha? Ela foi minha melhor amiga nesses anos em que estivemos longe, assim como Riley foi o seu. Nada mais justo do que chamá-los e deixá-los juntos, mostrando como cada casal, a importância que têm em nossas vidas.

— É uma ótima ideia, mas acha que o Ben vai se chatear em não ser o par da Angela?

— Não, de forma alguma. Ele é um ótimo amigo e compreenderá perfeitamente o significado da Angela e o Riley serem nossos padrinhos, além do que, durante a cerimônia podemos dispor os casais de forma diferente. As mulheres ao meu lado, os homens ao seu. Eles só ficarão juntos na entrada e saída, na hora das fotos... Não vejo problema, vou conversar com as meninas e colocar mais esse detalhe na cerimônia.

— Está passando tão rápido e ao mesmo tempo ainda está tão longe do grande dia.

— Não se preocupe Dream, daqui a menos de dois meses, seremos oficialmente marido e mulher.

— Mal posso esperar.

Mais uma vez, nesse momento, nessa noite. Edward me beijou dentro do nosso novo quarto, no nosso novo lar.

***

Sou uma pessoa realmente abençoada pela família que tenho...

Se não bastasse o apoio em diferentes aspectos, com os preparativos do casamento, depois que a notícia da compra da casa se espalhou. Nossa equipe de padrinhos, junto com meus pais, os de Edward e ainda seus avós, se uniram e decidiram que a forma de presentear-nos, será com a mobília da casa.

É certo que geralmente os pais e os padrinhos dão algum utensílio doméstico de grande valor, mas fazer isso da forma que estão fazendo, não tem precedente.

Nosso time de padrinhos já conta também com a participação de Angela e Riley, que concordaram de pronto com a ideia dos presentes e ficaram muito honrados em serem convidados.

Angela prometeu vir em alguns fins de semana para me ajudar e fazer sua prova de vestido com Alice, além de claro, vir para meu chá de cozinha/lingerie.

Que já estou começando a temer, já que estão sendo preparados pelas mentes loucas da minha irmã e excelentíssima cunhada, Alice.

Claro que diante de uma oferta tão generosa como essa, Edward e eu não recusaríamos, entretanto, fizemos um acordo de fazer o orçamento total de tudo que queremos e ao fim, colocar nas contas 30% do valor para pagarmos sozinhos, ficando o restante para ser dividido entre todos.

Com isso, o acervo de preparativos em volta do casamento, está ainda maior, não contando apenas com os detalhes da cerimônia. Agora temos a missão também de toda noite estudar projetos de plantas decorativas para cada cômodo da casa.

Agilizo parte das ideias ainda no escritório, procurando os melhores contatos e a melhor empresa para fazer o serviço de decoração e a noite trago tudo para ser decidido em família. Miguel também sempre está presente nas decisões, ajudando a escolher tudo o possível e em especial, como será seu novo quarto.

Em contrapartida, ainda estamos ligados aos preparativos para a cerimônia, que a essa altura, já tem seus maiores detalhes encaminhados. O salão foi escolhido e alugado, as equipes de Buffet e decoração, tanto para a igreja quanto para a recepção, também já foram acertadas.

Em resumo, a parte que ainda está em processo são os trajes. Edward está se preparando para ir com os rapazes decidir sobre seu terno e o deles. E Alice vem trabalhando com todo afinco para confeccionar os vestidos de forma brilhante a tempo do casamento.

Em uma conversa com as madrinhas, ficou decidido que a cor será vermelho, é uma aposta ousada, mas tenho certeza que o contraste das madrinhas de vermelho, com meu vestido branco, darão um bom destaque a pureza da minha encenação.

Realmente uma pureza só cênica mesmo, diante de tudo que já fiz com o noivo antes do casamento...

Ri desses pensamentos e acabei chamando a atenção de Edward.

— Por que desse sorriso sapeca?

— Por nada, apenas pensamentos aleatórios sobre questões do casamento.

— Tudo bem, por hora deixarei passar, mas continuando. Acho que esse modelo de banheiro para os sociais é realmente muito bonito, o nosso merece aquele designer mais sofisticado, por conta da banheira e tudo mais. O que acha?

— Concordo. Gostei bastante desse estilo desde que vi pela primeira vez. Acredito que ficará ótimo na nossa casa.

Estamos sentados na sala, discutindo últimos detalhes, já que nessa semana começará a ser feito o projeto de reforma e adaptação de alguns cômodos. E depois, a mobília será instalada.

Miguel nos acompanha também, mas hoje não está dando muitos palpites. Desde que chegou, o percebi mais quieto, durante o jantar e mesmo agora, enquanto faz suas lições, seu olhar perdido está me preocupando.

— Miguel? – O chamei e ele levantou o rosto. – O que achou das escolhas que fizemos, gostou?

— Sim, são legais.

Respondeu indiferente.

Edward e eu trocamos um olhar significativo, com ele também percebendo que há algo errado.

— Miguel, o que foi? Não está mais animado com a reforma? Ou o dever veio mais difícil hoje? Sabe que pode nos pedir ajuda, se for o caso.

— Não pai. O dever está tranquilo, até já terminei.

— Então, por que parece tão disperso, tão longe?

Edward insistiu um pouco mais.

— É que aconteceu uma coisa hoje na escola...

Ele começou, mas parou no meio da frase, então pegou um papel que estava em meio aos seus cadernos e nos deu.

Lemos juntos e não acreditei no que vi.

— Miguel, pode fazer o favor de explicar o que significa isso?

Perguntei em choque, pois o bilhete informa que ele se meteu em uma confusão, a partir dessa, um garoto foi parar na enfermaria e os pais de ambos estão sendo chamados para comparecer na escola amanhã.

— Mãe, a culpa não foi minha.

— Como a culpa não foi sua? Se você se meteu em briga na escola, é claro que a culpa é sua. Nada acontece sem a nossa permissão.

— Bella, calma. Vamos ouvi-lo. – Edward pediu. – Miguel, agora fale o que houve.

— Tem um menino na escola, Denis. Ele é muito chato e vive implicando com todo mundo. Se acha o maioral só porque é mais alto que a maioria dos meninos, mas não é mais alto do que eu.

— Então você foi tirar satisfação com ele, por que tem igualdade em altura?

— Não mãe, eu nem ligo para ele. Mas como ele sabe que não pode competir comigo, também não me chateia, só que eu vejo como age com os outros, inclusive com meus amigos. Hoje ele fez uma coisa que não aguentei, então brigamos, mas estava tudo bem, até que ele tropeçou e caiu por cima do braço. Alguns disseram que empurrei, mas na hora que caiu foi sozinho, não empurrei ninguém.

— Miguel, não posso acreditar. Você brigou na escola e ainda machucou um colega.

— Ele não é meu colega mãe.

— Miguel, você entendeu o que sua mãe quis dizer. Independente de se darem bem ou não, não deve brigar na escola. Mesmo que não tenha empurrado o menino, caso não tivesse ido brigar, nada disso teria acontecido, mas pelo que entendi, estava tentando defender alguém. Teremos que explicar isso aos pais do menino amanhã.

— É só isso que vai dizer Edward? Passar a mão na cabeça dele e tentar justificar aos pais do garoto?

— E o que acha que deve ser feito Bella? O garoto também estava errado. Nosso filho só foi defender um colega mais indefeso.

— Ah, claro. Está argumentando isso porque não é seu filho que está machucado. Miguel está errado, brigou, agrediu outra pessoa, não importa se a queda do menino partiu dele ou não, o erro todo começou antes. – Virei para o Miguel. – Quantas vezes já não falei que quando tiver um problema, deve chamar um adulto? Não sair brigando com um colega. Vá para o seu quarto e a partir de agora está de castigo.

— Mas mãe. A culpa não foi minha, a senhora não sabe o que ele fez...

— Miguel, vá para o seu quarto. – Edward interferiu. – Vou conversar com sua mãe.

— Mas não mereço ficar de castigo pai. Eu não empurrei ninguém. E nem fui eu que começou.

— Vá Miguel. Vou conversar melhor com a sua mãe, mas, por enquanto, nos deixe a sós.

— Tudo bem.

Ele pegou suas coisas e saiu, ao ficarmos sozinhos, falei.

— Vai ser assim agora? Vai me desautorizar na frente do Miguel?

— Você também não me comunicou para decidir se ele merece ficar de castigo ou não.

— E você acha que está certo? Que brigar e deixar o outro colega ir parar na enfermaria é legal?

— Não Bella, não acho. Em nenhum momento disse que ele está certo. Só que também não vou culpá-lo sozinho, o outro garoto também errou. Você conhece o Miguel, sabe que ele não faria nada sem um motivo.

— Por isso mesmo. Miguel tem que aprender que não é assim que se resolvem as coisas. Se não for repreendido agora, crescerá achando que sempre que cometer algum erro, poderá se safar. Ele tem que aprender como lidar com situações do tipo de outra forma e não sair brigando.

— Sei disso, também não quero que nosso filho vire o brigão da escola. Só não vou condená-lo sozinho, por algo que não começou. As crianças são assim Bella, eu mesmo, já me meti em várias confusões quando criança, depois tudo passa.

— Esse é o exemplo que está querendo dar? Que uma confusãozinha na escola pode ser justificada? Poupe-me Edward. Não vou criar meu filho assim.

Nosso filho. Não esqueça que ele é meu filho também. E tenho os mesmos direitos e deveres sobre ele que você. Não estou dando mau exemplo. Só não concordo com a ideia do castigo, não antes de irmos à escola e saber realmente como tudo aconteceu.

— Edward. Sei o que é melhor para ele, sei como proceder em situações assim, o criei sozinha...

— Começou... Já vai jogar na minha cara que não estive com vocês, é isso?

— Não Edward, não estou jogando nada na cara de ninguém, só constatando fatos.

— Bella, chega. Você está dizendo que não devo opinar, porque não estive presente durante esse tempo, portanto, não tenho autoridade para tal. Ou está apenas me desqualificando das autoridades de pai. E seja qual for à opção, não aceitarei. Eu sou o pai do Miguel e também responsável por ele, sendo assim, você querendo ou não, tomo decisões por ele sim. E não concordo com o castigo, então até amanhã, a segunda ordem, está suspenso.

— Então agora tomou as rédeas sozinho e é o dono da razão e da verdade? Não importa o que ache?

— Quando acho que está sendo precipitada e agindo errado? Sim. Estou assumindo esse assunto a partir daqui. Como você mesma estava pontuando, teve muito tempo sozinha para lidar com os assuntos do Miguel, a partir de agora, assumo a responsabilidade.

— Espera ai. Não estava reclamando de ter cuidado do nosso filho sozinha.

— Sei que não, mas não se preocupe mais, amanhã vou ao colégio conversar com os professores e esclarecer toda a situação, pode ficar despreocupada que conseguirei resolver tudo. Agora se me der licença, vou conversar com o Miguel.

Edward saiu sem me deixar dizer mais nada, dando por encerrada a conversa.

Suspirei sem conseguir acreditar em como aquela revelação e conversa chegaram a uma discussão desse tamanho.

Ai Edward. Seu idiota, imbecil, egocêntrico.

Exasperei em fúria e chateada ao mesmo tempo.

Ele levou tudo que falei de forma errada e depois usou contra mim. Não quis desconsiderá-lo das funções de pai e tão pouco jogar na cara um fato que não pode ser mudado.

Quando falei sobre saber lidar com o Miguel, apenas quis pontuar que já passei por situações assim. E não culpá-lo por não ter estado conosco naquela época.

Será sempre assim?

Quando algo coisa acontecer, o peso da nossa história, do nosso passado, recairá sobre o presente?

Tenho medo de descobrir a resposta...

Cansada demais para continuar me debatendo, ajeitei as coisas pela sala, depois fui até a cozinha terminando de arrumar tudo e quando fui para o quarto, não encontrei sinal de que Edward tenha passado por aqui.

Optei por um banho, tentando relaxar e deixar os problemas para lá, pelo menos durante o sono, voltando a me concentrar neles amanhã.

De volta ao cômodo principal, continuei sem sinal de Edward, vesti o pijama e deitei. Tentei dormir, mas ao mesmo tempo, fiquei atenta à hora que vai entrar isso se for entrar mesmo, o que ainda é uma dúvida.

Mas tal resposta tive rapidamente, ao vê-lo passar pela porta do quarto enrolado em uma toalha.

Ele tomou banho no banheiro social e não no nosso? Isso quer dizer alguma coisa?

Permanecemos em silêncio e apenas notei quando ao fim de tudo, desligou a luz do abajur e deitou-se ao meu lado.

Somente isso, deitado ao meu lado, um corpo dividindo a mesma superfície, com cada um virado de costas, acabamos dormindo...

Quando levantei, Edward já tinha saído, Miguel e eu tomamos café no mais absoluto silêncio, que perdurou por todo o caminho até a escola, depois de nos despedirmos com um breve tchau, me dirigi à empresa, onde estava entrando agora.

Estacionei o carro e fui em direção ao elevador, ao chegar ao meu andar, encontrei Nina como sempre, já trabalhando em sua mesa.

— Bom dia Bella, tudo bem?

— Bom dia Nina. Qualquer coisa que precisarem falar comigo, anuncie antes, sim? E se precisar, estou na minha sala.

Percebi que não respondi a o cumprimento todo, ela deve ter notado tal fato também, mas não falou mais nada e apenas assentiu diante das instruções.

Passei o dia focada no serviço, tentando deixar tudo em dia, já que sairei mais cedo para ir à escola do Miguel.

Não sai nem para almoçar, apenas pedi um lanche leve e comi no escritório mesmo, ao fim da tarde, Nina anunciou que Nessie quer falar comigo e autorizei a entrada.

— Espero que não tenha ninguém nu aqui na sala.

Ela falou ao entrar, com uma mão tapando os olhos.

— Do que está falando?

— Ah, você está sozinha, que sem graça. Quando Nina falou que só poderíamos entrar se fôssemos anunciados antes, pensei que era porque estava fazendo um sexo perigoso com Edward e não queriam ser surpreendidos, mas se está sozinha, por que dessa formalidade toda?

— Apenas estava trabalhando Nessie e não queria ser interrompida por qualquer bobeira. Mas já que está aqui, por que veio?

— Espera um pouco, está estranha. O que aconteceu? Você nem riu da minha piada ou fez alguma insinuação conjunta sobre sua relação sexual com Edward. Pode ir falando agora o que aconteceu para estar assim tão para baixo. Se meu cunhado fez alguma coisa, é bom ir falando, que ele se verá comigo.

— Na verdade, acho que eu que fiz algo a ele. A ele e ao Miguel.

— Como? Até meu afilhado está envolvido na crise? Agora mesmo que tem que me contar.

Sabendo que não tenho alternativa, relatei sobre o acontecido de ontem, o bilhete, o que Miguel contou e minha discussão com Edward.

— Ah, entendo...

— E o que acha?

— Que está errada. E se fosse o Miguel e o Edward, também estaria brava com você.

— O que? Como pode dizer isso Nessie?

— Bella, sei que é uma mãe maravilhosa, sempre fez e faz até hoje tudo pelo Miguel, mas você não é perfeita e não vai estar certa sempre. Sei que isso deve ser um mecanismo das mães. Achar que com a maternidade, vem também um programa que faz com que estejam certas sempre. Porém como ainda não sou mãe, consigo ver as coisas de forma diferente, como você não é mais capaz.

Fiz menção de retrucar, mas ela impediu.

— Ouça, o Miguel errou sim em ter brigado com o garotinho, por mais que o mesmo tenha merecido, não devemos deixar que aprenda a ser uma criança agressiva, no máximo, lhe ensine alguns insultos, para que de uma próxima vez, possa usar o poder das palavras e não do punho. – A olhei torto e ela riu continuando. – Certo, talvez insultar também não seja uma boa, mas o fato é. Ele não é culpado da história, errou, mas se disse que o menino caiu sozinho e ainda fez o que fez, para defender outro colega, você não pode querer repreendê-lo. Isso só o fará ter medo de contar as coisas a vocês e também pensará que sua atitude de ajudar foi errada. A maneira, sim, mas o sentindo, não. Por isso, concordo com o Edward, vocês têm que esperar para ir até a escola, ouvir da boca dos professores o que acham saber de tudo por inteiro. Olhar o outro garoto e ver se não tem cara de marginal mirim. Ai sim conversarão sobre como farão o Miguel entender que a agressão foi uma atitude errada, pode até ser que mereça um pequeno castigo, mas esse só pode ser dado depois que tiverem apurado todos os fatos.

— Uau, estou surpresa, orgulhosa também, mas muito surpresa.

— Com o que?

— Com tudo que disse. Mamãe com certeza também se orgulharia do seu discurso. Obrigada, você realmente enxergou coisas que não vi, fico sempre tentando acertar, ser a melhor, dar o melhor, mas vejo que não estou conseguindo.

— Bella, também não é assim, você é uma mãe maravilhosa, sem querer remoer velhas feridas, mas se saiu surpreendentemente bem como mãe solteira por todo esse tempo e todos sabemos disso, inclusive o Edward. Mas agora não está mais só, tem o apoio do pai do Miguel, não seja tão dura consigo mesma e nem com eles, dê uma chance para que Edward possa ser seu companheiro.

— Fui injusta com ele, não é?

— Um pouquinho, mas nada irreparável. Nada que uma noite quente, com muito sexo, não resolva.

Falou e finalmente, pela primeira vez no dia, consegui sorrir sinceramente.

— Para você, tudo se resolve com sexo, não é mesmo?

— E não é para isso que o sexo existe? Para ser a comemoração das alegrias, a reconciliação das dores, o ajuste certo para a perfeição? É óbvio que vão conversar primeiro, mas depois, nada impede que o amoleça um pouco mais com uma boa chupada.

— Renesmee por Deus. Você está impossível hoje. Já entendi seu ponto, obrigada pelos conselhos, eles com certeza foram muito úteis, mas agora se me dá licença, tenho que ir, pois está na hora de passar na escola do Miguel.

— Certo, faça tudo como recomendei. E amanhã volte com um sorriso enorme no rosto e tudo resolvido.

— Tudo bem, agora vamos indo.

Saímos da sala juntas e na recepção, encontramos Thiago conversando com a Nina.

Minhas Swan preferidas. Estava mesmo procurando por vocês.

— Vou ignorar que somos as únicas Swan que conhece e deixar que diga qual é o assunto. – Nessie respondeu.

— Pois bem, estou aqui para convidá-las a comparecer na minha casa, para uma pequena reunião íntima, na primeira sexta-feira de abril.

— Que dia será a primeira sexta-feira de abril?

Nessie questionou e perguntei em seguida.

— E qual o motivo da reunião?

— A primeira sexta-feira de abril será dia quatro, que só por acaso, é o dia do meu aniversário, por isso, o motivo da reunião. E faço questão da presença das duas, aliás, das duas só não, podem levar seus respectivos pares também, adorarei conhecê-los.

— Por mim o convite está aceito, vou conversar com o Jake, mas com certeza iremos.

Nessie respondeu de pronto.

— E você Bella? O que me diz?

— Tenho que conversar com o Edward também, mas farei um esforço para ir, até lá te dou uma resposta.

— Certo. Nina, sabe que faço questão da sua presença também.

— Oh, está me convidando?

— Mas é claro que sim ou acha que falaria disso na sua frente se não pretendesse chamá-la? Todas serão presença ilustre na minha casa, não podem faltar.

— Agradeço o convite Thiago, irei sim, será um prazer.

— Que ótimo e Bella, quando tiver a resposta, me avisa.

— Certo, falo sim, agora preciso ir, tenho alguns assuntos a resolver, até amanhã.

Após a despedida, peguei o elevador e rapidamente cheguei ao meu carro, então segui a escola do Miguel.

Ao chegar, anunciei o motivo da vinda e logo fui encaminhada até a secretaria, para aguardar na sala de espera, até a hora que a diretora nos chamar.

De pronto vi um casal sentado esperando e qual não foi minha surpresa, ao ver que Edward também já está aqui. E a me ver, pareceu ficar tão espantado quanto eu.

Aproximei-me, sentando ao seu lado.

— O que está fazendo aqui?

— Por que da pergunta? É uma reunião com os pais do Miguel.

— Só pensei que depois de ontem... Mas nada, deixa para lá. Ele ficará feliz por ter vindo.

— Vocês desistiram de mim, não é?

Ele não respondeu, mas seu silêncio foi resposta mais do que suficiente. Resolvi não me apegar a esse fato.

— Esses são os pais do garoto?

— Não, ouvi a secretária falando algo como filha, não entendi muito bem, mas talvez não estejam aqui pelo mesmo motivo que nós.

— Deve ser isso então.

Voltamos ao silêncio enquanto aguardamos dar a hora.

Ouvimos o sinal bater e logo Miguel chegou junto com outro garoto e uma menina, o garoto quando viu que seus pais ainda não chegaram, apenas encostou-se à parede, pude notar que ele não está mexendo muito o braço esquerdo, mas não parece nada sério, pois não está enfaixado nem nada. A menina foi até os pais e o Miguel veio até nós.

— Oi pai, mãe. Desculpe por tirá-los do trabalho, para vir resolver meus assuntos.

— Não se preocupe Miguel, estamos do seu lado e não houve nada demais, é isso que viemos esclarecer.

— Seu pai tem razão, não importa o motivo, sempre estaremos com você.

Ele deu um sorriso compassivo e me abraçou, retribui com toda minha força e o puxei para sentar no meu colo.

Eu te amo. Nunca se esqueça disso.

— Eu sei mamãe, também amo muito a senhora.

Com Miguel sentado no meu colo, Edward nos puxou para perto do seu corpo e ficamos na aura familiar até sermos chamados para a sala da diretora.

Vi o casal com a menininha nos seguindo e parece que os pais do outro garoto finalmente chegaram, sendo assim, ao entramos, a diretora indicou para sentarmos e deu início a reunião.

— Boa tarde, desculpe ter que chamá-los aqui. Sei que todos têm uma vida corrida, mas infelizmente foi necessário.

— Entendemos perfeitamente diretora, saiba que estamos sempre à disposição para o que precisar. – Edward respondeu.

— Obrigada senhor Cullen, é muito bom saber que o senhor pensa assim, então vamos direto ao assunto. Creio que os senhores estão cientes do porque foram chamados. Infelizmente seus filhos se envolveram em um episódio lamentável. E estamos aqui para tentar resolver isso de forma civilizada. Creio que os dois garotos devem ser punidos da mesma forma, com uma advertência, pois tenho certeza que os senhores conversaram com eles e garantem que isso não se repetirá.

— Mas foi nosso filho que saiu machucado, então receio que o outro garoto deveria receber algo mais do que uma advertência.

O pai do menino falou.

— Desculpe senhor, mas os dois estavam errados em brigar e Miguel disse que não empurrou seu filho, ele tropeçou sozinho e caiu machucando o braço. Por tal ação, meu filho não tem responsabilidade alguma.

— E quem garante que seu garoto não esteja mentindo para se safar?

— Escute bem, acredito no meu filho. Ele assumiu a culpa pelo erro da briga, mas se disse que não empurrou seu filho, não o fez. Agora o senhor deveria apurar porque seu filho estava incomodando outro colega, provavelmente menor do que ele, porque esse foi o motivo do Miguel ter reagido, para defender um amigo.

— É verdade senhor.

Ouvimos uma voz feminina e suave, soar na sala.

— Amélia. Gostaria de falar?

— Sim diretora. – A garotinha assentiu. – É verdade senhor, o Miguel só brigou com o Denis, porque ele estava mexendo comigo. Eu até falei para o Miguel deixar quieto ou chamar a tia, mas ele quis me defender.

— Espera, quis te defender?

Questionei sem entender.

— Sim senhora, eu estava sentada lendo e o Denis foi mexer comigo. Ele queria tirar meu livro, mas não deixei, ele segurou meu braço e ia puxar o livro com a outra mão, foi ai que o Miguel chegou e falou para ele me deixar em paz. O Denis me soltou, mas o Miguel tomou a frente, ai eles começaram a brigar, mas na hora que o Denis caiu, foi porque tropeçou numa pedra que tem no jardim. O Miguel não empurrou, até tentou ajudar a levantar, mas o Denis não quis. Sinto muito que o Miguel tenha brigado e arrumado confusão por minha causa, mas não castiga ele.

Meu Deus.

Não sei o que me chocou mais, o fato do garoto ter importunado não só alguém menor e mais frágil, mas esse alguém ser uma menina ou ouvir a história contada tão docemente por esse pequeno anjo que parece gostar tanto do meu filho.

— Denis, tudo isso que a menina falou é verdade? Você a estava importunando e o garoto não te empurrou? Fale a verdade Denis.

— Sim papai, é verdade.

— Pois muito bem, já que esclarecemos os fatos, manterei uma leve advertência ao Miguel, porque a atitude de brigar foi errada, mas ao Denis, além da advertência, diante dos fatos, sou obrigada a dar também dois dias de suspensão. – A diretora falou.

— Tudo bem diretora, aceitamos a decisão, agora já podemos ir?

O pai do garoto perguntou e ela assentiu então eles rapidamente se retiraram da sala.

— Miguel, ter defendido Amélia foi uma atitude bonita, mas sabe que é errado brigar, não é? Poderia ter acontecido algo pior com você e ele também.

— Sim diretora, eu sei. Meus pais já conversaram sobre isso comigo, mas o Denis sempre mexe com as outras crianças e quando o vi perto da Mia, não pude evitar...

— Tudo bem, tenho certeza que isso não vai se repetir. Agora que já estamos acertados, podem ir.

Assentimos e agradecemos a diretora antes de sair, na sala de espera, os pais da menina vieram falar conosco.

— Não tivemos tempo de nos apresentar, sou Garrett e essa é minha esposa Kate. Somos os pais da Mia.

— Muito prazer. Sou Edward e essa é Bella, minha noiva. Somos os pais do Miguel.

— Gostaríamos de agradecer a vocês e ao seu filho, pelo o que fez a nossa filha. Sentimos muito que tenha saído prejudicado nessa situação.

— Está tudo bem. Creio que nossos filhos são muito amigos e Miguel apenas fez o que qualquer um teria feito.

Respondi a mãe da menina.

— Não qualquer um, mas um bom menino, bem educado. Vocês têm nossa gratidão e os parabéns. – O pai comentou.

— Obrigado, mas por uma menina tão linda dessas, até eu teria entrado para defender.

Edward falou e vi a garotinha corar.

— Pai, mãe, essa é a Mia, minha amiga.

Miguel nos apresentou.

— É um prazer conhecê-la Mia. Miguel fala muito de você.

— Obrigada senhora.

— Ah, por favor, me chame de Bella. E o Miguel falou que o pai dele e eu vamos casar? – Questionei e ela assentiu. – Pois então, estava com uma dúvida enorme, mas acho que agora poderei saná-la com sua ajuda, será que podemos?

— Sim.

— Pois bem, estava sem uma daminha até agora, não tinha nenhuma menina que pudesse suprir esse papel no casamento, mas sendo tão amiga do Miguel, aceitaria ser minha daminha?

— Eu adoraria sen... Bella. Pai, mãe, posso?

— É claro que sim querida, muito obrigada Bella, será uma honra deixar que Mia participe. – Kate respondeu.

— Pois estamos acertados. E é claro que estão convidados ao nosso casamento também. – Informei.

Conversamos por mais um tempo e pegamos contato, prometi enviar o convite pelo Miguel e depois nos despedimos.

Edward sugeriu passarmos em algum lugar para comer e assim fizemos, foi um jantar agradável, tudo já parecendo certo de novo, mas ainda tenho algumas coisas a acertar.

Depois que chegamos, fui dar banho no Miguel e ao colocá-lo na cama, aproveitei para conversar.

— Miguel, queria pedir desculpas, por ter me excedido ontem. Mantenho a palavra de que brigar foi errado, mas também errei com você, acusando-o sem saber realmente como as coisas aconteceram. Nossa relação sempre foi baseada na confiança e verdade. E não quero que isso mude, então sempre que algo acontecer pode falar comigo e se errar alguma outra vez, espero que novamente me desculpe. Você me perdoa?

— É claro mamãe. E desculpe também, prometo que isso não vai mais acontecer. É só que não pude deixar a Mia sozinha.

— Entendo, ela é mesmo um amor, mas porque a chama de Mia e outras pessoas de Amélia?

— O nome dela é Amélia, mas ela não gosta muito, por isso prefere que a chamem de Mia. Assim como à senhora e a madrinha usam os apelidos.

— Entendi, mas são bonitos, os dois, o nome e o apelido. E me diga o que achou de tê-la convidado para ser daminha?

— Ah, foi legal, a Mia vai adorar. Ela gosta dessas coisas de meninas, como o casamento.

— Tudo bem, agora que já estamos conversados, é hora de dormir. Boa noite meu amor.

— Boa noite mamãe.

Fiquei com ele até a hora que pegou no sono, só então segui para o meu quarto.

Agora tenho que conquistar um perdão diferente, o mais difícil da noite.

— Miguel já dormiu?

Edward perguntou assim que entrei.

— Sim, conversamos um pouquinho, mas agora ele já está dormindo.

— Que bom, acho que devemos fazer o mesmo.

— Edward, espera. Desculpe, eu estava errada, fui injusta com você e com ele, mas só achei que estava fazendo o certo. Estava tentando ser uma boa mãe, mas não é tão simples e sou tão suscetível a erros quanto qualquer um. Só queria dizer que fico feliz em saber que agora o Miguel tem um pai que o defenda, quando a mãe fizer besteiras.

— Está tudo bem Bella, eu disse isso. Você estava perdida, querendo fazê-lo aprender, mas de uma maneira equivocada. Porém é uma ótima mãe e cria nosso filho muito bem, ontem foi apenas um episódio isolado, ninguém vai deixar de te amar por isso.

— Tem certeza que ninguém vai deixar de me amar? Mesmo quando estiver agindo como idiota mesquinha e sem noção?

— Não, nem mesmo assim. Ninguém vai deixar de te amar, prometo.

— Obrigada, de verdade. E só mais uma coisa, na hora do nervosismo e da discussão, falamos coisas sem pensar, mas vamos parar com essa história de colocar culpa nos fatos do passado. Não te culpo e jamais poderia fazê-lo pelo tempo que estivemos longe. Desculpe, é só que ainda estou me acostumando a ter alguém ao meu lado, para o melhor e o pior, em não ser mais sozinha, com todas as decisões. Amo tê-lo comigo, me dá paz, segurança, estabilidade, faz com que me sinta completa.

— Nós dois estamos aprendendo. Vamos errar e acertar, acertar de novo e errar mais uma vez, mas isso é ter uma família, é assim que funciona o casamento. O importante sempre é resolvermos as coisas.

— E sabe, ouvi algo hoje sobre essa história de acertar as coisas depois de um erro.

— E o que é?

— Que devemos sempre terminar tudo em sexo. Um quente, tórrido e maravilhoso sexo.

— E o que está esperando para por esse conceito em prática?

A partir disso, não esperei mesmo para me perder nessa noite que com certeza será quente, tórrida e apaixonante...

***

Estou correndo pelo quarto, terminando de me arrumar.

O dia da recepção na casa do Thiago chegou e depois de conversar com Edward, que aceitou o convite, estamos prestes a sair para o evento.

Os dias até aqui continuaram com o mesmo seguimento. A prioridade sendo o casamento e todos os assuntos que o envolvem, mas sem deixar de cuidar do meu trabalho, da minha atual moradia, família e de mim mesma.

Como nessa semana, que passei novamente com a doutora Carmen. Em janeiro fui para tomar mais uma dose da injeção de anticoncepcional, ela pediu que fizesse alguns exames de rotina e nesse mês voltei para tomar outra dose e ver os resultados.

Em conversas, ela decidiu que será melhor trocar de injeção, já que faz muito tempo que tomo a mesma. E agora que voltei a ter uma vida sexual ativa, a anterior poderia vir a perder o efeito.

E aproveitou para receitar uma injeção mensal, ao invés da trimestral, a qual estava acostumada. Com essas pequenas mudanças e reajustes, minha vida segue bem.

Finalmente terminei a maquiagem, ajeitei o cabelo, os dois estão simples, a maquiagem suave e o penteado comum. Prendi em um coque baixo, deixando-o meio solto e fácil de desfazer, com os fios da franja soltos também.

Agora é a hora de colocar o vestido, até que não será uma missão tão difícil, a julgar pelo modelo e depois de pronta, peguei a bolsa, seguindo para a sala, onde Miguel, Edward e Amber estão.

Para nossa sorte, ela estava disponível em uma sexta-feira à noite e aceitou ficar com o Miguel.

— Estou pronta. Já podemos ir. – Anunciei.

— Uau. Mãe, a senhora está linda.

— Obrigada meu bem, você gostou mesmo?

— Sim mamãe, a senhora está gata.

— Ah, meu filho, para.

— Miguel tem razão Bella, você está incrível. – Amber elogiou. – O senhor Cullen tem muita sorte por ter uma mulher igual a você.

— Já disse que pode me chamar de Edward, mas tem razão Amber, realmente tenho muita sorte em ter Bella como minha mulher.

— Miguel, seus pais já estão saindo, que tal fazermos pipoca e procurar um filme legal para assistir?

Amber sugeriu e ele concordou animado.

— Certo, já vamos mesmo. E Amber, não preciso te passar as recomendações de novo, não é? Qualquer coisa estamos no celular e não demoraremos muito.

— Pode deixar Bella. Tomarei conta das coisas direitinho.

— E você Miguel, se comporte e não vá dormir muito tarde.

— Também sei disso papai, agora já podem ir.

— Certo, se estamos sendo expulsos, é melhor irmos mesmo.

Falei nos despedimos, saindo em direção ao elevador. Não demorou muito a estarmos no volvo, seguindo para a casa do Thiago.

— Você sabe chegar lá Edward?

— Sim, conheço o endereço. Talvez precise apenas reforçar o número.

Realmente o endereço não fica muito longe do nosso condomínio, é até próximo ao apartamento da Rose e do Emm.

Acabamos deixando o carro na rua e anunciamos o destino ao porteiro, ao ter a permissão para entrar, seguimos ao apartamento do Thiago.

Desde o andar, já é possível ouvir o barulho de pessoas conversando e a música ambiente. A porta do apartamento está aberta, então não precisamos anunciar a chegada, mas assim que entrei, vi o Thiago e fui cumprimentá-lo.

— Thiago, oi.

— Bella, que bom que veio.

Me recepcionou com um abraço.

— Não poderia faltar ao seu aniversário. Mas deixe-me apresentá-lo. Esse é Edward, meu noivo. Edward, esse é o Thiago, meu amigo de trabalho.

— Edward Cullen, prazer.

— Thiago Ponce, igualmente. – Eles apertaram as mãos. – Bella fala muito de você, estava curioso para conhecer o homem que arrebatou o coração da minha querida chefe. Você é um homem de sorte, pois Bella é uma mulher muito especial.

— Ah Thiago, para vai, menos.

— Obrigado, conheço a mulher que tenho, mas fico feliz em saber o quanto ela é admirada por seus funcionários.

— Não tem de quê.

— Mas não vamos monopolizá-lo, pode ir atender seus convidados. – Informei.

— Tudo bem, daqui a pouco conversamos mais, mas podem ir para perto do bar, Nessie e o namorado já chegaram, assim como a Nina.

Seguimos a direção indicada e logo avistamos o pessoal. Edward e eu os cumprimentamos. E ele logo pediu uma bebida e engatamos na conversa.

— Combinamos ao inverso?

Nessie falou, indicando nossos vestidos.

— Combinaram na beleza, não é mesmo? Pois as duas estão lindas, excessivamente lindas, aliás. – Jake falou.

— Concordo. Ainda bem que estamos aqui para tomar conta. – Edward respondeu.

— Mas vocês não contam, são suspeitos para falar. – Nessie retrucou.

— Não sou companheira de nenhuma de vocês e concordo com os rapazes. Pois estão lindíssimas.

— Obrigada Nina, acreditaremos em você, mas só se aceitar que está espetacular também.

Devolvi o elogio e ela sorriu.

— O apartamento do Thiago é lindo, não é?

— Sim Nina, também achei de muito bom gosto. Será que ele mesmo mobiliou ou já alugou assim?

— Seus instintos de arquiteta não te abandonam mais, não é meu amor? – Jake brincou.

— Não querido, ainda mais agora que estou exercendo. Tudo que envolve esse universo tem automaticamente meu interesse. – Ela respondeu.

— Parece ser um pouco grande para um homem solteiro. Ou ele é casado?

— Não, Thiago está solteiro, mas não acho que seja tão grande assim. Creio que seja do tamanho do seu Edward. – Respondi.

— É. O Thiago continua solteiro, assim como você Nina. Bem que podia aproveitar a festa e investir no gato. Usufruir dessa produção e partir para o ataque.

Nessie falou e a pobre da Nina se encolheu de vergonha.

— Nessie, por favor, Nina é adulta e se quiser investir em alguém, pode muito bem fazer isso sem sua ajuda.

— Mas ela não estava interessada no Ian?

— Edward.

Lhe dei uma cotovelada.

— Ai Deus. Agora sou a caçadora de homens.

— Ah, se está solteira pode paquerar quantos quiser, não tem problema, mas mesmo não conhecendo muito esse Thiago, meu voto é no Ian. – Jake disse.

— Concordo com você.

Edward respondeu e tocaram as mãos.

— Já que estão tão amiguinhos, concordando com tudo, fiquem ai que vamos dançar. Vamos meninas.

Nessie nos puxou para o meio da sala, onde um pessoal está dançando. Sem possibilidade de dizer não, aproveitei para espairecer e relaxar, dispersar a mente das responsabilidades e apenas curtir.

A noite tem se desenrolado de forma bem divertida, em um momento, Nina se afastou para pegar uma bebida e logo os meninos assumiram os lugares ao nosso lado.

Notei que ela ficou entretida em uma conversa com o Thiago e alguns amigos dele, depois todos acabaram também.

Um coquetel com comida e bebida foi servido, nos deliciamos dos aperitivos, enquanto a conversa continua a rolar solta.

Thiago agora está conosco, ele e Nessie batem papo, enquanto apenas ouvimos.

— Ah Nessie, mas você tem que admitir. Não tem lugar melhor para matar aula do que a praça do porto.

— É verdade, eu mesma não pude ir muito, por causa da Bella. Que era sempre certinha, mas todas as vezes que tive oportunidade, corri para lá.

— Bella, Bella... A certinha de sempre, até hoje é assim?

— Pode ter certeza.

— Hey vocês dois. Eu estou aqui. – Manifestei.

— Impressão minha ou já se conhecem de antes? – Jake perguntou.

— Morávamos em Jacksonville. – Thiago respondeu.

— E estudamos no mesmo colégio. Thiago e Bella foram até da mesma sala.

— Que interessante e o que houve? – Edward questionou.

— Eu mudei logo depois as meninas também e só nos reencontramos agora, quando fui fazer a entrevista com a Bella. Fiquei muito feliz em reencontrá-la, pois fomos bons amigos quando jovens.

— É verdade. Apesar de não estudarmos juntos, sempre vivia com vocês. Só nunca fui tão próxima a você quanto a Bella. – Nessie comentou. – Até pensei que perderíamos o contato quando vocês terminaram, mas a amizade estava em primeiro lugar.

Terminaram? Por quê? Bella e Thiago...

Nina questionou e antes que pudesse interromper, Nessie respondeu.

— Eles tiveram um relacionamento quando estudaram juntos.

Senti o corpo de Edward enrijecer ao meu lado.

Relacionamento? Nessie, por favor, só ficamos e mais nada. – Deixei claro. – Como qualquer adolescente.

— É verdade, depois do acampamento, não ficamos mais que um mês juntos. – Thiago completou. – Então você falou que era melhor voltarmos a ser apenas amigos, pouco tempo depois, me mudei.

— Disse que combinávamos mais como amigos e veja só aonde chegamos. Estava certa, afinal.

Esclareci, tentando deixar o clima mais ameno.

— Sim, sempre certa. Até pensei que duraria mais tempo, depois que revelou que fui seu primeiro beijo. Geralmente as meninas se apegam muito a esse fato, entretanto, você sempre foi madura demais para os costumes infantis...

Seu comentário encontrou o silêncio.

— Pessoal, o papo está bom, porém tenho que falar com uns colegas. Continuem aproveitando a festa.

Ele saiu, mas o clima não voltou ao normal.

A Nina imediatamente puxou um assunto com Nessie e Jake. E aproveitei para focar no Edward.

— Edward?

— Vou pegar uma bebida.

— Vou com você.

Ele não disse nada, só saiu e o segui.

Conhecendo-o como conheço, tenho certeza que boa coisa não está passando por sua cabeça agora.

Ele foi até o bar, pediu uma dose de algo e bebeu em um gole só. Depois pegou mais um copo, caminhando em direção à sacada diante da sala.

Ao sair para o vento frio da noite, encostou-se à grade e ficou em silêncio, resolvi tentar novamente.

— Edward...

Como você pôde?

— Como pude o que?

— Como pôde me trazer a casa do seu ex-namorado? E ainda por cima não falar nada? Deixar que descobrisse pela boca dos outros, para que ficasse com cara de tacho.

— Edward, por Deus. Não seja ridículo.

— É difícil não ser ridículo quando se passa por uma situação dessas. – Tomou o resto do conteúdo no copo. – Vamos embora. Estou com dor de cabeça.

Então por que continua bebendo?

Ele me encarou sério, mas não disse nada e nem eu.

Voltamos para dentro, me despedi apenas do pessoal que estava no canto e pedi a Nina que dê tchau ao Thiago por mim, saímos sem ser notados e seguimos em silêncio.

Ao chegar ao carro, fiz menção de ir para o lado do passageiro, mas Edward me parou.

— O que?

— Você dirige.

— Como? Vai me deixar dirigir o volvo?

— Já falei. Estou com dor de cabeça e bebi um pouco, não quero arriscar essa combinação.

Não respondi, apenas fui para o lado do motorista, tirei a sandália e ajeitei o vestido, liguei o carro e sai. Pela hora quase não tem trânsito, então estou dirigindo tranquilamente.

Não percebi quando, mas a fenda do vestido abriu bastante, deixando minhas pernas à mostra, então de repente, senti a mão de Edward começando a acariciá-las.

O olhei de forma interrogativa, mas ele não está me olhando, ao invés disso, tem o olhar preso na janela, mas a mão não para de me tocar. Apesar da tensão quase palpável, não posso negar que esse tipo de carícia mexe comigo.

Voltei à atenção a rua, deixarei para ter qualquer conversa na segurança do apartamento. Pretendia não falar nada, mas foi impossível não me manifestar quando sua mão começou a tomar outro rumo, indo para o interior das minhas coxas, chegando à calcinha.

— Estou dirigindo. – Contestei.

— Eu sei, estou vendo.

— Então poderia, por favor, parar? Está me atrapalhando.

— Ora essa. Não estou prendendo suas mãos, nem suas pernas. É só disso que precisa para dirigir.

— Não seja infantil Edward, por favor.

Fui tirar sua mão, mas ele aproveitou para aprofundar mais, passando a esfregar por cima do tecido fino da calcinha, constatando a humildade que me toma. E foi impossível conter um gemido.

Huuum. Está reclamando, mas já está molhada. O que me deixa na dúvida. Isso se dá pelas minhas carícias ou apenas por ter estado há pouco na presença do seu ex?

Freei bruscamente quando o farol fechou. E tirei sua mão rapidamente.

Seu idiota, imbecil, estúpido. Não se atreva a encostar novamente em mim.

O farol abriu e segui, por sorte já estamos perto do condomínio, virei à esquina e entrei na rua, ao estacionar, deu uma vontade de dar uma ralada no volvo, mas percebi que será infantilidade, então só desliguei o carro e sai.

Não olhei para ver se ele está vindo atrás ou não, infelizmente, tive a comprovação quando entramos no elevador juntos, mas, por sorte, ao chegar ao andar do térreo, mais pessoas entraram, assim, não precisei desfrutar de sua ilustre companhia sozinha.

Ao chegarmos ao nosso andar, sai novamente sem esperar por ele, abri a porta e passei deixando-a aberta, na sala, vi Amber sentada no sofá.

— Oi Amber.

— Oi Bella. Chegaram cedo. Pensei que demorariam mais.

Edward entrou, mas não voltei minha atenção a ele.

— Já é quase meia-noite querida, hora das pessoas estarem em casa, isso inclui você. Miguel já dormiu?

— Já sim, faz tempo. Ele mal aguentou assistir ao filme todo.

— Pois muito bem, obrigada e uma boa noite.

— De nada, boa noite Bella, Edward.

Ele assentiu e a esperou sair para fechar a porta, coloquei as sandálias no chão e fiquei esperando que vire, ao fazê-lo, comecei a falar.

— Sabe o que está me dando vontade de fazer agora Edward? Ir até você e acertar seu rosto com um belo tapa. Seria ótimo, não é? Talvez o mínimo que mereça depois do que falou no carro. Mas sabe por que não farei isso? Porque quero acreditar que o que disse não foi sério. Que não passou de um delírio, porque bebeu demais ou porque quero acreditar também que sabe a mulher que tem ao lado. E sabe que jamais seria capaz de me prestar a um papel, ao qual tenha que desconfiar de mim. Ainda mais em um caso onde a dúvida seja sobre estar excitada por você ou por outro. O que me diz?

O que digo? Digo que estou me sentindo um completo idiota. Custava ter me falado? Que seu mais novo funcionário, é seu ex? E para que fazer questão de irmos a esse jantar? Para ter o prazer de apresentá-lo?

— Edward, não vou discutir isso com você. Thiago é um amigo, um grande amigo de eras atrás, que reencontrei agora por acaso. Se tivesse comentando algo a mais, teria sido apenas isso. Que um amigo da escola, está trabalhando comigo. Porque é isso que ele é e sempre foi.

— Ah, não vem com essa. Vocês já ficaram. Ele foi seu primeiro beijo. Sabe o que isso quer dizer? Não adianta tentar negar, dizendo que não significa nada, porque sei como isso é importante para as mulheres. Pode ser com o garoto mais idiota do planeta, porém sempre terá boas recordações. E se eram amigos, próximos, com certeza tinham cumplicidade e intimidade, para fazer desse momento ainda mais especial. Quem me garante que o sentimento que teve por ele não vai ressurgir? Certas coisas não têm como esquecer.

— Realmente Edward, você está certo. Têm coisas na vida que nunca esquecemos, tenho vários momentos assim. Quando descobri que estava grávida. Quando o Miguel nasceu. Quando soube a verdade sobre nosso passado. Quando voltamos. Quando começamos a namorar. Da minha primeira vez. Da nossa primeira vez. São esses momentos que lembro com mais afinco. É claro que meu primeiro beijo foi importante, Thiago era sim alguém especial e fiquei feliz com a forma que aconteceu, mas isso foi um fato isolado. Você mesmo ouviu, percebi que não combinávamos para ficar, namorar, nem nada. Ser sua amiga bastava e nunca quis mais. Depois ele mudou e eu também e te conheci, o amor da minha vida. Edward, não vamos ressuscitar algo que está no meu passado, que aconteceu a mais de dez anos, muito antes de te conhecer. Porque se formos colocar no papel todas nossas conquistas por fora, acho que estou em desvantagem, não é mesmo?

— Mas não sou amigo de nenhuma ex. Não convivo no dia a dia, no meu ambiente de trabalho, com alguém que significou algo antes de você.

— Edward, entenda uma coisa. Thiago é meu funcionário, somos colegas de trabalho e isso não vai mudar, queira você ou não. Ele é um excelente profissional e está no cargo por méritos próprios. Não tem como no mundo deixar de ter contato com ele. Além do mais, somos amigos sim. Uma amizade que surgiu na infância e adolescência, que está presente agora novamente. E você terá que entender isso, ele é meu amigo, assim como vários outros homens. Como o Eduardo, Ian... Homens que, aliás, você já teve ciúmes infundados também.

— Mas acontece que nenhum deles nunca teve nada com você. Nenhum ocupou um espaço na sua vida, mais do que como amigo.

— Não consigo acreditar que esse estresse todo é porque já nos beijamos! Sabe o quanto isso é idiota e infantil? Mesmo que tivesse existido algo mais. Que ele fosse meu primeiro homem e não você ou que tivéssemos nos reencontrado antes, ainda em Los Angeles. Que voltássemos a nos relacionar, a ponto de irmos para a cama. Isso não importaria nada. Porque escolhi você. Porque só amo você. E me mata saber que estamos tendo esse tipo de discussão, por um motivo bobo, por algo tão pequeno. Parece que não confia em mim, no respeito, comprometimento e amor que tenho por você. E me machuca demais pensar nisso.

— Bella, não é isso, é claro que confio em você. É nele que não confio. Não o conheço e penso que pode vir a ser uma ameaça. Você sabe que sou assim, que ajo dessa forma quando tenho medo que algo a tire de mim. Pode ser que realmente não sinta mais nada por ele, que seja lá o que tiveram, não tenha sido importante, mas não quero viver com medo de perdê-la a qualquer momento, por algo que não pude nem lutar.

— Não há luta, não tem o que temer, confie em mim! Te juro que não existe nada. Sou sua mulher. E é assim que quero permanecer para o resto da vida, sendo apenas sua! Você é o único homem que tocou meu corpo, minha alma e meu coração e será assim para sempre.

Durante todo o tempo da conversa, permanecemos distantes, mas agora Edward se aproximou, tocando meu rosto e me deleitei com o toque.

Eu te amo Bella, tanto, tanto. Desculpe por ser assim. Por fazer e dizer coisas que te magoam, mas é porque te amo demais. Te amo e não posso perdê-la. Nunca. Jamais.

— E não vai! Eu estou aqui e estarei sempre. Porque também te amo e isso é o que importa. Nos amamos, temos um filho, vamos casar e o resto do mundo não poderá fazer nada contra nós. Sou sua e você é meu. Desde a primeira vez e para sempre.

Desde a primeira vez e para sempre. Minha.

Sua boca tocou a minha singelamente, terna de início, mas aos poucos o fogo que sempre nos domina surgiu.

Suas mãos prenderam-me ao seu corpo de forma forte e possessiva, estamos tão colados, que nem um fio de cabelo seria capaz de passar entre nós, restando-me apenas enroscar as mãos em seu cabelo e desfrutar do beijo urgente que nos inebria.

Edward de repente me pegou no colo, achei que íamos para o quarto, mas me surpreendi ao ser depositada no sofá.

— Mudança de ares? – Questionei.

— Estou te devendo uma finalização nesse sofá. Não poderíamos deixar o apartamento antes de cumprir isso.

— Por mim não tem objeção.

Sorri e ele retribuiu com o maldito sorriso torto, foi ai que me perdi.

Eu mesma o puxei para o beijo e ele respondeu afoitamente, assim, retornamos como estávamos antes.

Suas mãos se infiltraram por minhas pernas arrastando o vestido até ter acesso a minha calcinha, começou com toques torturantes e toda a tensão de ainda pouco parece ter sido dissipada ou pelo menos mudado de foco, pois a tensão sexual agora está palpável.

Consegui com muito esforço afastá-lo um pouco e começar a abrir sua camisa, enquanto isso, meus lábios não o deixaram, desfrutando de cada pele macia que surge a minha frente.

Quando todos os botões foram abertos, Edward agarrou minhas mãos, prendendo acima da cabeça. Voltou a me beijar, mas foi prático em puxar minha calcinha e não sei que malabarismo fez, mas logo sua calça e cueca também saíram do caminho.

Foi ai que o senti, forte, fundo e vigoroso.

Eu te amo Bella.

— Eu amo você.

Respondi e ele começou a investir.

O som dos nossos quadris se chocando, a fricção da sua calça não totalmente tirada roçando em mim, a pressão da mão que segura as minhas e seu olhar, capaz de incendiar, com certeza está despertando meu fogo.

Ficamos perdidos em nossos olhares por um tempo, até ele abaixar a cabeça e liberar minhas mãos, para com a livre, afastar o tecido do vestido na área do busto e dar a atenção tão desejada aos meus seios.

A pequena sensação de estar fazendo algo errado, quase sujo. O fato do sexo arriscado na sala, de não tirarmos totalmente as roupas, geralmente sou contra isso, pois parece que não damos o devido valor ao prazer, ao continuarmos vestidos, mas tudo passou a não significar nada, diante das sensações que Edward me proporciona.

Me sinto quase que como uma mera espectadora, vendo e sentindo Edward fazer tudo por mim, então não querendo continuar assim, fiz o máximo que pude para com ele também.

Infiltrei as mãos por sua camisa e tratei de demonstrar o quanto estou gostando. Com as mãos passando por suas costas, arranhei mais forte, a cada novo êxtase de prazer.

Não demorarei muito mais, sinto isso e sei que ele também, porque levantou o rosto do meu colo e voltou a me olhar, enquanto nossos corpos perdem-se na conexão máxima.

Pisquei os olhos, fechando-os no instante que me perdi e senti Edward me alcançar também...

Pouco a pouco, nossos corpos foram parando de tremer e as respirações tentando normalizar-se, queria cair na inconsciência e desfrutar disso por um bom tempo, mas de novo, ele parece ter outros planos, pois me agarrou no colo outra vez e seguiu em direção ao nosso quarto.

Ao entrar, caminhou com cuidado até nossa cama e me deitou delicadamente, ia sugerir tomarmos banho, mas antes de falar algo, ele me calou com um beijo.

Não foi terno, como quem indica que tudo já acabou, ao contrário, foi voraz, completo, intenso, automaticamente meu corpo começou a reagir ao contato.

Edward encontrou o fecho do vestido e puxou as alças descendo o tecido pelo meu corpo. Para logo depois sua boca descer com beijos ousados pelo meu pescoço.

— Ainda vai ter mais?

Perguntei arfante.

— Sim, nessa noite quero te fazer sentir tudo. Tudo que só eu sou capaz de te proporcionar, somente a você, minha mulher.

— Estamos animados hoje?

— Você nem tem ideia do quanto Heart...

Voltamos a nos beijar, mas logo ele dispersou sua boca da minha para seguir com os lábios pelo meu corpo, a língua quente, os lábios macios, passando como brasa por minha pele.

Ele não para de me tocar por um instante, levantou para puxar o vestido completamente do meu corpo, deixando-me nua diante do seu intenso olhar. Aproveitou também para tirar o resto da sua roupa, mostrando o quanto seu membro já está ficando animado para outra.

Fiz menção de levantar para tocá-lo, mas ele me impediu.

— Não. Hoje é sobre você Heart, tudo sobre você. Irei venerá-la por tantas vezes e de tantas formas que jamais vai esquecer.

— Mas eu...

— Shhh.

Suas mãos percorreram o caminho das minhas pernas, enquanto a boca fez o trajeto contrário, dessa vez, subindo os beijos pela minha barriga deixando o rastro de pele arrepiado por onde passa.

Por fim, alcançou meus seios, então todo meu raciocínio se esvaiu. O jeito que me toca quase que como veneração, nada pode ser melhor do que isso, mas talvez esteja enganada...

Sua mão percorreu o caminho perigoso, indo parar mais uma vez entre o meio das minhas coxas, tocando minha intimidade, já quente a essa altura.

Você é como uma droga para mim Bella. Quanto mais tenho de você, mais preciso e sinto que nunca estarei completamente saciado. Seu gosto, seu cheiro, seus gemidos. Tudo isso me enlouquece de uma maneira que não pode imaginar. Tenho certeza que seu corpo foi projetado perfeitamente para me tentar, para saciar meu prazer e ao mesmo tempo atormentar minha mente. Que sempre deseja por mais. Mas hoje terei... Buscarei tudo que sei que é capaz de me dar.

Edward, eu... Ohh.

Perdi o raciocínio quando sua boca assumiu o lugar da mão. Sua língua lambendo toda a extensão, provocando calafrios de prazer.

Ele começou em um ritmo lento, saboreando-me, sorvendo tudo que tenho a oferecer e aos leves sinais de que estou precisando de mais também, ele me dá.

Edward foi me enlouquecendo, torturando...

Tomando-me entre os lábios, como se meus sentidos não fossem nada, meu corpo é massinha de modelar em suas mãos, dos meus lábios gemidos e lamúrias são pronunciados pedindo por mais.

Minhas mãos perdem-se descontroladas, segurando o lençol e ao mesmo tempo os cabelos de Edward, querendo que vá mais fundo, mais rápido, que traga o céu ao meu corpo, assim como prometeu.

O tempo não tem sentindo, o ambiente, o clima, nada existe além de Edward e o fogo que proporciona entre minhas coxas.

Os tremores começaram a me assolar, meu baixo ventre se contraiu, minhas pernas tencionaram e meus olhos fecharam, perdendo-se na órbita.

— Abra os olhos Heart.

— Eu... Não consigo.

— Consegue... Só farei o que seu corpo quer, se mantiver os olhos em mim.

Isso é tortura, quase impossível de obedecer, mas preciso do alívio...

Mais do que posso controlar meus sentidos, então os abri, vi seu sorriso e ele voltou a me chupar, brincando bem no lugar exato, meu clitóris, que puxa todo o prazer para fora do meu corpo.

Ele levantou a vista e tentei me prender em seu olhar, mantendo o acordo, enquanto sinto as razões do meu corpo fugirem...

Só voltei a mim quando sua voz soou clara aos meus ouvidos.

— Viu? Sabia que conseguiria. Você é forte.

— Mas agora não aguento mais...

— Ah, aguenta sim. Sei como seu corpo ainda está ansiando por mim, assim como o meu está louco para estar contigo de novo.

Ao dizer isso, esfregou o membro completamente duro no meu canal molhado pelo gozo recente.

Pensei que me penetraria nesse instante, mas como está acontecendo por toda a noite, minha dedução estava errada.

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Ao invés disso, girou meu corpo na cama e levantou meu quadril, deixando minha bunda arrebitada.

— Prepara-se Heart, pois a noite está apenas começando. Só pararemos quando a tiver marcado como minha de todas as maneiras possíveis.

Dream...

Ele me penetrou.

Uma mão está segurando em minha cintura para me ajudar a equilibrar e a outra afastou meu cabelo, para sua boca ter livre acesso ao meu pescoço.

Nossos movimentos começaram e não sei que horas vão terminar.

Para Edward, esta noite parece ser infinita, como o início de um amanhecer do para sempre...

CONTINUA.

Notas finais
N/A: Se chegaram até aqui parabéns. Agora se querem ganhar dois parabéns, por favor, comentem! E vamos a eles, quero saber o que acharam sobre tudo, não se façam de tímidos, por favor, coloquem esses dedinhos para funcionar... O início foi calmo, surpresas, casa nova, família mão aberta haha. Depois, pequeno drama familiar e apresentação de nova galera para agitar as coisas. Pobre Miguel, não é certo brigar na escola, mas por aquela doce menina, quem não faria também? E Bella sendo simplesmente uma mãe, eu ainda não sou mãe, mas vejo pela minha que tenta sempre acertar, mas não rola todas as vezes, mas o importante é assumir os erros e seguir em frente. E falando em lidar, nossa, nossa, hein? Festa de niver geral ciumeira, discussão, palavras ao vento e noite quente. Será que já acabou? Que o assunto se resolveu por ai? Saberemos em breve. E é isso pessoal, estamos começando mais um ano em End, espero que seja tão bom e produtivo quanto o passado, mas que o número de reviews cresça bem mais, graças a Deus ainda terei uns bons dias de férias e isso me dará tempo para escrever capítulos ótimos, então comentem, recomendem, que volto em breve. Obrigada a quem está conosco sempre, leitoras novas, sejam bem-vindas e que apareçam mais. Sigam-me no twitter: @KNRobsten. E até o próximo. ~Kiss K Nanda.