Endless Love
35 2ª Temporada Capítulo 9 - Agora é a Hora Parte 2
Notas iniciais
— Espero por isso a mais de seis anos Bella. Estou totalmente pronto para saber.
— Então vou contar...
Suspirei tomando a coragem final.
— Tudo começou um tempo antes de partir. Você se lembra de que andava mal, tonta, enjoada, com muito sono e fome também?
— Lembro, até falei que deveria procurar um médico.
— Sim, estava pensando em marcar uma consulta quando a Nessie sugeriu que fizesse uns testes de gravidez.
— Testes de Gravidez? — Perguntou parecendo surpreso. – Mas por quê? Você sempre tomou anticoncepcional.
— Foi o que respondi a ela. Só que Nessie contrapôs que o que estava sentindo não era normal e que poderia sim ser uma gravidez, então ela comprou os testes e decidi fazê-los. Esperei os benditos minutos e quando deu o tempo os três, absolutamente os três testes deram positivo. Na hora fiquei apavorada, não sabia o que fazer, até que ela falou que precisava fazer duas coisas. Primeiro de tudo ir ao médico e confirmar a gestação e logo depois contar a você.
— Mas você não me contou!
— Você não sabe da história a parte Edward.
— Então conte.
— Como estava dizendo, conseguimos marcar uma consulta para o dia seguinte, fui até a médica a qual fazia acompanhamento, contei sobre meus sintomas e o resultado dos testes. Ela pediu exame de sangue apenas para confirmar que realmente estava grávida. Quando sai do hospital não tive outra atitude a não ser ir até sua casa para que pudéssemos conversar e ver como acertaríamos as coisas.
— Você foi até minha casa? E por que não me contou? Por que só estou sabendo disso agora?
— Quando cheguei lá você não estava, aliás, não tinha ninguém, além da sua mãe. Decidi te esperar, porque realmente precisava resolver esse assunto o mais rápido possível. Permaneci por lá bastante tempo, quando de repente tive um enjoo, depois de me recuperar sua mãe foi muito direta perguntando se estava grávida, não tive como negar, estava muito óbvio. Conversamos por um tempo e sua mãe me aconselhou a ir embora e falar com você depois, que já tinha passado por emoções demais para um dia e que precisaríamos de tempo para conversar, alegou que você provavelmente chegaria tarde e seguindo seu conselho fui embora, na esperança de conseguir resolver as coisas no dia seguinte, mas foi ai que tudo mudou...
— Espera. Você está querendo dizer que minha mãe sabia que você estava grávida? Que esteve grávida e nunca me contou?
— Sim, ela sempre soube que fui embora esperando um filho seu. Mas sinto que isso não é a pior coisa que ouvirá hoje. – Suspirei.
— O que pode ser pior do que isso? Minha mãe sabia que você estava grávida e nunca me disse nada. Juro que tentei te procurar, mas depois de um tempo todos me convenceram a desistir e deixar que seguisse sua vida, mas se soubesse que estava grávida, não teria desistido até te encontrar Bella.
Ouvir isso trouxe uma grande dor ao meu coração, saber que ele nunca quis que fosse embora e nem destruiu nosso sentimento, ao contrário, ele parece ter sofrido tanto quanto eu.
— Mas, por favor, continue. Preciso ouvir toda a verdade.
— Certo, no dia seguinte acordei disposta a ir direto a sua casa falar contigo, não podia esperar mais nem um segundo, mas ao chegar à sala da minha casa vi que tinha um envelope endereçado a mim, instintivamente o peguei para ler, entretanto, não soube na hora, mas aquele simples pedaço de papel conseguiu mudar minha vida para sempre.
— O que tinha escrito nessa carta?
— Ela veio escrita como se fosse você quem tivesse mandado a mim. E dizia que não me amava, pelo menos não mais para continuarmos juntos, que estava terminando comigo enquanto não assumíamos uma coisa mais séria. Dizia que, se continuasse comigo acabaria se prendendo demais e não queria isso, compromisso e responsabilidade, não naquela época pelo menos. Que tinha muito que viver e não era ao meu lado que se imaginava. No fim pedia desculpas por terminar através de uma carta, mas que se olhasse nos meus olhos não seria capaz de me deixar, por fim tinha sua assinatura encerrando tudo.
— Não consigo entender como acreditou em algo assim Bella! Depois de tudo que vivemos. Você acreditou em um simples pedaço de papel!
— Edward, se põe no meu lugar. Tinha acabado de descobrir que estava grávida e recebo uma carta sua, com sua letra, assinatura, suas palavras, dizendo que não me amava e que não queria compromisso e responsabilidade. O que queria que fizesse caramba?! Aquilo era mais que uma direta que não queria a mim e nosso filho. No momento não pensei em mais nada, só em proteger aquele pequeno ser que trazia no ventre. Apesar de te amar mais do que a mim mesma, naquele momento amava aquele bebê mais até do que a você e por ele faço qualquer coisa.
— Eu sei Bella, mas você tinha que ter ido me procurar, nem que fosse para brigar comigo, como sempre fez.
— Edward, a partir do momento que soube que tinha outra vida que dependia de mim, não arriscaria te ver e ouvir algo como para tirar o bebê.
— Bella, como pôde pensar que faria uma coisa assim? Eu te amava e por mais que tivesse sido um choque saber que seriamos pais tão novos, nunca te pediria para fazer algo do tipo.
— Me desculpe, mas na hora a única coisa que sabia é que estava grávida e tinha acabado de receber uma carta do meu namorado, o pai do meu bebê, me mandando passear da forma mais fria possível. Frisando com palavras que jamais seria capaz de me olhar nos olhos e dizer que estava tudo acabado. Edward, só deduzi que sua mãe havia contado sobre a gravidez e esse foi o meio que encontrou de me dispensar, dizer que não estava pronto para tanta responsabilidade, que sabia que se continuássemos juntos sua vida seria destruída, que precisava da sua liberdade e eu estava empatando isso. Lembro como se fosse hoje de um trecho específico, que sabia que estava sendo covarde, que me amava e esperava que pudesse te perdoar, mas naquele momento não poderíamos continuar juntos. Você não tem ideia de como aquilo me destruiu, realmente só segui em frente pelo nosso filho, porque me considerei morta naquele momento.
Conclui com pesar, lembrando-me de tudo que passei naquele maldito dia.
— Mas juro que não escrevi carta nenhuma, nunca soube que você estava grávida, que teríamos um filho. – De repente seus olhos arregalaram. – Meu Deus. Nós temos um filho... O Miguel, ele é...
Assim associou o fato de que o bebê que um dia carreguei é o filho que temos hoje.
— Sim Edward. Miguel é o filho que sai carregando no ventre quando parti. Ele é nosso. É seu filho...
Ele levantou começando a andar de um lado para o outro na sala, sua respiração está irregular e suas mãos não param de mexer no cabelo freneticamente.
— Eu tenho um filho! Tenho um filho e nunca soube! Perdi seis anos da vida de vocês por uma mentira! Sofri todos esses malditos anos com sua ausência sem entender porque simplesmente partiu dizendo ser minha culpa, mas sem dizer com todas as letras o que fiz. E no fim das contas não tinha culpa de nada e agora descubro o motivo que procurei por todo esse tempo. E junto a tudo isso a notícia que sou pai.
— Me perdoa Edward. Jamais quis te separar do nosso filho, mas era jovem, imatura, insegura da nossa relação, por mais que houvesse amor, ele nunca foi o bastante para sustentar um relacionamento. Quando me vi grávida e em seguida recebi aquelas palavras, só pude pensar em desaparecer e proteger meu filho de uma desilusão, assim como havia tido contigo.
— Fala a verdade Bella, o que realmente houve, quero saber tudo.
— Não sei como consegui me recompor após ler sua carta ou sua suposta carta como sei hoje. O que soube era que não poderia apenas continuar, ficar te encarando, sabendo do nosso término. Meus maiores medos eram que você pedisse para tirar o bebê ou que nossos pais nos forçassem a casar por conta da criança. Não viveria com alguém que não estava feliz ao meu lado, que estava comigo por obrigação. Naquele momento comecei a pensar em lugares para onde ir, na hora descartei a ideia de voltar a Jacksonville, pois se em algum momento você ou alguém quisesse me procurar, esse seria o primeiro lugar, foi ai que uma luz surgiu. Naquela semana tinha recebido uma carta de aceitação na UCLA, até hoje não sei quem me indicou o que também não importou no momento, somente que era o melhor plano que tinha. Ninguém além da Nessie sabia da aceitação e ninguém teria porque pensar que iria a Los Angeles. Arrumei minha vida toda em questão de horas, comprei passagem, organizei papelada, fiz as malas e quando estava saindo Nessie chegou.
— Ela sabe?
— Sim. Sempre soube de tudo e esteve ao meu lado por todos esses anos, mesmo a distância.
— Por isso ela me acusou por tanto tempo de ser o causador da sua partida e demorou muito para que voltasse a me tratar consideravelmente bem, sem soltar olhares sombrios quando me via.
— Nessie sempre soube da mesma história que eu, quando chegou não tive como esconder, mostrei a carta, ela ficou muito brava querendo ir atrás de você e tirar satisfações, mas a convenci de aceitar as coisas como estava planejando e com isso parti, sem olhar para trás para não ter tempo de pensar demais e me arrepender. Como deve se lembrar da conversa que tivemos na casa da Nessie assim que voltei, realmente não viajei pelo mundo como as cartas indicavam. Residi em Los Angeles, me graduei na UCLA e trabalho na mesma empresa desde que arrumei estagio, mas tive que manter a versão da aventura pelo mundo para que ninguém descobrisse sobre o Miguel.
— Você realmente pensou em tudo. Obstruiu todas as lacunas para que nunca fosse encontrada, tentou fazer com que sua presença fosse quase esquecida, mas deixou uma coisa passar, ninguém esqueceu a sua existência! Mesmo com a tentativa de sumir das nossas vidas.
— Edward, não pense que não sofri por todos esses anos. Eu que vivi longe das pessoas que amo, minha família, meus amigos, você... Mas tive um propósito, proteger o Miguel acima de tudo, sempre. Deus ainda foi muito bom comigo me deixando ter contato também com a minha mãe, ela descobriu meu segredo e da Nessie. E nós três juramos nunca contar a ninguém a verdade. Elas sempre que podiam iam visitar Miguel e eu, mesmo que fosse uma vez por ano, mas conseguia aplacar um pouco a falta que todos fizeram na minha vida.
— Entende Bella, como todos sofremos a toa? Como tivemos que nos separar por uma mentira? Você viveu todo esse tempo achando que eu era um canalha que tinha te abandonado grávida. Enquanto te achei uma destruidora de corações fria. Mas o que mais me incomoda é pensar sobre quem terá sido capaz de fazer uma coisa dessas conosco. Você disse que essa carta contém minha letra, mas não sei como isso aconteceu, porque não escrevi nada a você, eu juro.
— Hoje sei Edward e também sei toda verdade. Quem realmente planejou nossa separação. E não sei se me doeu mais pensar que você teria sido capaz de ter feito isso ou descobrir que essa pessoa foi a responsável por todo nosso sofrimento. Não só de nós dois, mas também do nosso filho. Você não sabe o que é para uma mãe ver seu filho perguntar por que todos os amiguinhos têm pais, por que os conhecem e convivem com eles. E ele não poder ter isso. Não poder dizer a verdade ao seu próprio filho. No fundo mesmo magoada sempre tentei te entender, éramos jovens, sem preparação para a vida, mesmo sabendo ou não que estava grávida, tinha o direito de querer viver de outro modo e não podia te prender a mim por um sentimento o qual já não compartilhava, então bem lá no fundo tentava te perdoar por suas escolhas. Mas agora que sei quem realmente fez tudo isso. Não sei se posso perdoá-la...
— Perdoá-la? Quem fez isso conosco Bella?
— Foi a sua mãe Edward. Esme quem planejou tudo. Escreveu a carta sabendo certinho o que aconteceria comigo e assim causando nosso rompimento.
— O que? Não! Isso não é verdade. Não é mesmo? Diga Bella. Diga que isso é mentira!
— Sinto muito, fiquei feliz no instante que soube que você era inocente, mas toda dor voltou quando soube que ela é a responsável. Sinto muito mesmo, mas é a verdade, foi ela Edward.
Seu corpo caiu de volta no sofá, me aproximei segurando sua mão na minha enquanto continuo a falar, porém com lágrimas caindo dos nossos olhos.
— Minha mãe e Nessie por muitas vezes falaram que talvez você não tivesse feito aquilo, que poderia ter sido um mal entendido, algo armado por alguém, mas sempre me neguei a pensar nisso, afinal de contas, quem poderia querer nos prejudicar dessa forma? Quando decidi aceitar a proposta de voltar à Nova York resolvi também que tiraria essa história a limpo. Sobre você saber da paternidade do Miguel e também falaríamos do porque de tudo. Quando nos reencontramos comecei a suspeitar que da gravidez você realmente não soubesse, só que, além disso, parecia também não demonstrar conhecimento do real motivo que me fez partir. Já estava confusa quando Alice veio me confrontar sobre o assunto.
— Alice? Por quê? Ela já sabe sobre isso? Ela também tem algo haver?
— Não Edward. Ela não tem culpa de nada. Ao contrário, por favor, me escuta. Ela veio me confrontar dizendo que sabia que o Miguel era seu filho, nós discutimos e conversamos até que contei a verdade, mostrei a carta e ela jurou que você não tinha feito isso e prometeu que descobriria a verdade sobre os fatos e descobriu. Ontem quando você me trouxe e cuidou de mim, prometi que falaria o porquê de estar tão destruída.
Só de lembrar a situação meu coração se aperta novamente.
— O motivo foi por ter acabado de confrontar sua mãe, onde ela própria confessou que escreveu a carta. Disse que depois que deixei sua casa naquele dia, ela só conseguiu pensar em formas de fazer com que fosse embora. Sabia como estava frágil e que qualquer coisa faria que mudasse toda minha vida. Como falou, ela é mãe, sabe do que somos capazes por nossos filhos. Por fim calculou tudo perfeitamente, me fez lembrar a história que vocês têm as letras iguais, conseguiu sua assinatura verdadeira, pensou em cada palavra para escrever com a intenção de me fazer partir e seu plano foi mais do que perfeito. Porque não teve o mínimo erro no percurso. Ontem ela ainda disse que pensava que iria para Jacksonville e pretendia manter contato comigo durante a gestação, cuidar de mim e do Miguel. E com os anos quem sabe talvez voltar a nos aproximar, mas que tudo que fez foi com o intuito de nos proteger, mas claro, principalmente te proteger.
— Me proteger?! Nunca. Isso é algo impossível de acreditar! Minha própria mãe, a mulher que sempre tive como referencial de pessoa, de ser humano. Não consigo entender como alguém pôde ser tão fria, fingido dessa forma. Ela me viu todos os malditos dias definhando com sua partida. E não fez nada! Mas claro que não faria, afinal, foi ela mesma quem armou tudo!
— Ela disse que ficou muito mal enquanto você esteve mal também, falou de um momento de depressão pelo qual passou e depois do tempo em que não estava ligando para nada. Contou que tentou me procurar, mas já era tarde demais, o mal estava feito.
— Isso não tem explicação, ela me separou de você, a mulher que amo! Me fez perder seis anos da sua vida e do meu filho. Meu filho! Entende o que é isso? É um tempo que jamais vou conseguir recuperar. Ela me privou de uma felicidade imensa e deixou com que me afundasse na solidão. Não é algo que possa entender ou aceitar e quiçá perdoar. Uma mulher que diz ter feito isso para o meu bem está completamente equivocada. Mas não me entra na cabeça o porquê de ter feito tudo isso.
— Nem na minha Edward, mas já lavei minhas mãos em relação a isso. Acho que você tem muito que conversar com ela, mas eu, já não tenho mais o que ouvir. Ela teve um objetivo e o alcançou, nos separou. Graças a Deus fui forte o suficiente para cuidar do meu filho por todo esse tempo, isso ela não conseguiu tirar.
— Meu Deus do céu. Um filho! Dá para acreditar que sou pai daquele menino? Desde a primeira vez que o vi no hospital senti algo especial. A princípio pensei que fosse pelo fato de ser seu filho e apesar de tudo, ainda me sentia ligado a você, mas com o tempo meu carinho só aumentou de uma forma incontrolável, às vezes, me sentia mal por saber que ele era fruto de um relacionamento seu com outro homem, que tinha sido capaz de ter algo tão especial com outra pessoa tão logo nos separamos. Agora descubro que ele é meu filho, que foi feito por nós, fruto do nosso amor...
— Agradecia todos os dias por ele ser seu filho. Não importava a forma como terminamos, pois sabia que ele tinha sido feito com muito amor. Mesmo longe sempre acompanhei sua vida através das coisas que a Nessie contava e ficava orgulhosa de saber que meu filho era também de um homem como você. Sempre disse ao Miguel que seu pai era um grande homem, a pena era não podermos nos relacionar.
— Você fez um trabalho incrível Bella. Lutou por ele como poucas pessoas seriam capazes de fazer. O criou muito bem, também me orgulho de saber que tenho um filho com uma mulher como você, te admiro muito.
Ficamos nos encarando por um tempo sem dizer nada, nossos olhos transmitindo as mensagens que as palavras não são capazes de mostrar.
— Você quer ver Miguel? Agora como seu filho?
— Claro, por favor.
Seguimos em direção ao quarto dele, ao entrarmos Edward caminhou para a cama e sentou ao lado do nosso pequeno que dorme tranquilamente, ele começou a acariciar seu cabelo e suspirou.
— Ele é tão incrível e se parece com você.
— Edward, por favor, ele é a sua cara! Tem seus olhos, sua boca, o jeito charmoso de andar, até seu sorriso torto puxou. Miguel não nega que é seu filho. Lembro-me de quando nasceu, que durante a primeira mamada ao abrir os olhos me deixou sem ar por ver seus olhos nele Edward. Como um aviso de que nunca esqueceria quem era o pai, mesmo nos dias de dor e sofrimento por tudo, não me arrependia de você ser o pai do Miguel.
— Sinto tanto por ter perdido esse tempo da vida dele. Sua gravidez, não ter estado ao seu lado na hora do parto, nem na primeira mamada. Vê-lo falar e andar pela primeira vez, levá-lo a escola no primeiro dia ou estar lá quando ficasse doente. São coisas que não voltam mais.
— Eu sei Edward e sinto muito por todos nós, mas o passado já foi. Agora temos que viver o presente e planejar o futuro de vocês juntos.
Ele sorriu e ficou aproveitou um pouco mais a companhia do filho, até o beijar levantando e assim deixamos o quarto.
— Temos tantas coisas a ver agora, sinto que minha vida deu um giro de 360º nessa última hora. – Informou ao chegarmos à sala.
— Sei como se sente Edward, senti tudo isso quando descobri estar grávida, mas as coisas vão se ajeitar. Você verá, estaremos juntos nessa.
Peguei sua mão entre a minha e olhei diretamente em seus olhos para comprovar o que estou falando.
— Podemos conversar sobre o que quiser saber do Miguel. Você está de folga, teremos tempo de colocar alguns pontos no lugar.
— Tudo bem. Quero saber tudo o que houve com vocês nesses anos. Por favor, não me poupe de nenhum detalhe, já fui poupado o bastante de suas vidas.
Assenti e iniciei uma narrativa leve e descontraída sobre nossos anos em Los Angeles.
Contei sobre a gestação, cada detalhe que guardo na memória. Da minha amizade com Angela, Liam e Siobhan, de como foram importantes durante esses anos. Narrei cada novidade envolvendo a vida do Miguel, como tudo procedeu, falei dos seus gostos, medos, momentos felizes e aflições.
Foi bom poder contar tudo isso a ele, disse que devemos focar no presente e em tudo que aproveitarão a partir de agora, mas não podemos esquecer que Miguel já tem quase seis anos e muitas coisas aconteceram nesse tempo.
Edward comentou em cada novo assunto, parecendo cada vez mais animado sobre a vida do filho, foi como se dez toneladas tivessem sido retiradas das minhas costas em saber que toda a verdade está exposta a ele.
Teremos muitos outros confrontos pela frente, como, por exemplo, contar ao próprio Miguel a verdade, mas com a mesma relevada a Edward, nós dois, dessa vez juntos, lidaremos com as atribulações.
— Acho que ele se parece comigo mesmo, fui uma criança bem arteira pelo que lembro e o que meus pais falam.
Contou em meio a mais um de seus comentários, mas ficou em silêncio de repente.
— O que houve?
— Só está sendo difícil assimilar que a mesma mulher que me criou com tanto amor prezando a verdade na família, tenha sido capaz de fazer uma coisa dessas. Você sabe Bella, ela não apenas me afastou do meu filho, o que já é motivo para uma mágoa enorme, mas também fez com que nos separássemos. Pensar que hoje poderíamos estar casados, com mais filhos talvez ou pelo menos tendo criado o Miguel juntos e continuado com nosso amor... Mas tudo isso se perdeu por culpa dela. – Refletimos por um instante. – E como ficamos Bella?
— Como assim? — O encarei confusa.
— Nós dois. Agora que sabemos a verdade, que ninguém tem culpa de nada. Tínhamos um compromisso e nos amávamos. E você não pode negar que nesse meio tempo em que está de volta, já estamos meio que enrolados de novo. O que faremos com o que sentimos agora?
— Edward, não acho que agora seja a melhor hora para discutirmos esse assunto...
— Por favor, Bella. Não fuja mais. Já fomos privados de felicidade por tempo de mais, para que continuar adiando?
— Edward, entenda. Não somos mais dois adolescentes que podem mover-se regidos apenas pelo fogo da paixão ou por nossos hormônios incandescentes. Temos responsabilidades e muitas coisas a analisar antes de pensar em nos envolver sentimentalmente de novo. Agora antes de qualquer coisa temos que pensar no nosso filho. Temos tantos assuntos a acertar com ele ainda, entende?
— Então quer dizer que vamos deixar nossos sentimentos de lado?
— Não, só preciso de mais um pouco de tempo. Muitas coisas aconteceram em um curto período, voltei, nos reencontramos, percebemos que ainda somos afetados pela presença do outro, então essa verdade veio à tona. Agora você tem que se concentrar no Miguel e temos que pensar na melhor forma de contar a verdade a ele. Já o privei bastante tempo de uma convivência com o pai e agora que já sabe, não quero esperar mais nada. Você também não quer contar logo a ele? E assim poderem ter o convívio de pai e filho merecidos?
— É claro que quero Bella. Não pense que não estou mais do que feliz pela notícia e ansioso para poder lhe contar a verdade, quem sabe até ouvi-lo me chamar de pai. Mas não posso me conter também ao pensar em nós. Poxa vida, foram seis anos longe, não sei quanto tempo mais aguentarei e saiba que não desistirei de nós.
— Não quero que desista, porque também não vou. Juro que só precisamos arrumar mais essa parte da nossa vida. Contando a verdade ao Miguel não importa quando contaremos ao resto da família, como será o confronto com nossos pais, não me importarei com mais nada que não sejamos nós, prometo.
Mal terminei de falar e ele me beijou.
Não me fiz de rogada ou tentei refrear seu impulso, me entreguei ao momento que é como uma promessa de que logo colocaremos todas as cartas na mesa e resolveremos nossa situação.
Realmente já ficamos tempo demais separados e se apesar de tudo pelo que passamos nosso sentimento não se perdeu, é certo tentarmos mais uma vez nos encontrar.
Sua boca macia procurou a minha contrastando com as mãos ágeis que me puxaram de encontro ao seu corpo sentado no sofá. Envolvi os braços ao redor do seu pescoço e recebi com gosto sua língua ávida que penetrou entre meus lábios a procura da minha.
Nosso beijo tem fome, desejo e saudade. Desde que nos reencontramos sempre que algo assim aconteceu foi com uma nuvem de preocupações e contradições, mas agora parece certo novamente.
O contato entre nossos corpos, o sabor do beijo, parece o reencontro das nossas almas apaixonadas até então adormecidas.
Depois de um tempo incontável, quando nos faltou o ar separamo-nos com sede de uma expectativa futura, quando depois do beijo o próximo passo seria sempre mais...
— Só precisamos de um tempo. – Falei.
— Iremos esperar, porque quando voltarmos a falar sobre isso quero que esteja completamente ciente que quero ter tudo contigo. – Assenti. – Acho que agora já está na minha hora de ir.
— Não vai. – Falei de supetão.
— Mas...
— Fica. Já está tarde e o quarto de hóspedes está vazio. Você pode ficar para dormir e amanhã Miguel ficará muito feliz em vê-lo aqui. Será um pequeno passo para introduzirmos sua presença na rotina dele.
— Eu aceito, claro que aceito.
— Vem comigo. – Levantamos e seguimos agora em direção ao quarto de hóspedes. – Esse quarto não tem banheiro, mas você pode usar o social, tem toalhas limpas e coisas de uso pessoal no gabinete, às roupas de cama foram trocadas essa semana e no guarda-roupa tem lençóis, edredons, pode pegar o que quiser para dormir e algo mais que precise pode passar no meu quarto e pedir que te dou.
— Daria qualquer coisa que pedisse?
Soltou em tom saliente enquanto está numa pose sedutora, com os braços cruzados e o corpo levemente inclinado recostado no batente da porta.
— Engraçadinho. Você entendeu o que quis dizer. Agora vamos dormir e nos falamos de manhã, boa noite.
Fui passar por ele para sair, mas fui segura por seus braços e ganhei um novo beijo, meu corpo inteirou ficou mole e não sei como consegui me segurar após ser solta.
— Agora sim, boa noite Bella.
Segui meio zonza até meu quarto, entrei e fechei a porta recostando na mesma procurando estabilidade nos pensamentos e nas pernas.
Depois de me recuperar arrumei tudo rapidamente para dormir, sentindo que finalmente as coisas estão prestes a melhorar...
Estou andando pela praia na hora do crepúsculo, sozinha, apenas sentindo a brisa do mar e a areia entre meus dedos.
Quando de repente sinto dois braços fortes me segurarem, antes que pensasse em gritar ouvi sua voz aveludada ao pé do ouvido.
— Relaxa sou eu.
— Nossa Edward, me assustou.
— Desculpe, a última coisa que queria te dar era um susto, mas não se preocupe que vou recompensá-la.
Virei para olhar em seus olhos.
— E posso saber como?
Perguntei erguendo a sobrancelha. Ele se aproximou para sussurrar no meu ouvido.
— Te dando uma noite inteira de prazer. – Meu corpo todo estremeceu. – Você topa?
Balancei a cabeça concordando sem saber se ainda tenho capacidade vocal.
Ele me beijou, um beijo intenso e avassalador, começou a tirar meu vestido e aproveitou para passar a mão por todo meu corpo.
— Tão linda. Tão bela.
Acariciou minhas bochechas, em seguida me puxou para o mar, agora que reparei que ele está só de sunga.
Como pude não ter reparado em seu corpo perfeito antes? Ou talvez fosse só o poder dos seus olhos que me mantiveram presa na imensidão verde.
Chegamos mais ou menos no meio do mar com a água gostosa, pois essa é uma praia sem ondas então dá para aproveitar bem.
— Você vai me amar aqui na água?
— Vou te amar em todos os lugares e para sempre, mas para começar sim, vou te levar as estrelas aqui de dentro do mar.
Sua boca voltou a cobrir a minha e só Deus sabe as sensações que sinto quando estou assim com ele. Minhas mãos foram para a sua nuca e logo uma desceu tateando seus ombros, braços, costas. As dele permaneceram firmes na minha cintura por um tempo até decidir passear pelo meu corpo passando dos quadris direto a minha bunda.
Ele levantou uma perna e passou pelo seu quadril, com isso entendi o que quer e entrelacei a outra ficando escanchada no seu colo.
Ele logo passou os beijos para o meu pescoço, sem não antes passar pela minha mandíbula e após me torturar nessas regiões chegou a minha clavícula.
Só consigo pronunciar palavras desconexas e gemidos.
— Hoje vou te amar até que não lembre mais do seu nome.
— Oh, Edward. Me faça sua. Faça com que esqueça tudo.
Sua mão desatou o nó do meu biquíni com uma destreza incrível, o mesmo caiu no mar e apesar de exposta não tive vergonha, porque estou com o homem que sempre amei.
Senti suas mãos virem em direção a um seio e o acariciar, é incrível como eles cabem perfeitamente em suas mãos. Quando o apertou gemi porque não tem mais nada que pudesse fazer a não ser gemer aos seus toques.
Prestes a descer os lábios ao outro seio, ouvi sua voz ao longe...
— Bella.
— Oh, vai.
— Bella, está tudo bem?
— Oh, sim. Continua...
— Bella acorda.
— Oh, não. Dream, não para.
Senti meu corpo sendo chacoalhado.
— Bella acorda!
— Ah!
Dei um pulo na cama.
Espera um pouco. Não estava no mar com Edward?
O que ele está fazendo aqui na minha cama?
— Edward. O que está fazendo aqui? – Expressei.
— Você me deixou dormir aqui, não lembra?
— Não!... Quer dizer sim, lembro, mas perguntei o que está fazendo aqui comigo no meu quarto e na minha cama.
— É que acordei e quis ir ao quarto do Miguel, só que quando passei em frente vi sua porta aberta, te ouvi meio que gemendo.
Gelei.
Será que falei seu nome enquanto gemia?
— O que ouviu?
Perguntei mesmo com medo de saber a resposta.
— Nada muito coerente, só gemidos e palavras de incentivo tipo oh, vai, continua. — Corei enfiando a cara no travesseiro. – Ah Bella, não precisa ter vergonha. – Esse desgraçado está rindo. – Afinal, foi só um sonho e todos têm o direito de sonhar com o que quiser, não é mesmo?
— É isso mesmo, sonho com o que tiver vontade. – Falei como uma menina mimada cruzando os braços. – E você não disse que ia ver o Miguel? Por que não foi ainda?
— É que queria falar com você antes.
— Pode falar. Algum problema?
Imediatamente mudei minha postura para saber sobre o assunto relacionado ao meu filho.
— Você tem ideia de quando iremos lhe contar a verdade?
— O mais rápido possível. Só preciso prepará-lo primeiro, mas por quê?
— Sei lá, só fiquei meio inseguro pensando que talvez sua vida esteja boa assim e não vá querer a interferência de ninguém.
— Edward, minha vida pessoal não tem nada haver com a vida do Miguel, entende? Ele precisa de um pai e mais do que tudo ele quer ter um pai. Só nunca comentei nada diretamente, pois tinha medo de que se algum dia se conhecessem, você viesse a rejeitá-lo ou o tratasse mal, mas agora que sei que o quer como filho, tanto quanto ele quer ter um pai, acho que está mais do que na hora de saber tudo.
— E como acha que ele reagirá?
— Sinceramente não sei responder, mas descobriremos quando a hora chegar e a verdade vier à tona.
— Certo, acho que não posso ficar nervoso antes da hora. Vou acordá-lo, você vem comigo?
— Pode ir à frente, vou só tomar um banho primeiro.
Ele assentiu deixando o quarto, com isso levantei e fui tomar banho, coloquei uma roupinha qualquer, pois não pretendo sair hoje e ao ficar pronta segui ao quarto do Miguel.
Encontrei Edward e ele em um papo muito animado pelo que pude perceber.
— Bom dia meu amor. – Fui em direção à sua cama e dei um em sua beijo na testa. – Dormiu bem?
— Sim mamãe e a senhora?
— Também dormi muito bem. – Edward deu um sorrisinho, porém o ignorei. – Mas o que você e Edward estavam falando?
— Mãe, tio Edward falou para sairmos juntos hoje, nós três, podemos, não é?
— Não sei querido, que tal irmos tomar café e resolvermos isso, tudo bem? Agora levanta, vai escovar os dentes e depois pode ir à cozinha.
Ele assentiu e foi para o banheiro, Edward e eu saímos do quarto.
— Que história é essa de passeio Edward?
— Só pensei que poderíamos sair para curtir, sabe? Só nós, como você falou ontem, assim ele já vai se acostumando comigo e também começo a treinar um pouquinho para essa história de pai.
Concluiu parecendo meio inseguro.
— Tudo bem, parece mesmo uma boa ideia e faz tempo que não saio com o Miguel.
— Ótimo, só tenho que passar em casa para me trocar. Vocês vão comigo desde agora ou volto para pegá-los?
— Apesar de não gostar de dar trabalho e ter certeza que não aceitará a ideia do Miguel e eu irmos no meu carro te encontrarmos, acho melhor passar aqui depois que vier de casa, ainda não estou preparada para ir lá...
— Tudo bem, entendo. Sinceramente também não me agrada muito a ideia de ir para casa. Você me fez um enorme favor deixando dormir aqui essa noite, porque te juro que se fosse embora ontem talvez tivesse me arranjado por algum hotel, pois não aguentaria olhar para minha mãe.
— Fica calmo, está bem? Não vá fazer nada de cabeça quente.
Ele apenas balançou a cabeça concordando, mas não deixou de demonstrar sua clara indignação com o assunto.
Já na cozinha comecei a arrumar as coisas para o café. Edward se ofereceu para ajudar e trabalhamos juntos. Miguel logo chegou e depois de tudo pronto sentamos iniciando o café da manhã.
— Mas tio Edward vamos passear mesmo?
— Claro, só vou até minha casa me trocar e logo depois venho pegá-los, ai passaremos o dia todo.
— Eba!
Dá para ver o brilho de felicidade nos olhos do meu menino, fico imaginando como irá reagir quando souber que Edward é seu pai. Creio que ficará muito feliz, pois sempre pediu por um pai e agora vendo sua relação tão boa com o mesmo, acredito realmente que ficará feliz com a notícia.
— Em falar nisso, já vou indo para não sairmos tarde, volto logo. Estejam prontos para sairmos.
— Certo, mas Edward, que roupa devemos vestir? Não sei aonde irá nos levar, então tenho que estar mais ou menos preparada.
— O que vestir ficará ótimo em você. – Corei abaixando a cabeça. – Mas vistam algo leve, está calor hoje e assim não se cansam, mas se quiser levar algum casaco para o Miguel, caso esfrie mais tarde, porque sei que não iremos voltar cedo. Mas deixa-me ir.
Ofereci acompanhá-lo até a porta, mas ele disse que não precisava e assim deixou o apartamento e quando Miguel terminou seu café o mandei direto para o banho.
Fui até seu quarto escolher a roupa, optei por uma bermuda, camiseta e tênis, entrei no banheiro e terminei de ajudá-lo, depois o vesti, arrumei o cabelo e com ele pronto pedi para esperar na sala enquanto me arrumo.
Já no meu quarto como tomei banho agora pouco foquei apenas na escolha da roupa, optando por algo adequado para passar o dia, vesti-me e arrumei uma bolsa com as coisas necessárias para Miguel e eu, assim segui até a sala.
Sentei ao lado do Miguel no sofá esperando até a hora de Edward chegar, tão logo percebi meu celular tocando.
— Oi Edward.
— Bella já estou aqui em frente.
— Tudo bem, estamos descendo.
— Te espero aqui, beijos.
— Beijo. – Desliguei. – Vamos Miguel. Edward já está nos esperando.
Saímos rumo ao elevador e ao chegarmos à portaria de cara avistei Edward encostado no carro, simplesmente divino.
Trajando uma bermuda jeans, camisa e tênis. Uma versão maior do Miguel.
— Tio. – Miguel correu em sua direção e ele o pegou no colo. – Combinamos? – Apontou para suas roupas.
— Acho que sim, o que acha Bella?
— Que os dois estão lindos e você Edward, nem parece o doutor Cullen médico centrado.
— Você tão pouco está parecendo uma séria empresaria de multinacionais. – Sorrimos com a brincadeira. – Aliás, você está muito bonita.
Agradeci o elogio, mas corei com a intensidade do seu olhar.
— Vamos?
Os dois concordaram e entramos no carro rumo há um dia com certeza incrível.
— Então senhor Cullen, qual nosso itinerário?
— Para falar a verdade não tenho a menor ideia, que tal Miguel nos dizer aonde quer ir? – Edward olhou pelo retrovisor questionando-o. – E ai para onde vamos?
— Será que poderíamos ir ao parque? – Ele falou com os olhinhos brilhando. – Meus amigos da escola já foram e me disseram que é muito legal.
— Está decidido. Iremos ao parque. – Edward afirmou.
— Eba!
Assim seguimos e passamos por uma manhã e começo de tarde maravilhosos.
Ao chegarmos Miguel e Edward correram para todos os brinquedos possíveis para a idade do nosso filho. Desde pula-pula, todo e qualquer brinquedo de girar, brinquedos com água, no elevador do tamanho infantil, carrinhos de bate-bate, carrossel.
Cheguei a ficar tonta com tantas coisas que fizemos, mas para Miguel e Edward tudo pareceu o paraíso.
Eles foram a todos os brinquedos juntos, nos que dava para ir mais de duas pessoas de uma vez, os acompanhei, caso contrário permaneci de fora observando e tirando muitas fotos.
Os dois ainda comeram pipoca, peguei minha paixão pessoal, algodão doce. E por volta de duas e meia para três horas, Miguel finalmente pareceu perceber que depois de tanto agito ainda não almoçamos.
— Mãe estou com fome.
— É claro que tem que estar faminto, não imaginei que já era tarde assim. Vamos sair para almoçar.
— E onde quer comer Miguel?
Edward o perguntou enquanto seguimos pela saída.
— Hum... No Mcdonalds.
— Ótima ideia. Vamos ao Mc então.
Como hoje é um dia diferente não me preocupei em comermos lá, já no carro procuramos o Mc mais próximo.
Miguel pediu um Mc lanche feliz junto com milk-shake de chocolate, Edward e eu pegamos um lanche cada um, aliás, Edward pegou dois, não sei como consegue manter a forma e continuar sarado, comendo desse jeito.
Com muita insistência dos dois peguei um milk-shake também, só que diferentemente deles, o meu foi de morango.
Passamos por mais um momento agradável, sem passado com dores ou futuro com medos, apenas o presente feliz.
Realmente vivendo uma bolha familiar, desfrutando ao máximo da companhia uns dos outros. Poucas vezes vi meu filho tão feliz como agora, o brilho em seus olhos é claro como água, os de Edward transmitem tanta felicidade ou até mais e nem sei descrever o que estou sentindo.
Só penso que ficarei ainda melhor quando a última verdade for esclarecida e Miguel souber que Edward é seu pai.
— Bella, Bella. – Senti um cutucão no meu ombro. – Bella, está ai?
— Eu? Sim, claro. Estava falando comigo Edward?
— É que já paguei, podemos ir.
Assenti e caminhamos até a saída.
— Então Miguel, já cansou?
— Não, nenhum pouco e o senhor?
— Também não e tecnicamente ainda é dia porque o sol ainda não se pôs, sendo assim, que tal irmos à praça só para descansar um pouco e ver o pôr do sol?
A última parte disse me olhando, como se ver o pôr do sol fosse um programa apenas para nós.
— Parece um bom jeito de terminar o dia, por mim está tudo bem, você quer ir Miguel?
— Sim mamãe.
Ele sorriu o sorrisinho torto igual do pai, seguimos a pé mesmo até a praça.
Imediatamente sentimos a brisa leve de mais um fim de tarde, à hora do crepúsculo sempre tão linda e plena.
Miguel logo avistou uma amiga da escola e foi até ela, Edward e eu sentamos em um banco e ficamos olhando-o interagir com a menina.
— Você fez um bom trabalho.
— Hun?
O olhei sem entender do que se trata.
— Com o Miguel. Ele é um ótimo garoto. – Assenti. – Não me canso de falar isso porque a cada momento te admiro mais. Você lutou e conseguiu vencer, sozinha.
— Não foi bem sozinha. Sempre tive o apoio da Nessie e minha mãe. Também dos amigos que fiz em Los Angeles, sendo assim, nunca estive totalmente sozinha de fato.
— Sei que tiveram pessoas te apoiando, mas eles não ficaram ao seu lado 100% do tempo. Não todos os dias, podem ter estado em alguns momentos, mas não em todos os necessários. Porém realmente, mesmo que tenha sido pouco o tempo deles com vocês, ainda foi maior que o meu, que foi nada. – Suspirou cansado.
— Edward, isso é passado. Não te culpo e também não deveria se culpar. Você não pôde estar antes, mas pode agora.
— Eu sei Bella. É que não paro de pensar em tudo que perdi por não poder ter estado com vocês nesses anos.
— Edward, responde uma coisa. Se soubesse desde o início sobre o Miguel, teria ficado conosco?
— Em todos os momentos da minha vida!
Afirmou e a intensidade das suas palavras me arrepiou.
— Então pode fazer isso, agora. Viva o hoje. É o que temos realmente. A partir desse momento poderá acompanhar a vida do Miguel. Ser o pai que você e ele tanto sonham. Não se deixe abater pelos fantasmas e erros do passado. O que temos hoje é um presente.
Ele pareceu entender os fatos e ficamos em silêncio em um momento nosso até que Miguel chegou tirando-nos do transe.
— Tio, tio Edward.
— Oi.
— Me ajuda com uma coisa?
— Claro. O que é?
— O senhor está vendo aquela menina ali? – Apontou para sua amiguinha a qual estava brincando há pouco. – É que ela é minha amiga da escola e estávamos conversando, queria dar algo a ela. O senhor sabe do que as meninas gostam?
— Ah Miguel, meninas gostam de muitas coisas, mas como você me pegou meio desprevenido teremos que improvisar. – Ele olhou pelo parque. – Uma flor. Você pode dar uma flor a ela. Garotas gostam de flores.
— O senhor me ajuda a encontrar uma?
— Claro. Você vem Bella?
— Não, ficarei aqui olhando vocês.
Eles assentiram saindo à procura da tal flor e fiquei apenas observando-os.
De repente ouço uma voz ao meu lado.
— Você tem uma família linda.
— Obrigada.
Respondi a senhorinha sentou ao meu lado.
— É o seu filho, certo?
Indicou o Miguel.
— Sim, é meu filho. – Respondi com orgulho.
— Ele e seu marido parecem se dar tão bem. Além de se parecer bastante, é claro.
— Oh, não. Ele não é meu marido. – Informei constrangida.
— Mas ele é o pai, não é?
— Sim, ele é o pai, mas não somos casados, não estamos juntos.
— Mas você o ama.
Soltou e dessa vez não em tom de pergunta e sim de afirmação.
— Como?
— Vocês se amam e isso é nítido. Olha menina, não sei qual o motivo que os fez se separar, mas tenho certeza que essa razão não é maior que o amor de vocês. Então não deixe que esse sentimento escape, sim? Não há nada melhor que amar e ser amada. Confie nisso o amor é mais forte do que tudo, ele supera qualquer adversidade que a vida impõe. – Piscou. – Agora já vou, pois meu amor me espera. – Mostrou um senhor que olha em nossa direção. – Não deixe a vida passar, não deixe o amor fugir...
Concluiu e se foi, me deixando totalmente confusa.
— Hey Bella.
A voz aveludada de Edward me trouxe de volta.
— Sim?
— Você está meio área hoje, não? – Sorriu.
— Não. Está tudo bem e vocês, acharam a flor?
— Sim mamãe e ela adorou. Ainda disse que sou um cavaloeiro. – Miguel falou e rimos.
— Acho que ela disse que você era um cavalheiro querido.
— Foi isso sim, mas o que significa?
— Ela quis dizer que você é muito educado, gentil, romântico. O menino mais perfeito do mundo.
O trouxe para perto e lhe dei um beijo no rosto.
— Sempre soube que era foda.
— O que? — Edward e eu questionamos.
— O que eu fiz? – Rebateu parecendo confuso.
— Repete, quer dizer não repete, mas quem te ensinou a falar isso? – Edward questionou.
— Tio Emm. – Bufamos juntos. – Por quê? É errado?
— É sim filho. Nunca mais repita isso, é uma palavra feia e se quer continuar sendo um cavalheiro não pode dizer essas coisas, está bem? – Ele assentiu.
— Desculpa mamãe.
— Tudo bem querido, à culpa não foi sua e sim do imprudente do seu tio Emmett, mas agora já está cansado? É hora de irmos para casa, vamos?
Os dois concordaram e voltamos ao carro do Edward, o caminho foi silencioso porque Miguel dormiu enquanto permaneci solta em pensamentos, refletindo sobre o que aquela senhora disse.
— Bella, chegamos.
— Certo. Você poderia me ajudar com o Miguel?
— Claro.
Saímos do carro, ele pegou nosso filho no colo e subimos até o apartamento. Edward o deixou no quarto, onde mesmo manhoso, consegui lhe dar banho e colocá-lo na cama já pronto para dormir.
De volta à sala agradeci.
— Obrigada pelo dia Edward, foi tudo perfeito. Não me divertia assim há muito tempo e tenho certeza que para o Miguel foi tão maravilhoso quanto.
— Você não tem que agradecer Bella, também achei um dia mágico. Só espero que se repita mais vezes, mas com a diferença do Miguel sabendo que é meu filho, para que possamos compartilhar inteiramente, como se deve.
— E vocês vão Edward, já está na hora. Precisamos contar que você é seu pai.
— Tem certeza Bella? Não quero te pressionar a nada. Você o conhece melhor do que eu e deve saber quando é o momento certo para contarmos a verdade.
— Por isso mesmo Edward, tenho certeza absoluta que já está mais do que na hora do Miguel e todos saberem.
— E quando acha que podemos contar?
— Que tal amanhã? – O olhar de choque estampou seu rosto. – Sei que pode parecer muito rápido, só que não quero continuar mentindo para o Miguel.
— Não, você está certa. Amanhã depois do meu plantão venho direto para cá.
— Espera um pouco, acho melhor conversar com ele a sós primeiro, depois você vem para revelarmos o restante das coisas juntos.
— Tudo bem, então você me liga na hora em que puder vir.
— Certo.
— Acho que já está na minha hora, ainda terei que passar em casa e arrumar umas coisas antes de seguir para o hospital.
Levantamos caminhando até a porta, mas antes de chegar, seus braços me envolveram em um abraço que prontamente retribui.
— Obrigado por me dar à oportunidade de recomeçar.
Sussurrou no meu ouvido me fazendo estremecer.
Na hora levantei o rosto e fiz a única coisa que queria fazer, o beijei. Não foi um beijo de cinema, mas algo nosso, terno.
Nossas bocas e línguas circulando em um encontro perfeito, como só nós somos capazes de fazer. Deixamos claro que a partir de agora iremos viver a vida, não apenas ele ou eu, mas sim um nós há muito tempo perdido, porém que agora poderá ser reencontrado.
— Obrigada você por estar comigo hoje e sempre.
Informei ao término do beijo.
— Estarei enquanto você me quiser. – Sorri e voltei a abraçá-lo. – Infelizmente tenho mesmo que ir.
Concordei e nos separamos ele me deu um último selinho e se foi, a sós cuidei de tudo e fui para meu quarto, tomei um novo banho, longo e relaxante.
De volta ao quarto vi meu celular apitando em sinal de mensagem corri para ver de quem é e sorri ao enxergar o remetente.
De: Edward
Para: Bella
O dia foi mais do que perfeito ao seu lado e sentir seus lábios ao final foi algo inexplicável.
Cai na cama não me aguentando de felicidade.
Olhei de novo para a tela vendo que tem mais coisa escrita.
PS: Não sei chateie, mas sei que de manhã estava sonhando comigo. Você deve estar se perguntando, como tenho tanta certeza que estava no seu sonho? Explico. Você gemeu Dream enquanto dormia. Então, enquanto você for minha Heart. Espero continuar sendo seu Dream. Porém espero também não protagonizar apenas seus sonhos e sim toda sua vida. Um beijo enorme do sempre seu, Dream.
— Esse homem ainda vai me matar, Deus...
Falei em um fio de voz comigo mesma, sabendo que ao adormecer terei realmente uma noite cheia de sonhos com meu Dream...
CONTINUA.
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