Endless Love
33 2ª Temporada Capítulo 7 - Revelações
Notas iniciais
Hoje iremos ao clube que os rapazes são sócios e Edward tem falado tanto para irmos visitar para que possa jogar futebol com o Miguel.
O programa foi marcado desde a reunião de sexta-feira. E Miguel, como qualquer outra criança, está que não se aguenta de ansiedade para curtir o dia ao lado dos tios.
O combinado geral foi de encontramo-nos em frente ao clube, mas Edward inventou de passar aqui para nos buscar, com a desculpa de que não conheço o lugar e será melhor que nos leve.
Ele usa esse pretexto toda vez que vamos a um lugar novo, dessa maneira não conhecerei nada mesmo e tão pouco sairei com meu carro, se todas às vezes ele vier me buscar.
Não que esteja reclamando totalmente sobre sua companhia, mas de qualquer forma, preciso resolver nossa situação antes de me deixar envolver pelos encantos de Edward outra vez...
Ouvi a campainha tocar no instante em que terminei de arrumar a bolsa que levarei, já sabendo que é Edward, não me preocupei em Miguel atender. Continuei ajeitando tudo distraidamente, quando de repente senti a presença de mais alguém no quarto. Ia me virar quando o corpo pressionou o meu.
— Bom dia Bella.
Sussurrou ao pé do meu ouvido.
Imediatamente minhas pernas ficaram bambas e meu corpo todo virou gelatina.
A sorte é seus braços estarem a minha volta, pois do contrário era capaz de me espatifar no chão.
— Dormiu bem?
— Eu... Eu... Bem... O que?
Notificação.
Estou sem nenhum raciocínio lógico.
— Posso dizer que tive uma boa noite. Folguei e consegui dormir por uma noite inteira e ainda sonhar com algo muito bom.
— Com o que você sonhou? – Perguntei ligeiramente curiosa.
— Quer que lhe conte?
— Bom sim, se quiser...
— Acho que prefiro mostrar.
Suas mãos viraram meu corpo facilmente, ao fim do movimento sua boca cobriu a minha com um beijo tão erótico como só ele é capaz de me dar em plena manhã de domingo.
Seu corpo ondulou de encontro ao meu e suas mãos ávidas por contato passearam livremente em torno do meu corpo. Meio extasiada com a intensidade de tudo demorei um tempo para ter uma reação sólida.
Quando finalmente reagi foi com a intenção de desfrutar dos seus carinhos, me entregando ao beijo e os toques. Ao sentir suas mãos querendo ultrapassar também a barreira do short, ouvimos Miguel nos chamar.
— Mãe, tio Edward, vamos logo, por favor.
O soltei imediatamente, ofegante e atordoada com nosso feito.
— Já estamos indo querido, onde você está?
— Na sala mamãe, mas não demorem.
— Graças a Deus. – Suspirei.
Porque era só o que faltava ele estar perto e ter me visto nessas cenas obscenas com seu tio Edward.
— Desculpe Bella, não consigo me conter quando estou contigo, porém só digo que o que houve aqui não é nem um terço do que sonhei.
— Edward pare, por favor, não podemos ficar nos agarrando assim, como dois adolescentes loucos de desejo e controlados pelos hormônios. Tivemos sorte do Miguel apenas nos gritar e não querer vir ver o porquê da nossa demora. Não podemos com esses beijos escondidos.
— Apoio declararmos isso ao público sem problemas.
Deu de ombros como se realmente não houvesse problema algum.
— Declarar o que? Não temos nada, não que saiba pelo menos.
— Então vamos resolver essa situação de uma vez.
Como se esse assunto fosse fácil assim.
— Edward, espera. Tenho muitas outras coisas para resolver antes de pensar em me envolver contigo de novo. Entenda, não é que não queira. Só não posso me deixar levar sem saber se é correto, entende?
— Tudo bem, desculpe. Sei que ainda existem muitas pontas soltas entre nós e concordo que elas precisam ser esclarecidas. Tentarei me controlar um pouco mais daqui por diante.
— Isso, precisamos de controle para poder ajeitar nossas vidas. Agora vamos, não quero deixar o Miguel mais ansioso.
Fechei minha bolsa, ajeitei a roupa e o cabelo e seguimos para a sala. Edward saiu na frente com Miguel enquanto fechei tudo para irmos ao seu carro.
O caminho foi tranquilo, os meninos como sempre mantiveram sua conversa infinita, enquanto fiquei pensando sobre as respostas que preciso achar diante das adversidades da minha vida.
Preciso mesmo tratar disso ou as coisas acabarão saindo do controle entre Edward e eu.
O que não tenho certeza se seria uma coisa tão ruim...
Ao chegarmos ao clube, Edward deixou o carro no estacionamento e descemos, seguindo para encontrar o pessoal no local marcado, ao os encontrarmos, constatei termos sido os últimos a chegar.
— Por que chegaram só agora? Já estávamos esperando a um tempão sabiam?
— Bom dia para você também irmãzinha, como vai? Estou bem também, obrigada.
— Madrinha, a culpa foi toda da mamãe e do tio Edward. Eles ficaram um tempão no quarto dela fazendo não sei o que.
Todos nos olharam com caras interrogativas, abaixei a cabeça antes que notem meu rubor.
— Estávamos conversando Miguel, só isso. – Edward justificou. – Agora vamos tomar café, pois estou morrendo de fome.
Seguimos para a área de refeição, escolhemos uma mesa e nos dividimos para pegar nossos cafés da manhã. Comemos envoltos a muita conversa e vendo os rapazes empolgados para jogar como se fossem jovenzinhos de novo, ou melhor, crianças como o Miguel.
Segundo a programação pela manhã aproveitaremos a piscina e depois do almoço eles irão à quadra.
Com o café finalizado seguimos a área das piscinas e os rapazes foram logo tirando as camisetas e as bermudas ficando apenas de sungas, reparei por alto suas ações, concentra no Miguel, o protegendo do sol com protetor e arrumando sua boia.
— Mamãe, a senhora vai entrar agora?
— Não meu amor, mas você já quer entrar?
— Sim.
— Ok, então a mamãe vai chamar um dos seus tios para entrar com você.
— Será que sirvo?
Perguntou Edward com aquela voz aveludada que tanto amo.
— Sim. – Miguel falou animado – Mãe posso entrar com o tio Edward?
— Tudo bem filho. – Virei para falar com Edward. – Tem algum problema você olhar o Miguel na piscina Ed...?
Parei o que estava falando quando vi o Adônis em forma de homem ao meu lado e meu queixo caiu.
Deus! Como ele pode ter ficado ainda mais perfeito ao longo desses anos?
Quando éramos jovens ele já era tudo, mas agora está ultrapassando os limites.
— Bella, Bella. – Fui tirada dos meus pensamentos pecaminosos. – Tudo bem Miguel entrar comigo?
— Oh, sim, claro, sem problema, só tomem cuidado.
Eles assentiram, enquanto continuei a admirar a vista.
— Admirando a vista?
Nessie soltou como se tivesse lido meus pensamentos.
— O que? Não. Estou olhando o Miguel. – Tentei em vão disfarçar.
— E por acaso o pai dele também, não é?
— Renesmee! Fala baixo! Não estou olhando o Edward.
— Certo, vou fingir que acredito.
Arrumamos os lugares para as bolsas e nos sentamos nas espreguiçadeiras.
— Vou entrar você, não vai?
— Vou. Meninas vamos entrar? – Perguntei a Rose e Alice.
— Sim. – Responderam em coro.
Por estarem de vestido, só tiraram a peça correndo para a piscina pulando ao encontro de seus respectivos pares.
Comecei a tirar o short, depois à blusinha e concentrada nisso parei ao ouvir o Emm.
— Edward mano, sabe que te adoro, não é?
— Uhum.
Olhei para o meu irmão confusa tentando entender aonde ele quer chegar.
— Então, se não quer estragar nossa amizade me faz um favor?
— Uhum.
Novamente Edward respondeu monossilabicamente.
— Para de secar minha irmã, caso contrário, terei que me acertar com você.
Desviei o olhar para Edward e notei seus olhos cravados em mim.
Corei e ele começou a tossir fazendo todos rirem, resolvi entrar na piscina porque ao menos na água meu corpo fica mais coberto e não me constrangerei com os olhares de Edward.
Enfim começamos a aproveitar, brincamos com o Miguel e entre nós, mas a todo o momento tenho que ficar atenta porque Emm e Jake adoram me puxar para o fundo da piscina.
Mas em suma estamos aproveitando como antigamente, quando éramos jovens sem qualquer preocupação maior, apenas desfrutando o prazer da companhia uns dos outros, em meios às conversas Emmett teve uma ideia.
— Pessoal, vamos brincar de vôlei de irmãos? – Nos entreolhamos e sem pensar duas vezes aceitamos a proposta. – Mas tem uma coisa, no vôlei de irmãos, os homens sustentam as mulheres nas costas e elas são as encarregadas de lançar a bola. – Explicou.
— Beleza, vamos começar. – Jas indicou.
Arrumamos uma bola e depois os meninos foram se posicionando, Jasper com Rose e Alice com Edward.
— E agora? Tenho duas irmãs. Com qual delas devo ficar? – Emm indagou.
— Sei que uma delas terá que ficar comigo. – Jake respondeu.
— Emm, fica com a Nessie e eu vou com o Jake. – Apontei. – Porque se eles forem juntos, não será mais vôlei de irmãos, não é? Além do mais, Jake é como se fosse um irmão também, meu outro irmão grande.
— É isso ai Bella, vamos detonar.
Dividimo-nos em dois times. Os irmãos Hale e Cullen de um lado. E os Swan com Black do outro.
— Miguel, você vai ser o juiz, falou? – Emm pediu.
— Falou tio.
Começamos a jogar e foi tremendamente engraçado nos ver tendo dificuldade para jogar a bola e os meninos tendo que correr dentro da piscina conosco nas costas.
O jogo foi bem acirrado, quase que não desempatávamos. Depois de dois sets jogados, um ganhado por nós e outro por eles. Nessie e Emm fizeram o décimo quinto ponto que nos deu a vitória encerrando a partida com 15x13 a nós.
Ao ganharmos os meninos nos jogaram com tudo dentro da piscina e foi uma febre só. Emm pegou o Miguel no colo e foi comemorar, Edward e Jas ficaram meio emburrados com a derrota, mas logo entraram na brincadeira também.
— Somos demais. Uhu! Arrasamos. – Emm gritou.
— Ok, ok foi por apenas dois pontos, então não foi uma diferença tão grande assim.
Alice falou mostrando a língua para Emm e rimos do seu jeito.
— Mamãe, estou com fome.
— Bem disse meu afilhado, à voz da razão. Vamos almoçar que esse esforço todo me deixou morrendo de fome também.
Saímos da piscina para irmos almoçar no restaurante do clube, colocando minha roupa, notei a aproximação de Alice.
— Bella, estava reparando uma coisa.
— O que foi Alice?
— Fiquei pensando. Já tenho reparando nisso há algum tempo, mas hoje vendo o Miguel aqui na piscina, tão livre se divertindo tanto, cogitando algo. – Continuei calada indicando para prosseguir o assunto. – Achei o jeito dele tão parecido com do Edward nessa idade. Você sabe, eu como irmã mais velha acompanhei todas as fases do meu irmão. E me surpreendi com a familiaridade que encontrei nas atitudes do Miguel com o Edward.
— Ah, Alice. Crianças são assim, geralmente parecidas nas atitudes, nos gestos, às vezes até fisicamente.
— Verdade, reparei isso. Que os dois são até meio parecidos no físico, mas deve estar certa, afinal, você é a mãe. Como só tenho memória do Edward criança devo ter assemelhado ao Miguel agora que tenho contato com ele, não é mesmo?
— Isso Alice, deve ser isso.
— Ótimo, vou comer. Você vem?
— Só vou terminar de arrumar as coisas do Miguel.
Ela saiu e sentei tentando controlar a respiração.
Isso já está indo longe demais, Alice foi só a primeira a reparar, mas logo as evidências não poderão mais ser escondidas.
Miguel e Edward são mais parecidos do que poderia imaginar, sempre que o olhava lembrava-me de seu pai e agora convivendo com os dois juntos, só vejo mais semelhanças entre eles.
Recompus-me e segui para o almoço, que para mim passou se arrastando. Fiquei em silêncio no meu canto só respondendo o que me perguntaram e usando o mínimo de palavras possíveis.
Novamente distraída fui interceptada pela Nessie.
— Bella, você está bem?
— Sim, claro.
— Então por que não acredito?
— Por que você não quer?
— Bella, me fala o que tem. Te conheço e sei que tem algo ai nessa cabeça te preocupando.
— Tudo bem, vamos sair daqui? Não posso falar com todos por perto.
Ela levantou e saímos dando a desculpa de ir ao banheiro.
— Pode me dizer Bella. O que está acontecendo?
— Nessie quero morrer, não aguento mais.
— O que foi irmã? Me conta.
— Alice veio comentar comigo sobre as semelhanças entre Edward e Miguel. Citou exemplos físicos, gestuais, comportamentais.
— Bella, se acalma. Ela só comentou, mas isso são coisas meio notáveis mesmo, essas semelhanças que os dois possuem, não ia demorar a algumas pessoas perceberem.
— Nessie, você conhece Alice, ela não dá ponto sem nó. Se encasquetar com algo não vai desistir até chegar ao fim.
— Eu sei, mas vamos tentar nos controlar e agir naturalmente. Caso ela venha a descobrir ou comentar algo com você, decidimos na hora o que é melhor a ser feito.
— Obrigada por me apoiar mais uma vez desde sempre.
— Imagina. Sempre estarei aqui para você.
Abraçamo-nos e voltamos à mesa, porém encontramos apenas Rose e Alice.
— Cadê os meninos? – Nessie perguntou.
— Foram para a quadra arrumar as coisas para o jogo. – Rose respondeu.
— Você está bem Bella?
— Estou sim Alice, vamos até lá? Estou louca para ver meu bebê jogar.
Elas concordaram e seguimos em direção à quadra.
Chegando lá encontramos os rapazes analisando com quem vão jogar e ao resolverem tudo se aproximaram para contar.
— Então preparadas para torcer? – Emm perguntou todo animado.
— Quero só ver se vocês continuam bons ou os anos já chegaram. – Provoquei.
— Ora Bella, já esqueceu como éramos ótimos? Um talento como aquele não se perde assim. – Jake respondeu.
— Não posso mais saber, faz tanto tempo que não os vejo jogar. Só ponho fé no meu filho, ele sim é um ótimo jogador. Desde que estava na minha barriga dava cada chute que pelo amor de Deus. – Todos riram. – Mas falando nisso não tem perigo para ele jogar com vocês, não é?
— Não tem com o que se preocupar Bella. – Jas me tranquilizou. – Jamais o deixaríamos se machucar e no outro time também terá uma criança, então será um jogo leve e tranquilo.
— Certo, mas se algo acontecer a ele, vão se ver comigo.
Eles nem deram bola só entraram para jogar e Miguel veio falar comigo.
— Mamãe, a senhora vai torcer por mim, não vai?
— Claro meu lindo. Vou estar aqui gritando e torcendo só por você. – O beijei.
— Vou fazer um gol para a senhora.
Ele saiu indo ao encontro dos tios. Emm ficará no gol. Jake mais ao meio para interceptar os outros jogadores e a bola. Jas ficará na zaga junto ao meu bebê, o que me deixa um pouco mais tranquila em questão de segurança. E Edward será o atacante, por ser o melhor.
Que os outros não me ouçam.
E assim começou o jogo...
Verdade seja dita eles são muito bons, assim como me lembrava, as meninas estão como loucas ao meu lado gritando.
Eu só consigo admirar os homens da minha vida juntos, jogando o esporte que tanto amam, lado a lado como pai e filho.
Será que algum dia eles saberão desse fato? Que são pai e filho?
Não faço a mínima ideia, mas torço para esse dia chegar.
Fui tirada dos meus pensamentos pela voz doce de Alice.
— Você precisa ver a cara de boba que fica quando olha para meu irmão.
— Eu? – Me fiz de desentendida. – Não fico com cara nenhuma. Você deve estar vendo coisas.
— Uhum, se está dizendo...
— Vamos nos concentrar no jogo.
Alguns minutos depois o primeiro tempo acabou e os meninos vieram sentar perto de nós, o jogo está empatado 1x1.
— Amor, adorei meu gol.
Nessie disse se jogando em cima do Jake quando se aproximou.
— De nada vida, mas queria ter feito outros.
— Ah bebê, não se preocupe. Vocês vão virar aposto. – Nessie o confortou.
— Mas isso também é culpa de vocês. – Emmett disse apontando para nós. – Que espécie de torcedoras são que não torcem direito? Hun?
— Nossa. Valeu. Tocou meu coração agora. – Respondi irônica.
— É sério Bella, estamos nos matando lá e vocês nem ai. Se nos apoiassem um pouco mais talvez fôssemos um pouco melhor. – Continuou a reclamar. – Você bem que poderia seduzir os caras do outro time, assim eles ficariam olhando para as suas pernas e não prestariam atenção no jogo.
— Emmett. – Dei um tapa em sua cabeça.— Não vou seduzir ninguém, ok?
— Tudo bem, foi só brincadeira, mas quero ver a torcida de vocês, hein?
Logo eles voltaram para a quadra.
— Ok, meninas hora de reagir. – Rose incentivou. – Vamos tirar as líderes de torcida que existem em nós e mostrar a eles como se faz.
Decididas assentimos e o jogo recomeçou.
Assim elas encheram a quadra de gritos.
Jas segure-os, para cá.
Emm agarra tudo, para lá.
Jake acerta eles para cima e assim foi.
Enquanto só grito para o meu filho e está tudo bem.
Porém tudo mudou quando Edward estava com a bola e quase fez um gol, só que a perdeu no meio do passe e como o time estava desarmado, o adversário voltou em um contra-ataque violento e acabaram marcando mais um gol.
— Ah, droga! – Alice esbravejou. – Se continuarem assim vamos perder e feio.
Ela suspirou e nós também.
Os meninos se posicionaram no meio da quadra e tomei uma atitude, sei que o time é motivado por uma pessoa e também conheço seu potencial.
Resolvendo agir, esperei Edward se posicionar para levantar e gritar.
— Edward!
Na hora todos me olharam, porém o único olhar que importou foi o dele.
— Estou torcendo por você!
Em seguida sorri e ele sorriu de volta aquele sorriso torto que faz minhas pernas ficarem bambas.
Ele se concentrou no jogo de novo e trocou de lugar com o Jake para o chute.
— É isso ai Bella! Agora o time vai para frente.
Alice disse e sorriu, retribui, mas focando no jogo.
Jake chutou a bola para Edward, este saiu correndo com ela e depois tocou para o Jas que já estava um pouco mais a frente. Ele devolveu ao Jake que já estava bem perto do gol, mas tem dois cercando-o, porém ele soube passar por eles e mandou a bola para o Edward que driblou. Um cara do outro time ainda tentou lhe roubar o passe, mas ele desviou e deu um chute em direção ao gol.
Na expectativa levantamos e quando vimos...
— Gol...
Os gritos soaram.
Ele voltou correndo de encontro aos meninos, abraçou o Miguel e em seguida me olhou.
— Bella! Esse foi para você. – Piscou e corei, logicamente.
— Huuum Bella, ganhou gol. – Rose provocou.
— Um gol só não. Um golaço. – Nessie completou.
— E vocês viram a piscadela?
Alice riu, nessa hora passei por vários tons de vermelho, quase atingindo uma nova tonalidade.
— Ok meninas, vamos parar antes que a Bella crie uma nova tonalidade de vermelho com seu rubor.
Agradeci mentalmente a Rose, apesar de ter iniciado as provocações, teve a sensatez de parar para meu alívio.
Voltamos atenção ao jogo até que Alice teve outra ideia.
— Meninas. Vamos fazer um grito!
— Você já está gritando Alice, mas o que especificamente está pensando agora?
— Bella, às vezes você é tão engraçada, porém voltando. Vamos fazer um grito para os meninos, algo que combine com eles. Andem, levantem cada uma de vai gritar a 1ª letra do nome do nosso respectivo par e no fim todas falamos M pelo Miguel, que é o amor de todas.
— Mas Alice não tenho par.
— Bella, óbvio que o seu é o Edward! Além de ter ganhado um golaço, ele é o único que sobra então...
— Tudo bem Alice, mas digo que vamos pagar mico fazendo essas coisas.
— Bella, deixa de ser chata, estamos nos divertindo.
Completou e sem mais delongas nos posicionamos começando a gritar na seguinte ordem, Rose, Nessie, Alice e eu.
— Me dê um Emm.
— Me dê um Jake.
— Me dê um Jas.
— Me dê um Edward.
Juro que não pensei besteira...
— Nos dê o Miguel!
Os meninos nos olharam com caras dê – o que é isso pelo amor de Deus?
— Estamos torcendo meninos.
Alice respondeu a pergunta muda e continuamos.
— Me dê um E.
— Me dê um J.
— Me dê um J.
— Me dê um E.
— Nos dê o M!
Continuamos a brincadeira divertida até o pior acontecer.
Edward estava com a bola indo em direção ao gol, quando um homem do outro time veio tentar tirar, só que ele desviou e em uma fração de segundos o homem fez algo, que só me fez enxergar Edward ir direto ao chão.
Imediatamente corri para dentro da quadra para ver se ele está bem.
— Edward! — Gritei ao aproximar. – Edward, você está bem? De verdade, fala comigo.
— Cara, você viu o que fez?
Ouvi de longe Emm falando com o homem que derrubou Edward.
— Foi mal, fui atrás da bola, minha intenção não era acertá-lo.
Eles continuaram discutindo por coisas que não entendo, mas só consigo prestar atenção no homem possivelmente machucado na minha frente.
— Edward, me responde. Você tá legal? – Perguntei novamente.
— Estou bem Bella, só está doendo um pouco meu tornozelo, mas de resto estou bem. – Sorriu.
— Vou bater nesse homem. E se tivesse acontecido algo pior? Ou se tivesse feito isso com o Miguel?
— Calma Bella, isso são coisas de jogo, já estou bem, mas obrigado por se preocupar comigo.
— Edward, sempre vou me preocupar com você.
Falei tão espontaneamente que não me recriminei por dizer aquilo, é a verdade afinal.
— Tio tá tudo bem mesmo? – Miguel perguntou ao se aproximar de nós.
— Estou sim garotão, foi só um tombo.
— Que bom. Agora levanta porque o senhor vai ter que cobrar o pênalti.
— Ok, vamos fazer isso.
Ele levantou com nossa ajuda e foi se posicionar.
As meninas e eu acabamos ficando dentro da quadra mesmo, esse será o último lance porque o tempo já terminou então a cobrança decidirá o jogo.
— Vai Edward! Contamos com você.
— Mas não é comigo que precisam contar Emm. Será com outra pessoa.
O olhamos sem entender o que quer dizer, então Edward veio até perto de mim e abaixou até ficar na altura do Miguel.
— Você quer cobrar Miguel?
— É sério tio? – Edward assentiu. – Mas e se eu não conseguir?
— Eu confio em você e sei que fará seu melhor. Quer tentar?
— Quero sim tio.
Ele abraçou Edward e me emocionei.
Nessa hora Miguel tomou o lugar do pai na marca do pênalti enquanto ficamos olhando.
Ele se concentrou, mas antes de chutar olhou para Edward e eu que estamos lado a lado, então seguiu.
Foi chutar, deu uma paradinha e bateu, quando olhamos...
— Gol!
Novamente os gritos explodiram e fomos abraçá-lo e parabenizar meu filho.
Edward o pegou no colo enquanto fiquei a frente deles.
— Meu amor, você conseguiu, foi demais.
— Eu consegui mamãe e devo tudo ao tio Edward.
— Que é isso garotão. Sabia que conseguiria.
— Sabe tio. Se tiver um pai um dia, quero que ele seja como o senhor.
Miguel abraçou Edward mais forte e o mesmo retribuiu o abraço, uma lágrima solitária rolou diante da cena.
O olhar do Edward foi interceptado pelo meu e sei que existem muitos significados, nada que possa ser expresso com palavras, porém.
— E ai astro do time? Para quem foi seu gol?
Emm perguntou tirando minha atenção da cena.
— Ah, para todas as mulheres da minha vida.
— E quem são essas?
— Sabe tio, são tantas que nem lembro o nome de todas agora.
Olhei incrédula para o meu filho de apenas cinco anos, todos gargalharam.
— Mas em especial para as tias Rose e Alice, minha madrinha e a mamãe. – Concluiu sorrindo, com o mesmo sorriso torto do pai.
— Esse é meu afilhado, sabe contornar as situações.
Assim deixamos a quadra para pegar nossas coisas e ir embora.
— O dia foi tão bom, que ainda não queria encerrar.
Rose comentou ao chegarmos ao estacionamento, porém antes que qualquer um falasse algo, o celular do Edward tocou.
Ele se ajeitou para atender, já que ainda está com Miguel no colo, mas rapidamente conseguiu e permanecemos em silêncio para não atrapalhar a conversa.
— Alô... Sim, estamos indo embora agora... Vou falar com eles, mas é certeza que vamos... Certo, nos vemos daqui a pouco, beijos.
Encerrou se dirigindo a nós.
— Pessoal, era minha mãe no telefone, ela disse que está com uma mesa cheia de guloseimas esperando por nós para lanchar, vamos?
— Maravilha, não dispenso um lanchinho da tia Esme.
Jake respondeu e os outros concordaram tão rápido quanto.
Porém não posso evitar relutar, encontrar Esme Cullen não estava nos meus planos.
— Gente, acho que não vou, estou cansada e aposto que o Miguel também. E ainda tenho muitas coisas a resolver para amanhã, mas diga obrigada a sua mãe Edward.
— Por favor, Bella. Não faça essa desfeita, mamãe, assim como todos nós, sentiu muito sua falta e vai amar conhecer o Miguel. – Alice falou.
Esme, Miguel, Edward eu no mesmo lugar? Essa ideia me apavora mais do que tudo.
Talvez ela não tenha dito nada em todos esses anos, mas quem garante que não falará a Edward que esse filho é possivelmente dele? Já que na última vez que nos vimos estava grávida e agora trago uma criança com uma boa chance de ser aquele bebê.
— Vamos Bella? Por mim? Além do que, te trouxe de carro e não estou disposto a levar ainda.
Após o pedido de Edward e todos os olhares acabei cedendo.
Nos reorganizamos do modo que viemos e seguimos. Fiquei apreensiva durante todo o caminho, pois nada me tira da cabeça que essa ida à casa dos Cullen não trará coisas boas.
Quando paramos em frente à estrutura tão familiar, onde convivi durante algum tempo, primeiro pela amizade com Alice, depois com meu namoro com Edward.
Fiquei parada dentro do carro sem ter qualquer reação até Miguel falar comigo.
— Mamãe, não vai descer?
O localizei já do lado de fora do carro.
— Sim, meu amor, vou sim.
Desci e segurei firmemente sua mão enquanto caminhamos em direção à porta, os outros foram entrando e cumprimentando Esme. Fiquei por último e quando nossos olhos se encontraram pude notar o choque, mas logo ela se recompôs.
— Bella, que surpresa revê-la, uma surpresa boa, é claro.
— Oi Esme, é bom vê-la também. Faz tanto tempo desde a última vez, não é?
— Sim, bastante tempo, os meninos me falaram que resolveu voltar, fiquei feliz. Todos aqui sentiram muito com sua partida.
— Mudanças são necessárias às vezes, coisas da vida. Você sabe, não é mesmo? Mas estou feliz por ter voltado.
Seu olhar recaiu para a pessoa segurando firmemente minha mão.
— E esse garoto lindo, quem é?
— Esse é Miguel, meu filho. Miguel cumprimente a Esme, ela é mãe do Edward e da Alice.
— Olá senhora. – Falou timidamente.
— Oi meu lindo. Você é educado e muito bonito, sabia? Posso te dar um abraço?
Miguel balançou a cabeça concordando e ela se abaixou para abraçá-lo.
E esse simples gesto serviu para me fazer compreender, ela sabe que ele é seu neto, o bebê que levei em meu ventre quando parti.
Quando o soltou foi com os olhos em lágrimas, porém as secou rapidamente.
— Vamos entrar antes que os meninos comam tudo, gostaria de lanchar Miguel? Tenho pães, bolos, tortas, tudo que quiser.
— Vamos mamãe.
Entrei com eles e caminhamos à sala de jantar onde a mesa está realmente abarrotada de gostosuras, limpei minhas mãos e as do Miguel, então sentamos com os outros.
— Mas me contem. Como foi o dia?
— Foi ótimo mãe. Nos divertimos bastante na piscina, brincamos e de tarde fomos para a quadra, onde aconteceu uma das melhores partes. O jogo de futebol o qual ganhamos de 3x2. Com o gol do nosso astro do time, Miguel.
Esme não parou de olhar o Miguel e quando Alice concluiu o relato ela nem precisou disfarçar seu interesse no meu filho.
— Ganhamos Alice? Nem vi você tocar na bola. – Jake provocou.
— É claro que nós ganhamos. Afinal, quem animou vocês? Fomos nós querido primo.
— É isso ai, devemos muito a vocês meninas. – Jas falou abraçando Alice. – Mas em falar na torcida. O que eram aquelas letras soltas que vocês falaram?
— Jas, meu amor, eram as iniciais de vocês e sabe o que reparei? Que do nosso grupo temos dois homens com a letra J e dois com a letra E. Jasper e Jacob. Edward e Emmett. Não é o máximo?!
— E agora tem alguém com M também. – Miguel falou.
— Claro que tem. Você, nossa estrela do time. – Edward respondeu.
— Então que tal comermos esse lanche maravilhoso que tia Esme está oferecendo? Afinal, também mereço, pois fiz um dos gols. – Jake falou e sorrimos.
Como Esme falou, há uma variedade enorme de alimentos, entre pães, bolos, tortas doces e salgadas, frutas, frios e sucos de vários sabores.
— Mamãe, faz um lanche para mim?
— Claro querido.
Peguei os alimentos para preparar o lanche do Miguel, enquanto todos foram se servindo também, terminei de arrumar o que ele vai comer e peguei algumas delícias destinadas a mim também.
Conversamos sobre coisas aleatórias nos fartando dos lanches, no momento estou comendo uma torta maravilhosa de maracujá, Miguel uma de morango assim como Edward.
— Só a senhora mesmo tia para fazer essa torta de amora especialmente para mim. – Jake comentou. – Já que sabemos que se dependesse do Edward, amora não entraria nessa casa.
Todos riram.
Em seguida ele ofereceu um pedaço a quem estava próximo, incluindo o Miguel.
— Não posso padrinho. Tenho alergia à amora.
O silêncio de repente tomou o ambiente, não sendo total apenas pela súbita tosse de Edward.
— O que você disse Miguel? – Esme perguntou.
— Que tenho alergia à amora, por quê? Falei algo errado?
— Não Miguel, acho que só ficamos surpresos, principalmente eu, pois achava que era o único ser na face da terra que tinha alergia a amora e agora você diz que tem também, acredito que foi isso. – Edward respondeu.
— Para você ver Edward, muitas pessoas têm alergia a algum alimento. A do Miguel é amora também. Descobri em um dia que comprei um pedaço de torta quando voltava da faculdade, ao chegar dei um pouquinho a ele e quando acordamos no outro dia, o vi todo vermelho, corri para o hospital e o médico disse que ele era alérgico a fruta. Graças a Deus ficou tudo bem e desde então não consumo mais nada dela, fim da história. – Esclareci. – Mas vejam só a hora, já está tarde e realmente tenho coisas da empresa para resolver até amanhã. Emmett será que pode me dar uma carona? Vim com o Edward, mas não o tirarei mais de casa.
— Não me incomodo em te levar Bella, não se preocupe.
— Não Edward, deixa que levo a Bella em casa. Estou mesmo querendo ter uma conversa com ela.
— Alice, não é que não queira recebê-la, mas tenho tantas coisas para fazer que não sei se poderei dar a atenção devida, entende?
Falei tentando persuadi-la da ideia de ir embora comigo.
— Não tem problema Bella, o que tenho para falar não tomará muito do seu tempo, garanto. Por mim já podemos ir, assim resolvemos tudo e você ficará livre para ajeitar suas coisas do trabalho.
Mesmo temerosa sobre esse interesse repentino de Alice em conversar comigo, acabei sendo obrigada a aceitar.
Despedi-me de todos, Alice pediu para Jasper esperá-la voltar, porque nos levará em seu carro, mas daqui a pouco voltará para que possam ir embora também.
Quando dei tchau a Edward, notei sua expressão contrariada, perguntei sutilmente o porquê e ele falou estar chateado por sua irmã interromper a oportunidade de me levar e quem sabe rolar mais algum momento como o de hoje pela manhã. Acabei não respondendo nada sobre esse assunto e apenas me despedi.
Durante o caminho tentei fazer com que Alice adiantasse o assunto, mas ela disse que será melhor falarmos a sós, portanto, guardei a ansiedade.
Assim que entrei no apartamento levei o Miguel para tomar banho e o deixei no seu quarto assistindo TV, com a porta encostada, com certeza ele pegará no sono logo, cansado do jeito que está pelo dia cheio.
O deixei no quarto retornando à sala onde Alice me espera.
— Pronto, deixei o Miguel no quarto assistindo TV, mas logo ele pegará no sono, porém já pode dizer o porquê da sua vinda repentina e o assunto tão importante que tem para falar comigo.
— Bella quando pretendia contar que tenho um sobrinho?
— O que? Não entendi.
— Então deixe-me reformular a pergunta. Quando pretendia contar ao meu irmão que ele tem um filho?
Gelei, não esperava que fosse ser tão direta.
Não pude conter o receio, pois as únicas pessoas que sabem a verdade sempre estiveram ao meu lado e agora a primeira de fora me recrimina.
Com certeza isso não é bom sinal.
— Alice, ainda não estou entendendo aonde quer chegar com isso.
— Isabella! Chega de mentiras! Não adianta mais esconder. Sei que o Miguel é filho do Edward, já passamos do estágio da negação. Só quero saber por quê? Por que foi embora sem nos contar nada? Por que mentiu? Será que dá para responder?
Há essa altura ela já está gritando comigo como se fosse à culpada e não a vítima, mas já que ela quer as cartas na mesa, é o que terá.
— Escuta aqui Alice, primeiro de tudo, abaixa o tom de voz. Você está na minha casa e meu filho está a poucos metros de nós. Segundo, que direito acha que tem para me insultar? Você pode estar errada e mesmo que estiver certa, acha mesmo que sou a errada? Pois se quer saber sou a única vítima de toda essa história. – Deixei claro. – Agora vamos do começo. O que te leva a crer que Miguel seja filho do Edward?
— São tantas coisas. Os olhos são os mesmos do Edward. O jeito que ele mexe no cabelo. Os dois serem alérgicos a amora. Por Deus! Onde que duas pessoas sem qualquer parentesco teriam uma alergia do tipo? Mas também tem o fator de você ser a mãe, isso dá uma grande chance ao Edward de ser o pai.
Apesar da sua pausa não me manifestei.
— Bella, simplesmente não dá para acreditar que largaria tudo aqui e se envolveria com o primeiro cara que visse pela frente, ainda por cima engravidando. Uma coisa é ter engravidado do meu irmão, que era seu namorado, ao qual você amava e tinha um relacionamento. Outra bem diferente é isso acontecer com uma pessoa qualquer, essa não é você, sei disso.
A afirmação em seu olhar manteve meu silêncio.
— E por fim, as datas da sua gestação até o parto do Miguel. Você disse aquele dia que ele nasceu prematuro, mas eu sou de uma família de médicos e posso afirmar que uma criança prematura, nascida com menos de sete meses, não seria tão saudável quanto o Miguel. Desculpe-me, mas sua explicação não colou por momento algum.
Fiz menção de contestá-la, mas ela não deixou.
— Entretanto, o que mais me impressiona e faz crer que esses dois são pai e filho, é o amor que vejo emanar de um para o outro, parece que eles sentem. Não dizem que as mães sempre sabem sobre os sentimentos dos filhos? Acho que Edward e Miguel têm isso também. É algo único vê-los juntos. Você não pode negar isso, não mais. O Edward é o pai do Miguel, não é?
— Sim.
Respondi a um fio de voz.
— Eu sabia.
Comemorou animada como se tivesse feito à descoberta do elo perdido.
— Agora pode me contar como pôde ir embora levando um filho do meu irmão no ventre?
— Certo, já não tenho outra escolha, não é verdade? Só espero que ao fim de tudo possa entender o que me levou a tomar essa atitude.
Pedi sinceramente.
— Descobri estar grávida no início de dezembro e no dia que descobri contei a Nessie, ela me aconselhou a contar logo ao Edward também. Depois de confirmar minha gestação fui a sua casa disposta a contar tudo, porém nesse dia apenas sua mãe estava em casa, conversamos bastante enquanto esperava Edward chegar, só que o tempo foi passando e ele não chegou. De repente me senti enjoada e sua mãe foi me ajudar, ela logo deduziu que estava grávida e não tive como negar. A pedi para não contar ao Edward, pois o faria no momento certo. Ela me aconselhou a ir para casa descansar e depois falar com ele, com isso fui embora.
— Não posso acreditar que minha mãe sempre soube da sua gravidez e nunca falou nada ao Edward. Não é algo possível de acreditar, mas o que realmente aconteceu para você decidir ir embora? Eu quero a verdade.
— No dia seguinte recebi uma carta, que coincidentemente era do seu irmão e essa é a razão da minha partida.
— O que dizia nessa carta Bella?
— O que dizia não Alice, o que diz. Porque tenho a carta guardada até hoje, talvez tenha sido masoquista ao longo dos anos, mas a mantive guardada, para sempre ter a prova de que minha escolha foi acertada, não poderia arriscar perder meu bem mais precioso por conta do seu irmão.
— Bella, está me assustando, qual o conteúdo dessa carta? Posso ver?
— É claro, vou buscar.
Fui ao meu quarto, peguei a caixa que contém todas minhas lembranças com Edward, ela fica guardada bem ao fundo do meu guarda-roupa, ao abrir retirei a carta, sem me dar ao luxo de observar os outros objetos, seria tortura demais para um momento como esse.
De volta à sala entreguei o pedaço de papel a Alice. Ela o pegou começando a ler, fiquei quieta esperando seu tempo e quando acabou foi com os olhos cobertos de lágrimas.
— Bella, isso é horrível. Mas também é impossível acreditar que isso possa ter vindo do Edward.
— E de quem mais seria Alice? Essa é a letra dele, como pode ver. Não há o que contestar.
— Mas Bella, vi como meu irmão ficou quando você sumiu. Um homem que viveu no estado que ele esteve não poderia ter te mandado embora assim.
— Sei o que vivi Alice, apenas isso. Eu era a menina grávida com medo da reação de todos e sem a mínima ideia de como enfrentar a vida. A partir daquele instante ele foi o cara que quebrou meu coração, destruiu meus sonhos e me fez ver que contos de fadas não existem, pelo menos não para mim.
— Não acredito. Me desculpe, mas não acredito mesmo. Conheço meu irmão e você também deveria conhecer e saber que ele não faria uma coisa dessas, não. Em última hipótese, suponhamos que ele realmente escreveu isso. Acha que o que está escrito aqui tem haver com o fato de saber sobre o bebê? Será que minha mãe lhe contou?
— Não sei Alice, quando fui embora só pensei que sim, que ele estava querendo fugir da responsabilidade perante minha gravidez, mas agora que voltei e vi como as coisas estão. Seu jeito com o Miguel. Tenho minhas dúvidas sobre ele saber dessa parte.
— Estou com essa dúvida também. Porque se minha mãe sabe, mas não contou ao Edward, ela deve ter tido um motivo muito forte. Mas ele não sabe sobre essa história, meu irmão jamais renegaria um filho seu, da mulher que ele ama.
— Então por que mandou essa carta terminando tudo comigo? Mesmo que não estivesse sabendo do bebê, ele acabou com nosso namoro por covardia, capricho.
— Não sei o que te responder sinceramente, mas o que não me desce é a hipótese de Edward ter escrito isso. Parece sua letra realmente, mas sei que não foi ele, eu sinto.
— Você não é a primeira que acha que talvez Edward possa não ter escrito a carta.
— Quem mais sabe além de nós?
— Nessie e minha mãe. Elas estiveram comigo durante todo esse tempo, sempre souberam de toda a verdade. As duas já falaram algumas vezes ao longo desses anos que talvez ele possa ter sido tão vítima disso tudo quanto eu.
— Também acho Bella e você tem que começar a pensar que podemos estar certas e que cometeu um terrível engano.
— Eu sei. Penso nisso todos os dias desde que voltei, mas não posso fazer nada. Era jovem e havia sido magoada pelo homem que amava, além do fator da gravidez. Fiz o que achei ser certo, não só por mim, mas principalmente para o meu filho. Sempre pensei nele em primeiro lugar.
— Te entendo Bella. Se alguém tem que ser responsabilizado por tudo é a pessoa que escreveu a carta. Que te garanto, não foi o Edward.
— Você pode estar certa Alice, mas não tenho como provar.
— Mas eu vou cuidar disso. Acharei um jeito de provar que ele é inocente e mostrar a verdade aos dois. Não a deixarei pensando que meu irmão te abandonou. Ele te ama, não há como negar.
Apesar de querer acreditar e confiar em suas palavras, ainda não tenho essa certeza.
— Vou embora, já está tarde e você ainda precisa resolver suas coisas da empresa. Mas vamos manter contato. Eu descobrirei a verdade, juro a você.
— Obrigada Alice, pela ajuda e por me entender. Em nenhum momento quis fazer mal ao seu irmão, só quis proteger meu filho. E peço que não fale disso com ninguém, não podemos arriscar que as pessoas erradas saibam dessa história antes de esclarecer toda a verdade.
— Entendo e não se preocupe. Não contarei a ninguém sobre o que conversamos.
Despedimo-nos e a levei até a porta, assim que ela saiu encostei-me ao batente fechado.
Talvez esse seja o momento, agora que Alice sabe talvez as coisas fiquem mais fáceis de ser esclarecidas.
Sempre tive o respaldo e a opinião apenas de pessoas que estavam do meu lado, mas agora que ela, como parte importante da vida do irmão, sabe, talvez encontre a resposta que por tantos anos procurei...
Apesar da expectativa pela verdade, o medo continua sendo o maior sentimento no momento.
Caso se confirme que Edward nunca soube de nada, que nunca acabou comigo, o arrependimento baterá com uma intensidade imprescindível.
Minha escolha foi feita há muitos anos e não posso voltar atrás, a partir de agora só posso tentar consertar o presente e futuro...
***
Minha cabeça esteve extremante cheia por esses dias...
Desde a conversa com Alice no domingo, não consegui pensar em outra coisa que não minha história com Edward e o verdadeiro autor daquela carta.
Acho que para autopreservação meu cérebro meio que bloqueou a hipótese de Edward ser inocente nessa história toda, mas depois da conversa com Alice, essa ideia me parece muito remota e errada para todos os efeitos.
Se não bastasse esse problema, a construtora tem estado com muitos projetos ultimamente, o que é bom, claro.
Isso significa que já esta ficando bem posicionada no mercado, mas nesse momento, onde apenas queria esquecer o resto do mundo, não tenho conseguido apreciar como deveria, porém como aprendi nos anos de graduação, nunca misturar vida pessoal com o trabalho.
Pelo menos venho conseguindo desempenhar bem o autocontrole necessário para continuar trabalhando corretamente.
Amanhã terá mais uma reunião do pessoal e dessa vez será no meu apartamento, uma preocupação a mais, ter que organizar tudo para recebê-los.
Ao passar do dia, depois de muitos papéis para assinar e revisar, o fim do expediente chegou.
Estou realmente precisando do aconchego do meu lar ao lado do meu filho e nada mais, nenhuma preocupação, não hoje.
Dirigi calmamente, ao entrar no prédio, guardei o carro e já no elevador meu celular começou a tocar, olhei o visor vendo que é Alice.
— Oi Alice.
— Oi... Oi Bella.
Sua voz não passa de um sussurro choroso.
— Houve algo Alice? O que aconteceu?
— Não sei nem por onde começar Bella. É algo tão horrível. Fico mal só de pensar.
— Diga logo, por favor, não me deixe ficar pensando o pior.
— Bella, prometi que investigaria sobre a história da carta, não foi?
— Sim e o que descobriu?
Nesse momento o elevador abriu e sai em direção ao apartamento.
— Pensei que fosse demorar mais para ter alguma simples pista, que a verdade não fosse estar tão perto todo esse tempo, mas já descobri tudo Bella e sinto tanto...
Ao entrar vi Amber e Miguel juntos na sala assistindo TV, acenei para eles e indiquei o telefone no ouvido quando Miguel se mexeu na intenção de vir me abraçar.
Com isso segui ao meu quarto para continuar o assunto.
— Me diz o que você descobriu Alice. Foi Edward mesmo, não foi? Pela sua reação de tamanha tristeza só pode ser. Mesmo que uma leve esperança tenha surgido depois da nossa conversa, sempre estive consciente sobre quem era o responsável por tudo...
— Não Bella, não foi o Edward. Essa é a única parte boa em tudo que descobri. Ele é inocente. Nunca soube de nada, nem da sua gravidez, tão pouco mandou carta alguma. Você e ele foram enganados por outra pessoa.
Meu mundo parou.
Edward é inocente?
Ele nunca me mandou àquela maldita carta?
Aquele pedaço de papel que teve o poder de mudar toda minha vida.
— Alice, espera. Explica direito. Como assim outra pessoa fez isso? Você tem certeza?
— Absoluta. Não sei o que é pior, pensar que talvez meu irmão pudesse ter feito isso ou saber quem realmente tem culpa de tudo.
— Me fala agora. Quem foi que fez isso Alice?!
— Foi a minha mãe Bella. Ela arquitetou todo um plano para separá-los e escreveu a carta fazendo-se passar pelo Edward, para que você fosse embora. Sinto tanto Bella, estou com vergonha de ser filha dela, mas não poderia te deixar pensando que meu irmão seria capaz de algo tão sujo. No fim só transferi a dor, retirei do Edward para passar a minha mãe.
— Alice, diz que isso é mentira!
— Queria muito que fosse Bella, mas conversei com ela, comecei a tentar juntar detalhes e pistas. Tive que falar, sendo que ela sempre soube da sua gravidez, então acabei confrontando-a e ela confessou.
Não senti tremor, medo, fraqueza nem nada parecido, meu corpo foi possuído por sentimentos bem diferentes, raiva, ódio e mágoa da mulher que um dia considerei uma segunda mãe.
— Agradeço seu empenho Alice, de verdade. E sinto muito por ter descoberto algo assim sobre sua mãe, mas a partir de agora assumirei esse assunto.
— E o que você vai fazer?
— Não se preocupe. Não farei nada mais do que o necessário, mas agora preciso desligar.
Não lhe dei tempo de resposta.
Não posso mais adiar esse momento, somente peguei minha bolsa que soltei a pouco sobre a cama e caminhei de volta para sala.
— Mamãe.
Miguel veio me abraçar e só quis chorar.
É surreal crer que uma pessoa que deveria ter por instinto amar aos outros tenha sido capaz de causar tanta dor, não só ao próprio filho, mas a um neto que nunca quis conhecer.
Estar com meu filho nos braços só me deu mais força para fazer o que preciso.
— Filho, a mamãe vai ter que sair de novo. Amber, você pode ficar com ele mais um pouco? Vou te pagar hora extra.
— Não se preocupe Bella, fico sem problemas.
— Muito obrigada, pode arrumar o jantar para vocês e quando der a hora, o coloque na cama, tudo bem?
— Pode deixar.
— Aonde a senhora vai mamãe?
— Vou resolver um assunto do passado meu bem. Fica direitinho e obedece a Amber. Eu te amo.
Dei um beijo em sua testa e sai.
Pois finalmente chegou o momento de ter um confronto a muito adiado com Esme Cullen...
CONTINUA.
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