Endless Love
32 2ª Temporada Capítulo 6 - Ainda Há Algo?
Notas iniciais
— Edward...?
— Oi Bella. – Ele sorriu, me matando por dentro. – Continua distraída, não? Pensei que com o passar dos anos sua mania de cair nos meus braços fosse parar, mas posso notar que não.
Concluiu ainda sorrindo.
— É, talvez, desculpe. Não te vi andando e obrigada pela ajuda.
— Não tem de quê. Foi um prazer.
Impressão minha ou ele está sendo irônico?
Ah, tanto faz...
Reparei que ele ainda está segurando firmemente minha cintura ao sentir as coisas muito próximas.
— Edward, já pode me soltar.
— Claro. – Soltou prontamente. – Bella, desculpa perguntar, mas o que está fazendo aqui no parque? Ainda mais sozinha?
— E qual o espanto de estar passeando sozinha?
— Não, só que Alice e Nessie falaram sobre o almoço na casa dela, pensei que fosse estar lá.
— E estava, mas quis sair para passear, pensar um pouco.
— Sei pensar é bom.
— Mas e você? Alice disse que não iria porque tinha muitas coisas a fazer e agora está aqui no parque, sem fazer nada aparentemente importante, o que houve?
— Tinha mesmo muitas coisas do hospital para arrumar, mas já acabei. Estava vindo de lá e vi o parque, então decidi parar e andar um pouco também.
Assenti e sem saber o que fazer olhei para o chão.
— Bella, já que estamos aqui, você não quer tomar um sorvete comigo?
Hesitei por alguns segundos, mas resolvi aceitar.
— Sim, tudo bem.
— Ótimo. Assim aproveitamos para conversar um pouco.
— Edward, não sei se isso é uma boa ideia.
— Não se preocupe Bella, só iremos conversar, afinal de contas, ainda podemos tentar ser amigos, não é?
A verdade é que nunca quis ser só sua amiga, mas não deixarei meu coração bobo e ainda apaixonado falar mais alto.
— Claro que podemos.
— Então tá, vamos compras os sorvetes.
Andamos um pouco até que encontramos um carrinho e nos aproximar para fazer os pedidos.
— Um de morango, por favor.
Espera um pouco, seu sorvete preferido não é morango. O olhei encontrando-o sorrindo e percebi a sacada.
— Vou querer um de floresta negra.
Edward sorriu um pouco mais e não pude me conter em retribuir.
O senhor pegou os sorvetes, mas ao nos entregar explicamos a situação.
— Não senhor, o de morango é para ela. – Edward disse.
— E o de floresta negra para ele. – Respondi.
O pobre senhor nos olhou como se fôssemos loucos e passou os sorvetes certos, Edward pagou e voltamos a andar.
— O senhor deve achar que somos loucos. – Informei.
— Acho que sim. – Sorriu.
— Você ainda se lembra. – Indiquei o sorvete.
— Igual a você. Existem coisas na vida que não esquecemos Bella, nem mesmo com o tempo.
Concordei e continuamos andando até acharmos um banquinho para sentar, continuamos a tomar os sorvetes em silêncio, não do tipo incômodo, pois estamos somente aproveitando a companhia do outro.
— Bem Bella, primeiro queria te pedir desculpas por tudo que disse sexta-feira.
— Edward, não tem problema. Também disse e fiz coisas que me arrependo agora, então também lhe devo desculpas no fim das contas.
— Bella, mas quem começou tudo fui eu. Quem agiu como um menino birrento. Você ao menos se manteve adulta, diferentemente de mim.
— Edward, não há certo ou errado, maduro ou infantil, nós dois erramos, mas tínhamos o direito de nos expressar, só não encontramos a melhor maneira de fazer isso.
— Você como sempre tem razão, mas então será que podemos conversar sobre tudo, mas como adultos? Da maneira correta?
— Por mim tudo bem.
Não tenho muita certeza se isso dará certo, mas quero lhe dar a chance de falar.
— Quero começar dizendo que tiveram muitas coisas que você falou e que na hora me deixaram com muita raiva, mas depois fui ver que tinha razão.
Espantei-me, porque não imaginei que em meio a nossa discussão houveram pontos construtivos.
— O que seria? Porque não me lembro de algo que tenha falado que possa ser coerente, pois naquele momento só queria te atingir.
— Eu sei e foi isso que me fez analisar melhor as coisas, na hora fiquei com muita raiva, admito, mas enxerguei que você estava certa. – Mostrei a confusão através do olhar. – Bella, sou um homem de 25 anos que mora na casa dos pais, não tenho uma família própria e nem pretensão disso por enquanto. Vivo debaixo das asas da minha mãe e a única coisa de importante que possuo é o meu emprego e meio que corri atrás de tê-lo porque meus pais me pressionaram. Agora Bella, olha só você. Tem quase a mesma idade que eu e já tem um filho, foi morar em outro lugar longe de tudo e todos, trabalha em uma multinacional e agora que voltou já sua tem casa e independência. Por fim você é uma mulher Bella e não um moleque. Tinha razão em sentir pena de mim.
Ao ouvi-lo meu coração se apertou de tal maneira que pensei que fosse sumir.
— Edward. Olha para mim. – Pedi erguendo seu queixo para que enxergue meus olhos. – Não tenho pena de você, ouviu? Falei aquilo da boca para fora no momento da raiva e só concordo com algumas coisas que falou agora.
— Com o que?
— Você pode até estar certo em tudo que disse sobre mim, mas não se engane, não tenho a vida perfeita, ninguém tem. Tropecei muito pelo caminho, erro sempre até hoje, mas tive que aprender a crescer pelo meu filho, tudo que conquistei e sou hoje devo a ele. Passei da fase menininha perdida a mulher forte como você falou, por ele. Porque o Miguel precisava de mim mais que tudo. E também se engana se acha que é um fracassado. Você é médico e um excelente pelo que ouvi dizer, todos crescem de acordo com seus caminhos, quando for sua hora, vai encontrar uma mulher, formar uma família, terá seus filhos e entenderá o significado que tudo isso tem para mim agora.
Sorri, mas por dentro me senti mal ao pensar em vê-lo casado com outra e tendo filhos com ela, vivendo a vida que sempre sonhei ter ao seu lado, apesar de tudo, meu coração nunca deixou de amá-lo e é por isso que desejo o melhor a ele, sempre.
— Obrigado, você sabe como me fazer sentir bem e não ficar pensando que sou um inútil.
— Não, com certeza você não é.
— É por isso que te admiro Bella, porque é forte e ao mesmo tempo doce, valente e ao mesmo tempo frágil, mulher e menina, mas acima de tudo. Tem que ser uma excelente mãe, porque o Miguel é um ótimo garoto, pena ele não ter um bom pai.
— Na verdade Edward, Miguel tem sim um pai maravilhoso, a pena é eles não poderem se conhecer.
Falei sem pensar nas afirmações, mas pelo visto Edward não associou meus elogios a sua pessoa.
— Entendo e sinto pelo Miguel, mas Bella preciso perguntar. Algo que vem me atormentando a mais de seis anos. Você realmente foi embora por minha causa?
— Por que está me perguntando isso agora? Foi uma escolha conjunta. Nossas atitudes e ações nos levaram ao término do namoro.
— Mas quero tentar entender de uma vez por todas o que houve contigo. Será que mereço saber?
Não sei o que falar, tenho centenas de coisas a dizer, mas nada parece certo o suficiente para o momento, então somente deixei as palavras fluírem.
— Edward, fui embora por nós dois. Vi que nossa relação não conseguiria ir em frente e resolvi ir embora antes que acabasse de um modo pior. Não direi que foi a melhor decisão da minha vida e que não sofri com isso, mas foi o que fiz e achei o certo na época. Sei que se não tivesse ido embora, talvez hoje não possuísse meu bem mais precioso, o Miguel. E não consigo imaginar a vida sem ele.
— Certo, só não consigo entender o que fiz para ocasionar sua partida, porém se diz que foi o certo, respeitarei. Afinal de contas, não se pode mudar o passado...
— Edward, você realmente não tem a mínima noção do por que ter ido embora? Ainda mais naquela época?
Como pode dizer que não sabe por que parti?
— Não Bella. Juro que não consigo entender. Estávamos tão bem e de repente você se foi sem nenhuma explicação.
Ele parece estar sendo tão sincero.
Será que se esqueceu daquela maldita carta?
Ou a dúvida que sempre me atormentou poderá ser verdade?
Será que não foi ele que escreveu?
Não, mas já pensei nisso muitas vezes, era a sua letra e a assinatura, isso é incontestável.
— Bella, Bella. Está tudo bem? – Fui tirada dos meus devaneios. – Você ficou distraída de repente.
— Não é nada, só estava pensando. Edward, vamos fazer o seguinte. O passado está morto e não há nada que possamos fazer para mudar isso, pelo menos não agora. Talvez no futuro descubra que o que fiz foi errado, mas até lá mantenho minha decisão e caso um dia descubra que estava errada, juro que será a primeira pessoa a quem contarei. Mas, por enquanto, vamos viver o presente, como amigos, pode ser?
A ideia de que Edward possa ser inocente continua martelando na minha cabeça, mas antes de ter alguma confirmação não posso arriscar entregar o segredo sobre a paternidade do Miguel.
— Vou aceitar, por hora. Porque já vivi tempo demais longe de você e me contentarei com sua amizade. Entretanto, isso quer dizer que tem algo a mais em tudo isso, não é?
— Possivelmente, mas agora não é o melhor momento para falarmos disso.
— Tudo bem, confiarei em você, mas um dia me contará?
— Espero que sim e que seja com a verdade ao nosso lado. Agora, amigos de novo?
— Amigos.
Ele ofereceu a mão e peguei, porém fui surpreendida por um abraço, ainda pensei em protestar, mas a sensação de estar entre seus braços novamente foi maior do que razão.
Ficamos abraçados até sentir leves pingos de chuva, tentei nos separar, porém Edward não deixou.
— Edward, está começando a chover.
— Estou percebendo.
— Então temos que ir. – Insisti.
— Tudo bem. Você veio de carro ou a pé?
— A pé.
— Então vamos, estou de carro.
Levantamos do banco começando a andar em direção ao carro, até ele nos parar.
— Edward, o que foi? Ficou louco? Está chovendo, vamos.
Tentei puxá-lo, mas ele sendo bem mais forte me segurou.
— Não Bella, espera. Sinta a chuva, ela vem do céu e lava tudo que está aqui, inclusive nossas almas. Vamos deixar que lave tudo de ruim que existe entre nós e que sejamos guiados apenas por nossas almas.
É loucura o que estamos fazendo.
No entanto, o abracei sentindo todas as formas do seu corpo através da camisa molhada pela chuva que continua a cair sobre nós.
— Você é louco. Podemos ficar doentes. – Comentei.
— Eu sei. – O senti rir. – E como médico jamais poderia permitir isso, mas agora só posso seguir o meu coração.
Ele levantou meu rosto e olhou dentro dos meus olhos, percebi sua intenção, mas não hesitei ou pensei em não deixá-lo agir, porque quero isso tanto ou mais que ele.
Por fim ele se aproximou, senti sua respiração mais próximas e seus lábios tocando os meus singelamente, pedindo permissão para aprofundar, prontamente concedi abrindo a boca para receber sua língua ávida e quente junto a minha.
No começo o beijo foi calmo e lento, porque nossas línguas estavam reencontrando-se, até ele aprofundar as coisas e começarmos a travar uma briga deliciosa exigindo mais e mais...
Logo suas mãos desceram para minha cintura me aproximando e as minhas voaram para um dos meus lugares preferidos em seu corpo, seu pescoço, nuca e cabelo.
Deus! Como é bom sentir seus lábios de novo nos meus!
Um beijo que esperei mais de seis anos para reencontrar.
Infelizmente ao nos faltar o ar nos separamos dando um último selinho e encostamos as testas, permaneci de olhos fechados com medo de abri-los e tudo ir embora.
— Sinto que minha alma está limpa e a saudade preenchida.
— Eu também.
— Agora vamos Bella, antes que realmente fiquemos resfriados.
Assenti e de mãos dadas seguimos até seu carro, ele abriu a minha porta e rapidamente entrou no seu lado.
— Vamos molhar seu carro todo. – Comentei.
Ele imediatamente começou a sorrir e não entendi o porquê.
— O que houve?
— Isso não lhe parece familiar?
Logo a recordação me veio à mente, nosso primeiro beijo também foi na chuva e voltamos para casa no seu carro, comigo preocupada que pudesse molhá-lo.
— Me lembro, mas dessa vez a culpa não é minha por termos ficado na chuva.
— Assumo essa culpa, mas como na época, não precisa se preocupar.
A nostalgia por nossa lembrança continua no ar, porém não demorou a começar a sentir frio e ele perceber.
— Você está com frio Bella.
— Não, está tudo bem.
— Pare de ser teimosa. Toma, veste meu casaco.
Ele entregou o casaco que estava no banco de trás, apesar de querer negar, a sensação gelada acabou vencendo e também quero sentir seu perfume novamente.
Vesti o casaco rapidamente sentindo seu cheiro maravilhoso, uma mistura de colônia masculina e mais um pouquinho da sua essência natural, algo másculo e totalmente único.
Seguimos em silêncio e logo chegamos à casa da Nessie, ainda está chovendo, mas agora com menos intensidade.
Ele apertou o interfone do portão para entrarmos com o carro e estacionar dentro da casa.
— Vamos?
— Sim, claro.
Saímos correndo logo chegando ao batente da porta e encontrando com Alice.
— Deus Bella, ainda bem que chegou... – Ela olhou para o lado enxergando o irmão. – Edward? – Voltou a me olhar. – O que estavam fazendo juntos?
— Alice, nos deixe passar e explicamos tudo, pode ser?
Edward disse me arrastando para dentro, já na sala todos expressaram a mesma reação.
— Bella, o que houve? Está encharcada. E onde achou o Edward? – Emm perguntou.
— Não disse que ia ao parque? Pois estava lá quando o encontrei, ficamos conversando e quando percebemos começou a chover ai viemos embora, foi só isso. – Da para sentir que eles têm mais questões, porém prossegui. – E vocês? O que fizeram?
— Terminamos de brincar e viemos ver um filme depois começou a chover. Tentamos falar contigo, mas a senhorita fez o favor de deixar o celular aqui, então ficamos esperando a hora que apareceria ensopada, só não contávamos que traria o Edward junto.
— Acredite Alice, nem eu esperava por isso. – Suspirei.
— E vocês dois não querem se secar?
— Queremos sim Nessie, obrigada. – Agradeci.
— Vou pegar umas toalhas para vocês.
— Mamãe, a senhora está engraçada toda molhada. – Miguel comentou. – E ainda trouxe o tio Edward, obrigado.
— De nada meu amor. – Dei um beijo em sua testa.
— E ai garotão? Quer dizer que sentiu minha falta?
— Uhum tio. Não sei porque, mas gosto bastante do senhor. Assim ó.
Ele abriu os braços indicando uma longa distância.
— Também gosto bastante de você.
Edward o pegou no colo para abraçá-lo.
— Edward, o coloca no chão, vai molhá-lo todo.
— Deixe-os Bella, vamos pegar as toalhas. – Nessie disse me puxando para as escadas. – Meninas, vamos também?
— Claro. – Responderam de pronto.
— E vocês, cuidem do meu filho. – Pedi.
— Pode deixar Bellinha. Estar comigo é como estar com Deus.
— Sim, sim Jake, acredito.
Subimos e entramos no quarto da Nessie, sentei na cadeira para não molhar a cama, mas logo recebi uma tolha e mudas de roupas.
— Muito bem Isabella Swan, pode contar tudo.
— Tudo o que Nessie? Já falei lá embaixo.
— Bella, tente nos enganar e fingiremos que acreditamos. Vocês chegaram de mãos dadas e vai dizer que não teve significado maior? Pode contar tudo nos mínimos detalhes. – Rose falou.
Terminei de me secar e vestir a roupa seca.
— Vocês não me deixarão sair daqui se não falar, não é?
Perguntei mesmo já sabendo a resposta.
— Não.
— Certo, vou contar, mas não me interrompam. – Elas assentiram. – Fui ao parque porque queria espairecer e por estar distraída acabei esbarrando em um homem.
— E esse homem é o meu irmão?
— Sim Alice. Ele me segurou e quando nos reconhecemos, perguntou o que estava fazendo lá e iniciamos o assunto. Depois questionou se poderíamos conversar a sério, no começo hesitei um pouco porque não queria brigar, mas ele me convenceu, prometendo que seria apenas uma conversa civilizada e aceitei. Pedimos desculpas um ao outro por todas as besteiras que dissemos e nos acertamos sobre nossa vida agora. Ele perguntou se realmente fui embora por sua causa, expliquei que tomei a melhor decisão para nós. Por fim ponderou sobre a possibilidade de sermos amigos e concordei, selamos o pacto e ele me abraçou.
— Esse é meu irmão. — Alice disse animada.
— E o que você fez Bella?
— O abracei Rose, porque amigos se abraçam certo? Começou a chover, levantamos para vir embora, só que ele me puxou de volta. Perguntei o motivo e ele disse que aquela chuva lavaria nossas almas levando tudo de ruim que existia entre nós. Assim nos abraçamos de novo até o momento de vir embora.
— Só?
— Só Nessie, queria mais o que?
— Bella, você sabe o que estamos pensando, após fazerem as passes, abraçados na chuva...
— Mas não houve nada Rose.
— Nossa. Estou duvidando da virilidade do meu irmão, será que depois de todo esse tempo ele fraquejou?
Alice soltou me deixando indignada! Não posso deixá-las pensar mal assim do Edward.
— Tudo bem, vocês venceram. Depois de algum tempo abraçados, ele me beijou.
— Ah...
— Meu...
— Deus! Esse é meu irmão.
— E como foi?
— Foi lindo Rose. Praticamente nos reencontramos embaixo daquela chuva, o beijo foi um dos melhores da minha vida.
— Você ainda gosta dele.
Alice afirmou e não tenho muito que contestar, apenas desconversei para não voltarmos a esse assunto um pouco mais delicado.
— E como vocês estão agora? Juntos de novo?
— Não Rose, nos acertamos como amigos, esse beijo foi algo lindo e especial, admito, mas ainda existem muitas questões a serem esclarecidas entre nós para que as coisas possam tomar algum rumo diferente de novo.
Elas ficaram em silêncio, porém Nessie trocou um olhar significativo comigo, por sabermos o que precisa ser esclarecido em uma possível relação entre Edward e eu.
— Muito bem meninas, já contei tudo, agora vamos descer porque preciso ver como meu filho está.
Elas assentiram e descemos encontrando os rapazes brincando.
— Ah! — Alice assustando-os. – Não acredito que estão jogando banco imobiliário sem mim!
— Alice, amor. Que susto. – Jas falou com a mão no peito.
— É Alicinha, para que todo esse drama? Se quiser jogar vem também. – Emm disse despreocupado.
— Ah, também quero. – Nessie falou se juntando a eles. – E Edward, toma a toalha e essa camisa do Jake, acho que serve.
— Valeu Nessie.
Ele agradeceu começando a se secar.
— Por que tem uma camisa do Jake aqui em casa, hein Renesmee?
Emm perguntou já olhando de cara feia para nossa irmã.
— Sei lá Emm, apenas achei e trouxe, nem sei como veio parar aqui.
— Uhum, sei bem. – Resmungou.
— E ai? Vamos jogar ou não? – Ela perguntou desviando o assunto.
— Mas o máximo de pessoas que podem jogar são seis. – Rose falou.
— Então por que não jogamos em duplas? – Jas sugeriu.
— Tudo bem, mas quem seriam as duplas?
— As de sempre. Alice e eu, você e Nessie, Emm e Rose. E agora Edward e Bella.
Depois que Jas falou todos nos olharam.
— Você aceita fazer dupla comigo? – Edward perguntou.
— Cla... Claro. – Deus. Por que estou gaguejando? — Por mim tudo bem.
— Então vamos começar.
Jas concluiu começando a arrumar as peças.
— Mas e eu? Vou jogar com quem? – Meu filho se manifestou.
— Não acredito que nos esquecemos do Miguel. Alguém terá que formar um trio, mas quem?
Jake perguntou e começaram uma discussão para ver com quem Miguel ficará.
Estava até prestando atenção, mas ela foi totalmente desviada quando vi Edward levantar e começar a tirar a camisa...
Espera um pouco.
Edward está mesmo tirando a roupa.
Fiquei presa em seu peitoral enquanto ele passa a toalha pelo cabelo e depois no tórax.
Oh, Deus!
Me pega, chama de toalha e esfrega nesse tanque.
Mas infelizmente minha alegria acabou quando ele vestiu a camisa, ai pude perceber não só seu olhar, mas de todos os presentes também.
— Mamãe, a senhora está bem?
— Estou sim meu bem, por quê?
— É porque a senhora estava com uma cara de boba olhando o tio Edward.
— Ah, ela estava Miguel?
Edward perguntou, mas continuou a me olhar, porém focando de um jeito muito sexy.
— Estava tio. Sabe aquela parte em O Rei Leão 2 quando a Kiara da um beijo na bochecha do Kovu e ele fica com cara de tonto? – Edward assentiu. – A mamãe estava igualzinha a ele.
— Bom saber. – Piscou.
Corei e devo ter ficado mais vermelha que tomate de época, para ajudar todos na sala começaram a rir.
— Muito bem, já curtiram muito com a minha cara, vamos jogar ou não? E Miguel, a mamãe está bem e não estava com cara de tonta, entendido?
— Tudo bem mãe, se está dizendo...
— Mas e ai? Com quem o Miguel vai ficar? – Alice perguntou voltando ao ponto.
— Vamos deixá-lo com o Edward e a Bella, afinal, eles sãos os pa... Parceiros bons para ele.
Juro que mato a Renesmee se ela disser mais alguma coisa que me comprometa hoje!
Depois de tudo organizado, pudemos finalmente jogar.
Foi um fim de tarde muito agradável. No fim das contas acabamos ganhando com muitos protestos do Emm, que insistiu em dizer que só o fizemos porque tínhamos o Miguel.
E não posso negar que ganhamos mesmo porque Edward e Miguel juntos têm uma sorte e tanto, parece que uma força os une e com isso fizeram tudo certo, mas no fundo sei que essa força é essa, a conexão de pai e filho, algo que exala deles de forma intensa.
Deixei esse pensamento de lado quando fomos jantar, novamente mais uma refeição cheia de alegria entre as pessoas que amo.
Na hora da despedida começamos os cumprimentos e estava indo dar tchau a Edward, mas ele me puxou para a cozinha.
— O que estamos fazendo aqui posso saber? – Perguntei.
— Nos despedindo.
— E por que não podemos fazer isso na frente de todo mundo?
— Por isso.
Ele me beijou.
Um beijo quente e cheio de desejo, com sua língua travando uma batalha doce e sedutora com a minha exigindo mais espaço na boca do outro.
Minhas mãos envolveram seu pescoço puxando-o para mais perto, as dele enlaçaram minha cintura, nos grudando ainda mais.
Infelizmente o ar se fez necessário e ao nos separar colamos a testa um no outro.
— Não era para sermos só amigos? Que eu saiba, amigos não se beijam com essa intensidade toda. – Falei ainda um pouco sem ar.
— Somos amigos com benefícios. – O cretino sorriu. – Agora vamos.
Ele me deu um selinho e voltamos para a sala, encerramos as despedidas e saímos.
Sem perceber fiquei com seu casaco, não me contive em cheirar encontrando seu perfume e ficando mais tonta do que já estava...
Segui para casa suspirando, ao chegar dei banho no Miguel o colocando na cama e depois fui tomar o meu bem quente para relaxar.
Pronta para dormir me deitei, porém hoje o sono não está vindo cedo. Desse modo rolando na cama, vi meu celular começar a tocar.
— Alô.
Atendi sem olhar.
— Oi amiga desnaturada. Abandou Los Angeles e resolveu me abandonar também, é?
— Angela. Que bom falar com você. Estou morrendo de saudades.
— Pois não parece. Desde que chegou só me ligou duas vezes e bem rápido. Acho que agora que voltou para perto da sua irmã já me esqueceu.
— Angela, sem drama, por favor. É claro que sinto sua falta, tenho tanta coisa para te contar. Você vai pirar quando souber.
— Então fala logo, pois liguei justamente para saber das novidades.
— Imagino que esteja ansiosa realmente.
— Com toda certeza, então mãos a obra, conte tudo.
Apesar do drama, ela está bem inteirada da minha rotina aqui em Nova York, assim só precisei atualizá-la dos eventos do fim de semana, que apesar de ter ocorrido em apenas três dias, foi o suficiente para várias coisas acontecerem.
Contei da minha conversa com meus amigos e da discussão com Edward, como tudo aconteceu.
— Não conheço esse Edward pessoalmente, mas se soubesse como sua cota de pontos negativos está alta, não faria essas coisas.
— Eu sei amiga, também fiquei chateada na hora, mas deixe-me continuar porque ainda tem mais.
Prossegui relatando o que houve hoje, desde o início do dia até o momento que nos encontramos no parque e nossa conversa.
— Espera um pouco. Esse cara é bipolar, só pode. Um dia te julga, excomunga. Te chama de nomes não aceitáveis e dois dias depois já volta como o cão arrependido? Assim não dá amiga, ele me deixa confusa.
— Te deixa confusa? E eu? Como acha que fico nessa situação? Angela estou praticamente entre a cruz e a espada. Ele tem se dado tão bem com o Miguel e vice-versa. Acho sinceramente que ele não sabe sobre a paternidade, pelo visto Esme não falou nada, o que só faz com que minha dor aumente mais. Porque ele fez aquele show todo, acabou nosso namoro e nem ao menos sabia da existência do nosso filho, ou seja, no fim das contas fez tudo àquilo por um capricho, uma inconsequência adolescente.
— É verdade amiga, mas não se esqueça de que seu maior medo foi sempre que ele tivesse rejeitado nosso menino e pelo visto não o fez, então agora que está vendo que os dois estão se dando tão bem, talvez seja a hora de contar a verdade. Afinal de contas, ele rompeu com você e não com o filho.
— Possivelmente, mas ai é que a história complica ainda mais.
— Por quê? O que mais aconteceu que ainda não me disse?
— Você sabe que nunca deixei de amá-lo e agora vendo-o sempre, compartilhando todos esses momentos, meu coração está mais do que religado e hoje nos beijamos.
— O que? Para tudo. O que é isso produção? Como assim Bella?
— Foi do momento. Não me arrependo, porque quis. Depois que fizemos as pazes e decidimos nos acertar como amigos rolou um clima tão legal, que me deixei levar e nos beijamos. E se não fosse só isso na nossa despedida ele me beijou de novo, perguntei sobre sermos só amigos e ele falou que poderíamos ser amigos com benefícios. Mas poxa Angela, sou uma mulher, não tenho mais idade para ficar me agarrando as escondidas, vivendo uma amizade colorida. Preciso de respostas, de explicações e de uma vida estabilizada, será que é pedir demais?
— Não amiga, não é, mas também não deve se privar de tudo para sempre. Corre atrás do que quer, corra atrás da verdade há tanto adiada. Resolva esse enigma do passado e se jogue de novo nos braços do homem que ama. Se ele tiver mesmo mandado aquela carta, perdoe-o. Todos erramos nessa vida, ainda mais quando jovens. Vocês podem ter uma chance de recomeçar agora, mais maduros, vividos e com o Miguel. E se caso o pior, ou melhor, não sei, acontecer e ele for inocente. Vocês terão tudo para ser felizes, mas não se deixe abater. Corra atrás dos seus sonhos minha amiga e seja feliz. Faça meu sobrinho feliz dando o pai que ele tanto espera.
— Sei que isso é o que tenho que fazer, só não sei por onde começar, mas não ficarei parada deixando a vida correr diante dos meus olhos, procurarei resolver essa situação o mais rápido possível.
— É assim que se fala amiga e sabe que para o que precisar estarei aqui.
— Sei sim, você tem estado ao meu lado por todos esses anos e não sei como te agradecer, mas continuarei tentado até o fim da vida.
— Não tem o quê agradecer, amigas são para isso.
— Mas e você? Como estão às coisas por ai? Com o Ben? Tem visto Liam e Siobhan?
Entramos no assunto sobre sua vida e Ang foi me inteirando de tudo, fofocamos um tempo mais sobre outras coisas e por fim decidimos desligar.
Despedimo-nos e fui tentar novamente dormir, o que não continuou sendo fácil, já que tenho muito que pensar, mas quando o sono finalmente chegou trouxe a lembrança de certo homem de olhos verdes penetrantes, para me fazer sonhar...
***
Minha vida está um pouco melhor agora, meus amigos e irmãos já aceitaram minha volta e do Miguel. O trabalho segue cada vez melhor, à empresa caminha de vento em polpa e meu filho já está totalmente adaptado à nova escola.
Com quase tudo perfeito, a única questão que ainda me incomoda é essa tal amizade com Edward...
Não que me incomode em tê-lo apenas como amigo, mesmo que meu coração não esteja disposto a tão pouco.
O caso se dá por não saber a dimensão que essa amizade tem em mim ou o poder que Edward continua exercendo, ainda mais agora com essa história de amigos com benefícios...
O caso é que estou me arrumando para ir à casa da Alice e Jas, outra sexta-feira já chegou e a reunião será na residência deles.
Miguel já está pronto e acabei de tomar banho e estou decidindo o que vestir, mas antes de chegar a uma decisão, meu telefone tocou e rapidamente atendi.
— Alô.
— Filha!
— Mãe. Como à senhora está?
— Bem minha querida e você? Como estão às coisas?
— Tudo na mesma mamãe, complicado, difícil de assimilar, mas estou procurando um jeito de acertar tudo.
— Muito bem querida. Sinto muito vir lhe reportar uma notícia não tão boa quando vejo que está se saindo bem, mas precisava te avisar.
— O que houve mamãe?
— Conversei com seu pai querida e posso dizer que não foi uma conversa fácil. Ele ficou louco da vida, mas como falei antes, ele está tendo uns casos sérios a resolver na delegacia e não poderá ir até você nesse momento, mas ele disse que vai ter uma conversa muito boa ainda por telefone. E deve te ligar nessa semana sem falta.
Dei um suspiro pesado antes de responder.
— Não poderia adiar isso para sempre, não é mesmo? Estarei esperando a ligação e veremos como as coisas ficarão.
— Isso é o melhor a se fazer querida, esperar e ver como as coisas ficam entre vocês, mas o resto está tudo bem mesmo?
— Sim mamãe, estou me arrumando para ir à casa da Alice e do Jasper, para a reunião semanal.
— Que bom que já conseguiu se reconectar com seus amigos, meu neto tem se adaptado bem as novas mudanças?
— Sim, a senhora sabe como o Miguel conquista a todos por onde passa e tem se dado bem aqui graças a Deus.
— Que bom querida. Posso falar com ele?
— Claro, ele está lá na sala, vou chamá-lo.
O chamei e me despedi dela focando em terminar de me arrumar.
Ao finalizar a maquiagem, prestes a por o vestido, ouvi a campainha, mas além de não estar vestida, Miguel gritou que atenderá e acabei deixando, pois para não ter sido anunciado, deve ser alguém conhecido.
Continuei a me arrumar e estando pronta ajeitei algumas coisas na bolsa seguindo para a sala, porém fui surpreendida positivamente ao encontrar Edward sentando lindamente no meu sofá.
— Oi Bella.
— Oi. Oi Edward. Que surpresa te ver aqui.
— Vim buscá-los, para irmos juntos a casa do Jasper e Alice.
— Edward, isso realmente não era necessário, poderia ter ido com meu carro.
— Bella, você não sabe onde fica a casa e faço questão de levá-los e trazer em segurança.
— Tudo bem. Já que está aqui, vamos?
— Claro.
Ao chegar ao carro de Edward coloquei Miguel no banco de trás e segui para frente, só que ele fez questão de abrir minha porta e aproveitou para sussurrar ao meu ouvido.
— A propósito, você está linda nesse vestido.
Deu-me um selinho e indicou para entrar o fiz ainda um pouco desnorteada e ele entrou em seguida.
Não trocamos muitas palavras, já com Miguel passou o percurso todo conversando animadamente.
Edward contou que domingo vão a um clube e quer que Miguel vá também, assim poderão jogar o tão esperado futebol.
Logo chegamos a casa encontrando todos a nossa espera, ao entrarmos lógico que deram mais atenção ao Miguel, o que não me importei, já que meu filho é irresistível mesmo.
— Bella, por que demoraram tanto? – Alice perguntou.
— Acabei me atrasando porque antes de vir minha mãe ligou ai já viu, a conversa correu solta.
— Tem tempo que não falo com a mamãe. – Emm comentou.
— E como estão tia Renée e tio Charlie?
— Bem Alice, mamãe mandou lembranças a todos.
— Sinto muita falta deles. – Nessie falou.
— Eu também.— Emmett e eu falamos juntos.
— Mas a vovó disse que logo vem me ver.
— O que sua avó disse? – Perguntei.
— Que vem me ver em breve e ainda disse que trará meu vovô também para conhecê-lo.
— Espera um pouco, mamãe e papai sabem do Miguel? – Emm perguntou.
— Mas é claro que não Emm, quer dizer, souberam como todos com a volta da Bella. – Nessie respondeu.
— E que milagre o papai ainda não ter vindo atrás de você exigindo explicações Bella?
— Ele não veio ainda porque está muito ocupado com problemas no trabalho, mas mamãe ligou justamente para dizer que ele me ligará essa semana para fazer o interrogatório oficial do chefe Swan.
— Só te desejo sorte maninha, você conseguiu escapar de mim, mas duvido que papai deixará barato essa história de não saber do pai do Miguel.
— Emm, já chega. – Nessie interviu. – Já encerramos esse assunto e a questão agora não é essa e sim a vinda dos nossos pais.
— Vovó disse que vem sim madrinha, ela falou que vai só ver umas coisas e os dois vem me ver.
— Tudo bem Miguel, vamos esperar.
O assunto foi encerrado, ao menos por ora.
— É isso queridos, vamos esperar e ver se seus pais virão mesmo, enquanto isso aproveitaremos nossa noite. Bella seja bem-vinda a nossa casa, vem, quero lhe mostrar tudo.
Segui Alice e ao conhecer a casa conclui que conseguiu fazer uma mistura perfeita do seu antigo lar e do Jasper, a biblioteca é parecida com a dos Cullen e a sala de jantar com a dos Hale.
Os outros cômodos são todos muito bonitos e bem mobiliados, chegamos finalmente ao quarto do casal e Alice me convidou para entrar enquanto a conversa flui.
— Alice, fico tão feliz por vocês, acho que mais do que qualquer outro casal vocês merecem essa felicidade. Uma casa linda e um bom casamento.
— Obrigada amiga, de verdade. É claro que temos nossas adversidades cotidianas também, mas te digo que vivo a vida que sonhei ao lado do Jas. Ele é e sempre será o amor da minha vida.
— Sei disso. Dá para ver em seus olhos, a forma como agem. É algo bonito de se ver.
— Mas e você e meu irmão? Também não são o amor da vida um do outro? A alma gêmea?
— Não Alice, pensava que éramos sim quando namorávamos, mas tudo mudou e vi que esse sonho de amor não é para mim, pelo menos não com ele.
— Não diga isso Bella, meu irmão te ama tanto.
— Isso não é verdade, se ele me amasse não teria deixado às coisas acontecerem da forma que ocorreram.
— Bella, sinceramente não sei o que te fez ir embora, você diz que a culpa foi dele e até pode ser verdade, mas se tivesse visto como ele sofreu com sua partida, sinceramente tiveram momentos que pensei que perderia meu irmão. – Fiquei espantada com sua declaração. – Obviamente você não sabe, mas ele passou por fases difíceis depois que partiu. Teve a época depressiva em que não fazia nada a não ser ficar no quarto sem ver ninguém e depois veio à fase rebelde, onde ele saia todos os dias chegando tarde ou às vezes nem voltando. E quando vinha era sempre bêbado ou com indícios de que bebeu, foi difícil ver tudo isso e não poder fazer nada, mas graças há Deus um dia parece que uma luz se acendeu sobre ele e tudo melhorou.
Ao contrário do que Alice pensa, sei de toda essa história, pois Nessie sempre me manteve inteirada de tudo, mas ouvir agora na perspectiva de alguém que realmente viveu tudo isso com ele me fez repensar um pouco.
— E por qual motivo ele resolveu mudar ou voltar ao normal?
— O motivo real não sei, quando ele voltou a agir como sempre, não quis perguntar nada para não desencadear alguma crise em relação ao assunto, mas algum tempo depois acabei questionando e ele respondeu simplesmente que uma força, algo maior do que ele mesmo, o fez perceber a besteira que estava fazendo com sua vida e consertar tudo a tempo. Foi uma época dura, mas não durou muito tempo, ainda no primeiro ano ele voltou ao normal. Se bem recordo, foi por volta do mês de agosto daquele ano, acho que sim.
— O mês que o Miguel nasceu...
Falei mais para mim mesma, porém Alice parece ter ouvido também.
— Miguel é de agosto? Quando foi que você engravidou Bella? Porque você foi embora em dezembro. Como em agosto já poderia estar tendo um filho?
Gelei por alguns segundos, Alice não é boba.
Tenho que pensar em uma ótima desculpa.
— Ele... Ele nasceu prematuro, foi isso.
— Nossa, dizem que é arriscado quando o bebê nasce antes da hora.
— É verdade, mas graças a Deus ocorreu tudo bem e Miguel hoje é muito forte e saudável. – Sorri. – E vocês não pensam em ter filhos logo? – Perguntei tentando desviar do assunto.
— Sim, está nos meus planos, talvez até o fim desse ano ou no começo do ano que vem providencie nosso primeiro bebê. Já curtirmos bastante a vida de casados/solteiros, agora queremos experimentar a experiência de ser pais.
— Posso dizer que é maravilhosamente gratificante, ainda mais para a mãe, você verá. Vamos descer agora, não quero que os outros fiquem pensando que estou monopolizando a dona da casa.
— Tudo bem, vamos.
Voltamos à sala e vi todos paparicando o Miguel e conversando com ele, seguimos para jantar e a conversa amigável continuou.
Depois que terminamos a refeição voltamos à sala para continuar a curtir a noite.
— Vocês já perceberam como o tempo passa rápido? – Emmett começou a falar – Em um dia éramos crianças iguais ao Miguel, depois viramos adolescentes rebeldes, uns mais que outros, admito. E hoje olhem para nós. Rose e eu daqui a pouco vamos casar. Jas e a baixinha já estão casados. Minha irmã mais nova já é uma mulher e mesmo contra minha vontade, um dia também vai casar. Todos temos ótimos empregos, Edward caminha para cargos ainda maiores, quem sabe até a diretoria do hospital. E por fim Bella, minha irmã mais frágil, foi a que mais cresceu, ao se mudar construiu uma vida e hoje em dia trabalha em uma multinacional e já tendo um filho. Dá para acreditar? Com certeza não imaginaria algo assim.
Ele concluiu e nos olhamos com a mesma expressão de incredulidade, depois caímos na gargalhada.
— Meu Deus Emmett, essa foi à coisa mais profunda que você já disse na vida. Estou surpreso, presta atenção no que comeu hoje porque isso está te deixando mais sensato. – Jake falou.
— Emm, de onde foi que tirou essa filosofia toda? – Nessie perguntou.
— Sei lá, só estava recordando... De quando éramos menores. Lembra Nessie, quando subimos naquela rampa que tinha perto da casa da tia Ellen? Caímos e quebramos o braço?
— Claro que lembro. A mamãe ficou uma fera, papai que nos salvou. E dona Bella, sempre certinha, ficou intacta porque não quis subir conosco.
— Pelo menos não levei bronca e quebrei braço nenhum. – Respondi.
— Nossa, pois você foi igual ao Jake. – Edward comentou. – Um dia ele e eu estávamos brincando de bicicleta e após uma corrida não vi um buraco passando com tudo, a corrente soltou e cai me ralando todo e ainda quebrei o braço.
— Edward, mas não vem com drama, você ficou sem ir à escola vários dias e quando voltou absolutamente todas as meninas queriam assinar seu gesso. – Jake respondeu.
— Aquelas menininhas assanhadas adoravam o Edward desde pequeno.
— Nem vem Alice, porque você também aprontou das suas. Se lembra da vez que encomendou quase todos os produtos de uma revista e a mamãe teve que pagar?
— Foi sem querer Edward. Como ia saber que se anotasse tudo teria que pagar?
— Alice, você era consumista desde cedo, hein? – Nessie soltou.
— Não tenho culpa amiga, acho que isso nasceu comigo.
— Também já enfaixei minha mão, não foi o braço todo, apenas a mão.
— O que você fez querido para ter enfaixado a mão? – Rose perguntou.
— Estava brincando de basquete na quadra do prédio com uns amiguinhos e quando fui acertar a última cesta, a bola não entrou e fiquei muito bravo, fui bater na bola, mas escapou e trinquei meu dedo.
— Trincou seu dedo e quase meu coração também. Vocês não sabem o desespero que senti ao ver esse menino com a mão inchada, corri para o hospital e quando ele disse o que aconteceu, não sabia se brigava pela imprudência ou se ficava aliviada por não ter quebrado nada.
— Nossa Miguel, você é arteiro, hein? Quantos anos tinha quando aconteceu isso?
— Cinco. Foi esse ano padrinho, durante as férias.
— O bom é que não foi nada grave e hoje você também já tem história para contar sobre suas travessuras.
— E você Jas? Se lembra da vez que cortei seu cabelo?
— Claro. Fiquei um mês usando boné porque tive que raspar o resto de cabelo. Rose fez um estrago tão grande que não encontramos outra solução. – Todos riram da sua cara de pena. – Mas me vinguei quando escondi sua boneca preferida e ao encontrá-la se deparou com uma boneca careca.
— Nossa Jas, isso foi horrível.
— Bella, é que você não viu o estado do meu cabelo. Aquilo é que foi horrível. Não gosto nem de lembrar.
Em meio aos risos, continuamos contando nossas travessuras.
— Também não consegui aprontar muito, porque Emm me prendia demais. Nessie era sua comparsa de bagunça, eu era a irmãzinha que não podia fazer nada. Talvez tenha sido por isso que dei meu primeiro beijo tão tarde.
Assim que falei olhei para o lado notando que Miguel já está dormindo, para meu alívio.
— Falando nisso, com quantos anos foi?
— Nem vem Emmett. Não vou falar disso. – Virei para Alice. – Amiga, tem algum lugar que possa deixar colocar o Miguel? Ele está cochilando e não queria que ficasse no meio do barulho e da luz.
— Claro querida, pode colocá-lo no meu quarto, já sabe onde é.
Assenti, mas antes de levantar para pegá-lo, Edward o fez.
Subimos em direção ao quarto de Alice, ajeitei o travesseiro e puxei o edredom, Edward o colocou na cama, depois o cobriu, lhe dando um beijo na testa e achei tão terno.
— Obrigada por me ajudar.
— Não tem de quê. Ele dorme tão bem, parece um anjo.
— Ele é o anjo da minha vida. Meu melhor presente.
— Imagino que sim. Ele é um presente para qualquer um que tenha a oportunidade de estar com ele.
Ficamos um tempo em silêncio apenas observando o sono do Miguel.
— Vamos deixá-lo descansar um pouco e descer. Estou interessado em ouvir a história do seu primeiro beijo.
— Nem vem que não tem! Vocês não vão me convencer disso.
Voltamos à sala encontrando todos ainda falando sobre meu comentário do primeiro beijo, mas continuei irredutível.
— Vai Bella, por favor? – Emm insistiu, mas neguei novamente. – Vamos fazer assim, todos falaremos quando e com quem foi. Assim não verá problema em dizer o seu. Eu começo, o meu foi aos nove anos com a nossa vizinha, uma loirinha lá que esqueci o nome.
— Nossa Emmett, que gentil não lembrar nem o nome da menina.
— Claro Nessie. Faz anos, não fico lembrando nome de ex...
— O que notamos é que desde cedo você tem queda por loiras, hein? – Jasper soltou e rimos. – Minha vez, o meu foi aos 10 anos, em uma daquelas brincadeiras de verdade ou desafio. Desafiaram a menina que eu gostava a me dar um beijo, coisa normal, só que ela se empolgou e acabou rolando o maior beijão.
— O meu foi aos 09 anos. – Jake informou. – Com uma menina da colônia de férias. Agora vai Edward, é sua vez e depois as meninas.
— Certo. O meu foi aos 10 anos, com uma menina da minha sala, o nome dela era Monica. Eu gostava dela e ela de mim, ainda não tínhamos beijado, então decidimos fazer isso juntos. Agora sua vez Alice.
— O meu aconteceu naquelas férias que fomos à praia. Eu tinha 11 anos e foi na balada, além de ser meu primeiro beijo, foi o namorado de verão. Rose, agora você.
— O meu foi atrás da escola com 11 anos também. O menino era do oitavo ano, então me dei muito bem, porque ele soube me iniciar direitinho...
— Nossa Rose, que safadinha. Pegando caras mais velhos – Alice comentou.
— Tem que ser esperta desde cedo cunhadinha. – Rimos enquanto Emm fechou a cara. – Agora você Nessie.
— O meu foi com um colega, no 3° andar da escola, depois do intervalo. Fomos lá e ficamos, tinha 11 anos na época.
— Chegamos a você Bella, pode contar.
— Tudo bem Emmett. Mas prometam não rir. – Todos assentiram. – O meu foi com um garoto da minha sala, já gostava dele há muito tempo, ai fomos para o acampamento e lá ele pediu para ficar comigo. Aceitei toda contente, não poderia perder essa oportunidade, depois que ficamos começamos meio que ter algo, só que vi no fim das contas que erámos melhor como amigos mesmo.
— Bella, você não falou com quantos anos foi. – Jake cobrou.
— Foi aos 14 anos, satisfeitos? E antes que pergunte Emm, sim, foi com o Thiago.
Os olhares de dividiram entre espantados e compreensivos.
— O que foi Emm? Agora não vai dizer nada?
— Não, só me pergunto como aguentou esperar tanto tempo. Quando tinha 14 já estava quase fazendo sexo e você ainda descobrindo o beijo.
Demos risada e com isso o clima ficou descontraído novamente.
— Sabe Emm, não ligo que tenha sido tarde, porque esperei para ser na hora certa e com o garoto certo.
— Então esse Thiago foi mesmo alguém importante para você?
— Sim Jas, além de gostar dele na época, ainda era um grande amigo.
— Sabe, estamos falando dos primeiros beijos das nossas vidas e o quanto foram importantes. Com isso me lembrei do meu primeiro beijo com o Jas, que com certeza é um dos mais especiais para mim.
— Realmente foi um dos mais importantes da minha vida também. Sabem de uma coisa? Já que estamos nessa sessão confidências, que tal contarmos agora do nosso primeiro beijo com nossos respectivos parceiros? – Jasper sugeriu.
— Por mim está beleza. – Jake foi o primeiro a responder.
— Estou dentro. – Emm falou.
— Vai ser interessante. – Rose comentou.
E vi Edward me olhando.
— Algum problema? – Indaguei.
— Não. Só quero saber se tem algum problema para você falar disso? Já que não somos mais um casal.
Seria besteira não falar, primeiramente por estarmos entre amigos e todos sabem que já tivemos algo. E depois, numa noite de lembranças, algumas recordações não farão tão mal assim.
— Não. – Respondi. – Por mim não tem nenhum problema. E com você? Tudo bem?
— Por mim está ótimo.
Ele sorriu e pensei que não teria problema nenhum repetimos à cena mais uma vez se for preciso, mas rapidamente espantei essas ideias erradas.
Chegamos ao consenso que Alice e Jas serão os primeiros.
— Vocês querem todos os detalhes ou só onde, quando e como? – Alice perguntou.
— O quanto menos soubermos melhor irmãzinha.
Edward soltou e Alice lhe mostrou língua começando a falar.
— Foi no primeiro ano.
— No baile da primavera.
— Saímos para tomar um ar e a noite estava linda com o céu estrelado.
— E eu disse. – Jas relembrou. – “Não importa quão intensamente brilhem as estrelas, nenhuma delas será capaz de brilhar tanto quanto você”.
— Ai não aguentei e o beijei. – Alice concluiu.
Fizemos um coro feliz, enquanto os meninos zoaram.
Jas sem se importar conosco beijou Alice.
— Certo. Já vi muita melação, está na hora de um pouco de atitude. – Emm falou. – Agora é a nossa vez ursinha.
— Certo. O nosso foi no primeiro ano da faculdade.
— Em um passeio que fizemos, já estava afim da Rose e aquilo só ajudou.
— Estava andando pelo parque distraída e só percebi a presença do Emm quando nos trombamos.
— Eu estava correndo e não vi a Rose, acabamos nos batendo e para não cairmos com tudo a segurei, porém o impacto foi tão forte que acabamos indo parar no chão, mas consegui protegê-la ficando por baixo.
— Quando vi quem era fiquei estagnada sem saber o que fazer. Emm aproveitando a situação me beijou e claro que retribui.
— Depois do maravilhoso beijo que dei, levantamos e passamos o resto do dia conversando. Viramos amigos, logo namorados e estamos juntos até hoje, não é ursinha?
— É claro ursão.
Rose lhe respondeu e os dois também se beijaram.
Estou começando a me preocupar com essa história.
Será que Edward e eu teremos que nos beijar também?
Não que seja contra dar uns lhe dar uns beijinhos, mas na frente de todos seria meio estranho, já que não temos nada propriamente dito.
— Agora quem vai? – Jas perguntou.
— Pode ser da Bella e Edward, o que acham? Jake e eu encerramos – Nessie sugeriu.
— Por mim tudo bem e para você Bella?
— Bem também, vamos começar... Foi em uma quarta-feira.
— Tínhamos ficado até mais tarde na escola por conta do castigo.
— Era por volta de umas três horas, mas estava muito escuro porque ao sairmos estava chovendo.
— Então você como sempre emburrou e disse que preferia ir à chuva a vir comigo de carro.
— Então você veio atrás de mim dizendo para parar de ser louca que não me deixaria ir sozinha.
— Mas como sempre continuou fazendo birra e foi andando até que a puxei e seu corpo se chocou contra o meu.
De repente nossos olhares se encontraram.
— Você me segurou e disse que não ia a lugar nenhum, nos aproximamos mais... – Completei.
— Vi o que estava prestes a fazer, meu subconsciente tentou me alertar dizendo “você é louco? Ela é a Bella!” Mas o ignorei e te beijei.
— E eu até tentei evitar no começo, só que foi mais forte do que eu. Não resisti mais e continuamos nos beijando, na chuva, até nos faltar o ar e pararmos o beijo.
— Depois tentei desconversar e falei pela ultima vez para irmos ao carro que te deixaria em casa e finalmente você aceitou.
— Fomos embora e ao chegar agradeci pela carona, te dei um beijo no rosto e sai. — Terminei concluindo nossa parte.
— Uau!
Três vozes soaram nos tirando da bolha.
— Não tenho culpa de o nosso ser o melhor. — Edward falou cheio de si.
— Sim, claro. Ainda nem contamos como foi o nosso. – Jake tomou a fala. — Vamos lá. Estava passando perto da casa de vocês, quando de repente vi a Nessie sentada num banquinho chorando.
— Estava chorando porque meus pais iam embora e sempre fui muito apegada ao papai, por isso estava triste. Jake chegou e sentou ao meu lado.
— Perguntei o que estava acontecendo e ela me contou tudo, a puxei para perto e aconcheguei-a em meus braços.
— Você foi tão carinhoso que quando parei de chorar olhei nos seus olhos e vi que podia confiar em você. Me aproximei e te beijei, não sabia se queria então fui me distanciar, só que antes de conseguir, você me beijou para valer.
— É claro que queria bobinha. Só que no primeiro momento achei errado, porque você estava mal e não queria me aproveitar, mas meu coração falou mais alto e não resistir em te beijar também.
— E quando acabou ficamos abraçados e depois daquele dia começamos a ter uma amizade mais colorida e aqui estamos. — Renesmee terminou e eles também deram um selinho.
Os meninos começaram a falar sobre de quem foi o melhor beijo, qual tinha sido com mais pegada, essas coisas que homens costumam falar.
Dispersando o assunto reparei nas horas notando que já está tarde, tão logo começamos a nos despedir e Edward novamente me ajudou com o Miguel, colocando-o no carro ainda dormindo e vim atrás com ele.
Ao chegarmos ao meu prédio Edward o carregou até o apartamento o deixando na cama, depois de trocá-lo para dormir, voltamos para sala.
— Hoje foi legal, não é mesmo? – Perguntou.
— Com certeza. Foi bom relembrar o passado.
— Sim e principalmente a parte dos beijos. Não sabia que você lembrava até o dia da semana do nosso primeiro beijo.
Não respondi propriamente, pois não posso deixar claro o quanto ele ainda é importante para mim e esses pequenos detalhes jamais sairão da minha cabeça, por isso mudei o foco da resposta.
— Você também se lembrou de muitas coisas.
— Claro, jamais esquecerei qualquer momento que vivi contigo Bella e isso me lembra de estar me devendo uma coisa.
— É mesmo? E o que seria? – Perguntei confusa.
— Você viu que todos deram um beijo depois de contar suas histórias, não é?! – Assenti levantei do sofá começando a andar pela sala. – E acho que deveríamos fazer algo semelhante...
— Mas não somos mais um casal. – Tentei desconversar.
— Só que matar as saudades não faz mal a ninguém.
Ele também levantou vindo à minha direção. Com isso fui andando até encostar-me à parede e ele me prender com seu corpo.
— Você não quer?
Perguntou parecendo meio inseguro.
É óbvio que quero, mas sei também que não é bom ficarmos nessa de amigos com benefícios.
Uma parte muito grande, diga-se de passagem, me diz para não pensar em nada e deixar acontecer.
Focando só na proximidade de seu corpo com o meu fechei meus olhos e o beijei.
O início foi suave com um leve roçar de lábios apenas para nos ligarmos. Depois quando ele realmente notou que o quero, aprofundou o beijo, nessa hora reconheci o Edward de antigamente, aquele que quando me beijava deixava minhas pernas bambas.
A partir do momento que o beijo se intensificou perdi a linha de tudo, querendo continuar aqui para sempre...
Agarrei seus cabelos e ele me pegou fortemente pela cintura, nos beijamos como se não fosse existir uma oportunidade como essa. O ar começou a faltar, porém mesmo assim ele não largou meu corpo, ao invés disso desceu beijos pelo meu pescoço e colo, suas mãos começaram a se infiltrar por baixo do meu vestido. E apesar de saber o que isso significa, não estou pronta ainda, pelo menos não agora.
Então assumi as rédeas da situação puxando seu rosto de volta ao meu, deixando sua boca se concentrar na minha e terminamos o beijo de uma maneira quente.
— Acho que você tem que ir trabalhar Edward.
— Eu sei, mas não quero sair daqui.
— Você tem que ir e não se preocupe logo nos veremos de novo.
Pisquei e ele me deu um selinho. Assim caminhamos até a porta.
— Nos vemos depois.
Ele ainda me beijou novamente e ao tentar aprofundar as coisas de novo o mandei embora.
— Vai Edward, boa noite.
Vá antes que perca a noção e faça algo que quero há muito tempo— pensei, mas guardei.
Ele saiu e fechei a porta encostando-me a ela, sentindo-me como uma adolescente de novo, tendo que expulsar o namorado de casa antes que o pai veja.
Ri dessa circunstância boba.
Tive que tomar um banho frio para acalmar as coisas e fui tentar dormir, consegui, porém sonhei a noite inteira com Edward...
CONTINUA.
Fale com o autor