Endless Love
28 2ª Temporada Capítulo 2 - Perdidos na Solidão Parte 2
Notas iniciais
POV Edward
Nova York – Fevereiro de 2007
Deitado na minha cama só consigo pensar em como minha vida se tornou isso...
Mais pareço um zumbi, só ainda não estou sem comer e fedendo porque minha mãe e Alice ainda veem me empurrar comida e minha mãe me arrasta para o banho de roupa e tudo. Por fim acabo cedendo e tomando um banho, porém não tenho mais ânimo para nada, passo os dias e noites pensando em Bella...
Não sai de casa desde que ela se foi...
No primeiro dia quando cheguei, meus pais e Alice estavam preocupados, porém não falei nada, apenas segui para meu quarto e eles deixaram passar.
O primeiro fim de semana enclausurado foi compreendido e eles entenderam me deixando ficar perdido em meus pensamentos e nas dores que insistiam em alastrar meu coração.
Já durante a semana as coisas foram mudando, eles não toleraram que ficasse apenas no quarto, fui obrigado a descer para as refeições, mas logo voltando a me enfurnar sozinho no cômodo, até o dia que Alice chegou contando novidades sobre Bella.
Imediatamente me animei e pedi que ela falasse tudo, na mera ilusão de saber seu paradeiro e poder ir atrás dela. Assim ela contou que os Swan receberam uma carta onde Bella dizia novamente que não voltaria e tão pouco queria que fossem procurá-la, que estava bem e buscando novos horizontes, que havia aderido a um novo motivo de vida.
Ao ouvir as palavras da minha irmã meu mundo novamente caiu, ela realmente não iria voltar, não tinha nada que pudéssemos fazer para mudar isso. Alice disse que Emmett e Charlie ficaram relutantes em aceitar essa ideia no início, mas sua Renée e Nessie trataram de convencê-los de que se Bella estava feliz longe daqui, o melhor a fazer era aceitar seus motivos e esperar que ela continuasse se comunicando e ficasse bem.
Aparentemente todos resolveram acatar seu pedido e seguir a vida normalmente como se ela nunca tivesse existido ou iludidos que a qualquer momento ela voltaria dizendo que tudo não passou de uma brincadeira e que nunca nos deixaria só.
Nunca me deixaria só...
Tive que passar pela tortura das festas de final do ano, tendo que dar sorrisos a pessoas que não queria ver, ser receptivo e educado quando não estava a fim.
Na virada do ano o que mais pedi foi uma luz, algo que me libertasse da dor. Que ela voltasse ou que pudesse encontrá-la, porém talvez também um modo de esquecê-la...
Foi no meio de janeiro que tive a primeira luz, resolvi usar minhas economias e contratar um detetive particular, se todos haviam desistido dela, eu não.
Mas não fui muito longe nessas ideias porque logo meus pais descobriram meu plano e levei o maior sermão do meu pai, até minha mãe me repreendeu, informando que até tentou falar com Renée a procura de uma notícia de Bella, mas não houve nada e se eles que eram os pais estavam de comum acordo com essa fuga, eu tinha que seguir em frente, que não deveria me afundar pela primeira namorada que me desse o fora.
O que nenhum deles consegue entender é que a Bella nunca foi apenas uma namorada, ela é a mulher que amo, a razão da minha vida...
Por isso ando tão perdido, ela se foi e levou meu rumo, quase que meu ar...
Depois desse dia voltei a me enclausurar e viver totalmente isolado, meus amigos vem me ver, menos Nessie, que por algum motivo criou uma antipatia por mim, com a alegação de que sua irmã foi embora por minha culpa.
Como ela pode continuar pensando isso sendo que estou praticamente definhando com a falta da Bella?
Todos tentam me tirar da fossa, mas nada será capaz de causar efeito nenhum, a não ser ela.
Meu ano letivo já está para começar e não estou nem um pouco animado com isso, sei que é loucura desistir da medicina, algo com que sempre sonhei, mas não estou com a mínima vontade de sair de casa, conhecer pessoas novas, enfrentar um mundo novo sem ela ao meu lado, minha força, meu porto seguro...
Minha família já está quase desistindo de mim, Alice e meu pai já falaram o que acham e que a escolha é minha de me afundar no sofrimento, apenas minha mãe ainda demonstra ter pena de mim e procura ainda de algum modo me tirar dessa bolha de torpor que me enfiei, sinceramente também queria sair, mas ainda não tenho ideia de como.
Ainda deitado estou ouvindo, ou melhor, mexendo nos botões do meu som mudando as rádios. Não quero ouvir nada claramente, porém não tenho coisa melhor a fazer, quando meu braço começou a doer por ficar na mesma posição me recostei na cama e deixei em uma rádio qualquer, percebi ser de músicas antigas pela canção que toca no momento, logo uma nova batida, dessa vez forte, começou a tocar...
Realmente não sou chegado a esse estilo de música, então me propus a mudar a rádio, porém quando a letra começou me interessei em ouvi-la, porque logo nas duas primeiras frases me senti conectado a ela...
Lembranças de você e de mim.
Rolam dentro da minha cabeça.
O modo como costumávamos ser.
Coisas que dissemos.
Ninguém nunca.
Me fez acreditar tanto.
Você me deixou perguntando a mim mesmo.
Como nosso amor deu errado?
Angelia.
Para onde você está correndo agora?
Angelia.
Tenho que fazê-la voltar...
Fico acordado à noite.
Espero o sol brilhar.
Ainda sinto você ao meu lado.
Seus lábios nos meus.
Sem nenhum aviso.
Você fez do nosso amor uma mentira.
Você disse que lamentava.
Mas nunca disse o motivo.
Oh…
Angelia.
Para onde você está correndo agora?
Angelia.
Tenho que fazê-la voltar...
Talvez o meu amor seja em vão.
Talvez você seja do tipo que magoa.
Não consigo mais suportar esta dor.
Tenho que tirar você da minha cabeça!
Paralisei diante de tudo que estou ouvindo.
O cara está vivendo a mesma situação que eu!
Amando uma mulher que se mostrou a mais perfeita possível e no fim das contas só o deixou com dor...
Tenho que tirar você da minha cabeça...
É isso!
Tenho que tirá-la da minha vida!
Assim como ela fez comigo e me mandou esquecê-la e seguir em frente.
Chega de chorar por noites esperando respostas para tudo que houve ou que de repente ela volte para meus braços.
Talvez realmente Isabella Swan seja do tipo de garota que magoa...
Tentei ser o que você queria.
Te dei tudo que eu tinha.
Você me deixou sem nada.
Nada além de uma fotografia...
Angelia.
Para onde você está correndo agora?
Angelia.
Por que você, por favor, não volta?
Angelia.
Para onde você está correndo agora?
Angelia.
Para onde você está correndo agora?
Para onde você está correndo agora...?
Fui tudo que ela quis, fiz de tudo por essa droga de amor e o que ganhei com isso no final? Um belo chute na bunda e uma fossa quase interminável, mas agora sim chegou ao fim.
A música terminou e o locutor da rádio anunciou.
— Essa foi Angelia. Grande sucesso que bombo nas paradas nos anos 80 na voz de Richard Marx. Vamos para um rápido intervalo e voltamos já.
Imediatamente peguei meu notebook que há tempos não uso e liguei conectando direto na internet, procurei a música e resolvi anotar o final da letra para ter como um mantra. O começo é depressivo demais e sofredor, mas no final parece que o carinha e eu caímos na real de que está na hora de tirar à vadia fodedora de corações da nossa vida...
Terminei de copiar e colei o papel em cima de uma foto de Bella e eu que ainda está sobre o criado-mudo, para toda vez que a olhe ao invés de sofrer pelo que já tivemos lembre claramente de quem Isabella Swan é agora!
O primeiro passo foi dado, mas não posso parar agora, com isso resolvi ir tomar banho e me arrumar, fiz a barba, lavei bem o corpo e meu cabelo que já está precisando cortar, mas isso resolvo depois, estando limpo já está de bom tamanho.
Sai do banheiro e procurei uma roupa para vestir, calça jeans, tênis, uma camisa e jaqueta, dei uma ajeitada no cabelo, passei perfume e me senti o arrasador de corações, como era antigamente, antes de conhecê-la.
Peguei minhas coisas e desci, encontrei meus pais na sala assistindo algo na TV, vi o olhar de espanto no rosto dos dois ao notar minha aparência.
— Vai sair filho? – Mamãe perguntou.
— Vou.
— E podemos saber para onde?
— Para recuperar minha vida pai.
Não esperei mais papo nenhum, peguei o carro e sai procurando curtição, uma vida nova ou a velha que nunca deveria ter abandonado.
Sempre soube que mulher era furada, mas o burro do meu coração resolveu intervir e olha só aonde vim parar.
No fundo do poço!
Mas isso acabou!
O Edward certinho bobo e apaixonado, Isabella matou quando foi embora!
Agora o cara mulherengo que só quer saber de aproveitar a vida está de volta.
E nada me impedirá ou me fará voltar atrás!
POV Bella
Los Angeles – Março de 2007
O começo do ano foi bem calmo e construtivo, o mês de janeiro passou praticamente como um borrão, entre ajudar na pousada, ir me adaptando a nova vida com a gravidez e a distância de casa, fui tentando me adequar aos poucos a todas as novidades.
Ainda não tive coragem de contar a ninguém que estou grávida, com o clima ainda frio pelo fim do inverno minha barriga de quatro meses ainda não é perceptível aos olhos dos outros por estar sempre andando cheia de roupas.
Não é uma questão de vergonha do meu bebê, pois o amo demais e adoro meus momentos sozinha onde fico acariciando e conversando com minha barriga. Só não quero ter que contar minha verdadeira história e ver pena nos olhos das pessoas por tudo que aconteceu comigo, não poderei esconder por muito mais tempo, mas até lá espero já conseguir lidar melhor com o assunto.
Minha gravidez está sendo ótima, a fase dos enjoos matinais já passou e me sinto muito bem, lembro-me do primeiro ultrassom que fiz como chorei feito boba ao ouvir o coraçãozinho do meu bebê.
Naquele momento tive real certeza que farei o que for necessário para proteger essa criança e lhe dar tudo que ela precisa, após o ultrassom não me contive em ligar para a avó e tia babona do meu filho, elas procuram sempre falar comigo e estar o mais próximas possível me dando todo apoio necessário.
Nessie com a ajuda da mamãe vendeu meu carro por um ótimo preço e o dinheiro já está na minha conta guardado para usar quando o bebê nascer, por enquanto, o que tenho e o que ganho na pousada têm dado para me virar muito bem.
Meu ano letivo também já começou e particularmente estou adorando, o ensino é mega puxado e estou tendo que me esforçar bastante para conciliar a vida de universitária, jovem grávida e trabalhadora, mesmo estando no início das aulas é importante que me saia bem, para o caso de precisar faltar ou de alguma dispensa quando o bebê nascer. Mas sei que conseguirei passar por tudo porque tenho um motivo maior para vencer.
Sai rápido da aula, pois tenho outro ultrassom marcado e talvez dê para descobrir o sexo hoje, se ele ou ela colaborar.
Despedi-me de alguns colegas que fiz ninguém tão importante ou especial como os que deixei para trás, mas esses são pessoas legais e trocamos conversas boas de vez em quando.
Passando pelos corredores observei uma menina colar um papel no mural de informações, depois que ela saiu resolvi só por curiosidade olhar o anúncio. Descobri que ela está procurando uma pessoa para dividir o apartamento, de preferência uma menina, ao fim tem o número do celular para contato em possível interesse.
Terminei de ler e segui meu caminho, almoçarei em um restaurante próximo a faculdade e depois irei direto para a consulta, mas no percurso não parei de pensar no anúncio.
Preciso de um lugar para morar, o quarto da pousada é bom, e Liam e Siobhan são ótimos comigo, porém logo terei um bebê e preciso de espaço, conforto e estabilidade para cuidar dele.
Talvez não seja uma má ideia dividir um apartamento com alguém, seria um gasto a menos do que bancar um sozinha e também ter uma pessoa para me ajudar caso precise, mas de repente refleti.
Quem vai querer dividir apartamento com uma garota e um bebê?
Universitários precisam de paz e tranquilidade para poder estudar e vai que essa garota seja uma festeira que adora fazer bagunça em casa? Não posso criar meu filho no meio de festas com adolescentes e jovens adultos cheios de hormônios. Esse é um assunto delicado e tenho muito a pensar.
Cheguei ao restaurante e por sorte encontrei uma mesa vazia próxima à janela, ao sentar logo fui atendida, pedi um prato leve de saladas e frango grelhado com suco de mamão.
Rapidamente o restaurante encheu com os jovens da faculdade entretidos em seus grupos, enquanto sou a única sentada sozinha. Quando a moça trouxe meu pedido já aproveitou para perguntar se não me incomodaria em dividir a mesa com outra pessoa por conta da lotação do ambiente, respondi que não tem problema, então ela voltou rapidamente com a garota do anúncio do apartamento.
— Obrigada. Não estava a fim de comer em pé. – A garota falou.
— Não tem problema, estava sozinha mesmo.
— Eu sou Angela. – Se apresentou.
— Isabella, mas pode me chamar de Bella, prazer.
— O prazer é meu. Você estuda na UCLA? – Assenti – Que curso faz?
— Comecei administração esse ano e você?
— Comecei esse ano também, psicologia. Estou tão animada com tudo à faculdade, meu curso, mal vejo a hora de começar a estagiar e me ver atuando na profissão.
— Vejo que você realmente escolheu a coisa certa, parece feliz com a escolha.
— E estou, desde sempre gostei de avaliar a mente das pessoas e me aprofundar nos variados tipos de problemas que elas têm, para no final tentar ajudar conseguindo uma solução lógica para o problema. – Ela parou de falar quando trouxeram seu prato e começamos a comer enquanto conversamos. – Mas e você? Pretende mesmo atuar na área ou faz para alguma especialização posterior?
— Assim como você, sempre quis trabalhar com isso, ter o controle de uma grande empresa sobre minhas mãos, me sentir responsável e importante para algo.
— Da para ver que você também está no lugar certo. – Concluiu.
— Angela, você colocou um anúncio procurando uma pessoa para dividir o apartamento, não foi?
— Sim, você leu meu anúncio? – Assenti. – Ganhei o apartamento dos meus pais como presente pelo ingresso na faculdade, mas é muito solitário e gostaria de dividir com alguém para as despesas ficarem mais baixas, sabe? Além de ter alguma companhia, às vezes sinto falta de casa e de toda agitação das pessoas ao meu redor. Você ficou interessada?
— Na verdade fiquei sim, não sou da cidade e estou vivendo em uma pousada, mas preciso de um lugar para morar e confesso que a ideia de dividir o apartamento com alguém me agradou muito.
— Ah, que ótimo, gostei de você e acho que nos daríamos bem juntas. O apartamento tem dois quartos um meu e outro que pode vir a ser seu, a sala, o banheiro e a cozinha são bem grandes e tem área de serviço, o prédio também oferece vaga para estacionamento. O único pedido que faço é de que não viva fazendo festas lá, não que não possa receber uns amigos qualquer dia, mas sempre, acho que seria ruim porque temos muito que estudar, caso tenha um namorado ele pode visitá-la sem problemas, só não quero encontrar ninguém em situações constrangedoras na sala, mas de resto tudo bem.
— Não se preocupe Angela, não tenho namorado e quanto às festas era um ponto que estava me preocupando porque também não sou muito fã de algazarras e seria incômodo morar numa casa barulhenta demais, não tenho amigos aqui então não precisa se preocupar com pessoas entrando e saindo do seu apartamento.
— Pois podemos ficar combinadas, você pode ir ver o apartamento e se gostar pode se mudar quando quiser.
Aceitei a ideia, mas com a cabeça martelando ainda por não ter falado o fator principal da minha mudança, não posso enganá-la sendo que ela está sendo tão gentil, terminamos de almoçar e antes que ela pudesse partir, decidi falar.
— Angela, tem uma coisa que não te contei, realmente quero poder morar com você, mas tem um detalhe importante que pode fazer nosso acordo não dar certo.
— O que é?
— É que estou grávida de quatro meses e se for morar com você, não teria apenas que dividir o apartamento com uma pessoa e sim duas, meu bebê e eu.
O silêncio se instalou, é agora que ela dirá que sente muito e que não poderá me receber.
— Não direi que não fiquei surpresa com essa revelação, você disse que não tinha namorado, mas isso também não é da minha conta. Mas escute Bella, escolhi meu curso e não foi à toa, desde nova tenho meio que o dom de ler as pessoas, enxergar um pouco além do que elas mostram e vejo que você é uma boa pessoa e agora mais do que antes sei que merece um lugar confortável para morar, portanto, não precisa se preocupar, ainda quero dividir meu apartamento com você e se quiser que nos tornemos amigas posso te ajudar no que precisar na sua gestação e depois quando o bebê nascer.
Meus olhos encheram de água, sempre fui mole por natureza, agora grávida, sou uma cachoeira ambulante.
— Obrigada Angela, por me aceitar sem julgamentos e pela oportunidade, pode ter certeza que quero sim ser sua amiga.
— Então ficamos combinadas, deixarei o endereço e meu telefone com você e quando estiver pronta para mudar é só me avisar. Infelizmente agora tenho que ir, pois tenho alguns materiais que preciso comprar para universidade, mas vamos nos falar, sim?
— Claro. Também tenho um compromisso agora, mas assim que voltar para casa te ligo e combinamos.
Após o combinado, pagamos e saímos juntas do restaurante, nos despedimos e cada uma foi por um lado.
Mal posso acreditar na sorte que tive! Talvez seja o destino querendo ajudar a acertar minha vida...
Tomei um táxi até a clínica, ao chegar fiquei esperando ser chamada e quando entrei a doutora perguntou como tenho passado se senti alguma anormalidade nesses dias, as perguntas de sempre. Depois pediu que fosse me trocar, quando deitei na maca e ela passou o gel colocando o aparelho em seguida deixando com que o som do coração preencha a sala mais uma vez me emocionei.
— Seu bebê está ótimo Isabella, ele tem por volta de 10 cm e pesa cerca de 50g.
— Nossa, é muita coisa, mas ao mesmo tempo ainda tão pequeno. – Falei surpresa.
— É sim querida, porém perfeitamente normal, agora estou vendo aqui. Você quer saber o sexo?
— Sim, claro. Já podemos ver?
— Certamente. O bebê veio animado e está com as perninhas abertas. Você terá um lindo menino.
— Menino?
A doutora assentiu e ficou vendo mais algumas coisas até encerrar o procedimento e falar que poderia me trocar.
Minha cabeça não para de processar a imagem de um bebê branquinho com cabelos, olhos, nariz e boca do pai, será que ele parecerá muito com Edward? Ou virá com algo meu? De todo modo não importa, contanto que venha com saúde é o que realmente importa.
Terminei a consulta com mais uma lista de novas recomendações e sai da clínica resolvendo andar um pouco, rodar pela cidade e pensar.
Inundada de alegria por ter um menino, resolvi compartilhar a novidade com alguém.
— Alô.
— Oi Nessie.
— Bella! Oh, nossa. Que saudade. Como você está? E o meu sobrinho ou sobrinha?
— Pode perguntar por um só, acabei de sair da clínica, fiz mais um ultrassom e a doutora me disse o sexo do bebê.
— Sério e o que é? Me fala logo, pois estou morrendo de curiosidade.
— É um menino.
— Ah, que tudo! Parabéns irmã. Agora sei que terei um sobrinho e ele será lindo perfeito, muito amado e mimado por essa tia aqui.
Imediatamente uma ideia iluminou meus pensamentos e não tive dúvidas de que é o melhor a ser feito.
— Nessie, liguei porque queria compartilhar essa notícia com alguém e não pensei em pessoa melhor para saber da novidade do que você que esteve comigo desde o momento em que soube e em todas as horas. Então quero te fazer um convite.
— Convite, que convite?
— Você quer ser a madrinha do meu filho?
— Madrinha? Ah, Bella. É claro que quero! Já amo esse bebê demais e prometo cuidar e protegê-lo de tudo, mas também enchê-lo de mimos e muito amor. O que disser que ele não pode ter farei exatamente o oposto.
— Não diga isso ou posso tirá-la do posto. – Brinquei.
— Não pode não, convite feito, convite aceito e não pode voltar atrás. Mas nossa, estou muito feliz, duas notícias boas em um mesmo dia.
— E ainda tenho mais coisas para falar.
Contei sobre Angela e a proposta de dividirmos o apartamento, ela me deu total apoio e falou que assim que puder virá me visitar.
— E as coisas ai? Como estão?
— Bem, o colégio não é mais tão legal depois que vocês saíram e muitas pessoas perguntam de você, falo que decidiu ir fazer faculdade em outro lugar e que está bem. E o resto do pessoal estão bem também, alguns melhores que outros...
Ela sussurrou a última parte, acredito que não intenção que não ouvisse, porém o fiz.
— Que outros Nessie?
— Nada. Ninguém. Deixa para lá.
— É sobre ele, não é? Se quiser comentar algo tudo bem, vou ouvir, senão, não me importo.
— É só que ele está mudado, quando você foi embora Alice falou que ele passou um tempo enclausurado meio que amargurado com a vida ou na fossa, não sei dizer, por que não o vejo desde o dia que você se foi. Só que de uns tempos para cá ela contou que ele mudou, no primeiro dia que resolveu sair do estado de torpor que se encontrava, ele passou a noite toda fora e eles não fazem ideia de onde ele se meteu. E depois desse dia ele tem passado muito tempo fora de casa, chega de madrugada, sempre bem alegrinho e isso tem continuado até depois que começaram as aulas. Alice falou que não sabe se ele continuará na faculdade por muito tempo com as atitudes que anda tendo, eles sabem que ele sai para beber e se divertir como ele fala, mas os Cullen estão com medo de ele estar envolvido até com drogas.
Arfei!
Isso não pode ser verdade!
Por mais magoada que esteja ainda o amo e ele é o pai do meu filho.
Não desejo mal a Edward, ainda mais com algo tão sério assim como drogas.
— Bella? Você está ai? Responde.
— Estou sim. É só que fiquei surpresa com isso.
— Sabia que não deveria falar. Você não pode receber emoções fortes.
— Estou bem, não se preocupe, mas será mesmo que ele pode estar envolvido com drogas Nessie?
— Sinceramente não tenho certeza de nada, Jake também está preocupado, mas ele não acha que Edward possa estar envolvido com algo tão grave assim, pelo o que ele observou. Edward voltou ao jeito que era antes de te conhecer, saindo para farra com diversão e mulheres.
— Acho que Jake está certo. Edward não seria burro a esse ponto, estragar a própria vida assim. O que ele queria era diversão e liberdade e está usufruindo dela, o deixe viver sua vida feliz. – Conclui.
Conversamos mais um tempo até encerrarmos a ligação...
— Que Edward encontre sua felicidade assim como queria, longe de mim. E eu vou conquistar a minha com nosso filho, longe dele.
Declarei internamente, sabendo que tenho muito a seguir no meu caminho...
***
Olhando-me no espelho não tenho como negar que estou enorme.
Mas não um enorme ruim, o motivo da minha mudança corporal se deve ao fato do meu filho estar crescendo forte e saudável no meu ventre, com pouco mais de sete meses de gestação minha vida está mais corrida do que nunca. Estamos quase chegando ao fim de junho e muita coisa aconteceu nesse meio tempo.
No dia em que conheci Angela e descobri que esperava um menino, além de conversar com Nessie, falei também com minha mãe, deixando ambas atualizadas sobre as novidades.
Mamãe ficou meio insegura sobre ir morar com uma pessoa desconhecida, mas a tranquilizei dizendo que confiava em Angela e que ela seria uma ótima pessoa na minha vida e não me enganei.
Na mesma semana mudei para meu novo lar, como Angela falou o apartamento é muito bom e meu quarto é grande e confortável, desde que mudei ela começou a fazer planos de decoração que poderíamos fazer no quarto para viver confortavelmente com meu filho quando ele nascer.
Ang, como passei a chamá-la depois de um tempo com a convivência, virou realmente uma grande amiga, a melhor que poderia ter conhecido aqui, sempre conversamos muito, mas às vezes ela sente que quero ficar um pouco sozinha e respeita meu espaço, até hoje ela não pressionou para saber minha verdadeira história, ela sabe que meu filho é fruto de um relacionamento anterior e que minha família sabe da gravidez e me apoia, na verdade só meia família, mas, por enquanto, foi o que pude contar, sabemos que não conseguirei esconder tudo por muito mais tempo, porém ela continua esperando pacientemente o momento de me abrir chegar.
Quando o inverno se foi e minha barriga estava crescendo a ponto de não conseguir esconder, algumas pessoas levaram um choque por saber que estava grávida. Liam e Siobhan foram uma dessas, Liam ficou tão preocupado que tivesse engravidado depois que cheguei, sob seus cuidados, mas tratei logo de contar a verdade ou a verdade que estou contando a todos, então novamente eles foram muito gentis e compreensivos. Siobhan começou a me dar dicas e ensinamentos de maternidade que adorei receber.
Continuo ajudando-os até hoje, é um meio de me distrair, estar em um lugar com pessoas queridas e ainda receber algum dinheiro enquanto não consigo um trabalho melhor ou na minha área.
A universidade continua incrível, depois da primeira semana que todos notaram minha gravidez, algumas pessoas um pouco mais próximas vieram falar comigo, mas logo entenderam que estou feliz e muito ansiosa para ter meu bebê e não é nada anormal ter uma jovem grávida entre eles, rapidamente todos pareceram aceitar ou apenas ignorar minha gravidez.
As aulas continuam bem puxadas, porém estou me esforçando ao máximo para fechar meu primeiro semestre bem e mostrar a todos que sou capaz de seguir minha vida dignamente e ainda dar o melhor ao meu filho.
No mais a vida tem caminhado perfeitamente bem, já estou começando a arrumar as coisas para quando meu filho chegar. Comprei o conjunto de quartinho com berço, uma cômoda, cadeira de amamentação, entre outros utensílios. Angela, Nessie e mamãe vivem comprando presentes e me ajudando a fazer o enxoval do bebê, e assim tenho quase tudo e as poucas coisas que ainda faltam, até seu nascimento darei um jeito de comprar.
Hoje, por exemplo, estou guardando novas pecinhas, Angela insistiu tanto que acabei aceitando que ela faça um pequeno chá de bebê, não sou lá muito sociável com outras pessoas a não ser ela, mas ainda terei umas convidadas.
Será uma pequena reunião com umas três ou quatro garotas da minha sala, mais três da turma de Angela que conheço e converso um pouco principalmente quando elas veem no apartamento. Siobhan e umas moças que trabalham comigo na pousada também comparecerão.
Todas estão sendo tão legais comigo e querem participar, que no fim das contas falei por que não? E aqui estamos nós.
Angela saiu por um instante enquanto continuo a arrumação de roupas novas na cômoda do bebê.
Caramba, Nessie está certa, preciso decidir o nome logo, é difícil ficar me referindo a ele apenas como filho ou bebê. Nessie, como madrinha, está louca para me ajudar nessa tarefa, até achei interessante no início, mas quando ela começou a dar sugestões como Harry, Rony, Sirius, Landon, Scott, Noah, Tyler e Damon, comecei a notar que ela não estava verdadeiramente querendo batizar o afilhado, mas tive a confirmação quando ela sugeriu o nome Barney.
Foi ai que conclui que a louca da minha irmã estava dando sugestões com nome dos personagens preferidos dela, depois que identifiquei isso falei que meu filho não era nenhum bichinho de pelúcia e uma hora ou outra decidirei pelo melhor nome, pelo menos é o que espero...
— Hey filho, nunca pensei que fosse tão difícil assim escolher um nome, mas não se preocupe antes da sua chegada encontrarei o nome mais perfeito do mundo, especialmente para você. – Acariciei minha barriga e voltei aos afazeres.
Depois dos cinco meses comecei a ficar ansiosa para sentir o bebê mexer, às vezes sinto pequenos tremores, mas não posso afirmar se é alguma movimentação dele ou reações do meu corpo. Conversei sobre isso com minha doutora e ela falou que varia para cada gestação, mas que ele está muito bem e dará um sinal à mamãe ansiosa quando estiver pronto.
Distraída comecei a cantarolar uma música que chegou de repente a minha cabeça. Ela me lembra da infância e traz uma sensação boa de paz e tranquilidade, em certa parte da letra uma lembrança surgiu.
...Quando cheguei à sala vi que Edward está de olhos fechados e cantando também, só que a outra parte da canção.
Parei de cantar para prestar atenção a sua linda voz, caminhei até me aproximar, coloquei os mousses na mesa e me juntei a ele para cantarmos o último refrão.
E eu quero que o mundo inteiro. Ouça agora a nossa voz.
Eu sei! Com o nosso amor. Onde quer que eu vá. Meu lar. É quando estou contigo.
Eu vou. Seja aonde for. Só para te encontrar. E te abraçar. Com o nosso amor.
Eu vou com o nosso amor...
Ele abriu os olhos e me puxou para o seu colo.
— Não sabia que você conhecia essa música. – Comentei.
— Fez parte da minha infância, você cantando agora me lembrou.
— Sempre amei os filmes e acho essa música muito especial, ainda mais agora que compartilhei com você.
— Então ficamos combinados, a partir de hoje essa música será nossa e vamos sempre recordar dela em momentos especiais.
— Adorei a ideia. – Selamos o compromisso com um beijo...
Sentei na cama para tentar acalmar minha respiração.
Me lembro desse momento como se fosse ontem, tínhamos acabado de começar a namorar e ele foi passar uma tarde lá em casa, no meio disso cantamos a música e prometemos que ela seria nossa.
Ao mesmo tempo em que parece ter sido ontem, trouxe uma sensação de distância tão grande...
Mesmo depois de sete meses longe ainda o amo, com a mesma intensidade, como se fosse à primeira vez.
De repente senti uma movimentação no meu ventre, paralisei, será? Será que é meu bebê me dando algum sinal?
E meio que para confirmar minhas suspeitas, senti o mesmo movimento, dessa vez um pouco mais intenso, deixei as lágrimas rolarem sem freios.
— Oi bebê, esperei tanto para sentir você e agora não consigo controlar a emoção.
Voltei a conversar com ele, mas foi ai que uma suspeita surgiu.
Procuro não pensar muito em Edward, ainda mais pensar que ainda o amo e no momento que deixo nossas lembranças voltarem, da nossa música, nosso filho resolve se manifestar também.
— É isso filho? Você está dizendo que também ama seu pai?
Minha barriga mexeu novamente as lágrimas simplesmente não param.
— Eu sei querido, também amo seu pai, mas, por enquanto, somos apenas nós dois, porém não se preocupe te darei todo meu amor e espero que você me ame um pouquinho também. Não importa como estejamos hoje, você foi feito com muito amor e é isso que passarei a frente. Você é o melhor presente que Deus poderia ter me dado.
Em meio à conversa veio também uma constatação.
— Acho que acabei de decidir seu nome, bebê. Como disse, você é meu presente de Deus e me lembro de ter visto uma vez um nome que significava semelhante a Deus. E como não queremos deixar seu pai de fora, iremos homenageá-lo também, porque ele é um grande responsável por trazê-lo a mim. É isso filho, seu nome será Miguel Anthony.
Minha barriga mexeu mais uma vez e antes que pudesse continuar a conversa, meu celular tocou, olhei no visor constatando que é a Nessie.
— Olha Miguel, sua madrinha está ligando. Vamos aproveitar para contar a novidade a ela.
Empolgada atendi de pronto.
— Oi irmã.
— Oi Bella, tudo bem?
— Mais do que bem e com você?
— Estou ótima. Desculpa te ligar agora, é que sei que hoje será o chá de bebê, mas depois do colégio tenho umas coisas para resolver e a noite vou sair com o Jake, então não teríamos mais tempo de nos falar.
— Tudo bem, não tem problema, foi bom que você tenha ligado agora, pois finalmente escolhi o nome.
— Sério? E qual será o nome do meu maravilhoso afilhado?
— Miguel Anthony. Não sei se você sabe, mas Miguel significa semelhante a Deus e Anthony é em homenagem ao pai dele.
— É um lindo nome, realmente muito bonito, adorei.
— Sei que você deve estar pensando que sou louca de colocar o nome do Edward no meu filho, mas querendo ou não é dele também. E mesmo que os dois nunca saibam, quero que meu filho tenha algo do pai, além do que, Miguel meio que escolheu isso. Já que mexeu quando me lembrei do Edward e continuou mexendo enquanto pensava nele. Então, por mais que queira evitar, os laços sempre vão existir.
— Eu sei Bella e sua atitude é linda. Pena que ele não possa desfrutar disso, que não esteja merecendo desfrutar de algo assim...
— Ele continua do mesmo jeito?
Mesmo querendo me abster um pouco dos assuntos voltados a Edward, Nessie ainda me mantém um pouco informada sobre ele.
— Sim, ninguém sabe o que ele pretende da vida, saindo quase todos os dias voltando tarde, Alice falou que às vezes ele chega só na tarde do outro dia, eles perguntam sobre seu paradeiro e Edward diz que chegou da faculdade. Ninguém sabe como ele está conseguindo levar essa vida agitada e os estudos, e o que eles mais temem é que ele resolva lagar à faculdade uma hora ou outra.
— Não entendo porque ele faz isso, medicina sempre foi seu sonho de vida. Estudar na Columbia. E agora fica levando as coisas assim? Sabia que ele iria viver essa vida livre, mas não consigo associar isso a essa ideia de perder algo que ele realmente gosta.
— Talvez ele tenha nos enganado até nisso. Bancado o bom menino e responsável que queria ser médico e agora não quer mais.
— Pode ser, mas espero de verdade que ele tome jeito, pelo bem de todos, sabe?
— Sei, mas vamos deixar esse assunto de lado e me inteire das novidades do Miguel.
Incrível como o nome pegou rápido.
Conversamos por mais um tempo até que ela teve que desligar e voltei as minhas funções até a chegada da Angela.
— Oi Bella, oi bebê.
Nos cumprimentou passando a mão na minha barriga.
— Miguel. – Respondi.
— Como?
— O nome dele. Eu escolhi, vai ser Miguel.
— É lindo Bella, parabéns. Agora que já temos um nome acho que terei que sair de novo e comprar aquelas letras de aniversário para decorar a sala e todas saberem o nome do bebê.
Assenti e saímos do quarto para conferir o que ela comprou, ficamos conversando por um tempo distraidamente.
— Como o mês passa rápido, da para acreditar que hoje já é dia 20?
Imediatamente fiquei em choque.
— Angela, que dia você falou que é hoje?
— 20 de junho.
Me escorei no sofá.
Meu Deus! É aniversario dele e meu filho mexeu.
— Bella, o que houve? Vem, senta. O que você tem? Quer ir ao médico?
— Não Ang, está tudo bem. Só preciso respirar. É que você falou a data e me lembrei de uma coisa.
— O que foi?
— Hoje é aniversario dele... Do pai do Miguel.
— Ah querida, não pensa nisso.
Ela sentou do meu lado me abraçando.
— Há um ano, nesse mesmo dia, saímos juntos meio que como um casal pela primeira vez. Ele me pediu um dia de liberdade total para vivermos tudo que sentíamos e foi lindo. E poucos dias depois, na sua festa de aniversário, ele me pediu em namoro. E agora, apenas um ano depois, estou aqui longe dele e esperando um filho que não tenho certeza se ele sabe ou não, mas espero que não saiba, porque não aguentaria se meu filho tivesse sido rejeitado pelo pai, o homem que mais amei na vida.
— Bella, não pensa nisso, não vale a pena.
— Eu preciso falar Angela, tentar tirar um pouco disso de mim e espero que você esteja pronta para ouvir.
— Claro, pode falar, estou ouvindo.
Contei tudo a ela, desde o início, nos mínimos detalhes, como foi toda nossa relação, cada momento bom e ruim, as coisas sem importância e os melhores momentos da minha vida.
Pensei que doeria mais falar disso com alguém, mas foi até que confortador colocar tudo para fora. Contei sobre a carta, de como decidi vir embora e a verdade sobre o que todos sabem e a parte da minha família que sabe de mim.
— Nossa. Não imaginava que tivesse acontecido tudo isso. É uma linda história Bella, tirando o final, é claro, mas o ser humano é assim, talvez ele realmente ainda te amasse, mas não estava pronto para seguir em frente, porém pode ser que algum dia vocês se encontrem e voltem do ponto onde tudo parou ou comecem de novo. Vai depender do destino. Se estiverem destinados a ficar juntos, não importa o tempo, à distância e as adversidades, um dia vocês encontrarão o lugar. E também tem o Miguel, ele é o melhor presente que você poderia ganhar e um elo que unirá vocês dois para sempre, então tente deixar o passado, por enquanto, para trás. Um dia se precisar, você se reuni com ele de novo, agora é olhar para o futuro e pensar no lindo bebê que terá e em tudo que ele trará a sua vida.
— Obrigada Angela, por tudo. Por ser minha amiga, me dar apoio, ouvir, você é realmente um anjo.
— Que trocadilho infame, hein Bella? – Rimos. – Mas não tem de quê, amigas são para isso e pode contar comigo para o que precisar. Agora sem mais choro, vamos nos arrumar que temos um chá para terminar de organizar.
Assenti me motivando a ajudá-la. Afinal, ela está certa, tenho que deixar o passado para trás e viver o agora.
Um dia talvez nossos caminho se cruzem de novo, mas até lá, só Deus poderá me dizer o que deve ser feito...
***
O tempo tem passado voando agora no final da gravidez. Completei minhas 40 semanas agora pouco e já me sinto muito pronta para dar a luz, tem faltado espaço para Miguel na minha barriga e está ficando cada vez mais difícil coincidirmos juntos, minhas costas doem, minha bexiga há muito que desregulou meus pés às vezes incham e dormir quase não é possível também.
Na minha última consulta a doutora falou que o bebê e eu já estamos prontos, só esperando a hora certa de agir, nesse tempo de final da gravidez procurei pesquisar muito sobre o parto, seus sintomas e como proceder diante de tudo, sei que na hora talvez me desespere, como acontece com a maioria das mães, mas também espero conseguir pensar com calma e torcer para que tudo dê certo comigo e meu filho.
O segundo semestre de aulas da faculdade começou e continuo me esforçando nas matérias para quando Miguel nascer não perder muita coisa pelos dias que ficarei em casa.
No meu mês de férias terminei de organizar tudo que faltava para a chegada do Miguel, deixamos o quartinho pronto e ao entrar nessa semana até minha mala e a do bebê já estão prontas para qualquer eventualidade.
Mamãe e Nessie estão loucas querendo vir ficar comigo, mas as tranquilizei e pedi para esperarem um momento mais oportuno, ninguém poderia desconfiar do sumiço das duas e também conto com o apoio das pessoas queridas que conquistei aqui, de qualquer forma estou bem assistida.
Hoje acordei com um pouco mais de desconforto do que o normal. Minha barriga parece pressionar para baixo e minhas costas estão me matando, mesmo assim levantei da cama e fui fazer minhas atividades normais, depois de um banho relaxante e tomar café sai em direção à faculdade.
A manhã passou mais lenta do que o costume e a aula de ética me deu um sono além do normal, mas pelo menos as horas sentadas fizeram com que minha barriga tivesse apoio e não incomodasse tanto, quando terminou a aula fui direto a pousada e almocei por lá como faço geralmente, logo depois assumi minhas funções do dia e fiquei esperando que o desconforto passasse.
Contrariando meus pedidos, as dores só aumentaram e em determinado momento da tarde comecei a sentir umas pontadas vindo do centro das minhas costas passando pela barriga e atingindo meu baixo ventre, quando elas começaram a ficar regulares e diminuir no intervalo de quarenta e cinco minutos, entendi que estou entrando em trabalho de parto.
Tentei respirar fundo e não me desesperar, não adiantará nada fazer isso agora, minha bolsa não rompeu e com esse intervalo ainda estou segura.
Passei o resto da tarde controlando as contrações, anotando o intervalo que elas veem e vendo como meu corpo reage. Quando meu expediente terminou pedi para Liam me levar para casa, pois tinha certeza que não aguentaria fazer a caminhada nesse estado, quando cheguei resolvi me deitar um pouco no sofá, o apartamento está silencioso, Angela provavelmente saiu para algum lugar...
Tirei um breve cochilo e quando acordei olhei pela janela encontrando o céu já estava escuro, indicando a presença da noite. Resolvi levantar e tomar um banho, senti meu estômago se contraindo mais uma vez e agora as dores já estão mais fortes, esperei um tempo e percebi que o desconforte está agora com menos de dez minutos de diferença.
Segui ao banheiro e no momento em que estava me despindo senti um líquido escorrer pelo meu corpo, observei atentamente comprovando que minha bolsa finalmente rompeu, tentando ainda controlar a situação, prossegui com meus planos de tomar o banho.
Deixei a água quente relaxar um pouco meu corpo, mas as pontadas estão cada vez piores e mais rápidas, terminei de me lavar e enrolada na toalha sai do banheiro em direção ao meu quarto.
Quando entrei encontrei Angela sentada na minha cama.
— Oi Bella, tudo bem?
— Oi Ang, tudo sim, você pode ajudar? É que estou em trabalho de parto.
— Ah, claro... Você está em quê?
Ela gritou me assustando no processo.
— Angela, fica calma que preciso de você agora. Li muito sobre o parto e estou tentando me manter sã, mas preciso do seu apoio.
— Tudo bem, vou tentar me acalmar, mas o que você está sentindo?
— Estou com contrações há bastante tempo, agora elas estão vindo em menos de cinco minutos cada e minha bolsa acabou de romper. – Informei.
— Certo. Vou ligar para Liam vir te buscar e ajeitar as coisas para irmos ao hospital, ok?
Assenti e ela saiu do quarto, resolvi vestir algo leve e fácil de tirar depois, coloquei um vestidinho com um casaquinho por cima e sapatilha, prendi o cabelo em um rabo de cavalo e sai em direção à sala.
— Pronto amiga. Liam e Siobhan já estão vindo, vai dar tudo certo.
— Eu sei amiga, tenho fé nisso.
Não demorou muito e os dois apareceram para me levar ao hospital, o caminho até que foi tranquilo, tentei ao máximo continuar me controlando pelo bem do meu filho, mas está começando a doer bastante e a ansiedade pelo momento está querendo me tomar também.
Ao chegarmos ao hospital fizeram minha ficha e logo fui encaminhada para a sala pré-parto, eles ligaram para minha médica e fui sendo arrumada para esperar. Fizeram meu exame de toque e viram que estou com quatro centímetros de dilatação.
— Meus parabéns mamãe, você fez tudo corretamente controlando todas suas contrações e se regulando durante o dia, para uma mãe de primeira viagem você está se saindo muito bem. – Uma enfermeira falou.
— Obrigada.
— Agora é só esperar, pouco a pouco sua dilatação vai aumentar, mas você já está quase pronta, só daremos uma anestesia quando o parto estiver mais próximo e ai será com você.
Assenti e ela saiu do quarto me deixando descansar, estou ligada a aparelhos que medem minha pressão, batimentos e os do Miguel.
As horas foram passando e já entramos na madrugada, foi então que minha doutora, acompanhada por Angela, entraram na sala. Ela novamente fez o exame de toque e confirmou que estou pronta, assim pediu para virem aplicar a anestesia e aproveitei para falar uns instantes com Angela.
— Ang, você poderia ligar para minha mãe e Nessie? E falar que o Miguel vai nascer? Diga que está tudo bem e que elas não precisam se preocupar com nada e quando puderem vir, já encontrarão o mais novo membro da família em casa.
— Aviso sim amiga, estava só esperando amanhecer por lá para avisá-las, vai ficar tudo bem e você trará nosso menino com muita força e saúde.
— É o que espero.
Uma enfermeira entrou no quarto e aplicou uma medicação no meu soro que imaginei ser um anestésico, então a doutora falou.
— Isabella, você pode ter um acompanhante se quiser.
Pensei por um segundo, mas a única pessoa que gostaria de ter ao meu lado nesse momento não está aqui comigo e nem poderia, tentei não me deixar abater com esse fato, mas mesmo assim decidi ir sozinha, mais uma vez tenho que ser corajosa e encarar as escolhas que fiz.
Meu filho precisa de mim e estarei lá para ele.
— Não doutora, vou sozinha mesmo.
— Pois muito bem, podemos ir à sala de parto.
— Tchau Bella. Tenha um bom parto.
Ang desejou me dando um beijo na testa e saindo da sala, rapidamente eles me transportaram para outra acomodação onde uma equipe com minha médica, enfermeiras e pediatra esperam.
Tudo foi acontecendo naturalmente, apenas sigo as orientações da médica e continuo fazendo força nos momentos propícios. Meu cabelo está todo desalinhado, estou completamente suada e ficar fazendo força nessa posição não é tão legal assim, não é legal mesmo.
Estou me esforçando ao máximo, porém Miguel insiste em continuar dentro de mim.
— Força Isabella. Você consegue. Estamos próximas, vamos.
— Por favor, filho vem logo. A mamãe quer conhecer você.
Pedi antes de mais uma contração e pedi a Deus força para continuar nesse momento.
Quando a contração veio coloquei toda minha determinação em trazer meu filho, meu presente de Deus ao mundo e finalmente consegui!
Projetando meu corpo na forma correta vi a doutora retirar um pequeno serzinho de dentro de mim.
Seu choro foi como um sopro de vida me fazendo entender realmente o sentimento de ser mãe.
— Parabéns Isabella. É um garoto muito saudável.
— Eu quero vê-lo. – Implorei desesperada e ansiosa.
Uma enfermeira o enrolou em um pano e trouxe para perto do meu rosto, quando vi de perto aquela coisinha comecei a chorar junto com ele, como um bebê, o meu bebê.
— Você é lindo, eu te amo.
— Vamos levá-lo para os primeiros cuidados e tratar de você também, logo ele volta para os braços da mamãe e para a primeira mamada.
A médica informou, mas não consegui prestar atenção em mais nada que não fosse meu filho sendo cuidado pelas enfermeiras e o pediatra.
Eles também fizeram mais algumas coisas em mim e logo fui retirada da sala e levada a um quarto. No percurso o cansaço e a sonolência foram me dominando e nem percebi quando adormeci...
Acordei ouvindo um leve resmungo e meio desorientada fui abrindo os olhos e imediatamente achei o responsável pelo barulhinho.
— Olha mamãe quem veio ver você.
A enfermeira falou trazendo meu filho e colocando-o nos meus braços, quando acomodei aquele pequeno embrulho perto de mim senti como se tivesse nascido também naquele dia, naquele momento.
Sou uma nova pessoa agora, não mais a Isabella filha, irmã, amiga e mulher, agora sou tudo isso e muito mais, agora sou uma mãe...
Ele é perfeito, comecei a analisar todos seus traços, o nariz e a boquinha pequena, os dez dedinhos nos pés e nas mãos, seus bracinhos e pernas tão frágeis, seus olhos ainda estão fechados e já estou louca para ver de que cor são.
— Seu bebê é muito saudável, os primeiros exames já foram feitos e está tudo bem, agora vamos à primeira mamada?
Ela perguntou e assenti entusiasmada, recebi ajuda para abaixar a camisola do hospital e orientada de como dar meu peito e fazer com que ele mame direito sem inalar o ar.
Depois da explicação fui colocar em prática, ajeitei Miguel como ela havia ensinado e quando sua boquinha se uniu ao meu corpo novamente me senti no céu. Doeu um pouco de início, mas a sensação de ser a fonte de vida daquele bebê compensa todo o resto.
Estou alisando sua cabecinha de fios ralos e ainda não é possível identificar a cor, observando também sua boquinha sugando meu leite. Mas quando ele resolveu abrir os olhos fiquei em choque e ao mesmo tempo maravilhada, vendo o tom verde penetrante presente ali, assim como seu pai...
— Você não precisava de um motivo a mais para fazer com que me apaixonasse por você, filho. Mas sinceramente, estou feliz que tenha os olhos dele, era uma das coisas que mais amava e agora continuarei amando em você. Eu te amo filho e prometo que ficaremos juntos para sempre.
Prometi ao meu bebê que continua mamando e me encarando com aquela imensidão profundamente verde.
Desviei os olhos por um instante e observei a enfermeira escrever algo no meu prontuário e quando vi eram os dados do parto.
Miguel Anthony Swan chegou ao mundo às 3h35min do dia 13 de agosto de 2007.
Voltei meu olhar ao Miguel constatando que com certeza esse é o melhor dia da minha vida...
CONTINUA.
Fale com o autor