Endless Love
43 2ª Temporada Capítulo 17 - Em Família
Notas iniciais
Os primeiro dias de janeiro foram corridos, todo início de ano é, mas a rotina familiar acabou por nos deixar mais atribulados de compromissos.
Foram coisas da escola do Miguel. Assuntos financeiros, com toda a papelada de acertos de contas e dos nossos carros.
Depois que cheguei, voltei a me consultar com a doutora Carmen, a antiga ginecologista de quando morei aqui em Nova York.
De resto, tudo vai bem e ao passar das primeiras semanas, conseguimos colocar os pontos em ordem e seguir com nossa confortável rotina.
Na empresa, como semestre passado foi o primeiro e de adaptações, algumas partes foram deixadas para serem acertadas agora.
No final do ano, enviamos requerimentos para equipar o quadro de funcionários, todos os setores serão preenchidos com profissionais que estejam dispostos a ser o novo nome da empresa e fazer da filial de Nova York, uma das melhores.
Sendo assim, sou a responsável por fazer as seleções finais, para cada área foi designado um total de candidatos. Onde foi avaliado o currículo de cada um e depois os selecionados passarão a uma entrevista comigo, para a tomada de decisão final.
Com isso, minha semana está atribulada de responsabilidades, a todo o momento entram pessoas em minha sala. Pessoas competentes, em busca de um sonho profissional e sou a encarregada de decidir se poderão fazer parte da empresa ou não.
E hoje pelo visto, será mais um dia de grandes decisões. A julgar pela próxima pessoa que entrevistarei.
— Nina, pode pedir para a próxima candidata entrar, por favor?
Solicitei através do nosso ramal telefônico.
— Pode deixar Bella, já vou encaminhá-la.
Desliguei e fiquei esperando Nina entrar acompanhada pela moça.
— É aqui, pode entrar. A senhorita Swan vai atendê-la.
— Mas, como...
Ela entrou no meu campo de visão e sorri diante do seu espanto.
— Pode sair Nina. Se precisar de algo mais, chamarei. Obrigada.
— Tudo bem Bella, com licença.
Assenti e ela saiu fechando a porta.
— Pode sentar senhorita Renesmee Swan.
— Bella, mas como? Não associei o nome da empresa a você.
— Sente-se Nessie, vou explicar tudo. – Ela o fez e prossegui. – Estamos fazendo a contratação de profissionais para completar a empresa, apesar de ser uma construtora, temos o hábito de trabalhar com um grupo exclusivo, tanto de engenheiros como de arquitetos. Nessa nova filial, montaremos novas equipes. E sendo você, uma arquiteta formada, foi convocada para a seleção e agora passará por uma entrevista comigo.
— Mas ainda não entendo como fui escolhida. Não sabia de nada disso, nem ao menos mandei meu currículo.
— Talvez eu tenha algo a ver com isso. – Confessei.
— Bella...
— Espera, me deixa explicar. O intuito da empresa é ter um quadro de funcionários competente e bem qualificado. Como confio em você e no seu potencial. Quando vi a oportunidade, enviei seu currículo, mas de forma totalmente imparcial. O enviei como qualquer um poderia ter feito, mas você foi escolhida para chegar até aqui porque outras pessoas a avaliaram, seu perfil e carreira profissional. E estes acreditam que tem potencial para trabalhar conosco e também acredito nisso. Agora pode entender os fatos e compreender que apenas enviei um papel às ordens responsáveis, entretanto, chegou aqui por seus méritos. Agora pode aceitar fazer a entrevista, como qualquer outro profissional ou pode não aceitar e procurar outros caminhos. Tem todo o direito de escolher o que melhor lhe convém. Como faremos?
Ela ficou em silêncio por um tempo, já estava vendo a recusa estampada em seu semblante, quando respondeu.
— Fiquei surpresa quando recebi o comunicado para a entrevista, porque sabia que não tinha me candidatado a nada, então fui pesquisar sobre a empresa e me entusiasmei, afinal de contas, é uma multinacional, quem não gostaria de iniciar sua carreira em um lugar assim? Mas como já falei, não fiz a ligação do nome com você e quando entrei e te vi, pensei sinceramente que teria sido escolhida por algum favoritismo, mas depois de tudo que falou, estou convencida a agarrar essa chance e dar meu melhor para ser contratada.
— Sábia escolha. Jamais usaria de artifícios do tipo para ajudá-la, seria denegrir minha imagem de profissional e a sua. Confio na sua competência e é por isso que está aqui, agora vamos à entrevista?
Ela assentiu e começamos.
Fiz tudo como nos conformes, da mesma forma que tenho feito nesses dias com os outros candidatos, fiz as perguntas em tom profissional e ela as respondeu da mesma forma.
Analisei seu currículo mais uma vez e conversamos sobre os pontos explícitos, falamos sobre suas pretensões profissionais e para com a empresa e ao fim, fiquei contente com nosso trabalho.
— Você tem um ótimo currículo e apesar de nova e com pouca experiência prática, suas avaliações são muito boas e não pense que ser recém-formada é um ponto negativo, pois como queremos montar uma equipe própria, o fato de não ter um molde formado, é muito melhor para nossos planos. De qualquer forma encerramos por aqui e parabéns.
— Obrigada e quando saberei a resposta?
— Entraremos em contato em breve, mais tardar na semana que vem.
— Ficarei no aguardo.
Fechei meus papéis e levantei da cadeira. Nessie fez o mesmo e nos abraçamos.
— Obrigada pela oportunidade Bella, de verdade.
— Não precisa agradecer, você merece e fez por onde, agora vamos deixar esses assuntos um pouco de lado e voltar ao modo irmãs. Já é meu horário de almoço, tem algum compromisso?
— Não.
— Então vamos almoçar juntas.
Ela assentiu, arrumei minhas coisas e saímos da sala, na recepção fiz questão de apresentar Nessie a Nina. E depois de um pouco de papo e uma recusa da Nina em almoçar conosco, seguimos até o restaurante que costumo almoçar, ao entrar, fizemos os pedidos, continuando a conversar.
— Vocês fizeram uma viagem incrível, não é mesmo? – Nessie comentou.
— Sim, foi a melhor da minha vida sem dúvidas. O lugar por si fez toda diferença e nos divertimos muito, Miguel então, nem se fala.
— Imagino, para ele deve ter sido incrível mesmo, estar com você e Edward, juntos. – Assenti. – Mas e o casal? Viveram uma pré-lua de mel?
A pergunta veio cheia de sugestões, ao erguer as sobrancelhas.
— Pode se dizer que sim. – Sorri e ela pareceu compartilhar do meu entusiasmo. – Edward faz com que me sinta plena, tão amada, desejada. Ele é o homem da minha vida sem sombra de dúvidas.
— Eu sei, por isso sempre torci para que um dia as coisas se esclarecessem e voltassem, mas falando em lua de mel, como estão os preparativos para o casamento? Já escolheram a data?
— Ainda não, desde que voltamos não tocamos no assunto, mas não se preocupe. Quando decidirmos, será uma das primeiras a saber. Como madrinha, tem que estar por dentro de tudo.
— Oh, meu... Madrinha, sério?
— É claro que sim ou pensou que te deixaria livre dessa? Você é minha irmã, melhor amiga e agora minha primeira madrinha.
— Ah Bella, será uma honra, obrigada.
Nossos pedidos chegaram e nos concentramos na comida, fazendo comentários furtivos entre um momento e outro.
Ao fim do meu horário de almoço, me despedi da Nessie e voltei para empresa, pois ainda tenho muito que fazer.
A tarde transcorreu normalmente, fiz as últimas entrevistas e agora estou pronta para receber o último candidato do dia.
Já pedi a Nina para que o traga até minha sala e assim que o fez, deixando-nos sozinhos, qual não foi minha enorme surpresa e espanto, ao reconhecer a fisionomia do homem que havia acabou de entrar.
— Vejamos se não é Isabella Swan.
— Ian? Meu Deus! Não posso acreditar.
Perdendo um pouco a compostura profissional, levantei, indo ao seu encontro, pegando-o em um abraço apertado e saudoso.
— É você mesmo ou apenas uma miragem?
— Sou eu sim. Quanto tempo, não?
— Sim, por onde andou? O que fez nesses anos?
— A pergunta é, por onde você andou?! No tempo que ainda trabalhei no CMP, não tive mais notícias suas e o pouco que soube, foi de estar viajando pelo mundo. Que história foi essa?
— Ah, Ian. Aconteceram tantas coisas na minha vida que nem imagina.
— Posso ver, olha só para você. Administrando uma multinacional. Sabia que chegaria longe, só não ao ponto de poder ser minha chefe.
— Ah, a entrevista! Acabei esquecendo o real motivo que o trouxe aqui. Mas vamos, sente-se. Tratemos da parte objetiva, depois teremos tempo de pôr o papo em dia. Só ainda não consigo acreditar que estou te revendo, quero ter tempo para conversarmos, entretanto, agora preciso vestir minha capa de profissional e entrevistá-lo imparcialmente, certo?
— À vontade. Estou aqui para isso.
Com sua resposta, iniciei a entrevista formalmente, mas pude ir sabendo um pouco mais da sua vida também.
Depois que acabou a faculdade e saiu do CMP, ingressou na carreira escolhida, trabalhando em pequenas empresas e até em jornais, como relações públicas, entretanto, vem almejando crescer e viu na nossa empresa a oportunidade.
Avaliei seu currículo e discuti sobre os planos a cargo da função, nessa área só admitiremos um funcionário com sua formação, portanto, terei que analisar bem antes de fazer a escolha.
Ian tem pontos, porque o conheço como pessoa e sei da sua índole e esforço como profissional, seja no cargo que for, mas terei que averiguar todos os candidatos e ser imparcial visando o melhor para a empresa.
— Ian, seu currículo é excelente. Tem boas referências e recomendações, analisaremos e depois avisaremos sobre a resposta.
— Obrigado Bella. Ficarei no aguardo. Terei que ir agora, porque estou resolvendo assuntos do meu apartamento.
— É claro, o acompanho.
Levantamos e segui com ele até a porta, mas não deixei de falar.
— Independente do resultado, não quero que percamos contato, foi ótimo te rever.
— Digo o mesmo Bella, agora vou indo, até breve.
— Até.
Ele se despediu com um aceno para Nina, que retribuiu com um sorriso e entrou no elevador.
— De onde você conhece esse deus grego pelo amor de Deus?
Nina perguntou, chamando minha atenção.
— Da época do colégio.
— Vocês foram colegas de colégio?
— Não, ele era inspetor no colégio onde estudei, mas além de tudo, foi um bom amigo.
— Queria eu ter um inspetor desses no meu colégio, ele é muito lindo. Você não era fascinada por ele? Não teve nem uma leve paixonite?
— Não Nina. Admito que Ian é lindo, mas desde aquela época, meu coração já pertencia ao Edward. Sabia que ele meio que foi responsável por Edward e eu darmos nosso primeiro beijo?
— Uau. De verdade? Conta-me como foi.
Relatei sobre o início da minha relação com Edward e do dia que Ian nos pegou brigando aos berros no corredor, sobre o castigo, os relatórios e que isso causou mais uma das nossas discussões, que resultou em um beijo na chuva.
— Nossa, que romântico. Vocês são o casal perfeito mesmo. Fico feliz que estejam juntos de novo, uma história tão linda não poderia ficar sem continuação.
— Obrigada Nina e falando nisso, vamos encerrar nosso expediente que estou louca para ir embora e aproveitar meus amores.
— Sortuda, enquanto isso, vou para minha casa sozinha, agarrar meu gatinho e ficar abraçada a ele, assistindo filmes melosos para chorarmos.
— Relaxa Nina. Quando menos esperar o amor aparece.
— Quem sabe...
Ajeitamos nossas coisas e partimos, cada uma seguindo seu caminho.
Com a mudança de horário de Edward, agora sou a encarregada de buscar o Miguel na escola. Ao pegá-lo, seguimos para casa, ao chegar, se o fato não acontecer ao mesmo tempo, poucos minutos se passam até Edward estar conosco.
Ao entrar, trato de logo dar banho no Miguel e deixá-lo limpinho e entretido com algo enquanto vou tomar o meu para depois cuidar do jantar e que grata surpresa são os dias que ao entrar no banheiro, vejo Edward já se deliciando com a água corrente em um banho também, então aproveito para acompanhá-lo e assim fazemos uma grande economia de água.
Ao sairmos, depois de namorar um pouco, sigo para a cozinha, ao preparo das nossas refeições. Edward senta com Miguel, para ajudá-lo nos deveres, procuramos ficar no mesmo cômodo ou próximos, assim, em qualquer dúvida, posso auxiliar também.
Com tudo pronto, os dois recolhem os materiais e são os encarregados de arrumar a mesa para nosso jantar, sinceramente amo tudo isso.
Durante a refeição, geralmente conversamos sobre coisas amenas, como foi o dia e afins.
Hoje comecei a sessão de perguntas, fiz primeiro ao Miguel, que disse que foi tudo normal e depois passei ao Edward...
— Tudo bem também, hoje apenas fiz consultas, não tinha nenhuma cirurgia marcada ou de emergência, o que se pode considerar um dia tranquilo. – Edward informou. – Mas agora diga, o que você fez. Porque posso ver nos seus olhos como está ansiosa para contar o que houve.
— Estou mesmo, obrigada por perguntar. Então, já falei que nesse início de ano a empresa está fazendo o requerimento dos novos funcionários e sou a encarregada de fazer a escolha final. E hoje tive duas surpresas incríveis, uma delas não era tão surpresa, mas a outra nem posso dizer o quanto.
— O que aconteceu mamãe? Está me deixando curioso também.
— Já vou falar filho. No nosso grupo, gostamos de trabalhar com equipes de dentro e não empresas terceirizadas, sendo uma construtora, teremos que trabalhar efetivamente com engenheiros e arquitetos. Então, enviei o currículo da Nessie, a arquiteta da família. E ela foi selecionada para a fase da entrevista, mas antes de tudo, quero deixar claro que ela não alcançou isso por alguma influência minha, apenas enviei o currículo porque vi uma boa oportunidade de emprego, mas toda a seleção foi feita de forma justa e imparcial.
— Acreditamos em você Bella. Sei que não usaria da sua influência na empresa só para beneficiar alguém, ainda mais sendo da família. Mas se Nessie conseguiu isso, parabéns a ela. Agora fala aqui, só para nós. Ela conseguirá o emprego?
— Edward, não sei se posso falar ainda...
— Fala mamãe. Prometemos guardar segredo, juro.
Miguel falou levantando a mão direita e Edward imitou o gesto.
— Que homens mais curiosos, hein? Mas direi. Provavelmente Nessie será contratada. A equipe de arquitetos terá em média uns sete funcionários. Então com as pessoas avaliadas e seus perfis, Nessie tem grandes chances de pertencer à equipe.
— Ai que legal mamãe. A senhora e a madrinha vão trabalhar juntas.
— Possivelmente meu bem, mas não pode falar nada antes que dê a resposta final, certo?
Ele assentiu concordando.
— E quem foi à outra pessoa que viu hoje Bella?
— Edward, você não vai acreditar. Eu quase não acreditei quando o vi. Lembra-se do nosso inspetor do CMP?
Ele pareceu pensar um pouco.
— Espera, o Ian? Aquele que era seu amigo. Que nos ajudou?
— Sim, ele mesmo. Dá para acreditar?
Miguel saiu da mesa, aproveitando por não estar mais inteirado do assunto.
— Mas por que ele foi até a empresa? Que cargo foi procurar? Se era inspetor, o que estaria procurando hoje?
— É ai que está o ponto. Já sabia que ele trabalhava de inspetor para pagar a faculdade de relações públicas, sendo assim, foi por essa formação que o entrevistei.
— E ele também vai conseguir o emprego?
— Ainda não sei, o caso dele é um pouco mais complicado, apesar de um currículo excelente e boas experiências, esse cargo precisa de apenas um funcionário. Então terei que avaliar bem para fazer a melhor escolha e ainda não posso afirmar com certeza se será o escolhido.
— Tenho certeza que tomara a melhor decisão.
Edward falou me confortando.
— É o que espero, mas falei a ele. Que caso não consiga o emprego, não quero perder contato. Poderíamos marcar de sair, chamar Mary e Eduardo, eles se conheciam daquela época também, eram responsáveis no colégio, deviam ter alguma afinidade.
— É uma boa ideia. Pode marcar, que adorarei participar desse reencontro.
— Sim, mas tem uma pessoa que está na torcida para que ele consiga o emprego.
— Quem?
— A Nina. Ela ficou simplesmente encantada por ele. Você tinha que ver como ficou toda boba quando o Ian foi embora e acenou para ela.
— Sua secretária parece ser alguém bem divertida. Se estiver solteira e ele também, pode ser que aconteça até algum romance entre os dois.
— Pode ser que sim, mas não sei como anda a vida amorosa do Ian, então não posso afirmar nada do lado dele, entretanto, ficarei na torcida para que consiga o emprego, por ele mesmo e por esse possível envolvimento com a Nina.
Edward concordou comigo e resolvemos arrumar as coisas na cozinha e ir até a sala ficar com o Miguel.
Passamos o restante da noite juntos, até o colocarmos na cama e depois seguimos felizes ao nosso quarto.
Para mais uma noite de amor...
Hoje foi bem tranquilo, não tive mais nenhuma surpresa ou visita de alguém do meu convívio social.
No fim do expediente, dirigi tranquila até a escola do Miguel, quando o peguei, notei o semblante diferente. Quieto demais e um pouco pálido, o que é atípico dele, mas talvez seja apenas cansaço excessivo, o prendi no assento de elevação e com o cinto no banco de trás e segui para casa.
Olhei pelo retrovisor a todo o momento e ele continua quietinho, do mesmo jeito que entrou, quando chegamos, passou direto para seu quarto, fiquei ajeitando umas coisas pela sala e entrei no meu quarto para deixar minha bolsa e tirar os sapatos, então segui atrás dele.
E qual não foi meu desespero ao vê-lo deitado encolhido na cama.
— Miguel, meu amor, o que tem?
Aproximei-me, mexendo em seu corpinho e o deitando direito na cama.
— Está doendo mamãe.
— Onde meu bem? Fala para a mamãe.
— Aqui, na minha barriga.
Apontou o local.
— E o que está sentindo? É uma dor forte? Ou enjoo?
— É mais enjoo mamãe.
— Certo, fica tranquilo, a mamãe está aqui e logo seu pai chegará. Vamos cuidar de você.
— Quero o papai, mãe.
— Ele já vai chegar, meu amor, não se preocupe. Agora fica deitado, descansando, que vou pegar um remedinho para você.
O deixei na cama e voltei ao quarto correndo, pegando meu celular ligando para Edward, mas a ligação caiu direto na caixa postal.
— Merda, logo agora ele não atende.
Tentei de novo e nas vezes seguintes, continua dando a mesma coisa, resolvi deixar um recado.
Talvez tenha tido algum atendimento de emergência e por isso teve que desligar o celular, mas assim que o ligar, ouvirá o recado e voltará correndo para casa.
É o que espero que aconteça.
Peguei o remédio para enjoo e voltei ao quarto do Miguel.
— Miguel, meu amor, levanta um pouquinho para tomar o remédio. E diz para a mamãe. Você comeu algo estranho hoje na escola?
— Eu dividi meu lanche com um amiguinho mamãe. Ele comeu metade do meu e eu metade do dele. Estava tão gostoso, não sabia que ia fazer mal.
— Sei que é legal dividir as coisas com os amigos Miguel, mas com comida temos que ter cuidado, talvez algo que contivesse no lanche o fez passar mal, amanhã ligarei na escola e veremos o que foi. Agora bebe o remédio que logo irá melhorar.
— O papai ainda não chegou mãe?
— Não meu bem, hoje ele se atrasou um pouquinho, mas logo estará aqui.
Ele assentiu e depois de tomar o remédio, fazendo uma careta, o que devo confessar que entendo, porque sei o quão ruins são esses remédios em gotas. Voltou a deitar e fiquei ao seu lado, observando qualquer reação que possa vir a ter.
Como esperado, quase uma hora depois, despertou enjoado e o acompanhei até o banheiro para que vomite.
Isso o deixará mais fraco, mas é melhor quando o estômago expele o que lhe fez mal, assim, seu organismo pode voltar a funcionar corretamente.
— Miguel, você está um pouco quentinho, meu bem. Não acredito que seja febre, mas é melhor tomar um banho, depois medirei sua temperatura e farei uma sopinha bem gostosa para que coma e fique melhor bem rápido.
— Não estou com fome mamãe. Estou com sono.
— Eu sei, meu bem, mas não pode ficar sem comer, seu corpo precisa dos nutrientes necessários para se recuperar. Agora vamos ao banho.
Tirei sua roupa e lhe dei um banho rápido, mas quentinho. Depois de vestido e já de volta a cama, medi a temperatura e confirmei que não tem febre.
Com o alívio de saber que ficará bem, decidi ir a cozinha preparar a sopa. Durante todo esse tempo, continuei tentando ligar para Edward, que continua sem atender. Deixei mais alguns recados, porém todos sem retorno.
Pensei em ligar para Carlisle, mas lembrei de que Edward comentou que hoje era sua folga, então de nada adiantará ligar, se ele nem esteve no hospital para informar o que pode ter acontecido.
Enquanto a comida apronta, fiquei no caminho entre a cozinha e o quarto do Miguel. Sempre vigiando seu sono e constatando a pronta recuperação. Quando a sopa aprontou, ajeitei tudo numa bandeja e levei para ele.
— Miguel acorda, vamos comer um pouquinho.
— Não quero mamãe.
— Mas vai ter que comer, meu bem. Depois à mamãe promete que te deixa dormir.
— Papai não veio para casa?
Senti sua voz vacilar.
— Ele teve um problema para resolver no hospital, por isso ainda não pôde vir. Já explicamos que vida de médico é complicada, meu bem. Que às vezes seu pai se atrasará, pois estará ajudando outras pessoas.
Contei uma meia verdade ou pelo menos a verdade que quero acreditar, pois nego-me a pensar em outra hipótese para esse atraso de Edward.
— Tudo bem mamãe. O papai tem que cuidar dos outros doentes, não é? Mas a senhora está aqui comigo.
— Isso mesmo, meu amor. Estou aqui e sempre estarei. Agora coma antes que a sopa esfrie.
Comecei a lhe dar a comida e no fim, como suspeitava, ele comeu tudo.
Depois de alimentado, o deixei voltar a dormir, cantando sua canção.
E foi estranho, depois de tanto tempo tendo a presença de Edward ao meu lado nesse ritual, não ter ele conosco hoje.
Foi como se voltasse há alguns meses, quando ainda morava em Los Angeles e não fazia a mínima ideia de que minha vida voltaria a ligar-se a sua.
Quando Miguel finalmente dormiu, levantei um pouco da cama e continuei na saga do celular, já começando a temer pelo pior. Então decidi ligar para uma pessoa que espero que tenha alguma notícia de Edward.
Disquei o número e fiquei esperando até ser atendida.
— Alô.
— Riley?
— Sim, sou eu. Quem fala?
— É Isabella Swan. A namorada do Edward.
— Bella, que surpresa receber uma ligação sua, mas espera. Você não é mais namorada, é a noiva do Edward. Ele me contou a novidade, parabéns.
— Obrigada Riley, é muito bom falar com você também, mas infelizmente não estou ligando de forma cordial. Preciso de um favor.
— Pode falar. Estou à disposição para o que precisar.
— Riley, você não saberia onde Edward está, saberia?
— Não Bella, apesar de ainda mantermos contato, agora não trabalhamos mais no mesmo turno. Ele se deu muito bem, arrumou mulher e filho, e ainda conseguiu mudar para o dia. Mas o que houve? Ele ainda não chegou? Que saiba seu horário acaba às 18h.
— Sim, ele ainda não chegou e tenho tentado o celular, mas só dá caixa postal. Pensei que pudesse ter desligado, por conta de alguma emergência no hospital, mas já está ficando tarde e ainda não tive notícias.
— Espera um pouco, eu acabei de chegar, mas vou ver com a recepção se houve algo e se ele ainda está aqui.
— Obrigada Riley.
Aguardei um tempo no telefone, esperando por alguma notícia.
— Olha Bella, pelo que fui informado, Edward saiu no horário de sempre e não houve nenhum outro chamado desde que saiu. Você não tem mesmo ideia de onde ele pode estar?
— Não, ele não avisou nada sobre querer sair para algum lugar depois do expediente. Nem estou ligando porque quero rastreá-lo, mas sim porque o Miguel passou mal e ficou perguntando pelo pai...
— O que houve com meu garoto? Ele está bem?
— Sim, ele comeu o lanche de um amigo na escola, não sei do que era, mas o fez mal. Já dei remédio, ele vomitou, verifiquei, mas não apresentou febre. Então fiz uma sopinha e lhe dei, agora já está dormindo.
— Muito bem Bella. Você fez tudo certo, é realmente uma ótima mãe. Então isso quer dizer que não está procurando o Edward nem mesmo na função de médico?
— Não, só queria que ele estivesse aqui como pai do Miguel, mas infelizmente não pôde, não é mesmo?
— Entendo. Você sabe que sou pediatra, se precisar de algo ou se o Miguel tiver alguma coisa, pode trazê-lo aqui no hospital, que estarei de plantão a noite inteira.
— Obrigada Riley. Você já ajudou muito.
— De nada e desculpe por não poder fazer mais. Só que infelizmente não sei mesmo onde Edward pode ter ido, mas tentarei seu celular também.
— Certo, até outra hora Riley, obrigada mais uma vez, tchau.
— Tchau Bella.
Desliguei o celular e voltei a observar meu filho que dorme tranquilo como o anjinho que é, olhei para o relógio e vi que se aproxima das dez horas.
Não sei onde Edward está e que horas vai chegar, então só me resta ficar ao lado do meu filho e esperar...
Despertei de um cochilo, que nem percebi ter tirado, observei o relógio novamente e se passaram apenas 30 minutos desde que o conferi pela ultima vez.
Foi então que ouvi o barulho da porta sendo aberta, as chaves depositadas em cima da mesinha e os passos de Edward em direção ao corredor e aos quartos. Ele deve ter ido ao nosso primeiro e como não me viu, resolveu vir para cá.
Ao entrar e nos ver, olhou confuso.
— Bella, o que está fazendo aqui? Aconteceu alguma coisa?
— O que houve com seu celular?
Devolvi sem responder a pergunta.
— Ele descarregou um pouco antes do meu horário terminar, por isso não pude avisar que...
O interrompi.
— Coloca para carregar e ouve seus recados, depois conversamos.
— Mas Bella, o que...
— Faz o que pedi, por favor.
Ele finalmente acatou meu pedido e saiu, deixando-me a sós com meus pensamentos, não calculei seu tempo fora, mas quando entrou novamente, a expressão mudou.
Agora parece derrotado, então passou direto para ver o Miguel.
— Sinto muito. Não tinha ideia de que algo estivesse acontecendo.
— Sei que não sabia. É o que acontece quando não se consegue falar com alguém. Essa pessoa fica sem saber das coisas.
— Mas como ele está? O que você deu? Tem certeza que não seria melhor levá-lo ao hospital?
— Pode tirar a preocupação da sua cabeça Edward. Não é a primeira vez que algo assim acontece e sei como lidar com isso. Ele teve uma leve indigestão, lhe dei um remédio para passar o enjoo, depois que vomitou, ficou melhor. Fiz uma sopa que ele comeu toda, então dormiu. Mas também falei com o Riley, ele disse que fiz tudo certo, só devemos nos preocupar se voltar a apresentar outros sinais, mas graças a Deus está tudo bem agora.
— Também ouvi o recado do Riley...
— Só diga o que houve com você. O que aconteceu de tão importante que não pôde voltar para casa? Ou ao menos teve um tempo para ligar e dizer se estava bem e vivo.
— Bella, me perdoa. Não queria ter faltado nesse momento. Acontece que o pessoal sugeriu que fossemos jantar. Somos todos novos na equipe, então quiseram fazer uma interação, quando fizeram o convite, peguei o celular para ligar, só que vi que estava descarregado e acabei deixando passar. Não pensei que demoraria tanto e muito menos que algo assim fosse acontecer.
— É, mas imprevistos acontecem e geralmente temos que estar preparados para eles, ainda mais quando somos pais. Miguel perguntou de você a noite toda e tive que mentir. Dizer que seu pai estava ocupado cuidando de outros doentes no hospital, ao invés de estar aqui, ao seu lado. Só que não foi isso que aconteceu, não é mesmo? Você não estava preso em alguma emergência do hospital.
— Bella...
— Não, só... Pode fazer o favor de ficar com Miguel um pouco? Vou tomar banho, como pode ver, ainda nem tive condições de fazer isso, já que passei todo o tempo ao lado dele. Quando voltar, você poderá sair.
Levantei sem esperar resposta e caminhei a passos rápidos até o quarto, despi a roupa e fui até o chuveiro, ligando e deixando que a água quente tente lavar também a minha angústia, dores e mágoas...
Não me contive e chorei ao pensar na noite que tive, na apreensão e medo que senti.
Está certo que Edward não fez nada de mal, provavelmente tenha sido apenas um jantar mesmo, nem com cheiro de álcool está. E também Miguel não teve nada grave, não precisava de desespero e apoio médico, mas a questão são os detalhes, as pequenas coisas que fizeram diferença essa noite.
Quando terminei o banho, sai do banheiro enrolada no roupão e vi Edward sentado na nossa cama.
— Miguel continua dormindo tranquilo e achei que devia vir vê-la. Precisamos conversar.
— Tudo bem, creio que precisamos mesmo.
Ele levantou, fazendo menção de vir na minha direção, mas o impedi, fazendo-o ficar no mesmo lugar.
— Bella, sinto muito. Não queria ter deixado vocês sozinhos, o celular estava descarregado e não vi mal em sair com o pessoal. Só não pensei que algo assim poderia acontecer.
— Sabe Edward, quando descobri que estava grávida, assim que assimilei tudo, me senti feliz, imensamente feliz. Só pensava em compartilhar aquela felicidade contigo. Já quando li aquela carta e tomei a decisão de ir embora, o instinto de proteção tomou conta de mim em relação ao Miguel e prometi que apesar da nossa situação complicada, não deixaria que nada faltasse a ele. Carinho, amor, atenção. Ele seria prioridade na minha vida, sempre.
Por sorte Edward não fez menção de interromper, então prossegui.
— Quando voltamos à Nova York e se conheceram, vi tanta afinidade e carinho, mas tinha comigo que não poderia simplesmente lhe contar a verdade, sem medir as consequências. Você podia gostar do Miguel, mas existia uma grande diferença entre ser apenas amigo, tio e vir a ser o pai. Então a verdade veio à tona, você ficou sabendo de tudo e reagiu tão bem. Vem desenvolvendo uma ótima relação com ele, mostrando-se presente, atento as suas necessidade e vendo isso, acalmei meu coração. Senti-me segura de que agora as coisas seriam diferentes...
Seu olhar consternado não foi empecilho para que continue.
— Mas hoje infelizmente me lembrei de quando morava em Los Angeles, das vezes que tive que cuidar do Miguel sozinha. Quando o que mais queria era ter alguém ao meu lado, dando apoio, confortando, dizendo que tudo ficaria bem. Não posso ser hipócrita e dizer que não havia realmente ninguém comigo, pois sempre contei com o apoio dos meus amigos, em especial da Angela, mas durante algum tempo, quando ela estudava a noite, justamente para me ajudar, me sentia tão só.
Não pensei que esse tipo de memória e sentimento ainda estivessem tão presentes em mim, mas acho que me enganei.
— Precisava de alguém do meu lado e não era qualquer pessoa, era você Edward. Mesmo sabendo que não podia, precisa de você comigo, do pai do meu filho. O que Miguel teve hoje não foi nada grave, mas crianças não entendem isso. Ele só queria os pais consigo, principalmente o pai, que precisou durante tanto tempo e não teve.
— Bella, me perdoa, não sabia, eu...
— Não é a mim que você deve perdão Edward. Quando descobriu a verdade, quis que se conhecessem, que aprendessem a lidar com a presença do outro. Dei preferência ao relacionamento de vocês, com o objetivo de que entendesse, que a partir de agora, Miguel tem que ser a prioridade na sua vida. – Expliquei. – Não estou recriminando ou julgando por não ter chegado. Você tem todo direito de sair com seus colegas, o horário tão pouco foi problema, não quero que pense que ao assumir a paternidade do Miguel, terá que esquecer a sua vida, não é isso. A questão é apenas prioridade.
Informei convicta, tentando passar o que realmente sinto.
— Quando nos tornamos pais, nossas vidas mudam, tudo gira ao redor e em primeiro lugar dos filhos, das preferências e necessidades deles, de tudo que os envolve. Então, poderia não ter se importado em ligar para me avisar, mas tinha que ter pensando no Miguel, porque ele poderia vir a precisar de você, como precisou. Tem que agradecer que não foi nada sério, mas poderia ter sido e ai não teria estado conosco.
— Bella, já disse que sinto muito, foi à primeira vez, não vai mais acontecer.
— Edward, entenda. Não estou te cobrando por mim e sim por nosso filho. Você sabe, ele ainda sente receio de não ficar conosco, que talvez algum dia voltemos a ser apenas ele e eu. Ai no momento que tudo poderia ter acabado, no qual as dúvidas poderiam ter sido sanadas, mostrando que estaria sim ao seu lado sempre, você falhou. Ele perguntou tanto por você. Nosso filho queria o pai consigo e você não apareceu. Vi em seus olhos a dor, a dúvida. E não posso dizer que não compartilhei dos seus sentimentos.
— Bella, por Deus! É claro que quero estar ao lado de vocês, sempre. Estou aqui com os dois, te pedi em casamento...
— O casamento... Edward, também prometi que nunca deixaria ninguém magoar o Miguel, já disse uma vez, mas posso dizer novamente. Por mais que te ame, amo nosso filho demais para deixar que alguém o machuque, mesmo que seja você. Então está na hora de rever suas prioridades e escolhas. Nosso pacote matrimonial não computa apenas em nós dois e sim a família. Não quero te cobrar a estar comigo, mas se realmente quer assumir a paternidade do Miguel, tem que fazê-lo por completo. Você não é obrigado a estar preso a mim, isso não tem que interferir na sua relação com ele.
— Espera. O que está querendo dizer?
— Que talvez devamos pensar um pouco na ideia do casamento. Isso é um compromisso sério e não quero que tomemos nenhuma decisão precipitada. Por isso, acho que devemos refletir melhor sobre tudo.
Informei e mesmo com muita dor no coração, retirei meu anel de noivado, depositando-o em cima do criado mudo.
Edward ficou petrificado e aproveitei para encerrar o assunto, pelo menos por hora.
— Está tarde é melhor ir tomar banho e dormir, pois amanhã cedo tem mais. Vou dormir com o Miguel, para o caso de acordar precisando de algo, mas fique a vontade.
Acreditei que ele diria algo, mas me enganei, pois ele passou ao banheiro e pude me trocar.
Depois voltei ao quarto do Miguel, o ajeitei confortavelmente na cama e deitei ao seu lado, aconchegando seu corpinho ao meu.
Fiquei fazendo cafuné no seu cabelo, esperando meu sono chegar, mas parece uma tarefa difícil.
Percebi a movimentação de Edward, ao entrar também, pensei que viria só ver como Miguel está, mas me surpreendi, quando após fazê-lo, não foi embora.
Ao invés disso, sentou na poltrona próxima a cama.
— Edward?
O chamei baixinho, para não arriscar acordar o Miguel.
— Hum?
— O que está fazendo ai?
— Vou ficar aqui.
— Edward, não precisa, ele já está bem...
Não terminei de falar, pois fui interrompida por sua resposta.
— Bella, eu vou ficar. Nada do que disser me fará mudar de ideia. Estarei aqui se meu filho precisar de mim.
— Mas ai não é confortável o suficiente.
— Não se preocupe comigo. Ficarei bem, pode dormir tranquila, boa noite.
— Boa noite.
Aproximei-me mais do Miguel e finalmente o sono pareceu chegar, levando consigo esse dia pesado...
Quando acordei, meus olhos seguiram diretamente para a poltrona, mas não vi Edward, ele deve ter se convencido e voltado para o quarto.
Levantei com cuidado, para não acordar o Miguel e voltei ao meu quarto, na intenção de me arrumar. Mas ao entrar, vi a cama feita, do jeito que estava ontem e nem sinal do Edward.
Onde pode estar?
Fiquei com a dúvida guardada ao tomar banho e me vestir, mas ao voltar ao quarto do Miguel, na intenção de acordá-lo, o encontrei desperto, interagindo com o pai.
— Bom dia mamãe.
— Bom dia meu amor. Como se sente?
— Estou melhor mamãe.
— Ótimo. Então vamos nos arrumar para ir à escola?
— Ah mãe, pensando melhor, não estou tão bem assim.
— Miguel. Não brinca com isso.
— É que não quero ir a escola hoje mamãe, posso ficar?
— Meu amor, à mamãe tem que trabalhar e...
— Pode ir tranquila Bella. Já avisei no hospital e peguei folga. Hoje vou ficar em casa com o Miguel. Pode ir trabalhar que ficarei cuidando do nosso filho.
— Tem certeza que quer ficar em casa Miguel?
— Sim mamãe, me deixa ficar com o papai? Só hoje.
Ele fez uma carinha pidona, que sabe que não resisto e cedi.
— Certo mocinho, mas se comporte e qualquer coisa que precisar, peça para seu pai me ligar.
— Pode deixar mamãe.
— Te amo, meu amor. Até mais tarde.
Lhe dei um beijo e sai do quarto, ouvi Edward falar algo com ele e depois vir atrás de mim, ao chegarmos à cozinha, encontrei o café da manhã já preparado.
— Senta e come um pouco Bella, ainda tem tempo antes de sair.
Fiz o que sugeriu, começando a me servir.
— Você não vai comer agora? – Perguntei.
— Não, talvez mais tarde.
— Certo.
Continuei comendo e permanecemos em silêncio por um bom tempo.
— Bella, será que poderemos conversar?
— Agora não posso, porque vou me atrasar e...
— Não agora, à noite, quando voltar, pode ser?
— Ah, então sim. Tudo bem.
— Obrigado, tenha um bom dia e até a noite.
— Até.
Ele levantou da mesa, me deu um beijo na testa e saiu, deixando-me sozinha e confusa com meus pensamentos.
Terminei o café e sai, será bom enfiar a cabeça no trabalho e desconectar um pouco do turbilhão de pensamentos que rondam minha cabeça.
Durante o dia, liguei várias vezes em casa para saber novidades, em algumas, acabei falando apenas com Edward, já que Miguel estava dormindo.
Mesmo tentando não perder o foco, minha mente ainda dispersou para os assuntos de casa, quando tinha que estar no trabalho. Por sorte, hoje não foi um dia de entrevistas, assim, o risco de cometer algum erro foi menor.
Liguei na escola e elas se responsabilizaram para descobrir o que continha no lanche que fez mal ao Miguel.
No fim do expediente, voltei para casa me sentindo estranha, meio apreensiva, apesar de querer chegar logo para estar próxima ao meu bebê.
É inevitável temer o momento da conversa com Edward. Não sei se temo mais ouvir suas palavras ou os efeitos que possam causar na nossa relação.
Ao chegar, vi de imediato meu bebê sentado no sofá, me aproximei o cumprimentando e enchendo de beijos, perguntando como foi seu dia. Ele respondeu entusiasmado que passou o dia bem e feliz com o pai.
Ao falar desse, eis que Edward aparece na porta, vindo da cozinha.
— Oi Bella.
— Oi Edward. Passaram o dia bem mesmo, pelo que Miguel está contando.
— Sim, foi tudo tranquilo, quer ir tomar banho primeiro? É que estou arrumando o jantar...
— Tudo bem, vou sim, obrigada.
Caminhei até o quarto e lá me despi para o banho, à água conseguiu me relaxar e tirar um pouco o peso dos ombros, quando sai enrolada na toalha, me assustei com a presença no quarto.
— Ai Edward! Não faça isso outra vez. Não te esperava aqui.
— Desculpe, não foi minha intenção, e... O jantar está pronto, mas vim tomar banho também.
— Tudo bem, te esperaremos para comer, não se preocupe.
Ele assentiu e passou ao meu lado, soltando um olhar que deixou minhas pernas bambas e depois entrou no banheiro.
Tomei uma respiração antes de me vestir, optei por um vestido leve e voltei à sala. Sentei ao lado do Miguel e ficamos assistindo TV, mas dispersei, quando ele falou.
— O papai conversou comigo mamãe.
— Conversou? Sobre o que?
— Ele disse que ontem a noite não estava no hospital cuidando dos pacientes, que saiu com os amigos médicos.
Fiquei surpresa ao ouvir isso, pois não tinha a intenção de desmentir o que falei. Justamente para não interferir na relação dos dois e agora o próprio Edward fez isso.
— E o que mais ele falou? – Questionei.
— Papai pediu desculpas e disse que sente muito por não ter estado comigo. Que não me abandonou, apenas não sabia o que estava acontecendo, por isso não veio mais cedo.
— Muito bem. Tudo isso é verdade. Seu pai se preocupa muito com você e realmente não sabia que passou mal.
— Ele prometeu que isso nunca mais vai acontecer e que nunca vai me deixar. Porque me ama muito.
— Com certeza, meu amor. Te amamos mais do que tudo. E está tudo bem entre vocês?
— Sim mamãe, ele prometeu e acredito nele.
Sorri feliz pela compreensão e maturidade do meu filho.
Pouco tempo depois Edward voltou e seguimos para jantar.
Para minha surpresa, ele fez uma comida leve e muito saborosa, comemos a maior parte do tempo em silêncio, não do tipo desconfortável, o clima na mesa está harmonioso e isso basta.
Após o jantar, Miguel quis assistir um filme e o acompanhamos, mas antes do fim do mesmo, ele adormeceu tranquilamente com a cabeça repousada no meu colo. Edward o pegou nos braços e juntos o levamos até seu quarto, o colocando na cama. Depois de coberto e protegido saímos, dirigindo-nos ao nosso quarto.
Edward sentou na cama, enquanto permaneci em pé, a sua frente.
Chegou a hora de conversar...
— Miguel contou que conversou com ele e esclareceu tudo.
Iniciei o assunto.
— Sim, não tinha porque esconder. Ele precisava saber da verdade e de umas palavras que lhe dessem confiança em mim.
— Fez o certo. Ele está bem tranquilo e seguro com você.
— Pelo menos com ele consegui me acertar, não é mesmo? – Ele falou e abaixei os olhos. – Bella, fiquei hoje por conta do Miguel, mas não quero invadir seu espaço.
— Do que está falando?
Perguntei sem realmente entender suas palavras.
— Você não rompeu comigo? Quando tirou o anel?
Informou e vi o adorno em sua mão.
— Edward, não foi assim... Apenas lhe dei a chance de pensar se é isso mesmo que quer. O Miguel, a família, o casamento... Não quero que tome nenhuma decisão precipitada, se sentindo forçado a nada.
— Bella, para! Para de falar besteiras. Amo o Miguel. Amo você. E quero os dois na minha vida para sempre. Não te pedi em casamento atoa, fiz isso porque te amo e não imagino viver minha vida sem você, sem nosso filho. Amo aquele garoto, amo porque é meu filho, porque é nosso. Fruto do amor com a mulher da minha vida. Aquela que quero comigo hoje e sempre. Sei que falhei com vocês e mesmo prometendo que não, ainda posso vir a falhar, mas só quero uma chance de fazer isso dar certo. Sou o pai do Miguel e assumi isso com orgulho e satisfação. Cometerei vários erros com ele, mas saiba que não desistirei ou me arrependerei algum dia das escolhas que fiz, porque elas me trouxeram vocês. Não estou chateado com suas palavras de ontem, estava certa, afinal. Ele é a minha prioridade, os dois são. Não sei ainda como lidar com tudo, mas vou aprender, mesmo que seja com meus erros. Só não posso perdê-los.
— Você não nos perderá Edward. Mesmo dizendo que não está chateado, peço desculpas, não por ter dito o que disse, mas pela forma que falei, descontando meus medos e angústias em você. Mas me senti insegura, fragilizada de repente. Falei sério quando disse que sentia falta da sua presença ao meu lado, mesmo no tempo que tê-lo parecia algo impossível e ontem, quando pensei que aliviaria meus fantasmas da solidão, eles apenas voltaram a me assombrar.
— Sinto muito, não tinha ideia do que sentia e de como essa falha faria mal a nós. Me perdoe, prometo não fazê-los passar por isso nunca mais.
— Acredito em você, agora já está tudo bem.
— Não tudo. Bella, quando lhe dei esse anel, foi de forma sincera, como promessa do meu compromisso e amor por você. Se ainda quiser ficar comigo e constituir nossa família, nos laços do matrimônio. Aceite esse anel de volta e nunca mais o tire. Ele é seu e deve ficar contigo, sempre.
Aproximei-me, estendendo a mão para que coloque o anel de volta, após fazê-lo, beijou o local e ficou segurando minha mão entre a sua.
— Me perdoe por isso também. — Pedi. — Não quis te magoar, fazendo-o crer que nosso compromisso acabou ou meu amor por você. Eu te amo e tudo que mais quero é fazê-lo feliz. Se isso acontece ao meu lado, que honra. Continuarei te amando todos os dias. Hoje e sempre.
Ele me puxou e cai sentada em seu colo.
— Eu te amo Heart, para sempre.
— Eu te amo Dream, para sempre.
Passei os braços por seu pescoço e encostei a boca na sua, seus braços rodearam fortemente minha cintura, prendendo-me como se não fosse sair nunca mais, mas tão pouco quero.
Nosso beijo começou lento, mas fugaz. Sua língua habilidosa, entrelaçando-se a minha, o gosto único misturado ao meu. Suas mãos iniciaram carinhos provocantes e não me fiz de rogada em retribuir.
Pouco a pouco, ele deitou seu corpo na cama puxando o meu consigo, nos ajeitamos sobre o colchão e fiquei meio sentada e meio deitada sobre ele. Apoiei as coxas no colchão, ao redor do seu quadril. Nossos sexos estão se tocando de maneira tímida ainda e meu cabelo cai como cortina sobre o rosto de Edward.
Permanecemos apreciando as carícias por um tempo, tocando, explorando, sentindo o outro. Até que prendi os braços de Edward na cama e desci com meus lábios pelo seu maxilar, pescoço, subindo de novo para chupar o lóbulo da orelha.
Ele desfez minha pequena prisão e suas mãos vieram tirar meu vestido. Foi puxando o tecido, até tirá-lo por completo. Aproveitei que tivemos que nos desgrudar, para puxar sua camiseta também. Agora estamos com o dorso nu ou quase, já que ainda visto o sutiã, mas Edward tratou de se livrar logo dele.
— Não sei por que ainda os usa. Seria tão mais fácil se vivesse sempre sem.
— Você não entenderia o poder que um sutiã tem para uma mulher, meu bem.
— Entendo o poder que seus seios têm sobre mim, meu bem.
Nessa hora, ele começou a acariciá-los com os lábios, a língua circulando meu mamilo e depois a boca chupando todo o seio. Tive que apoiar meus braços no colchão, para que meu corpo não caia mole sobre o seu, pois com seus toques, posso facilmente desfalecer.
Quando ele parou, desci o corpo e voltamos a nos beijar, mas não por muito tempo, já que assumi o controle das carícias e fui desfrutando do seu corpo.
Meus lábios intercalaram entre lambidas e mordidas por seu peito, descendo até a bermuda, a qual tratei logo de tirar. O volume em sua boxer é enorme e para provocar, comecei a masturbá-lo por cima do tecido.
— Alguém está animado.
— É seu efeito sobre mim. Basta chegar perto e ele já fica desse jeito.
— Hun. Bom saber. Agradeço a preferência.
Respondi sorrindo e puxei a cueca, libertando-o para minha apreciação.
— Oh Dream, não sabe como fico molhada só de tê-lo assim, entre as mãos. Tão duro e grosso.
— E não ficaria ainda mais, se o tivesse na boca?
— Talvez, tenho que provar para saber, não acha?
— Com certeza.
Coloquei a boca e suguei seu pau, lambendo todo o possível.
Fiquei nesse ritmo seguido, parando apenas para falar
— Acho que agora estou ainda mais molhada Dream, chupar essa delícia me deixa... Ai!
Não terminei a frase e soltei um gritinho de surpresa quando Edward avançou puxando meu corpo para cima do seu, só que de ponta cabeça.
Ele ajeitou minhas pernas em frente ao seu rosto e rasgou minha calcinha.
— Edward!
— Com certeza não precisa dela também, agora posso comprovar se está mesmo molhada.
Sua língua lambeu toda minha feminilidade, subiu e desceu, sorvendo minha excitação.
— Hun, realmente molhadinha Heart, seria um desperdício deixar isso tudo sem receber a devida atenção. – Provocou. – Mas não disse que fica mais excitada enquanto me chupa? Pode continuar. Veremos o quanto aguenta.
Não temi e respondi de pronto.
— Vamos ver quem perde primeiro Dream.
Ele não perdeu tempo e voltou com a língua vorás e intensa a me deliciar, tão pouco perderei esse jogo, segurei seu membro com uma mão e voltei a chupar toda a extensão, subindo e descendo, no ritmo dos seus toques. Enquanto ele me enlouquece por um lado, retribuo do outro, abafando os gemidos com a boca presa ao seu pau.
Quando ele toca meu clitóris, pressionando suavemente o músculo, subo a língua para sua glande rosada, o provocando também, o fazendo sentir a mesma sensação de prazer que me proporciona.
Porém, não se dando por satisfeito em abusar de mim apenas com a língua, penetrou meu corpo deslizando dois dedos com facilidade pelo meu canal apertado, nessa hora não tive condições e o soltei, balançando o corpo, que implora por mais.
— Não Bella, aqui somos um. Se continuar, continuo. Mas se parar, pararei também...
Disse ao parar os movimentos, ainda sinto seus dedos dentro de mim, mas sem ação alguma.
— Vamos Heart. Está em suas mãos.
Recuperando o fôlego, inclinei o tronco e abaixei a cabeça até ficar a altura do seu membro novamente. Comecei a masturbá-lo e Edward voltou a bombear os dedos. Mas pegando-o de surpresa, levei a boca à outra parte sua.
Suas bolas que estão tão cheias, receberam minha atenção dessa vez.
— Porra Bella. Golpe baixo, muito baixo...
— Dois podem jogar o jogo meu amor, mas as cartas são suas. Se parar, pararei também.
Ouvi um grunhido e sorri voltando minhas ações, junto a ele.
Nossas provocações estão no limite para nossos corpos, deixei minha mãos tratando da região sensível e levei a boca ao lugar de origem. Edward também continuou me maltratando de forma gloriosa e não aguentamos muito mais, até explodir na boca do outro.
Sorvemos nossos prazeres e ficamos um tempo em silêncio, esperando que tudo volte ao normal.
— Brigar é horrível, mas a reconciliação sempre vale a pena.
Edward falou, virando meu corpo na cama e vindo para cima de mim.
— Não creio que o que tivemos foi uma briga, talvez apenas uma discussão, divergência de opiniões. – Respondi.
— Ah, que pena. Porque se tivesse sido uma briga, teria que me esforçar muito para reparar meu erro, mas já que não foi... Acho que vou tomar banho...
Ele fez menção de sair, mas o agarrei com as pernas e braços, deixando seu corpo grudado ao meu.
— Espera um pouco. Onde estava com a cabeça? Aquilo foi uma briga horrível, terrível, para não dizer mais, precisamos de algo muito bom para reparar.
— Algo muito bom, é? – Ele abaixou a cabeça para falar ao meu ouvido. – Muito bom do tipo meu pau devastando sua bocetinha melada?
— Oh, sim... Nesse nível está maravilhoso.
— Seu desejo é uma ordem.
Não tive tempo para pensar em mais nada, pois logo seu membro vigoroso tomou conta de mim, continuei com as pernas envolta de si, deixando meu corpo aberto no ponto exato para recebê-lo com prazer.
Suas estocadas são rápidas e fortes, nossos corpos chocam-se com intensidade. Desci as mãos por suas costas, arranhando-o sempre que mete mais fundo.
Sua boca faz delícias entre meu pescoço e colo. E quando geme no meu ouvido, quase me leva à loucura.
Por fim, entrelaçou os lábios aos meus, fazendo com que nossas bocas simulem a união que ocorre entre nossos sexos.
O tempo não é contado, o suor escorre livremente e tudo parece aumentar cada vez mais, senti meu baixo ventre contrair, minhas pernas apertarem mais ao redor de Edward e o pensamento que poderia alcançar as estrelas...
— Oh Edward, eu...
— Vem comigo Bella.
Cheguei ao ápice mais uma vez na noite com satisfação. Edward também teve sua liberação completa e desabou sobre mim, os dois quentes e arfando, mas totalmente felizes.
Por mais cansados que estejamos, não deixarei nossos corpos esfriarem antes de tomarmos banho, então levantei, arrastando Edward comigo para uma chuveirada fria e rápida.
Ao voltar ao quarto, ainda tive que trocar o lençol da cama, que estava sem condições de uso imediato e só depois, conseguimos deitar.
O silêncio agora reina no quarto, apenas sentimos a respiração do outro e aproveitamos a companhia, até Edward resolver iniciar um assunto.
— Estava pensando Bella...
— Em que?
— Não quero esperar muito para casarmos. Sei que já vivemos juntos e isso é ótimo, pois não aguentaria ficar longe de você, mas quero que seja oficial, que nossa união aconteça perante Deus e todos. Quero comprar uma casa grande com jardim, piscina e muitos quartos. Para o Miguel e os outros futuros filhos. Quero construir uma família de verdade.
— Também quero tudo isso Edward. Já nos vejo nos domingos em família. Você brincando com o Miguel e os futuros filhos ao redor da piscina. Comigo arrumando um almoço delicioso para nós, quero viver isso logo.
Respondi sorrindo.
— Ótimo, já que estamos de pleno acordo nos planos, queria saber. Tem alguma data que queira fazer a cerimônia? Um mês de preferência?
— Ainda não tinha pensando nisso concretamente. Você tem algo a propor?
— Não tenho algum dia especial, com certeza se tornará depois que o escolhermos, mas agora, ainda não. Só quero que seja esse ano e de preferência, o quanto antes.
— Quando era mais nova e tinha conversas assim com minhas amigas, falávamos em casar em fevereiro, perto do dia dos namorados. Esse para alguns é considerado o mês do amor, mas para nós já está muito em cima. Porém também pensava em casar no mês de maio, que é conhecido mundialmente como o mês das noivas. É um mês romântico também e não está tão perto. Temos cerca de quatro meses e meio para organizar tudo, acha que conseguimos dar conta?
— Por mim está perfeito. Tratarei das partes burocráticas, começarei a procurar uma casa, ver datas nas igrejas e os papéis que serão necessários para oficializar o casamento.
— Certo e convocarei minha equipe de madrinhas para ajudar nos outros preparativos.
Falei começando a me entusiasmar com a ideia.
— Muito bem, mas pode contar comigo para tudo. Não quero ser um noivo manequim, que só serve para estar no altar no dia do casamento. Quero participar e te ajudar no que for necessário.
— Edward, você não existe. Claro que vou querer sua ajuda e digo o mesmo em relação a nossa casa, a escolha da igreja. Faremos tudo juntos.
— Com certeza. E em um dia especial de maio, a transformarei na minha senhora Cullen.
— Mal vejo a hora...
Beijamo-nos e depois continuamos a conversar sobre diversos preparativos que faremos.
Realmente mal vejo a hora de todo esse sonho se realizar...
CONTINUA.
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