Endless Love
41 2ª Temporada Capítulo 15 - Emoções Parte 1
Notas iniciais
— Sua mãe sofreu um assalto, foi baleada e está no hospital em estado grave. Seu pai ligou para avisar e perguntar se quer ir até lá.
Terminei de falar e fiquei no aguardo da sua resposta.
E espero em Deus que ele deixe a mágoa de lado e aceite ir, pois talvez essa seja a última oportunidade de vê-la...
— Edward.
— Como? Como isso aconteceu?
— Não sei seu pai não disse. Só falou que estão no hospital e que o estado é grave. Você vai querer ir? Não vai?
— Claro que sim Bella. É a minha mãe!
— Tudo bem, vamos juntos.
— Será que meu pai já avisou Alice?
— Provavelmente.
Edward parece transtornado e com razão, mas de repente pareceu lembrar-se de uma coisa.
— Bella. E o Miguel? Não podemos deixá-lo sozinho e tão pouco quero que vá ao hospital em uma situação dessas.
Parei por um momento também, tentando pensar no que fazer.
— Nessie. – Murmurei. – Vou ligar pedindo que ela venha ficar com Miguel e nós vamos até o hospital. Enquanto isso, por que não vai tomar um banho? Assim que ela chegar, saímos.
— Ok.
Edward saiu da cama em direção ao banheiro e peguei meu celular discando rapidamente para minha irmã.
Ela demorou a atender, mas graças a Deus, depois de um tempo o fez.
— Alô.
— Nessie, sou eu Bella. Desculpe ligar essa hora, é que preciso que venha imediatamente para meu apartamento ficar com o Miguel.
— Tudo bem, mas o que houve?
— Uma tragédia. Carlisle acabou de ligar dizendo que Esme foi baleada e está no hospital em estado grave. Edward e eu vamos para lá, mas não podemos deixar o Miguel sozinho.
— Oh, meu Deus do céu. É claro que vou, já estou saindo, mas como ela está?
— Não sei, só descobriremos ao chegar lá.
— Jake está aqui comigo, vou falar com ele, ver se prefere ir ao hospital também ou ficar comigo e o Miguel, mas de qualquer forma, já estou indo.
— Obrigada Nessie, até já.
Desliguei e sentei tentando normalizar a respiração e me acalmar.
Não posso perder o controle agora, não quando Edward precisa tanto de mim.
Ouvi o barulho do chuveiro sendo desligado e logo a figura de Edward apareceu no quarto.
— Falei com a Nessie, ela já está vindo. Também disse que Jake está com ela e talvez queira ir ao hospital conosco.
— Tudo bem, talvez seja bom você tomar um banho também, eu espero.
Assenti, seguindo ao banheiro acatando a sugestão, tomei uma chuveirada rápida apenas para despertar.
Ao sair, não vi Edward no quarto, mas não me preocupei. Me vesti escolhendo uma roupa quente e confortável, afinal de contas, não sei quanto tempo ficaremos no hospital.
Quando terminei de me arrumar, sai em direção à sala e vi Edward deixando o quarto do Miguel.
— Liguei para Alice. – Informou. – Ela e Jasper já estão a caminho, mas assim como nós, ainda não têm nenhuma notícia de qual o real estado ou o que aconteceu de fato.
— Vai ficar tudo bem, prometo.
Assim que pisamos na sala, a campainha tocou.
Agradeci aos céus por serem tão rápidos. Abri a porta, permitindo suas entradas, Nessie me abraçou, enquanto Jake foi até Edward fazendo o mesmo.
Notei que estão vestindo robes, provavelmente por cima do pijama.
— Estamos aqui Bella, podem ir tranquilos que vamos cuidar do Miguel.
— Obrigada Nessie. Jake vai conosco? – Perguntei.
— Vou ficar com a Nessie, mas já liguei para meu pai e ele também irá ao hospital, quando souberem qualquer notícia, nos avisem. E se precisar de algo, irei imediatamente.
— Certo. Então já vamos.
Edward falou e saímos.
Peguei minha bolsa e a chave do carro, pois com certeza Edward não irá se opor que dirija, ao entrarmos no veículo fiz de tudo para dirigir rápido, porém ainda de maneira prudente, não quero nenhum outro acidente essa noite.
Como já é quase madrugada, não há trânsito e em pouco tempo adentramos os corredores do hospital. Os funcionários reconheceram Edward e logo o conduziu a sala de espera aonde vimos Jasper e Alice sentados. Ele parece estar consolando a mulher que chora encostada em seu ombro. Ao ouvirem nossos passos, Alice levantou o rosto e rapidamente veio em direção a Edward, interceptando-o em um abraço.
— Edward, não podemos perdê-la. Mamãe não pode morrer.
— Ela não vai Alice, fique tranquila. Isso não vai acontecer.
Os dois continuaram abraçados, conversando baixinho, mesmo assim Alice continua a chorar.
Aproveitei o ensejo para me aproximar de Jasper, cumprimentando-o.
— Já souberam alguma notícia? E cadê o Carlisle?
— Foi trocar a roupa, a dele estava suja de sangue.
— O que houve?
— Parece que saíram para jantar fora e na volta foram abordados por bandidos, eles falaram que era um assalto e pediram as coisas, Carlisle contou que ele e Esme nem tentaram reagir, estavam sendo condescendentes e entregando tudo, mas parece que um deles ainda não estava satisfeito e pediu a aliança de casamento da Esme, ela pediu que não levassem. Que era muito importante, então o assaltante atirou.
Ofeguei ao ouvir o relato e coloquei as mãos sobre a boca em espanto ao imaginar tal cena.
— E os bandidos? O que houve com eles?
Edward perguntou ao aproximar-se, mostrando que também ouviu as palavras do cunhado.
— Eles fugiram, é claro. Seu pai estava mais preocupado em salvar sua mãe e nem pensou em segui-los. Depois ligou para polícia e chamou uma ambulância, mas ainda não foi chamado para depor. – Jasper explicou.
— E onde foi o tiro? Como Esme está? – Perguntei novamente.
Nessa hora vimos Carlisle aparecer e ele próprio respondeu.
— O tiro foi profundo, a bala atravessou sua coxa, mas saiu. Algumas pessoas consideram esse um bom local para se levar um tiro, já que tem bastante músculo. E ela deu sorte, que a bala não se alojou, podendo prejudicar algum osso também, porém nessa região estão localizadas algumas veias e artérias muito importantes e se caso romperem gravemente, pode ser fatal. – Ele tomou uma nova respiração, antes de prosseguir. – Tudo foi muito rápido, quando vi, ela já estava sangrando, tentei fazer o que pude para estancar, mas agora os médicos estão com ela e não sei mais o que fazer. Sinto-me um impotente sem poder fazer nada pela minha mulher.
— Pai, não diga isso. O senhor sabe que nesses casos os familiares só atrapalhariam o procedimento.
— Eu sei Edward, mas você acha que consigo pensar na ética médica quando é sua mãe que pode estar entre a vida e a morte lá dentro? Minha esposa? Não. Mesmo com tantos anos exercendo a medicina, ainda não consegui agir friamente em casos como esse.
Ninguém ousou dizer mais nada.
É perceptível o clima pesado na sala, como Edward e Carlisle trabalham aqui, fomos atendidos com um pouco mais de cordialidade, creio eu.
Recebemos oferecimento de água e café, mas ninguém está disposto a aceitar algo, apenas notícias sobre Esme.
As horas estão passando, tio Billy chegou para nos fazer companhia e liguei para Nessie, em busca de notícias do Miguel. Ela falou que continua dormindo e que ela e Jake estão apostos, a espera de notícias.
Já passa da meia-noite, porém finalmente vimos um médico vir em nossa direção. Edward e Carlisle prestaram atenção e notei que deve ser o doutor responsável pela cirurgia.
— Eleazar, como está Esme? Diga-me a verdade.
— É claro que direi Carlisle, mas fique calmo. Como deve ter percebido, o tiro passou por sua coxa, não atingiu nenhum osso e isso nos garante que não trará sequelas motoras. Apesar da bala não ter alojado, ainda fez um grande estrago nos músculos internos, conseguimos reconstituir os tecidos rompidos, entretanto, ainda atingiu a artéria femoral.
Não entendi a gravidade da situação, mas pela expressão no rosto de Edward e Carlisle, a situação pode ser bem mais séria do que imaginamos.
— Eleazar, o que houve com a minha mulher?
— Graças a Deus sua esposa teve sorte, porque não chegou a romper o ligamento completamente, se isso tivesse acontecido, ela não teria resistido, mas como disse. Foi uma sorte, a bala parece ter pegado apenas de raspão, conseguiu romper um pouco, mas estancamos o sangramento e a colocamos em coma induzido, para que seu corpo possa se recuperar do trauma. Entretanto, precisamos de uma transfusão de sangue imediata, para repor o que perdeu. Isso ajudará na recuperação e a dará maiores chances de sair dessa praticamente ilesa.
— Mas o que tudo isso quer dizer doutor? Desculpe-me, mas o senhor falou, falou e até agora não sei se minha mãe está bem ou não.
— Alice, por favor.
Jasper tentou contê-la, mas a entendo, pois me encontro na mesma situação.
— Fizemos o que podíamos na cirurgia, como expliquei, ela está em coma induzido, mas seu corpo parece reagir bem. Ela teve sorte e com isso facilitou os procedimentos, o mais importante agora é fazermos a transfusão, pois somente após isso poderemos avaliar realmente como será a situação final. Vim comunicá-los dos resultados e informar que precisaremos de um doador. O tipo dela é O-. É conhecido como doador universal, pode doar a todas as pessoas, mas recebe somente do mesmo tipo e infelizmente isso acaba dificultando as buscas. Já verifiquei no banco do hospital e nosso estoque está vazio, já acionei os hospitais próximos, mas seria bom se algum parente ou conhecido que possuísse o mesmo. Assim a senhora Cullen terá mais chances de se recuperar totalmente, sem qualquer sequela.
— Nossa família não tem o mesmo tipo sanguíneo que ela. Nem Alice, Edward ou eu. – Carlisle falou.
— Não sei qual é meu tipo, poderia fazer um teste para descobrir? – Jasper sugeriu.
— Também farei o teste doutor. – Tio Billy o acompanhou.
— É ótimo que se prontifiquem e mesmo que não sejam compatíveis com a senhora Cullen, podem se dispor a doar pela coleta do hospital?
— Certamente o faremos doutor. – Tio Billy respondeu.
Observei o médico conversando com os dois, para poder encaminhá-los para o teste. Absorvi a ideia por alguns segundos, mas não precisei mais do que esse tempo para tomar minha decisão.
— Doutor. — Chamei e as atenções voltaram a mim. – O senhor pode fazer o teste com eles e possivelmente isso ajudará outras pessoas, mas para Esme creio que possa fazer a doação. Já que temos o mesmo tipo sanguíneo.
— Bella, você também é O-? – Edward perguntou.
— Sim, durante a gestação do Miguel tive que fazer certos exames e um desses revelou meu tipo sanguíneo. Creio que seja eu a escolhida para ajudá-la.
— Bella, muito obrigado. Não sabe o quanto isso é importante para nós.
Carlisle falou e apenas balancei a cabeça.
— Não tem o que agradecer Carlisle. O que faço não é nenhuma obrigação.
— Pois bem, se já encontramos o doador, vou encaminhá-la para a sala de coleta. Trataremos de você primeiro, já que é certeza da compatibilidade e depois voltaremos para fazer os testes. A senhorita queira me acompanhar.
— Vou com vocês Eleazar, Bella precisa de um acompanhante e sou o namorado dela.
— Tudo bem, vamos.
Os segui até uma salinha reservada, Eleazar explicou rapidamente como serão os procedimentos, mas não me atentei muito, já que Edward está comigo e cuidará de qualquer parte clínica.
Sentei em uma cadeira e uma enfermeira veio cuidar dos procedimentos.
— Boa noite, vou fazer um teste para avaliar seu nível de hemoglobina, logo após medirei sua pressão arterial e os batimentos cardíacos, tudo bem?
— Sim, tudo.
— Certo, enquanto isso farei umas perguntas, responda-as com sinceridade.
Assenti e ela começou o interrogatório. Perguntou minha idade, peso, quando e qual foi a ultima refeição que fiz, quantas horas dormi na noite anterior, se ingeri bebida alcoólica ou algum outro tipo de droga lícita nas ultimas 12h. Se estou grávida e se possuo algum tipo de doença com controle através de remédios.
Depois de responder tudo, ela terminou de anotar sobre os testes e logo aplicou a agulha no meu braço para fazer a coleta, preferi não ficar olhando enquanto o sangue sai, não é porque namoro um médico, que sou totalmente adepta as coisas de hospitais.
Quando a coleta terminar, ganhará um lanchinho e durante esse dia procure não fazer esforços físicos e tome muito líquido, tudo bem?
Assenti e Edward respondeu.
— Pode deixar que cuidarei dela após sairmos daqui.
— Tenho certeza que sim Doutor Cullen, agora com licença.
Ela se afastou indo fazer alguma coisa e Edward ficou ao meu lado, segurando minha mão.
— Dizer isso é pouco para o que está fazendo Bella, mas obrigado.
— Não precisa agradecer, faço isso de coração. Ela é a sua mãe e da Alice, esposa do Carlisle, avó do Miguel. Esme sempre foi uma pessoa importante na minha vida, pelo que representa na vida das pessoas que amo. Não poderia deixar de ajudá-la em um momento que realmente precisa de mim.
— Você é única. Uma mulher incrível. Não adianta falar que qualquer um faria o que está fazendo, porque não é verdade. Ainda mais depois de tudo o que ela te fez.
— Shhh. Não falaremos disso agora. Certos assuntos ficam pequenos diante das circunstâncias e esse caso é um deles. Não vamos falar de coisas ruins, vamos apenas rezar para que tudo dê certo e sua mãe saia bem dessa.
Ele assentiu e permanecemos em silêncio pelo restante do tempo que fiquei na sala, depois de tudo pronto, voltamos à sala de espera.
— Vocês podem ir embora para casa. – Carlisle informou. – Esme ficará no coma induzido pelo menos até o amanhecer. Eu ficarei com ela e dou notícias a qualquer novidade.
— Carlisle, se não se importa, gostaria de ficar, pelos menos até termos alguma informação sobre como ela reagiu à transfusão. Quero saber que meu sangue realmente conseguiu ajudá-la.
— É claro que pode ficar Bella, mas prometa que assim que sair o laudo, irá descansar. Isso tudo gera um grande esforço do corpo e você também precisa de cuidados.
Assenti e sentei tendo Edward sempre comigo como apoio.
Mais algumas horas passaram, não sei quanto tempo, acho que cochilei, mas despertei quando ouvi a voz do doutor e dos outros comemorando em alívio que o corpo dela está recebendo bem a doação.
Como Carlisle falou, ela não despertará agora, por isso o deixamos, seguindo para nossas casas, com a promessa de voltar mais tarde.
Meu corpo e mente continuam cansados, quando chegamos, fui carregada nos braços por Edward até o quarto. Vi de relance a presença de Jake e Nessie e posso ter ouvido Edward explicando o que houve, também dizendo para ficarem a vontade no quarto de hóspedes, que iremos dormir, depois disso apaguei...
O dia transcorreu em uma rotina anormal...
Hoje seria o primeiro dia de Edward no turno novo, mas a diretoria do hospital lhe deu folga, por conta dos acontecidos da noite anterior. Também não fui trabalhar, quando acordei já havia perdido o horário, mas Edward informou ter ligado no escritório e avisado a Nina sobre minha ausência.
Depois também liguei, pedindo para remarcar os compromissos e lhe dei folga pelo resto do expediente, já que não estarei lá, ela não terá muito que fazer, por conta da falta não planejada.
Diante das situações, Miguel também acabou ficando em casa. Edward disse que não acordou a tempo de levá-lo, mas no fundo sei que apenas quis ficar na companhia do filho.
Essa história toda o deixou muito abalado e tenho certeza que a presença do Miguel o ajudará a lidar melhor com os sentimentos.
Nessie e Jake acordaram cedo e foram embora, para se trocarem e seguirem com as obrigações, mas ambos já foram ao hospital ver como Esme está e falar com Carlisle sobre alguma notícia na mudança do quadro, mas até o momento, nada mudou.
Porém, no fim da tarde fomos surpreendidos por uma ligação de Alice, informando que os médicos tiraram sua mãe do coma induzido e ela já está respirando sozinha e que logo mais acordará, ao sabermos disso, decidimos voltar ao hospital e estar lá no momento que acorde.
Dessa vez, não temos com quem deixar o Miguel, então irá conosco, mas avisamos que é uma situação delicada e que terá que se comportar, ficando quietinho e sendo paciente em esperar pelo tempo que for. Ele muito compreensivo pareceu entender e acatar tudo que pedimos.
Ao chegarmos ao hospital, encontramos Alice e Jasper acompanhados do Carlisle, que tem uma expressão cansada, porém com certo alívio pelo andar da situação diante de tudo o que poderia ter acontecido.
Quando o médico apareceu, foi para avisar que Esme está acordada, reagindo bem à recuperação e que pouco a pouco poderemos entrar para vê-la.
Carlisle foi o primeiro, ninguém fez objeção, já que ele parece o mais necessitado em comprovar o real estado da mulher.
— Posso ir depois Edward? Quero muito ver a mamãe.
— Claro Alice, pode ir à frente, depois que papai sair vou conversar com ele e veremos quanto tempo restará da visita.
Quando Carlisle saiu, Alice logo foi para o quarto.
— Vou até a lanchonete comer alguma coisa. Alguém quer vir comigo, Miguel? – Jasper propôs.
— Posso ir com o tio Jasper?
— Pode filho, mas obedeça ao seu tio. – Respondi.
Ele assentiu, saindo de mãos dadas com o mesmo, sussurrei um obrigada a Jasper, que só balançou a cabeça e seguiu o caminho até a lanchonete.
— Você vai querer entrar Edward?
Carlisle questionou, assim que ficamos a sós.
— Se der tempo, sim. Quero ver como a mamãe está.
— Muito bem, mas ela fez um pedido muito importante. Ela quer ver os dois. Você e Bella.
— Nós dois? Por que ela quer me ver também?
— Não sei Bella, ela não disse, mas desde que entrei no quarto, perguntou sobre vocês e quando falei que estavam aqui, pediu para que entrassem. Que tem algo a falar com os dois.
— Então iremos, não tem problema.
Edward respondeu e assenti concordando.
Alguns minutos depois, Alice saiu e falou a mesma coisa, que a mãe quer nos ver.
Sendo assim, caminhamos até o quarto, ao entramos, notei que ela parece bem, apesar de tudo, meio pálida e um pouco debilitada, com alguns fios ligados aos braços e não sei como está sua perna, já que o restante do corpo está coberto por um lençol. Mas de um modo geral, parece bem.
— Oi mãe. Viemos ver como à senhora está.
— Edward, Bella. Fico feliz em vê-los. Preciso muito conversar com os dois, não pensei que estariam aqui, mas dei sorte por terem vindo.
— Ficamos preocupados Esme. Não deixaríamos de vir. – Respondi.
— Sim, Bella. Fiquei sabendo que fez a doação de sangue, que ajudou a salvar minha vida. Nada no mundo nunca poderá pagar o que fez, mas te agradeço muito, de coração.
— Não tem o que agradecer Esme. Não se preocupe com isso agora. O importante é que está bem, fora de perigo e daqui para frente tem que se concentrar na sua recuperação.
— Você como sempre gentil, mas não os chamei para falar disso. Ontem, nos instantes que percebi o que acontecia, antes de perder a consciência, só pensei no que fiz a vocês. E que se morresse, não teria revelado a verdade. Portanto, gostaria de fazer isso agora. Contar o que realmente aconteceu, o que me levou de fato, a fazer tudo que fiz.
— Mãe, não precisa falar disso agora...
Edward tentou freá-la, mas ela o interrompeu.
— Eu preciso meu filho. Isso que aconteceu serviu para abrir meus olhos. Talvez ter escapado tenha sido a segunda chance que Deus está me dando para recomeçar e tentar reparar meus erros. Preciso falar e preciso que escutem.
— Tudo bem Esme. Se isso é tão importante para você, iremos ouvir. – Falei.
— Muito bem. Podem chegar mais perto. – Peguei uma cadeira e sentei ao lado da sua cama, Edward ficou em pé atrás de mim. – Não sei se lembram, mas disse que já vivi uma situação dessas, semelhante à de vocês e isso é verdade. Vi algo parecido acontecer com Jonathan, meu irmão.
— Espera. Irmão? Mas sua única irmã não era a tia Sarah? A mãe do Jake?
Edward a interrompeu com o questionamento.
— Isso é o que todos sabem. O que minha família quis que todos soubessem, mas não é a verdade. Meus pais tiveram três filhos, Jonathan, Sarah e eu. Ele era meu irmão gêmeo, o homem da família, meu irmão e melhor amigo. Nós três sempre nos demos muito bem, mas entre Jonathan e eu existia algo maior, um laço que ninguém sabia descrever, talvez fôssemos assim por ter dividido tudo desde sempre, apenas sentíamos. Ele era o filho modelo, bom aluno, amigo, bom nos estudos, tinha um futuro promissor pela frente e já tinha encontrado o amor de sua vida, Lucy era seu nome. Lembro-me que ele disse uma vez, que nenhuma mulher no mundo seria mais importante em sua vida do que eu, que se viesse a se apaixonar e eu não gostasse da moça, ele largaria tudo, porque nossa irmandade sempre seria mais importante, mas ele deu sorte, porque Lucy era adorável. Me afeiçoei a ela rapidamente e assim o namoro deles transcorreu tranquilamente, até que tivemos uma surpresa.
Não sei se a pausa foi proposital ou não, porém a esperamos prosseguir.
— Eles já tinham ingressado na faculdade, mas como as famílias possuíam uma renda estavelmente boa, os dois ainda não precisavam trabalhar, mas isso mudou quando Lucy engravidou. Foi um choque para todos quando a notícia explodiu. Naquela época, a sociedade não era tão maleável em questão de gravidez na adolescência, mas as duas famílias se conheciam, então sentaram e conversaram, entrando em um acordo. Meu irmão assumiria o bebê, ficaria responsável pelos gastos e arrumaria um emprego, mas durante a gestação, Lucy continuaria morando com os pais, apenas quando meu irmão arrecadasse dinheiro suficiente para alugar uma casa, é que passariam a morar juntos. No papel estava tudo acertado, mas a vida real não é fácil e meu irmão descobriu isso da pior forma...
Não acredito que a história terá um final feliz, porém, ainda sim, me agarrei a um fio de esperança.
— Com o passar do tempo ele foi mudando, o desgaste da rotina de emprego e faculdade o fez mudar. Quando chegava cansado, meu pai ainda brigava, dizendo que ele tinha que ser homem para assumir as responsabilidades que criou e não ficar reclamando como um frangote. O clima em casa estava cada vez pior. Jon estava tão mudado, não sorria mais, não conversava mais comigo, não fazia nada além de trabalhar e estudar, até com Lucy ele mudou. Ela tinha esperança que depois que o bebê nascesse ele voltasse a ser como antes, que o amor pelo filho o levaria de volta ao homem que sempre foi, mas isso não aconteceu. Em mais um dia que chegou cansado do trabalho e falou que não ia para faculdade, meu pai e ele tiveram outra discussão, não posso dizer que foi a pior de todas, mas com certeza foi à última. E aquela também foi à última vez que o vi.
A essa altura, Esme está chorando, envolvida pelas lembranças, mas eu também, ao imaginar tudo que passaram.
— Naquele tempo, Lucy estava com cinco meses, já sabíamos que era um menino, mas ninguém nunca chegou a conhecer o bebê. Depois da discussão, meu irmão simplesmente pegou o carro e saiu. O que sei do resto da história foi o que os pais da Lucy contaram. Ele foi até a casa dela, talvez querendo conversar, querendo ter o apoio de alguém, mas ele estava errado e Lucy sabia disso. Ela não era do tipo de pessoa que deixa de falar a verdade, apenas para acalentar alguém, mesmo esse alguém sendo a pessoa que ama. Por fim, ele deve ter se estressado com ela também e saiu, mas Lucy foi junto, entrou no carro com ele e nunca mais voltou. Mais tarde naquela noite, só recebemos a ligação, era a polícia, informando sobre ter encontrado o carro do meu irmão capotado na estrada... E os três, meu irmão, Lucy e o bebê, não sobreviveram. Posso dizer que senti aquela dor, talvez nossa ligação de gêmeos tenha me alertado, mas não pude fazer nada...
— Mas mamãe, como nunca soubemos dessa história?
— Porque meu pai quis assim Edward. Depois do acontecido, nossa família ficou muito abalada e papai quis esconder tudo. Ele sabia que meu irmão era o culpado pelo acidente, que era o responsável pela morte de mais duas pessoas. Com isso, mudamos de cidade e ele nos mandou esquecer que algum dia Jonathan havia existido. Com sua morte, deveríamos enterrar também todas as lembranças. Ele não queria abalar ainda mais o nome da família Masen, por isso só nos restou acatar a decisão, pelo menos publicamente, porque jamais esqueci meu irmão. Porém esse sempre foi um assunto doloroso e não falar dele fazia que a ferida doesse menos, com o passar dos anos fiquei apenas com as boas lembranças e tentei deixar de lado toda essa tragédia, lidei bem com esse fato. Até o dia que você apareceu na minha casa dizendo que estava grávida e vi meu pior pesadelo acontecer de novo.
— Sinto muito por sua perda e por toda essa tragédia. Mas isso não quer dizer que aconteceria o mesmo comigo e Edward. – Declarei.
— Eu sei Bella, as pessoas são diferentes e criei meu filho para ser um bom homem, mas estava ali, na minha cara. À destruição da minha família e de outra também. Vocês não o conheceram, mas meu irmão era a melhor pessoa de todas... E ele mudou. Os traumas e as responsabilidades mudam as pessoas e não queria que a história se repetisse. Simplesmente não podia deixar. Sobrevivi, aguentei firme a perda do meu irmão, mas jamais me perdoaria se perdesse também meu filho e se levasse junto você e o bebê. É claro que não estou dizendo que tudo aconteceria da mesma forma, mas sabia que se as coisas chegassem ao ponto que chegaram com meu irmão e Lucy. Porque sei, ela entrou naquele carro mesmo vendo que meu irmão estava nervoso e transtornado, porque o amava. E seria capaz de tudo para tentar ajudá-lo, mesmo que aquilo significasse colocar em risco sua vida e do bebê. E Bella, sinto que faria o mesmo por Edward, que o amor de vocês poderia levá-los ao extremo, para poder salvar um ao outro. Errei em interferir no destino, mas para o meu coração. Era melhor saber que estavam separados e vivos, do que juntos e mortos, como Jonathan e Lucy.
Não tenho o que responder diante disso, minha cabeça está em uma confusão de pensamentos que não posso explicar.
— Sinto muito pelo o que os fiz passar. Pela dor da separação, por fazê-los pensar que seu amor havia acabado. Sinto ter magoado até meu neto nesse processo, mas sou humana e mãe. Sempre tentaremos fazer o melhor por nossos filhos, mesmo que nossas decisões aparentemente sejam as piores possíveis. Ainda não espero receber o perdão de vocês, apenas precisava deixar clara essa parte da minha vida e o que me levou a fazer tudo aquilo. Errei e vou levar sempre comigo a culpa de ter interferido em seu destino, mas agora só peço a Deus, que a cada dia possam se reconstruir e seguir em frente com a família e o amor que construíram.
Quando ela terminou de falar, uma enfermeira bateu na porta dizendo que temos que ir embora, o horário de visitas acabou e Esme precisa descansar.
Edward e eu não dissemos nenhuma palavra desde que saímos do quarto até chegar ao apartamento.
Alice e Carlisle, que estavam na sala e viram quando saímos, devem ter percebido em nossas expressões que não conseguiríamos conversar, apenas pegamos Miguel com Jasper e seguimos.
Tendo muito no que pensar sobre o que ouvi, assim como Edward, respeitamos o tempo e espaço do outro.
No apartamento, agimos normalmente, preparei o jantar e após a refeição, passamos um tempo com Miguel, que nos perguntou o que verdadeiramente fomos fazer no hospital.
Tentamos explicar que uma pessoa importante está doente e fomos visitá-la, contamos meias verdades, mesmo achando que já está na hora do Miguel ser apresentado formalmente a sua outra avó, contar tudo antes de Edward e eu conversarmos sobre o que ouvimos, não é uma opção.
Depois de o colocarmos para dormir, seguimos ao nosso quarto e cada um teve seu tempo para refletir a sós no banho.
E finalmente quando nos juntamos na cama, iniciamos a conversa.
— Você realmente acredita em tudo que descobrimos? – Edward perguntou.
— Claro. Você não?
— Não quis dizer no sentido de não acreditar na minha mãe, mas sim no fato de parecer inacreditável tudo que descobrimos. O que ela nos contou.
— Vocês realmente nunca tiveram ideia de nada?
— Não, ninguém lá em casa fazia a mínima ideia de tudo que aconteceu no passado da minha mãe, ainda mais envolvendo essa história de irmão gêmeo e toda a tragédia.
— É realmente muito triste o que aconteceu. Deve ter sido difícil para sua mãe, toda a família e a da moça também, superarem algo assim.
— Eu sei, só não sei ainda se consigo perdoá-la pelo que fez conosco. Não somos aquele casal. A história pode ter sido parecida no início, mas não tinha porque ter o mesmo desfecho trágico.
— Essa é uma resposta que nunca teremos Edward, mas como já conversamos, sua mãe tomou uma posição diante do nosso relacionamento, mas foram nossas decisões e escolhas que completaram o desfecho. Porém hoje estamos juntos de novo, como uma família. O que aconteceu está no passado e não podemos mudar, agora temos a opção de seguir em frente ou ficar remoendo coisas que já não importam mais.
— Você acha que pode esquecer e perdoá-la?
— Esquecer não, mas aprender a lidar com o assunto sem mágoas e perdoá-la? Sim. Na verdade, já o fiz. No momento que reconquistei tudo que perdi e vi que não valia a pena guardar rancor sobre esse assunto, senti que a havia perdoado. Edward acha que vale a pena levar esse sentimento ruim, essa mágoa e essa angústia adiante? Ela cometeu um erro? Sim. Não podemos negar, mas não era o que pensávamos, pelo motivo de apenas nos separar, ela agiu impulsivamente, embasada em algo que já viu acontecer. Além do que, acho que já sofremos o suficiente e isso basta para apagar os erros. Sofremos pela separação e agora nessa segunda chance, estamos lidando melhor com as questões do relacionamento. E sua mãe sofreu com a perda do irmão e desestabilização da família, sofreu pelo que teve que fazer conosco e sofre até agora com a situação de vocês. Ela está isolada de todos que ama e acabou de passar por um grande trauma, será que não é a hora de encerrarmos esse assunto e reconstruir os laços que estão perdidos? Não acha que sua mãe também merece a chance de recomeçar? A mesma chance que estamos tendo? Não te pressionarei ou direi o que tem que fazer. Essa é apenas minha opinião e acredito nela. Mas digo de todo o coração. Que sim, já perdoei sua mãe. E quero mais do que tudo ver nossa família reconstituída, unida novamente.
Terminei de falar e Edward permaneceu em silêncio, não preciso de uma resposta agora e não é a mim que a deve e sim a ele mesmo e ao seu coração.
Com isso, dei o assunto por encerrado e trouxe seu corpo para o meu, aconchegando-nos na cama, afinal de contas, amanhã será um novo dia e como graças a Deus, Esme parece bem e logo terá alta, nossa rotina voltará ao normal.
Edward ainda terá a oportunidade de estar com a mãe, já que vai para o hospital, mas o que fará diante de tudo isso e quando tomará uma decisão, só ele poderá decidir...
***
Olhando pela janela a neve que cai lá fora, as ruas abarrotadas de pessoas que andam apressadas, correndo para seus compromissos. Apesar de não gostar muito do frio, adoro essa época do ano por conta das festas.
Natal é minha data preferida e estou mais que feliz em saber que esse ano passarei ao lado da minha família, depois de um ano como esse, será bom passar um tempo feliz sem mais preocupações.
Os dias até a chegada do natal correram como o vento ou como as pessoas lá embaixo, que podem estar apressadas também para comprar seus presentes, alimentos e outras coisas para os preparativos da festa mais especial do ano.
Minha família sempre foi religiosa, apesar de estar um pouco afastada das doutrinas da igreja nesses tempos, fomos criados dentro das regras da mesma e aprendi desde cedo que o natal não é uma data para apenas festejar, comer e encontrar a família.
É um momento de união e renascimento. Encontrar-se dentro de si. De religar sua fé com Deus e seus ensinamentos. Mostrando e vivenciando os valores por Ele ensinados. E pedir Sua benção e proteção para mais um ano.
Esse com certeza será um natal diferente. O primeiro do Miguel com a família, meu primeiro com Edward e o primeiro de todos juntos. Das pessoas que amamos reunidas em volta da ceia, compartilhando amor, fraternidade, carinho e nossa fé.
E o melhor de tudo é saber que todos estarão de alma limpa, que a união e o elo das nossas famílias foi reestabelecido...
A última peça que faltava para acertar os ponteiros foi feito quando Edward tomou a decisão de perdoar a mãe.
Sei que não foi fácil e demorou ainda um tempo para tudo acontecer, porém tinha certeza desde o início que ele tomaria a posição certa.
Após alguns dias, Esme já se recuperava em casa, mas com boas melhoras a cada dia. Meu irmão e Rose regressaram da lua de mel e ficaram muito surpresos com tudo o que houve em sua ausência.
Todos, incluindo amigos e familiares, foram visitá-la, apenas nós continuávamos afastados, mas em um feliz fim de semana de dezembro, fomos de corações abertos até a casa dos Cullen para conversar com Esme sobre as últimas palavras que precisavam ser ditas, para encerrar de vez o assunto do passado.
— Estou feliz que vieram.
Carlisle falou ao nos receber.
— Eu também Carlisle. – Respondi.
— Oi vovô.
— Oi garotão. Veio passar uma tarde com o vovô?
— Uhum, papai e mamãe falaram que vieram resolver um assunto importante, enquanto isso vou ficar com o senhor, mas depois irei conhecer uma pessoa especial. O senhor sabe quem é?
— Sei sim, mas vou deixar que seus pais falem sobre essa pessoa a você. Agora venha comigo ao meu escritório, tenho uma coisa muito legal para te mostrar. – Miguel assentiu entusiasmado. – Fiquem a vontade. Esme está lá no quarto esperando por vocês.
— Obrigado papai. Vamos conversar com ela e logo depois venho pegar o Miguel.
— Sem problemas. Vocês precisam de tempo e adorarei ficar um pouco com meu neto.
Com isso, foi em direção ao escritório e nós às escadas em direção ao quarto.
Quando chegamos, Edward bateu na porta e ouvimos um leve entre, ao entrarmos, vimos Esme sentada na cama, parecendo bem melhor, desde a última vez que a vimos, ainda no hospital.
— Edward, Bella, que bom vê-los aqui.
— Oi Esme. – Saudei. – Viemos visitá-la, ver como está.
— Estou muito bem, me recuperando, já tirei os pontos, ainda tenho que ficar um pouco de repouso para não forçar muito a perna, mas de resto, estou bem.
— Que bom, fico feliz por saber disso.
— Obrigada pela preocupação, mas fiquem a vontade, sentem-se.
Peguei a cadeira próxima à cama e me acomodei, deixando que Edward fique perto da mãe, sentado ao seu lado na cama. Ele o fez e para nossa surpresa, pegou em sua mão, começando a falar.
— Mãe, não sei como começar. Não sei se devo lhe pedir desculpas pela forma que agi na nossa última conversa ou se apenas devo dizer o que há no meu coração.
— Filho, você não tem que pedir desculpas por nada. Eu que sempre terei que me desculpar com vocês pelo que fiz.
— Esme, viemos aqui para ver como está, mas também para conversarmos. Aquele dia no hospital não conseguimos dizer nada diante de tudo que revelou, mas Edward e eu conversamos muito e viemos acertar de vez tudo que houve e colocar um ponto final nessa história.
— Certo, estou ouvindo vocês.
— Mãe, a senhora sabe como Bella é uma mulher maravilhosa, como coloca o coração diante de tudo e que tem feito bem a minha vida. Ela sempre me guia, me faz enxergar as coisas com a clareza necessária e dessa vez não foi diferente. Mesmo quando ainda estava confuso e magoado, ela falou que já havia lhe perdoado, mas que deixava em minhas mãos a decisão de fazê-lo também ou não. Como sempre, demorei um pouco para resolver meus sentimentos comigo mesmo, mas quando parei para ouvir meu coração, percebi que não posso mais ficar ressentido. A senhora é minha mãe. A primeira mulher que aprendi a amar, talvez por isso tenha ficado tão magoado quando soube da verdade, mas agora isso já não importa mais. Tenho a mulher que amo e meu filho ao meu lado, estamos construindo uma vida juntos e não quero começar algo novo com eles, com tanto ressentimento no coração, ainda mais com minha mãe. Seu acidente também me fez refletir muito e não podia pensar em sensação pior do que perdê-la, seja física ou emocionalmente. A senhora passou por tanta coisa, não sei como foi, mas imagino que tenha sido muito duro tudo o que houve com meu tio e sua família. E não quero isso para mim, carregar essa dor. Por isso mãe, vim lhe dizer que te perdoo. Á senhora fez tudo querendo nos proteger, houveram erros e falhas de ambas as partes, mas acho que entendo como pai, que tentaria fazer qualquer coisa para garantir a felicidade do Miguel. O que passamos não dá mais para ser desfeito, mas o que temos hoje é o que importa. Agora quero reconstituir nossa família como era antes. Quero que a senhora faça parte da fase mais feliz e importante da minha vida. Desculpe por ter demorado tanto tempo para enxergar isso e por ter precisado que esse acidente acontecesse para que pudéssemos nos acertar, mas a senhora sabe como sou meio cabeça dura.
Pequenas lágrimas começaram a escorrer dos olhos de Esme.
— Você é perfeito meu filho. Um homem maravilhoso que seu pai e eu criamos. Sinto muito de verdade, por mais que estejamos dispostos a perdoar, sempre lamentarei pelas atitudes que tomei que o magoaram tanto, a vocês dois, aliás. – Ela pegou minha mão também. – Bella, fico muito feliz em tê-la de volta as nossas vidas. Ver a felicidade nos olhos do meu filho me faz perceber que mesmo errando, tive a intenção certa em protegê-la também, porque jamais poderia deixar que se perdessem quando o amor poderia perdurar. Obrigada por ter sido tudo que sempre soube que era. Uma mulher forte, determinada, boa mãe. Uma mulher que sabe entender e perdoar, até mesmo a alguém como eu. Espero que um dia possamos voltar a ter a cumplicidade de antes, porque gosto de você como uma filha e do mesmo jeito que errei com Edward, tentando protegê-lo, o fiz com você pelos mesmos motivos.
Agora eu que comecei a me entregar ao choro.
— Assim como ao Edward, no início doeu muito porque sempre a considerei alguém especial, mais do que uma sogra com certeza, mas a vida é tão curta e tão mais importante para nos apegarmos a sentimentos ruins de mágoa, ressentimento e só nos levaria a autodestruição e de forma alguma quero isso para algum de nós. Também te perdoo Esme, mesmo não sendo digna de usar tais termos e palavras, já disse ao Edward, porém quero dizer a você também. Suas atitudes poderiam ter nos levado a um caminho, mas fomos nós e nossas escolhas, que fizeram o resto acontecer. E quem sabe isso não estava escrito em algum lugar? Nos planos de Deus também. Ele nos mostrou através de você, que precisávamos desse tempo longe um do outro para que quando nos reencontrássemos, estivéssemos prontos para viver nosso amor e aqui estamos. Tendo nossa segunda chance na vida, assim como você. Então, essa é a hora de deixarmos o passado com as coisas ruins para trás e levarmos apenas as boas e os aprendizados. Quero construir uma família inteira com Edward e isso inclui você, que com certeza é alguém muito especial para nós e para seu neto que está ansioso em conhecê-la formalmente.
— Oh, meu Deus. Obrigada Bella, nesses meses lamentei muito minhas atitudes, mas uma das coisas que mais senti falta, foi de ter sua presença. Quando Carlisle chegava depois de vê-lo e falava da perfeição de garoto que ele é, entendia o quanto estava perdendo.
— Mas isso também já é passado mamãe, agora Miguel poderá ter o carinho da outra avó que tanto espera, assim como à senhora, podemos pedir para ele subir? – Edward perguntou.
— Sim, mas antes posso pedir um abraço aos dois?
Não respondemos, apenas inclinamos até a abraçarmos. Esme depositou um beijo em nossas testas e segurou firmemente em nossas mãos.
— Deus realmente está me dando uma segunda chance, de fazer o certo com vocês, com meu neto e comigo mesma. Só tenho a agradecer por terem o bom coração de me perdoar.
— Está tudo bem agora, tudo em seu devido lugar. – Respondi. – Mas vamos chamar o Miguel, ele está ansioso para vê-la.
Edward assentiu e desceu para chamá-lo junto com Carlisle.
— Bella, nunca serei capaz de agradecer por tudo que fez a minha família, por meu filho e por mim, mas agradecerei a Deus sempre por Ele ter te colocado no nosso caminho e na vida do meu filho.
Antes que pudesse responder, vi os três entrando no quarto.
— Miguel, vem cá falar com a Esme. – O chamei.
— Me lembro da senhora. É a mãe da tia Alice e do meu papai. A senhora é minha outra vovó?
Perguntou parecendo meio confuso, mas também entendendo os fatos.
— Sou sim querido. É muito bom vê-lo outra vez.
— A senhora é muito bonita, assim como vovô, papai, mamãe e eu.
— Oh, muito obrigada. Você é muito lindo mesmo e se parece com seu pai quando tinha essa idade.
— Jura?
— Sim. Quer ouvir as histórias que tenho para contar sobre ele?
— Claro vovó, quero muito.
— Então vem aqui, senta ao meu lado que vou te contar.
Miguel se aproximou todo eufórico e antes que sentasse na cama e pudesse atingir a perna da Esme, o alertei.
— Filho, cuidado ao sentar. Esme está se recuperando e terá que ter cuidado com a perna dela.
— A senhora está dodói vovó?
Questionou, ficando automaticamente preocupado.
— Já estou bem querido, foi só um susto, mas os médicos, como seu pai e seu avô, cuidaram de mim e também sua mãe ajudou para que ficasse bem.
— Sério? E como a mamãe fez isso?
Ele sentou cuidadosamente ao seu lado, começando a ouvir tudo o que Esme tem a dizer. Carlisle se aproximou também e me afastei um pouco mais para dar espaço para que paparicassem o Miguel.
Senti o corpo de Edward perto do meu, me abraçando pela cintura e depositando um beijo em minha testa.
— Obrigado por isso.
— Pelo que?
— Pela realização da minha família. Você é a mulher certa para mim, a mulher da minha vida e cada dia mais me convenço disso. Te amo.
— Eu também amo você.
Respondi e permanecemos olhando a interação do nosso filho com os avós, sentindo que agora tudo está no devido lugar...
Depois daquele dia, as coisas pareceram voltar ao normal, à convivência da família teve seu laço novamente estruturado e para comemorar isso e outras coisas, Alice decidiu que a festa de natal será em sua casa e que toda a família está intimada, isso mesmo, não convidada ou sujeita a ir, mas simplesmente intimada a comparecer a ceia.
Claro que concordamos com a ideia e Alice está mais do que feliz em receber todos em nosso primeiro ano juntos. Dado esse fato, combinamos que cada família levará um prato e nos reuniremos para a ceia na noite de natal.
E já não contente em apenas nos reunir para a confraternização, ela ainda sugeriu que façamos um amigo secreto para trocar os presentes. Posso dizer que estou particularmente animada com essa ideia. Essa aura de felicidade familiar me contagiou também e posso apostar que a noite será de todo bem divertida.
— Dream, você já está...
Edward entrou em nosso quarto, mas parou a fala quando me viu.
— Deus do céu. Você está perfeita. Diga-me, é proposital ou simplesmente consegue ficar cada dia mais linda, maravilhosa, simplesmente esplêndida?
— Nossa. Quantos elogios. Não creio que mereça todos.
Respondi sentindo meu rosto esquentar.
— Que satisfação ver esse rubor em seu rosto. Me instiga ver que ainda causo esse efeito em você. Mas sabe que merece esses e todos mais. Você é a mulher mais linda do mundo Bella.
Se aproximou até acariciar meu rosto.
— Não penso ser a mulher mais linda do mundo, me importa apenas estar bonita para você.
— Agradeço a preferência. – Respondeu e sorrimos. – E saiba que não existe outra. Jamais existirá outro alguém com a mínima beleza e fascínio que exerce sobre mim, você é única Bella e minha.
— Sempre sua.
Respondi e rocei nossos lábios.
— Certamente poderia ficar aqui a noite inteira te elogiando, mas tenho certeza que Alice nos mataria se não aparecêssemos e creio que nosso filho também se chatearia um pouco, em não ir para a noite de natal em família, portanto, creio que está na hora de irmos.
— Tudo bem, terminamos essa conversa quando voltarmos. Mas já estou pronta, podemos ir.
Peguei meu sobretudo em cima da cama e Edward, como o cavalheiro que é, me ajudou a vestir, então seguimos a sala, encontrando Miguel já ansioso para ir.
Edward fala de mim, mas é como se não enxergasse a beleza extraordinária que ele e nosso filho têm, realmente tenho muita sorte em tê-los na minha vida.
Seguimos tranquilamente até a casa de Jasper e Alice, os pratos para a ceia já foram levados mais cedo e ao chegarmos, ficaremos encarregadas apenas de dispor tudo na hora do jantar.
Meus pais chegaram ao fim de semana e estão hospedados na nossa antiga casa, os avós de Edward também virão, assim como Pedro e Elisa. Carlisle e Esme. E tio Billy. Além de comparecerem também, meu irmão e Rose. Jake e Nessie. Miguel, Edward e eu.
A família completa.
Quando chegamos, à entrada da casa foi liberada para entrarmos com o carro e logo na porta, Jasper está à espera para nos recepcionar.
— Boa noite. Sejam bem-vindos.
— Boa noite Jasper. Cadê minha irmã?
— Envolvida com mil coisas lá dentro, mas entrem, fiquem a vontade, um pequeno pessoal já chegou e os outros ainda estão a caminho.
Miguel e eu também o cumprimentamos e seguimos para dentro da casa, na sala de estar, avistei Emm e Rose, juntamente com Pedro e Elisa.
— Boa noite a todos e feliz natal.
Edward saudou, anunciando nossa presença.
— Boa noite. — Responderam em coro.
Fui cumprimentar com beijos e abraços ao Pedro e meu irmão, depois segui para falar com Rose e Elisa, deixando Edward e Miguel envolvidos, já nos seus assuntos de homens.
— Bella querida, é sempre um prazer revê-la. Você está belíssima.
— Obrigada Elisa. É muito bom vê-la também. Como estão às coisas?
— Corridas como sempre, mas nesse fim de ano espero conseguir tempo para parar com o trabalho. Talvez viajar um pouco com Pedro, agora que somos somente nós, é hora de aproveitar.
— Tem toda razão e fazem muito bem. E Rose conta, como está sendo a vida de casada? Vejo que está até meio bronzeada, ainda são sinais da lua de mel?
Apesar de já tê-los vistos depois de chegarem da viagem, infelizmente, com a correria natural do fim de ano e o acidente da Esme, não tivemos muitas oportunidades de conversar.
— Está sendo tudo ótimo, pelo menos por enquanto, não é? Apesar de que, como Emm e eu já morávamos juntos, as coisas não mudaram muito a partir de agora.
— Mas já te falei Rosalie. É importante ter um foco diferente no casamento e não deixar a rotina se instalar, ainda mais agora tão no início.
— Eu sei mamãe, pode ficar tranquila que Emm e eu estamos vivendo os melhores dias da nossa vida de casado. E respondendo Bella, sim, esse bronzeado é por conta do sol maravilhoso das Bahamas. Aquele é um lugar incrível, você tem que visitar um dia.
Informou com um semblante bem feliz.
— Que lugar Bella deve visitar? – Alice perguntou, fazendo-se presente na conversa. – Boa noite cunhadinha. Que bom que chegou.
Ganhei um abraço e o retribui.
— Boa noite Alice. Está linda na sua pose de anfitriã.
— Estou um arraso mesmo, não é? Esse modelo ainda comprei, mas prometo que no próximo natal estarei usando um legitimo Alice Hale.
— Mas que ótima notícia. Como andam seus projetos?
Elisa perguntou e engatamos em um papo sobre o futuro profissional de Alice, roupas e moda.
Pouco tempo mais tarde, o barulho da campainha soou trazendo a tona a presença dos meus pais, Nessie, Jake e tio Billy, que parecem ter vindo juntos. Houve a sessão de cumprimentos e felicitações, depois mamãe e Nessie reuniram-se a nossa roda de conversa.
— Rose, além da roupa belíssima, está com um brilho diferente. Acho que o casamento tem lhe feito bem.
— Obrigada sogrinha. Seu filho realmente me faz muito bem, que bom que isso transparece aos outros.
— Isso se chama sexo todas as noites. – Nessie falou e sorrimos. – Nenhuma mulher que tem sexo toda noite pode aparecer menos do que perfeita em público.
— Nessie, minha filha, não diga coisas assim.
— Mas ela está certa Renée. Basta olhar para essas meninas. O brilho de Alice e Rosalie como esposas e da própria Bella, que está muito bem acompanhada do Edward, com todo respeito, é claro, querida.
— Tudo bem Elisa. Não me importo que falem que Edward é um homem maravilhoso, porque com certeza, ele é.
— Viu mamãe? Todas estão felizes, até a senhora e Elisa são bem servidas todas as noites. Só eu que tenho que dormir sozinha, como uma criança inocente por conta das ideias retrógradas do papai.
Nessie falou, suspirando aborrecida.
— Tio Charlie baixou a lei nada de homens para Nessie de novo?
Alice perguntou e minha irmã assentiu, nos fazendo rir da situação.
— Tente entender seu pai querida. Já é difícil saber que suas filhas cresceram e são mulheres feitas. Ele já tem aceitado bem a situação da Bella com Edward, posso afirmar que com muito custo. Agora você, que ainda mora em casa, ele quer que continue sendo sua menininha. Tenha calma, será por poucos dias, logo sua rotina volta ao normal.
— Não estou reclamando por estarem aqui mamãe. Amo tê-los comigo, só fico com saudades do meu moreno sarado.
Foi impossível não rir novamente da sua cara de sofrida.
— Nessie, sua mãe tem razão. E além do mais, sejamos sinceras. Você e o Jacob são bem espertos para ficarem se guardando assim. Por que não sugere que ele pule sua janela à noite e pratiquem uma boa dose de sexo escondido e perigoso? Posso garantir que não tem coisa melhor do que a adrenalina de possivelmente ser pega naquele momento.
— E disso você entende muito bem, não é mesmo, senhora Rosalie Swan?
— O que quer dizer com isso Bella? – Elisa perguntou.
— Ah sogrinha, a senhora não sabe dos segredos que sua linda filha tem da época de namoro?
— Alice, não acha melhor verificarmos as coisas para o jantar?
Rose sugeriu desconversando e saindo em direção à cozinha, mas acabamos seguindo-a e continuando as conversas.
É incomum ver Rosalie envergonhada, mas creio que revelar na frente da mãe, suas peripécias adolescentes, seja algo capaz de fazê-la corar.
Entre comentários divertidos de todas e alguns de espanto de mamãe e Elisa, no fim, até as duas acabaram revelando coisas das suas adolescências...
Concentrando-nos por um momento em realmente cuidar da ceia, fomos tiradas da nossa bolha apenas quando a campainha tocou mais uma vez, indicando a chegada dos últimos convidados da noite.
Desse modo, seguimos de volta a sala para recepcionar os Cullen.
— Mamãe, por que demoraram tanto? – Alice perguntou.
— A culpa foi da sua avó querida, nunca vi uma mulher demorar tanto para se arrumar. – O senhor Cullen respondeu.
— Richard, sou uma dama, posso não ser mais tão jovem, entretanto, continuo tendo que me portar com elegância.
— Vovó, não dê ouvidos ao que o vovô diz. Ele fala isso, mas sabe que é porque todos ficam embasbacados com sua beleza e não quer dividi-la com mais ninguém.
— Ah, meu neto, sempre tão gentil. Esse é um traço que uma mulher nunca deixa de admirar.
— Oi biso. Lembra-se de mim? Sou eu, Miguel, seu bisneto, porque sou filho do papai, que é seu neto.
— Olá rapaz, lembro sim de você, mas por que acha que não lembraria?
O senhor Cullen perguntou e realmente nos intrigamos com a perspectiva do Miguel.
— É que um amiguinho da escola falou que seu bisavô quase não lembra mais dele. E quando vai visitá-lo, tem sempre que dizer quem é. Então quis garantir que o senhor ainda se lembra de mim.
A sala ficou em completo silêncio, ninguém parece saber o que dizer, mas o senhor Cullen foi o primeiro a se recuperar e responder.
— É muita gentileza sua se importar comigo dessa forma, mas o bisavô do seu amigo tem algo especial, que o faz ter que se lembrar, por enquanto, ainda não precisa fazer isso comigo, mas estou seguro que se algum dia precisar, contarei com sua ajuda, certo?
— Claro que sim biso, pode contar comigo.
O senhor Cullen deu com a mão e Miguel bateu fazendo um toque descontraído.
— Vem aqui falar com a bisa Miguel ou ficarei com ciúmes se der atenção apenas ao seu bisavô.
— Calma bisa, tem Miguel para todo mundo.
Rapidamente ele abraçou a Clare e todos riram das peripécias do meu pequeno e o clima voltou a descontrair.
— Adoro esse menino. Ele tem a veia despojada dos Swan. — Papai falou.
— Mas tem também toda a graça e elegância dos Cullen. — Carlisle respondeu.
— Acho que ele tem o desempenho perfeito da mistura de Edward e Bella. Mal posso esperar para que tenham mais filhos.
— Acho que podemos esperar sim Esme. Por que não investimos em netos do Emmett e Rose? Estou ansioso para ter netos dessa bela loira que é minha nora.
Papai respondeu abraçando Rose de lado.
— Fico muito grata pelo elogio sogrinho, mas Emm e eu acabamos de casar, acho que ainda é um pouco cedo para falar em filhos.
— É papai, por enquanto, vamos continuar apenas praticando, para que quando vierem os próximos netos Swan, sejam muito bem feitos.
— Podemos esperar futuros netinhos por parte de Jasper e Alice. O que acha Esme? Assim você e eu nos daremos bem.
— É uma ótima ideia Elisa. Acho que já está na hora da minha primogênita nos presentear com netinhos também.
— E só eu continuarei sem netos legítimos? Jacob, meu filho, você está sendo uma decepção.
— Por que tem sempre que insistir em colocar minhas filhas nos assuntos que envolvem netos?
— A culpa é sua Charlie. Eu como pai de apenas um homem, não imagino o quanto deve ser difícil ser pai de não só uma, mas duas meninas belíssimas como as filhas. Este é um fardo que terá que carregar para sempre.
— Obrigado Richard, isso é muito confortador, mas não fiz minhas filhas para que fossem resgatadas do meu trono tão rapidamente, para isso fiz um filho primeiro. Para sair, procriar e trazer os netos a nossa casa. Em compensação, só vejo evolução do lado feminino da família. Só de pensar nisso me nascem mais fios brancos.
— É assim que funciona o ciclo da vida Charlie. Você está ai, sem querer deixar suas filhas saírem do ninho, em compensação, está querendo que a minha traga os netos da sua família. É um fardo que só pai de menina pode entender.
— Por isso sogrinho, quando tivermos filhos, serão todos homens, para que não sofra o que estão passando agora. – Emm falou.
— Escutem. Já que essa conversa parece não ter fim, que tal sentarmos confortavelmente, enquanto desfrutamos da gostosa companhia?
Alice sugeriu e nos acomodamos dando livre demanda a conversa, entre os mais diversos assuntos, pelo decorrer da noite.
À noite transcorreu e logo a meia-noite chegou, como é tradição em algumas casas, a ceia é feita somente após a virada do relógio, já no dia de natal e esse é o caso da nossa família.
Em determinado momento, nós, mulheres, pedimos licença para poder terminar de arrumar a mesa, dando apenas os toques finais no trabalho de Alice.
E quando o relógio pontuou o marco, começamos as felicitações. A primeira que me pegou em um abraço foi Nessie, que com suas palavras, iniciou também a sessão de lágrimas.
— Feliz natal Bella. Depois de tantos anos tendo que passar por essa data separadas, estou muito feliz em poder estar contigo de novo. Te amo muito irmã e espero que nunca mais tenhamos que nos separar.
— Também estou muito feliz em estar aqui com você e nossa família. Por tanto tempo imaginei como estariam passando sem mim. E agora, se Deus quiser, nunca mais teremos que passar por algo do tipo. Te amo muito Nessie e desejo um feliz natal. Cheio de todas as coisas boas que Deus possa lhe trazer.
Terminamos o abraço secando as lágrimas uma da outra e seguimos com as felicitações.
Abracei fortemente meus pais, feliz por estar com eles também, recebi abraços de urso do Emm e do Jake. Agarrei e beijei muito Miguel, feliz por ver a felicidade em seus olhinhos, compartilhei abraços carinhosos com todos e especialmente com Clare e Esme, que agradeceram por estar aqui e trazer a união às famílias.
Depois de muitos abraços e cumprimentos, finalmente cai nos braços mágicos do meu amor, que me puxou pela cintura prendendo-me a ele.
— Pensei que nunca conseguiria falar contigo.
— Estou aqui agora. Feliz natal Dream.
— Feliz natal Heart. Obrigado por estar aqui comigo, por transformar esse momento em uma noite mágica, por me dar o prazer de passar ao lado da minha família, com você e nosso filho. Te amo.
— Te amo.
Nossos lábios trocaram um beijo leve, nada espalhafatoso diante do ambiente familiar, mas no ponto para nos conectarmos.
Depois desse tempo, fomos convidados a sentar e usufruir a bela ceia a nossa espera. Jasper, como anfitrião, falou algumas palavras, agradeceu a presença de todos, pediu a benção de Deus sobre nossas vidas e mais uma vez desejou feliz natal, com isso, iniciamos a refeição.
Com tudo tão delicioso, ficou difícil escolher o que pegar primeiro, porque é claro que comeremos de tudo um pouco.
A mesa permaneceu envolta de muita conversa e elogios aos pratos, assim, o tempo da refeição seguiu até todos terminarem. As sobremesas foram servidas também e nesse momento, estamos de volta à sala de estar.
— Que tal começarmos o amigo secreto? – Alice sugeriu. – Acho que todos devem estar tão ansiosos quanto eu.
— Mesmo que não estivéssemos, daria um jeito de nos convencer, não é baixinha? – Jake brincou.
Tão pronto à ideia foi sugerida, buscamos os presentes para iniciar a brincadeira.
— E quem vai começar? – Jasper questionou.
— Vamos tirar na sorte. Vou escolher um nome e quem sair começa.
Alice respondeu e distribuiu papéis entre nós, cada um escreveu seu nome e lhe devolvemos, para prosseguir com o sorteio.
— A sortuda ou sortudo foi... Bella.
— Eu?
— Sim cunhadinha. Seu nome foi o primeiro...
Olhei para todos e levantei preparando-me para começar...
CONTINUA.
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