Endless Love
36 2ª Temporada Capítulo 10 - Pai e Filho
Notas iniciais
Acordei por volta de nove horas, olhei pela janela encontrando um dia lindo lá fora, levantei seguindo ao banheiro, fiz minha higiene matinal, depois caminhei até a cozinha para arrumar o café da manhã.
— Bom dia mamãe.
A voz doce do Miguel saudou e virei dando de cara com um lindo menino ainda coçando os olhos.
— Bom dia meu amor. – Ele veio até mim e lhe dei um beijo de bom dia. – Por que acordou essa hora?
— Estava sem sono, fui ao seu quarto e a senhora não estava, ai vim para cá.
— Tudo bem, já escovou os dentes? – Ele assentiu. – Então vamos tomar café.
Sentamos a mesa e iniciamos a refeição, a todo o momento com ele comentando sobre ter gostado do passeio de ontem e especialmente da companhia do tio Edward.
Logo terminamos o café e falei para ele ir se trocar, enquanto começo os afazeres, domingo sendo o único dia que sobra para cuidar de tudo, preciso urgentemente encontrar alguém para auxiliar com esse tipo de serviço, porém até encontrar, dou conta eu mesma.
Arrumei meu quarto e quando entrei no do Miguel, o encontrei fazendo deveres, o ajudei um pouco quando necessário, mas logo voltei às tarefas. Limpei o restante dos cômodos e já perto do meio-dia voltei à cozinha para providenciar o almoço.
Decidi preparar uma massa leve, a paixão por massas não passou e quando a preparo somente para Miguel e eu, acaba tornando-se o prato principal.
Ao deixar seu quarto, meu pequeno acabou me ajudando na finalização do almoço, conversamos bastante até o momento de iniciar a refeição.
— Nossa mamãe, está muito gostoso.
— Obrigada, mas com a ajuda do meu filho lindo claro que ficaria perfeito.
Rimos e após terminar ajeitamos as coisas na cozinha, Miguel tirou a mesa enquanto lavei a louça, com essa tarefa terminada ele comunicou que voltaria ao quarto, concordei resolvendo aproveitar para ligar a Edward avisando sobre a conversa com Miguel.
Tentei em seu celular, mas está dando caixa postal, pensei que ainda deve estar dormindo, por isso deixei recado avisando sobre poder vir daqui a pouco.
Com isso segui ao quarto do Miguel e ao entrar o vi entretido com um de seus jogos, porém mesmo assim resolvi iniciar o assunto.
— Miguel a mamãe quer conversar uma coisa com você.
Ele deixou a brincadeira de lado se concentrando em mim.
— O que é mamãe? Eu fiz alguma coisa errada?
— Não meu amor, é claro que não, mas tenho que falar sobre um assunto sério e preciso que ouça tudo calmamente, tudo bem?
Sentei na cama ao seu lado.
— Sim mamãe pode falar.
— Você sempre quis saber mais coisas sobre seu pai, não é mesmo? – Ele assentiu. – Então, nossa conversa tem a ver com ele. – Seus olhos arregalaram. – Quando engravidei não pude contar ao seu pai que estava te esperando, assim tivemos que ir morar em Los Angeles, certo?
— Sim mamãe, a senhora já falou que o papai não sabia de mim, por isso nunca pôde ir me ver.
— Isso mesmo meu amor. Durante todos esses anos seu pai nunca soube de você, eu pensei que ele estivesse seguindo outro caminho e por isso não podia estar conosco, mas descobri que estava errada e ele quer estar sim com você.
— E por que antes ele não podia mamãe?
— Isso é um problema de adultos meu bem, prometo que quando for mais velho e puder compreender melhor alguns fatos, te contaremos tudo que houve, mas agora o que importa é que poderá conhecer seu pai.
— De verdade?
Perguntou com os olhinhos já demonstrando sinais de algumas lágrimas.
— Sim meu querido. Como falei, seu pai e eu morávamos aqui em Nova York, ao voltarmos o reencontrei e nesse tempo pude esclarecer alguns assuntos e contá-lo da sua existência. E seu pai está querendo te ver.
— E cadê ele mamãe? Quando vou conhecê-lo? E se ele não gostar de mim?
O puxei para meu colo tentando acalmá-lo.
— Respira Miguel, fica calmo. Ele vai vir te ver e não se preocupe. Tenho certeza que se darão muito bem, não tem como ele não gostar de você. Sendo que é o melhor filho que qualquer um poderia querer.
— Estou com medo mamãe.
— Por que meu querido? Você não quer conhecê-lo?
De repente fiquei insegura também sobre como ele reagirá quando souber quem realmente é seu pai.
— Sim, quero muito. É tudo que sempre quis ter, um pai. Mas e se depois ele tiver que me deixar de novo? Assim como teve que ficar longe desde que nasci.
Meu coração apertou ao ouvir isso, meu filho, uma criança ainda, já é traumatizada pela falta que o pai fez durante esses anos.
— Miguel, não pense assim. Seu pai está muito feliz em saber de você e está louco para que construam uma relação de pai e filho. Não fique com essas preocupações. Seu pai não ficou longe porque quis, algumas situações da vida nos levaram a isso, mas agora nada mais irá separá-los.
Ele assentiu se aconchegando no meu peito e fiquei fazendo carinho em suas costas confortando-o.
— Ele ainda vai demorar muito para chegar mamãe?
— Não sei meu amor, mas não precisa ficar preocupado, logo ele vem.
Assim que acabei de falar ouvimos o som da campainha.
— É ele?
Seus pequenos olhos verdes se arregalaram e antes que pudesse fazer algo ele saltou do meu colo e correu, fui atrás e quando cheguei à sala o vi com a porta aberta encarando a figura de Edward.
— Tio Edward.
Trocamos olhares e indiquei que Miguel ainda não sabe que ele é seu pai.
— Oi garotão, tudo bem?
— Sim tio. Já está sabendo da novidade?
Edward entrou fechando a porta e conduziu o Miguel a sentar no sofá, com cautela me aproximei também.
— Não sei, qual seria essa novidade?
— Que tenho um pai. Quer dizer, mamãe falou que sempre tive um pai, mas nunca o conheci e agora ele quer me conhecer, não é o máximo?
— Sim, com certeza é. Mas você está feliz em saber que agora vai ter um pai?
Edward perguntou e percebi que está sondando terreno para podermos falar a verdade.
— Estou. Muito. É tudo que sempre quis. Meus amigos tinham papais e mamães, menos eu. Mas agora vou ter um pai, o senhor também vai conhecê-lo tio?
Não há mais volta.
Eis o momento de revelar ao meu filho quem é seu pai.
— Miguel. Edward não veio conhecer seu pai. Ele veio para que você o conheça. – Ele me olhou confuso e prossegui. – Edward é o seu pai querido...
— Pai...?
Seus lábios tremeram quando pronunciou a palavra dirigida a Edward.
— Sim Miguel. Não sabia até pouco tempo, mas agora sei e estou muito feliz em ser seu pai.
— Meu pai? O senhor é meu pai de verdade? — Edward assentiu e Miguel nos pegando de surpresa, se jogou nos braços do pai. — O senhor é meu pai, tio Edward. Estou tão feliz. Sempre quis que o senhor fosse meu pai e agora o senhor é de verdade.
— Sim Miguel. Sou seu pai e você é meu filho. Um filho que não sabia que tinha, mas amei desde o momento que conheci, mesmo sem saber do nosso real parentesco.
Miguel se afastou para olhá-lo.
— E agora o senhor será meu papai para sempre? Nunca mais vai me deixar?
— Não garotão. Vou ficar com você sempre. Eu te amo.
— Também te amo tio Edward. Tio não, pai.
Sorrimos da sua aparente confusão, mas continuei calada apenas apreciando a linda cena dos dois, chorando silenciosamente de emoção.
— Agora tenho que chamá-lo de papai, não é?
— Não precisa se preocupar com isso agora querido. – Pontuei. – Sei que é tudo recente e confuso, então não tem problema.
— Isso mesmo filho, não me importo que continue me chamando de tio, com o tempo vamos aprender a nos relacionar como pai e filho. Será tudo como você quiser.
— Mas gosto de saber que o senhor é meu papai, meu pai. É como se tivesse sonhando... Agora vamos fazer as coisas que os outros pais fazem com os filhos?
— Iremos sim, com certeza. Só terá que ser um pouco paciente comigo, porque não sei muito bem como é ser um pai. Você que irá me ensinar...
Edward falou bagunçando o cabelo do Miguel.
— Também não sei como é ter um pai. Sempre tive só mulheres na minha vida, a mamãe, a madrinha, vovó, tia Angela...
— Então aprenderemos juntos, que tal?
— Claro pai.
Eles se abraçaram novamente.
Posso ver a felicidade no sorriso do meu filho e em Edward também, como agrada aos ouvidos de cada um ouvir e dizer a palavra pai.
Sabendo que precisam de um momento a sós, para começarem a construir sua relação, os deixei voltando ao meu quarto. Deitei um pouco e mesmo chorando, me sinto feliz e aliviada como há muito tempo não sentia.
Saber que o maior problema da minha vida está resolvido não tem preço. Ter descoberto finalmente sobre o enigma que foi aquela maldita carta. Ter Edward de volta, sabendo que sempre foi inocente, tão vítima quanto eu. E ver a felicidade do meu filho em finalmente ter encontrado seu pai, faz tudo valer a pena.
Sei que ainda teremos muitas coisas a resolver. Contar ao restante da família, ainda não falei com Edward como fez com Esme nesses dois dias, mas sei que esse ainda é um assunto inacabado que precisa de explicação.
Por fim agora tudo em nossas vidas irá mudar, por seis anos fui à única responsável pela vida do Miguel, mas agora dividirei as experiências com Edward. Pelo menos nesse campo terei um companheiro para me auxiliar, dividir as tarefas, divergências, alegrias e realizações da vida do nosso filho.
Dispersei-me das preocupações quando Miguel entrou no quarto vindo direto a meu encontro, me dando um abraço que retribui mais do que satisfeita.
— Obrigado mamãe.
— Pelo que meu amor?
— Por ter trazido meu pai. A senhora sempre soube que era o que mais queria.
— Eu sei meu bem e fico feliz em saber que gostou tanto de encontrar seu pai. Tenho certeza que você e Edward se darão muito bem, podem não saber ainda, mas ambos têm muito em comum.
Declarei vendo Edward nos observar encostado no batente da porta.
— Papai quer pedir uma coisa mamãe.
Acho que agora viveremos aos sorrisos quando Miguel chamar Edward de pai.
— Pode falar.
— Queria saber se posso sair com Miguel. Dar umas voltas, ir ao hospital talvez, meu pai está ansioso para conhecê-lo.
— Não precisa nem pedir isso Edward. Você é o pai dele. Tem os mesmo direitos e deveres que eu. – Afirmei. – E você, quer ir com seu pai?
— Sim.
— Então vamos te arrumar.
Levantei da cama e seguimos até seu quarto, lhe dei banho, o vesti arrumando de maneira a sair com Edward e durante esse tempo ele permaneceu conosco prestando atenção e se oferecendo para ajudar em qualquer tarefa que envolva nosso filho.
Depois de pronto seguimos de volta a sala para que se despeçam.
— Não quer vir conosco Bella?
— Não Edward. Esse é um momento só de vocês. Ficarei em casa mesmo. Vão com Deus. E você, senhor Miguel, comporte-se.
Indiquei dando um beijo de despedida em seu rosto e ansioso como está, saiu a frente a caminho do elevador apertando o botão, enquanto Edward e eu permanecemos na porta.
— Divirtam-se.
— Obrigado e vou cuidar bem dele pode deixar.
— Eu sei, confio em você. – Sorri.
— Até mais tarde.
Ele me deu um beijo na testa e entrou no elevador com o Miguel, fiquei na porta até eles sumirem, então a fechei e decidi que resolver alguns dos assuntos pendentes, agora que meu filho está na companhia do pai, preciso me resolver com o meu. Ter uma conversa há muito adiada...
Voltei para o sofá e com o telefone em mãos respirei por um tempo antes de iniciar a chamada, tocou por cinco vezes até alguém atender.
— Alô.
A voz grossa, porém sempre terna do meu pai soou.
— Pai...
— Isabella?
— Sim papai. Como o senhor está?
— Bem na medida do possível e você como vai à vida?
— Bem também. As coisas têm se ajeitado ultimamente.
— Estava para te ligar nesses dias.
— Mamãe falou, fiquei esperando, mas agora que tive um tempo livre resolvi ligar e ver se conseguimos conversar.
— Realmente tenho andando muito atarefado nos últimos tempos, estamos resolvendo uns casos e investigações importantes, quase não tenho tido folga, tempo para respirar e pensar direito.
— Entendo.
Ficamos em silêncio apenas ouvindo nossas respirações, até que papai voltar a falar.
— Confesso também que não estava com coragem de tomar a iniciativa de falar contigo, não sabia, ou melhor, ainda não sei lidar com tudo que fiquei sabendo.
— Papai...
Suspirei ao telefone me sentindo péssima, por mais que tenha tentado, não consegui evitar decepcionar meu pai...
— Só tenho duas coisas a perguntar filha. Como e por quê? Como teve coragem de esconder a verdade de nós por todo esse tempo? E por que decidiu agir dessa forma? Será que não deixamos claro ao longo dos anos que você e seus irmãos podiam contar comigo e sua mãe sempre? Senti-me um fracassado quando soube por tudo que passou, enquanto estive longe sem ter consciência de nada do que estava acontecendo.
— Por favor, papai não diga isso, me perdoa. Juro que nunca quis magoar ninguém, escondi tudo justamente porque não queria ser uma decepção ao senhor e a mamãe. Vocês que me criaram tão bem e no fim das contas acabei fazendo tudo errado. Decepcionei as pessoas que mais amo, fiz escolhas que trouxeram consequências drásticas, mudei a vida de muita gente com minhas atitudes e hoje só posso pedir para que o senhor me perdoe.
— Minha filha só não consigo entender como foi capaz de envolver-se com um rapaz assim do nada e engravidado. E pior, não ter lhe dito que seria pai! Você não podia tomar essa decisão de criar um filho sozinha, mal posso imaginar por tudo que passou.
Só então percebi que mamãe ainda não lhe contou toda a verdade e agora pior do que antes, terei que esclarecer os fatos verdadeiros e desmentir a outra mentira que contei assim que voltei...
— Papai peço, por favor, que o senhor me ouça. Minha vida não tem acontecido da forma como planejei e precisei fazer alguns sacrifícios, esconder algumas coisas, mas agora espero realmente que tudo se ajeite e que nunca mais tenha que fazer algo assim.
— Aonde quer chegar com isso?
— Pai, não engravidei de um estranho depois que decidi ir embora de Nova York. Como o senhor já deve saber, não andei fazendo viagens por ai, ao contrário, me estabeleci em Los Angeles por todos esses anos, fiz faculdade, criei meu filho. E agora que voltei descobri segredos e fatos não revelados sobre minha decisão. – Respirei fundo. – Eu fui embora porque já estava grávida papai. E o pai do meu filho é o Edward...
— Edward? Espera um pouco. Esse não é o do rapaz dos Cullen? Seu namorado do colegial?
— Sim papai, ele mesmo. Engravidei e fui embora porque pensei que Edward não me quisesse mais e também ao nosso filho.
— Eu vou matar aquele moleque! Como pôde ter te engravidado e chutado logo depois? Que espécie de homem ele é?!
Papai protestou nervoso e soltando berros ao telefone, porém consegui ouvir ao fundo a voz da mamãe tentando acalmá-lo.
— Pai escuta, a história vai muito, além disso, e preciso contá-la toda ao senhor, mas só por alguns minutos me escute, deixe que lhe conte tudo, sim?
— Tudo bem Isabella, pode começar a falar.
Desse modo iniciei a narrativa de todos os fatos decorrentes da minha vida.
Contei como descobri que estava grávida, que fui até a casa dos Cullen disposta a contar tudo ao Edward, porém que voltei sem resolver nada. Iniciei o relato sobre a carta, já contando como planejei tudo, viagem, estudos e um jeito de sumir para nunca mais voltar.
Tive que assumir que Nessie e mamãe sempre souberam de tudo, e confesso temer muito que a relação dos meus pais também seja prejudicada por conta de tudo o que fiz.
Optei por pular os detalhes do meu tempo em Los Angeles, focando no ponto de achar que Edward realmente havia me mandando embora de sua vida, emendando já com o fato que me fez voltar e tudo que aconteceu desde então.
Da mentira que tive que contar sobre a paternidade do Miguel até o momento que pude revelar toda verdade e por fim a revelei.
Informando que a mãe de Edward é a responsável por nossa separação, que ele nunca soube que fui embora grávida. Falei sobre já termos revelado tudo também ao Miguel e que nesse momento pai e filho estão se conhecendo e descobrindo juntos.
— Essa é minha história papai. Sei que não melhora muito o fato de ter ido embora grávida e vivido como mãe solteira por tanto tempo, mas hoje pelo menos sei que o pai do meu filho não é qualquer um que me abandonou. Edward é incrível e está mais do que feliz em saber que é pai. E meu filho compartilha da mesma alegria ao saber que Edward é seu pai.
Suspirei ao terminar o relato ficando a espera de suas palavras.
— Certo. Então todo esse tempo sua mãe e sua irmã sabiam sobre você?
— Sim pai. No começo não quis envolver ninguém, mas ambas foram irredutíveis.
— Então todos os passeios, viagens que insistiam em fazer sozinhas era para visitar você e o seu filho?— Apesar da pergunta, não me deu tempo de resposta. – E você tem certeza que esse Edward não sabia de nada mesmo? Quem pode garantir que ele não armou tudo com a mãe? E agora talvez o peso da culpa tenha surgido e decidiu voltar atrás? Jogando toda culpa apenas nela?
— Pai!
Não poso acreditar no que ouvi.
Como ele pode sequer cogitar algo assim sobre Edward?
Um dia já desconfiei também e venho pagando um preço alto por isso, não cometerei o mesmo erro outra vez.
— Por favor, não diga isso. A própria Esme confessou tudo o que fez e é claro que Edward não sabia de nada. Posso não ter enxergado isso na época, porque estava frágil, magoada e sem a maturidade certa para entender as coisas, porém hoje tenho absoluta certeza do homem que ele é! E que jamais seria capaz de fazer algo assim comigo e nosso filho. Ele já ama o Miguel.
E me ama também, pensei, mas isso já não diz respeito a minha conversa com meu pai.
— Pois bem Isabella. Espero mesmo que dessa vez não esteja errada. Eu preciso desligar agora porque tenho algumas coisas para resolver ainda para amanhã, mas essa conversa não termina aqui. Encerrarei os casos em aberto na delegacia e logo sua mãe e eu iremos à Nova York, precisamos conversar pessoalmente. Você, Edward e eu.
— Sim papai, estarei esperando a visita de vocês.
— E também preciso conhecer meu neto. Acho que sou o único da família que ainda não teve esse prazer.
Sorri pelo menos um momento feliz entre as lágrimas que a conversa trouxe, pois até agora papai não havia falado nada sobre o Miguel e estava começando a temer que ele descontasse algum tipo de mágoa que tenha comigo no meu filho e isso seria a pior coisa que poderia viver, mas agora com essa iniciativa e sua voz suave de novo respirei um pouco mais aliviada.
— Miguel ficará muito feliz em conhecê-lo também papai. Sempre falei muito sobre o senhor, tenho certeza que se darão muito bem.
— Certo, certo. Vou desligar agora, cuide-se filha.
— Obrigada papai. E o senhor também, com todas essas coisas que está resolvendo na delegacia, tenha cuidado redobrado.
— Terei. Ah Bella, sua mãe está querendo falar, vou passar o telefone a ela.
— Tudo bem, tchau pai, te amo.
O senti hesitar por um momento.
— Eu também querida, eu também, tchau.
— Bella, meu bem, como você está?
Mamãe assumiu o telefone e com sua voz sempre animada e otimista me deixou um pouco mais segura.
— Sobrevivi. Não pensei se seria melhor ou pior, mas sei que papai ainda está muito magoado.
— Não se preocupe meu bem, logo as coisas voltaram ao normal. Ele está chocado sim e talvez um pouco chateado, mas não com você e sim com as circunstâncias. É duro para ele entender tudo que você passou e como protetor da família não ter podido estar ao seu lado nessas horas difíceis.
— Espero que ele possa entender e me perdoar.
— Ele vai querida, não tenha dúvidas. Seu pai te ama, ama todos vocês e só quer vê-los felizes, sempre. Quando formos à Nova York e ele ver como criou o Miguel, como Edward lida com ele e a interação dos dois, vai saber que tudo está no caminho certo.
— Assim espero.
— Mas contaram tudo ao Miguel?
— Sim mamãe e foi melhor do que pensei. Ele amou o fato de Edward ser seu pai, recebeu muito bem a notícia, claro que quis saber uma coisa ou outra que ainda não podemos falar, mas no geral foi tudo incrível. A senhora tinha que ver o brilho nos olhos deles. E quando o ouvimos chamar Edward de pai... É como se um sol estivesse iluminando tudo ao redor. Agora finalmente sinto que minha vida está como deveria. Os dois foram dar um passeio, não quis ir, pois é um momento deles, para que possam se conhecer e entender como funciona essa coisa de pai e filho.
— Ah, que ótimo querida. Estou tão orgulhosa de você, tenho certeza que a partir de agora só acontecerão coisas boas em suas vidas, pode confiar.
— Deus te ouça. Mãe, a propósito, agora que papai sabe que a senhora sempre soube tudo sobre mim, isso não vai prejudicar a relação de vocês de alguma forma, não é? Me sentiria horrível se brigassem por minha culpa e dos meus erros.
— Bella, por favor, nem pense nisso. Agora seu pai e eu vamos sentar e conversar sobre tudo. Com muita calma pontuaremos nossas opiniões e acertaremos os ponteiros de novo. Nosso casamento de anos não será abalado tão fácil assim, quando se constrói uma relação sólida sempre tem que ter uma base firme para segurar. E graças a Deus nós temos. Por isso pode tirar essa preocupação da sua cabecinha.
— É lindo ouvir algo assim mãe. Sinto tanto orgulho em ser filha de vocês, de ver o casamento incrível que construíram.
— Um dia você terá isso também querida, não se preocupe.
— Será mamãe? Esse futuro parece tão distante no momento.
— Não seja boba Bella. Você e Edward ainda se amam. Agora que esclareceram a verdade, que já contaram tudo ao Miguel, é hora de pensar em vocês, no que querem e sentem.
— Eu lhe disse que assim que resolvêssemos esses pontos conversaríamos sobre nós, só que tenho medo. Eu o amo tanto mãe. Mesmo durante esses anos, nos dias de mais dor, era por isso que sofria, porque o amo demais e não conseguia fazer meu coração entender que nosso amor já não era possível. Agora parece que temos uma segunda chance, um meio de continuarmos, mas não sei como fazer. E, além do que, não podemos pensar só em nós, agora existe o Miguel e tudo que fizermos direta ou indiretamente, o afetará a partir de agora.
— Siga seu coração, deixe fluir. Vocês vão conseguir se encontrar de novo, acredito nisso. E, por favor, filha, você dedicou toda sua vida ao Miguel, desde que ele nasceu. Não que esteja criticando ou dizendo que agora tem que deixá-lo de lado, mas é um momento seu, apenas seu e do Edward. Se fizerem as coisas com o coração não tem como dar errado. Aposto que meu neto será muito mais feliz se tiver os pais juntos.
— Tudo bem mamãe, pensarei nisso.
— Certo. Agora vou desligar, pois sinto que precisa descansar. Você lidou com muitos acontecimentos em pouco tempo e esse momento que está só lhe fará bem pensar. Conversamos mais depois meu bem, te amo.
— Também te amo mamãe, obrigada por tudo, tchau.
Desliguei o aparelho imediatamente voltando o pensamento aos homens da minha vida.
O que será que estão fazendo...?
POV Edward
Como as coisas são...
Nunca temos certeza sobre nada...
Em um momento temos ciência de tudo e no instante seguinte nossa vida muda de forma sem igual.
Lembro-me perfeitamente do que senti ao reencontrar Bella no hospital, meu coração parou por um momento tenho certeza disso e quando voltou a bater parecia ter sido religado, mas não pela falta de batimentos de um segundo e sim por conta de muito tempo atrás, de mais de seis anos para ser específico...
Quando a vi tão linda quanto lembrava, senti que meu mundo tinha voltado a sua órbita natural.
Nosso primeiro contato não foi como imaginado, sempre pensei que a confrontaria de imediato, exigindo todas as explicações merecidas, por ter me deixado e feito sofrer como um condenado.
Porém quando nossos olhos se encontraram esqueci tudo e somente aceitei a felicidade de tê-la novamente em minha vida.
Não me toquei primeiramente do fato de reencontrá-la justamente no hospital, concentrei-me em sua presença a minha frente e logo depois no assunto que iniciamos.
Confesso que minha intenção de entrar no quarto foi totalmente ingênua, apenas para ver quem estaria acompanhando, de fato nunca esperei por aquilo, um filho.
Não tive raciocínio lógico imediato, apenas observei a bela criança deitada no leito do hospital e instantaneamente conseguimos interagir perfeitamente.
Fiquei surpreso com o fato, porque nunca fui de ter muita intimidade com crianças, apego sim, principalmente com os pacientes que cheguei a tratar, porém a interação que tive com Miguel foi algo único e inexplicável.
Claro que a presença de Bella e saber que aquele menino tinha um laço tão estreito com ela ajudou um pouco, no início, pois logo desenvolvemos algo só nosso.
Enquanto minha relação com Bella parecia estar mais complicada do que nunca, onde nossas mágoas e ressentimentos acumularam-se em nossos corações, minha amizade com Miguel foi se desenvolvendo de vento em poupa.
Após nosso primeiro confronto e algumas cartas na mesa, não todas, mas alguns pontos jogados ao vento, Bella e eu entramos em um consenso resolvendo tentar seguir com uma possível amizade.
É claro que apenas aquilo não iria me satisfazer, mas pelo momento era o que bastava para acalmar meu coração. Porém pouco a pouco nossas emoções transpareceram sobressaindo nosso acordo e os sentimentos começaram a fluir.
Parece que se passou anos desde que Bella voltou a minha vida, transformando tudo, como um vendaval que chega para te arrasar, porém temos um pouco mais de um mês de convivência e nesse meio tempo, principalmente nos últimos três dias, minha vida mudou por completo...
Sabia que existia um segredo por trás da sua partida, só nunca imaginei que seria algo tão sério.
Ainda tento não pensar no fato que minha mãe, minha própria mãe, a mulher que sempre demonstrou me amar e cuidar da família acima de tudo, que essa tenha sido capaz de fazer uma monstruosidade como a infringida a nós.
Não tenho outra palavra para definir o que ela fez, mas esse não é o ponto que quero pensar, terei que enfrentar essa dura realidade e ouvir alguns esclarecimentos mais cedo ou mais tarde, só que nesse momento nenhuma notícia é mais importante do que a descoberta que sou pai.
Não pai de uma pessoa qualquer, mas pai do ser mais incrível que já conheci, Miguel.
A felicidade não cabe no meu peito, tenho deixado um sorriso bobo transparecer desde que ouvi pela primeira vez essa palavra sair dos lábios de Bella dirigida a mim e quando Miguel a falou também, todo o sentimento transbordou os limites.
Já o amava mesmo quando tinha o sentimento ruim de ciúme e inveja direcionados ao suposto homem que foi capaz de fazer um filho na minha mulher e ainda mais um filho como Miguel.
Mas agora que sei que ele é meu, meu com a mulher que amo. É algo impossível de explicar, apenas consigo sentir a felicidade e satisfação de constatar, que mesmo sem saber por muito tempo, fui capaz de ajudar ainda que em uma mínima parte, a trazer ao mundo um ser tão especial como um filho, alguém cheio de luz, doçura, felicidade e amor, ele com certeza representa tudo isso para mim.
É tudo novo, confuso, dá medo pensar que o futuro desse garoto também está em minhas mãos. Que as responsabilidades por sua vida também correspondem a mim, entretanto, a alegria pela notícia nubla qualquer possível medo diante da nova realidade.
Estamos no carro os dois em silêncio, tenho certeza que ele assim como eu está nervoso e confuso. Sei que ficou feliz quando soube que sou seu pai, mas temos que aprender juntos a como lidar com tudo.
Por esse motivo decidi ir a um lugar onde poderemos conversar e ao mesmo tempo aproveitar para nos divertir e continuarmos a nos conhecer.
— Onde estamos indo pai?
Mais uma vez sorri como um bobo, acho incrível a forma como ele parece ter pegado o gosto por dizer essa palavra, assim como tenho a ouvi-la.
— Vamos a um lugar bem legal. Creio que você gostará bastante. – Respondi.
— E onde é?
— Se te contar, deixaria de ser uma surpresa.
— Por favor, me conta, quando chegarmos, ainda posso fingir que é surpresa.
Ri do seu jeito inocente de analisar as coisas.
— Muito espertinho você, parece muito com sua mãe curioso ao extremo, mas não precisa mais se preocupar já chegamos.
Quando disse isso ele começou a olhar para os lados tentando entender onde estamos, por ter entrado pelo estacionamento e com a certeza de que ele nunca veio aqui, deduzi que ainda não descobriu a localidade.
Após estacionar e sairmos do carro caminhamos ao acesso dos pedestres para poder iniciar o passeio. Peguei sua mão e quando ele finalmente notou o lugar percebi sua feição contente se abrir.
— E ai Miguel? O que achou?
— Estamos em um zoológico?
— Sim, quis que viéssemos aqui para termos um passeio legal e curtir, mas ainda é um ambiente descontraído e bom para conversar.
— Adorei pai. Mamãe me levou a um em Los Angeles, mas não lembro bem como foi, era pequeno, só sei que fomos por conta das fotos e do que ela conta.
— Então hoje terá a oportunidade de lembrar e guardar tudo que virmos, vamos?
Ele assentiu e ainda de mãos dadas começamos a seguir pelo imenso lugar.
De início apenas caminhamos enquanto olhamos os animais, quando Miguel faz um comentário ou outro sobre algum, prontamente respondo o que sei ou tento sanar sua curiosidade da melhor forma possível.
Entre a variedade de bichos, cada um com características pessoais, mas algo que chama atenção é o fato de vários desses estarem sempre acompanhados de seus filhotes.
De repente me senti mais conectado a todo universo ao nosso redor, pode parecer bobo eu sei, mas estar presenciando tudo isso ao lado do meu filho me faz repensar muitos pontos da vida.
Depois de andarmos por um bom tempo vendo boa parte do lugar resolvi parar para comermos alguma coisa, fomos até uma lanchonete e depois dos pedidos feitos sentamos em um banco para lanchar.
— Está gostando Miguel?
— Estou adorando pai.
— Que bom. Sempre gostei muito de vir a esse zoológico, meus pais sempre traziam Alice e eu.
— Gosto muito de sair para passear. Mamãe sempre que podia me levava para fazer algo legal, mas isso não acontecia tantas vezes quanto queria, ela sempre trabalhou muito.
— E em algum momento você sentiu que ela lhe fez falta?
Perguntei querendo entender seus sentimentos.
— Ela sempre fez tudo por mim. Todas as folgas eram passadas comigo, ouvi algumas vezes tia Angela dizer que ela não saia sozinha, mas mamãe dizia não ligar, que seus momentos livres eram direcionados a mim.
— Então o que houve...
— É que quando mudamos pensei que seria ruim. Eu gostava de Los Angeles, tinha amiguinhos na escola, só que assim que chegamos tudo mudou e para melhor. Sempre temos saído, conheci todos meus tios que são muito legais e sempre senti falta de ter tios para visitar. A madrinha e vovó iam nos ver, mas isso também era muito de vez em quando, às vezes só no meu aniversário e agora vejo todo mundo quase todos os dias e esses passeios. O de ontem e hoje é algo que nunca tive. Sem contar que sempre desejei ter um pai para acompanhar mamãe e eu em tudo que fazemos e nunca tivemos isso.
— Mas agora vocês terão Miguel. Eu prometo. Ficamos afastados por esses anos por algo que não pudemos controlar, mas a partir de agora estarei contigo, sempre. Para tudo que precisar pode contar comigo, me esforçarei ao máximo para ser um ótimo pai a você.
Declarei tentando lhe passar segurança.
— Gosto disso, de ter uma família. Mamãe sempre explicou que éramos apenas nós, mas não entendia porque todos meus amigos tinham pais e mães e eu apenas a mamãe.
— O motivo do meu afastamento com sua mãe e o fato de não ter estado com vocês antes, não é algo que podemos contar agora, o importante é que saiba que te amamos muito e sempre tentaremos lhe dar o melhor. Quanto a não ter um pai, muitas pessoas realmente não tem os dois pais presentes por vários motivos, mas a partir de agora se isso te faz bem, pode dizer a quem quiser que você têm um pai.
— E o senhor e a mamãe serão como os pais dos meus amigos que não moram juntos? Vou fazer passeios assim? Sempre separados dos dois?
Fiquei em choque com a pergunta.
O que vou responder?
Realmente Bella e eu não estamos juntos no momento, mas isso quer dizer que daremos uma vida de pais separados ao Miguel?
É só isso que vamos lhe oferecer?
— Miguel, sua mãe e eu não estamos juntos como um casal no momento. Já tivemos um relacionamento e por isso você nasceu, mas agora é meio complicado. Coisas de adultos, entende?
— Sei. Os adultos são muito complicados.
— Você nem tem ideia. – Sorri. – Mas sobre só nos encontrarmos separados, creio que isso não acontecerá. Sua mãe e eu nos damos muito bem e poderemos cuidar juntos de você sem problemas. Só estamos sozinhos agora porque sua mãe e eu pensamos que seria um bom momento para nos conhecermos melhor, mas não está gostando do passeio?
— Estou sim pai. Só queria tentar entender um pouco as coisas. Gosto de estar com o senhor, desde quando pensava que era apenas meu tio. Gosto muito quando estamos juntos, mas o passeio que fizemos ontem, nós três também foi bem legal e queria poder fazer coisas assim com o senhor e a mamãe.
— Entendi, não se preocupe faremos sim muitas coisas juntos, te prometo. Mas assim como tem seu tempo com sua mãe agora também poderá passar um tempo apenas comigo, fazendo coisas de garotos, você gostaria?
— Muito. Sempre fui cercado apenas por mulheres e têm coisas que elas simplesmente não entendem. – Tive que rir do seu diagnóstico sobre mulheres. – É sério pai, têm coisas que não funcionam com a mamãe e a madrinha, por exemplo. Mas quando cheguei aqui e conheci o senhor, meu padrinho e meus tios tudo foi diferente.
— Sei como é. Como sabe, Alice é minha irmã e sempre fomos muito unidos entre nós e com nossos pais, mas sempre tiveram coisas que ela fazia especialmente com minha mãe e eu com meu pai. Apesar de amarmos os dois igualmente existem situações que só alguém semelhante a você entenderá. E a partir de agora o que precisar, qualquer dúvida, pode vir falar comigo para resolvermos, sim?
— Tudo bem pai.
Terminamos de comer e voltamos a andar, agora mais animados e descontraídos comecei a contar coisas que fazia com meu pai e fatos da minha infância, assim como ele relatou tudo que se lembra da sua vida antes de nos conhecermos, com isso descobrimos que temos mais coisas em comum do que podíamos imaginar.
Como nosso amor pelos animais marinhos, entramos em uma parte com um tanque onde ficam algumas focas e tartarugas marinhas, apesar desse tipo de animal não ser propriamente marítimo e um deles ser até um mamífero acabamos entrando no assunto e revelando nossos gostos semelhantes.
— Sério que também gosta deles pai?
Questionou surpreso sobre meu gosto por esse tipo especial de animal.
— Sim, desde criança. Minha paixão aumentou ainda mais quando conheci um aquário que tem aqui na cidade, lá é o lugar mais legal do mundo, tem todos os tipos de espécies de animais marinhos e se agendarmos podemos até nadar com os golfinhos.
— Jura?
Vi a surpresa estampada em seu rosto.
— Sim, já até levei sua mãe lá uma vez. Só que no dia não conseguimos ver os golfinhos, mas poderemos ir qualquer dia se quiser.
— Quero sim pai, vou adorar.
Então prometi que faremos o passeio em breve, porém ao olhar o relógio, constatei que precisamos ir.
— Miguel, devemos ir agora, outro dia voltamos com mais calma e acompanhados da sua mãe, pode ser? É que ainda quero te levar para conhecer um lugar e uma pessoa.
— Podemos. Em que lugar vamos e quem vou conhecer?
— Iremos ao hospital. Quero que conheça meu local de trabalho e te apresentar ao seu avô que também é médico e trabalha lá.
Ele assentiu e seguimos de volta ao carro, o percurso foi feito tranquilamente com ele perguntando sobre meu trabalho e eu respondendo tudo alegremente.
Quando chegamos estacionei na minha vaga de costume e saímos, algumas pessoas que passaram por mim me cumprimentaram e as respondi educadamente de volta, resolvi mostrar primeiro minha sala e depois faremos um pequeno tour pelas áreas que posso apresentar do hospital.
— Foi aqui que nos conhecemos, não é pai?
— Sim. Nunca esquecerei o dia que reencontrei sua mãe e te conheci. Graças a Deus não estava com nada grave, mas com sua vinda para cá tudo pôde acontecer.
— Não gosto de ficar doente, mas nem tenho medo de hospital, sabia?
— Acho que está no seu DNA o conforto e segurança pelo local, já que seu avô e eu trabalhamos em um hospital. Quem sabe você não continua a descendência da família sendo médico também? Você gostaria?
— Não sei. Cuidar das pessoas não é perigoso? Não dá medo?
— Corremos certo risco sim, temos outras vidas em nossas mãos, mas no fim é tudo muito gratificante, saber que com nosso talento podemos ajudar tantas pessoas.
— Entendo.
Ele suspirou e continuou olhando para os lados.
— Mas não se preocupe com isso agora, ainda terá muito tempo para decidir e tenho certeza que a profissão que escolher será muito boa também. – Sorri. – Aqui, chegamos, essa é a minha sala.
Apontei para a porta e a abri para entrarmos, não é diferente de outras salas, com a mesa, o cabide para a troca de roupa pelo jaleco, cadeiras a frente da mesa para os pacientes e uma porta no canto que dá para o banheiro, também na outra lateral uma maca para os exames clínicos de rápida precisão
— Então, o que achou?
— Muito branca?
Sua resposta soou mais como uma pergunta, porém prosseguiu.
— Mas é legal, mamãe e o senhor tem uma sala só de vocês, a desse novo emprego ainda não conheci, mas em Los Angeles já fui algumas vezes no trabalho dela. Com certeza quando trabalhar vou querer ter uma sala só minha também.
— Você terá. Se estudar muito e se esforçar poderá ter o que quiser. – Informei.
Uma batida na porta nos despertou, respondi que entre e Riley passou.
— E ai cara? Disseram ter te visto passar pelos corredores então vim conferir o que faz aqui há essa hora, sendo que seu plantão só começa mais tarde.
— Fala Riley, passei só para apresentar o hospital ao Miguel. Daqui a pouco iremos embora e mais tarde volto.
— E quem é Miguel? – Finalmente notou a presença do garoto sentado na minha cadeira. – Espera, te conheço. Você já foi meu paciente, não é mesmo?
— Sim. O senhor cuidou de mim quando vim passar uma noite aqui no hospital.
— É isso e está bem? – Miguel assentiu. – Que bom, fico feliz em saber que não voltou só por estar doente, mas que bons ventos o trazem?
— Vim conhecer o local de trabalho do meu pai.
Miguel falou sorrindo e o acompanhei.
— Espera, ouvi bem? Você disse pai?
— É isso ai Riley. Descobrimos a pouco, mas Miguel é meu filho. Lembra-se da mãe dele? Isabella Swan...
— Sim, lembro quem é, mas para tudo. Ela é a sua...?
— Sim, aquela era minha Bella e Miguel é nosso filho.
Riley ficou estático por um momento, mas depois teve uma atitude inesperada, pelo menos para mim, já que me abraçou começando a parabenizar.
— Estou surpreso, mas parabéns cara. Uau. Um filho. É isso ai, quero saber sobre tudo depois, mas de qualquer forma estou muito feliz por você. – Nos afastamos. – E até que olhando assim dá para perceber, o garoto é sua cara.
— Obrigado. Estou muito feliz em saber que sou pai também.
— Tenho que ir agora. – Apontou para o bipe. – Mas depois conversamos e Miguel foi um prazer revê-lo, mande lembranças a sua mãe e nos veremos logo, já que sou um grande amigo do seu pai.
— Tudo bem tio Riley até mais.
— Tio? Gostei dessa, falou pessoal. Até mais.
Riley saiu da sala e rimos do jeito extrovertido do meu amigo, ele combina muito com a profissão, sério quando precisava ser, porém sempre alegre e capaz de contagiar qualquer criança.
— Não liga para o jeito do Riley, filho, ele é assim mesmo.
— Gostei dele pai, me lembra do tio Emmett.
— Sim, com certeza. Se juntarmos os dois em um mesmo local boa coisa não vai sair. Mas agora vamos conhecer a sala do seu avô.
— Será que ele vai gostar de me conhecer?
— É claro que vai. Já está ansioso para te conhecer, tudo bem para você?
— Se é assim, tudo bem.
Concordamos e saímos da sala em direção a do meu pai.
Vi que na porta não tem nenhum papel, o que indica que ele está sem pacientes, bati e quando ouvi um entre abri a porta colocando Miguel para passar na frente.
— Edward, meu filho, que bom que chegou. Estava ansioso a sua espera.
Ele levantou da cadeira e veio nos cumprimentar, demos um meio abraço de batidas nas costas, em seguida ele dirigiu-se ao Miguel.
— Sou Carlisle Cullen, muito prazer.
Miguel estendeu sua mão também.
— Miguel Anthony Swan. É um prazer conhecer o senhor também.
— Posso lhe fazer uma pergunta?
— Sim senhor.
— Porque do Anthony no seu nome?
— Minha mãe disse que era em homenagem ao meu pai... Espera papai, como pode ser em sua homenagem se seu nome é Edward?
— É que meu segundo nome, assim como o seu, também é Anthony. — Respondi.
— Entendi. E posso fazer uma pergunta ao senhor?
Dessa vez Miguel se dirigiu ao papai.
— Claro, pode perguntar.
— O senhor é mesmo meu avô?
— Sim, você é filho do meu filho, isso faz de mim seu avô, por quê?
— É que o senhor não tem nem cabelos brancos, nem barba.
Papai e eu rimos.
— Sinto desapontar sua fantasia, mas vou considerar um elogio ter reparado que ainda não possuo cabelos brancos.
— É legal. O senhor é bonitão, assim como papai e eu.
— É claro que sim, possuímos os belos genes da família. – Meu pai respondeu. – Miguel posso te dar um abraço?
— Claro vô.
Eles se abraçaram e papai me olhou contente, talvez pela situação toda ou apenas pelo fato do Miguel já parecer tão apegado a nós, mesmo com tão pouco tempo.
— Você se parece muito com seu pai quando era criança.
Papai disse passando as mãos no cabelo do Miguel e depois fazendo carinho e assim engataram num papo descontraído.
Miguel perguntando coisas sobre mim ao meu pai e ele respondendo tudo de forma entusiasmada.
Ficaram um tempo assim, mas tive que cortar a onda ao informar que precisamos ir embora, porque há essa hora Bella já deve estar louca de preocupação.
Meu pai fez questão de nos acompanhar até o carro e depois de se despedirem e Miguel estar seguro no banco de trás, conversamos a sós.
— Ele é incrível. – Declarou.
— Eu sei. Já gostava tanto dele mesmo quando pensava que era filho de outro homem. Agora então? O sentimento aumentou de forma incontável.
— Entendo o que está sentindo. É exatamente a mesma sensação que tive quando peguei você e Alice nos braços pela primeira vez. Uma plenitude incrível, a sensação de que vale a pena lutar por uma vida melhor, porque têm pessoas que dependem de você.
— Infelizmente nunca saberei como é a sensação de pegar o Miguel ainda recém-nascido nos braços...
Informei com a amargura ainda entalada dentro de mim.
— Edward...
— Por favor, pai, já conversamos sobre isso. Você sabe tudo que ela fez, não tem como querer que a perdoe agora.
— Sei disso filho, até entre nós as coisas estão meio estremecidas. A ouvi, mas não concordo com o que fez, porém não tenho que lhe dar um perdão e sim você e Bella, mas para que isso aconteça tem que falar com ela.
— Desculpe papai, mas nesse momento a prioridade da minha vida é me dedicar ao meu filho. Procurarei resolver tudo em relação a ele e depois vejo a situação da mamãe. Ainda não me sinto preparado para confrontá-la, tudo é muito recente, se for falar agora tenho certeza que não será uma conversa muito bonita. Quando a poeira baixar e algumas coisas se resolverem, volto a pensar nesse assunto.
— Tudo bem. Não o pressionarei quanto a isso. Você é adulto e a decisão é sua.
— Obrigado, agora deixe-me ir, nos falamos depois, tchau pai.
— Tchau filho.
Entrei no carro vendo Miguel inclinado sobre o banco mexendo no rádio.
— E ai, já encontrou alguma música que valha a pena? – Perguntei.
— Acho que sim, estava aumentando o volume. Já vamos para casa?
— Sim, sua mãe já deve estar morrendo de saudade de você.
Coloquei o carro em movimento e seguimos ouvindo as músicas da rádio que Miguel escolheu, com o trânsito tranquilo rapidamente chegamos ao seu prédio, depois de estacionar e fechar tudo seguimos ao elevador.
— Gostou de tudo que houve hoje?
— Sim. O mais legal foi poder conhecer meu pai e saber que é o senhor. Obrigado por ser meu pai.
Totalmente emocionado só consegui responder.
— Obrigado você, por ser meu filho.
Dei um beijo em sua testa e quando chegamos ao andar saímos do elevador, Miguel apertou a campainha e enquanto esperamos por Bella, refleti sobre como a partir de agora tudo mudará e sinto em alguma parte do meu ser que será uma mudança para muito melhor...
POV Bella
Organizando alguns utensílios na cozinha me espantei ao ouvir o barulho da campainha, porém fui logo atender sabendo que se trata dos meus amores.
Quando abri a porta enxerguei os dois lindos e mais parecidos do que nunca.
— Que bom que chegaram. – Saudei. – E como foi meu amor? Divertiu-se? Dá um abraço na mamãe porque já estava morrendo de saudades.
Abaixei-me para abraçá-lo.
— Me diverti sim mãe. Papai e eu fizemos tantas coisas legais.
— Ah, é mesmo? Que legal. Entra Edward, por favor, não vai ficar ai parado na porta.
— Tudo bem, mas não vou demorar, não quero incomodar mais por hoje.
— Não pai, o senhor tem que ficar, ele pode ficar, não é mãe?
— É claro que sim. Edward, deixa de besteira. Você fica e janta conosco. Mais tarde quando o Miguel dormir você vai. – Falei. – Estava começando a ajeitar as coisas, só vou dar banho no Miguel e poderemos comer.
— Se quiser posso ajudar o Miguel, não tem problema. – Ofereceu
— É mãe, vou com meu pai.
— Ah, agora é assim mocinho? Já está me trocando pelo seu pai...
— Não precisa ficar com ciúmes mamãe. Tem Miguel para todo mundo.
— Tudo bem, quero só ver o estado que vai voltar desse banho com a ajuda do seu pai.
— Está duvidando dos meus dotes Bella? – Edward perguntou levantando a sobrancelha de um jeito muito sexy. – Vamos filho, vamos mostrar a sua mãe que somos muito capazes.
Os dois saíram de vista e voltei à cozinha para terminar o jantar.
Preparei tudo para o jantar e quando dei por mim os dois entraram, Miguel vestido em seu pijama, bem cheiroso e penteado. Não admitirei para envaidecê-los mais, mas pelo visto Edward leva jeito para a coisa.
O jantar transcorreu bem, Miguel narrou muito empolgado tudo que fez com o pai e cada segundo que passa meu orgulho de Edward só aumenta.
Depois de jantarmos Miguel quis ir para a sala por um tempo e Edward se ofereceu para me ajudar na arrumação da cozinha e continuamos conversando.
— Sabe Bella, andei conversando com meu pai e gostaria de registrar logo o Miguel. Não tem porque, agora que tudo está esclarecido, ele não carregar meu nome como seu pai e o sobrenome da minha família.
— Por mim tudo bem Edward, ainda não tinha pensando sobre isso, mas está perfeito. Isso ajudará um pouco quando tivermos que encarar meu pai. — Suspirei.
— Você conversou com Charlie?
— Sim, aproveitei quando saíram e liguei para ele, a conversa foi como esperava, dura e cheia de mágoas por sua parte, mas no fim quando pude revelar tudo, ele pareceu ficar mais conformado pelo fato de que sei quem é o pai do meu filho, porém isso não o deixou nenhum pouco mais feliz. Terminamos a conversa com a promessa de ele vir à Nova York conhecer o Miguel e ter um momento frente a frente conosco.
— Devo vir preparado com um colete à prova de balas? – Perguntou de forma brincalhona.
— Gostaria de dizer que não é para tanto, mas não estou cem por cento segura com o chefe Swan.
— Nossa Bella, agora está me assustando. Mas não terei medo, quando seu pai vier estarei ao seu lado e juntos conversaremos com ele. E assim como os outros, entenderá que somos vítimas de tudo, do que minha mãe foi capaz de fazer.
Ficamos em silêncio por um momento.
— Falando nisso, já teve tempo de conversar com ela?
— Não, para falar a verdade ainda não a vi desde que soube de tudo.
— Como não? E você não foi para casa hoje depois que saiu do hospital?
— Não, tenho um apartamento que comprei há algum tempo, foi mais um investimento do que algo para uso, mas que me serviu bem agora. Quando sai do hospital fui direto para lá, pedi para meu pai pegar umas mudas de roupa para me virar esses dias e não ter que voltar a casa. Conversarei com minha mãe, é claro, mas nesse momento estou de cabeça quente e tenho outras prioridades. Depois quando conseguir assimilar tudo melhor, a procurarei para conversar.
— Entendo. Eu agi de modo impulsivo, quando soube a verdade, só quis correr até lá e tentar entender um pouco tudo que houve e principalmente o porquê, mas entendo seu ponto, afinal de contas, ela é sua mãe e precisam conversar civilizadamente. Se não se sente preparado ainda, te apoio.
— Obrigado por entender. – Sorri.
Terminamos de arrumar tudo e fomos para a sala, ao chegar encontramos Miguel dormindo profundamente no sofá, Edward o pegou no colo e o levamos até seu quarto, o ajeitamos em sua cama para que descanse tranquilamente.
Depois calmamente voltamos à sala e sentamos no sofá, sem saber bem o que dizer fiquei em silêncio, deixando Edward quebrá-lo.
— Então Bella, tenho algumas dúvidas e gostaria que respondesse com sinceridade.
— Se puder, responderei com certeza.
— Ontem observei uma coisa que me deixou curioso por todo o dia e até agora estou com a dúvida. Guardei o fato comigo porque tínhamos assuntos mais importantes para resolver, mas agora que as coisas com nosso filho já estão acertadas, quero tratá-las contigo...
— Meu Deus Edward. Fala logo, está me deixando curiosa.
— Bella, ontem de manhã quando entrei no seu quarto percebi que estava tendo um sonho e não um sonho qualquer, mas um sonho muito bom a julgar por suas expressões. Mais tarde mandei a mensagem com a suspeita de com quem tenha sido esse sonho. Nesse caso, você estava sonhando comigo?
Seu olhar desarmou qualquer barreira, obviamente corei com o entendimento do assunto que trataremos, porém resolvi deixar minhas emoções falarem por mim.
— Sim, estava sonhando com você.
Ele aproximou o corpo do meu e nossos rostos ficaram a centímetros de distância.
— Então continuo sendo seu Dream?
Resolvi responder mudando o foco da pergunta.
— E para você? Continuo sendo Heart?
— Sempre Bella. Você nunca saiu do meu coração.
— Nem você saiu dos meus sonhos.
Ao terminar de pronunciar as palavras senti seus lábios colando-se aos meus, tudo entre nós entrelaçando-se novamente. Sua língua com a minha, nossos braços envoltos aos corpos, as mãos sedentas por toque e proximidade.
E com certeza nossos corações querendo voltar a ser um só...
Seu beijo é uma das melhores coisas que já tive o prazer de apreciar na vida, o contraste entre o suave e intenso que nossos movimentos produzem, as sensações que esse singelo contato tem o poder de causar.
Estamos desfrutando do deleite como se deve, com e ao mesmo tempo sem pressa, e ao pensarmos em parar, um ou o outro retoma o beijo com mais fôlego nos deixando em brasa...
No momento que nossos corpos começaram a pedir desesperadamente por mais, Edward me puxou para seu colo onde sentei com as pernas abertas deixando que nossas intimidades, mesmo que ainda separadas pelas roupas, sintam a proximidade de novo.
Tomei a iniciativa de descer beijos por seu pescoço, onde não me fiz de rogada e apreciei com vontade. Edward, em contra partida, tomou o poder de me excitar com as mãos habilidosas passando das minhas costas, a cintura e bumbum, num vai e vem delicioso. E quando se infiltraram por dentro da minha blusa, rapidamente abriram o fecho do meu sutiã, facilitando o processo que está por vir.
Eu com as minhas também dentro da sua camisa passei por suas costas e quando voltamos a nos beijar aproveitei para tirar a peça de seu corpo e ele rapidamente fez o mesmo comigo, deixando a nós dois seminus.
— Ah meu Deus. Que saudade.
Edward meio sussurrou meio gemeu quando finalmente viu meus seios livres, para mostrar o sentimento de falta logo tratou de dar a devida atenção eles e quase fui ao céu.
A combinação de boca e mãos nos meus seios é sem comparação, ele não deixa de dar atenção a nenhum dos dois por um único momento. Enquanto a boca suga, lambe e posso dizer que até beija um, a mão consola bem o outro com toques suaves e precisos. E dos meus lábios só saem lamurias, gemidos e palavras de incentivo pedindo por mais.
Controlando nossa situação deitou meu corpo no sofá com o seu por cima e voltamos a nos beijar, enquanto esfregamos os corpos em busca de fricção e alívio. Como dois adolescentes dando um belo amasso no sofá.
Quando uma de suas mãos desceu para procurar o fecho da minha calça, tentando atingir mais limites entre nós...
Meu celular e o dele começaram a tocar simultaneamente.
Acredito que pensamos em conjunto em tentar ignorar as chamadas, mas com a indicação de duas pessoas nos procurando ao mesmo tempo e no caso dele, podendo ser algo relacionado ao hospital, acabamos nos separando mesmo a contragosto.
Ele levantou pegando seu celular e o meu, no visor do meu aparelho vi que é Angela quem ligou, retornarei daqui a pouco. Edward, entretanto, atendeu sua ligação, mas desligou rapidamente.
— Queria poder dizer que não tenho que ir, mas já está na minha hora.
Informou cabisbaixo.
— Entendo, assuntos importantes do hospital?
— Sim e no seu caso?
— Era só minha amiga Angela, daqui a pouco ligo de volta. – Ele assentiu. – Acho que agora temos que nos vestir para que possa ir.
Seus olhos recaíram sobre meu dorso nu e seios, percebendo que com certeza não irá embora se continuarmos dessa forma, resolvi intervir. Segurei seu rosto mirando seus olhos nos meus.
— Edward, você tem que ir.
O beijei e ao conseguirmos nos desvencilhar ele vestiu a camisa e coloquei a minha apenas para poder levá-lo até a porta, porém ainda ficamos um tempo parados apenas nos encarando.
— Agora tudo vai mudar, não vai? Vamos iniciar algo novo. Nós e nosso filho.
— Com certeza. – Confirmei. – Depois de tudo pelo que passamos, novamente passaremos por um giro, espero que agora seja para algo bom.
— Será, acredito nisso. Nosso tempo de tempestade já passou. Agora está na hora de sair o sol.
Concluiu e assenti esperando que realmente todos nossos desejos se realizem.
Depois de nos despedirmos ele foi embora e segui para o meu quarto, tomei um banho e após deitar peguei o celular para retornar a ligação de Angela, após alguns toques ela atendeu.
— Por que não me atendeu de imediato?
— Porque interrompeu meu amasso no sofá.
— O que? Você estava dando uns amassos no sofá? Que história é essa? Com quem? Ligo apenas para saber sobre a vida do meu sobrinho e você vem com uma fofoca dessas?
— Angela calma.
Só então percebi que talvez não tenha sido uma boa ideia falar sobre o que aconteceu há pouco.
— Não, calma nada. Pode desembuchar mocinha. Estava travando uma luta corporal com Edward? Isso quer dizer que estão juntos de novo?
— Não, não ainda, não formalmente pelo menos. Mas acho que as coisas vão se ajeitar aos poucos.
— Para com essa tortura, conta logo sobre tudo. Porque se estão nesse estágio deve ter acontecido mais coisas para que se acertem.
— Sim Ang, algumas coisas realmente aconteceram.
Assim como fiz com todos que conheciam meu passado, contei sobre tudo que houve nessa última semana.
É difícil acreditar que toda essa reviravolta aconteceu somente nesse curto espaço de tempo, principalmente nos quatro últimos dias.
Ela fez comentários sobre tudo, amaldiçoando Esme de todas as formas possíveis, feliz e surpresa pela boa recepção do Miguel e dando apoio para que Edward e eu resolvamos de vez nossa situação.
— Amiga, agora é a vez de vocês. Até com seu pai você já conversou. Invista nesse homem que tanto lhe quer também.
— Eu sei amiga, estamos indo aos poucos, mas não direi não ao que sinto por ele. Não tem porque viver mais tempo infeliz sendo que queremos a mesma coisa.
— Isso ai. Ah e agora que lembrei, liguei mais para falar que Ben e eu faremos uma visita a vocês em Nova York.
— Ang isso é uma ótima notícia. Quando vocês vêm?
— Não sei ao certo ainda, será mais para o final do próximo mês. Teremos uma folguinha e decidi que está na hora de visitar minha amiga e conhecer seu amado.
— Pode vir. Estarei te esperando com todo prazer.
— Obrigada Bella. Agora vou desligar para deixá-la descansar.
— Tudo bem amiga. Falamos mais sobre sua viagem depois, tchau.
— Tchau Bella.
Ajeitei-me para dormir, mas enquanto o sono não veio, fiquei perdida em pensamentos.
Uma nova expectativa preenche minha alma e assim como falei a Edward, espero mesmo que agora seja o tempo de sol e abonança em nossas vidas...
CONTINUA.
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