Notas iniciais
Olá! Tivemos umas dificuldades para postar, mas aqui estamos. Ainda estamos viajando, então vai ser meio complicado responder seus lindos comentários, então vamos agradecer por aqui. Acreditamos que no fim da semana teremos mais tempo, e internet. Optamos por atualizar ao invés de responder porque vocês merecem mais capítulos. Alguns perguntaram da viagem, e vamos falar mais um pouco dela. Está sendo boa, recentemente têm acontecido umas coisas legais e outras loucas, quase impossíveis (relacionadas a sapos e rãs). Estamos loucas para irmos à praia, mais tarde, na segunda parte do passeio. E também estamos morrendo de saudades de casa, e de vocês! Dedicamos esse capítulo para a divosa e companheira Laís Pierce, que nos presenteou com lindas fanarts. Não vamos colocar aqui porque não temos autorização, mas se ela deixar... Boa leitura!

O desespero já começava a assombrar Matthew. Ele tinha saído com a sobrinha para checar as armadilhas da floresta e, quando se voltara para trás, Katherine havia desaparecido. Desde então, o homem se ocupara exclusivamente de procurá-la por toda a região, sem obter êxito. Apesar de ter vinte anos, a jovem não era capaz de sobreviver sozinha, e seu tio não só sabia disso, como carregava uma grande parcela de culpa. Quando a sobrinha órfã entrara em sua casa, não passava de um bebê indefeso. Matthew queria dar tudo àquela garotinha, mesmo que todo o conforto do mundo não substituiria a presença dos pais, e foi assim que ela se tornara uma garota mimada incapaz de realizar muitas coisas sozinhas, sendo dependente na maioria das vezes.

No final das contas, nem mesmo ele sabia por que Katherine havia decidido acompanhá-lo pela floresta. Ela odiava aquele local úmido e fechado, cheio de insetos e animais, tinha aversão à mata e, da última vez que entrara, quase fora morta por um errante, o que rendera alguns arranhões e um joelho ralado, onde fora possível ver a carne e uma parte do osso. Contudo, de uma coisa Matthew sabia, sua sobrinha era uma pessoa de fases, como a Lua. Por um momento tudo era flores, no outro era o verdadeiro inferno na Terra, que poderia ser comparado ao que eles viviam. Katherine Harris amava na mesma proporção que odiava.

Ele parou de pensar nos motivos de sua sobrinha ter ido até a mata, ou no porquê de ter saído da clareira, e continuou sua caminhada. Talvez ela até tivesse uma chance se aproveitasse os utensílios que estavam na bolsa que ela carregava: uma garrafa de água; uma barrinha de cereais; e o alicate que seria usado para abrir as armadilhas, que poderia ser uma arma provisória. O homem passou por uma armadilha que ele mesmo fizera, ela estava completamente vazia, assim como as demais. Isso já era de se esperar, já que ele e Josh não eram exímios caçadores e vez ou outra conseguiam capturar alguns animais. Apesar disso, o pequeno grupo ia, aos poucos, reduzindo o consumo de alimentos, uma vez que estes iam se tornando cada vez mais escassos.

Alguns segundos depois, o som de vozes o tirou dos devaneios. Matthew pôde reconhecer claramente a de sua sobrinha, e logo foi até o local. O dialogo até o deixaria atônito pelo conteúdo, porém tudo que o engenheiro civil conseguia captar era o som da voz de sua sobrinha, o que serviu para acalmá-lo. Ignorando a garota desconhecida, ele colocou as mãos sobre os ombros de Kate com um olhar preocupado, enquanto a observava em busca de algum ferimento.

– No que você estava pensando quando saiu de lá? – o homem indagou um pouco mais calmo e bastante aliviado.

– Relaxa! Eu sei me cuidar! – ao pronunciar tais palavras, a loira recebeu um olhar de repreensão, ela e o tio sabiam que aquilo estava mais longe da verdade que qualquer outra coisa. – Tudo bem, tio, mas eu te avisei que estava indo!

– Está bem, só não faça isso de novo.

– O quê? Esse é seu tio? – Avery finalmente entrou na conversa, com um tom completamente chocado.

– Sim, esse é o titio Matt – Katherine confirmou passando um braço ao redor dos ombros dele, que permaneceu sério.

A garota o observou novamente, dessa vez prestando atenção em cada detalhe. Aquele homem estava longe de ser o velhinho acolhedor que ela esperava. Não por sua expressão severa, e sim porque Matthew estava longe de ser um senhor de idade. Aquele homem deveria ter pouco menos que quarenta anos de idade, nem mesmo sua barba por fazer era capaz de deixá-lo mais velho que isso. Apesar da jovialidade excessiva para um tio, Matthew aparentava ser sério e responsável, pelo jeito que seus olhos azuis fitavam a sobrinha, o tom de preocupação era conspícuo. Mesmo com os cabelos loiros, que pareciam ser de família, os seus possuíam uma tonalidade mais escura de loiro. O rosto também era comprido, um pouco menor do que sua sobrinha e bem mais quadrado.

– Kate, não vai me dizer quem é ela? – ele também avaliou a garotinha, mas sem tanta minúcia. Logo após terminá-la, ficou com uma dúvida na cabeça, o motivo de uma menina aparentemente indefesa estar sozinha na floresta. Seu estado não era tão ruim assim, a loira estava saudável, apenas possuía um aspecto cansado, os olhos com coloração entre verde e azul denunciavam que ela havia chorado.

– Então, essa é Avery, minha nova amiga. Ela vai morar com a gente.

– Morar? Katherine Christina, o que te faz pensar que a senhorita pode pegar pessoas e levá-las para casa?

– Por que não? Podemos adotar ela! Você não acha que eu preciso de uma amiga? Tio, por favor! Eu estou tão solitária naquela casa... Preciso de alguém como eu, uma menina! Você acha que eu vou conversar com quem sobre meus assuntos? Que eu sabia, ninguém lá está disposto a falar sobre cólicas e outros assuntos!

– Ei! Eu ainda estou aqui! Será que podem parar de falar como se eu não estivesse? – a garota entrou na conversa um tanto inconformada por ter sido ignorada até então.

– Avery, você já deve estar sabendo que temos um abrigo e podemos te acolher. Mas a decisão é sua – Matthew voltou para a sobrinha, com um olhar severo –, não da Kate.

– Já que você deixa, eu vou com vocês – ela concordou, tomando sua primeira decisão em todo o apocalipse.

A loira, ao seu lado, comemorou a decisão com alguns pulinhos e depois entregou sua a mochila ao tio, alegando fadiga, tudo que Katherine mais desejava era voltar para casa. Em seguida, o líder do grupo as acompanhou até o local onde Avery moraria. Os dois não entendiam muito bem o motivo daquilo tudo, a garota ainda não encontrava uma razão para ter aceitado se juntar a eles, enquanto o homem se perguntava o porquê de ter aceitado Avery em seu grupo, talvez fosse pelo fato de que a garota em questão estava sozinha no meio de uma grande aérea florestal da Geórgia, pelo menos ele achava que ela está só. No fim, a única pessoa que parecia contente e certa daquilo tudo era Kate.

– Conseguimos muitos animais? – a jovem Harris quebrou o silêncio enquanto caminhavam pela trilha de cimento bem cuidada.

– Bem... Josh e eu não somos especialistas em armadilhas. Hoje pegamos dois coelhos – Kate fez uma careta ao ouvir aquilo, a loira não era muito fã de coelhos. – O que foi? É tudo que temos. Aposto que Avery comeria um coelho sem reclamar.

– Sim, estou cansada de enlatados – ela confirmou um pouco desconcertada.

– Não precisa ser tímida, eu não mordo, juro! – Matthew conseguiu arrancar um sorriso de Avery, o que o alegrou. – Posso saber por que ficou tão surpresa quando descobriu que eu era tio da Kate?

– Você... Sabe, você é muito novo... –... E bonito. A garota resolveu guardar o pensamento para si mesma enquanto suas bochechas ficavam ruborizadas por tal reflexão.

– Todos dizem isso. Espere só para ver meu pequeno sobrinho. – algo no tom de voz dele dizia a Avery que seu sobrinho não deveria ser tão pequeno assim.

– Vocês são quatro, certo? A outra pessoa deve ser o namorado da Kate.

– É – a loira assentiu mudando de expressão quando o assunto foi mencionado. Ela não gostava muito de falar sobre seu namorado na frente do tio, já que as coisas entre os dois eram meio complicadas.

– Ela não gosta de falar sobre o Max comigo... Quando chegarmos você vai ver como a Kate fica animadinha perto dele – o tio falou com certa aversão na voz. Já era notável como o clima ficara pesado quando Max havia entrado na conversa, e Avery decidiu não tocar mais no assunto, por mais curiosa que estivesse para descobrir de onde vinha toda essa desavença entre os dois, que parecia ser muito maior do que proteção e ciúme de pai ou, no caso, tio.

Mais à frente, ela pôde avistar uma casa de madeira. O chalé tinha dois andares, ambos com varandas, telhado triangular e íngreme, além de janelas com pequenos quadrados de vidro. Era todo feito de madeira por fora, o que dava ao lugar um ar mais aconchegante e acolhedor. Parecia uma casa de boneca, ou uma casa de campo para passar o final de semana à beira do lago, que a maioria das famílias possuía. A propriedade era cercada e além disso contava com a proteção das grandes árvores coníferas, o que ajudava bastante para abafar os sons, já que uma horda pequena seria capaz de romper a débil cerca de madeira.

Na varanda do primeiro andar, um homem podia ser visto sentado na cadeira de balanço. Ele usava um chapéu de caipira, segurava uma espingarda e apoiava os pés em outra cadeira. A face de Kate logo se iluminou ao ver o rapaz de cabelos castanhos sentado confortavelmente na cadeira, de uma maneira um tanto espaçosa. O garoto parecia um verdadeiro sulista, um adjetivo que não se encaixava no homem, impressão que era reforçada pelas botas de couro, pelas calças jeans e pela camisa xadrez.

– Max! – Katherine exclamou enquanto corria para os seus braços sem muita cerimônia.

– Vocês demoraram. Conseguiram alguma coisa? – ele questionou diretamente para namorada depois de beijá-la, sem se importar com as duas pessoas que continuavam paradas em frente à casa, apenas observando a cena.

– Não muito, apenas coelhos...

– E ela?

– Achamos a Avery na floresta, ela vai morar com a gente – a loira respondeu se voltando para a garotinha, que detestava quando se referiam a ela daquela forma.

– Quem te deixou vigiando? Isso é função do Josh – o tio entrou na conversa se dirigindo a Maximilian Wayne de forma ríspida.

– Pensei que a função do Josh fosse ficar no rádio, por isso eu me ofereci para vigiar enquanto ele fica lá no sótão – Dois irresponsáveis. Matthew pensou, resolvendo ignorar aquilo.

Avery seguiu o homem para dentro da casa, deveras confusa pelo episódio que acabara de assistir. Matt lhe parecera ser um homem muito legal, e a garota acabara tirando a conclusão de que Max deveria ser muito ruim para merecer a aversão do tio de sua namorada. Entretanto, o jovem não dera nenhum motivo para que ela o considerasse indigno de simpatia. Até então se comportara de uma forma bem normal e não apresentava nenhum traço digno de desprezo ou até mesmo ódio. Para ela, Max parecia um daqueles caras mais velhos descolados que ela adoraria ter como amigo.

O interior da habitação era aconchegante, e certamente mais quente que o lado de fora. Matthew deixou sua mochila jogada no sofá, indo diretamente para a cozinha com o intuito de limpar os coelhos para serem preparados posteriormente. A loira observou os detalhes do cômodo, o piso era quadriculado e as paredes eram cobertas de azulejo acinzentado. Rodeando a cozinha e a separando da sala de estar, havia uma bancada de mármore, onde se encontrava a pia e alguns utensílios domésticos.

Avery sentou-se à mesa central de madeira branca enquanto observava Matthew retirar a pele dos animais. Em certo momento, percebeu que não aguentaria mais observar o processo, então desviou o olhar para a janela. Nos dois anos de apocalipse, seus pais haviam optado por não caçar, pois o casal nunca pretendera perder a civilidade. Em certos momentos, os Dickens haviam passado fome, sempre com a esperança de que, no futuro, tudo voltaria ao normal. Não era a melhor das ideias para sobreviver, já que em muitos momento a caça fora necessária, porém manter a polidez era uma das formas de lembrar da antiga civilização e mantê-la viva.

– Desculpe pelo meu comportamento lá fora, o Max realmente me tira do sério – Matthew comentou depois de algum tempo, sem desviar o olhar do coelho. – Sei que eu mesmo aceitei te abrigar aqui, a Kate ficou muito animada com isso, mas as coisas não são tão simples assim. Nós ainda não te conhecemos, não sabemos o que aconteceu com você. Seus pais podem estar te procurando.

– Não tem ninguém me procurando – ela respondeu enxugando algumas lágrimas antes que elas deixassem seus olhos, aquela resposta já bastava e Harris facilmente captou a mensagem.

– Eu lamento por isso. Já que você está sozinha, ficarei feliz em te oferecer um lar e ajudar com o que for necessário. Nosso grupo é pequeno, e a comida está acabando, mas podemos nos ajudar. Você já matou algum errante?

– Não, mas eu posso tentar. Quero ser útil para vocês. Eu tenho um taco de beisebol, posso ajudar se precisarem.

– Não se importe muito com isso, podemos te ensinar. Olhe para a Kate, antes ela nem saía de casa, agora já está andando sozinha pela floresta. Foi uma grande evolução.

– Você não vai acreditar no que acabou de acontecer! – uma voz desconhecida interrompeu a conversa enquanto o dono dela invadia parcialmente o cômodo com muita pressa.

– O que foi? Você avistou fogo naquela região de novo? Josh, eu já disse que não tem como serem pessoas. E se fosse, estão a quilômetros de...

– Não é isso. Eu interceptei uma chamada no rádio – o homem falou num tom animado. Ele estava parado na porta que ligava a sala ao corredor, e não havia notado Avery até então. – Espera, quem é essa fofinha?

– Essa é Avery, ela vai ficar com a gente a partir de agora. Avery, esse é o meu pequeno sobrinho, Josh.

De pequeno, ele não possuía nada. Com trinta anos de vida, Joshua era quase da altura da porta, e tão largo quanto. Seus cabelos loiros traziam uma tonalidade que representava meio termo entre sua irmã e seu tio. Ele tinha a barba por fazer, um pouco mais visível que a do outro homem. Os olhos azuis eram tão fortes quanto seus traços faciais, mesmo assim o homem não tinha nada da seriedade do tio. Seu sorriso jovial e divertido lembrava o de Kate, e era um dos aspectos que mais os aproximava. Ao vê-lo, a garota chegou a pensar que a beleza fosse algo de família. Se Matthew tinha sido capaz de deixá-la boquiaberta, a imagem de Josh a deixara encantada, e Avery se sentia idiota pela forma direta que o fitava.

– Então, você estava falando sobre uma transmissão de rádio – ela voltou ao assunto inicial, tentando se concentrar mais naquilo já que o tal Josh não tinha dado tanta relevância à sua presença. Não que a garotinha nova não fosse importante, mas ajudar um estranho qualquer, principalmente uma criança, naqueles tempos não era questão de solidariedade, e sim quase que uma obrigação de todo sobrevivente.

– Eu fui checar o rádio, como sempre faço todas as tardes. Na maior parte do tempo, tudo que eu ouvi foram chiados, até que, quando eu estava quase indo embora, consegui distinguir a voz de uma pessoa.

– Que tal ir direto ao ponto? – Matthew limpou as mãos sujas de sangue em uma flanela imunda e cruzou os braços sobre o peito. A maneira que usava para se dirigir ao sobrinho poderia parecer dura, porém indicava o alto nível de intimidade entre os dois, e era o que deveria ser a julgar pela pouca diferença de idade entre os dois.

– Parece que tem um grupo pequeno de pessoas sobrevivendo em Columbus, foi isso que eu consegui entender. O sinal estava péssimo, acho que a mulher não ouviu minha resposta. Quando tentei regular o rádio, perdi o contato.

– É uma ótima notícia! Ficamos sozinhos esse tempo todo... Eu sempre soube que existiam mais pessoas lá fora, agora encontramos a Avery e esse grupo. Por quanto tempo esteve sozinha na floresta? – Matthew dirigiu a pergunta à menina, que até então fora uma mera espectadora.

– Não muito tempo. Passei esse tempo todo sobrevivendo com os meus pais. Estávamos nos afastando dos centros urbanos, meu pai disse que a maioria das pessoas estava fazendo isso, e que seria melhor. O que nós vamos fazer?

– Por hora, nada. Não sabemos nada sobre a localização, a mulher ou o grupo, muito menos o porquê de estarem estabelecendo contato. O único jeito de saber é continuar tentando se comunicar. Podemos ficar nos revezando no rádio, mas acredito que ela deve mandar outra mensagem amanhã no mesmo horário, se tiver uma rotina. No momento, a única coisa com que temos que nos preocupar é com o nosso jantar. Melhor começarmos a preparar esse coelho.

Notas finais
O Tumblr já está atualizado, é só conferir. Se alguém quiser olhar as postagens antigas, que podem ser alteradas no futuro, é só acrescentar "/page/2" ao link, e assim por diante. Aqui estão os novos personagens: Matthew Harris: https://33.media.tumblr.com/3a7d4b9bc356fa74fcfddb99be2b92a7/tumblr_nf1ya2f1V51txro7no1_250.png Maximillian Wayne: https://38.media.tumblr.com/138c6d85d1b31813773eca0699eebf5f/tumblr_nf31sxFpQP1txro7no1_250.png Joshua Harris: https://38.media.tumblr.com/4717b0e55d2aea2bdd25167d1bf28ac7/tumblr_nf1ycjbKjL1txro7no1_400.png Então, o que acharam do capítulo? Deixem a sua opinião! Não sabemos como será semana que vem, talvez não dê para escrever e postar. Até mais!