End of The Beggining
2 Capítulo 2 - Can't Take My Eyes Off of You
Notas iniciais
Acordei perturbado com aquele sonho. Katsumi estava lá e sua frase final havia sido pronunciada de maneira sombria. Eu jamais duvidaria que ela soubesse de tudo há tanto tempo. Aquele ódio ambos nutríamos um pelo outro era estranho. Parecia um sentimento tão distante agora.
Olhei ao redor sentindo o cheiro podre que havia contaminado o ar dias atrás. Cheiro de sangue. Morte. Era perturbador pensar em como um lugar podia mudar tão drasticamente praticamente da noite para o dia. Em um piscar de olhos você percebe que aquela sensação de falsa segurança e conforto eram mentira. Vivemos a vida achamos que somos imortais. Até o dia em que algo nos prova o contrário. Agora, a felicidade desse sonho parecia deprimente.
Procurei sinal da garota, mas ela não estava por perto. Katsumi odiava a sensação de ficar parada. Era estranho estar tão acostumado com a presença dela. Quase como se tivesse sido assim desde o princípio. As coisas mudam. O mundo muda.
A claridade mórbida de mais uma manhã sombria. Sons distantes ecoavam nas proximidades, sons que tomaram o lugar dos sons naturais transformando-se em grunhidos disformes. O natural havia mudado. Os vivos são caçados dia e noite para um dia morrerem e transformarem-se em monstros. Zumbis. Soaria engraçado se tivessem me dito uma semana atrás.
Não tenho mais vontade de rir.
Levantei com dificuldade, o esforço físico e falta de comida dos últimos dias tinham sido prejudiciais. Eu precisava achar Katsumi, ela não podia ficar sozinha. Ela era imprevisível e a última coisa que eu precisaria era arrumar problemas. Bom, pelo menos era isso que repetia para mim mesmo quando eu sabia que só queria vê-la. De alguma forma me sentia responsável por ela.
Era um milagre estarmos vivos e eu sabia que devia isso a ela. Era a única que tinha sangue frio e determinação suficiente para sobreviver aquilo. Ela era minha última esperança, embora fosse difícil admitir isso para mim mesmo. Era difícil admitir que a Katsumi que eu conhecia a tanto anos na escola não era a mesma que eu via agora. Eu sabia bem que ela forte, mas também sabia que uma hora ela surtaria. Não demoraria muito.
Peguei as fotos que havia guardado no bolso. Por sorte eu tinha o costume de andar com fotos das pessoas que eu mais gostava e consegui mantê-las comigo. Meu último pedaço da vida que me restava. Analisei a foto dos alunos da minha sala, todos sorrindo. Uma pessoa especial me chamou atenção. Melissa. Senti uma pontada ao pensar nela. Poderia estar morta agora.
–Ela é bonita – Uma voz feminina quebrou o silenciou de até então, me assustando. Katsumi observava a foto por cima do meu ombro – Mas sabe, você é um inútil por nunca ter falado com ela.
Me virei pra de modo brusco de mais. Era a primeira vez que escutava a voz dela em dois dias. Ela havia permanecido calada por tanto tempo... Eu bem sabia que era a forma dela de lidar com tudo isso. Observei-a atentamente, estava com a calça jeans suja de terra e lama, sua blusa possuía alguns rasgos revelando arranhões. Havia pequenos machucados e sujeira por todo seu corpo. Seu cabelo ruivo estava bagunçado.
Mesmo estando em farrapos, ela sorria. Seus olhos azuis brilhavam de animação, como se o fim do mundo não a incomodasse. Pela primeira vez, olhei de verdade para percebendo o quanto era bonita. Eu não conseguia tirar os olhos dela. Como se me prendessem de alguma maneira. Ela exalava uma energia contagiante.
Ela representava toda a minha esperança.
–Ei, Kat, vamos indo – Falando pegando minha mochila.
Ela me olhava estranho, eu sabia que ela odiava ser observada de modo que a deixasse vulnerável. Ela havia construído barreiras demais.
Foi então que ao me preparar para sair daquela cabana imunda que havia sido nossa “casa” por uma noite, vi um pequeno grupo pela janela. Não acreditei quando vi. Era Melissa. Ela corria desesperada de um grupo alarmante de zumbis. Encarei Katsumi um segundo antes dela pegar o facão do chão e correr atrás da garota.
Não podíamos ficar lá por nenhum segundo a mais. Seria o fim. Corri por onde ela havia passado, tentando achar desesperadamente uma garota ruiva por entre as árvores. Havia zumbis por perto, mas eu era mais rápido. Meu coração estava disparado com a adrenalina. Melissa. Não podia ser.
Ao finalmente avistar a garota que eu procurava, estanquei. Tinha uma quantidade considerável daqueles monstros caídos inanimados no chão. Sangue e podridão dominavam o ar.
Só que o que mais me chocou era ver a doce garota Melissa apontar uma arma para Katsumi. E logo em seguida um grupo de pessoas passou a se aproximar, matando a horda de bestas mortos-vivos com armas de fogo.
Pela primeira vez eu só conseguia pensar na excêntrica garota ruiva e mais nada. Só que havia um porém, ela sorria de um jeito que não restava dúvidas. Ela lutaria até o fim.
Fale com o autor