End Of The Day
1 Capítulo 1 - DIA 0
Notas iniciais
POV Austin
É mais do que comum fazer calor em Miami, mas hoje, a temperatura está o que eu chamo de “férias do sol”. O sol estava escaldante mas o clima parcialmente agradável. Agradável o suficiente para ficar trancado o dia todo em casa e assistir milhares de filmes com seus melhores amigos.
Dez, Trish, Ally e eu passamos a tarde toda assistindo filmes. Selecionamos 4 filmes para assistir: Harry Potter e as Relíquias da Morte, Em Chamas, 10 Coisas Que Odeio Em Você e Clube dos Cinco.
É incrível como o desempenho de Judd Nelson faz com que eu me identifique com ele. Seu personagem, John, nunca deixa de fazer uma piada sobre quaisquer situações, sempre tem algo para dizer, mas guarda tudo o que quer falar e sempre fala demais... Mesmo com a pose de badboy todos sabem que ele tem um “bom coração” como diria Ally.
Acho que Ally se identificaria com Brian. Às vezes ela comenta que se sente a estranha do grupo, por ser a “nerd” e tal... Mas sempre diz que essa é a natureza dela... Não sei... É só um palpite.
Após o filme, conversamos sobre assuntos diversos. Nada com nada. Tudo com tudo...
— Então, já decidiram qual música o Austin vai cantar na amostra de inverno? – perguntou Dez.
— Don’t Look Down. – Ally e eu dissemos em uníssono, rindo após a coincidência.
— Nossa! Quanta sincronia. – zombou Trish.
— Que foi? Só falamos ao mesmo tempo. – falei nos explicando.
— É... 75% do tempo! – retrucou Trish.
— O que? – perguntei.
— Vocês falam ao mesmo tempo, completam a frase um do outro e tem a mesma opinião 75% do tempo que passam juntos. Sem falar no clima que aparece no ar quando vocês estão compondo...
— Para, Trish. – disse Ally – É só que eu e o Austin somos grandes amigos que se conhecem muito bem...
— E que formariam um lindo casal... – murmurou Dez.
— O que?! – dissemos novamente em uníssono.
— Ah! Qual é! Vai dizer que vocês nunca pensaram nisso?
— Nunca. – disse Ally.
— É... – concordei.
— Ok! – disse Trish se rendendo – Mas pensem nisso! A maioria dos casais hoje em dia, eram melhores amigos. Os meus pais, os pais do Dallas, os da Ally...
— Meus pais se divorciaram. – completou Ally.
— Querem saber?! Vocês são muito teimosos! Admitam logo que formariam um casal muito fofo e acabamos com isso!
— Eu não vou admitir nada... – murmurou Ally.
— Nem eu. – falei
— Mas afinal, — continuou Ally – o que você está tentando provar?
— Estou tentando provar que eu estou certa e vocês errados. Rá!
— Não desta vez... – murmurei, fazendo com que Ally soltasse uma risada abafada.
— Eu concordo com a Trish. – disse Dez – Vocês dois tem tanta química quanto Patrick and Kat (10 Coisas Que Eu Odeio em Você). E com certeza formariam um casal mais bonito do que Landom e Jamie (Um Amor Pra Recordar).
— Não sabia você que gostava de Um Amor pra Recordar. – disse Ally rindo.
— Você me entendeu! – retrucou Dez.
— Sim, Dez. Eu entendi. Entendi mas não concordo.
Um celular começou a tocar. A melodia de Heart Beat ecoou pela sala. Eu sabia exatamente de quem era aquele celular.
Ally se levantou e atendeu ao telefone.
— Oi, pai... Tô aqui na casa do Austin... Hoje?... Tudo bem, eu pergunto... Aham... Eu vou ficar bem... Ok... Ok, beijo... Tchau...
Assim que desligou, sentou-se novamente e disse:
— Meu pai vai viajar para Portland hoje, é alguma coisa sobre uma uma convenção de última hora do trabalho dele... Ele pediu para perguntar se eu posso ficar aqui hoje. – disse ela se virando para mim.
— Claro que pode.
— Obrigada.
— Que horas são? – perguntou Dez.
— São... 20h53min. – respondi.
— Merda! Eu tinha que estar em casa às sete! Tchau.
Dez se levantou e saiu correndo pela porta da frente, fazendo com que todos, incluindo Trish, rissem da cena. Acho que ele não notou que havia sujado a calça com chocolate... Mais tarde ele vai perceber...
— Bem, eu também já vou indo... – disse Trish – Minha avó chega hoje e eu quero estar lá para ver ela estourar as bochechas do meu irmão. A gente se vê amanhã.
— Ok...
Assim que Trish saiu, Ally se virou para mim e disse:
— Acho que eles fizeram isso de propósito...
— Eu também.
Rimos.
— Vamos compor? – perguntou ela
— Claro. Mas temos que arrumar tudo isso primeiro.
— Ok. Eu cuido da comida e você arruma a sala.
— Ta.
Ela pegou todos os potes e copos que usamos e levou para a cozinha. Pus o sofá no lugar, arrumei as almofadas, os DVDs e as poltronas.
Assim que terminei, fui até a cozinha para ajudar Ally, mas pelo jeito ela não precisou. A louça estava completamente limpa na secadora e ela estava guardando os copos.
— Pronto?
— Sim.
Ela andou até mim e subimos a escada até sótão recém reformado. Meu pai e eu transformamos o sótão de nossa casa em um quarto de atividades, havia uma cesta de basquete, jogo de dardos, um piano, violão, nosso XBOX 360, uma TV e algumas poltronas.
Ally e eu sentamos em frente ao piano e começamos a discutir sobre a música:
— Eu pensei em alguma coisa mais sentimental, alguma coisa que fale sobre alguém especial, ou algo do tipo.
— Acho que poderia ser algo mais pop, mais alegre...
— Você já tem muitas músicas assim. Na verdade todas as suas músicas são assim...
— Eu não sei... É que eu não sou muito sentimental, sabe?
— Mas não precisa ser algo meloso. Pode ser algo pop, mas com um significado. Uma mensagem para alguém.
— Tipo, um amigo?
— Isso!
Ela pegou o lápis e escreveu no canto da partitura “(Friend)”.
— Bem... Eu estava testando algumas melodias, harmonias… E não sei… Podemos aperfeiçoar. ..
Ela começou a dedilhar algumas notas no piano enquanto procurava no diário uma cifra pré-pronta. Assim que achou, tocou corretamente e perfeitamente. A música era calma, não muito lenta, nada que grude na cabeça ou enjoe ao primeiro “ouvir”... Assim que terminou, notei que ela estava de olhos fechados, como se estivesse sentindo a música.
Observei-a por alguns segundos. Nunca havia notado como ela é bonita. Não é uma beleza comum, mas também nada artificial… É algo único, algo… algo que não posso explicar em palavras…
Com muita calma para não assustá-la, eu disse:
— Podemos fazer uma melodia mais aguda e com energia. Algo para se lembrar…
— Ótima idéia. — disse ela abrindo os olhos — Eu toco a harmonia, e você a melodia, pode ser?
— Claro...
Pensei um pouco no que tocar, e quando a melodia veio em minha mente acompanhei-a. O resultado foi incrível.
Quando repassávamos a musica, em algum instante, nossas mãos se tocaram, e eu senti algo como... eletricidade. Subindo pelos meus braços e se espalhando pelo corpo... Ally e eu nos olhamos. Suas bochechas estavam levemente avermelhadas. Olhei para seus olhos e depois para sua boca. Algo tomou conta de mim. Aproximei-me dela, quando nossos ombros se tocaram, ouvi um grito no andar de baixo:
— Austin! Cheguei! — gritou minha mãe.
Afastei-me rapidamente de Ally, retomando a pose e gritei:
— Estamos aqui em cima!
Alguns segundos depois, ela apareceu na porta.
— Ah, oi Ally.
— Oi Mimi. Er… Meu pai foi viajar e perguntou se eu posso dormir aqui hoje…
— Claro que sim. É melhor irem se arrumando, já anoiteceu e amanhã vocês têm aula.
— Ok…
Ela sorriu e desceu as escadas. Ally fechou o diário e se levantou do banco.
— Você ouviu ela. Vamos.
Seu rosto estava corado. Ela estava tensa e envergonhada. É evidente.
É evidente também que deixei-me levar pelo momento. Ally estava tão próxima. No breve momento em que nossas mãos se tocaram, pude sentir o calor de sua pele.
Interrompi meus pensamentos e reflexões para segui-la.
Ally desceu as escadas e andamos até meu quarto. Ela se sentou em minha cama enquanto eu remexia minhas gavetas à procura de algo que ela pudesse usar. Peguei então, um moletom velho e a entreguei.
— Aqui, ele fica um pouco grande em mim então acho que vai servir.
— Obrigada. — disse ela seguido de um sorriso discreto.
Peguei meu pijama e entrei no banheiro, deixando a porta entreaberta.
Pensei então no que Trish havia falado… Ally e eu realmente temos alguma química? O que será que aconteceria se namorássemos?
— Er… Ally. — falei do banheiro.
— Oi.
— Eu estava aqui pensando… No que a Trish falou… Sobre… Sobre nós dois, sabe…
— Ah…
— E eu sei lá… tava pensando… E se nós… Você sabe, namorássemos?
— Está me pedindo em namoro? — perguntou ela confusa.
— Não! Quer dizer, não exatamente… Só tipo… Temporariamente.
— Como assim?
— Um teste. Pra ver se nós dois realmente temos química. 30 dias. Eu e você como namorados. O que acha?
— E-Eu não sei, Austin. Eu não quero… Abalar a nossa amizade.
— Eu também não. Mas, seria uma forma de nós… Nos prepararmos caso realmente haja um clima entre nós.
— Eu não sei. Posso pensar um pouco?
— Claro. Foi só uma ideia.
— Ok.
— Estou pronto. Se quiser usar o banheiro…
— Ah, sim. Claro.
Ela pegou a bolsa, o moletom e entrou assim que eu saí. Fechou a porta rapidamente e a trancou.
POV Ally
Comecei a dedilhar algumas notas no piano enquanto procurava em meu diário uma cifra pré-pronta. Assim que achei, toquei seguindo o que havia composto. A música era calma, não muito lenta, algo que qualquer um possa se identificar, independente da letra... Assim que terminei, notei que estava de olhos fechados, havia esquecido completamente essa minha obsessão de sentir a música para tocá-la...
Mesmo de olhos fechados, pudia sentir a presença de Austin ao meu lado. Ele estava em silêncio. E então, por um momento, imaginei a imagem de seu rosto… Nunca havia notado tamanha de sua beleza...
— Podemos fazer uma melodia mais aguda e com energia. Algo para se lembrar… — disse ele calmamente após alguns segundos
— Ótima idéia. — falei abrindo os olhos — Eu toco a harmonia, e você a melodia, pode ser?
— Claro...
Comecei com a harmonia enquanto ele pensava. Assim que terminamos, notei que o resultado estava perfeito. Nada muito energético mas também nem tão calmo.
Quando repassávamos a musica, em algum instante, nossas mãos se tocaram, e eu senti algo como... eletricidade. Se espalhando pelo corpo... Austin e eu nos olhamos. Senti minhas bochechas ficarem quentes. Olhei para seus olhos fixamente. O brilho deles era fascinante. Algo tomou conta de mim. Aquele frio na barriga que senti na minha primeira vez em uma montanha russa; Aquelas borboletas lutando para serem livres; Aquele branco na mente que faz com que você perca total controle de si... Austin foi se aproximando de mim, eu estava imóvel, quando nossos ombros se tocaram, ouvi um grito no andar de baixo:
— Austin! Cheguei! — gritou Mimi, mãe de Austin.
Ele se afastou rapidamente de mim, retomando a pose e gritou:
— Estamos aqui em cima!
Alguns segundos depois, ela apareceu na porta.
— Ah, oi Ally.
— Oi Mimi. Er… Meu pai foi viajar e perguntou se eu posso dormir aqui hoje…
— Claro que sim. É melhor irem se arrumando, já anoiteceu e amanhã vocês têm aula.
— Ok…
Ela sorriu e desceu as escadas. Fechei meu diário e levantei do banco.
— Você ouviu ela. Vamos.
Meu rosto estava quente. Me sentia tensa e completamente envergonhada. Tenho certeza que era 100% evidente.
Descemos as escadas e andamos até seu quarto. Sentei-me em sua cama enquanto ele remexia algumas gavetas à procura de algo. Assim que se virou, entregou-me um moletom azul escuro.
— Aqui, ele fica um pouco grande em mim então acho que vai servir. — disse ele ao me entregar o moletom
— Obrigada. — falei tentando esconder minha vergonha de um sorriso discreto.
Ele pegou um pijama e entrou no banheiro, deixando a porta entreaberta.
Pensei então no que Trish havia falado… Austin e eu realmente temos alguma química? O que será que aconteceria se namorássemos? Para Ally. Se controla. Você tem que ter o controle total desta situação. Respira. 1, 2, 3...
— Er… Ally. — disse ele do banheiro.
— Oi. — falei um tanto assustada
— Eu estava aqui pensando… No que a Trish falou… Sobre… Sobre nós dois, sabe…
— Ah… — merda.
— E eu sei lá… tava pensando… E se nós… Você sabe, namorássemos?
— Está me pedindo em namoro? — perguntei confusa.
— Não! Quer dizer, não exatamente… Só tipo… Temporariamente.
— Como assim? — merda merda merda...
— Um teste. Pra ver se nós dois realmente temos química. 30 dias. Eu e você como namorados. O que acha?
— E-Eu não sei, Austin. Eu não quero… Abalar a nossa amizade.
— Eu também não. Mas, seria uma forma de nós… Nos prepararmos caso realmente haja um clima entre nós.
— Eu não sei. Posso pensar um pouco?
— Claro. Foi só uma ideia.
— Ok.
— Estou pronto. Se quiser usar o banheiro…
— Ah, sim. Claro.
Peguei minha bolsa, o moletom e entrei no banheiro assim que ele saiu.
Sentei no batente do vaso sanitário, peguei meu celular e liguei para Trish.
— Alô?
— Trish, sou eu. — falei sussurrando.
— Ally? Por que tá sussurrando?
— Estou na casa do Austin. Não quero que ele me ouça… É tipo, uma emergência.
— O que aconteceu?
— O Austin… Ele… Me propôs um… namoro temporário.
— Como assim?
— Uma namoro com a duração de 30 dias.
— Você aceitou?
— Eu não disse nada… Quero saber a sua opinião…
— Aceita, ué! Não é nada de mais… Afinal, segundo você mesma: Vocês não tem química são apenas grandes amigos. Certo?
— Certo. E-Eu… Vou aceitar! Mas se algo der errado… Eu nem sei o que pode acontecer…
— Ally, acredite em mim. A amizade de vocês é maior que tudo, nada vai afastar vocês independentemente de qual seja a relação atual ou passada.
— Obrigada, Trish. Mas… E se nós brigarmos e “terminarmos”?
— Diga que devem ter algumas regras. E entre elas, a impossibilidade de terminar o relacionamento.
— Obrigada, Trish. Amanhã eu te falo tudo.
— Tudo bem. Eu tenho que ir. Amanhã temos aula e eu tenho prova de física. Beijo.
— Beijo, tchau.
Desliguei o telefone, respirando fundo. Me despi, deixando apenas as roupas intimas e pus o moletom de Austin.
POV Autora
Ally se apoiou na bancada da pia do banheiro de seu amigo, enquanto olhava sua imagem refletida no espelho.
É incrível a capacidade que um espelho tem. Ele nos mostra tudo o que queremos ver, mas entretanto e todavia, tudo tem um preço, e todos sabem disto.
Assim que vemos o queremos ver, vemos também algo contrário. Seja uma espinha ou um defeito hereditário... Mas ela não se importava com os defeitos que apresentava, mas sim com a falta deles. Ela não conseguia se enxergar em sua própria imagem. Sentia a falta de algo fundamental em sua pessoa, algo que não podemos ver, ou descrever, algo que temos que sentir. Como aquela mão amiga que aparece quando você está no fundo do poço, disposta a te ajudar. Um sentimento único, que ela nunca sentira antes…
Por mais que estivesse se vendo agora e neste momento, a morena não conseguia imaginar que esta é a figura que todos vêem quando a olham. Não consegue encontrar explicações para descrever o que via… Talvez um buraco negro ou simplesmente algo inexistente. Por mais que tentasse, a imagem que visualiza de si mesma é uma completa estranha. A garota do espelho tem tudo para aparentar confiança, visibilidade notável e autoestima elevada. Ou seja, uma pessoa totalmente diferente de quem ela é.
Talvez eu seja assim mesmo, pensou ela, apenas uma imagem refletida da maneira errada.
Penso que os espelhos não deveriam refletir nossa imagem visual (não o tempo todo), mas sim o que está dentro de nós. Nada como órgãos, massa ou ossos. Algo como, aquela pessoa, que há tempos está gritando e lutando para se libertar de sua caixinha chamada alma. Algo como, aquele alguém que vemos quando pensamos em quem realmente somos. Algo como, você de verdade. Obviamente isso não é possível, mas quem sabe daqui alguns anos os grandes inventores da atualidade criem um espelho que reflita quem realmente somos, sem mecanismos ligados ao nosso corpo ou um capacete captando nossos pensamentos. Somente nós e o espelho, cara a cara, tentando desvendar nosso verdadeiro eu.
Em meio seus pensamentos, Ally lavou seu rosto gélido novamente na água morna e disse a si mesma “Sou mais forte do que isto”. Mesmo sem saber ao certo o que “isto” queria dizer.
A morena abriu a porta do banheiro, recolheu suas coisas e voltou ao pequeno e bagunçado mundinho de seu parceiro. Posicionou-se à sua frente e recitou as seguintes palavras:
— Tudo bem, eu… aceito a sua proposta.
O garoto já com um sorriso no rosto, se preparou para dizer o que achava desta afirmação, mas a morena foi mais rápida:
— Com uma condição. — disse ela desfazendo o sorriso do rapaz — Nenhum dos dois pode terminar o “relacionamento”. — completou ela enfatizando aspas no ar.
— Tudo bem. — concordou o loiro imaginando como ela era incrível em desvendar seus pensamentos.
— Meninos. — disse Mimi com seu jeito animado e fascinante ao entrar no quarto — A cama embaixo da do Austin está no concerto, então se quiserem posso arrumar o quarto de hóspedes.
— Não precisa, Mimi. — disse a garota tentando não ser um motivo de incômodo — Posso dormir no sofá.
— De jeito nenhum, querida. Você é da família.
— É, Ally. — concordou Austin com um sorriso malicioso no rosto — Mãe não se preocupa. A Ally pode dormir na minha cama, isso se não tiver problema.
— Não, imagino que não. — disse a mãe do garoto em baixo tom.
A morena, tentando esconder a vergonha que estava sentindo, apenas assentiu, concordando em dormir na cama de seu melhor amigo, agora namorado temporário. A garota não sabia se a vontade que sentia neste momento era de exalar seus sentimentos silenciosamente em um grito abafado ou de pressionar o rosto do loiro contra um travesseiro até o mesmo ficar inconsciente.
— Estão com fome? — perguntou Mimi com um sorriso no rosto.
— Não. — disse o casal em uníssono.
A loira assentiu para os adolescentes e saiu do quarto, assim, fechando a porta.
A morena olhou furiosamente para o amigo e deu-lhe um tapa mediano na lateral da cabeça. O garoto soltou um grito mínimo e olhou para a garota com um sorriso travesso em seu rosto.
— Está com sono? — perguntou ele atenciosamente.
— Um pouco.
— Eu não sei se você sente muito frio a noite, então vou deixar um edredom na ponta da cama, tudo bem?
— Claro.
Austin deitou-se no lado esquerdo da cama, deixando espaço suficiente para a amiga se acomodar e disse:
— Vem. — disse ele tentando não ser “direto de mais”.
A garota sentiu automaticamente suas bochechas queimarem. Ally andou até o lado oposto da cama e deitou-se ao lado do loiro. O menino por sua livre e espontânea vontade, ajudou a morena a se cobrir.
Virados um para o outro, os parceiros estavam à dez centímetros de distância. Se olhando fixamente, o casal demonstrava sentimentos diferenciados. O loiro com seu sorriso irônico, demonstrava consideração e a morena, com seu meio e incompleto sorriso, demonstrava insegurança.
Ambos fecharam os olhos, entregando-se assim, ao mundo fictício que visitamos todas as noites. Os sonhos.
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