Encounter

1 Todo Sujo De Batom


Notas iniciais
Se passa em SP. Espero que gostem :)

" Quero uma balada nova
Falando de brotos, de coisas assim"

Catarina tinha certeza de que seu dia não podia ser pior. Encontrar o namorado, agora ex, a traindo não tinha sido um bom indicativo de que aquele dia horroroso acabaria tão cedo.

Cat não se deu ao trabalho de brigar ou qualquer coisa do tipo.

Apenas juntou suas coisas e caminhou para fora do apartamento. Descendo as escadas ela pensou em ligar para uma de suas amigas e pedir ajuda. Sabia que tinha abrigo na casa de Bruna, ligou para amiga com um suspiro resignado.

­­­­— Tenho uma boa notícia, estou solteira e sem teto. — Bruna ficou calada, e assim a enxurrada veio.

Cat contou como encontrou o namorado, com quem tinha dois anos de relacionamento, pelado com uma mulher no sofá em uma posição constrangedora. De primeira ela não entendeu o que estava acontecendo, então enquanto ela tirava os sapatos e sua mente processava a cena, a vergonha a invadiu.

O namorado ficou em choque a encarando e tentando se esconder.

Ele tentava balbuciar algumas palavras e ir na direção de Cat, mas ela ergueu a mão e passando direto pelos dois entrou no quarto e começou a arrumar as coisas. Lucas fazia alguns barulhos na sala, e vozes eram ouvidas, mas não valia a pena conferir o que acontecia. Quando tudo que era possível levar estava dentro de duas malas e uma mochila, ela saiu de cabeça erguida do quarto.

O ex a esperava sentado no sofá de cabeça baixa, a mulher tinha sumido.

A conversa foi rápida, sem lágrimas e com desculpas meia boca. Cat apenas se conformou com o fato e sem escândalos disse ao ex que eles poderiam resolver a questão dos móveis e outros itens dela que estavam lá, na segunda feira. Lucas não tentou pedir que ela ficasse. Cat também sentia que não aceitaria mesmo se ele pedisse.

No fim Bruna apenas riu do outro lado da linha. Ela falou algo como isso ser a cara de Cat, terminar um relacionamento como quem responde um questionário. Seus ombros caíram. Cat sabia que a relação não era como antes, mas ela tinha muito amor e carinho por Lucas.

Não queria ser fria, mas as coisas apenas aconteceram assim.

Querendo apenas ter onde ficar até por as coisas em ordem, Cat sabia que sua amiga não negaria ajuda. Entretanto ela se sentia cansada e um pouco apática. O dia na faculdade não fora fácil, os estágios estavam sugando sua energia. Ela nunca desejara tanto estar de férias. E sendo honesta o que mais a incomodava na situação era ter que se mudar de apartamento e passar pela cruel burocracia.

Lucas não poderia estar a traindo em outro momento? Era no mínimo, inconveniente.

— Bem, você sabe que pode vir morar comigo pelo tempo que quiser. Só tem vantagens, e eu tenho uma garra de vinho aqui te esperando — havia tanto tempo que ela não bebia. — Já pedi um uber para você.

Enquanto esperava no pátio de entrada do prédio Catarina se perguntou como sua vida tinha se tornado essa bagunça em questão de uma hora.

Suspirou mais alto e olhou para o relógio.

Ainda era 19h, mas a cidade estava agitada devido ao feriado. Era perfeito! Dava a folga da sexta junto com as bênçãos do fim de semana. Ela podia passar esses dias chafurdando em autopiedade, dormir muito e ver suas séries atrasadas.

O motorista chegou e Cat passou a viagem em um silêncio autocontemplativo.

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Bruna levava as malas, enquanto tagarelava sobre ter uma noite das meninas. Cat apenas concordava com a cabeça sem estar realmente prestando atenção.

No piloto automático suas pernas seguiam a amiga, sem olhar muito por onde andava.

Cat bateu a cabeça no batente da porta. O barulho foi bem alto. Gemendo e esfregando sua cabeça, ela ergueu seus olhos para a amiga que a olhava com um misto de riso e compreensão.

— Sinto muito Bruna, não estou realmente aqui. Queria guardar as coisas. Tomar um bom banho, talvez tomar uma doralgina e prometo que depois disso a gente bebe até esquecer o próprio nome. — sua voz saia baixa e em tom de desculpas.

Bruna riu e a abraçou, segurando-a por um momento.

— Está tudo bem Catê, vai tomar um banho... Vou arrumar suas coisas. Hoje sou sua fada madrinha. — ela gentilmente a empurrou em direção ao banheiro.

A água era quente e relaxante. Observando mais atentamente o banheiro, ele era pequeno, mas com uma janela de onde podia se ter uma vista das ruas. Pequenas velas perfumadas decoravam as prateleiras e a pia. Tudo dando um ar de aconchegante.

O banho estava gostoso, mas a levava a pensar em todas as coisas que precisaria resolver... desgastada, Cat se apressou em terminar sua higiene. Se enrolando na toalha se sentia pronta para beber.

Bruna estava dobrando suas roupas e as guardando no armário. Havia algumas peças separadas em cima da cama, junto com uns pares de sapatos.

Confusa, Cat pega uma calcinha para vestir, enquanto olhando Bruna viu que a amiga parecia extremamente pensativa. Sentindo o olhar sobre si, ela olha de volta para Cat, e dá um sorrisinho malicioso.

— Você é a pessoa mais inteligente que eu conheço. É bonita também, mas seu gosto por roupas íntimas é trágico. — Catarina bufa baixinho. — Não vejo porque falar isso, até porque sabemos que para eu te seduzir não preciso estar com rendas.

Bruna gargalha e ergue as mãos como se estivesse se rendendo.

— Mas é sério Catê, coloca esse par aqui. — ela lhe estende uma lingerie azul clara simples e fofa.

Bom, mal não vai fazer, então ela vestiu a peça. Dando uma voltinha para ser avaliada por Bruna, que apenas ria e concordava com um ok. Lingeries eram aliadas nesse momento.

Um vestido é arremessado e Catarina o pega. Ele é claramente para uma festa. É vinho, curto e com detalhes nos lados. Na verdade é um vestido sexy, feito para imaginação.

Questionando a amiga com o olhar, ela sente pequenos alertas soarem em sua mente. Bruna não inventaria de sair, né? Quer dizer, ela acabara de perder o relacionamento, casa e tinha horas de sono acumulado. Tudo o que ela mais desejava era ver um filme, chorar, beber vinho com a amiga e ir dormir.

Apesar de ter 20 anos Cat não se sentia jovem, pelo contrário. Essa parte extrovertida e despojada ficava a cargo de Ana e Bruna. As duas eram o complemento que faltava na personalidade séria de Cat. Não que ela não gostasse de festas ou madrugar, mas fazia muito tempo que ela não sentia vontade de se jogar assim.

Bruna suspira alto chamando a atenção de Cat.

Ela se levanta e vai em direção a amiga. Passando a mão em seus cabelos ondulados, a segurando pelos ombros, o semblante de Bruna fica melancólico.

— Você precisa desacelerar, meu bem. Eu sei que você tem muitas responsabilidades e problemas passando agora pela sua cabecinha. E você quer correr para resolvê-los. Mas esse não é o momento, Cat. — o olhar de Bruna indica que não há espaço para que ela argumente. — Amo demais esse seu senso de responsabilidade, amo mesmo. Só que eu sinto falta da minha amiga... Você se fechou em uma bolha e não se diverte mais. A Ana também sente sua falta Cat.

Engolindo em seco ela abaixa seus olhos. Bruna continua.

— Vou mandar uma mensagem para a Ana e nós vamos sair. Tem uma balada incrível que você vai conhecer hoje. — batendo na bunda de Cat, ela se vira para pegar o seu celular.

Sentando-se em frente do espelho para secar seus cabelos, Cat é forçada a encarar seu reflexo. Seus olhos parecem mais duros e sem cor, mesmo sendo castanhos, eles eram chamativos e sua carta de apresentação ao mundo. Não há muitas olheiras, mas algo em seu rosto a deixa triste. Bruna tem razão, o reflexo mostra alguém diferente.

Com um novo vigor Cat começa se arrumar, com os cabelos já secos e limpos ela inicia sua maquiagem.

A porta do apartamento se abre e do quarto é possível ouvir a voz animada de Ana. Logo dois braços a envolvem e o perfume amadeirado enche o nariz de Cat. Se virando para a amiga elas compartilham um abraço por mais alguns segundos.

— Estava com saudades de você, sinto muito que as coisas tenham acontecido assim. — ela suspira e a solta.

Cat revira os olhos e sorri. Ela gesticula as mãos, as coisas não foram tão ruins assim. No fundo ela estava aliviada.

Bufando de leve Ana a levanta da cadeira e a gira para dar uma conferida.

— Você está uma grande gostosa. Vamos apenas comer algo e sair. — piscando Ana sai do quarto.

Calçando um tênis, Cat segue em direção a cozinha onde suas amigas conversam animadamente sobre a boate em que irão.

Bruna mexe esporadicamente na frigideira. O cheiro é familiar e lhe dá água na boca. Omeletes são a especialidade da amiga. Enquanto a amiga coloca as omeletes em pratos, Ana está tentando abrir a garrafa de vinho. E enchendo as taças ela se senta.

Cat arruma a mesa, colocando os talheres e se sentando também. E assim as três vão se sincronizando. Ao Bruna se sentar para jantar a conversa muda para um dos conhecidos das meninas que havia entrado no BBB.

— Fala sério, todas nós sabemos que eu seria cancelada por meter porrada. Ia já mesmo deixar alguém levantar voz para mim. — declara Ana. — Bom, eu não conseguiria ir, imagina, 3 meses sem privacidade para cagar e PIOR, eu ia morrer de vergonha de lavar a xana em rede nacional. A paranoia não ia deixar.

Cat gargalha alto, dobrando a barriga de tanto rir. Bruna está tentando puxar o ar e lágrimas escapam de seus olhos.

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Depois de lavar a louça, as três seguiram para o metrô. A festa começava as 23h, ainda tinham meia hora sobrando. Cat estava se esforçando para entrar na mesma animação das amigas, mas o máximo que ela conseguia fazer era rir e concordar com o que era dito.

O vinho tinha a ajudado a criar coragem, mas agora ela sentia que precisava tomar ao menos mais duas taças. Seu pensamento seguia sempre de volta aos acontecimentos no apartamento de Lucas, nas contas que ela precisava pagar e até mesmo seu conteúdo no Instagram. Tinha meses que ela não postava algo significativo, ultimamente ela mal tinha tempo para gravar stories... Talvez essa noite a animasse e ela conseguisse voltar a ser mais espontânea.

Entre uma estação e outra elas chegaram na balada.

A frente da boate era linda, com vidros espelhados, algumas luzes laser e grandes vasos de palmeiras na frente. A fachada era convidativa, e pelo o que Bruna havia dito era a noite de inauguração. O prédio era alto e de onde estava, Cat podia ver o terraço. Ele estava iluminado e parecia maravilhoso.

O local estava cheio e agitado, tinha uma fila com uma quantidade significativa de pessoas. Os seguranças estavam divididos. Um estava na porta principal segurando a fila, e o outro estava na frente de uma escada estreita. Ele segurava um walk talk.

Cat nunca se sentiu tão grata por ter amigas com contatos, se a fila de fora já estava enorme, dentro do espaço devia estar pior. Anunciando seus nomes ao homem do walk talk, elas foram liberadas para entrar. Ao subir as escadas havia uma recepção. Uma moça ruiva estava sentada e olhava para elas, sorrindo gentilmente.

— Boa noite! Sejam bem-vindas, gostariam do serviço de chapelaria? — sua voz era contida e suave.

Sorrindo de volta Ana concordou e foi entregando o casaco a moça. Cat seguiu Bruna e também colocou suas coisas no balcão.

— Eu gostaria de colocar esses três em um só. — disse rapidamente. — Sim, vocês gostariam de pôr tudo em um único cartão?

A recepcionista mostrou um cartão envolto numa cordinha, a balada era realmente bem organizada.

— Sim, queria colocar 100 reais de crédito, é possível? — Cat se pôs na frente entregando seu cartão.

Terminado isso, as meninas colocaram pulseiras rosa neon em volta de seus pulsos. Cat estava com o cartão ao redor do pescoço. Puxando uma respiração profunda ela seguiu. Aquela noite ia liberta-la. Ela merecia se divertir.

Ao entrarem no camarote era possível ver a pista por um grande espelho. A música fazia o chão vibrar levemente. Várias pessoas se aglomeravam no ritmo do DJ, o bar estava lotado e havia postes de pole dance em que algumas pessoas se aventuravam a dançar.

O camarote por outro lado, era tão enorme que se estendia fora das vistas. Tinha um pequeno grupo de pessoas reunidas ali, fotógrafos circulavam o local batendo fotos.

O bar tinha uma grande balcão decorado com luzes neon que mudavam de cores. Barman’s preparavam batidas e tudo tinha uma ar de sofisticado e sexy.

Se encaminhando para o bar Cat estava feliz de ter vindo. Bruna pediu um shot de tequila, Ana bebericava um uísque com gelo. Cat tomava em pequenos goles uma batida de frutas vermelhas. Era doce e quase não parecia alcóolico.

— Vamos ver a pista? — Bruna se levantou.

Seguindo a amiga, Cat sentia uma certa energia vibrando por ela. O corredor era longo e piscava de forma lenta, deixando em certos momentos o caminho escuro. As paredes eram revestidas do que parecia ser veludo. Conforme se aproximavam a música soava cada vez mais alta.

Pequenas mesas estofadas e outras com banquinhos altos decoravam o local ao redor da pista. Escolhendo um próximo a um outro corredor, suas amigas deixaram os copos.

O álcool agora causava uma sensação gostosa e quente, Cat sentiu seus pés seguirem para a pista. Um funk tocava a alto e seu corpo se movia na batida da música. Ana estava atrás brincando de sarrar e bater em sua bunda. Bruna rebolava até o chão.

Cinco músicas depois Cat precisava de outra bebida e se sentar. Encaminhando-se para o bar com o pedido das amigas ela ria sozinha.

Três caras tentaram se aproximar dela e suas amigas os espantaram como um pequeno exército. Mas, Cat não queria empatar as meninas de se divertirem também, então aproveitando a chance ela correu para o bar, para assim dar liberdade para as amigas. Seu celular estava vibrando na perna. Se encostando na parede ela o tirou do acessório e desbloqueou a tela. Suas notificações eram todas sobre os stories que havia postado na balada. Tinha algumas mensagens e outras reações.

Sem dar muita importância, Cat guardou o celular. Em sua coxa direita tinha um acessório parecido com um coldre, era menor e seu celular cabia ali dentro. Ana tinha lhe dado de presente de aniversário e ela não tinha usado até então.

A praticidade era sensacional.

Pedindo cerveja para as amigas e um cubra libre com bastante gelo, Cat tentava se equilibrar levando as bebidas de volta. O pisca mixado com o escuro do corredor a deixava sem senso de direção. Tentando enxergar melhor ela sentiu uma das garrafas escorregar de sua mão, desesperada puxando-a ela sentiu bater em algo forte. Em seguida sua bebida derramou em cima dela.

Uma mão agarrou sua cintura e segurou seu braço que tinha o copo. O líquido escorria em seus seios e antebraço.

— Puta merda. — ela tinha batido em um homem.

Ele ergueu os olhos para ela, seu olhar era confuso e ele parecia querer rir.

— Sinto muito, você está bem? — o tom de voz dele era um tenor suave e ele sorria abertamente.

Cat lembrou de balançar a cabeça e se ajeitar.

— Eu que peço desculpas, acho que já estou pra lá de Bagdá. Bati em você. — o sorriso dele aumentou. — Bem, fiz você derrama sua bebida, vem, eu te devo outra.

Soltando lentamente o seu braço, o homem a olhou mais uma vez se certificando de que ela estava inteira. Foi desconcertante. Assim sem mais nem menos ele simplesmente se virou, não esperando ser contrariado foi andando em direção ao bar. Cat piscou os olhos e sem entender o seguiu. Ele era alto, bem alto... Tinha cabelos loiros, e se movia descontraído. A camisa dele refletia as cores que piscavam no salão.

Parado na frente do balcão ele pedia uma cerveja e se sentava. Ele a encarou novamente e sorria despreocupadamente. Cat franziu o nariz, porque aquele cara sorria demais? Então sentindo ele a cutucar, ela saiu de seus pensamentos. A fitando ele olhava para os lábios dela esperando uma resposta. Tentando não soar perdida, já que não tinha ouvido nada, ela se recompôs.

— Ah, hm... Vou querer uma piña colada, por favor. — ela piscou, falando pausadamente.

O homem assentiu e entregou um cartão para o barman e voltou a encara-la.

Agora sobre a meia luz, Cat tinha uma visão melhor dele. Segurando-se para não parecer embasbacada, ela engoliu em seco. Ele era bonito. Mentira. Ele era no mínimo extremamente bonito, o cara parecia ter saído de algum editorial de moda. As roupas pareciam de alfaiataria, ele usava alguns acessórios e tinha tatuagens pelos braços. Algumas eram coloridas de neon, refletidas pela luz negra do ambiente. Ele usava brincos, tinha um cabelo loiro que brilhava conforme as cores iam mudando. Ela continuou o mapeando e seu olhar foi seguindo até o rosto.

Então ela encontrou os olhos dele. Eram azuis, mas era difícil saber o tom exato. As sobrancelhas eram tão loiras que pareciam inexistentes, ela não estava perto o suficiente para ver os cílios... Fitando os lábios era possível ver que ele tinha um sorriso gentil no rosto. Cat notou que ele a analisava também. Ela se sentia nervosa e vulnerável sob o olhar dele.

Limpando a mão no vestido, Cat a estendeu.

— Muito prazer, me chamo Catarina. — ele apertou a mão de volta em um gesto firme. — Me chamo Eduardo, mas você pode me chamar de Edu.

Cat testou o apelido. Edu. Era fofo. Combinava com o modelo a sua frente.

— Pode me chamar de Cat então, é assim que a maioria dos meus amigos me chama. — ele riu suavemente. — Faz sentido, você é realmente muito bonita.

Ela tinha muito orgulho de não ser dada a timidez, mas aquele comentário a deixou tão sem graça que não havia dúvidas de que tinha ruborizado. Esperava ao menos que não transparecesse muito. O barman então entregou a bebida a Edu.

Ele circulou e trocou de lugar pondo a mão na cintura de Cat, quase sem encostar, levando-a de volta. O toque parecia um gesto um tanto quanto íntimo, mas ela não se importou.

De alguma forma o momento parecia quase irreal, como se tivesse saído de algum livro. Limpando a voz, Cat olhou na direção dele. Sentindo que era encarado, Edu olhou de volta.

Cat sustentou o olhar por mais alguns segundos, mas desviou logo em seguida.

— Você está sozinha aqui?

— Ah, não. Minhas amigas estão ali perto da pista. — disse.

Ele concordou com a cabeça.

— Obrigada novamente. Juro que não sou tão destrambelhada assim. — ele ergueu as sobrancelhas em sinal de descrença. — Minhas amigas podem confirmar que eu estou falando sério.

Não que conseguisse segurar, mas Cat sorriu. Avistando as amigas viu que, Bruna e Ana estavam em uma mesa conversando animadas com duas mulheres. As duas ergueram o olhar e a viram.

— Oi amiga, senta aqui. Estamos conversando com a Lara e a Fernanda. — Bruna aponta para uma mulher bonita de cabelos castanhos e para a outra com dreads rosa.

— Olá, sou a Cat. — hesitante, ela olha por sob os ombros para Edu.

Ele capta a mensagem.

— Muito prazer, sou o Edu. Fiz a amiga de vocês derramar a bebida dela e cá estou eu. — seu tom de voz tem um tracejo de humor.

As meninas riem.

— Não estou surpresa, Cat deve ter te acertado em cheio, não é? — Ana ri.

— Eu não diria que foi assim. — ele dá de ombros, mas segurando o riso. — Não estava prestando atenção também, senão teria desviado.

— Eu não sou desastrada assim, não é? — ela poderia se enterrar ali mesmo se Bruna negasse. — Só quando está bêbada.

Todos riram. Cat apenas balançou a cabeça reprovando a amiga em brincadeira. O clima era leve e descontraído, mas então vendo o olhar das amigas era claro os sinais ali. Ok. Ana vai transar hoje, Bruna parece dividida. Culpa a invadiu. Tirar a privacidade da amiga era um saco. Mas, ao menos o caminho livre para uns amassos, ela podia deixar.

Virando-se para Edu, Cat questionou.

— Você que ir para o terraço comigo?

Ele pareceu surpreso. Será que ela tinha sido inconveniente? Quer dizer, ela esbarrou no cara e ainda ganhou bebida de graça, talvez ele ainda estivesse ali por gentileza.

— Eu estava indo para lá agora mesmo. — sorrindo Cat se virou para as amigas. — Aqui suas bebidas e o cartão. Meninas, encantada de ter conhecido vocês. Qualquer coisa me mandem mensagem.

Dando um tchauzinho se virou para sair e não viu as amigas se entreolhando, mas sem nada dizerem.

Notas finais
Cada capítulo vai ter o título de alguma música nacional, bem como trechos no início, espero que curtam. Bjs até mais.