Encontros e desencontros -Outra de Betty e Armando

1 Capítulo 1 -A loja da Candelária -bairro de Bogotá


Notas iniciais
Armando tinha apenas 21 anos, estava pronto para assumir seu posto na sede da empresa da família, Ecomoda. Este havia sido seu sonho desde sempre. Para isto estava estudando Engenharia Industrial (para cuidar do maquinário e incrementar a produção) e pretendia estudar também Administração (para cuidar da empresa). Mas seu pai Don Roberto pensava diferente. Não o julgava qualificado o suficiente. Preferia muito mais Daniel Valência, filho de seu sócio Júlio. Júlio e sua esposa haviam montado Ecomoda há muitos anos. E desde que Júlio e Suzana faleceram em um acidente de avião havia cuidado dos filhos do sócio tão bem como se fossem seus, aliás, pode-se dizer que os cuidava melhor do que dos seus próprios filhos.

Assim, Armando teve que se contentar em fazer uma espécie de estágio na primeira Loja da Ecomoda, no Bairro da Candelária, em Bogotá.

“Ai, que raiva.” –pensava, enquanto se situava em seu posto de trabalho, atrás do balcão.

Flashback

—Deixe que mostre meu valor trabalhando para Ecomoda, papai!

—Está bem! Terá sua chance!

Imaginava que trabalharia em qualquer ponto da sede recém-inaugurada no bairro industrial. Mas não! O pai querendo ensiná-lo, mandou-o para a loja central, a primeira loja que deu origem à essa sólida empresa fundada em 1964 por Roberto Javier Mendoza e Júlio Valência, com colaboração de suas esposas.

—Daniel ele colocou como gerente, mas eu poderia ao menos ser supervisor de produção, de manutenção do maquinário, mas não! Eu, seu filho ele coloca como atendente na loja! Nem gerente eu sou!

—Ai, maninho. Eu sei que você sonha grande, sonha em ser presidente, mas talvez seja isso: papai quer que como ele você conheça todos os pormenores da empresa, todos os funcionários pelo nome!

—Mas já conheço, Cami! Conheço um por um, conheço suas famílias. Esqueço que éramos mais cuidados por dona Inesita que por nossos próprios pais? Até a chamava de Tia Inês! Por isto, estou chateado mesmo!

—Essa loja não é pouca coisa! Foi aqui que começou o sonho!

—Sim, e eu entenderia se me colocasse como gerente, mas me pôs como vendedor. É um trabalho digno como qualquer outro, mas nosso gerente tem menos experiência no Mundo da Moda que eu! E Danielinho ele colocou como gerente financeiro na Sede! Desculpe, sei que você não é muro das lamentações, mas…

—Eu sei, irmãozinho! Pensa que não sinto o mesmo com o carinho que mamãe sente por Marcela e Maria Beatriz?

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Esta primeira loja da Ecomoda, em 1989, funcionava como Ponto de estoque de luxo. As últimas peças, os tamanhos e cores que sobravam, custavam bem menos que o preço de lançamento. O que não conferia status nenhum, era como se fosse o refúgio, as últimas peças da coleção, antes de começarem a vender outra.

Era um dia comum, Armando havia pedido a Joaquin, funcionário mais experiente a ajudá-lo a arrumar a vitrine de um jeito que ficasse mais atrativo para vender. E assim fez. Joaquin sabia que ele era o filho do dono e por mais que estivesse trabalhando como subalterno, ainda era o herdeiro. Então, o ajudava sempre que precisava. Todas as vendedoras e clientes suspiravam por ele. Uma vez ou outra saía com alguma cliente quando lhe parecia atraente, mas sua preferência era pelas modelos, o que tinha de sobra na sede e faltava na zona central. Quase não apareciam mulheres jovens naquele lugar, por isso, não deixou de reparar naquela mocinha de óculos grossos que adentrou a loja acompanhada de um amigo, também nerd.

A mocinha e o rapaz não tinham nada de interessante e atraente. Usavam óculos de aro grosso, ela usava roupas largas e cumpridas e o rapaz, roupas apertadas. Pareciam saídos de um brechó, ou pior de um circo. Mas não era porque tinham estilo retrô, pois se assim fosse, teriam muito estilo –pensou Armando, mas sim, por pareciam ter mau gosto mesmo, disse Armando reparando nas figuras que entraram em sua loja. Não tinham atrativos algum, mas a parte disso eram jovens, ainda mais jovens que ele. Algo raro. Talvez fossem inteligentes. E sobretudo, mereciam ser bem atendidos, pois estavam em sua loja, eram clientes em potencial e clientes deveriam ser bem atendidos.