Encontros e Desencontros

48 Capítulo 49 - Morte...


Notas iniciais
boa leitura...

Shikamaru estava sentado em uma cadeira no corredor do hospital, seu corpo estava encurvado para frente, a cabeças entre os joelhos e
os dedos entre laçados a frente do corpo, tendo os cotovelos apoiados nas coxas. Todo seu corpo altivo e forte parecia agora frangalhos e resquícios de uma devastação.

Sua cabeça que outro bolava planos mirabolantes pra economia e afins, agora estava vazia, nada conseguia se formar e firmar naquela mente atormentada. As têmporas pareciam pegar fogo, a nuca parecia segurar um peso enorme e o restante se mantinha inerte, pesado e jogado como se fossem apenas restos.

Nenhuma viva alma o acompanhava, era local pra apenas um, e
isso o deixava ainda mais largado e abandonado enquanto aquela espera parecia não ter fim. Há três horas que estava ali e a cada segundo parecia mais velho, mais surrado e mais cansado.

Na primeira hora ele estava extremamente agitado, encarava as mãos sujas de sangue e sentia uma amargura muito forte. Na segunda hora estava se culpando, deveria ter feito alguma coisa, deveria estar mais presente...

Nada no mundo mudaria o que acontecera, estava escrito e assim é que é, mas ainda sim tudo parecia fora do lugar e difícil de mais de suportar, tendo aquelas paredes e chão frio e cinza, gélidos e agonizantes, como plano de fundo.

Em outra sala, sete amigos estavam sentados e lamentando tal ocorrido. Sakura não conseguia parar de chorar, se sentia péssima por se
responsabilizar, e Sasuke tinha um nós na garganta que apertava a cada vez que olhava o vestido da noiva sujo de sangue de uma amiga leal e sublime. Gaara estava de pé, com as mãos nos bolsos e o olhar perdido, olhando pela janela, Ino o deixou ali, nada poderia dizer que o acalentaria em um momento como aquele, então apenas curtia sua dor com os outros que olhavam o relógios e a porta do corredor com esperança e agonia.

Depois de seis horas e meia, Shikamaru viu a porta do centro cirúrgico se abrir e dele sair o médico que acompanhara Temari, ele tinha um aspecto mais cansado que o de Shikamaru, e respirou fundo antes de começar a falar.

_O senhor é o responsável por ela, certo?

_Sim, como ela está?

Ele respirou fundo de novo e o coração do moreno, já gelado, petrificou.

_Senhor, ela está estável. –ele disse sem expressão, mas Shikamaru sabia que aquilo não era muito promissor.

_O que isso quer dizer?

_A bala estava alojada no peito, muito próximo ao coração, chegando a atingi-lo de raspão, comprometendo uma de suas válvulas, tivemos de fazer uma transfusão de sangue e uma reestruturação da válvula de forma sintética, os tecidos lesionados estão debilitando os batimentos e a falta de oxigenação que ela sofreu até chegar aqui a levam a um estado de coma, que não há possibilidades de prever por
quanto tempo, e nem se vai sair dele... –o médico parou para pegar ar e esperar a reação do homem a sua frente.

_Quer dizer... –Shikamaru não conseguia raciocinar, nada que vinha de Temari ou por causa dela o deixavam em condições de usar sua grande mente, ela consegui o desarmar.

_Quer dizer que ela pode nunca mais acordar. Está ligada a aparelhos pra ter ajuda pra respirar e nós monitorarmos os batimentos, porque o coração dela está muito fraco. A chance do coração se recuperar é grande, no entanto, não posso dizer o mesmo das chances dela acordar, a desoxigenação foi muito forte pela grande perda de sangue, e o cérebro sofreu muito por isso.

Shikamaru baixou o olhar e não soube bem o que pensar ou fazer em seguida.

_Eu sinto muito. –disse o médico realmente afetado, não gostava de dar aquelas noticias e nem ver que a medicina ainda era muito limitada.

_Eu... Posso vê-la? –foi só o que ele conseguiu dizer depois de algum tempo de silêncio.

_Ela está muito debilitada, foi para o CTI, não posso liberar sua entrada, apenas no horário de visitas.

O Nara voltou a baixar o olhar e então sentiu suas pernas fraquejarem, levou a mão a parede e se sentou de vagar, enquanto o médico se aproximava.

_O senhor está bem?

_Eu não posso perdê-la. –Shikamaru disse de vagar, sentindo os olhos arderem. –Não posso perder a melhor coisa que já me aconteceu, e não sem ela saber o que realmente significa pra mim. Fui orgulhoso, um idiota, e em nome de que? Perdi tempo, quase a mandei embora pra sempre, como pude ser tão tolo? –ele chorava incessantemente.

O médico ficou comovido, sabia que aquilo era normal, a dor, a sensação de perda e não podia se envolver nos casos, mas nenhuma vez, em seus quinze anos de profissão ele viu um homem com tamanha dor e sofrimento pela mulher, jamais vir olhos tão opacos e sem vida como aquele homem a sua frente.

_Se acalme, temos que torcer pra tudo dar certo, ajudar com nossa força.

Shikamaru não disse nada, mas não conseguiu controlar as lágrimas, estava doendo muito bem no fundo de seu peito.

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O Nara vinha pelo corredor do hospital e passou pela porta até a sala de visitas, vendo seus amigos lhe encararem com medo e esperança nos olhos, mas ao verem a expressão abatida do Nara, e o modo lento de caminhar, sentiram medo e pavor do som de sua voz e do que iria sair de sua boca.

Ele contou tudo o que o médico dissera, e as meninas se puseram a chorar, Sasuke ficou furioso, Gaara pareceu sair de órbita, Neji e Naruto ficaram perdidos, não sabiam se retraiam, se consolavam as meninas, ou
os amigos.

_Eu quero ver minha irmã. –disse Gaara por fim.

_Não podemos, ela está no CTI, apenas nos horários de visitas, isso se ela continuar estável.

Não havia palavras pra descrever aquele momento, não havia como designar os sentimentos, mas com certeza tristeza era o mais fraco dos
sentimentos, tudo ia muito além de um simples temor e dó.

Todos foram pra suas casas, menos Shikamaru, ele foi até o apartamento que Temari havia comprado e onde os dois faziam planos pra irem morar. O lugar estava quase terminado, só faltava terminar a pintura que já cobria grande parte das paredes.

Ele caminhou por todo o lugar, e chegou ao quarto, se lembrando da voz e dos gestos de Temari quando o levou até ali.

_Ali vamos por um espelho enorme, eu adoro espelhos, e eu vou poder me lembrar do balé, aqui vou por um lindo criado, com um abajur que era do quarto da minha mãe, é antigo e muito bonito, ali adiante, na sacada vou colocar uma mesinha e duas cadeiras, iremos tomar café ali aos domingos, e aqui vai ter uma cama enorme. –ela girava com os braços abertos. –Cheia de almofadas e travesseiros fofos. –ela ria animada e tinha o riso mais lindo de todo o planeta.

Aquelas lembranças pesavam no coração do moreno, imaginava
que ela jamais poderia realizar seus sonhos, nunca mais iria rir daquela maneira, jamais iria saber o que era brigar com a mulher pela toalha molhada em cima da cama, pelas roupas jogas no banheiro, ou futebol nos fins de semana.

_Quero um sofá que me faça afundar quando me sento, mas nada
de televisão, não quero futebol nessa casa. –ela riu o beijando.

_Ah, mas em TV não tem os canais pornô. –ele riu provocativo.

_Oras, pra que ficar vendo pela TV mulheres nuas provocativas se você pode ver ao vivo na sua cama? –ela riu a vontade e ele a abraçou forte contra si, rindo junto com ela.

_É, tem razão, e depois nenhuma delas faz um arabesque como
você. –ele sorriu de canto.

_Isso porque você não viu meu cambré! –ela disse sussurrando no ouvido dele com a voz melodiosa. –Mas gora vem... –ela o puxou pela mão o arrastando pelo apartamento. –Vamos ver a cozinha...

Shikamaru voltou a realidade e viu o apartamento tão grande e vazio que chegou a ecoar pelo local e falta que ela fazia ali. Sem ela aquele lugar não tinha alma, e o homem que ali estava também não. O peito dele estava tão destroçado quanto o dela, a dor com certeza era maior nele que não tinha os analgésicos dela, e a falta que ela fazia era insuportável.

Ele revia a cena a frente da igreja, sabia que nada seria diferente e ela sabia que iria acontecer, com certeza fora por isso que ela chegou a sair do casamento, mas porque então aquilo parecia tão fora de contexto e como se fosse a mais pura maldade e injustiça?

Nada mudava o que passou, nada poderia apagar os erros dele, fazer com que tivesse sido menos burro e orgulhoso, que tivesse passado mais tempo com ela, então lhe restava apenas guardar as boas lembranças e fazer força pra sair daquele estado pra poder cuidar dela e ajudar ela a se recuperar.

Ele se sentou no chão da sala do apartamento e olhou as paredes ainda nuas, sem tinta e jogou a cabeça pra trás, fechando os olhos, e
por um segundo ele achou que o perfume dela estava ali, mas seu celular tocou e o despertou daquele momento de conforto.

_Oi Shikamru, é o Fred, eu preciso falar com o seu amigo Sasuke, daria para localizar ele pra mim? Há horas que tento e não consigo
falar com ele.

_Tudo bem, eu falo com ele.

_Pede pra ele passar aqui na delegacia.

Ele concordou e desligou o celular, se encaminhando para a casa nova dos noivos, deixando pra trás o apartamento sem vida como os donos.

_Nara, o que houve? –indagou Sasuke preocupado quando abriu
a porta.

_Você desligou o celular e o Fred está precisando falar com você, sinto muito estragar sua lua de mel. –disse o Nara sem animo.

_Bela lua de mel... –disse Sasuke irritado e triste.

_Vamos, eu vou com você a delegacia e vejamos o que o Fred quer.

_Está bem, me deixa só falar com a Sakura.

_Está bem, te espero no carro.

_Beleza.

Algum tempo depois eles se encaminhavam para a delegacia, ao chegarem lá, encontraram Fred e eles o cumprimentou.

_Desculpe estragar sua lua de mel Sasuke, mas precisamos por
um fim nesse caso, eu quero fazer isso o mais rápido possível, tenho que fazer isso pela Tema.

_Tudo bem. No que posso ajudar?

_Precisamos que você faça o reconhecimento do corpo, precisamos confirmar quem era o atirador.

Sasuke engoliu a seco, não estava devidamente preparado pra aquele tipo de coisa.

_Sei que é uma coisa terrível, mas quanto antes...

_Melhor. Você está certo. A Temari estava trabalhando firme nesse caso, assim como fizera com Neji e Tenten, acho que nunca conheci uma
policial tão corajosa.

_Com certeza ela nos deu e nos dá muito orgulho.

Eles adentraram o IML e foram ao local em que o corpo estava, o responsável os acompanhou até a devida gaveta e antes de abrir Sasuke
respirou fundo e então Shikamaru colocou a mão do ombro dele.

_Fique calmo.

O Uchira maneou a cabeça concordando e então confirmou que podiam mostrar o corpo, o encarregado abriu a gaveta onde o corpo estava coberto pó um lençol e então retirou o pano branco de cima do rosto.

Sasuke sentiu o chão faltar, ali estava seu irmão, os olhos fundos e fechados, mas com certeza guardavam aquela escuridão ameaçadora, os
lábio arroxeados, a pele branca como vela, os cabelos escuros caídos sobre os ombros e a testa, o nariz pequeno e pontiagudo ainda arrebitado e a sensação de que ele ainda era só aquele garoto que o girava e o erguia enquanto brincavam.

A raiva que outrora Sasuke sentiu era substituída por um sentimento de pena, porque ele sabia que o irmão não era completamente
responsável pelo que fazia, ele possuía certa desordem mental, e nem mesmo quando ele deixava seu lado racional e mal a vista, ele conseguia fazer mal a seu irmão mais novo.

_É ele, Itachi Uchira.

O legista voltou o lençol pro lugar e fechou a gaveta, enquanto Sasuke ficou parado, com o olhar perdido encarando a porta do lugar
que seu irmão estava.

_Precisamos que você assine alguns papeis pra nós Sasuke, e
decida o que faremos com o corpo. –disse Fred de vagar, trazendo Sasuke de volta a realidade aos poucos.

_Está bem.

Eles foram para a mesa de Fred e se sentaram, Sasuke assinou alguns papeis, deu um pequeno depoimento e depois encarou o policial quando este perguntou:

_O que faremos com o corpo?

Sinceramente Sasuke não sabia o que fazer. Aquele homem havia torturado a mulher que ele amava, havia matado toda sua família quando
ainda era pequeno, tinha causado aquela situação em sua amiga e cúmplice, e feito de sua vida um inferno nos orfanatos e nas relações com as pessoas, tendo que se manter escondido ou fingindo ser outra pessoa pra poder ficar quieto, no entanto, Itachi era seu irmão mais velho, o poupara da morte, cuidara dele mesmo que por pouco tempo, tinha seu sangue e era o último de sua família, e por mais aceitável que fosse esquecer tudo isso e dar voz a amargura e ao rancor, Sasuke não consegui, só podia sentir pena.

_O ponha no tumulo de sua família Sasuke, ele é seu irmão.

_Ele matou todos eles. –disse Sasuke a proposta de Shikamaru.

_Você é capaz de perdoá-lo, de ser alguém melhor que ele, e depois, deixem que acertem suas contas, isso não cabe a você, você só tem que fazer o que é certo.

_Como pode pensar e se preocupar com isso? Ele quase matou a
Tema, e se não fosse ela poderia ser a Sakura, como posso passar por cima disso?

_Você não o déia Sasuke, nunca odiou, nós somos seus amigos
e sempre soubemos disso, você queria justiça, mas não poderia fazer mal a ele, agora não pode simplesmente deixar ele apodrecer como se não se importasse, não cabe a nós julgá-lo agora. Estou com raiva, estou magoado, mas estou do seu lado também e Temari diria o mesmo.

_Eu sei que ele é doente, mas ainda assim... Tudo que ele fez, o prazer que tinha ao se lembrar dos atos horrendos que ele cometeu...
Será que cabe mesmo perdoá-lo?

_Meu amigo, errar é humano e perdoar é divino. Deixe que ele assuma a culpa diante de quem vier cobrar a conta, a você cabe apenas fazer o que é certo mesmo.

Sasuke respirou fundo e por fim disse:

_Está certo, você tem razão. Fred, vou mandar prepararem o funeral e o enterro, deixe que ao menos ele tenha dignidade na hora da morte.

_Está bem, já vou preparar a liberação do corpo.

Shikamaru e Sasuke terminaram seus afazeres na delegacia e depois o primeiro foi levar o outra de volta a sua casa, parando na frente
desta, Sasuke viu que a luz de seu quarto ainda estava acesa, revelando que Sakura o aguardava acordada.

_Ela precisa de você e vocês precisam ser felizes, ela agora é sua esposa Sasuke, aproveitem cada segundo.

_É difícil, com tudo o que está acontecendo...

_Sasuke... –Shikamaru baixou os olhos sobre o volante e sem
encarar o amigo continuou. –Eu fui um idiota não aproveitando meus momentos com a Tema, me arrependo de cada lágrima que a fiz derramar e por ser ela quem começava a fazer as pazes quando nos brigávamos. Tive apenas uma noite com a mulher da minha vida, tive raros momentos de ficar junto com ela, curtindo nosso amor, e agora ela está lá, naquele hospital, se mantendo viva por aparelhos, sem saber se um dia vai acordar, então Sasuke, não desperdice a mulher que você encontrou e é perfeita pra você, não desperdice as noites que pode passar com ela, os momentos que pode dizer que a ama e nem abra mão dela, do que podem viver, porque a gente não sabe o dia de amanhã.

Sasuke percebeu o quanto Shikamaru estava abalado, como ele
estava arrependido e sofrendo, custava segurar as lágrimas e a dor no peito por essa eminente perda.

_Você está certo mais uma vez... Shika, ela vai sair dessa, pode ter certeza.

_Que os anjos te ouçam e digam amém.

Sasuke desceu do carro e viu o amigo se afastar pela rua em seu carro novo, que nem chegara e estrear com Temari, depois voltou-se para sua casa e ficou olhando a luz acesa em silêncio, por fim pensou, talvez fosse hora de começar uma nova fase naquela turma, porque não dar o ponta pé ao efeito felicidade?

Notas finais
bom, esse é mais um cap. da série das tragedias, mas quem sabe esse arzinho do final não muda os ventos?
por favor comentem, sempre quero saber a opnião de vcs, e vcs me ajudam a escrever...
um beijo e até o proximo...