Encontros e Desencontros
15 Capítulo 15 - Sem ar...
Notas iniciais
boa leitura...
_Com licença senhor Nara, tem uma policial ai querendo lhe ver.
_Policial? Do que se trata?
_Disse que é assunto particular.
_Tudo bem, mande entrar.
Shikaamru afastou os papeis que estavam a sua frente na mesa e se recostou, esperando a tal visita.
Uma moça vestindo uma calça preta, botas de combate pretas, blusa cinza sob um colete a prova de balas e um quepe preto, caído sobre o seu rosto entrou, e ele esperou ela se aproximar, e quando viu seu rosto, enquanto retirava o quepe, seu coração disparou de uma só vez.
_Olá Nara.
_Tema-Temari...
_Surpreso em me ver? –ela colocou o chapéu sob o braço e esperou em sentido de continência.
_Um pouco...
_Posso me sentar? Essa postura cansa.
_Claro... –ele se levantou, fazendo menção para que ela se sentasse.
_Obrigada.
Ela se sentou e colocou o quepe sobre a mesa dele, e o encarou séria, vendo a expressão dele confusa.
_Já faz algum tempo que a gente não se vê... –ela começou.
_Sim, umas três semanas.
_Pois é, Tenten já está de três meses e as coisas não estão fáceis pro lado dela e do Neji, ainda mais agora que a mulher dele não quer abrir mão do contrato de casamento.
_Que ela daria trabalho eu já sabia, ela não largaria o osso tão facilmente, até me admira ela não ter tentado nada contra a Tenten, mesmo elas sendo amigas de infância.
_Ela não seria capaz de nada contra ela e o neném. Seria?
_Bem, eu não apostaria minhas fichas contra isso não...
Eles se silenciaram novamente.
_Mas foi por isso que veio até aqui? –ele indagou por fim.
_Na verdade não...
_Então, o que posso fazer por você?
_Quero uma resposta, e quero agora.
_Se eu puder dar...
_Ah, sim, você pode. Você escreveu aquela musica?
Ele não respondeu, ficou serio a encarando.
_Eu disse que quero a resposta agora. –ela reafirmou.
“Meu deus, onde foi parar a bailarina doce e angelical?”
_Temari, eu não acho que seja uma boa a gente continuar assoprando essa labareda, isso pode causar um incêndio...
_Ou apagar a labareda de vez. –ela continuou firme. –E é isso que quero saber, preciso ter certeza do que acontece com a labareda agora.
_Há alguma coisa pra acontecer com ela ainda?
_Bem, descobrimos duas possibilidades, não?
_Acende ou apaga...
_Exato.
_Mais o que minha musica tem com isso?
_Então é sua mesmo, você a escreveu... –como ele não respondeu, ela continuou. –Pra quem?
_Temari, acho que agora não é um bom momento pra isso, e depois, eu não sei mesmo o que você quer que eu diga? –ele disse após alguns segundos.
“Tuchê! Ele me pegou direitinho, nem eu sei ao certo o que espero ouvir e nem o que quero com tudo isso, mais preciso ouvir dele que as meninas estavam certas.”
_Quero que responda minhas perguntas.
_Pelo amor Temari, o que isso muda? Foi apenas uma noite, não foi? Então porque ainda estamos revolvendo isso? Não há nada que possamos fazer ou dizer sem que machuque ou humilhe o outro e eu não nasci pra me rastejar, e muito menos duas vezes seguidas por...
_Duas vezes seguidas? –ela o interrompeu.
Ele se calou e se ergueu, andando atrás de sua cadeira impaciente, quase desfazendo o rabo de cavalo alto pelas mãos nervosas que passavam por seus cabelos.
_Temari, eu não tenho nada a dizer, acho melhor você ir embora... –ele disse de vagar, parando atrás da cadeira e apertando o encosto com ambas as mãos.
_Já disse que preciso ouvir a resposta. –ela disse, dessa vez não tão firme, não gostou de ver a tristeza estampada naquele olhar.
_Você sabe a resposta, não precisa ouvir de mim, não precisa me ver rastejar mais, precisa?
Foi a vez dela de ficar sem palavras e um tanto nervosa, o que a deixou com o olhar mais brando.
_Shikamaru, eu não...
_Temari, por favor, vai embora. –dessa vez ele não suplicou, ele pediu firme, estava mesmo decidido a mandar ela embora da sua vida pra sempre, porque não queria ser um fardo pra ela e nem que ela ficasse com ele por pena ou carência.
Temari se ergueu, mais com os olhos baixos, mexendo no quepe com seus dedos longos, depois levantou os olhos e quando o encarou, ele viu suavidade e placidez, era a primeira vez que via aquilo depois da noite que passaram juntos, era a primeira vez que ela se tornava a mulher por quem ele realmente se apaixonou, e por mais que passara admirar a mulher que ele descobriu ser a verdadeira Temari, ele ainda sentia falta de sua docilidade e daqueles olhos reluzentes de ternura, só não entendeu porque eles voltaram a aparecer e esperou com angustia o que ela diria.
_Senhor Nara... –disse uma voz vinda da porta, interrompendo Temari e a fazendo baixar os olhos.
_Sim? –ele respondeu respirando fundo, reassumindo sua pose de superior.
_A entrevista começa em cinco minutos...
_Tudo bem, eu já vou.
A mulher sorriu e fechou a porta novamente e ele direcionou seus olhos a Temari.
_Eu não deveria ter vindo... –foi só o que Temari disse, ainda sem o encarar, pegando o quepe e lhe dando as costas.
_Mas você veio... –a voz firme dele a fez estancar. –Você veio e não foi apenas pra fazer perguntas, então porque exatamente?
_Isso não importa mais. –ela respondeu simplesmente e se encaminhou para fora.
Shikamaru viu a porta se fechar e caiu pesadamente sobre sua cadeira, tapando o rosto com ambas as mãos, sentindo a cabeça pesada e olhos úmidos, mais se recusou a chorar, por mais que aquilo lhe doesse. Era a segunda mulher que amara e a segunda a deixá-lo e ele não estava pronto pra quilo.
Temari assumiu seu posto ao lado do palco de entrevista, estava a serviço da segurança da coletiva, só saíra alguns momentos de comum acordo com um colega pra ver o Nara, mas agora já estava de volta, com sua pose de superior e indestrutível, atenta a multidão.
Seria uma coletiva do governador, o seu candidato, ou seja, seu irmão e mais alguns membros primordiais para o governo, e isso incluía Shikamaru, que agora era o responsável pelo setor financeiro do estado.
_Temari, o chefe mandou você ficar no palco, ao lado do seu irmão, ele acha que por você pra tomar conta do caçula vai ser mais seguro.
_É capaz de meu irmão aprontar só porque vou estar lá... Mas tudo bem, eu não discuto ordens...
Ela se colocou em seu posto e Gaara ao por olhos nela fingiu que não viu, continuou como deveria ser, apesar de achar arriscado ela ficar lá.
Shiamru foi levado ao lado do amigo e também não gostou de ver Temari ali, ainda se sentia um tanto retraído sabendo que se houvesse algum perigo ou algo de errado seria ela quem poderia o salvar e não ele a ela.
_Quanto tempo isso leva? –Shikamaru cochichou com Gaara.
_Se o governador estiver de bom humor, uma meia hora.
_Puts... E se ele estiver de mau humor?
_Umas duas horas, assim não tem que encontrar a primeira dama.
Os dois riram disfarçadamente.
_Então vê se manera em... –disse Shikamaru a ele.
_Vou ser bem breve. Votem em mim. Não preciso dizer mais nada.
Os dois voltaram a rir e Temari os olhou com ar de reprovação, não era nada bonito eles rirem dos outros em publico, e assim eles ficaram sérios, olhando em volta.
_Quantos policiais tem aqui? Eu já perdi a conta. –indagou Shikamaru.
_Pelo menos duzentos. O governador já sofreu um atentado ano passado, agora vive pondo um monte de seguranças.
_Mas isso é mesmo necessário?
_Odeio admitir, você sabe que não sou nenhum neurótico, mas acho que sim. A política está ficando perigosa meu amigo...
_E é mesmo nisso que quer entrar?
_Já estou nisso a um bom tempo.
_Sim, mas agora é diferente...
_Eu não tenho medo Nara, e depois, já fui longe de mais pra voltar atrás.
_Eu não tenho tanta certeza assim se quero isso...
_Nem pense em pular do barco agora, eu conto com você em meu governo. –disse Gaara com um sorriso de canto.
Shikamaru não disse mais nada, ficou pensativo e enfim o discurso começou, e pelo visto o governador estava de péssimo humor, porque falou por mais de duas horas, e não é força de expressão, foi por mais de duas horas mesmo, e no fim, passou a palavra a Gaara, que estava quase dormindo.
Gaara se ergueu e respirou fundo, limpou a garganta e começou a falar, e sua força jovem, seu modo determinado e sua beleza conseguiram trazer a animação de volta, porém, ele percebeu uma movimentação estranha entre a multidão, dando uma pequena olhada para Temari, que já disse qualquer coisa pelo rádio.
O ruivo continuou o discurso no mesmo tom, sem alarmar ninguém, mais a confusão era crescente, e ele viu vários policiais indo em direção a um aglomerado de gente que começou a gritar, desviando toda a atenção pra eles.
Temari foi até o governador e chamou outros dois policiais, o pondo sobre os cuidados deles, e foi até Gaara.
_Precisamos sair daqui.
_Mais...
_Não discuti Gaara, vem comigo.
Ela o puxou pelo braço, e foi até Shikamaru, o puxando também, e foi então que ouviram disparos.
Temari jogou os dois no chão e pegou o revolver na cintura, olhando pra trás, pode ver que os tiros viram na direção deles, e que continuavam a se aproximar na direção deles.
_Merda! O alvo é você Gaara. –ela gritou em meio aos estampidos e aos gritos das pessoas.
_Mas...
_Gaara, tem uma passagem por debaixo do palco à esquerda, nós vamos pra lá. –ela foi empurrando ele e Shikamaru.
Eles foram descendo por trás do palco, e conseguiu entrar na passagem com os dois, levando a mão ao rádio, que só apresentou sinal de estática.
_Merda!
_Porque estariam atrás de mim?
_Deve ser uma de suas namoradas malucas. –ela disse procurando a lanterna que carregava no bolso, mais agora não encontrava.
Ouviram batidas de pés sobre suas cabeças e os tiros cada vez mais próximos.
_Sabem que estamos aqui, mais como? –ela se perguntou em voz baixa, e foi então que sentiu a lanterna no bolso esquerdo da frente da calça.
_Temari... –disseram Shikamaru e Gaara ao mesmo tempo, pressentindo alguém se aproximando.
_Eu sei. Não posso levar vocês adiante, só há uma saída, e aposto que era mesmo pra estarmos aqui, mais se ficarmos vão nos encurralar, e estão acima de nós, e não dá pra chamar reforço.... Pensa Temari, pensa...
Ela estava nervosa, não sabia o que fazer, e não podia errar com os dois, de modo que a cada passo mais perto que os disparos chegavam, mais forte seu coração batia e quando ele estava pra sair de sua boca, ela se lembrou.
_Já sei. Vão correndo como eu mandar. –ela disse passando eles a sua frente e olhando vez ou outra pra trás. –Virem a direita, ela mandou.
_Mas Temari, é só um...
_Eu mandei virar. –ela berrou.
Eles viraram e deram de cara com um armário de madeira, escrito proibido e perigoso por todo ele. Ela tirou um canivete da bota, não podia andar com aquilo, mais ninguém sabia que ela o tinha, fora um presente de seu pai há muitos anos, e ela escondia consigo, e pressionou o canto do armário, fazendo força, e assim o armário despregou.
_Me ajudem a empurrar. –ela disse a eles e assim os três começaram a fazer força do lado direito, abrindo uma passagem.
Eles se enfiaram dentro desta e voltaram a por o armário no lugar, porém, o armário abria uma passagem pra uma pequena saleta, onde havia álbuns armas e munições, algumas bem antigas, mas com a tranca que havia do lado de dentro, ninguém conseguiria por as mãos neles antes que a confusão fosse sanada.
Os três encostaram na parede e acabaram se sentando no chão de cimento, até que a respiração se acalmasse.
_Porque estariam atrás de mim?
_Você é o mais jovem governador bem cotado a ganhar as eleições e não aceita suborno, isso já é muito motivo, fora suas namoradas malucas e outras tantas fãs do mesmo gênero. –disse Temari já recuperada olhando o que tinha de armas e munição pela sala.
_Isso é bobagem, eu nem ganhei ainda.
_E isso importa?
_Está quente aqui né? –disse Shikamaru em voz baixa, afrouxando o colarinho.
_Bom, espero que peguem ao menos alguém que fez isso, vou adorar os interrogar. –ela disse com um sorriso satisfeito.
_Porque aqui é tudo cinza? –disse Shikamaru olhando em volta com a luz fraca da lanterna de bolso de Temari.
_Não sei, mais acho que isso não era pra mim.
_Não seja modesto Gaara, muita gente pode querer te assassinar.
_Porque esse lugar é tão pequeno? –disse Shikamaru fechando os olhos de vagar, com um suor incessante brotando em sua testa.
_Minha nossa Nara... –Gaara correu até ele e por sorte chegou antes do amigo desabar.
Temari correu até os dois e o segurou do outro lado, sentindo o corpo dele mole e a roupa unida de suor, enquanto ele não conseguia manter os olhos muito abertos.
_Me esqueci que ele sofre de claustrofobia. –disse Gaara.
_Minha nossa... –disse Temari o segurando com força. –Shika, olha pra mim, vamos.
Ele tentava, mais não podia, os olhos pesados não se mantinham abertos, e a voz dela estava ficando confusa.
_Ele não pode ficar aqui.
_Mais não podemos sair.
Eles deitaram o Nara no chão, e ela lhe acariciou o rosto de vagar, lhe enxugando o suor, e foi então que ele abriu um pouco mais os olhos.
_Você tem que agüentar firme, não pode desmaiar.
_Estou com medo. –ele admitiu depois de engolir a saliva espessa de sua boca.
_Não se preocupe, aqui há bastante ar pra nós três e eu vou cuidar de você. Agora respire fundo.
Ela segurou a mão dele com força, pra que ele sentisse sua firmeza e ele sorriu, porém, ela estava muito abalada por dentro, não podia acreditar que ele estava ali daquela forma.
Ele fechou os olhos e tentava respirar, mas era como se seu pulmão se recusasse a obedecer, e pior, lhe deixava ainda mais aflito saber que Temari estava ao seu lado em uma situação tão estranha e perigosa e ele nada podia fazer. Se sentiu inútil, incapaz, imoral e pior, se sentiu um homem de merda, mais nada disso ajudava ele a se erguer.
Eles ouviram barulho pelo corredor, e Temari tentou ir ver o que era, mais Shikamaru não soltou sua mão e parecia que não o faria, então ela teve que se desvencilhar dele, porque teria de fazer alguma coisa pra os tirar de lá.
Ele encarou os seus olhos verdes por um segundo e a viu se afastar de mansinho, com seu revolver em punho, fazendo sinal pro irmão ficar em silêncio.
Um estalo de madeira foi ouvido e ela engatilhou o revolver, ficando a espreita. Não poderia fazer muito caso houvesse mais de uma pessoa e armada, mais pelo menos não morreria sem lutar.
Mandou Gaara se afastar através de sinais e que ele ficasse abaixado, e outro estalo de madeira foi ouvido, ela então deixou o revolver em posição e segundos depois forçaram o armário a se abrir, mais ele estava trancado por dentro e como não conseguiram o retirar, começou-se a uma bagunça do lado de fora, com gente correndo, até que Temari sentiu cheiro de explosivo caseiro.
“Merda! O que pensam que estão fazendo?”
Ela ouviu mais movimentação e ouviu coisas sendo encostadas no armário.
“Vão explodir pra chegar aqui. O que eu faço?”
Ela não teve tempo pra resposta, apenas foi até Shikamaru e se pôs sobre ele, ao menos ele poderia sair a salvo caso algo desse muito errado.
Um estrondo e Bummmm!!!!
A sala tremeu e um pouco de terra caiu sobre eles, mais felizmente estavam vivos, Temari ficou um tanto atordoada, a explosão fora muito fraca. Claro, tinha mandado a tranca pro espaço, mais ainda sim não fora suficiente para os matar, a não ser...
Ela se virou para a porta e viu vários policiais adentrando o local, e na frente deles, viu seu grande herói, o sargento de seu departamento.
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_Parabéns, foi muito esperta Temari.
_Obrigada senhor. –ela disse sentada na ambulância enquanto alguém a examinava. –Pegaram o culpado?
_Eram três pessoas, mascaradas, conseguimos pegar um deles, um homem de vinte e cinco anos e muito atrevido, acho que ele vai gostar de conhecer seu sistema. –ele sorriu de canto e ela retribuiu. –Mas por hora é melhor você e seu irmão irem descansar, o rapaz da contabilidade vai ter que ir ao hospital.
_Como ele está, ninguém me disse nada...
_Ele está bem, inconsciente, mais bem.
Ela respirou aliviada e o sargento percebeu, dando um sorriso de canto.
_Temari...
_Sim senhor.
_Eu mandei você descansar, então veja bem se não vai passar tempo de mais no hospital, entendeu?
Ela o viu sorrir e depois olhar para Shikamaru, e então sorriu também, não podia esconder nada dele, mesmo que quisesse e esse não era o caso.
_Vou tentar...
Ele se afastou e depois de mais uma medida de pressão, eles a liberaram para seguir com Shikamaru na ambulância.
Algumas horas depois no hospital, Temari pode ver Shikamaru, que já estava bem e respirando em plenos pulmões.
_O que acha deste quarto arejado? –ela sorriu pra ele indo até a janela.
_É quase um ótimo lugar.
_Quase?
_Preferia que fosse a janela do meu apartamento, bem escancarada e não do hospital. –ele disse e arrematou com um sorriso.
_Bem, não vai demorar pra você poder fazer isso. –ela disse e depois o silencio tomou conta do lugar.
_Obrigado... –ele disse por fim.
_Pelo que?
_Você salvou nossa vida, a minha vida, então tenho uma divida com você...
_É, você tem mesmo, mais não é nada eu não podemos acertar agora.
_Mesmo, e como seria?
_Você poderia me dizer quem é ela. –ela disse desviando os olhos pra fora da janela.
Ele também baixou os olhos e demorou tanto que ela se virou pra ele de novo e após alguns segundos ele levantou o olhar.
_Ela é passado, não vale a pena.
_Mas gostaria de saber o que houve...
Ele respirou fundo e decidiu contar, se era o preço por sua vida, tinha de pagar, era um homem de palavra.
_Conheci uma moça quando ainda era adolescente, ela era linda e me absorvia como se fosse minha própria vida. Tentei de todas as formas conquistá-la, mas ela continuava a me ignorar, até que um dia ela aceitou meu convite pra sair, disse que estava deprimida e ao menos eu sempre estivera ao seu lado, e isso me deixou muito bem. Alguns meses depois a pedi em namoro e ela aceitou, foi o dia mais feliz de minha vida, minha carreira crescia, ela me amava, e eu lhe coloquei uma aliança de compromisso em seu dedo. Há três meses, naquele dia em que nos conhecemos, eu a vi com outro homem, ela me encarou e disse olhando em meus olhos que só ficara comigo por dinheiro e por sexo, e ainda teve a coragem de querer voltar atrás quando dei uma bela surra no sujeito que estava com ela. Sai de lá e tive que fazer outros serviços, só restava meu emprego, e não podia furar com a moça do balé, e foi lá que te conheci... Tão leve, tão calma, tão.. Linda... –ele se calou, e viu ela o encarar.
_Me perdoe, eu não quis te machucar. –ela disse.
_Não se desculpe, a culpa foi minha, eu entendi tudo errado, eu me apaixonei muito rápido.
_Mas se apaixonou por algo que não sou. –ela baixou os olhos.
_Não, você é sim o que eu vi naquele dia, só não o é sempre, e não me sinto decepcionado por isso, pelo contrario, aprendi a te admirar, mais sinceramente não sei por que estou dizendo tudo isso, as coisas entre nós já deviam ter terminado e cada um seguido seu caminho...
_Então porque será que não esquecemos? Porque será que não parece que está certo ficar longe de você? –ele ficou surpreso com aquilo. –Eu fui te procurar hoje porque não consigo esquecer aquela música, esquecer sua voz e esquecer a única noite em que me senti uma mulher de verdade...
Ela parou e ao ouvir a própria voz não acreditou que era ela mesma, jamais fizera ou dissera algo parecido com aquilo.
Ela se ergueu e começou a andar de um lado pro outro e como o quarto era pequeno, ela estava próxima a ele que segurou sua mão e ela o encarou.
_Estou com medo... –ela disse de vagar, era a sua vez de admitir sua fraqueza.
_Não se preocupe, eu vou cuidar de você. –ele sorriu de canto e lhe segurou a mão de modo firme.
_Você não entende, eu faço tudo errado e nenhum homem é capaz de gostar de mim como eu realmente sou e...
Ele ergueu o corpo e lhe pousou o dedo indicador sobre os lábios, fazendo ela se calar.
_Não se preocupe, eu sei lidar com coisas problemáticas e depois, seu defeito mesmo é falar de mais. –ele sorriu e depois a beijou, lhe abraçando de modo gentil, mais intenso, enquanto matava a saudade daquela boca que desejava tanto e quando finalmente se separaram, ela sorria como ele jamais vira.
_Eu prometo que vou fazer de tudo pra lhe ver sorrir assim pra sempre.
_Que bom, porque quero você ao meu lado pra sempre...
Notas finais
até o proximo...
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