Encontros, desencontros e novos encontros
89 Capítulo 89:
– Ai tá me batendo uma fome. – admitia Meg, no quarto com Ben e Anita.
– Então somos duas, porque eu só me lembro de almoçar hoje. – concorda Anita, soltando o celular sobre a cama, entediada.
– Vem cá, quem foi que instituiu, que nós fomos sumariamente excluídos da festa. – Marcelo entra no quarto perguntando. – Vamos nos divertir também não é gente, afinal nenhum de nós aqui está morto. – o rapaz propõe animado. — Ainda, eu acho... – ele brinca, vindo sentar ao lado de Anita e Meg.
– Não sei. – Anita o interrompe e dá uma leve risada. – Talvez o fato de nós quatro sermos os únicos velhos da festa. – ela brinca voltando a apanhar o celular.
– Ah entendi. – Marcelo esboça uma cara irônica. – Quer dizer que o fato da gente ter mais de vinte anos, nos faz sermos muito velhos pra isso, pois eu te garanto que eu tenho mais pique do que essa garotada toda junto. – desafia ele.
– Ah disso sem dúvida, eu não duvido Marcelo. – Ben tira a atenção do livro que lia para implicar com o amigo.
– Eu não pedi a tua opinião. – Marcelo garantiu jogando o travesseiro que estava ao seu lado nele.
– Ai gente mais o fato é que eu to com fome. – Meg insisti sentindo seu estômago roncar mais uma vez.
– Na moral, eu vou descer ao menos pra arrumar algo pra comer, se a Giovana e o Vitor quiserem ficar chateadinhos que fiquem. – Anita afirma saltando da cama e calçando os sapatos com rapidez. – Vão ter que me engolir mesmo, eles não tem outra opção. – garante ela debochada.
– Eu vou com você. – Meg corre também até a porta, mal se importando com o fato de que Marcelo descansava a cabeça em seu ombro.
– Heiiii... – Ouuh pera aí meninas, quando eu disse curtir a festa, eu quis dizer acompanhado. – Marcelo grita com cara de espanto por ser dispensado, mas é ignorado pelas duas que saem apressados. – Eu to indo também. – ele ri a corre para alcança-las.
– Foi dar ideia Marcelo, se deu mal. – Ben foi encontra-los saindo com calma pela porta, não resistindo em zoar o amigo.
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– Oi, eu sou colega do Vitor. – um garoto alto, cabelos castanhos e olhos claros abordava Anita em meio a toda confusão que acontecia devido à festa.
– Tudo bem, bom eu não conheço muito os amigos de faculdade do Vitor, mora fora há muito tempo. – Anita respondeu de forma simpática, mesmo vendo que o garoto era um desconhecido para ela.
– Ele me disse, você é irmã dele não é, Anita, meu nome é Eduardo, quer beber alguma coisa. – ele se apresentou solicito. — Um suco não é, bom é o que tem, o Vitor me contou que a maluca certinha da irmã dele , vetou a bebida da festa, pra lá de careta essa garota hein. – comentou ele, mal sabendo que falava da própria Anita.
– Ah jura. — Anita o olhou estampando um sorriso iônico nos lábios, pela confissão desastrada do garoto. – Ele só esqueceu que a careta em questão sou eu, eu fiz ele levar os engradados todos de volta pro Embaixada. – ela revelou de um jeito travesso. — E é sabe, eu acho que festinha e com muita criança junto, se tiver rolando um copo de álcool na mão de cada um, infelizmente não acaba bem, mais se diverte aí, estando lúcido é muito mais melhor. – ela o deu as costas não conseguindo ficar séria. – Gente socorro! – Anita chegou até onde estavam, Julia, Serguei e Meg a rir. – Acho que acabei de traumatizar o amigo do Vitor, vai passar a festa sozinho. – revelava ela sem parar de rir.
– Sério que ele te cantou, mais tem gente que não reconhece o tamanho de sua própria capacidade. – Marcelo sentou ao lado dela brincalhão. – Que dizer ao menos eu iria arrumar um argumento convincente, antes de me jogar assim. – ele ri.
– Você não cantaria a Anita então. – Serguei o confronta, com ar brincalhão.
– Não, a questão não é essa, eu não posso. – Marcelo afirma com uma gargalhada, fazendo os demais rirem. – Entendeu Serguei, é lógica acho né, ou eu iria acabar apanhando. – justifica ele.
– De quem? – Anita o provoca, risonha.
– Do ex dela. – ele continuo a sorrir travessamente, apontando para Meg sentada em sua frente.
– Que isso menino, bebeu não é possível. – Meg acha graça de Marcelo, mesmo anteriormente pensando em repreendê-lo pela provocação.
– Eu... – Vocês fazem a maior confusão, e eu é que não posso ser sincero. – Marcelo quis se defender.
– Sinceríssimo você né. – Meg rebate, entre um sorriso sarcástico.
– Na maioria das vezes, eu sou sim, você é que nunca acredita, sempre desconfia. – ele disse a olhando firme.
–Um Sincericida eu diria, de vez em quando ao menos. – Anita o alfineta querendo implicar. — Meg pra resumir você tem duas opções ou briga com ele, ou pede desculpas. – Anita informa se levantando em um rompante. – Gente cadê o Ben. – ela questiona ao procurar o garoto com o olhar e não encontra-lo.
– Tinha saído daqui pra atender o celular. — argumenta Marcelo.
– Vou procurar. – anunciou Anita.
– Hey hey... – Cuidado, só pra te avisar, Vitor tá bem desconfiado, hoje ele veio até sondar eu e a Meg, um pouco depois que a gente veio lá de cima. – explica Marcelo segurando no braço dela por um segundo.
– Ah verdade, eu escutei também sem querer Anita. – Julia confirma, e Serguei também assente positivamente, enquanto a garota parecia não ligar.
– Olha o flagra hein. – Marcelo alfineta.
– Gente na moral, o Vitor que vai se criar primeiro, aí depois ele pensa em se meter na minha vida, não é pra se divertir, não foi o que ele disse então. – Anita nem liga e saí devagar.
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– Aonde você tava. – Anita questiona vindo até Ben após vê-lo entrando em casa.
– Fui atender o celular lá fora, com esse barulho aqui tava difícil de entender qualquer coisa que fosse. – ele esclareceu.
– Era alguma coisa importante. – ela indaga parando ao lado dele.
– Não sei, a ligação caiu no final das contas. – Ben caçoou da própria falta de sorte. – Mais acho que não, era ligação internacional, mais deve ser alguma bobagem. – ele fala não preocupado.
– Dança comigo. – ela pediu com um sorriso doce para convencê-lo.
– Só se você prometer não pisar no meu pé jamais. – Ben rebateu lhe lançando um sorriso travesso.
– Bom é, a gente pode negociar isso depois. – Anita responde com ar de mistério.
– Terei imenso prazer. – ele sorri pegando na mão dela e os dois tentaram achar um canto mais afastado.
– Se contassem isso aqui, exatamente assim, você acreditaria. – questiona Ben baixinho próximo ao ouvido dela.
– É nunca. – Anita ri discreta, envolvendo os braços devagar em volta do pescoço dele.
– Era sonhar demais fato. – entende ele se aproximando um pouco mais, no instante que Anita escora a cabeça em seu ombro. E ignorando os demais presentes, os dois dançaram colados, ao som da música lenta e ao mesmo tempo agitada que tocava, o casal parecia ser embalado por outra melodia, uma canção que vinha de seus corações, e que a cada dia os envolvia um ao outro, com uma maior intensidade, sem que eles pudessem lutar contra, ou conseguissem resistir, eles apenas foram deixando aquela sensação intensa e calorosa os envolverem, por longos minutos, e sem fazerem cerimônia alguma, ou se preocuparem com os olhares curiosos que uma ou outra pessoa pudesse os lançarem, alguns por saberem da imensa história que os ligava sempre de alguma forma, outros apenas curiosos, ao até mesmo dos amigos, Julia Serguei, Meg, Marcelo, e Frédéric, que já estavam a par do que os unia novamente.
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– Ai gente acho que eu vou indo. – comunicava Júnior.
– Oi como assim? – Giovana o olha, emburrada.
– É isso mesmo, tenho uma prova no primeiro horário amanhã, e meu pai já avisou se minhas notas continuarem no vermelho, adeus shows, então é o jeito. – disse o garoto, mesmo sem vontade de deixar a namorada.
– Ah não, melhor então, porque a gente tem dois shows esse mês, e isso é tão raro que não dá pra desperdiçar. – Giovana o apoiou, mudando imediatamente de ideia.
– E aí Edu, conversou com a Anita. – Vitor indagou quando o viu aproximar-se.
– Falei, mais esquece, acho que ela me deu um fora, elegante digamos assim. – ele exclama.
– Desistiu fácil, pelo fascínio que ficou quando viu ela. – Vitor brincou.
– Ela não tá interessada pelo jeito, está até dançando com teu irmão. – o garoto alegou evitando encucar.
– Como assim, que irmão? – Vitor se viu confusa com o que o amigo contava.
– Com ele ali óh, teu irmão, não é. – ele explicou apontando para os dois afastados.
– Gente, não acredito. – Giovana sorriu surpresa e boquiaberta, ao entender do que exatamente o garoto falava, e vislumbrar Anita e Ben dançando juntos, e se desdobrando entre olhares e sorrisos despretensiosos um ao outro. – Será que vai dar revival ali, é isso. – a ruiva indaga aos demais, percebendo certo clima envolvente no ar.
– Lógico que não, era só o que me faltava não é Giovana. – Vitor respondeu hostil e detestando a ideia.
– Não vejo porque Vitor, qual o problema. – Clara o contraria, olhando com curiosidade para o namorado. – O Ben é lindo, a Anita não é boba, logo eles formam um casal lindo, sempre achei. – a garota diz sincera.
– Ah claro. – Vitor bufa contrariado.
– Gente o que vocês tem que entenderem, é que eles não são irmãos, pra Anita o Ben é o filho do Ronaldo, e pro Ben a Anita é só a filha da Vera, se eles já ficarão juntos, qual o problema, a grande novidade, se eles quiserem experimentar de novo, se testarem, gente eles são adultos, dono da vida deles, e que eu saiba nada os impede. – encerra ela.
– Eu vou tomar uma água. – Vitor falou antes de sair com cara séria e nem olhando para a namorada.
– Ai na boa, Giovana teu irmão parece um velho às vezes sabia. – reclama Clara com a amiga.
– Releva, é que ele sempre foi o que menos entendia, essa coisa do Ben e da Anita quererem ficar juntos. – pede a roqueira. — E eu também não nego, sei lá é que era muito estranho ver a Anita e o Ben, sei lá se beijando, por exemplo, foi um choque pra todo mundo. – afirmou Giovana o compreendendo em parte, e querendo defender um pouco o irmão.
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– Nossa maior sono e eu tenho que abrir cedão o salão amanhã. – Serguei dizia se vendo cansado.
– Hum já eu, só pra te fazer inveja, vou pegar uma praia amanhã, e bem cedo a tempo de ver o sol nascer, só pra não esquecer nunca mais, em como é ruim viver longe desse país. – Anita revela brincalhona. – Aliás, alguém que ir junto. – ela convida.
– De repente eu posso pensar no teu caso. – Julia gosta de ideia.
– Beleza só me ligar, que eu posso lá na tua casa pra te buscar. – garante Anita.
– Anita, posso falar um minuto com você. – Vitor pergunta vindo até eles.
– Já tá falando. – Anita diz tomando o resto da água que estava em seu copo.
– Não é que assim, o Eduardo ele é meu amigo. – Vitor começou uma explicação.
– E eu com isso. – retruca ela.
– Ah ele ficou assim encantado por você, você podia pensar em conversar com ele, bom ele é um cara bacana, não estaria te dizendo isso se ele não fosse então. – argumenta ele, enquanto Anita remexe nos fios de cabelo de sua franja caído ao rosto, parecendo entediada.
– Vaza, cai fora. – determina ela sem a mínima paciência.
– Mais Anita poxa. – Vitor ainda tenta dialogar.
– Eu vou falar uma única última vez, vai curtir a festinha que você armou e me deixa em paz, por favor, Vitor fala sério você tem 19 anos e ainda acredita em encontro arranjando, por um amigo, não sei quem soa mais patético, você ou esse teu amigo. – Anita esbravejou sem rodeios. – Olha vou facilitar pra você, curte tua festa, antes que eu no auge do meu salto importado, suba naquela mesa ali, e disperse todo mundo, e acabe com esse festa que nem deveria ter começado aliás. – ela ameaça, enraivada por ele querer dar palpite em sua vida. – Vai duvidar, se eu fosse você não faria isso. – ela diz.
– Ok. – o garoto achou melhor não insistir.
– Saco, aja paciência. – Anita solta o copo com raiva sob a mesa.
– Eu acho que isso é efeito de uma certa dança. – Serguei opinou sincero.
– Ah sim óbvio, e desde quando beijo na boca silencia o coração, se fosse assim seria tão fácil esquecer um e amar outro rapidinho, eu que o diga. – ela resmunga. – Porque que todo mundo acha que eu preciso que digam o que tenho que fazer, isso me irrita sabia, eu decido as coisas, a vida é minha droga. – Anita faz um desabafo.
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– O Bom dessa movimentação toda, é que assim a gente pode aproveitar essa distração, pra aproveitar um pouquinho, né porque amanhã meu pai e a Vera voltam e tudo muda um pouco. – Ben alegava, enquanto ele e Anita entravam aos beijos no quarto que ele estava dividindo com Marcelo.
– Ah é muda é, tipo o que? — Você vai contar uma grande novidade pra eles, assim de cara, vai acabar com a lua-de- mel dos dois... – Hahahaha... — E eles é que achavam que o pesadelo era só porque estavam voltando pra rotina. – Anita zomba entre muitos beijos.
– Não é problema meu, e vai continuar não sendo, se eles derem piti paciência, eu não devo nada pra eles, só quero ficar com você. – Ben afirma empurrando a porta e voltando a beijá-la com urgência.
– Claro sempre, na prática é fácil. – Anita diz sarcástica, saindo do beijo.
–Tudo bem não perguntei mesmo. – ele ignorou sorridente.
– Acho que eu quebrei alguma coisa. – Anita comunica ente risadas ao esbarrar sem querer em algo, e parando para chegar ver alguns livros e um vaso no chão, que estavam sobre a mesinha no centro do quarto. – Eu falei. – ela acha ainda mais graça, se livrando dos sapatos que a tinham feito desequilibrar e derrubar tudo.
– Esquece. – Ben ri a puxando novamente para si, os unindo em um beijo intenso quando ela vira para encará-lo.
– Não sei o que tá acontecendo comigo sabia, mais tá ficando incontrolável e difícil demais de resistir. – Anita confidencia sem ar.
– Então pra que perder tempo tentando. – afirmou ele, a fitando fixamente, enquanto tirava uma mecha de cabelo de seu rosto... Anita sorriu e o beijou apenas.
– Oiee, tá pra abrir a porta, preciso entrar, deixei meu celular aí dentro droga. – uma voz conhecida questiona educadamente batendo a porta.
– Giovana. – Ben reconhece a voz da irmã caçula.
– Ah Giovana. – Anita encara Ben apreensiva.
– Não vou abrir. – sussurra ele, fazendo menção de lhe dar um novo beijo.
– Ela não vai parar de bater né, eu vou esperar lá no banheiro aí você despacha ela. – diz Anita o empurrando e quase correndo até o banheiro.
– Ai Ben desculpa, meu celular deixei aqui. – a ruivinha entrou se justificando. – Você tava sozinho? – ela pergunta, desconfiando já que achava ter ouvido outras vozes.
– To, porque, e a porta estava aberta você podia ter entrado. – Ben agradeceu em pensamentos o fato da menina não ter feito isso e sim batido antes.
– Não por nada, parece que eu tinha ouvido outra voz, mais nada. – Giovana justifica, apanhando a aparelho em cima da cama. – De quem é esse sapato. – Giovana indagou de imediato ao ver o par e sapatos próximos as coisas que foram derrubados por Anita.
– Sapato onde? – Ben disfarça fingindo não entender.
– Esse aqui, de salto alto, acho que do Marcelo ou teu, não é né. – a garota da risada.
– Não sei, deve ser alguém que deixou aí, não vi não. – ele garante.
– Ah bom to indo, tchau, Júnior tá me esperando, ou daqui a pouco vai embora sem falar comigo. – ela diz.
– O bando de gente curioso viu, vou te contar. – Anita resmunga deixando o banheiro e voltando ao quarto.
– Dá próxima vez que você resolver se esconder, não perde o sapato não Cinderela, melhor. – Ben propõe debochado.
– A Cinderela pro teu governo perdeu um sapato só tá, e não os dois. – Anita devolve séria, tirando o objeto da mão de Ben.
– Hey aonde você vai agora. – Ben pergunta confuso, ao vê-la calçando os calçados com ligeireza.
– Lá pra baixo, perdeu a graça. – Anita declara tentando dar um jeito nos cabelos bagunçados.
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– Vitor, por favor, para de loucura. – Clara corria atrás do namorado, que insistia em fugir do assunto. – Você tava fazendo uma tempestade em uma como d’água sabia. – amenina alega.
– Ah sim, na boa Clara não enche, me deixa sozinho, eu não estou bem, realmente. – ele confessou, parando para conversar em um rompante.
– Não acredito, você tá aí todo estressado, e por um problema que não é teu. – a garota diz pasma com a reação do namorado.
– Ah desculpa Clara, mais você não vai entender mesmo, não é a tua família. – contrariou Vitor sem a menor paciência pra tocar no assunto.
– Gente vocês ainda tão brigando por isso. – Giovana tenta interceder.
– Sabe Gio, eu não sei por que eu ainda fico com teu irmão, esse namoro já devia de ter acabado há muito tempo. – afirma Clara em tom de decepção.
– Ah não, aí você tá apelando. – quis garantir ele. – O fato aqui é que a Anita e o Ben, continuam dois egoístas que sempre pensam só neles, e a Vera hein, meu pai como ficam nisso, toda família que tem que lidar sempre com o estrago que eles provocam, pelo visto uma vez não foi o suficiente, eles continuam querendo mais é ver o circo pegar fogo. – declarou exasperado. – São dois inconsequentes mesmo, e ainda pagam pose, cheios de moral pra cima da gente, tá na cara que eles tão se pegando de novo, e a troco de que, pra nada né. – supôs o garoto irritado.
– Jura Vitor, e porque não me disse. – Anita o confrontou nada amigável, quando vinha no corredor e ouviu parte da conversa, o que foi suficiente para que ela entendesse absolutamente tudo que acontecia.
– Eu não vou retirar o que eu disse Anita. – Vitor retrucou sem medo algum de retaliações.
– Anita bora lá em baixo, a gente precisa falar. – Marcelo procurou interceder de alguma forma, ao perceber o olhar irado de Anita aos três.
– Espera Marcelo, só um segundo. – Anita se manteve irredutível.
– Sem dúvida é muito mais fácil julgar, olhar e assim tirar conclusões por conta de uma simples casca, a moldura de alguém, agora realmente, saber de fato o que cada pessoa trás dentro do coração, e a forma como cada um reagiria a uma situação de verdade... – Isso sim, é a coisa mais difícil do mundo. – proferiu ela de forma rígida. – Se o teu piti é porque me viu dançando com teu irmão, eu vou só te dizer uma coisa, eu sou dona da minha vida, e ninguém tem absolutamente nada a ver com ela, eu faço o que eu quero, na hora que me dá vontade, não vai ser você e nem ninguém que vai agora me dizer o que eu devo ou não fazer. – taxa ela arbitraria.
– Eu disse o que eu penso Anita, não vou ser mentiroso agora. – Vitor respondeu diante olhares pasmos de Giovana e da namorada.
– Ok, eu também. – Anita não se importa. – Eu devo ser egoísta mesmo Vitor, em muita coisa, todo mundo erra, mesmo não querendo, faz parte do curso natural das coisas. – ela não esconde. – Mais quando eu amo, eu amo de verdade, eu sou capaz mesmo de fazer qualquer coisa pelas pessoas que eu amo, pra ver elas felizes, mesmo que isso não implique exatamente na minha felicidade, que não seja do meu agrado, ao contrário que esse fato seja o motivo da causa da minha infelicidade, família também é isso. – declarou ela, sem esperar uma resposta apenas virando as costas e saindo com Marcelo.
– Eu tive sorte, se eu tivesse colocado bebida nessa festa, e enchido a cara um pouco que fosse, a guerra tinha acabado de começar, só que com dois lados perdedores sabe. – percebeu Anita chegando ao lado de fora com o garoto.
– Cara parece que todo mundo se apoia nessa casa, mais porque isso então Anita. – Marcelo tenta entender ao se ver confuso. – Se ele falar alguma coisa. – ele indagou receoso.
– Eu não sei Marcelo, acho que eu sempre dei apoio sabe, eu não percebia que na maioria das vezes eu não recebia, até o Ben aparecer na minha vida. – Anita diz dispersa e atordoada, observando a rua pouco movimentada. – Você não vai falar pra ele tá. – pediu.
– O que não é justo. – afirma Marcelo descontente.
– Você conhece o Ben tanto quanto eu, isso não ia acabar bem Marcelo. – alega Anita insistente.
– Bom nesse ponto, eu tenho que concordar, o que aquele ali tem de calmo, mais também quando se irrita o mundo é capaz de cair na cabeça de qualquer um, até de quem não tem nada a ver com a história. – ele entende.
– E aí o que eu houve. – Serguei questionou chegando até eles depois de Anita o chamar através de Marcelo.
– Eu vou deixar vocês falarem. – especulou Marcelo.
– Valeu. – Serguei agradeceu com um sorriso simpático.
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– Você sumiu. – acusou Ben adentrando ao quarto e vendo Anita fuçando no guarda-roupa de forma impaciente.
– É, de vez em quando, lugar agitado assim, eu preciso sair pela tangente, ou faço besteira. – Anita afirmou de forma bem-humorada, numa tentativa falha de esconder sua tensão.
– Ah sei. – ele se aproximou sorrindo desconfiado. – Resta saber se você fugiu de todo mundo, ou só de mim mesmo. – Ben perguntou direto.
– Ah Ben não né, você não vai vir agora com crise existencial, não hoje. – Anita retruca impaciente.
– Ok, eu só to falando isso porque você saiu correndo praticamente depois que a Giovana teve no quarto e interrompeu a gente. – explica ele, também sem animo para uma discussão.
– Talvez eu tenha mesmo aproveitado a interrupção dela, pra sair antes que a gente fizesse besteira, e ficasse se culpando depois, essa casa não é nossa Ben, mesmo que pareça. – ela diz em um tom agitado.
– Bom você é que tá falando que a gente iria fazer besteira, eu não preciso concordar. – Ben zoou brincalhão. – Você tá fazendo a mala pra que. – ele indaga ao percebê-la andando de um lado pro outro.
– Não, Ben você esqueceu que eu perdi minha mala, e por tua causa não é, fiquei pensando tanto se embarcava ou não naquele avião, que perdi completamente a noção. – Anita acusa risonha. – Eu vou dormir na casa do Serguei, ele me convidou, a Flaviana viajou pra ver a Sofia, e ele tá sozinho, aí me convidou pra gente colocar o papo em dia, desde que eu cheguei aqui a gente mal conversou, também aconteceu tanta coisa nesses últimos dias ,não é. – Anita se explica. – Ah não Ben, você não vai vim com aquele papo, de que um cara e uma garota não podem ocupar o mesmo espaço, sem segundas intenções, melhor nem explica, eu não sou esse tipo de pessoa e muito menos o Serguei. – ruboriza ela, se atrapalhando enquanto colocava algumas coisas dentro da bolsa, juntamente com uma muda de roupa.
– Eu não falei nada tá bom. – Ben ri.
– Melhor assim mesmo, porque eu já ouvi muita coisa pesada nessa vida, agora se vier de você é melhor nem pensar né. – Anita falou categórica, mas sem perder a calma, vestindo rapidamente , um casaco de moletom branco, por cima da blusa e calça jeans. – E antes que você acuse, isso não foi uma acusação, está mais pra um desabafo feito na hora errada...
– Hey, porque você tá assim? – Ben intercede tocando de leve no braço dela.
– Assim como? – Anita o encara prestando atenção na face de Ben por um segundo.
– Assim, agitada, nervosa, parece que tá com vontade de empurrar o mundo, mais só tá evitando porque sabe que pode fazer bobagem e se arrepender. – ele desvenda. – O que mudou hein. – perguntou ele preocupado, antes de Anita se desvencilhar continuando calada.
– Nada, ou tudo. – Anita riu sem saber se expressar, ou talvez ela não quisesse... Ou o que ela diria, devaneou por segundos. – Olha não é nada com você... – Ou sempre é com você, bom se você não estivesse aqui, não... – ela afirmou em confusão com total nervosismo. – Não, é eu to ti confundindo, me desculpa, e estou me confundindo também. – ela encerra pra respirar, quando percebe o olhar estranho de Ben parado a sua frente a fitando.
– Ok mais, amanhã a gente se vê. – indagou Ben, prendendo a atenção de Anita enquanto a lança um sorriso.
– Eu não vou sumir. – ela prometeu terna. – Ok, às vezes isso soa pra mim como uma necessidade, que eu não posso ignorar, admito. – Anita se aproxima, quando ele parece lhe destinar uma expressão incrédula pelo fato prometido. – Mais eu aviso, aviso... – Pelo menos pra você. – Anita garante, pausando a mão no rosto dele. – Agora deixa eu ir, né porque, Serguei já deve estar impaciente com minha demora. – anunciou ela, enquanto o via calado, apenas olhando fixamente para sua mão direita, que ele segurava.
– Infinito, duplo infinito. – pronuncia ele com um ar desatento, enquanto olha para a mão dela, e se refere a um dos três anéis em seus dedos. – Por quê?
– Porque eu ainda não desisti de tornar alguma coisa na minha vida eterna, pra sempre. – fala ela em tom brincalhão, como se quisesse esconder que fosse sério. – Eu vou indo. – afirmou a garota, lhe dando um selinho demorado como forma de se despedir.
– Tchau. – se despede Ben, a vendo apanhar a bolsa e sair com o par de sapatilhas em mãos para calçar.
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