Notas iniciais
Outro capítulo!!

– Então quer dizer que além de exagerar na comida. – Anita proferiu no momento que eles se afastavam, ofegantes. – A gente perdeu o também o juízo. – disse ela estampando um sorriso divertido nos lábios, encostando sua testa na Ben novamente.

– A gente nunca teve. – ele sussurrou brincalhão ao ouvido dela.

– Fala por você não por mim. – Anita deu uma leve risada a ele se perdendo a olhar em seus olhos.

O silêncio se instaurou entre os dois, que continuavam próximos, parecendo apenas quererem ouvir os compassos de seus corações e suas respirações nervosas, que demonstravam toda tensão que os acompanhava. Ben deslizou a mão pelos cabelos dela, parando em sua cintura a trazendo ainda mais para perto de si, Anita parecia não recuar, os dois apenas sentiam o calor de seus corpos se misturarem, o que só abriu espaço para um novo beijo com intensidade.

– O que nós vamos fazer agora. – questionou ele entre sorriso e um tom de voz baixo, roçando seu rosto ao dela.

– Terminar de arrumar a bagunça que fizemos. – Anita riu debochada, gesto que foi também dividido com Ben, eles trocaram um olhar alegre, e se envolveram em outro beijo

– Porque mesmo a gente vai perder tempo com palavras... – proferiu ele, constatando que sua necessidade de respirar não era o principal, a envolvendo em um novo beijo que trazia uma urgência saudosa, que continha espera. A espera que não era só de longos dias, semanas, meses e anos, ela se resumia em mais que isso, se resumia em um tempo, uma distância que nenhum dos dois sabia explicar, era algo que os faziam viajar para outra dimensão, um lugar onde só restavam uma Anita e um Ben que queriam um ao outro, como se aquele fosse o único desejo que os levaria até um caminho de felicidade, dois jovens que dividiam saudades, e uma paixão que era capaz de os levar a qualquer lugar, de os fazer cair de um abismo sem se quer que os dois se dessem conta disso. O que só os dois se deram conta dentro de si mesmos, é que aquela sensação de alegria e leveza plena, não era resultado de uma simples atração, de dois corpos que se compreendiam e se completavam como nunca sentiriam com outro alguém, era mais que isso, era a brasa de um amor que acordava, um amor adormecido que voltava a se acender e queimar, um amor que despertava os sentimentos que os dois lutaram contra tantas vezes, dentro de si mesmos para combater, aquele amor que seus corações deixaram esquecidos, os fazendo ter a certeza em suas mentes que ele não existia mais, os fazendo perder até a certeza, de como era viver aquele sentimento até a última fagulha que permanece acessa, se tornar cinzas. Uma voz rompia o silêncio de seus corações, voz essa que acordava seus sentimentos e os mostravam uma nova direção a seguir, a direção que eles tinham que trilhar juntos como se nada mais importasse.

– Por quê? – confrontou ele, separando seus lábios dos dela.

– O que? – Anita devolveu a pergunta confusamente, junto a um sorriso abafado com o rosto próximo a nuca dele, no segundo que ele a abraçava.

– Porque Anita? – Porque isso. – repetiu ele, ajeitando uma mexa do cabelo dela. – Porque nossas vidas se cruzarem dessa forma, pra tudo dar errado, esse era o grande propósito, que alguém ou o além queria da gente. – exclamou Ben, respirando fundo em meio a seu nervosismo, apenas sentindo o perfume dela, que lhe trazia uma sensação de paz. – Era só coincidência? – se perguntou enquanto Anita continuava muda. — Não é possível que fosse só isso, se fosse assim, porque o encontro de Miami, nós já iriamos nos cruzar, se foi pra ser assim, do jeito que foi tinha que ter um propósito. – ele especulou com emoção, enquanto o olhar cabisbaixo de Anita, só se enchia de lágrimas, inundadas de alivio e certa angustia, acumuladas a cada dia.

– Se for assim, porque o motivo de você ainda estar aqui na minha frente. – expressou Ben, atordoado por sua falta entendimento daquilo tudo. Ela teve certeza que queria Ben de volta, queria de um jeito que ela nunca admitiu, em parte pela solidão que mexia com seus pensamentos em um dia de incertezas e escuridão, nos momentos perdidos que a faziam querer saber exatamente onde estava Ben e aquele amor indescritível que os unia. Em simplesmente se olhar ao espelho se perguntar quem era? Onde estava aquela garota por trás de sua alma? Aquela que sonhava, acreditava no amor e tinha esperanças. Talvez hoje, ela só corria atrás do tempo, procurava um caminho, que nem sabia qual era, procurava algo que tinha se perdido juntamente com suas decepções e medo, que tinha sido tirado de si, sem que ela soubesse impedir, Anita sentia falta daquilo tudo, sentia falta daquele amor, sentia falta de Ben.

– Você seria capaz de me amar, mesmo depois de tudo que eu fiz. – balbuciou ela, levantando o olhar para encará-lo, com um enorme medo e insegurança de não ouvir algo que a fizesse ter esperanças de desfazer os nós e maus entendidos criados pelo tempo e a distância que os separou ainda mais.

– A culpa não foi tua. – respondeu Ben, em uma mistura de emoção e medo que vinham junto com as lembranças que invadiam seus pensamentos. – Se a gente for pesar tudo direitinho, eu errei muito mais que você, muito mais. – ele se acusou, sem voz que tivesse forças o suficiente para não deixar toda emoção lhe guiar.

– Mais eu fui embora. – Anita retrucou quase aos prantos, era alivio ou dor, nem ao mesmo sabia, ela só conseguia chorar,

– Eu te deixei partir. – disse Ben enlaçando as mãos nos cabelos dela.

– Eu não ouvi as tuas desculpas, eu não consegui Ben, eu fui me sentindo tão humilhada, tão pisada que... – Anita fechou os olhos por um segundo em desespero. – Que no final daquilo, no final eu... – Eu já não sabia mais quem eu era, eu só vivia com tudo de ruim que eu semeie e colhi diante daquilo tudo. – desabafou ela enxugando suas lágrimas. – Foi o golpe de misericórdia, um filho da Sofia, e daí que não era real no final, pra mim foi real, foi real tudo que eu ouvi por causa daquela história, não era recalque, nem mágoa, foi uma tristeza, um sentimento que eu não consegui lidar, eu me vi perdendo você de novo, e se eu tivesse que ficar, naquele momento, pra te perder de novo. – falou uma Anita tomada pela melancolia. – Eu não ia conseguir mais me reerguer, eu iria perder o sentido da minha vida, não ia dar pra mim não depois de tudo que já tinha acontecido, eu era imatura talvez, me vi sem ninguém que pudesse realmente me ajudar a lidar com tudo, mas foi o que eu senti, talvez hoje eu não fizesse isso, não sei, mais ali naquele momento não deu, não deu, eu fui fraca. – confessou ela, compartilhando do olhar triste de Ben.

– Eu... Antônio, ele, podia ter te matado Anita, ele quase te matou, eu não ouvi, eu não acreditei quando você disse que ele estava vivo, talvez era mais fácil achar que não, que não tinha mais essa de novo na nossa vida, não sei. – Ben nunca achou que tivesse coragem para tocar em tal assunto de novo. – Eu não te ouvi, fiquei pirando por conta das loucuras da minha mãe e da Sofia. – lamentou Ben, o medo que sentiu de perdê-la.

– Eu fui tola, mais uma vez, eu subestimei o Antônio, a culpa não foi tua, quando eu descobri que o Palhares tinha embolsado todo dinheiro do assalto, e o Antônio voltava a me perseguir, claro que não dava pra eu resolver sozinha, eu agi errado não foi culpa de ninguém. – quis garantir Anita, ela tinha ido ao encontro do garoto sozinha, ela achava que podia resolver, só não contava que Antônio fosse a sequestrar antes do horário combinado, e a fazer compactuar mais uma vez com seus planos insanos.

– Quando eu soube o que houve, eu acho que eu desejei uma coisa que eu nunca pensei que fosse pedir um dia. – confidenciou Ben angustiado. – Quando meu pai foi me contar que tinham te levado pro hospital, eu não sei nem o que eu senti Anita, foi só um desespero que parecia que iria me enlouquecer conforme os segundos passavam, eu só pensava em trocar de lugar com você, pela primeira vez em toda minha vida, eu desejei morrer, do que te ver naquela situação. – admitiu ele agoniado. – A minha única recompensa nisso tudo, foi que quando você foi embora, foi saber que você estava bem depois de tudo, se tivesse acontecido alguma coisa mais séria com você ,eu tinha morrido, não iria sobrar animo pra recomeçar Anita, não me iria sobraria forças pra reconstruir nada, não dava pra conviver com a hipótese de que alguma coisa tinha te acontecido. – declarou o rapaz, segurando firme a mão dela, parecia que ele precisava da confirmação, que Anita estava ali na sua frente inteira apesar de tudo.

– Não diz isso, não foi culpa tua, eu me arrisquei, sou eu. – Anita tratou de desmenti-lo, já que o aperto em seu peito pelas confissões do garoto era insuportável, a única reação dele foi abraçá-la, com toda força que encontrou, mesmo que seus movimentos fossem prejudicados pela sensação trêmula que o nervosismo de reviver tudo aquilo lhe causava.

– Eu sei, mas se eu tivesse ficado do teu lado. – argumentou Ben, ainda se rendendo ao abraço que parecia levar parte de suas angustias embora.

– A gente fez o que pode um pelo outro, até o momento que a gente conseguiu. – ela deu um sorriso sereno como resposta, quando sentia ele a mexer com leveza em seus cabelos, ajeitando os fios para o lado oposto que ele repousava sua cabeça, com Ben constatando que as marcas, daquele dia de pânico Anita ainda carregava consigo, parte da cicatriz ainda ocupava o auto da nuca de Anita, sendo escondidas por fios de seu cabelo, fazendo que os dois tivessem certeza que o passado não era algo tão distante, pelo menos uma ponta dele ainda era visível, e não os fazia achar que tudo era tão surreal, quanto os parecia quando ambos tocavam no assunto.

– Eu não me lembro de muita coisa, daquele dia. –admitiu Anita, se afastando dele, enquanto enrolava seus cabelos, dispersa. – Quando eu bati com a cabeça, eu desmaie, não sei se o Antônio fugiu ou tentou me socorrer, já que ele queria tanto me levar com ele. – ela foi capaz de rir do jeito obsessivo do garoto, via uma tensão tão confusa nos olhos de Ben. – Quando eu cheguei ao hospital, eu só escutava de um jeito estranho, minha mãe dizendo pro médico que eu tinha batido a cabeça, e que tinha perdido muito sangue, aí eu devo ter apagado de novo, depois eu já tava no quarto, acordei vendo minha mãe e o Ronaldo com cara de velório, foi com certeza o dia mais doido da minha vida em todos os sentidos. – revelou ela.

– Pois eu lembro mais do que eu gostaria Anita, minha vontade foi matar o Antônio, quando o Hernandez veio me dizer que ele tinha sido preso. – Ben confidenciou desapontado.

– Não foi tão ruim assim, acho que vocês ficaram com a pior parte, a espera. – riu Anita, tentando desfazer a cara preocupada de Ben. – Quando eu comecei a perceber do que o Antônio seria capaz, eu tive a certeza que só afastando vocês, eu teria paz Ben, eu entendi que era mais fácil pra mim viver aquele horror, mesmo que sozinha do que ver você ou qualquer outra pessoa da nossa família vivendo qualquer perigo ou machucada. – ela disse deixando uma lágrima rolar por seu rosto.

– E você foi muito maluca por isso. – Ben rebateu sorrindo de leve, passando as mãos por seu rosto objetivando cessar um pouco de seu nervosismo. – E corajosa, até demais não é. – afirmou ele em um tom carinhoso. – Mesmo assim eu preferia que nada disso tivesse se dado. – garantiu.

– A gente é mais forte do que você imagina, você sabe disso. – ressaltou ela, saindo de perto da mesa e vindo ao encontro dele.

– Eu acho que eu não seria capaz Anita. –se pronunciou ele mais calmo.

– Do que hein? – ela perguntou sem compreender.

– De te amar... – Não foi isso que você me perguntou. – Ben justificou e ela apenas assentiu.

– Então... – Anita murmurou paralisada com o que ouvia.

– Eu não sou, por que. – ele sorriu. – Eu não preciso voltar a te amar. – Ben por momento viu toda coragem e pose da garota se desfazer diante de si, como em muito tempo não via, Anita tão sem defesas. – Simplesmente porque, no fundo eu nunca deixei de te amar, esse sentimento também faz parte do que eu sou hoje, de tudo que um dia eu aprendi com você, eu o transformei em animo pra seguir em frente, talvez, ele é parte de mim, o que a gente viveu se transformou em algo distante de nós, mas também em um amor que... disse ele com a voz firme, fazendo uma pausa para encarar a garota – Nunca morreu de verdade, e o dia que esse sentimento deixar de existir dentro de mim Anita, eu vou deixar de existir, viver, de pensar que mesmo com mundo do jeito que é, eu posso mudá-lo, encontrar meu espaço dentro dele. – Todo amor que eu dediquei a você, vai sempre fazer parte de mim, da minha vida. – E a verdade é que, por mais absurdo que isso soe, nunca ninguém vai conseguir ocupar o lugar que eu cativei pra você dentro de mim, foi meu coração que decidiu isso, desde o primeiro olhar que a gente trocou, isso se fez lei, e o que a gente viveu, vai continuar existindo nas nossas mentes, pode vir outra pessoa, e a gente achar que é igual, mas aquele sentimento especial, puro e sem nenhuma cobrança que unia nós dois, mesmo assim vai estar ali no mesmo lugar, você não vai sair dizendo isso por aí, assim como eu nunca fiz, mais pra gente, um pro outro a gente sempre vai ter certeza. – encerrou ele, diante de uma Anita paralisada emotiva, que parecia se perguntar se aquilo estava acontecendo e se era tão real quanto parecia.

– Uma vez eu ouvi de um professor, o único brasileiro que lecionou pra minha turma que... – proferiu ela, parecendo finalmente manifestar-se, depois da longa e emocionada confissão que Ben havia feito. – Que... – A gente pode ver a vida trazendo à gente, uma única coisa que sempre vai ter uma mesma reação, não importa o tempo que seja, que basta em repente pra nos vermos mergulhados em lembranças que nos espetam e nos convidam para revivê-las, que são aquelas lembranças que a gente não compartilha, são lembranças do coração, da alma. – concluiu a garota emotiva. – Se é assim, sem dúvidas, você é uma lembrança boa, que ficou entre recortes de risos vividos e momentos inesquecíveis. – declarou Anita, o olhando fixamente, Ben só soube ter o gesto de beijá-la com delicadeza e nenhuma pressa.

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– E agora, a gente faz o que? — indagou Ben durante os beijos e caricias que trocava com Anita ao sofá da sala da casa dos pais.

– E eu é que sei. – a garota riu apenas. – Você pergunta justo pra mim, o dotado de soluções, nessa relação sempre foi você, não eu. – brincou ela um tanto irônica.

– Ah tá, muito sábia essa tua resposta. – Ben devolveu com exagero, se parando a olhá-la que se encontrava com a cabeça escorada em seu braço.

– Você quer eu diga o que hein, me fala. – Anita o encarou com desconfiança.

– Eu nada. – ele mexeu o ombro indiferente à pergunta dela. – Eu só acho que é melhor eu te confrontar agora, do que amanhã por exemplo, vai que você acorde com amnésia. – disparou o rapaz entre risadas.

– Eu Ben. – Anita saiu dos braços dele para encará-lo com ar de incrédula. – Deixa eu ver, você me persegue, me provoca, me beija, depois me acusa de estar te usando como passa tempo. – devolveu ela com maior sinceridade que podia ter. – E sendo assim, a que esquece de tudo, sou eu. – perguntou ela séria. — Realmente ou o mundo me interpreta muito mal, ou a doida sou eu, sem tirar e nem pôr. – imaginou Anita.

– Vamos combinar, que tá em você Anita, você não adquiriu com o tempo não, acho que já nasceu com, faz parte do teu DNA, você adora colocar uma pedra em um assunto quando jamais daria pra fazer isso. – esclareceu ele sua colocação.

– Ah ótimo, já fui acusada de tantas coisas, arrogância deve ser mesmo meu segundo nome. – Anita maneou a cabeça demonstrando indiferença.

– Não distorce o que eu falei ok. – o garoto não resistiu em rir. – E quanto a te provocar, te perseguir ou não. – exclamou Ben.

– Hum o que tem. – ela fez gesto que ele prosseguisse.

– Eu admito que, te provocar não é algo tão difícil, principalmente quando você acha que eu to errado, mas não vem fazendo o papel da santa também, porque teu esporte favorito, nesses dias todos tem sido soltar indireta na minha direção principalmente na frente do meu pai e da Vera. – Ben devolveu a implicância. – E quanto a te deixar ou não, é melhor a gente nem entrar nesse assunto porque você sabe o motivo. – ele alegou, se referindo ao namoro de Anita.

– Tá bom vai, eu confesso que tua cara de insatisfeito era melhor do que, sei lá, correr na chuva, era uma ótima diversão. – disse Anita contendo o riso com as mãos aos rosto.

– Você tem mais alguma coisa escabrosa pra me contar porque eu não. – ele zombou irônico.

– Tenho, eu ataquei a Amanda no dia da festa de propósito, só que acabou dando errado não é, se eu queria que você ficasse a festa inteira sem ninguém, eu não devia de ter ido atrás de você e me trancado no quarto, aí deu errado. – afirmou Anita descarada.

– Só você, se atrapalha, até quando busca vingança não é. – Ben ficou a rir, das atitudes desajustadas dela.

– Ah e tem mais viu, eu alfinetei a coitada sem dó e nem piedade a festa inteira. – confessou ela, sentando de lado para encará-lo.

– O que faz de você, com certeza, uma menina muito má. – caçoou ele.

– Eu nunca te disse que eu não era. – Anita não ligou, sorrindo apenas.

– Ah é. – ele riu somente, estendendo o braço em volta da cintura dela a fazendo vir para perto de si novamente.

– Ahan. – confirmou Anita debochada.

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– Então só me resta te desejar boa noite, não é. – Anita disse, parando no corredor à medida que chegava em seu quarto.

– Boa noite. – sorriu ele escorando-se a parede. – E como eu sou muito prestativo, posso te conduzir até teu quarto com um beijo. – afirmou ele estendendo a mão até ela e a puxando.

– Ah gente, que gentil ele. – Anita repousou as mãos sob o ombro dele, a sorrir com ironia.

– Claro. – Ben sorriu, entrelaçando as mãos aos cabelos dela e a conduzindo até a porta do quarto em um beijo empolgado.

– Você só errou numa coisa. – Anita bateu as costas na porta, de um jeito impaciente a medida que procurava o ar.

– Em que? – perguntou ele fingindo não entender.

– Essa porta aqui. –disse ela apontando para atrás de suas costas, é a do quarto que você divide com o Marcelo, o do meu fica pra lá né. – gesticulou a menina com cara séria.

– Ah bem lembrado. – Ben riu, recebendo um tapa no braço como resposta.

– Muito esperto você né, só que não. – Anita dissimulou.

– Não, não entendi, o que você tá achando Anita. – ele respondeu

– O que eu to achando Benjamim. – Anita afastou os fios de seu cabelo do rosto nervosamente, ele apenas parou a visualizar os movimentos da garota. – O que você tá achando não é, se teu grande plano era que eu dormisse com você, esquece. – Não vai rola. – disse ela lhe dando um beijo apressada.

– Eu, eu nada, e qual o problema da gente dormir junto Anita. – Ben implicou pedindo uma explicação de forma debochada.

– Ai que ridículo. – a garota fez que se ofendeu. – Olha aqui você... – esbravejou ela, empurrando Ben até que ele a soltasse.

– Eu disse dormir, fechar o olho e dormir, vai que você sente falta de alguém do teu lado, já que a Meg não tá aí hoje. – Você que tá pensando outra coisa. – ele só conseguia rir.

– Óbvio, o que foi que eu disse. – retrucou Anita entre gargalhadas. – Mais só pra você saber, até só pra isso, vai precisar mais que um jantar cordial, pro resto então tá complicado pra você. – zoou Anita.

– Então tá né, pelo menos não saí por aí dizendo que eu não tentei. – contrariou ele com um sorriso sacana.

– Para com a palhaçada vai, preciso ir mesmo, a gente já extrapolou por hoje. – alegou Anita encerrando a falação sem rumo dos dois. – Boa noite. – ela desejou novamente se aproximando para beijá-lo.

– Ótima noite pra você. – disse Ben de volta. – E só pra você saber, eu já imaginava que a tentativa seria falha. – confessou ele, acariciando os cabelos dela.

– O que só faz de você, um tremendo bobão. – ela gargalhou, enroscando os braços do pescoço dele para um beijo carinhoso, antes de ir dormir.