Encontros, desencontros e novos encontros
74 Capítulo 74:
– Você é muito convencido. – Disse Meg, sentido certo desconforto com os olhares que Marcelo a lançava, enquanto os dois conversavam em um canto afastado perto a cozinha.
– Não, sou só realista. – Garantiu o garoto.
– Ah sei. – Ela o fitou em total ironia.
– Quer vê. – Falou ele travesso.
– Vai adiantar dizer que não. – A loira acabou rindo.
– É você já entendeu que não. – Respondeu Marcelo, se aproximando dela, e lhe envolvendo em um beijo calmo, que a garota não hesitou em consentir.
– Ah Ronaldo tão lindo todos reunidos. – Vera expressava ao marido a felicidade de ver toda família reunida, enquanto via os filhos felizes na sala.
– É eu também to feliz baixinha, acho que se dependesse de mim, essas casa seria sempre assim com festa todo dia. – Expos Ronaldo inebriado pela alegria da esposa.
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Minutos depois...
– Anita eu posso saber o que você faz. – Meg entrou no quarto repreendendo a garota. – Ai jogada, nessa cama em plena festa. – Cobrou ela, alguma explicação que fizesse sentindo. – Hein...
– Ai Meg, eu to só tentando organizar as minhas ideias, que estão pra lá de misturadas. – Anita justificou em confusão total. – Depois de... Ah esquece vai. – Disse a garota desistindo de explicar.
– Sei não hein. – Falou Meg sentando na poltrona de frente para ela. – Você ai, meio descabelada, maquiagem desfeita, vestido meio amarrotado. – A loira visualizou. – O que foi, que ouve com o Ben. – Questionou a loira bastante curiosa. – Não né, porque segundo o Marcelo ele também andou desaparecido. – Alegou risonha.
– Mais do que deveria talvez e com certeza bem menos do que você tá imaginando, não é. – Anita rebateu, se sentando em posse de uma almofada em mãos.
– Anita na boa, essa situação tá ficando cada vez mais doida sabia. – Meg disse verdadeira. – Na real eu não sei o que você tá esperando pra assumir toda verdade, o que te prende em não descer lá em baixo agora e falar tudo que você tá sentindo pelo Ben, comprar essa ideia, assumir o que você sente. – Perguntou ela, tentando entender.
– E me diz você, qual será a verdade nisso tudo, porque às vezes e juro que eu não entendo muito. – Anita confessou um tanto perturbada.
– Que você ama o Ben, e que talvez isso esteja muito a cima de qualquer desejo teu. – Respondeu ela, não pensando em poupar Anita, do que ela realmente pensava.
– Ah Meg. – Anita murmurou, sentindo uma sensação estranha se instalar.
– O que você tá esperando mesmo pra assumir isso de uma vez, bancar essa relação, mesmo que ela se torne desastrosa no futuro. – Indagou ela, impedindo que a garota fugisse de uma resposta.
– Não sei, eu bem que tentei não é, mais o Ben tinha que vir e jogar uma pá de cal em cima de mim. – Anita afirmou. – E eu já fiz isso uma vez, né, uma não, uma, duas, três quatro, cinco, mil vezes, só que como sempre eu acabei foi quebrando a cara. – Confidenciou ela mesmo confusa com seus sentimentos. – E na real, eu não sei se se eu estou afim de me arriscar tanto assim, porque ai tudo vai por correnteza abaixo um belo dia. E o que sobra? Perguntou-se. – Eu, numa pior, e eu acho que eu não tenho mais vocação pra isso. – Afirmou ela. – E de verdade isso pode acontecer até antes das minhas teorias se firmarem, só o Ben começar a perceber, de que aquela garota boazinha e cheia de princípios que achava que o mundo podia sim, ser cor-de-rosa, não existe mais. – Argumentou Anita.
– Você já parou pra pensar que talvez, não é só você que mudou, não que eu concorde com isso que você falou. – Retrucou à loira.
– Meg, eu não sou mais a adolescente tolerante que um dia eu fui, e jamais voltaria a ser com certeza, eu mudei, eu amadureci, e infelizmente eu passei a perceber, o quanto as pessoas podem ser dissimuladas e sem caráter, nas circunstancias menos cabíveis possíveis, a garota que tudo entendia que dizia amém pra tudo, que abria mão da própria vida pela felicidade dos outros, com certeza não faz mais isso, a verdade é que eu posso ser bem cruel e egoísta quando eu quero, principalmente quando se chega ao ponto que os outros passam a ignorar as minhas próprias vontades e desejos e jamais eu vou passar admitir que o Bem, agora me venha dizer o que eu sou ou deixei de ser e pior passe a achar que eu vá mudar por isso e a me criticar. – Anita falou taxativa.
– O que eu acho? – Disse ela. – Que você tá sendo um pouco injusta com você, isso sim, Anita você é uma pessoa maravilhosa sim, você jamais vira as costas pra alguém, de alguma forma você ajuda, você tá aqui, você só veio nessa viagem pra fazer a alegria da Vera e do Ronaldo e também dos irmãs, mesmo sabendo que isso poderia não te fazer nada bem. – Meg alegou. – Na verdade, você pegou pra ti todas as alegações do passado, quando as pessoas passaram a achar que você foi egoísta e impulsiva, quando você se enfiou naquele monte de encrencas, por conta de tudo que houve com você, todo mundo te julgou, simplesmente porque não entendeu, que não era só porque você era uma pessoa de bem com a vida, que você não tinha o direito de perder o rumo, mas mesmo assim você tinha o direito de se revoltar e pensar em você, no teu sofrimento, que não tinha como tudo passar, aquilo passar sem deixar uma cicatriz em você.. – Afirmou ela expondo seus pensamentos. – Na boa você esta sendo injusta com você, você aprendeu a ser forte o que talvez, faz de você insensível as vezes, já que não qualquer bobagem que vai te abalar mesmo que te sensibilize. – Disse a americana.
– Talvez a tua teoria tenha um fundo de verdade, mesmo que remota, mais a questão é que o Ben vai quebrar a cara se ele esta pensando que vai simplesmente resgatar um amor do passado e nada mais, ai mais quer saber eu também to nem aí, a algumas coisas que já passaram o tempo de serem concertadas e continuaram assim, não é agora que eu vou ficar preocupada se sim sou não, que eu tenho problemas e distorções na forma como eu ajo. – Anita disse cansada pelas próprias indagações.. – Ai acho, que eu vou ficar por aqui sabia, trocar de roupa, tirar esse sapato descansar meu pé, essa festa já deu o que tinha que dar pra mim. – Afirmou ela meio desanimada.
– De jeito nenhum você vai descer comigo e vai ser agora, só passar uma água no roto se recompor, da uma ajeitadinha no cabelo pra disfarçar, e a gente, desce. – Meg afirmou quase a ordenando. — Porque se você aparecer lá em baixo assim, sei não hein o povo vai achar que você andou pegando alguns dos colegas do Vitor ou da Giovana. – Meg riu.
– Para hein, para com isso. – Anita riu. – Você tá proibida de fazer alguma tipo de piada com esse assunto, ou a casa cai de vez, não é, pro favor. – Anita alegou taxativa. – Até porque, eu posso pensar em espelhar o que você também andou fazendo na festa dona Meg. – Anita ameaçou as risadas.
– Eu não fiz nada, o que o Marcelo te falou afinal. – Ela desconfiou.
– Epa, então quer dizer que teve mais coisa depois do beijo pós tapa. – Anita rebateu curiosa
– Não. – Negou a garota. – Anita anda logo, que eu no vou te esperar a vida toda , tá legal – Meg desconversou.
– Tá bom. – Respondeu Anita não muito convencida.
– Eu tenho que admitir que esse bolo da mamãe tava maravilhoso. – Anita elogiava a mãe, alucinada pelo bolo da festa, cuja ela já tinha devorado duas fatias.
– E eu não sei, já comi até demais, e to lutando com minha consciência pra não ir lá pegar outro pedaço. – Meg admitiu. – Meu deus!
– Tava incrível mesmo, a Vera arrasa. – Julia opinou.
– Não gente mais que isso, não tem bolo no mundo melhor do que esse, por uma fatia desse bolo todo dia, eu morava com a mamãe pra sempre. – Anita confessou sorridente. – Ou seja, eu seria uma obesa permanente. – Riu de si mesma. – Mais mesmo, mesmo assim o bolo dela seria a melhor coisa do mundo, pelo menos nesse momento. – Afirmou.
– Sério! – Meg olhou para a amiga com uma cara séria. – Eu pensei que a melhor coisa do mundo tinha sido dar uns beijos no Ben. – A loira dividia risadas com Julia, enquanto Anita fazia cara de quem não gostou, pegando o pratos que estavam sobre a mesa e caminhando até a pia e os depositando, dentro da mesma bruscamente.
– Anita vem cá você não conta mais as coisas não. – Julia cobrou da garota, que parou de costas evitando responder.
– As duas querem parar de encher minha paciência, será que vocês não veem que eu to surtando já por conta disso. – Anita alegou desconfortável com olhares delas, quando virou de volta, ficando irritada.
– Ok, eu acredito. – Afirmou Meg. – Mais isso não te impedi de contar pras amigas. – Meg esboçou um semblante chateado tentando convencer Anita.
– Digamos que eu poderia dizer que foi a terceira melhor coisa do meu dia. – Confidenciou Anita fazendo esforço para afastar os momentos com o garoto que ocupavam seus pensamentos. – Mais agora chega né, as duas já fizerem a gracinha diária de vocês, vamos lá pra fora, junto com todo mundo. – Disse ela com intuito de livrar-se de mais perguntas.
– Só uma coisa, qual seria a segunda melhor coisa. – Meg questionou sorrindo debochada, não conseguindo ignorar sua curiosidade.
– Diz, por favor. – Julia falou expressando um gesto de que estava implorando.
– A segunda, seria, que eu não me arrepende disso amanhã, depois e depois, daqui a pouco. – Suspirou Anita, saindo com as garotas pela porta, que continuaram rindo alegres e a zoando.
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– Que tal se você ficasse aqui. – Marcelo pensava em formas de persuadir Meg, com o objetivo de passar mais um tempo com ela.
– Ah e a troca de que eu largaria minha vida. – Meg cobrou uma resposta sincera dele.
– Ah se você ficasse quem sabe, não terminaria tua cisma comigo. – Ele jogou a primeira coisa que passou por sua cabeça.
– Eu não tenho cisma com você, mais acontece que, sei lá você me confunde. – A loira exclamou fingindo seriedade.
– Eu. – Marcelo esboçou um sorriso surpreso.
– O senhor sim, uma hora tá cheio de graça pra cima da Anita, outra pra uma qualquer, até convidou a Anita pra um passeio paradisíaco. – Disse Meg nem ligando para o que ele pensaria.
– Ai Meg. – Marcelo não conseguiu deixar de rir. – Não sei se eu preciso, mais deixa eu explicar pra você, eu convidei a Anita pra um passeio mesmo, mais eu tenho que confessar que meu maior propósito era fazer ela conversar com o cabeça dura do Ben, que foi embora daqui, como você sabe brigado com ela, mas você conhece os dois, ou seja o tiro acabou saindo pela culatra e tudo ficou pior do que estava. – Exclamou ele. – Mais se você quer mesmo saber, eu gostei da Anita, me identifiquei, sei lá, ela é uma garota bacana, e eu tenho que admitir que essa história doida dela com o Ben, me motivou a chegar mais perto pra saber o ponto de vista dela, porque o dele, é quase uma epopeia de tantos acontecimentos malucos. – Não escondeu o garoto. – Mais eu não tenho nenhum interesse amoroso nela, e se eu tivesse minha cara, o Ben me mataria na primeira tentativa de me aproximar. – Gargalhou Marcelo, zombando do jeito enciumado do amigo que ele conhecia bem.
– Oh se ia, de verdade eu tenho pra mim que o envolvimento daqueles dois ainda vai render. – Meg não deixou de concordar em parte com ele.
– Mais eu gostei de saber que você ficou com ciúmes de mim. – Disse ele com altivez.
– Ai ridículo. – A loira riu.
– Anita admiti você tá afim também. – Julia afirmou, percebendo que a amiga se perdia em seus pensamentos e isso só poderia a ver com a confissão de mais cedo. – Qual problema, não é nenhum crime. – Julia cobrou uma atitude da amiga.
– Hãm como assim? – Perguntou ela dispersa ao despertar-se.
– O Ben, é dele que eu to falando. – Exclamou.
– Sabe, eu acho que o problema é esse, deixar o Ben com o sorrisinho da vitória no rosto, não sei se eu estou com vontade de pagar esse preço, na verdade não sei se ele merece, ainda mais depois de ter soltado os cachorros em cima de mim por conta do Gustavo. – Afirmou. – Ele iria adorar satisfazer o ego dele com isso. – Disse ela em uma voz irritada.
– Anita você tá afim do Ben e ele de você, não vai da pra evitar isso por muito tempo, vocês estão apaixonados um pelo outro, e eu nem to me baseando em nada do passado pra afirmar isso, mais eu to falando do que eu to vendo no presente, vocês estão apaixonados, pouco interessa o que realmente tá motivando esse sentimento, você tá amando a Ben Anita. – Julia firmou, não escondendo o que para ela já havia se tornado óbvio.
– Eu amando o Ben, ah não. – Anita resistiu em acreditar.
– Amiga não existe pessoa no mundo que posso ser mais correta e leal do que você, mesmo que você goste do Gustavo, e eu sei que você gosta muito. – Pronunciou Julia. – Mais você sabe que não ama ele né. – Ela afirmou encarando Anita firmemente.
– Ai Julia para de se chata, credo! – Anita tentou negar. – E desde quando existe uma forma certa pra se definir numa relação o que é amor. – Devolveu contrariada.
– Não adianta isso que o teu coração esta acusando agora, com o Ben tá sendo mais forte, mesmo que você ache inconsequente, e pense no Gustavo, Anita tá sendo mais do que você mesma quer, você tá completamente envolvida pelo Ben, você não queria ou não quer, ver isso. Achando que pode ser uma ilusão por conta do que vocês já viveram, ou sei lá, mais o caso é que vocês tá apaixonada por ele, você se apaixonou novamente por ele, talvez não pelo garoto que você amou tanto, mas pelo cara de hoje que tá te fazendo sorrir com os olhos. – Alegou a morena verdadeira, querendo fazer Anita parar de se enganar.
– E existe isso Julia, uma pessoa cair de cara, duas vezes por um cara em momentos completamente diferentes da vida dela. – Anita quis entender, totalmente perdida em tudo aquilo.
– O que você sente então. – Procurou entender a garota.
– Não sei, fica perto dele, me da uma sensação de estranheza, que eu não sei bem o que é, mas ou mesmo tempo, ai Julia, eu não consigo evitar, meu coração fica batendo no meu estômago, e eu fico estranha, descompensada, falo o que me vem na cabeça, provoco só pelo hábito, isso é amor, não e não. – Irritou-se a arquiteta.
– Você esta falando de um jeito como se nunca tivesse sentido isso por ninguém antes. – Julia riu do jeito desapontado de Anita.
– Senti, claro que senti, justamente pelo Ben, eu acho, mais eu era uma adolescente, normal que hoje eu seja mais dona de mim, mais controlada, por isso que é esquisito né, Julia quando eu conheci o Ben, eu só tinha tido o Martin como namorado, eu me apaixonei por ele no início, mas não foi igual, com o Ben foi inusitado intenso, inconsequente, sem medidas, sem nada. – Desabafou ela.
– E isso se chama, paixão, aquele primeiro sentimento que faz a gente entender que existe um amor imensamente maior nos unindo com outra pessoa. – Afirmou Julia aos sorrisos.- Mais e ele. – Indagou curiosa.
– Ele quem? – Anita retrucou confusa já sem saber como agir.
– O Ben, Anita. – Julia riu. – O que ele sente, porque eu acho que tá exatamente como você. – Especulou ela.
– Não sei, ele nunca me disse que estava se apaixonando por mim, na verdade nem dava né Julia, ele não mentiu pra mim, ele me disse exatamente aquilo que eu sentia, que gente não sabia o que rolava, só que ele me disse que também não conseguia evitar de não de se aproximar. – Falou Anita, sem conseguir entender muita coisa.
– Amiga a gente não pode controlar tudo, é péssimo quando a gente começa a perceber isso, mas é a realidade, prever o futuro e se a gente esta certo também não da, mais me diz também do que adianta insistir em encarar as coisas como elas não são, não viver o presente, se privar de tudo, pensando em não se magoar, você tem todo o direito de ter medo disso, eu não estou te julgando, mais acredita eu já fiz muito isso, e só descobrir que foi em vão e você também sabe que é, na verdade você é sim decidida, forte corajosa. – Julia aconselhou sincera. — E eu sei que você vai fazer o melhor pra você e vai ser muito feliz porque ninguém mais do que você merece. – Ressaltou Julia.
– Será? – Anita ficou incrédula. – Eu to completamente perdida Julia, mais você tem razão em tudo que você disse, eu não sou o tipo de pessoa que vive nada pela metade e sabendo disso eu sei que mais cedo ou mais tarde eu vou, me jogar desse precipício sem nem pensar em mais nada. – Previu ela. – Obrigada pela força, que você sempre me dá viu. – Anita agradeceu emotiva com um abraço.
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