Encontros, desencontros e novos encontros
66 Capítulo 66:
Notas iniciais
– O Ben, achei que você nem vinha mais. – Marcelo respondeu com certo constrangimento.
– Não vinha. – Anita ficou surpresa, olhando para os rostos de cada um deles. — Como assim? – Ela levantou-se imediatamente, ordenando com o olhar que um deles explicassem o que se passava. — Essa parte você pulou. – Anita questionou um pouco ríspida para Marcelo. – Então me explica. – Anita ordenou irada. — Ou você quer que eu desenhe pra você entender com mais clareza. – Ironizou.
– É então, então. – Marcelo gaguejou ao ver que estava numa encrenca, devido aos olhares de ambos para ele. — Eu deixei o endereço com ele. – Marcelo finalmente respondeu, receoso.
– E eu posso saber qual foi o motivo da palhaçada. – Ben indagou cruzando os braços, para Anita e a amigo. – Porque não teve graça. – Ele foi irônico.
– Jura? – Anita se intrometeu. – Porque tava tendo, e muita, mais incrível foi só você chegar que o ar ficou irrespirável por aqui. – Anita afirmou o encarando, Ben apenas balançou a cabeça como negação, sorrindo sarcástico.
– E eu não posso fazer nada, se você se incomoda com tão pouco. – Provocou. — Aliás, sempre foi assim, não é Anita. – Jogou indireta.
– É pessoal amigos, não é, paz, amor, alegria. – Marcelo quis acalmar os ânimos ao perceber, o semblante irritado de ambos, principalmente de Anita. — E acima de tudo maturidade. – Cerrou entre os dentes, Ben e Anita apenas se olharem descrentes.
– Se você quer eu cultive coisas boas Marcelo, não fica pondo essa pessoa na minha frente não, me dá indigestão. – Anita afirmou. – E eu espero que nada disso aqui tenha sido armado, ou alguém aqui vai perder a cabeça, e não vai ser eu, olha que chato. – Anita ameaçou ao desconfiar de toda situação.
– É que a Anita é uma pessoa muito verdadeira Marcelo, quase cristalina. – Disse Ben somente para irrita-la.
– Igual a você, estamos quites nesse caso, meu caro. –Anita devolveu se enfurecendo.
– Oi atenção, aqui pra mim, eu juro que eu não armei nada. – Marcelo interrompeu, achando melhor explicar. — Eu quis, quis passear com meus dois amigos, não é, o novo e a antiga, não o antigo é a nova. – Se atrapalhou ele.
– Você pode ter certeza de que a Anita, estava adorando Marcelo. – Ben rebateu incomodado.
– Gente, esse aqui, é esse aqui é o Felipe, meu primo. – Marcelo apresentou vendo o garoto se aproximar, como forma de tentar interromper a troca de farpas de Ben e Anita, que se fuzilavam com os olhos.
– Prazer. – Disse o garoto, não percebendo o que se passava.
– Muito prazer Felipe. – Anita respondeu tentando contar a irritação, despertando-se de seus devaneios em relação a Ben por momento.
– Então Ben, eu tinha te falado que eu viria aqui, aí resolvi chamar a Anita, algum problema. – Marcelo proferiu já prevendo o que viria, pois Ben não parecia nada satisfeito.
– Não, porque teria. – Disfarçou o incomodo. Minha ex, com meu melhor amigo, super normal isso. – Disse Ben fingindo que não, mas no fundo incomodado.
– Exato, tua ex, pelo menos agora você falou alguma verdade. – Anita soltou. – E quem vive de passado é museu, eu gosto de reformar coisas do passado, mais esse meu hábito fica só na minha profissão mesmo, na vida eu costumo não perder tempo com coisas que já foi, e não tem mais importância alguma. – Anita desdenhou, ao não gostar das palavras retóricas dele.
– Eu vejo, a forma como você cultiva esse hábito, Anita. – Ben fez deboche, ao perder a paciência com as afirmações dela. — Como sempre, quem mente aqui é você. – Ben devolveu sem se importar com a presença do amigo e o primo.
– Felipe, primão, vamos ali, faz tempo que a gente não conversa, né. – Marcelo achou melhor se retirar.
– Claro. – O garoto sorriu aceitando.
– Marcelo não, Marcelo. – Ela desaprovou. — Marcelo você. – Anita não conseguiu chamar sua atenção, e ele se afastou ignorando os pedidos dela.
– Que isso Anita. – Ben indagou vendo os dois já longe
– Isso o que, uma praia em uma ilha, no meu meio do mar. – Anita desconversou, sem vontade de escutar as falações de Ben.
– Eu to falando de você aqui, sozinha com o Marcelo no meio do nada. – Justificou Ben.
– Eu não te devo explicações. – Anita disse taxativa, não aprovando o comportamento dele.
– Deve e muito, principalmente quando eu te vejo as risadas com meu melhor amigo. – Devolveu ele. – A troco de que? – Me diz? – Questionou sem poupa-la. – Você tá querendo me enlouquecer. – Ben disse segurando o braço dela, para evitar que ela lhe desse as costas e não respondesse.
– E eu falei uma vez pra você, que se eu tentasse eu seria mais eficaz que a Sofia, lembra, você deveria de ter ouvido. – Anita proferiu de cara fechada, mesmo vendo que ele estava equivocado quanto a suas intenções. – E larga o meu braço, que eu não te pertenço, pra você chegar aqui achando que manda em alguma coisa. – Anita ordenou ríspida, ele bufou, mas acabou acatando o pedido dela. – Eu vou te explicar, mesmo eu não tendo nenhuma obrigação em fazer isso. – Disse ela.
– Vai eu to esperando vai demorar. – Ben retrucou, realmente querendo ouvir.
– O Marcelo me ligou, mais cedo, e disse pra ir na casa dele, eu fui, e de lá ele me convidou pra dar um passeio com ele, que eu nem sabia pra onde. – Afirmou. — Qual o problema nisso? – Anita ficou confusa.
– O problema. – Ben balançou a cabeça impaciente. – Nenhum, você usando meu amigo, pra se vingar de mim, não seria eu que tenho motivos pra fazer isso. – Ben disse desconfiado.
– Me vingar. – Ela quase gargalhou. — Do que, do fato de você ser um cara ridículo, que só entende e olha por teu umbigo. – Anita acabou se irritando por completo. – Deixa de ser sem noção, o garoto me convidou pra dar uma volta, eu aceitei. — Qual o mal que se tem nisso, eu não sou da tua laia, não Ben, se você é capaz de fazer isso, eu não sou. – Anita afirmou.
– Não, porque tava aqui as risadas com ele então. – Devolveu Ben, não se convencendo. — Numa praia deserta. – Disse ele.
– Porque as pessoas riem, são felizes, não é só porque nem tudo é perfeito que elas vivem de mau humor e de cara fechada, eu não tenho interesse nenhum no Marcelo. – Esclareceu Anita. — Não pira, não seja otário, ciúmes do Marcelo agora também, você não tá perdendo a linha não, pra quem me condena tanto . — Anita quis entender.
– Não é ciúmes. – Ben negou, ao perceber que havia algo que o consumia naquele momento. — Você seria sim capaz de se envolver com ele, e isso que você quer me mostrar, não é Anita, que você não precisa de mim, que você deu a volta por cima, o otário sou eu mesmo, nisso a gente concorda. – Ben esbravejou, ao perceber certo descaso da garota em relação a ele.
– Meu deus, você só pode ter engolido água do mar. – Anita disse irônica, pasma com as loucuras do garoto. – O que é Ben vai se decidir ou não. – Cobrou ela. – Porque uma hora você me ama e na outra você me odeia, já tá ficando chato isso. – Afirmou alterada.
– Eu não sei Anita, se você parece de me confundir tanto, ajudava sabia. – Disse Ben ao constatar que estava realmente perdido com tanta coisa. – Me prova que eu não sou um otário em ficar me iludindo com algo que não existe, como você mesma já disse tantas vezes, me fala que você seria capaz sim, de largar tudo pra ficar comigo, até esse cara aí, que você mesma disse que gosta, me fala que você não tá se divertindo com a minha cara, até dando corda pra Marcelo, só pra me provar que no passado eu errei quando te cobrei tanto que você ficasse do meu lado. – Pronunciou Ben disposto a entender.
– Você acha mesmo que é isso, que eu to de vingancinha com você. – Anita se viu ainda mais ofendida.
– Então me diz que não. – Pediu ele.
– Quer saber, você é um otário, e sim talvez eu não precise de você, superei, o amontoado de desgraças que me ocorreu no passado, e dai, é errado, porque eu não me matei, não enlouqueci. – Anita ficou furiosa e falou o que não devia em pleno impulso. — Não vem você, se vingar não Ben, não cola, e na boa se você foi mau caráter quando ficou com a garota do melhor amigo no passado, pode ter certeza que eu não sou. – Anita disparou tensa.
– Vai passa a vida toda me jogando isso na cara, eu não planejei Anita. – Se defendeu.
– E acha que tem o direito de vir bancar o superior agora, me erra tá legal, não me julga por você, eu posso ter ajudado a afundar nosso namoro no passado, nunca te disso que eu não ajudei, agora não me vem dizer que eu sou o mostro que estou te injustiçando, porque eu não sou. – Debochou. — E nem eu estou planejando nada, eu não quero nada com o Marcelo tá, e nem ele comigo, e mesmo que eu quisesse não seria você que poderia dizer o que eu não posso, ou posso, e mesmo assim o negócio dele e a Meg e você sabe muito bem disso. – Anita soltou impaciente. – Ah e a propósito vai ficar com ciúmes dela também. – Anita indagou.
– Não inverte Anita. – Ben rebateu.
– Não inverte você, esquece que eu existo. – Ela pediu com mágoa.
– Já esqueci, você não vai mais precisar olhar pra minha cara, daqui pra frente, pode confiar. – Ben falou ressentido.
– Melhor assim, pros dois. – Anita respondeu, tentou ajeitar os cabelos ainda molhados e deu as costas para Ben, que ficou de cabeça quente apenas.
– A gente poder ir embora agora. – Anita disse chegando até Marcelo que conversava com Felipe.
– O Marcelo me disse que você mora em Londres. – Puxou assunto Felipe.
– É pois é, mudei pra lá pra exorcizar um fantasma, mas não deu muito certo. – Falou Anita, não medindo suas palavras.
– Ela adora uma piada. – Disse Marcelo, achando graça do jeito da garota.
– Isso não foi uma piada. – Anita retrucou séria, o encarando.
– Eu tenho muita vontade de ir morar lá. – Disse Felipe.
– É uma cidade ótima, muito incrível, você adoraria com certeza. – Anita falou, tentando ser simpática.
– Você pode pedir ajuda pra ela, ela vai adorar, já que agora parece que ela deixa todo mundo entrar na fila. – Ben provocou se juntando aos três.
– Você cala a tua boca, porque se você falar mais alguma coisa, eu juro que te afogo nesse mar. – Anita ameaçou já não aguentando.
– Olha que matar uma pessoa da família se torna o crime mais grave. – Disse Ben sem resistir.
– Vocês são da mesma família. – Felipe perguntou achando curioso o jeito dos dois.
– É somos, o que não significa ser um prazer. – Ben respondeu.
– Não né gente, irmãos que se pegam é esquisito, desconstrói isso aí. – Marcelo riu.
– Pra ti ver a gente faz umas besteiras na vida, que a gente quer esquecer depois. – Anita afirmou. – Vou esperar ali. – Falou caminhando pela praia logo depois.
– Acreditando nisso. – Disse Ben esfregando a testa. – E pra deixar claro eu não sou irmão dela, não me enche você também com esse papo. – Ben ralhou.
– Tudo ok. – Marcelo disso percebendo que ele estava bastante irritado.
– E a gente vai conversar sério quando a gente chegar em casa. – Ben afirmou não esquecendo.
– Ah não DR, eu não namoro você, to fora. – Marcelo rebateu.
– Pois é, mais vai me ouvir, você não tinha nada que ter armado isso, seu panaca. – Disse ele. – Que tal deixar ela aqui, eu não iria me importar. – Brincou Ben fitando Anita, que estava sentada encarando o mar longe deles.
– Deixar você com ela aqui então, aposto que vocês se resolviam rapidinho. – Marcelo alfinetou, entre risadas.
– Adorei. – Irônico Ben respondeu.
– Claro só pra você não encher meu ouvido com mais nada. – Argumentou Marcelo contornando. – Admite que o problemas de vocês se resume a uma coisa, os dois abrem a boca e falam o que não devem, igual duas caturritas aí brigam, que nem dois malucos, por coisa boba. – Disse ele. — Esquece o passado Ben olha pra Anita, pelo amor de deus ela é linda, mesmo que você não sinta aquilo de antes por ela, você iria acabar balançando de novo, você e ela também, só que vocês fazem um drama com isso, vive o presente, esquece o resto, por favor. – Proferiu ele idealizando.
– E que ela namora outro também. – Ben disse sem esquecer.
– Cara pelo amor de deus se você quiser mesmo ficar com ela, você tiraria ela desse cara em dois tempos, você tá se movendo a insegurança, porque já viu dar errado antes, só que tá na hora de mudar isso, para de se basear nos erros que já foram. – Concluiu.
– To é cansado, isso sim. – Desabafou Ben.
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– Então ficou tudo bem lá em casa. – Ben acabou puxando assunto com a garota, enquanto os dois voltavam.
– Bom pelo menos ninguém ainda decretou desespero por isso. – Afirmou ela, continuando olhando em volta. – Só você. – Disse dirigindo seus olhares para encara-lo.
– Eu. – Sorriu ele. – Eu, isso foi uma indireta. – Perguntou.
– Não, isso foi uma constatação, aliás, nem é de hoje, já é bem antiga. – Falou Anita justificando.
– Foi mal se eu não consigo fingir que eu não me incomodo. – Afirmou Ben, ela por sua vez apenas balançou a cabeça como se não concordasse.
– Aí gente, é, bom, eu volto depois. – Disse Marcelo ao ver interrompendo.
– Agora fala, não é. – Respondeu Ben, achando graça do semblante descontente do amigo.
– Não é, é que, eu ia dizer que a gente já tá chegando. – Explicou ele, sorrindo acanhado.
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– É Anita me perdoa, por aquilo. – Pedia Marcelo parando em frente ao casarão com o carro.
– Porque você não me disse que tinha chamado o Ben. – Anita indagou.
– Na verdade eu achei que ele não iria mais, só que eu tinha pedido pra minha mãe deixar o endereço com ele, pra ele ir encontrar a gente – Explicou. – Eu quis ajudar, eu não devia de ter feito, o que fiz. – Constatou desapontado.
– Tudo bem, mas não faz mais, se não é melhor a gente não se falar. – Alegou ela. – O Ben anda perdendo a linha demais pro meu gosto. – Disse a garota não apreciando. — Tá com ciúmes de você, você percebeu isso. – Anita confidenciou.
– É, cara, não faz sentido. – Marcelo afirmou concordando com ela.
– Não, logico que não, mais tá, melhor você conversar com ele, ou vai sobrar pra você. – Anita contrapôs.
– Eu acho que eu piorei tudo né, foi mal, péssimo, aliás, o Ben também é turrão demais, só vendo. – Comentou ele, não sabendo como prosseguir.
– O Ben, enxerga só a parte dele nesses casos, o resto ele engole, ele é impulsivo, quando vê ele já fez mesmo. – Não que eu tenha feito algo de diferente. – Percebeu. — E eu também não estou com paciência nenhuma pra atuar ele, me dizendo o que eu sou ou não. – Anita justificou.
– É, ele esta mordido com essa história do teu namoro, aí não tá vendo nada que seja racional. – Marcelo quis defender o garoto.
– É mais agora deixar eu ir, to cheia de coisa pra ajeitar pra amanhã. – Anita afirmou, para encerrar o assunto já exausta.
– Tchau, e mais uma vez, me desculpa, a minha intenção não era essa, juro. — Disse ele com um sorriso.
– Eu sei, tchau, de qualquer forma, foi incrível o passeio, pena que acabou quase em sague, não é. – Anita falou se divertindo com a situação.
– Tchau, tchau. – Disse Marcelo se despedindo, fitando Anita descer do carro, a acenar pare ele da calçada.
– Oiii... — Tudo bem por aqui. – Anita entrou em casa com um semblante alegre.
– Tudo ótimo. – Giovana respondeu com um sorriso no rosto.
– E com você também né filha tá com um sorriso no rosto. – Vera comentou. – Lindo por sinal. – Elogiou ela, feliz ao ver a alegria da filha.
– É to ótima mesmo. – Anita confirmou. – Apesar dos percalços da vida. – Anita pensou ou lembrar-se de algumas palavras de Ben.
– É tão ótima, que eu nem sei descrever. – Afirmou Meg em pouco irônica. – Bom eu vou lá pra cima, já cortei todos os legumes pro risoto. – Disse ela, já saindo, antes que Anita respondesse algo.
– Ué gente, o que a Meg tem, tá estranha. – Anita ficou intrigada com o jeito ríspido dela.
– Ah Anita. – Giovana não sabia se falava. – É que eu acho que ela ficou com ciúmes de você, com o gato delicia lá. – A ruiva expôs.
– Como assim, do que você tá falando? – Anita realmente não imaginou do que ela falava.
– Você não saiu lá com o Marcelo, vocês atÉ postaram uma foto juntos. – A menina tentou se explicar melhor. — E a Meg viu, acho que foi isso. – Afirmou ela, desconfiada.
– Gente, por favor, eu não tenho nada com o Marcelo. – Ela garantiu. – A Meg se supera às vezes, vou te contar. – Implicou Anita, não entendendo o por que.
– Ué gente também da pra entender ela, se um “deus” daqueles, me desse bola. – Giovana disse deslumbrada.
– Giovana! – Anita ralhou.
– E ele é muito pra mim, e eu tenho namorado, quer dizer eu acho que eu ainda tenho. – A ruiva esclareceu.
– Você brigou com o Junior de novo. – Vera perguntou.
– É mais ou menos. – Respondeu ela sem entrar em detalhes.
– Isso que é amor hein, não acaba mais. – Anita brincou.
– Hum olha quem fala, você bem que tinha... – Tinha, ah esquece. – Encerrou ela ao perceber que podia ter falado o que não devia.
– Um relacionamento bem conturbado quanto eu tinha tua idade, é eu tinha, e com teu irmão, o Ben. – Anita rebateu ao constatar do que ela falava.
– É pois é. – Giovana respondeu, temendo que Vera poderia não gostar.
– Mais também pra que falar disso. – Vera cortou.
– Por quê? — Não pode. – Anita retrucou.
– Não filha, não é isso, é se que eu acho que não vem ao caso. – Vera afirmou, querendo se desculpar.
– Não entendo por que. – Anita contrariou. – Vocês saíram por cima disso tudo, vocês estavam certos quando diriam que não iria dar certo, vocês venceram, e mais uma vez a gente quebrou a cara. – Falou ela, com certo ressentimento, por toda oposição dos pais. – Então parabéns. – Ironizou ela em um impulso, enquanto a mãe apenas a encarava, parecendo não saber que reação esboçar. – Bom eu vou falar com a Meg, antes que piore. – Anita disse deixando sua bolsa sobe uma cadeira, e caminhando até as escadas.
– Eu posso ajudar em mais alguma coisa. – Questionou Giovana, querendo desanuviar o ambiente que estava bastante tenso.
– Não, pode ir fazer as tuas coisas. – Vera falou sorrindo.
– Para de pensar besteira Anita, não vale a pena. – Disse a garota para si mesma, enquanto caminhava pelo corredor, confusa. – To ficando maluca não é possível. – Resmungou ela, parando em frente à porta do quarto e entrando. — E ai.
– Tudo certo, por que. – Meg respondeu séria.
– Ai Meg, você tá chateada comigo, não é. – Anita deduziu de cara.
– Porque eu deveria. – Devolveu.
– Não sei, na verdade eu acho que não deveria. – Anita afirmou.
– Você não me falou que tinha marcado nenhum programa com o Marcelo, o Ben tava lá. – Foi perguntando.
– E eu não tinha. – Disse ela sentando-se a cama ao perceber que a conversa seria bem longa. – O Ben chegou depois, mais eu não vim aqui pra falar dele. – Afirmou. – O Marcelo me ligou bem cedo, falando que era pra eu ir na casa dele, eu achei estranho, mais eu não desconfiava onde ele queria me levar, jamais imaginei. – Anita esclareceu.
– Em lugar paradisíaco, é, eu percebi pela foto que vocês postaram, você postou, e a legenda então, “selfie com o melhor”, incivil mesmo Anita. – Pronunciou a loira em total ironia.
– Eu posso te afirmar com toda certeza do mundo, que o que gente construiu foi só uma elação de amizade, só amizade, da minha parte e principalmente também da dele, o Marcelo não tem intenção de ter nada comigo Meg. – Anita disse taxativa. – Ela gosta de você, aliás, ele praticamente só falou de você. – Afirmou ela.
– Jura, desculpa mais eu não acredito nem um pouco. – Meg retrucou, incrédula.
– Mais foi, foi um passeio de amigos, aliás, acho que ele fez isso também com a intenção que eu me entendesse com o Ben, só que ele apareceu lá, e deve ter entendido tudo errado, como você. – Anita insistiu.
– O Gustavo também vai adorar abrir teu perfil, e ver aquela foto, o que você vai dizer pra ele, já pensou. – Meg indagou, não muito convencida ainda.
– Não sei, que droga. — Anita acabou se alterando. – O Gustavo vai querer o que, me controlar. – Anita sorriu com ironia. – Jamais, eu vou permitir isso, nem da parte dele, e nunca de ninguém, eu já fui controlada na minha vida Meg, eu já fui obrigada a fazer as piores coisas, por causa de um cara como o Antônio, você acha que eu vou deixar alguém me sujeitar, a qualquer coisa que chegue perto daquilo de novo, pode esquecer, eu gosto muito do Gustavo, mais ele não vai me impedir de sair, conversar com quem eu quiser, qual foi? – Só porque duas pessoas tem uma amizade elas tão se pegando, eu não tenho nada com o Marcelo, e nem vou ter, e se você vai ser estupida o suficiente pra achar, como o Ben foi capaz de me jogar na cara, que eu ficaria com ele só pra me vingar do Ben, foi mal, mais eu me enganei quanto ao teu senso de realidade e discernimento, do que real ou não. – Anita acabou dando um sermão na amiga.
– Ai Anita, acho que eu to pirando. – Meg falou, decepcionada consigo mesma. – Foi mal, eu fiquei insegura, não sei, não sei. – Se desculpou ela.
– Não, foi mal eu, aqui de dando sermão, você não merece, sou eu que to surtada com tudo isso, to descontando em você, e errada estou eu, mais eu não tenho nada com o Marcelo tá. – Anita proferiu. – Acredita.
– Vamos esquecer isso, só acho que a gente tá na lama com tudo, melhor a gente voltar logo pra casa. – Meg afirmou.
– É vamos. – Anita concordou sorrindo. – Mais uma coisa, se você tá afim do Marcelo porque não falar pra ele, porque isso, do que você tá com medo hein. – Anita quis entender.
– Nada, só que não ia dar certo, na verdade, eu não ando com muita sorte quando o quesito é relacionamentos. – A loira justificou..
– Não acho, você tá com besteira, depois fica aí, surtando porque ele pode estar com outra, mais uma hora vai cada um pra um canto e você vai ficar aí, pensando no que foi, no que não foi, é isso, essa não é você, não mesmo, e você tá gostando dele mais do que você quer, não adianta negar. – Anita falou, mesmo que ela não gostasse.
– Anita. – Meg reprendeu. – E você porque não se acerta com o Ben. – Meg retrucou.
– Porque com a gente já deu errado, muitas vezes, e o Ben que dificultar, mais com vocês é outro cedo. – Anita justificou.
– Sei. – Meg foi sarcástica.
– Sabe o que. – Anita perguntou rindo.
– Nada, não sei, não é, o que eu sei, é que quando você resolver bancar esse rolo com o Ben, ninguém vai te impedir, até lá você vai continuar lidando com a dúvida dele, e a tua também, que vem do fato dele ser tão pragmático às vezes. – Afirmou à loira.
– Ah tá bom, eu vou tomar um banho, tira o sal do cabelo. – Anita flou indo ate o armário apanhando um short e uma blusinha.
– Vai lá, e me perdoa. – Meg respondeu
– Eu não tenho do que perdoar, mais também me desculpa, e vai procurar o Marcelo. – Anita aconselhou.
– To fora, eu não vou, ele fica te assunto com você pra me fazer ciúmes, e eu que vou procurar, ele não tá de inocente nisso. – Meg teimou.
– Acredita essa não foi intenção dele, ele é legal, e eu arriscaria dizer que ele tá mesmo apaixonado por você. – Anita garantiu
– Por mim e pela população dos Estados Unidos inteira. Meg disse em tom irônico.
– Olha isso eu não sei, mais porque que logo você, uma americana legitima, linda e poderosa vai ter problemas com isso, não vem daí essa tua cisma. – Anita afirmou não convencida, rindo.
– Ah Anita, vai tomar o teu banho vai, antes que o teu cabelo esturrique. – Meg desviou o assunto.
– To indo. – Anita saiu rindo, da cara de descontente da loira.
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– Cara não foi nada daquilo que você ficou imaginado. – Marcelo disse ao ver o amigo entrar em casa.
– O que, que eu imaginei Marcelo. – Ben riu fechando a porta. – Eu acabei indo respirar um ar. – Comentou sentando ao sofá.
– A Anita, eu, ela, ai enfim. – Disse ele.
– Relaxa, eu acho que eu, eu me dei por conta de que eu realmente perdi a Anita, que o que ela disse que iria fazer lá atrás, ela fez, me esqueceu, e antes eu não tinha visto ela, pra constatar isso, e agora, eu to vendo, vendo com meus olhos. – Ben falou especulando.
– Ih é, que a Ben, ah para também nada é assim. – Ele quis anima-lo.
– É meu amigo, to achando que é. – Afirmou. — E me perdoa, pelo chilique, eu não sei o que anda me acontecendo. – Disse Bem, nem ao mesmo de entendendo.
– Tá, deixa pra lá, eu te entendo em parte. – Marcelo sorriu.
– Então bora dar uma volta, eu é que não vou ficar aqui, roendo meu cotovelo, como você fala. – Ben convidou.
– Ham, pra onde? – Marcelo ficou confuso.
– Sei lá, qualquer lugar, vai comigo ou não, — Disse ele mais uma vez.
– Tá vou, mais cuidado o que você vai me meter. – Avisou.
– Porque, prometeu pra Anita que iria me vigiar foi. – Ben brincou debochando.
– Não. Riu ele. – Mais olha não é nada que esteja ruim, que não possa ficar muito pior, olha o que você vai fazer. – Alertou ele.
– Tá ok, vou esperar o que, a Alice me deu um pé na bunda, a Anita tem coisa melhor como ela mesma diz, eu vou esperar o que da vida, vou deixar ela me guiar. – Afirmou Ben, enquanto Marcelo apenas sorria com ironia.
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