Encontros, desencontros e novos encontros
52 Capítulo 52:
Notas iniciais
Anita andou um pouco pelas ruas do Grajaú e decidiu ir até o Embaixada, para tentar desanuviar seus pensamentos confusos, que vinham e iam em sua cabeça sem parar um segundo se quer. Ao chegar no lugar e olhar em volta ela avistou Serguei, Flaviana e Julia e Fred, conversando ao balcão.
– E aí gente, tudo bem. – Disse ela se aproximando dos quatro.
– Amiga, se eu soubesse que você iria aparecer por aqui eu tinha te chamado mais cedo. – Julia afirmou, sorrindo e lhe cumprimentando com um abraço.
– É. – Eu decidi do nada, vim andando e dei aqui. – Anita riu, já cumprimentando Serguei e Flaviana e Fred.
– Eu convidei a Sofia, mais aquela loira doida sumiu gente. – Flaviana especulou, sem saber do paradeiro da irmã de Anita que não atendia ao telefone.
– Bom eu não sei dela, em casa ela não estava. – Anita argumentou, puxando uma cadeira e sentando.
– Ela deve estar por aí. – Serguei pensou.
– É deve mesmo. – Anita afirmou em um suspiro.
– Anita tá tudo bem. – Julia questionou, ao ver uma certa preocupação no rosto de Anita.
– Tá, tá sim, eu só estou meio cansada, não ando dormindo direito, só isso. – Respondeu a garota, para tranquiliza-la.
– Eu vou pedir um suco pra você. – Falou Fred simpático.
– Obrigado, eu vou aceitar. – Disse ela, com um sorriso. — De maracujá de preferencia. – Anita resmungou ao se lembrar de Ben.
– Vamos no banheiro comigo. – Julia pediu, com um sorriso calmo no rosto.
– Vamos. – Anita consentiu, arredando a cadeira para levantar, e as duas caminharam até o banheiro.
– Anita, aquela ali não é a Meg. – Julia falou intrigada ao vê-la sentada com Marcelo numa mesa mais afastada.
– É, loira esperta. – Anita brincou. — Já botou as garrinhas de fora, a Meg é uma incógnita, impressionante desdenha mais compra. – Anita implicou com ela, vendo o jeito entrosado dos dois.
– Quem é aquele, que esta com ela? – Julia questionou, não conhecendo o rapaz, que sorria simpático para Meg.
– Ah e o Marcelo, um amigo do Ben, veio com ele, tá lá em casa também. – Anita explicou.
– Bonito ele. – Julia comentou.
– Que isso, você uma moça noiva, super comprometida, olha que o Fred não vai gostar hein. – Anita alfinetou brincalhona, fazendo Julia ficar sem graça.
– Ai Anita, credo! – Reclamou Julia sorrindo tímida. – Foi só um comentário, eu não vou atacar o garoto.- Se justificou ela.
– Brincadeira relaxa, acho que ele é legal, e bonito não é, fato. – Disse Anita. – Quem sabe a Meg não dá sorte. – Anita afirmou, feliz pela garota.
– Olha só! – Pensei que a senhorita também tivesse namorado. – Ela disse encarando Anita, séria. – E mais, também um certo moreno de olhos verdes. – Julia alfinetou.
– Ah não para, acabou. — Reclamou Anita revirando os olhos – Tenho mais de noivado a casamento, minha cara, eu estou à milhas de distancia de você. – E as duas continuaram a caminhar. – E quanto a esta outra pessoa aí, eu vou fingir que não é quem eu estou pensando, alias ela não me pertence, nunca pertenceu pra ser mais exata. – Anita fez questão de esclarecer.
– Ai Anita, se não tem certeza disso. – Julia afirmou empurrando a porta do banheiro.
– Eu? – Não sei, tenho que dizer, não tenho. Anita acabou confidenciando. – Ai Julia minha vida virou uma confusão. – Anita proferiu, em meio a um suspiro fundo de preocupação.
– O que aconteceu agora. – Julia perguntou mexendo nos cabelos em frente ao espelho.
– Eu é, o Ben me intimou. – Anita pronunciou nem mesmo sabendo como se explicar.
– Como assim, por quê? – Indagou Julia confusa.
– Ju, a gente se beijou de novo. – Ela soltou.
– Owuuu! – Agora você soltou uma bomba. – Julia disse, não sabendo o que ela faria. – Mais, e aí, como fica. – Perguntou ela apreensiva.
– Não sei, eu tenho consciência de que esquecer, fingir que não aconteceu, não resolve o problema, mais eu não sei seu eu to disposta a pagar pra ver. – Anita repensou suas ações, escorada a bancada da pia com os braços cruzados.
– Ai amiga, você tá numa sinuca de bico, não é. – Falou Julia, percebendo a aflição de Anita.
– Julia eu sabia que rever o Ben, não iria ser fácil, algo diferente iria acontecer. – Desabafou ela. – Mas, o fato é que a coisa entornou, muito mais rápido do que eu pensava, e mais, de um jeito absurdo que eu não pensava. – Afirmou uma Anita angustiada.
– Na verdade vocês não cortaram o elo que une vocês, ele ainda existe. – Julia supôs da forma mais realista possível.
– Ham, como assim? Não cortamos o elo. – Anita se espantou. – Julia a gente teve exatamente três anos pra fazer isso, mais na verdade. – Anita afirmou afoita. – Não é possível, não é possível. – Disse ela, com sua voz já soando como um quase grito.
– Anita tudo bem tá, você tá perdida, confusa, até espantada com você mesma, mais não esquece de você, da tua felicidade, e eu vou sempre te apoiar, independente do que você decida. – Julia quis lhe tranquilizar a garota ao ver que ela não estava nada bem.
– Obrigada. – Anita se viu mais calma pelas palavras dela. – Mais só pra deixar claro, não é mentira inventada, mais eu não cogito ficar com o Ben, não assumir algo sério pra valer, e também nem ficar com ele simplesmente, mas ao mesmo tempo eu me vejo caminhando pra isso sabe, a cada situação da gente, e isso tá me deixando louca. – Ela falou. – E mais tem o Gustavo, o que, agora vou chegar pro garoto e dizer pra ele, “tchau some, desaparece da minha vida.”, porque eu estou muito bem no Brasil tendo um revival, com um garoto que já foi meu namorado, deu tudo errado com a gente, e ainda por cima ele é quase meu irmão. – Anita proferiu vendo a dimensão de seus problemas.
– Hey, hey, na boa uma coisa de cada vez, não é Anita, você não vai conseguir resolver tudo ao mesmo tempo. – Julia aconselhou.
– Não, mais e morre, resolve, porque eu to pensando seriamente nisso, arranca minha cabeça fora Julia. – Disse Anita em um tom de drama, encarando sua imagem ao espelho.
– Anita se acalma vai. – Julia pediu lhe dando um abraço.
– Ai meu deus, toda vez que eu olho pro Ben, passa um filme na mina cabeça, terrível, acho que é aí, que eu me dou por conta de todo amor que um dia eu senti por ele, é o Ben, só que mesmo assim, a alma dele é desconhecida, Julia nós dois não somos mais os mesmos. – Falou Anita sendo confortada pelo abraço da amiga. – Antônio, Sofia, mentiras, inveja, raiva, teve tanta coisa no meio da gente, desde o primeiro segundo que a gente se cruzou. – Disse Anita sentindo seus olhos lacrimejarem, em meio a tentas lembranças que sua memoria guardava.
– Quem sabe dessa vez, as coisas não saem diferente, talvez hoje as coisas não sejam tão pesadas. – Julia afirmou, vendo algum fio de esperança.
– Ah claro, uma família aparentemente perfeita, minha vida, a dele, e um monte de magoa misturada, diferente, talvez essa palavra não exista pra gente. – Anita proferiu, se separando de Julia. – Mais eu não quero pensar nisso. – Disse Anita, querendo esquecer uma pouco seus dilemas. – O Ben é um fantasma na minha vida, só pode. – Declarou a garota. – Mais chega, você disse que tinha uma coisa pra me contar, ontem quando a gente se falou pelo celular, o que era. – Perguntou ela ao lembrar-se.
– Então, eu acho que eu e o Fred vamos começar a pensar em casamento. – Julia comunicou animada. – Mais não pra agora, pra uns meses ainda. – Explicou ela.
– Ah obrigada, enquanto eu roo meu cotovelo, por causa do outro lá, você casa. – Anita respondeu travessa. – Mais sério, parabéns, e que você seja muito feliz, você merece. – Desejou ela, alegre pela amiga.
– Valeu, e logico que você vai ser a minha madrinha, não é. – Julia afirmou, fazendo questão.
– Hahahah, quem sabe. – Anita falou sorrindo.
– Quem sabe, já é, não aceito não como resposta. – Julia rebateu.
– Ok. – E as duas riram e se dirigiram até a porta.
Já chegando em casa.
– Anita vem cá, porque você não me disse que ia pro Embaixada. – Meg indagou, quando eles chegaram ao portão do casarão.
– Ué, eu fui meio de repente, que foi. – Anita indagou, não entendendo a reação dela.
– Nada ué. – Meg disse disfarçando.
– Vamos entrar então, não é gente. – Ela convidou a loira, assim como Marcelo que apenas ouviu a conversa delas sem se pronunciar.
– Vamos. – Meg respondeu. – E a Vera gente alguém tem noticias dela. – Meg questionou enquanto Anita fechava a porta.
– Ela esta bem, o Vitor foi pra lá ficar com ela pro Ronaldo, vim pra casa não é gente. – Anita explicou.
– É tomara que de tudo certo mesmo. – Disse Marcelo sentando ao sofá.
– A Vera é forte, guerreira, ela vai ficar bem. – Meg afirmou, sentando ao lado de Marcelo.
– É Anita você falou com o Vitor, eu liguei pro meu pai, mais o celular dele só da fora de área. – Perguntou Ben vindo da cozinha ao ouvir parte da conversa dos três.
– É falei, minha mãe esta bem, e o Ronaldo já esta vindo pra casa. – Anita respondeu meio desconfortável.
– Na boa ela nem vai acreditar, na arrumação da festa. – Meg disse já prevendo a cara de Vera.
– Não mesmo ela vai adorar. – Falou Marcelo, sorrindo para ela.
– Vera merece. – Afirmou Ben caminhando até eles e parando ao lado de Anita, e os dois trocaram um olhar desconfiado, ao encarar Meg e Marcelo no sofá.
– Vem cá. – Anita proferiu cruzando os braços. – Vocês não tem nada pra falar pra gente, não. – Anita questionou com desconfiança.
– Tenho. – Respondeu Marcelo, fitando os olhares atentos de Ben e Anita parados a frente dele.
– Que isso tá louco, parou. – Meg o fuzilou com o olhar.
– Calma, eu preciso dividir isso com eles, afinal, eu tenho que compartilhar a minha ansiedade Meg, minha cara loira. – Disse ele travesso. – A Meg gente, morre de medo de filme de terror. – Falou o garoto.
– O que. – Meg se viu confusa. – Ai seu idiota, a gente nem viu filme de terror. – Ela o repreendeu dando um tapa na perna dele.
– Não, o que foi uma boa, ela não gosta mesmo desse tipo de filme. – Anita rebateu, rindo da cara de Meg para o garoto. – Mais não é bem isso que eu quero saber, gente parem com o mistério. – Exclamou ela.
– Mistério sobre. – Marcelo fingiu não entender.
– Ah não gente, não se façam de burros porque vocês não são, o que vocês andaram aprontando. – Ben se manifestou, ao ver Marcelo tentar disfarçar o riso.
– Nada, que isso, eu hein. – Marcelo respondeu disfarçando.
– Os dois bateram com a cabeça foi. – Meg disse como álibi.
– Não, sabe o que foi, eles que devem ter aprontando por aqui, porque a casa estava vazia, nossos queridos amigos gostam de uma encrenca, ai já viu não é Meg. – Marcelo devolveu a implicância.
– Eu hein, não sei do que vocês estão falando. – Anita afirmou com desdém.
– Ah não. – Meg riu.
– Sinceramente vocês dois, é que com uma cara de culpados. – Ben retrucou.
– Ah é, sabe por quê. – Disse Marcelo irônico. – É que eu tinha esquecido, que vocês já tinham escorregado na semana passada, né deve ser por isso. – Disse ele sorrindo debochado.
– Marcelo, menos, bem menos, quieto, parou a palhaçada. –Ben falou, lhe lançando um olhar de repressão.
– Ué gente não quer brincar não desce pro Play, alias quem começou foi vocês. – Disse Meg às risadas.
– Verdade. – Implicou o garoto. – Alias vocês tinham que ter olhado aquele filme, meu passado me condena dois. –Marcelo alfinetou, para o desconforto de Ben e Anita.
– Hahahaha, amei. – Anita resmungou, com um semblante sarcástico para os dois.
– A gente não fiquem assim, a vida é dura mesmo, e de todos os lados. – Marcelo zombou.
– É, ah muito engraçado, pra mim vocês estão querendo é virar o jogo. – Ben retrucou, detestando a situação.
– Mesmo, concordo. – Anita disse.
– Jogo, que tal jogarmos um verdade ou consequência. – Brincou Marcelo rindo.
– Deus me livre, não faço confissões nem pro meu espelho, imagina pra um de vocês três. – Disse Anita, mexendo a cabeça como negação.
– Porque esconde algo, agora to curioso. – Rebateu Marcelo travesso.
– Escondo, meu cabelo não é liso, eu faço escova, eu roía a unha, e hoje arranco esmalte quando eu to nervosa demais, gasto um vidro de esmalte por isso em tempo recorde, assalto geladeira, como alface por obrigação, e não gosto de academia. – Murmurou Anita. – Satisfeitos. – Riu ela.
– Falto dizer que a tua unha é postiça porque desde tamanho. – Riu Marcelo.
– É não, minha mesmo, não comprei no salão. – Ai gente eu vou dormir, esse dia pra mim já deu. – Anita comunicou. – A dela também. – Disse ele, segurando a mão de Meg por um momento.
– Ah Anita agora que a brincadeira tava ficando interessante. – Disse Marcelo.
– É muito sem noção. – Meg revirou os olhos, retirando sua mão de perto da mão do garoto.
– Ah não, fica quieta, precisa falar assim com a minha pessoa. – Marcelo falou, ficando sério.
– Meu deus, como fala besteira. – Ben riu do amigo.
– É porque tu nem abriu a boca, não é gênio. – Implicou Marcelo, jogando uma almofada nele.
– Fica quieto. – Disse Ben, pegando a almofada e jogando em cima do sofá.
– Bom eu vou dormir também, minha cama me chama, boa noite gente. – Meg pronunciou levantando.
– Eu já to indo gente. – Anita afirmou. – Boa noite pra vocês, isso se vocês conseguirem. – Disse Anita olhando de relance para Ben.
– Boa noite. – Marcelo e Ben responderam apenas.
– Não você sabe quem me ligou hoje. – Meg dizia, enquanto ela e Anita sabiam a escada.
– Quem? — Indagou Anita, sem imaginar.
– Elisa, lembrando da festa de aniversário dela. – Disse Meg, justificando.
– Nossa, eu até tinha me esquecido, vou mandar um e-mail pra ela, parabenizando. – Disse Anita, ao lembrar-se da amiga de prédio.
– E ai, Ben, o que aconteceu mesmo. – Perguntou Marcelo, tentando disfarçar o sorriso, quando Meg e Anita se afastaram na escada.
– Nada, não quero falar disso não tá, vamos dormir também. – Afirmou ele, levando as mãos ao rosto.
– Ah sem graça você. – Marcelo reclamou, decepcionado e totalmente curioso.
– Ué me conta você, o que aconteceu. – Ben riu, querendo arrancar alguma confissão do amigo.
– Vou dormir. – Marcelo disse apenas.
– Isso vamos, e vê se dorme mesmo, o matraca. – Ben quase que ordenou.
– Tua mãe. – Rebate Marcelo.
– Deixa ela saber disso. – Debochou Ben.
– Ah falando em mãe, hoje ela me ligou, e tava furiosa com você, queria saber quando você volta. – Marcelo contou ao amigo, ao lembrar da ligação de Cícera.
– E ela age como se eu fosse uma criança, quando que minha mãe vai enfiar na cabeça, que nem quando eu era mais novo eu obedecia ela, imagina agora. – Ben falou, cansado de ser pressionado por Cícera. – Mesmo que tenho gente que discorde disso. – Ben se viu com o pensamento em Anita.
– De verdade. – Marcelo riu. – Nunca. – O garoto se viu as gargalhadas, enquanto eles caminhavam pelo corredor, Ben apenas continuou calado e encarando a porta do quarto de Anita e Meg quando eles passaram por ela.
Em frente ao casarão.
– Sidney eu adorei a jantar. – Confessou Sofia batendo a porta do carro.
– Eu também. – Sidney afirmou sorrindo encantado para ela.
– Tava tudo perfeito, mesmo, mas agora eu tenho que ir, amanhã eu tenho que acordar cedo pra terminar a decoração da festa da mamãe. – Sofia justificou. – É no domingo, não é, to ansiosa. – Falou a loira contente.
– É, tomara que dê tudo certo a Vera merece. – Disse ele otimista.
– Tem que dar. – Alegou ela. – Bom, então, boa noite. – Sofia disse sem jeito.
– Boa noite. – Sidney respondeu.
– Boa noite, até mais. – Falou Sofia indo se despedir dele com um beijo no rosto, e ela viu os rostos dos dois se chocarem desconcertados.
– Foi mal. – Disse ele, ao olhar nos olhos dela e sorrindo sem graça.
– Tudo bem, tchau. – Retrucou a menina sorrindo, caminhando para abrir o portão do casarão logo em seguida.
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