Notas iniciais
Anita fazendo revelações!

– Oi Julia. – Anita balbuciou, parada em frente à porta da casa da amiga.

– Ai Anita, é você mesmo. – Julia a abraçou de imediato quando pôs os olhos nela.

– Saudade de você. – Disse Anita, meio entristecida.

– Eu também, se tá linda. – Afirmou ele alegre. – Vem, vamos entrar. – Julia já fechou a porta e a puxou para dentro.

– Bom, se você não for levar em conta minha cara de velório, e meu sono por causa de uma noite mal dormida, é dá pra salvar alguma coisa. – Respondeu ela bem-humorada, enquanto as duas caminhavam até a sala.

– Ah deixa de ser modéstia. – Julia riu.

– Na verdade eu tava com saudade, mais eu também vim, porque eu to precisando de um conselho, aliás, de muitos. – Anita confessou.

– Vai manda, o que foi que houve, se bem que a última vez que a gente se falou por e-mail, acho que eu sei qual é o assunto. – Julia adiantou-se com as duas adentrando a sala.

– Ai nem me fala. – Anita falava. – Meg, você aqui. – Anita acabou dando de cara com a loira.

– Hahaha, cheguei primeiro, ganhei de você. – Meg riu, pela coincidência.

– É né. – Falou Anita, sentando ao sofá, também achando graça.

– Bom acho que você quer conversar com a Julia, acho que eu vou indo, não quero atrapalhar. – Meg fez um movimento para levantar-se.

– Não imagina, pode ficar, até porque você sabe qual é o assunto né, ah não ser, que você já esteja cansada de mim por isso, pode ficar. – Anita afirmou. – Ai gente foi mal se eu estou uma pessoa péssima, pedinte, que não sai do lugar com esse assunto desde que isso aqui começou. – Ela disse, já sem paciência para si mesma.

– Não exagera dona Anita. – Falou Julia sorrindo.

– É Anita, relaxa. – Também afirmou Meg.

– O assunto que me trousse aqui, tem nome, sobrenome, e endereço, Benjamim Rocha. – Soltou ela, tensa.

– Caraca, então já desandou, já ficou complicado. – Julia pronunciou apreensiva.

– Bom aí depende do que você chama de complicação, uma briga feia, e com direito a tapa na cara, serve. – Disse Anita, vendo as duas arregalarem os olhos no mesmo instante.

– Nossa, essa parte você não tinha me dito. – Meg afirmou.

– É então guardem o espanto de vocês, porque tem mais outra parte que eu também não te disse. – Anita disse taxativa. – A gente se beijou. – Soltou ela.

– Eu não acredito. – Meg riu de nervoso.

– Olha aqui, segura esse riso, porque se você rir, eu juro que eu te dou um tapa na cara. – Anita bufou, apontando o dedo em direção dela.

– Tá mais e aí Anita. – Julia indagou curiosa.

– E aí o que. – Anita retrucou.

– Anita, hey acorda, você vem aqui diz que beijou o Ben, e fica assim, e o resto cadê, anda fala. – Completou Meg.

– Gente, pelo amor de deus, não teve resto nenhum, parou aí, gente eu posso até ter tido um momento de loucura, mais eu ainda acho que não cheguei a ponto de ser internada em um manicômio. – Anita afirmou nervosa, gesticulando.

– Ai Anita, o que a Meg tá querendo saber é como foi. – Julia respondeu de volta, com um sorriso debochado.

– Como foi, ai sei lá, foi um beijo, vocês querem saber mais o que, ai que diabos, eu beijei o Ben e pronto. – Anita falou sem paciência.

– E você sentiu o que. – Meg perguntou, não se contendo.

– Que eu tava tendo uma tremenda alucinação do passado, eu acho. – Disse Anita.

– Anita isso ia acabar acontecendo mesmo, assim como chover é normal. – Afirmou Meg. – Só que eu acho que essa tua conversa aí, não me convence. – Meg disse incrédula.

– Na boa nem a mim. – Julia retrucou.

– Tá bom gente, também não foi nenhum sacrifício beijar o Ben, pronto falei, satisfeitas ou querem mais alguma coisa. – Anita confessou sem alternativa.

– Sabia. – Respondeu Meg as gargalhadas.

– O que também não significa que eu gostei. – Anita acrescentou.

– Amiga, mais falando sério, você acha mesmo que não existe a menor chance de vocês se acertarem, como vocês sempre quiseram. – Perguntou Julia.

– Sinceramente, eu não sei, se é sim ou não a resposta pra isso. – Anita respondeu em meio à confusão que a rondava.

– Anita, vocês sempre se deram tão bem. – Meg argumentou.

– Gente, é, bom, eu acho que hoje é o dia das revelações mesmo, não é ,até minha mãe e o Ronaldo eu peguei hoje fazendo confidencias. – Anita disse. – Então eu acho que eu tenho que fazer mais uma. – Afirmou Anita.

– Tua mãe e o Ronaldo. – Meg não entendeu.

– Como assim. – Também indagou Julia.

–Não tem muito a ver com eles, mais uma coisa que eu vi a mamãe me dizendo hoje, foi que, eu nunca contei de verdade pra ninguém, o que aconteceu naquela época da falsa gravidez da Sofia. – Anita respirou fundo. – Acho que eu escondi isso até de mim mesma. – Disse Anita.

– Ai Anita, agora deu medo, o que foi. – Falou Julia.

– Tá bom, lá vai. – Começou ela. – Como vocês sabem rolou aquela confusão toda com o Antônio, enfim, e a Julia na época até sabia, que eu queria muito me acertar com o Ben, mais não tinha dado ainda, só que numa noite um pouco depois, eu conversei com o Ben na praça, a gente se resolveu, e se acertou, e passamos aquela noite juntos, só que no dia seguinte, o sonho virou pesadelo, quando a gente chegou no casarão pra abrir o jogo, a Sofia tava lá, esperando o Ben chegar, pra dar a novidade pra ele, com a Cícera, mamãe, e companhia, uns felizes, outros surpresos e felizes, outros chocados mesmo, como era nosso caso. – Disse ela.

– Nossa Anita, você nunca tinha me falado isso. – Murmurou Julia boquiaberta.

– Claro que não, eu não falei pra ninguém, Julia, não se conta por aí, que o cara que dizia que te amava, te abandou pela segunda vez, na noite seguinte de ter ido pra cama com você. – Afirmou Anita.

– Anita como assim abandonou, porque essa parte não bate. – Meg ficou confusa.

– O Ben achou melhor não contar nada da gente, pra não piorar as coisas, lógico que eu não concordei, ele falou que precisava de um tempo pra se resolver, eu segurei até onde eu pude, só que aí, conforme o tempo foi passando aquilo tudo foi se arrastando, eu percebi que eu tava sobrando, e acabei tudo de vez, o tempo virou um termino, um termino sem volta até aqui pelo menos. – Esclareceu ela, perturbada com tudo aquilo.

– Mais Anita, isso não condiz com o Ben, na boa. – Julia relutou em acreditar.

– Mais é a verdade, e o Ben era manipulado fácil pela Sofia, ela começou a dizer que tava com medo, que era muito nova, a Cícera começou com aquele papo de casamento, o idiota ficou com pena, e exigiu de mim o que eu não podia dar, tempo pra aquilo tudo. – Anita reafirmou.

– Agora eu to entendendo, porque de mesmo depois que tudo foi esclarecido, você não quis as desculpas do Ben. – Meg disse.

– É, eu tava com muita raiva, muito magoada, pra achar que um pedido de desculpas, foi um engano, servia, a minha cabeça podia até ter entendido, mais o meu coração, não ia conseguir perdoar aquilo, a capacidade que o Ben tinha de achar que eu podia aguentar qualquer coisa, ele cai no papo da Sofia, deixa se levar por ela, e acha que só me pedir desculpas resolve, e se ele não tivesse descoberto que ela não tava gravida, ele tinha casado com ela, a Cícera e a Sofia sabiam exatamente como lidar com o Ben, ele era outra pessoa quando tava do lado delas. – Falou Anita entristecida.

– É a Cícera em algumas situações sabe muito bem, obrigar o filho a fazer o que ela queria, e o Ben sempre se preocupou demais com os outros. – Disse Meg.

– É aí veio à bolsa, eu me escrevi, e já tava tudo pronto, eu não ia desistir ali, eu tinha perdido todas as minhas esperanças, um atrás da outra. – Falou ela, com os olhos levemente lacrimejados.

– Anita conta desde o inicio isso, vai, porque eu não sei isso parece tão louco. – Pediu Julia.

– É se você quiser, porque não sei se é bom você mexer nisso. – Falou Meg preocupada.

– Então lá vai. – Disse Anita, lembrando-se e contando a elas.

Voltando ao passado...