Encontros, desencontros e novos encontros
22 Capítulo 22:
Notas iniciais
– Quer dizer que você voltou pra Brasil. – Sidney indagava Ben, com os dois tomando um suco na lanchonete do bairro.
– É, mais ou menos, eu vim ai pra festa aí do meu pai com a Vera, você já deve estar sabendo. – Justificou Ben.
– Estou sim, eu até cruzei na estrada com a Sofia, quando ela tava vindo pra cá, enfim. – Sidney disse, tomando um gole de suco de laranja.
– Você e a Sofia, se entenderam então. – Ben perguntou querendo que fosse verdade.
– Não, não, não chegou nem perto disso, eu acabei involuntariamente descobrindo que a Sofia iria trabalhar comigo. – Sidney fez questão de se explicar.
– Desculpa, eu não devia de ter te perguntado isso, foi bem inconveniente da minha parte. – Ben respondeu apreensivo.
–Imagina, quando você foi embora nós conversamos lembra, e ficamos até de boa um com o outro. – Afirmou ele tranquilo.
– É ficamos, eu torci pra que pelo menos você tivesse tido o teu final feliz, porque o meu escapou entre os meus dedos como água, e eu não consegui impedir. – Ben acabou confidenciando.
– É, e eu sinto muito por tudo Ben, a vida enrolou todos nós de um jeito que chega até ser surreal pensar. – Confessou Sidney.
– Muito, às vezes eu nem acredito em tudo que aconteceu, mais vamos falar do hoje, o que passou já foi, de qualquer jeito. – Ben disse, contente pelo reencontro dos dois.
– Exato, mais me conta o que você anda fazendo da vida lá em Nova York. – Perguntou Sidney.
– Ralando, e tendo que aturar as loucuras da minha mãe. – Respondeu Ben rindo, e os dois continuaram a conversa com animação.
No casarão, mais tarde:
Anita descia para pegar um copo de água na cozinha, já que não estava conseguindo dormir.
– Ai maldita insônia, você tem que parar com isso Anita. – Ela resmungou para si mesma, indo até a geladeira, meio despreocupada.
– Água, mais eu acho que na verdade eu to precisando de um suco de maracujá, um tarja preta, sei lá. – Anita afirmou pegando a jarra com água e fechando a porta da geladeira.
– Ai mais o que. – Ben reclamou, quando sentiu alguém derramar algo sobre ele.
– Eu juro que eu não ti vi, de onde você veio. – Anita proferiu perturbada com a situação.
– Dá direção contraria a tua, não é Anita, eu não acredito que você fez isso. – Ele afirmou completamente encharcado.
– Foi mal. – Respondeu ela, confusa soltando a jarra completamente vazia sobre a mesa.
– Pelo menos foi água desse vez, vem cá seu ganhasse alguma coisa toda vez que você ataca de desastrada pra cima de mim, olha eu já tinha ficado rico. – Ben afirmou meio impaciente, tirando a camisa que dava para quase torcer de tão encharcada que estava.
– E dai, olha a minha cara de preocupação. – Anita retrucou evitando encara-lo.
– Algumas coisas nunca mudam mesmo. – Ben falou rindo e a encarando.
– Tá bom, agora eu to indo. – Anita disse, virando-se para ir embora.
– Hey, desistiu de tomar água. – Falou ele a puxando pelo braço.
– É desisti, agora me deixa vai. – Anita respondeu incomodada. – Ben me solta, eu tenho que ir dormir. – Ela ordenou o fitando por um momento.
– Fala a verdade Anita do que. — Ele riu da cara dela. — O que você tem tanto medo. – Perguntou ele não fugindo dos olhares dela.
– Da cuca, a Ben não me enche. – Anita respondeu, se irritando e se debatendo para que ele a soltasse.
– Ou do que acontece com a gente, quando a gente tá muito perto um do outro. – Ben afirmou a provocando, e soltando o braço dela.
– E você deve estar com algum problema, pra estar tão enganado desse jeito. – Anita respondeu se aproximando dele novamente sem se intimidar. – Eu não sinto nada por você, deixa de ser convencido. – Ela disse com desdém.
– Tem certeza, não é o que teu olho me diz. – Afirmou ele, se aproximando ainda mais dela.
– Para, você não tem o direito de fazer isso. – Anita respondeu, se encostando na pia para escapar das investidas dele.
– O que, eu ainda não fiz nada. – Falou ele sorrindo debochado.
– Olha aqui, vai pro inferno você, e essa tua mania de abrir um sorriso, e me fazer derreter toda. – Anita acabou se entregando. — Acabou isso tá, eu não sou mais assim, e isso não funciona. – Murmurou ela, em meio a confusão que rodeava a sua cabeça.
– Será, será mesmo que você tá certa, ou você ainda sente alguma coisa por mim, a gente senti Anita. – Ele afirmou encostando sua testa com a dela.
– Para, desiste, porque eu não vou te beijar. – Respondeu ela, totalmente perturbada.
– Eu também não vou te beijar. – Ben falou com um sorriso nos lábios.
– Ham tá, ficamos assim então. – Disse ela, sentindo as respirações curtas dos dois, tão próximas.
– Teu perfume ainda é o mesmo, foi de caso pensado isso. – Ben falou, colocando uma de suas mãos no cabelo dela, enquanto seus rostos trilhavam uma batalha para que nada acontecesse.
– Eu, eu devia de ter pensado nisso antes, aliás, eu te digo a mesma coisa sabia. – Afirmou ela em meio à confusão que se instalou dentro de si, enquanto enroscava seus braços em volta do pescoço de Ben.
E os dois acabaram rendendo-se a um beijo que iniciou calmo, mais que foi se tornando cheio de vontade, principalmente a julgar por seus corações acelerados que batiam em um eterno compasso, Ben envolveu um de suas mãos em volta da cintura dela, os aproximando ainda mais, os dois se sentiam como se o tempo tivesse voltado para trás, e eles nunca tivessem se separado, ambos relutavam em parar com o beijo, embora já estivessem quase que sem ar.
– Ben, para, isso tá errado, e completamente absurdo. – Anita balbuciou em um lapso de realidade.
– Mesmo, porque eu não acho que esteja tão errado assim. – Respondeu ele ofegante.
– É pensando bem. – Anita afirmou o puxando pelo ombro para o beijo novamente.
– Não mais tá, eu não posso, o Gustavo ele não merece isso. – Respondeu ela tirando as mãos dos ombros dele e se afastando.
– E isso muda o que Anita. – Ben proferiu se aproximando novamente.
– Tudo, muita coisa, eu não virei uma louca traidora, eu não posso fazer isso, se bem que nem o meu coração e minha cabeça me obedecem, porque isso. – Afirmou Anita, partindo para um novo beijo.
– Ah, não, eu não posso, parou com isso agora, eu não posso. – Anita levantou em completou surto do sofá, gritando.
– Que isso filha, que foi. – Vera veio da cozinha assustada com os gritos dela.
– Oi, onde eu to. – Ela respondeu sem ar, e totalmente confusa.
– Na sala do casarão Anita. – Meg explicou, não entendo.
– Ai meu deus, eu não acredito nisso. – Anita pensou com um sorriso confuso.
– Não acredita no que, e você não pode fazer o que. – Giovana indagou rindo.
– Uhh, eu, sabe que eu não lembro. – Anita viu sua cabeça rodar, depois do sonho.
– O que tá acontecendo aqui gente. – Ronaldo afirmou entrando com Ben em casa.
– Nada, eu acho. – Respondeu Meg, sorrindo de maneira maliciosa.
– Acho que eu, cochilei só isso Ronaldo. – Anita justificou, segurando-se para não rir da situação quando colocou os olhos em Ben.
– É né, e teve ter sido um bom de um pesadelo. – Meg debochou.
– É, acho que tive um pesadelo mesmo, um pesadelo completamente surreal. – Anita afirmou, não entendo o que aquilo queria dizer.
– O filha, também acordou tão cedo hoje. – Vera falou a ela.
– Demais, eu bom, eu vou subir. – Anita afirmou, indo até as escadas.
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