Encontros, desencontros e novos encontros
16 Capítulo 16:
Notas iniciais
Continuação:
– Eu sei. – Respondi tendo que concordar com ele. – Ótimo, fica na tua que eu fico na minha, pelo menos até isso tudo acabar e a gente poder voltar, de aonde nós viemos. – Afirmei taxativa.
– Também acho. – Ben me proferiu, parecendo não ter gostado nem um pouco do que eu falei.
– Ok, eu vou embora, bom passeio pra você, e vê se não quase mata mais ninguém, pulando pedra e caindo por cima das pessoas. – Definitivamente eu precisava sair dali, uma angustia estava se instalando em meu coração, que insistia em bater rapidamente.
– Tchau, e não fica andando desatenta por aí e depois culpando os outros pelas coisas. – Ben afirmou meio irônico, eu não respondi nada e sai andando depressa.
– Espera, primeiro, eu preciso de perguntar uma coisa, eu vivi esses anos precisando muito ainda te perguntar isso. – Ben disse me puxando pelo braço com força, e me segurando eu não pude deixar de sentir o calor da mão dele segurando meu braço.
– E o que seria. – O questionei.
– Pelo menos você tá feliz, porque você me deu um pé na bunda e foi embora, já que você optou em ficar com o teu orgulho intacto depois de tudo. – Ben indagou de maneira nada amigável.
– Meu orgulho. – Eu ri sarcástica. – Que orgulho. – Perguntei irônica.
– O meu orgulho, foi tirado de mim, quando todo mundo viu aquele vídeo, que fez da minha vida um inferno, com cada gesto, com cada palavra de deboche, e de humilhação que eu ouvi, que eu passei, cada vez que eu não conseguia entrar em um lugar de cabeça erguida, porque tinha sempre um cochicho, um burburinho, um olhar maldoso. – Fiz uma pausa para encara-lo.
– Que fez com que nada fosse igual, eu acho que eu nunca pude ter a minha cabeça cem por cento, erguida, depois daquele dia. Eu tirei meu orgulho quando eu lutei desde o inicio, por o amor de um cara que sempre foi apaixonado pela minha irmã, e nem coragem de admitir isso tinha. – Quase que gritei pra ele.
– Você não pode estar falando sério, eu corri atrás de você, me expliquei e mesmo assim, você não me perdoou e foi embora, e agora a culpa é minha, você foi de muito adianto mesmo, principalmente com aquele teu noivado ridículo com o Antônio. – Ele tentou não se abalar, e respondeu, me encarando.
– É, realmente eu sou ridícula, enquanto você pagava a minha irmã, eu tentava te proteger dele, me arriscando em ter que ficar perto dele, e olhar na cara daquele desgraçado, depois de tudo. – Esbravejei atordoada.
– Você podia ter me contado a verdade, mas não contou, você cavou isso tudo antes mesmo de mim. – Ben afirmou de volta.
– Que se dane você, isso não é mais da minha conta, morreu, acabou, e eu realmente não sinto muito, em não querer nunca mais olhar na tua cara, a Sofia ainda esta disponível, vai lá, me deixa, chega de infernizar minha vida com essa história, já não basta tudo que houve até aqui, pega as tuas acusações e vai viver bem longe de mim, eu não me importo, eu só não vou perder o resto de dignidade que me sobrou por tua causa, pelo o que você pensa de mim, eu nunca me importei, não seria agora que iria me importar. – Tentei tomar fôlego.
– Anita eu, eu. — Ele parecia procurar as palavras para continuar a falar.
– E se você acha, que ter a possibilidade de ter um filho com minha irmã não é nada, o problema é teu, não meu, a gente nunca iria ter um final feliz, foi burrice insistir, eu não sei por que que eu concordei com isso, depois de tudo que eu já tinha passado, a Sofia tem razão quando jogou na minha cara quase que sempre, que eu sou uma idiota iludida, cai de amores por um cara que eu nunca tinha visto na vida, e mesmo depois de tudo que eu descobri, ainda acreditei nas promessas dele, e virei minha vida de cabeça pra baixo por isso, não é brincadeira e nem mentira quando as pessoas falam , que quando a gente é jovem, a gente acha que tudo dura pra sempre, acha que tudo é muito fácil, é bom sonhar, só que pena que eu descobri cedo de mais, que a gente jamais pode acreditar nisso. — Eu soltei, com os olhos já marejados. – Sai da minha frente. – Falei meio que o empurrando e sai dali depressa, Ben ficou imóvel e não veio atrás de mim, e eu dei graças a deus por isso.
Caminhei pelas ruas do Grajaú até o casarão em completo, estado de descontrole comigo mesma, minha vontade era de sumir dali, o mais rápido possível mesmo que eu soubesse que não podia fazer isso, aquela situação estava me sufocando e me matando aos poucos, eu não conseguia lidar com tudo aquilo, as minhas forças e argumentos para disfarçar aquilo estavam acabando, e eu não sabia de onde tirar mais.
– Filha, bom dia. – Minha mãe me disse quando me viu entrar em casa.
– Oi, bom dia. – Tentei disfarçar ao máximo minha cara desolada.
– Senta, toma café com a gente. – Ela me sugeriu, com um enorme sorriso que me acalmou por um instante.
– É tá, eu vou só tomar um banho, pra acordar de vez, andei por ai, caminhei um pouco. – Respondi com um sorriso para ela e pro Ronaldo.
– Vai lá então, vamos te esperar. – Ronaldo falou com alegria, numa coisa o bom tinha razão, eu sabia que estava maltratando todos com minha ausência, o que me fez querer desabar ali mesmo sem pensar em mais nada.
– Eu vou, já venho aí, prometo não demorar. – Tentei fazer uma cara calma e feliz, e sai em seguida.
Entrei no quarto e não me aguentei, minha respiração ofegante, meu corpo sem forças, eu não consegui segurar minhas lágrimas que caíram muito rápido, era uma angustia que queria sair pra fora a qualquer custo, eu segurei aquela situação até ali, mas agora cheguei em meu limite naquele momento, me sentei na cama, arrumada pela Meg, com certeza que não estava no quarto, escorei minha cabeça sobre minhas pernas e chorei sem parar, na minha cabeça ainda vieram o do porque daquilo, era só uma namoro de uma garota de 17 pra 18 anos, que não deu certo, haviam milhões de dias me separando daquilo tudo, e mesmo assim a vida me insistia em me atormentar com aquilo, eu fazia questão de me condenar por tudo alquilo, eu queria muito que a resposta não fosse aquilo que as vezes passava em minha cabeça, que eu ainda podia amá-lo, o que seria o pior castigo que poderia acontecer na minha vida naquele momento, e pra sempre, seria o pior sentimento para mim, que eu poderia nutrir pelo Ben naquele momento, depois de tudo, amor, um amor que se existisse iria tirar o meu chão como antes, um amor que me mataria aos poucos, e eu não aguentava tanto sofrimento, eu já tinha fantasmas de mais em minha cabeça, eu não podia amá-lo, isso seria meu fim, minha eterna desgraça, e não é possível que a vida me castigaria tanto a esse ponto.
– Anita, que foi. – Meg sussurrou para mim, colocando uma de suas mãos em minhas costas.
– Meg, eu to bem, mais me deixa sozinha, por favor. – Eu pedi erguendo minha cabeça, e disfarçando as lágrimas.
– Tá mais, o que foi. – Perguntou ela com uma cara preocupada
– Nada, eu só preciso tomar um banho, botar minha cabeça em ordem. – Respondi querendo tranquiliza-la.
– Certo, eu vou descer. – Meg acabou concordando.
– Tá, mais não conta pra ninguém que você me viu aqui, assim. – Pedi a ela.
– Não, eu não vou falar. – Ela me falou com sorriso.
– Obrigada. – Eu agradeci, vendo ela sair e fechar a porta.
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