Encontros, desencontros e novos encontros
107 Capítulo 107:
— Ué achei que a Meg tivesse aqui com você. – Ben indagou quando entrou no quarto de Anita e da americana. – Anita. – o rapaz chamou por ela que parecia concentrada em qualquer outra coisa menos em notar sua presença por ali. O rapaz apenas sorriu o olhando. Era fascinantemente linda, até mesmo com a cabeça e todos os pensamentos no mundo da lua.
— Ah eu não sei Ben, ela saiu e simplesmente não me respondeu quando eu perguntei. – a moça disse no momento que se despertou do que fazia, ainda com o notebook sob as pernas. Notando que ele lhe encarava no mínimo de um jeito intrigante.
— Eu to te atrapalhando. – Ben indagou em tom sereno fechando a porta devagar.
— Não imagina, era só uma ideia pra um trabalho, nada de importante, pra ser exata é melhor eu parar porque eu to mesmo precisando é dormir. – Anita garantiu sorridente explicando que não fazia nada de importante. – Mais me diz pra onde Marcelo foi que não apareceu. – Anita perguntou, olhando para ele parado perto a cama apenas prestando atenção em si.
— Eu não sei, a mim ele disse que ia ficar com a mãe. – alegou Ben com um semblante não muito convencido da desculpa do amigo. Ou só talvez fosse ele que estivesse curioso demais.
— Ih então pronto, tá por aí com a Meg, aposto... – a garota riu de sua constatação. – E depois a gente é que se apaixona fácil. – zombou ela soltando o computador sobre o bidê e logo depois soltando o corpo a cama parecendo pra de lá de exausta.
— É impressão minha ou também você acabou de confessar que está apaixonada por mim. – o rapaz demonstrou uma expressão surpresa, sorrindo internamente, pela confissão despretensiosa de Anita, que com certeza a fez, porque se quer notou o que falava direito. Ele jamais poderia perder aquela oportunidade de alfinetá-la um pouco que fosse.
— É, pois então, faz o que você quiser com ela. – Anita mexeu os ombros indiferente, apenas se concentrando na sensação de cansaço e ou mesmo tempo reconfortante que sentia, toda vez que pensava no colchão tocando suas costas. Ben se esgueirou ao lado dela na cama, maneando a cabeça negativamente como se deixasse claro, de que não concordava com seus argumentos, quase que infundados.
— Se tá legal. – Ben se aproximou dela as risadas pela maneira cansada que Anita se espichava.
— Não, eu to acabada, tem osso que doí e eu nem sabia que tinha. – Anita confessou com risadas, esfregando o rosto enquanto fechava os olhos.
— Ahn tá e isso seria uma vitória pra toda humanidade, normalmente é você que vence todo mundo pelo cansaço, difícil mesmo é acompanhar teu jeito teimoso. – ele debochou dela sentando a cama, apoiando as pernas dela em seu colo.
— O que você quer, uma confissão de culpa minha, ou pior que eu me renda, bandeira branca, ai acho que eu sou, não tão boa em voltar atrás. – confidencia Anita, era verdade em parte, sempre precisou de muita determinação para seguir em frente. – Se quer me chamar de egoísta também seja mais claro tá. – ela olhou de relance para frente não muito disposta a discutir.
— Não, eu só estou dizendo que às vezes você subestima a si mesma, se nega a ver que você precisa se cuidar. – ele afirma a retrucando impiedosamente. – E que precisa deixar alguém cuidar de você. – garante Ben estendendo um olhar fixo na direção dela, que ri em ironia por alguns segundos.
— Vai parecer muita carência se eu disser que na maioria das vezes ninguém nunca cuida de mim. – Anita soltou sem ligar muito para a realidade de suas palavras ou as consequências delas, enquanto sentia as pontas dos dedos de Ben brincando em mexer em seu tornozelo. – Não ri tá... – ordenou ela debochando de si mesma. – Normalmente alguém só lembra de mim, quando é pra despejar um problema gigante pra mim resolver. – ela continua o fitando entre um olhar mortífero, no fundo sabia que estava certa, as pessoas tendiam a depositar responsabilidades em cima de si, como se ela fosse capaz e tivesse o dever de aplacar seus sofrimentos e dores, mas raramente lembravam-se de que ela podia sofrer tão ou igual a elas, era algo já entranhado em sua existência desde sempre.
— A coitadinha dela. — Ben afirmou encarando Anita com um ar sorridente. — E se eu cuidasse de você agora mesmo, acho que alguém aqui tá precisando hein. – ele opinou se deslocando até ela e desfazendo o sorriso da garota com um beijo.
— No momento, eu nem preciso de muita coisa, só de fechar o olho, simples nada mais. – Anita ri com ar de negação, depositando desdém em seus lábios, depois do beijo doce que recebeu dele.
— Realmente muito, quase singelo. – Ben recitou zombeteiro, suspirando pesado contra o pescoço dela.
— Vem cá, você só veio aqui pra atrapalhar meu sono, mesmo. – Anita percebeu-se completamente tentada em se perder nos beijos e caricias dele, até mais nada fossem tão importante assim.
— Não necessariamente, eu queria mesmo era te beijar. – confessa Benjamim, entre um sorriso cheio de leveza e intenções.
— Se você ficar mesmo, falando isso de cinco em cinco minutos e com esse sorriso, vou levar tão a sério, que vou me apaixonar ainda mais por você. – Anita admitiu que ele era sua perdição mais fácil, levando seu rosto a encarar a face minimamente alegre do rapaz devido a sua confissão momentânea.
— Eu acho que eu não vou achar ruim não, já é tão difícil arrancar uma confissão desse teor da tua boca que sinceramente, que eu acho que ficar ouvindo, mesmo que tão raramente, não é nada ruim. – Ben também confessou em total concordância com ela, levando seus lábios juntos para os dela, em extrema paixão e vontade.
— É simples assim. – Anita sorriu travessamente, parecendo querer encontrar de novo ar para seus pulmões, estar tão perto dele, sempre seria algo novo e extremamente complexo de se recusar. – Quem sabe só por hoje, você não é atendido, e eu me renda. – Anita brinca sorridente, o puxando mais para si enquanto segura a gola de sua camisa.
— I'm in love with you, estoy enamorado de ti, ou seria, je suis amoureuse de toi... – Ou também... — Sono innamorato di te... – Anita ria quase que auto de suas recordações desenfreadas. – Realmente a muitas formas, deu dizer que estou apaixonada por você, por mais que isso seja plenamente real. – ela confessa trocando sorrisos maravilhados com ele.
— É real, muito real. – Ben concorda quase que de imediato, enquanto os dois esquecem de tudo novamente e se beijam com certa urgência.
— Ai tá chega, to ridícula já, bom como se eu não fosse. – Anita retrucou entre risadas sem disfarces, parando de rolar na cama e saindo de cima dele. – Heiii...- a garota lhe chamou, ainda sorrindo um pouco tentando entender o que se passava, no momento que se afastou um pouco sentando ao lado dele na cama. – Eu me rotulei como ridícula, mais não era pra você concordar não. – Anita reclamou acertando um tapa no braço dele que somente lhe olhava parecendo distante.
— Que isso. – Ben teve a reação de rir da atitude dela, no momento que o peso da mão da moça lhe despertava de seus pensamentos confusos.
— Não tem graça Ben. – Anita protestou meio que bufando.
— Lógico que não, impossível entender mesmo, como uma mão tão delicada, magrela, e minúscula, pode ser tão pesada... Ben reclamou, mesmo que não tivesse forças para parar de rir dela.
— Eu não to falando da minha mão não tá, mais sim de você, para de me olhar como se eu fosse um ETE verde e de outro planeta, só porque tecnicamente, eu confessei que eu gosto de você, é esquisito até pra mim mesmo, mais fazer o que. – Anita percebe que podia a esta altura, não haver mais caminho de volta, para maquiar o que sentia por ele, os dois já haviam decido selarem os destinos de ambos em um só caminho e por tempo indeterminando, já que acreditar na eternidade poderia ser arriscado até para eles, mesmo com tanto amor em jogo.
— Como você pode ser tão linda e ao mesmo tempo tão doida hein. – ele pergunta com o olhar fixo sobre ela, que ri em ironia.
— Faço a menor ideia, mesmo que eu não concorde com o linda, mais ok. – diz ela desdenhando um pouco de toda certeza.
— Bobona. – Ben provoca se sentando um pouco mais próximo dela.
— Heii essa frase também é minha tá. – Anita o alerta fingindo agir severamente.
— E eu te amo, demais, absurdamente. – o garoto também confessa, acariciando de leve a ponta do queixo dela. – Deu um jeito que eu achei que nem dava pra amar alguém um dia, e muito menos ainda achar que depois de tantos caminhos perdidos e sem você, esse amor ainda iria sobreviver dentro de mim, que esse amor iria me iluminar fazer meu coração sorrir. – Ben emenda, fazendo um sentimento de paralisia percorrer por todo corpo de Anita.
— Aí fico me perguntando que diabos, eu vou fazer desse sentimento, se você sair de perto de mim, se eu te perder de novo. – ele deixa seu medo escapar mesmo sem querer.
— Você tá querendo me fazer chorar, tá quase conseguindo. – Anita retruca, no momento que tenta sufocar uma ansiedade sem fim dentro de si.
— Não. – ele nega de imediato. – Eu só to querendo de fazer entender, de uma vez por todas, que o que eu sinto por você, nunca vai se apagar, ou mesmo deixar de existir só por uns beijos e uma noite incrível, não que aquela noite, não tenha sido absurdamente inesquecível, o que eu to dizendo, é que e mais que isso, é algo que eu sei que eu nunca vou conseguir arrancar de dentro de mim. – Anita engole em seco as palavras dele, ignorando o bolo em sua garganta que desce atravessando seu estômago com tudo. – E dá um medo tão grande de pensar que eu posso ter que te deixar ir. – ele alega, envolto pelo próprio mar de confissões.
— Pra onde Ben. – Anita indaga emotiva, impedindo a lágrima que saía de seu olho atravessar seu rosto.
— Tua vida, teus sonhos, teus planos, tudo que você lutou tanto pra ter e que não seria nem justo você desistir, agora, e justo por minha causa, eu jamais poderia permitir. – o rapaz esclareceu o motivo de seus supostos devaneios.
— E você acha que eu já não pensei nisso, tem um mar de imensidão no meio da gente, basicamente dois continentes. – Anita percebe que também já viu está preocupação lhe rondar. – Pior é que eu seria capaz de largar tudo em Londres pra viver contigo em Nova Iorque, é estupido, é imprevisível, é burrice eu sei, mas o pior é que eu seria, é pelo visto depois de anos achando que eu tinha ganhado um pouco de racionalidade, eu voltei a ser alguém muito senil, e eu estou me arrependendo dessa confissão desde já. – Anita enterrou a cabeça no travesseiro em seu colo, pensando melhor não ter dito nada daquilo.
— Eu não iria poder permitir Anita. – Ben pensa que aquela não era uma decisão realmente certa, não podia exigir tanto dela assim. A amava, porém nem todo amor justificaria tanta interferência em sua vida de tal maneira.
— Hum e você manda em mim por acaso, desde quando mesmo, ah deixa eu ver, nunca. – Anita levanta o rosto com um olhar totalmente altivo a ele. – Emprego eu sei que eu consigo, meu chefe tem uma matriz justamente lá, e algo me diz que ele nunca permitiria perder assim tão facilmente, uma funcionaria tão voluntariamente brilhante. – Anita brinca com a situação por segundos, somente fazendo os olhos de Ben brilharem diante da possibilidade, dos dois ficarem tão próximos. – Vai, pelo que eu me lembre nós temos quinze dias pra pensar. – Anita sorriu em pura travessura, se aproximando dele sorridente, querendo mesmo era esquecer de qualquer futuro próximo, só queria mesmo o momento que os dois poderiam ter, isso sim parecia algo mais fácil. Ben continuou mudo, ainda impactado com tudo que ouvira ali, despertando de alguma forma só quando se deu conta de que ela o puxava para um beijo empolgado, aonde não haveria espaço para nenhum outro sentimento que não fosse amor. – Tranca aquela porta ali vai. – Anita pediu sorridente, no momento que se viu parando de desabotoar a camisa dele.
— E a Meg, ficou doida. – Ben tentou lembrar Anita, de que a americana ainda dormia naquele quarto.
— Se ela voltar, ela que durma com o Marcelo se quiser, não mandei sumir repentinamente. – Anita zoou entre sorrisos e nenhuma preocupação, fazendo apenas Ben rir da situação.
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