— E aí você aceita ou não. – Marcelo repetia o questionamento cheio de medo da reposta que ouviria da loira. – Meg, fala alguma coisa. – ele quase suplica quando percebe que a loira continua do mesmo jeito inércia e sem se quer dar alguma reação.

— Você... – Você tá dizendo namorar, namorar assim mesmo, do jeito que... – Meg gagueja se esquecendo de todo o resto, parecendo não ter compreendido direito ainda a pergunta feita por ele.

— Sim claro, tem outro jeito de duas pessoa namorarem, namorar de verdade, partilhando as coisas boas, as ruins quando acontecer, ajudando, sendo amigo também, e também ficando bem pertinho, até a gente decidir que já dá pra casar e ficar junto pra sempre. – o rapaz se aproximava dela aos sorrisos.

— Você já não está indo rápido demais. – a loira ri, meio surpreendida pelo que foi dito por ele.

— É, desculpa, eu até tinha tentado ensaiar um discurso, mais quando eu chegava no final, eu já não sabia qual era o começo, aí desisti. – Marcelo esboça um sorriso de alivio procurando controlar seu nervoso. – Você aceita então?

— Marcelo, claro que eu aceito, sim eu quero ser tua namorada. – Meg abriu um sorriso iluminado, respondendo o questionamento com emoção.

— Ai meu deus muito obrigado. – Marcelo se pôs a agradecer para os céus.

— Para de loucura. – a estrangeira começou a rir, batendo no braço dele.

— Eu gosto muito de você, mesmo de verdade, como se fosse diferente, especial. – Marcelo declara esquecendo do resto apenas olhando para ela.

— Eu também. – Meg revida, apenas vendo ele sorrir ainda mais, e logo depois a beijando com empolgação e em total alegria.

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— Ah bom dia pra todo mundo minha gente. – Anita chegou se sentando na mesa com pressa.

— Oi filha. – Vera sorriu sentando sem seu lugar ao lado do marido para tomar seu café. – Tomar esse café direito Anita, e tira esses óculos escuros a essa hora da manhã, Anita filha isso me dá nervoso sabia, vocês sempre com pressa. – Vera foi repreendendo o jeito ligeiro que Anita se portava.

— Dona Vera querendo me ensinar como me portar a mesa, tá meia atrasada você não mãe. – Anita riu debochada e sem dar importância, apenas pondo açúcar na xícara de café puro que havia servido.

— E desde quando você aprendeu a ser tão dissimulada Anita. – Giovana implicou com a irmã mais velha, achando graça da cara de Vera para a filha.

— Vai ver eu sempre fui. – ela brinca sorridente. – Aliás, falando em dissimular, como ninguém me diz que iria ter show do Jorge e Matheus lá no Embaixada, vocês nunca me convidam pra nada que preste mesmo não é. – Anita cobrou da ruivinha deixando o café de lado.

— Ai você se entende com meu pai. – Giovana disse apontando para Ronaldo.

— Foi de última hora Anita, mas semana que vem terá mais. – Ronaldo quis justificar-se sorrindo terno.

— Olha melhorou, desculpas aceitas. – Anita riu acatando o pedido da mãe e tirando os óculos.

— E come um pão ao menos Anita. – sugere Vera.

— Não vai rolar mãezinha mesmo. – Anita se desculpa. – Eu perdi a hora pra variar e alguém também não me ajudou quando ficou falando parte da noite no meu ouvido. – ela olhou toda risonha para Meg.

— Ah sim eu. – Meg riu implicante. – E na outra metade da noite você fez o que. – perguntou a loira com uma sonora gargalhada.

— Eu, ué eu... – Eu dormi né, o sono dos justos quase dos anjinhos. – Anita riu, e evitar olhar para Ben calado a sua frente sentado ao outro lado da mesa. – Aliás, vocês Clara e Vitor, dormiram bem. – Anita indagou fitando os dois que até então estavam mudos.

— E porque nós não dormiríamos, Anita. – Vitor devolveu meio curioso com indagação.

— Não, concordo com você, se eu tivesse uma mordomia desta na minha época, acho que teria me evitado algumas manhãs de pleno mau humor, mais a vida não é feita de justiça não é, e sim de oportunidades, e o meu moralismo me fizeram perder algumas, ou muitas. – Anita argumentou com certo deboche, se erguendo apressada.

— Bom dia, bom dia. – Marcelo chegou todo feliz a mesa se juntando a todos.

— Senta pra tomar café Marcelo. – Vera convidou sorridente.

— Não, não eu acordei mais estou saindo, já estou atrasado inclusive, deixa pro almoço que sem dúvida dona Vera eu não vou recusar. – o garoto se justificou.

— Tá indo pra onde. – Anita perguntou despretensiosa.

— Leblon por que. – ele rebateu.

— Serve, me dá uma carona. – Anita pediu.

— Com um pedido desses. – Marcelo riu do jeito direto da garota.

— Marcelo acho que você já entendeu que se pra ter tua amizade eu vou ter que te bajular não rola, talvez eu seja mesmo prática demais pra isso. – Anita justificou caminhando até a sala.

— Pobre de mim não é, bora lá. – Marcelo sorriu irônico. – Depois eu quero falar com você. – informou ele apontando para Ben.

— Ok. – Ben não discutiu.

— É, ele quer contar as novidades. – Anita implicou risonha parada ao lado do garoto, já sabendo mais ou menos do que se tratava.

— E temos novidades Marcelo. – Ben achou graça, ainda mais quando viu Marcelo tentou passar despercebido.

— Cara na moral, prefiro quando os dois acordam de péssimo humor. – Marcelo riu sem graça, apenas fazendo gesto negativo com a cabeça.

— Não fala assim que magoá poxa. – Anita afirmou. — Meg a gente se fala tá. – Anita respondeu que as duas terminariam a conversa interrompida por total sono.

— Tá bom, mais agora some, antes que eu fiquei com raiva também e arrependida. – a loira disse como ameaça.

— Eu sei que dá pra boca pra fora, você me ama, não nega que é pior. – Anita saiu rindo.

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— Quer dizer que meu amigo esta mesmo namorando, agora é oficial. – Ben achava total graça da novidade dita por Marcelo. – Deus será que eu deveria acender uma vela pra algum santo pra agradecer que finalmente esse menino curou a dor de cotovelo pelo noivado desfeito, isso é quase um milagre. – zoou ele fazendo gesto de levantar as mãos.

— Hahaha, vai zoando vai, to feliz mesmo, e modéstia parte você também tem culpa nisso afinal... – o rapaz disse terminando de vestir um casaco.

— Eu também estou e muito por você, e pela Meg também claro. – no final Ben lhe felicitou pela relação com a americana. – Mais claro pensa direito, vê se não vai fazer nenhuma bobagem, até porque você sabe que o primeiro o socar tua cara e te puxar a orelha por isso seria exatamente esse amigo aqui. – ele o lembrou. – Você sabe que eu gosto muito da Meg, e eu não vou aturar ver você fazer ela sofrer, ela não merece tá, então vê se anda na linha. – aconselhou Ben sério.

— Eu sei, se depende de mim, a gente vai ser muito feliz. – Marcelo afirmou sorrindo para o nada.

— Que bom, eu fico feliz de verdade por você e por ela, os dois merecem muito. – Ben reforçou.

— E eu não vou contestar, eu quero mais é que você esteja plenamente certo. – Marcelo diz transparecendo felicidade. – Mais você também vai ser, algo me diz que acabou os dias de fossa pra nós dois meu caro. – o rapaz supôs todo animado, fazendo Ben dar sonoras risadas do comportamento dele.

— É, eu queria mesmo poder te dizer que minha situação com a Anita me empolga a esse ponto. – Ben suspirou, meio incerto ainda do futuro de seu envolvimento com a ex-namorada. – Claro que eu gosto de estar com ela, ela me faz bem, vai ser sempre especial, mais sei lá Marcelo, não é como começar uma relação agora, como você está fazendo com a Meg, tudo no início é muito lindo, muito incrível, não que ainda não seja, até porque se tem uma coisa que não cai na rotina é nada ao lado da Anita, e isso não mudou, ela é excepcional e eu nem poderia dizer que não, jamais... – pronunciou ele em parte com um sorriso leve pela lembrança da garota – Mais a gente ainda tá meio preso naquele passado distante, as marcas não nos abandonam tão fácil, às vezes eu sinto ela, escorregadia, confusa, receosa, sempre pensando ao máximo em tudo, e em cada passe, no fundo ela tem medo, talvez eu tenha também, e talvez eu esconda melhor do que ela, até me jogo mais, ignoro com mais naturalidade isso. – confidencia Ben. – Pior é que eu nem posso dizer que ela está errada, a gente já tentou tantas vezes, é tanta promessa quebrada que sei lá, mais ao mesmo tempo eu queria mesmo esquecer tudo o resto e começar de agora, sem passado, sem medo, sem futuro, só com meu presente e pronto, e em alguns momentos eu até sinto que a gente posso conseguir, sei lá. – o rapaz afirma um tanto confuso com suas percepções.

— É brother, é difícil, mais não julga ela não, como você disse, a Anita tem os motivos dela e você sabe não é. – Marcelo pondera sentando na cadeira de frente para a cama enquanto encara Ben. – No fundo ela se viu muito sozinha, ficou sozinha esses anos todos, sem ter com quem contar, com quem conversar, sem se quer poder sofrer aos olhos de alguém, é sufocar a dor da gente Ben, só chorar baixinho quando ninguém tá vendo, manter a pose, se reerguer, teimar em continuar, como dizem por aí não dar chances pros teus inimigos te pisarem, e não é fácil. – pressupõe o garoto, Ben fica em silêncio sem discordar.

— E talvez até nem tenha sido a melhor atitude da Anita pra ela, mais se ela não tivesse feito isso, o que ela teria das pessoas a pena, desculpa... – Mais, ela é uma menina bacana demais pra merecer tão pouco de pessoas que são tão importantes pra ela. – diz Marcelo, sem esconder a simpatia que havia adquirido em tão pouco tempo pela menina. – Dá um tempo pra ela, ela vai confiar em você de novo, mais vai na calma, sem pressão, vai indo meio de lado assim, respeitando o espaço dela, que você chega lá, deixa ela se acostumar com a ideia, aceitar a relação de vocês, sem essa tua empolgação que faz tudo no impulso hoje e agora, e o resto que se dane. – ele ri do próprio concelho que acaba trazendo uma critica em direção do amigo.

— Ah entendi, o apressado sou eu, engraçado quem pediu a Meg em namoro em menos de três semanas foi você, não eu, irônico, inconclusivo, não. – Ben o provoca.

— Ai que engraçado. – Marcelo ralhou forçando um sorrido de ironia. – Ben não vem não tá, eu te conheço ok, você ainda é aquele tipo de cara que dorme com uma menina hoje e amanhã pede em casamento. – Marcelo não se convalesce diante da crítica. — Você não é racional pra essas coisas não meu caro, ao contrário, por mais que você esteja cotado a ser, aliás já é não é, agora só falta o resto, um dos melhores Engenheiros desse mundo, ninguém te passa pra trás no quesito profissional, mais quando teu coração tem que apitar ferrou, não tem cálculo, não tem lógica alguma que funcione. – Marcelo fica a gargalhar.

— Posso concordar em parte somente, porque você exagera não é. – Ben jamais lhe daria razão.

— Não, eu não, é assim sim, não adianta negar, quer dizer ao menos você é exatamente assim quando o assunto é uma certa garota que já foi tua namorada, que você era mais que apaixonado, você era obcecado praticamente, e tá vendo que ainda é, que por sinal se chama Anita, coincidência não é, que por sinal virou uma mulher incrível, e que está acabando com a tua sanidade desde que você chegou aqui né. – o rapaz continuou com suas questões.

— Na boa Marcelo, eu me recuso a continuar esse papo, com você não dá, você sempre acha que sabe mais da minha vida que eu mesmo, aí eu vou falar o que, te dar razão, como se você precisasse ser mais convencido do que já é. – Ben esquece o livro e apenas levanta da cama contrariado tentando encerrar o assunto e pensar que era mesmo pura exagero do amigo.

— Ben eu sou realista, ao menos quando se trata da vida dos outros, você e a Anita são que nem nitroglicerina pura uma hora voa tudo pelos ares. – ele ainda contrapõe as risadas. – Vocês sentem um pelo outro um amor impulsivo, você não liga pra isso, você vai e se joga mesmo, e a Anita foge tanto porque ela sabe que toda vez que te enxerga, ela quer fazer a mesma coisa, esquecer do resto e só estar com você. – ele diz, fazendo Ben lhe fitar com uma expressão de pura ironia. – E não adianta você me dizer que eu sou exagerado, que você não perde a cabeça por mulher nenhuma, realmente nunca te vi perder a cabeça por mulher nenhuma, normalmente é ao contrário mesmo, agora toda vez que eu te vejo perto da Anita, eu tenho toda certeza que eu vou repensar isso, porque você não perde só a cabeça não, vai corpo o inteiro, você inteiro se perde meu caro, e olha que eu não precisei ver muito dessa história pra perceber isso. – Marcelo ressalta.

— Marcelo você não tinha um compromisso, pode ir. – Ben acaba rindo e aponta a saída para o amigo.

— Não é mais tarde mesmo, lá na loja pagar uma coisa que minha pediu. – Marcelo nem liga para ele. – Porque vocês não foram no show ontem hein, tava legal, a Giovana disse que você iria aparecer por lá. – o rapaz questiona ao lembrar que o amigo sumiu por completo.

— É acabei me enrolando e nem fui mesmo. – Ben afirma indo mexer no computador.

— Ahan sei, vocês dois sozinhos aqui, agora eu entendi porque você não fez questão nenhuma de ir ver tua irmã cantar, rever teus amigos. – Marcelo encara Ben, com um olhar travesso.

— Marcelo, eu juro que eu não entendo porque eu ainda me dou ao trabalho de falar com você. – Ben suspira sem paciência, pensando que era melhor não escutar mais nada.

— Ben desculpa mais... – Marcelo percebeu que se continuasse levaria outra dura.

— Tá bom você vai o que? – Ben esquece o que faria e o olha incrédulo. – Esperar eu que eu confirme, pra assim só pra saber, você contar pra casa inteira, pro bairro, pro universo. – ele se estressa.

— Não, de modo algum, eu não sou fofoqueiro, pode até parecer mais não sou, eu só falo demais as vezes, só isso. – ele se explica quase rindo da própria justificativa. – Mais não está aqui quem pensou nada não...

— Ótimo, até porque, eu não deveria mais respondendo a tua curiosidade, não aconteceu nada, nada ok, também nem se eu realmente estivesse pensando nisso nessa casa seria impossível, e depois eu acho que eu realmente não to afim de fazer a última coisa que talvez eu não tenha feito pra desrespeitar a família, como disse muitas vezes meu pai. – Ben alega.

— Ok, é fica difícil mesmo, mais de repente eu posso te ajudar. – Marcelo supõe com um olhar esperto.

— Marcelo que isso. – Ben acha mesmo que ele perdeu o senso de realidade de uma vez, quando o vê retirar uma chave do bolso e jogar em sua direção.

— Uma chave ué. – Marcelo afirma como se estivesse óbvio.

— Ok Marcelo, mas o que eu faço com uma chave, ou melhor que chave é essa. – Ben ordena uma explicação aceitável.

— E lá de casa, tá vazio, minha mãe não volta tão cedo, que ela me disse hoje. – ele ensaia uma justificativa. – De repente vai ser bom vocês passarem um tempo a sós, é melhor do que ficar aqui não é, não dá mesmo pra namorar escondido nessa casa , então. – sugere o rapaz.

— Tá mais... – Ben resiste em total receio.

— Entendeu não é, você pode ficar com o apartamento, minha mãe não vai ligar, eu fico aqui pelo casarão, o principal que é um local sossegado eu já arrumei, agora se vira né, o resto é por tua conta, o jantar, luz de velas, flores, etc. – Marcelo fala as risadas. – Aí você já está querendo demais também. – ele continua a debochar do semblante confuso de Ben.