– Ah bom dia. – cumprimentou Marcelo quando avistou Anita de costas para a pia.

– Bom dia, até que enfim, uma alma humana nessa casa, não né, porque eu já tava cansada de falar sozinha ou conversar com o Fulano, parecia até que todo mundo tinha desaparecido. – Anita se virou para ele sorrindo brincalhona.

– E eu tenho culpa se você não dorme garota. – retrucou Marcelo sonolento e não evitando rir.

– Quer café, acabei de passar. – anunciou ela apontando para a cafeteira.

– Ai se me ajudar a acordar, eu aceito sim. – o garoto afirmou indo pegar uma xicara no armário.

– Você sabe onde foi todo mundo, acho que não tinha ninguém ontem quando eu cheguei. – Anita questiona intrigada com o silêncio que encontrou em casa na noite passada, o que consequentemente era pra lá de estranho.

– Não sei não, mais eu também não ia perguntar não é Anita, acho que ninguém me responderia. – alegou ele em plena sinceridade.

– É, tem razão. – concordou ela. – Aliás, sumiço em massa mesmo, a começar por você e a Meg né, não vi ela chegar ontem. – diz Anita entre um sorriso de deboche.

– Então vamos combinar uma coisa. – Marcelo afirma sorridente. – Você me conta onde passou todo dia, e eu te falo onde eu passei quase toda noite. – ele argumenta não contendo uma gargalhada.

– Hum pode esquecer. – Anita mexeu os ombros fingindo que tanto fazia. – Até porque você é mais curioso, e fala muito mais do que eu, eu vou acabar sabendo. – ela fala debochada.

– Poxa, você e o Ben hein, qual mais escorregadio, olha se vocês fossem irmãos de sangue, acho que nem assim seriam tão parecidos. – diz ele descontente por não conseguir arrancar nada dela.

– Olha pode até ser. – Anita riu mesmo sem querer. – O que eu sei é que eu nunca fui boa de falar de mim, e depois de tudo que houve até aqui, posso ter piorado consideravelmente mesmo. – admitiu em parte.

– Oi gente. – Giovana chegava do andar de cima estampando um sorriso animado no rosto.

– Tudo bem. – indagou Anita sorrindo simpaticamente e logo levantando para ir em direção a pia.

– Tudo sim, nossa perdi a hora. – confessava Giovana ao pressentir que o sol já estava iluminando arduamente o dia.

– Pelo visto todo mundo né. – comentou Anita, achando graça da cara decepcionada da ruivinha.

– Good morning! – E antes que me incluam no grupo dos que esqueceram do horário, eu tava acordada, mais sair da cama é que estava complicado. – Meg alegou, ao ver que todos o olhavam curiosos, quando ela se aproximava da mesa.

– E justamente essa não seria a parte mais difícil. – afirmou Anita querendo implicar.

– Ai pode ser. – concorda a americana. – Anita viu meu celular, acho que sumiu. – perguntava ela andando pela sala.

– Vi não. – respondeu Anita apenas. — Deve estar aí no sofá, procura direito Meg. – opinou Anita para a estrangeira, a garota sempre soltava as coisas e se quer lembrava depois.

– Tem alguém batendo. – avisou Giovana correndo até a porta, ao escutar alguns ruídos. – Oi Amanda. – falou Giovana simpaticamente quando viu a garota.

– Oi, cheguei muito cedo. – Amanda questionou ao ver certo silêncio no ar e a sala praticamente vazia.

– Não, só o Vitor e o Pedro que acho que tão dormindo ainda, na verdade acho que a gente é que tá meio fora de horário não é. – admitiu Giovana.

– Na verdade eu tava meio que sem ter o que fazer, e está um dia tão lindo lá fora, que resolvi convidar vocês pra uma praia. – anunciou a garota.

– Perfeito, eu troco de roupa num minuto. – Giovana aceitou de imediato.

– Ah legal, Ben, Vitor, Pedro será que não tão afim também, Sofia eu sei que não está porque falei com ela ontem. – falou Amanda empolgada.

– Ah oi Anita, não tinha te visto. . – Amanda se viu obrigada a cumprimentar Anita quando ela saia da cozinha e se aproximava.

– Tudo bem. — Anita não conteve um sorriso cínico. – Vem cá, porque essa garota sempre faz questão de me ignorar, nem eu sou tão invisível assim. – afirmou ela entre sussurros se aproximando de Marcelo, parado o lado de Meg.

– Vai ver ela prefere fingir que você não está aqui, não é, e por motivos óbvios. – sacaneou Marcelo sem evitar.

– E você tá querendo me irritar né. – Anita cerrou entre os dentes, nada satisfeita.

– Eu vou falar com eles então, mais e o Ben hein gente, alguém sabe dele, faz tempo que eu não vejo ele. – percebeu Giovana, ao constatar que o irmão mais velho andava pra lá de sumido.

– Como assim, onde ele pode ter ido. – Amanda rebate sem compreender o que Giovana colocava.

– Vocês já tentou procurar na cama dele. – disparou Anita descaradamente.

– Você não perde uma não é Anita. – Amanda a olha sem esconder seu jeito descontente.

– Calmem gente, pra que isso tudo, o que eu estou querendo dizer é que ele deve estar dormindo também, já que tá todo mundo meio fora de órbita hoje, ontem quando eu cheguei tava tudo silêncio, acabou que eu não vi e nem falei com ninguém. – Anita se explicou melhor, tentando conter o sorriso que se formava em seu rosto.

– Ah então vamos só eu e você Giovana, a gente fala com a Clara no caminho. – Amanda declarou mesmo um tanto frustrado.

– Tá bom, Marcelo você não quer vir. – convidou Giovana.

– É vamos. – reforçou de imediato Amanda.

– Vai Marcelo, afinal você não perderia um dia desses não é. – Meg retrucou séria o lançando um olhar desafiador.

– Eu, imagina gente, nem gosto de praia, só quando tem onda, e hoje pela calmaria deve estar só uma marolinha, mais obrigada. – o garoto justificou encabulado. – Eu vou lá em cima, boa praia pra vocês. – o garoto tratou se sair pela tangente o mais rápido possível.

– Quer vir com a gente Meg. – Giovana argumentou.

– Não, eu preciso procurar meu telefone. – a loira disse sem fazer cerimonia.

– Eu vou trocar de roupa, a Meg posso pegar uma blusa tua, eu achei uma calça antiga e bom uma coisa a menos não é. – pediu Anita, já impaciente com sua falta de vestimentas.

– Tá vai, oh mala. – a estrangeira ri a autorizando.

– Ah não fala e mala não, que até dá uma vontade de chorar. – Anita afirma dramática.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

– Então Ben, você a Anita, como que vai ficar agora. – Marcelo indagava, não escondendo sua curiosidade em relação à vida do amigo.

– Não sei, mais isso não é problema teu, certo. – Ben riu por um momento, não tirando a atenção do que fazia.

– Não é só que... – O que tanto você digita nesse computador hein, poxa assim fica difícil dialogar com alguém que não presta atenção na gente. – ele ralhou com Ben.

– Tá bom fala. – Ben fechou o laptop a pedido do amigo. – Eu só estava vendo uma tabela de preço de uns alugueis. – explicou Ben.

– Aluguel, mais pra que nem no Brasil você mora. – rebate Marcelo confuso.

– Ai meu deus, mais você não retém informação nenhuma nessa tua cabecinha mesmo não é, não adianta, ou ao menos nada de importante. – disse Ben sem paciência para dar explicações. – Esqueceu do que nós tínhamos falado outro dia. – ele alertou.

– Ah tá, realmente, é que sei lá eu tava aqui falando da Anita, você já me vem com outra coisa. – afirmou Marcelo. – E não vem não tá, que se eu fosse burro não teria passado do primeiro semestre de faculdade, agora ser gênio igual você já é um pouquinho demais né. – alfinetou o garoto.

– Tá bom Marcelo o que tem a Anita, o que você quer tanto saber. – Ben se dispôs a ouvi-lo. – Aliás, podia perguntar pra ela, não só pra mim. – ele lhe sugeriu.

– Não é que... – calou-se Marcelo quando avistava Anita surgir à porta que estava aberta sem que Ben percebesse. – Bom, o que eu quero entender, é vocês vão continuar nesse fica fica sem fim, ou se você vai namorar bonitinho com ela, vão assumir pra todo mundo, enfim escancarar. – pergunta Marcelo sorrindo debochado enquanto fita Anita.

– Mais tu é cara de pau mesmo né, vem aqui sondar minha vida. – Ben ironizou. – E você vai pedir a Meg em namoro ou vai ficar nisso mesmo, viagem de férias, e quando acabar tudo certo. – diz Ben rindo da cara perdida do amigo.

– Não inverte jogo não tá. – Marcelo se negou a responder.

– Tá bom vamos combinar uma coisa então, quando você tiver essa resposta pra me dar, eu te respondo o que você me perguntou. – Ben ficou a rir do amigo. – Ok..

– Engraçadinho você, bom mesmo que você não falou bobagem, ou se não esse namoro nem ia começar. – falou Marcelo, fazendo com que Anita não segurasse o riso.

– Ah entendi era combinado isso aqui. – Ben afirmou olhando em direção a porta, ao ouvir as risadas de alguém e avistar a garota escorada.

– Era, bom se era, Marcelo esqueceu do jeito, a forma de conduzir pra não se enrolar com as próprias repostas. – responde Anita entrando.

– Da licença que eu vou tomar café. – proferiu ele sério, saindo do local e fechando a porta.

– Pessoa não tem né, mais curiosa impossível. – Anita ri da situação.

– O bom é que ele já entendeu, que quando eu não to de bom humor é melhor desistir na primeira oportunidade. – afirma Ben também achando graça. – Mais você já tá de pé mesmo é sério, quantas horas você dormiu hein. – questiona ele.

– Muito pouco admito, perdi a hora ontem na casa da Julia, o Fred estava lá, a gente começou a conversar e aí, acho que quando eu cheguei aqui já era de madrugada. – ela confessou. – Mais isso não significa que eu não sinta sono, se tem uma coisa que eu já percebi que essa rotina de dormir de noite pra passar todo dia no pique, não funciona comigo, eu durmo a qualquer hora, que eu perceba que não aguento mais. – ela riu de si mesma. – Aliás, pessoal também né, eu vi eles falando de uma festa, de alguém não sei. – ela deixou uma gargalhada escapar. – Fiquei no topo da escada escutando uma parte da conversa da Giovana com a Amanda, depois que troquei de roupa. – Anita confessou com deboche.

– E isso é muito feio sabia, e não combina nem um pouco com você. – implica ele. — Uhm deixa meu pai e a Vera voltarem, que acaba a moleza. – alegou Ben.

– Que nada, digamos que, de algum jeito os dois já estão neutralizados, aliás, deve estar começando uma outra não é, já que a Amanda tá aí chamando todo mundo pra praia, inclusive você. – Anita contou a Ben, fingindo desdém.

– E daí. — ele indaga só pra provoca-la.

– Não sei, mais também esquece. – ela não se dobra. – Eu vou dar uma olhada nos meus e-mails, que quase dois dias sem internet, deve ser recorde até pra mim, vou fazer isso agora que mais tarde tenho uma coisa para resolver. – informa ela.

– Ah não, ah mais não vai não, não assim sem nem um beijo de bom dia. – alega Ben a segurando pela cintura.

– Bom dia garoto, se nem saiu da cama ainda, e tá querendo ganhar bom dia. – Anita caçoou se negando.

– Não seja por isso. – ele rebateu a puxando para a cama.

– Ficou doido foi, para. – esbraveja ela sem conter o riso deitando ao lado dele.

– Por você, é quem sabe, mais nós podemos discutir isso depois, muito depois... – ri ele a beijando.

– No fundo Marcelo tá certo né, uma hora o encanto acaba, a gente vai ter encarar todo mundo. – Anita prevê não escondendo que ficava um pouco apreensiva em lidar com a situação.

– Você quer que eu responda, a pergunta dele. – Ben a questiona.

– Não, ele que morra de curiosidade se quiser, isso ainda é um problema nosso, eu acho. – afirma ela com um suspiro profundo.

– Não pra ele, mais eu responda pra você. – corrige Ben a encarando.

– Acho que não, melhor não. – sugere ela, lançando um olhar confuso a ele, sem insistir Ben apenas concordou com um sorriso e um segundo beijo.

– Eu juro que eu era capaz, de dar um milhão, se eu tivesse cacife pra isso, só pra saber o que você tanto pensa. — Ben afirma divertido, ao encarar Anita ao seu lado, parecendo com a mente longe dali.

– E olha acho que eu aceitaria, imagina quanta coisa eu faria com um milhão, principalmente se fosse de dólares ou euros talvez. — ela respondeu já rindo.

– É, e você me daria à chave pra todos os segredos que se escondem por trás de uma mente tão pensante. — brinca ele.

– Todos não sei, os mais normais talvez. — retruca ela, olhando fixamente para ele, que parecia continuar interessado pelo assunto que ocupava tanto sua cabeça. — Mais você acha que eu me venderia por tão pouco. — pergunta risonha.

– Não, eu diria mais, diria que você jamais faria algo que você não quer, simplesmente por um fato que parece soar mais importante. — diz Ben.

– É um risco, risco que todo mundo corre quando joga alto demais, o tombo também pode ser alto e desastroso. — Anita argumenta se erguendo bruscamente da cama. — Você me conhece de algum jeito, e acho que esse fato não mudou eu continuo pensando demais, até em coisas que eu deveria simplesmente apertar a tecla de delete e seguir em frente. — confidenciou Anita. — Cadê meu tênis, eu hein. – resmunga ela, ao não encontrar o outro pé do calçado perto a cama.

– E porque pensar então. — ele questiona.

– Porque sim, porque simplesmente eu não sei ser diferente, minha cabeça, meus pensamentos funcionam como um foguete lançado ao espaço, um avião em movimento, uma correnteza de um rio revolto, não consegue parar nunca e a velocidade é sempre em alta. — O que é bom, o que é ruim, às vezes isso me ajuda, mais nem sempre dá pra transformar o que se passa na mente, numa peça de designer impecável, ou o escopo de um projeto maravilhoso. – opina ela. — Às vezes é só pra me fazer ter uma crise de ansiedade daquelas, e se você quer saber no momento eu posso até estar pensando diversas coisas, mais chegar a uma conclusão real, isso eu ainda não pratiquei, eu vou dar uma volta tá, mais tarde a gente se fala. – afirma a garota.

– Tá bom. — Ben lhe deu um beijo de despedidas. — Mais assim só uma sugestão, se você resolver pegar um avião e ir embora, manda me avisa, pra mim começar a pensar desde já em ir atrás, afinal como você faz questão de pintar, eu sou mais desatento pra tomar decisões em pensamento. – sugere Ben travessamente.

– Sério, não seria exatamente ao contrário, você sempre sabe o que quer, por isso não precisa dessa crise toda, o que talvez não seja meu caso, penso demais às vezes. – não concorda Anita.

– Contraditório não é, porque eu tenho certeza que eu não to falando com uma menininha, que nunca soube de fato o que queria de verdade, mais pra quem reflete tanto a respeito de si próprio e a sua volta. – ele revida.

– Pra ser mais exato, nós nunca soubemos ir por um único caminho, aceitável, se auto descrever é algo que nenhum ser humano faz com exatidão, somos impermamentes por natureza, e não me venham dizer que isso é coisa de alguém que não quer nada da vida. – Anita retruca de forma rápida. – E Fui. – comunica.

– Se eu te dissesse mesmo o que eu quero nesse momento, você ia ficar muito chateada comigo, iria me chamar de impulsivo pra mais até. – afirma Ben entre um sorriso a ela, esquecer do mundo e de todo o resto, e apenas a tê-la ao seu lado, era algo que nunca saía por completo da cabeça de Ben.

– Não seja por isso, eu confirmo que você é, e eu nunca vi isso em você como um defeito, vai ver que a defeituosa mor sou eu mesmo. – Anita disse. – Tchau. – ela lhe dá um último beijo rápido e saí apressada.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

três dias depois...

– Ah, bom dia. – falou Anita quando chegou à cozinha.

– Bom dia. – respondeu Pedro que terminava seu café ainda.

– Ai acho que... – proferiu ela, puxando a cadeira e sentando de frente ao caçula. – Ninguém vai se importar se eu voltar pra cama, suponho que não. – diz Anita se encontrando totalmente dispersa devido ao sono que não a deixava em paz.

– O que ficou doida maluca. – Ben riu vindo da cozinha.

– Acho que a pergunta certa seria, quantas horas ela dormiu. – corrigiu Pedro espertamente.

– Hum... – Assim com exatidão, umas, acho que umas cinco. – admitiu Anita que havia extrapolado. – Fui terminar um projeto que eu tenho que entregar quando voltar, esqueci do resto. – Contou ela. – Mais que horas são, você não tinha que estar no colégio não, você tá atrasado sabia. – percebeu Anita, ralhando com o caçula.

– Você que não dorme e eu que me atraso, muito legal essa tua visão, eu só tenho aula no segundo tempo, por tanto não estou atrasado. – garante o garoto com um ar esperto.

– Você não tá matando aula não né, na minha época essa coisa de entrar no segundo horário tinha outro nome. – Anita afirma, seguido de um olhar sério ao pequeno.

– Nossa, falou de um jeito agora que parece que tá com cinquenta anos. – Pedro debocha da irmã mais velha.

– Olha acho que ainda falta no mínimo uns vinte e cinco pra isso. – Se bem que é pouco tempo gente, ah não tenho tanta coisa pra fazer ainda, isso não vale. – ela balbuciou, pensativa.

– E aí oi. – Vitor sentou a mesa com cara de quem queria ficar calado.

– E podem parar de rir. – ordena ela com cara de brava a Pedro e Ben. – Quem pôs a mesa, milagre gente, ela se arrumou sozinha. – indaga Anita rindo.

– O Ben, e eu ajudei. – afirma Pedro exibido.

– Olha, já podem casar meninos. – ela zomba.

– Ah é, por quê? – Tá se candidatando. – dispara Pedro, alterando olhares entre Anita e Ben, e Vitor apenas não esconde que não havia gostado da provocação do caçula.

– Não, jamais, sob-hipótese alguma, nem se fosse caso de morte. – respondeu Anita sem olhar pra nenhum dos três.

– Mais vem cá é... – pronuncia Ben, quebrando o silêncio travado entre todos. – Meu pai e a Vera, devem chegar depois de amanhã, alguém vai ter que buscar eles no aeroporto, esperar táxi depois de horas dentro de um avião não é nada agradável. – argumentou ele.

– É principalmente, se uma maluca dificulta ainda mais as coisas, não é. – ironiza Anita relembrando o episódio da chegada ao Brasil. — Ou duas malucas, talvez. – ela ri discreta.

– Não precisa não Ben, eu posso fazer isso, até falei com eles ontem já até sei o horário do voo. – garantiu Vitor.

– Eu sei, mais você tem trabalho, faculdade, e eu to aqui meio que sem fazer nada né, seria mais cômodo pra mim cuidar disso. – Ben se explicou.

– Bom ninguém pediu minha opinião, mais eu consigo dirigir, se precisarem. – interrompe Anita.

– Não comprou tua carteira não. – zoo Pedro rindo.

– Engraçadinho você, carteira é comprada gente, alguém conseguiu tirar de graça, ainda mais no Brasil. – acrescentou ela, também brincalhona.

– Não precisa mesmo gente, nem sempre vocês estão aqui, to acostumado a me virar quando eles precisam. – garantiu Vitor. – Bom vou pra aula, bom dia. – desejou o garoto secamente, estranhando em parte o entrosamento entre Anita e Ben.

– Nossa, ele é sempre assim ou é só de manhã, piorou um pouco né gente, só acho. – sussurra Anita com descrição, enquanto vê o garoto fechar a porta e sumir da vista de todos.

– Muita coisa não mudou por aqui, ele deve estar estressado com alguma coisa, aí fica pior mesmo. – Pedro falou com travessura.

– Detesto dizer isso, mais vocês herdaram isso do Ronaldo, muitas vezes tão de mau humor com qualquer coisa e descontam em qualquer um, mais óbvio que no caso do Vitor tá um pouco pior. – Anita dispara.

– Hey, vai falar mal do meu pai agora, tá meio tarde não, até porque o teu pai é um doce. – Ben revida insatisfeito.

– Não começa não, porque se eu falar da Cícera, você não vai gostar. – rebate ela se defendendo. – Mais eu pensei que, o Vitor sempre foi assim mesmo, tadinho. – ela riu. – Mais sei lá, pensei que crescer um pouco, namorar sério, iria abrandar as criancices dele. – ela diz.

– Que nada, os dois já terminaram e voltaram, acho que umas quatro vezes, só que eu me lembre. – conta Pedro falastrão.

– O que também não é de se estranhar né Pedrinho, namoro é assim mesmo, uma hora despenca pro bem, na outra pro mal, tipo montanha russa. – ironiza ela. – Mais interessante saber que o Vitor, não é o único destinado a reincidentes nessa família não é, que eu não sou a única que volta atrás de novo, de novo e de novo, depois de jurar que não. – ela zoa dispersa, apenas fazendo Ben rir depois de não conseguir evitar.

– Brincadeira, tá parei, parei mesmo. – Anita percebe que disse demais e disfarça ignorando o jeito curioso de Pedro. – E gente parou né também, tomar café quieto todo mundo, melhor, que agora quem ficou de mau humor fui eu. – ela anuncia, apenas olhando para a xícara e fatia de pão diante de seus olhos.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

– Que calor gente, meu deus, o Rio esta prestes a incendiar é isso. – Anita desceu a escada reclamando do tempo quente.

– Hahahahah, acho que a carioca, não tá mais acostumado com a temperatura ala Rio. – Zombou Marcelo sentado no sofá ao lado de Meg.

– Pior que você pode ter razão. –Respondeu ela indo até a cozinha e abrindo a geladeira. – Afff... Não tem nem água mais nessa geladeira. – reclamou Anita desistindo de tomar água. — Ai alguém quer ir no shopping comigo. – Convidou ela.

– Anita convidando alguém pra bater perna no shopping, essa menina tá mesmo doente gente. – Meg implicou com ela.

– Não o chata, preciso compra roupa não é gente, até minha mala dar as caras novamente. – Explicou Anita vindo atá a sala. – Ou você quer que eu continue usando as tuas. – Devolveu Anita entre uma gargalhada.

– Não, mais você e shopping nunca foram melhores amigos, aliás, sendo sincera você tem zero de paciência pra qualquer coisa que não envolva praticidade. – A loira exclamou escorando a cabeça ao ombro de Marcelo. – Mais se bem que mesmo assim teu armário anda lotado, que eu sei. – zoou.

– Exato e inclusive você pega minhas roupas. – debochou Anita. — Ok você tem razão. – Admitiu Anita séria. – Vamos comigo vai. – Pediu ela novamente.

– Ah não, Meg, você tinha falado que iria pra Ipanema comigo, por favor, não me abandona. – Contrariou Marcelo.

– Ai Anita deixa pra outra dia. – Meg disse não querendo estragar o passeio com o garoto.

– Outro dia Meg, minha mala continua sei lá em que lugar do planeta, liguei pra companhia eles disseram que talvez semana que vem a acham. – Anita argumentou.

– Isso se você achar não é. – Afirmou Ben sorrindo debochado.

– Ah muito obrigada, estou muito mais tranquila agora, sem nada pra vestir, e sabendo que eu perdi quase todas minhas roupas. – Ai meu deus, porque eu não peguei aquele avião pelos menos eu não estaria derretendo agora, nesse calor infernal. – diz ela se vendo meio zonza.

– Não tá tão quente assim, você tá assim porque, tua pressão é baixa, e com o calor piora, vive tendo isso. – argumenta Meg.

– Bom Meg vamos não é, óh se vocês quiserem aparecem por lá praia de Ipanema a essa hora está divina. – Proferiu Marcelo.

– Tratantes os dois. – resmunga Anita.

– Gio, vamos no shopping comigo. – Anita quase implorou a menina, enquanto Marcelo e Meg saíama pela porta.

– Ah adoraria Anita, mais combinei com o Junior, a Clara e o Vitor de ir no cinema e eu pra variar só já estou atrasada. – A ruivinha alegou. – Tchau gente. – Giovana também saiu correndo.

– Não, não, nem adianta me olhar desse jeito. – Ben falou taxativo, enquanto ela lhe lançava um olhar pidão. – Eu é que não vou por meu nariz pra fora de casa, com esse calor de torrar até formiga aí fora. – declarou ele.

– Ah Ben, também não custa tanto assim vai, você não era minha principal opção e nem a melhor, mas acho que serve. – Ela alegou com um sorriso para convencê-lo.

– Anita nem pensa, você sabe muito bem que eu não tenho paciência pra esse tipo de coisa. – Afirmou ele se explicando.

– Mais, com a Sofia você tinha, não é, ficava horas com ela no shopping. – Acusou Anita indo até ele, se apoiando no sofá e lhe beijando.

– Tá vendo, como eu nunca fiz nada pra que desse certo com ela. – Se defendeu ele fugindo dos beijos.

– Ai Ben me ajuda vai, eu odeio fazer compras, sozinha então, é o apocalipse. – Argumentou Anita, o beijando no pescoço.

– E você é baixa hein. – Responde Ben, não querendo se dar por vencido.

– Ai que droga, ninguém em ama nessa casa. – Anita se afastou suspirando contrariada, e se jogando para trás no sofá.

– Ah quer dizer que além de chantagista, você vai dar uma de carente. – Ele deu risada dela.

– Quer saber de uma coisa. – Anita rebateu se levantando. – Parei com você, fica aí olhando pras paredes, isso se elas resistirem ao sol, não é, a estrutura dessa casa sempre foi meio incerta. – brinca ela sarcástica, o olhando uma última vez.

– Ah, ah, ah... – Vem cá. – Disse ele a puxando pelo braço e a beijando. — Promete que não vai levar mais que meia hora, e acabou. – propõe ele.

– Daqui até a Barra, a não, vai me sobrar uns quinze minutos, duas horas no mínimo. – contraria Anita.

– Ai meu deus, uma hora, e sem mais discussões, e, por favor, não vai comprar o Rio de Janeiro todo, não é porque eu não mereço isso. – Ben pondera.

– Você acha que eu tenho alguém que me banque é, ao contrário sei exatamente o preço do dinheiro que tá na minha na mão, deu trabalho pra adquirir. – ela discute, contente por ter o convencido.