Encontros, desencontros e novos encontros
85 Capítulo 85:
Notas iniciais
– Realmente, eu estou me sentindo pior do que uma adolescente, fugindo de casa no meio da madrugada. – Anita fez um comentário exasperado a respeito de suas atitudes enquanto descia a escada. – E olha que nem nessa época eu faria isso, surtei mesmo não é. – ruborizou.
–Ah é, nunca, nunquinha, certeza. – Ben a desafio, levantando o olhar até ela com certo deboche.
– Ah nem vem, daquela vez quem me induziu foi você. – acusou ela sem a mínima cerimônia ao constatar que ela a confrontava a respeito do episódio do acampamento.
– Entendi, interessante não é, quer dizer que eu é que sou, porque bom você. – rebateu Ben ironicamente nada convencido.
– Ah não, você não vai agora querer discutir história velha né. – Anita revirou os olhos impaciente o cortando, enquanto procurava na estante a chave da porta que não se encontrava na mesma. – Melhor a gente parar enquanto há tempo. – sugeriu ela, virando-se e contemplando a figura de Ben, muda e imóvel a encarando apenas.
– Ah gente vai de carro? – ela questionou ao sair no portão e olhar em volta.
– Olha, eu realmente tentei falar com um empregado e ordenar que ele providenciasse um jatinho, mais essa opção foi vetada devido ao mau tempo. – Ben fez graça. – Muita neblina!
– Ai bobo, ridículo. – ralhou Anita sorrindo ironicamente. – Mais de quem é esse carro. – ela indaga em um tom de curiosidade.
– Do Marcelo, então reza pra eu não bater na estrada, se não ele vai arrancar meu coro. – zombou ele.
– É ou a mãe arranca o dele. – supôs Anita.
– Tá bom, mais agora não me enrola não, e vamos logo, ou você tá é mesmo inventando desculpa pra amarelar. – questionou Ben, abrindo a porta do carona para ela.
– Ai achei que tava funcionando. – Anita fez piada, de um jeito sarcástico, acatando o pedido dele e entrando no carro. – Você sabe que eu não gosto de surpresas, não é, nuca gostei. – Anita relembrou, fitando Ben sentando ao seu lado.
– Sério, não sei será que eu esqueci. – ele responde em um sorriso irônico.
Ai tá bom vai, vamos logo, anda dirige, antes que eu desista mesmo. – Anita se rendeu.
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– Vem cá, pra quem ficou anos sem voltar ao Brasil, esse lugar não é muito paradisíaco não, pra ser escolhido de última de repente. – Anita indagava a Ben, curiosa e totalmente deslumbrada pela paisagem do local.
– Digamos que, eu levei alguns pedacinhos do Brasil comigo pra América. – alegou ele.
– E um dos mais lindos não é, fazia tanto tempo que eu não via um nascer do sol assim, desses que parece puxar a gente lá pra dentro, tanto que eu nem lembro mesmo qual foi a última vez. – ela comentou ao lembrar-se do nascer do sol, iluminado e magnifico que os recepcionou quando eles chegaram ao local. Podiam se passar mais alguns anos, como ocorreu desde a última vez que Anita permitiu-se curtir alguns dos lugares deslumbrantes do Rio de Janeiro, mas com certeza ela nunca mais esqueceria, a paz que aquele lugar estava semeando dentro de si, suas memórias se fariam eternas, assim como a felicidade que ela emanava naquele momento.
– Eu vim nesse lugar com meu avô, eu devia de ter uns sete, oito anos, eu sempre quis voltar aqui, só não imaginei que depois de tanto coisa, eu ia fazer isso com você né. – ele falou não conseguindo deixar passar despercebido a situação, bastante inusitada, quem diria que um dia, depois de todos os acontecimentos dolorosos que atropelaram sua vida no passado, ele estaria ali, novamente, tão perto dela... Anita, a garota que parecia inesquecível, ao menos a visão de seu coração, que continuava a cada dia que passava, querendo guardar com extremo carinho as lembranças que ficaram para trás.
– Você nunca mais viu teu avô né, pelo que o Ronaldo contava, ou conta, ele faleceu uns dois anos depois que você se mudou pra Miami com a Cícera. – Anita acaba comentando, ao não conseguir deixar passar despercebido o olhar saudoso com que Ben proferia tais palavras.
– Acho foi um dos momentos que quando criança eu senti de verdade que o mundo não era tão incrível assim, que também tinha seu lado triste. – o rapaz admitiu. – Pra quem fez o caminho de volta duas vezes, sem a menos vontade, é estranho dizer isso até, mais de alguma forma quando se é criança a gente não consegue separar nossas vontades, daquilo que se tem que fazer, por imposição alheia, da vida... – comentou Ben, não escondendo certa contradição em suas afirmações.
– A gente faz, aquilo que a gente quer e ponto, por isso que tão bom, libertador, viver essa fase, criança não sente culpa, porque ela é incapaz de tomar uma ação que gere tal coisa. – completou Anita parecendo compartilhar da mesma ideia. – Mais falando de coisas boas. – disse ela, retribuindo o sorrio alegre que recebia de Ben. — Deve ser impossível alguém ficar triste num lugar assim né, nem a pessoa mais descrente do mundo conseguiria, eu acho.
– É, que tal a gente colocar em teste essa tua certeza, dando um mergulho nessa água que parece que tá convidando. – sugeriu Ben sorridente.
– Não dá pra esperar não, não sei se eu to afim de ficar congelando de frio, é eu fiquei ressabiada, tendo que ver neve todo inverno sabe como é. – alegou ela, com uma leve risada, olhando para a água a sua frente, mesmo sem confessar, Anita não poderia deixar de notar que a cachoeira de águas quase cristalinas, era um forte convite para se esquecer do mundo.
– Não seja por isso, eu te esquento depois. – Ben rebateu impulsivamente, seguido de um sorriso travesso.
– Tá entendi. – Anita respondeu escondendo o jeito encabulado por trás do sorriso. — Hum ou eu entro por livre vontade, ou acabo sendo jogada é isso. – Anita calculou levantando do chão, onde estava sentada, já se livrando da blusa sob a parte de cima do biquíni.
– Opinião esperta, digamos assim. – Ben riu dela.
– Ok. – murmurou ela lhe dando um beijo rápido e olhando para a água. – Só que não conta, que eu também não seja traiçoeira de vez em quando. – Anita debochou brincalhona, se aproximando dele, que se encontrava um tanto distraído a encara-la e o jogando na água sem dó.
– Ah Anita... – Você me paga. –alertou Ben, entre risadas, levando o braço até ela e o puxando para dentro d’água.
– Ai para. – reclamou Anita, ao sentir seu corpo chocar-se com a água fria. — Só lembra de uma coisa se me afogar, vai ter que salvar também. – anunciou ela, procurando fugir de retaliações, em meio a uma gargalhada.
– O que previsível não é, afinal difícil é não conhecer tua capacidade de protagonizar cenas desastrosas contra si mesma. – implicou ele com risadas debochadas. – Você sempre precisou de um anjo da guarda. – acusou ele, tirando uma mecha de cabelo dela de seu rosto.
– E você sempre precisou não ser tão convencido. – Anita rebateu rapidamente, como se quisesse fugir dos olhares carinhosos, que Ben depositava sobre ela.
– Tá tudo tão maluco e ao mesmo tempo tão incrível, que... – Às vezes dá um medo grande de descobrir que não é real sabia. – confidenciou ele, o quão difícil era chegar a conclusão de que tudo aquilo estava acontecendo.
– Então pra que tentar me diz. – Anita afirmou, apenas o beijando com urgência.
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– Até que enfim, a bela adormecida saiu da cama. – Meg ficou a implicar com Marcelo quando o viu descendo as escadas, extremamente distraído.
– Ah bom dia pra você também. – o garoto devolveu sorridente vindo até ela.
– Bom dia né. – ela riu. – Perdeu a hora por que. – a loira acabou indagando.
– Ah é que, eu tava sonhando com uma americana, linda, maravilhosa, perfeita, deslumbrante. – Marcelo garantiu sorrindo animadamente, roubando um beijo rápido dela.
– Mentiroso. – Meg desdenhou.
– Não, não, brincadeira mesmo. – ele ria. – Em parte, você até é tudo isso mesmo e mais um pouco, mais eu fui dormir meio tarde ontem checando uns e-mails, e mais o Ben me acordou às cinco da manhã pra me ensinar o relatório de mentiras que eu iria contar pra família, pra explicar que ele sumiu e com a Anita, vê se pode, ele quer aproveitar a vida, e eu é que tenho que me virar. – comentou ele.
– Ok. – a loira achou graça. – Onde será que eles foram hein. – especulou ela, em total curiosidade.
– Não sei, mais com certeza foram pra algum lugar que eles pudessem ficar sozinhos, não é, nessa casa já vi que é meio complicado. – afirmou Marcelo, sentando a mesa e servindo uma xícara de café. – Mais vem cá, me diz, o que vamos fazer hoje, afinal o casal encrenca não está aqui, e nosso dia ficou meio pacato. – questionou ele brincalhão.
– Não sei, você não tem respostas pra tudo. – Meg rebateu em um sorriso implicante enquanto o fitava.
– Tá bom, prometo pensar em algo. – o garoto não ligou para a provocação destinada a si. — Mais olha, não vai esperando muita coisa não, até porque eu não sou o Ben. – avisou ele risonho.
– Ai bobo. – Meg até tentou fazer a ofendida, mais só conseguiu achar graça da colocação dele.
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– O que foi. – Anita pergunta, desconfiada do olhar distraído e do sorriso bobo, que Ben expressava enquanto a olhava fixamente.
– Nada. – ele riu. – Mais por quê? – Ben devolveu o questionamento diante do semblante intrigado dela.
– Não também ué. – Anita rebateu fingindo estar desinteressada. – Até porque, era você que estava aí me olhando com esse olhar de detive que quer desvendar algum crime. – implicou.
– E se eu tivesse. – ele argumentou sem se deixar intimidar.
– Irônico, eu diria, não é você que diz, me conhecer tão bem. – Anita alfinetou entre um sorriso provocante.
– Tá bom então, vamos testar essa tua teoria, e ver quem tem razão. – Ben propôs desafiá-la. – Me fala alguma coisa de você, e que eu não saiba. – perguntou ele.
– De mim tipo o que? – Anita riu travessamente com a pergunta dele.
– Sei lá, alguma coisa que você tenha feito nesses três anos por aí. – o rapaz devolveu não sabendo ao certo o que queria tanto saber, talvez só quisesse lembrar de alguma coisa que invadiu sua mente no longo que tempo que os dois jamais se cruzaram, a respeito da vida da garota, em busca daquela ligação, forte e inabalável que eles pressentiam ter quando estavam um do lado do outro. Talvez ela não tivesse sido loucura, apenas dos momentos de tempestade, talvez ela realmente existisse, isso poderia explicar o encontro de agora.
– Em como me perdi diversas vezes pelos grandes centros da moda na capital, e até me tornei um pouco compulsiva, ou obsessiva por, Louis Vuitton, Prada, Channel. – ela fez graça ironicamente. – Tá bom, admito que eu até me aventurei por aí, e até desenvolvi certa empatia, é um mundo fascinante, mais eu fiz mais coisas que isso realmente. – ria ela. – No resto do tempo eu me dividi em me dedicar a minha única e sem dúvida jamais inabalável paixão. – Anita declarou orgulhosamente.
– Arquitetura... – disse Ben sorrindo obviamente, sempre foi tão nítido a paixão de Anita pelo oficio que chegar a tal conclusão não seria mesmo nada difícil.
– Digamos, que ela não me trai, não me dar dor de cabeça, não faz perde a calma e muito menos me faz agir como uma maluca perante aos olhos alheios. – confirmou ela em tom de brincadeira. – Mais foi bom, eu acho que se aos 18 anos, eu não soubesse o que queria fazer pro resto da vida, pelo menos no quesito profissional, eu teria mais problemas de aceitação e encontrar um caminho do que eu tive. – admitiu, que seu amor e dedicação em ser uma arquiteta de sucesso, tinha sim, lhe ajudado e muito nos momentos difíceis e confusos que passou. – Mesmo que os primeiros meses longe de casa, tenham sido barra, acho que eu perdi a conta de quanta vezes pus a mala vazia em cima da cama, pra juntar minhas coisas pra logo depois pegar o primeiro avião pro Brasil. – Anita confessou a falta que sua casa e seu país lhe fizeram.
– E porque não fez? — indaga Ben, se concentrando em ouvi-la.
– Sei lá, por ter certeza de que eu já tinha desistido de coisa demais. — afirmou ela, em um olhar confuso lançado a ele. – Seu eu tivesse voltado quem eu seria hoje? – Anita falou como se perguntasse a Ben também, do que valeria todas as experiências e superações anteriores, elas não teriam servido de nada, e ela sabia disso, seria somente a menina boa que ainda ajudava a mãe e se preocupava unicamente em resolver os problemas de todos e em muitos momentos esquecendo de si mesma, como um dia ela tanto fez, a garota medrosa e insegura ainda estaria ali e essa “Anita” seria perceptível aos olhos de todos. – Prefiro nem pensar, de alguma forma o papel de filha responsável e menina boazinha, me tirou de muitos caminhos. – proferiu exasperada com o que sua imaginação plantava em sua mente.
– Ela também era uma pessoa excepcional... Você tá esquecendo disso porque? – Ben a confrontou junto a um olhar sério, que ela preferiu fingir que não via.
– Porque ela se auto sabotava, ou pior deixava que os outros a sabotassem, mais eu não a detestava, ela teve dignidade, apesar de que bom, deixar o cara que ela amava se for... – proferiu ela, mal se dando conta de que suas verdades virariam confissões aos olhos de Ben. — É realmente isso não foi digno, foi mais um ato de orgulho, mais eu prefiro dizer por aí que foi amor próprio também. – Anita brincou com suas decisões, que a levou por caminhos tão diferentes do que ela planejou.
– Nesse caso a culpa não é só tua, esse cara podia ter evitado muita coisa também. – Ben concordou com sinceridade.
– É pode ser. – Anita concorda, o sorriso confuso só pareceu demonstrar que ela não ficou convencia se aquele era ao certo, as duas grandes verdades de tudo, ela e Ben, tinham protagonizado uma sucessão de atos falhos que complicou tudo para os dois. – o primeiro emprego que eu consegui foi de vendedora numa loja, eu falava inglês, lidar com a quantidade de ingleses, turistas enfim, isso não foi o problemas maior, o grande problema mesmo, foi constatar que aquele monte de madame, gastava num par de sapato, o que eu ganhava pra me sustentar durante um mês. – contou ela fazendo graça.
– Você não falou isso pra elas, não né, ou iria virar caso de demissão. – alegou Ben.
– Não, eu fui demitida, mais não foi por isso não, fizeram um sistema de cortes de pessoal, e como eu só estava por lá há oito meses sobrou pra mim. – ela concordou risonha. – Depois disso acabei arrumando um emprego de seis meses, numa dessas agencias de serviço terceirizado pra fazer faxina em casa de família, contraditório não é, pra alguém que saiu justamente daqui em busca de algo que não a fizesse levar uma vida de faxineira, mais até que dava pra ganhar um dinheiro razoável. – afirmou.
– Bom sinal, mesmo sabendo que você não queria algo assim pra você, mesmo ter vergonha disso, nunca foi algo que te aconteceu. – comentou ele.
– Mais a pior parte veio depois disso, tinha um irmão de uma colega brasileira que tinha um restaurante, ela já trabalha com o irmão, um dia ela ficou sabendo que eu estava procurando emprego, aí acabou me apresentando a ele, e eu acabei indo trabalhar de recepcionista a noite, foi meu fim literalmente, passei a não dormir quase, isso tirando os dias em que eu virava a madrugada em cima de um livro, saía dali tomava um banho e ia pra faculdade, e como eu estudava pela manhã. Anita até conseguiria rir de tal situação, mas na época só conseguiu ver o pânico tomar conta de si. – E até que um dia, eu esgotei completamente, desmaie na porta da sala de aula, claro que eu tinha que fazer das minhas, parei num médico, me afirmando que eu estava estressada e fraca, aí me dei por conta da situação, já tinha emagrecido quase 8 quilos, consequência tive que toma um monte de remédio e fazer repouso, não sei se isso foi o pior, ou o difícil mesmo foi conseguir esconder da minha mãe e do Ronaldo o que tinha acontecido. – ela afirmou, nem sabendo ao certo o que lhe trouxe mais preocupações.
– Os dois, não é, iriam querer correr pra perto de você, principalmente tua mãe, você como sempre ignorou a tua própria resistência, e como acha que mandava em tudo, não é muito difícil de imaginar como você chegou a este ponto. – disse Ben de um jeito como se quisesse repreendê-la pelo fato.
– Não, e não sei se você chegou a ficar sabendo, mais quando fez um ano e alguns meses que eu tava em Londres a mamãe e o Ronaldo, viajaram pra lá, não fazia muito tempo que a situação tinha acontecido, eu confesso que eu temi muito minha mãe sustar e querer me levar de volta pra casa na marra se fosse preciso, eu tinha ficado sabendo que a Sofia tinha saído de casa, ido morar com meu pai, achei que minha mãe não iria segurar isso tudo não. – Anita argumentou, percebendo que de algum jeito tinha a surpreendido positivamente.
– Ela sempre foi tão apegada com vocês né, aliás, com todos, por ela e meu pai, ninguém deixaria aquela casa nunca, pra ser sincero acho que Giovana, Vitor e Pedro não saem de lá tão cedo. – argumentou Ben. –Mais aí né você espertamente, deve ter inventado uma desculpa do tipo dieta, quando ela te questionou sobre estar mais magra. – ele implicou.
– Era a solução mais óbvia, e a que menos a preocuparia. – Anita admitiu que não tinha falado nada além para Vera, já que não quis atormentá-la. – Mais aí depois disso, tudo ficou melhor, tudo bem que eu não engordei consideravelmente depois disso, mais aí a Meg e eu decidimos morar juntas, ficou tudo menos solitário digamos assim, depois conseguiu emprego como arquiteta mesmo, fiz uns cursos ótimos, como a grana que juntei, e to levando até agora. – contou Anita alegremente.
– Você, a Meg, que loucura foi essa hein. – questionou Ben, não conseguindo deixar que o fato soasse surreal para si.
– Coincidência, ou sei lá, a gente se encontrou, fomos ficando próximas, entendível não é, quando se está em um lugar em que não se conhece mais ninguém. – afirma Anita também não sabendo explicar. — E no fundo eu descobri que a Meg com certeza é aquela amiga pra vida toda, eu descobri que detestar tua ex até dava, mais detestar a Meg, não ,eu não nunca iria conseguir, se até a Sofia tinha entrado no meio porque eu iria me preocupar com ela não é. – Anita especulou, deixando o sorriso travessa demonstrar que ela jamais se importaria com que Ben acharia do fato.
– Anita eu não sei se é hora de te perguntar isso mais... – ele ainda hesitou por um único segundo tocar no assunto. – Qual a tua ligação com a Sofia hoje. – indagou Ben, temendo que o silêncio que Anita tentou disfarçar, significaria uma única coisa, ela não o responderia jamais tal pergunta.
– Nenhuma, a gente nunca se falou durante esses três anos, o que uma sabe da outra, foi falado por uma terceira pessoa, e a única vez que eu vi a Sofia pessoalmente além de agora, a gente só trocou um oi, e como você pode ver porque não é bobo, minha relação com ela é precária. – a garota não escondeu, que seu elo com a irmã não passava apenas de um laço de sangue ou familiar. – Mais pelo visto com você não foi diferente, ela não se aproxima de você, não sei é por medo de cair em tentação novamente, ou por sei lá receio, de resolver tudo que houve. – alegou debochada.
– Anita! — Ben maneou a cabeça contrariado. – Porque eu fui tocar no assunto mesmo né. – ele se perguntou, já que só podia esperar tão resposta mesmo.
– Hãm, não entendi, e daí, ou você sofre do mesmo mal que ela, bom se for, com certeza, não adianta fugir de atração não Ben, mais cedo ou mais tarde. – acrescentou ela sem ligar para os semblante sisudo que Ben não escondia. – E na primeira oportunidade ela te fulmina com tudo, se for isso te aconselho a mudar de tática e rápido. – afirmou taxativa.
– Não, óbvio que não, pode parar. – Ben devolveu sem cerimônias. – Realmente penso, que eu e ela não temos nada a resolver, só que vocês são irmãs não é Anita. – ele explicou. — O que eu fui fazer hein?
– O que te deu vontade, que teve consequências fato, mais não adianta falar mais. – ela não o poupou e usou de sinceridade, por mais que o olhar desapontado de Ben, levou o que ela já desconfiava, que ele não aprovaria suas palavras. – mais mudando de assunto né, até porque daqui a pouco isso vira v de bata boca, de ir em embora, ou melhor isso faria você ir sozinho e me deixar aqui , acusando ainda que eu mereci, por falar o que não devia – Anita achou mais apropriado encerrar por ali, antes que ambos falassem o que não deviam.
– Você nunca conseguiu guardar as tuas percepções pra ti não é, nem as piores. – Ben alfineta o comentário agressivo dela a ele a acerca dos fatos que ele deixou para trás.
– Humm, passei minha vida toda guardando pra que. – ela o olhou junto a um sorriso de desdém. – Uma hora eu tinha que cansar né. – acusou.
– Ah o que agora, o discurso da nobre garota que cansou de levar esporro de todos os lados. – devolveu Ben, rindo sem parar.
– Não. – nega Anita. – Quer dizer, sei lá, de alguma forma, morar em outro país, conviver com um monte de gente que eu nunca vi antes, enfim tudo que rolou antes depois, me fez de algum jeito entender que, na vida às vezes só há dois caminhos, um você se impõe, ou permite que os outros venham e passem por cima de você. – Anita riu da maneira descrente que ele a olhava. – Mais eu não vou mentir, sinto falta de poder confiar nas pessoas, não que hoje eu não faça isso, mais... Mais não sei, eu to falando mais que acreditar sabe. – confidenciou. – Aquela coisa de olhar pra alguém e ter certeza de que pode confiar sem medo. – parecia que hoje em dia, por mais que não soubesse ao certo ela hesitava um pouco em ser guiada de tal forma, tanto que raramente se via vivendo tal fato. – Hoje é todo mundo querendo passar a perna no outro, seja lá qual o motivo, se você não se cuida em um único dia você é capaz de sei lá tomar 20 milhões de rasteiras de todos os lados. – Anita comentou seguido de gargalhadas.
– Bom de algum jeito a gente aprendeu muito cedo que o mundo não é tão colorido assim, é que rasteiras às vezes, a gente não recebe só de quem tá longe, mais de pessoas próximas também, bom o Anto... – o rapaz entendeu de alguma forma os pensamentos de Anita.
– Não, eu não quero falar disso, pra mim essa pessoa morreu, no mesmo dia que ele quase acabou comigo também. – argumentou ela, não escondendo um resquício de asco por aquela parte de seu passado.
– Desculpa, foi mal Anita, não foi minha intenção, é que de algum jeito parece mesmo que nós vivemos em dois mundos, esse e o de antes. – afirma Ben, entendendo sua renuncia, e de alguma maneira compartilhando da mesma.
– Pode ser. – ela concordou em um sorriso sereno. – Mais então, vamos vivemos nesse aqui, o de agora, que tem muito mais coisas pra oferecer pra gente do que aquele que ficou pra trás. – Anita foi sugerindo, sorridente acariciando de leve seu rosto.
– Tá bom, não tá mais aqui quem falou, nem quem pensou. – Ben aceita a sugestão a beijando empolgado.
– Mais e você, tá aí revirando minha vida do avesso, e só eu que vou ser submetida a isso mesmo. – disse ela sorrindo implicante.
– Ué você não é boa em lançar questionamentos aos outros então. – retrucou Ben sorridente.
– Pera aí, você tem certeza que vai deixar eu te interrogar assim. – ela o encara desafiadora. – Bom além de aturar tua mãe, que é certo, recentemente uma certa garota também andou te atazanando, Alice não é. – Anita não resistiu e acabou especulando de Ben o que de verdade tinha ocorrido entre ele e a ex-namorada.
– Caramba hein, Marcelo não se aguenta mesmo. – Ben imaginou que o amigo era o responsável por informar Anita sobre sua vida.
– Não, ele é um ótimo amigo, uma ótima pessoa, não é que ele não saiba guardar segredos, ele sabe, mais tadinho ele fala demais, tanto que as vezes nem percebe. – justificou Anita debochada.
– É ok, eu só espero que ele não resolva falar demais, sobre mim e você por aí né, se não já viu o que vem pela frente. – Ben foi irônico com a reposta.
– Você tem tanto medo assim da reação deles. – ela perguntou.
– Sabe que eu não sei, mesmo. – Ben se confundiu ao não saber o que pensar sobre o assunto. – Acho que, eu me acostumei a viver só comigo mesmo, sem pensar em que explicação dar pra alguém sobre minhas atitudes, dona Cícera desistiu pelo menos de estar 24 horas no meu pé não é, a minha ameaça de voltar pra Florida funcionou até demais. – confidenciou Ben parte da “guerra” que travou com a mãe para que ela não interferisse tanto em sua vida.
– Já eu tenho medo, morro. – ela declarou.
– De que maluca. – o garoto riu.
– De mim, imagina se eu chutar esse balde, eu sei que não vou aturar todo mundo se meter na minha vida, minha mãe, todo mundo dizendo que eu não posso, não devo, que não é certo, mais fácil eu surtar de vez e o teto daquela casa cair. – Anita confessou que não suportaria a imposição de ninguém. – Ai meu caro, nem os meus dotes de arquiteta, e muito menos os teus de futuro engenheiro renomado, iriam dar um jeito de consertar o que sobrou, jamais. – disse ela em um tom irônico.
– Olha que ninguém nos ouça, mais cá entre nós meu pai e a Vera continuam os mesmos, controlam todo mundo. – Ben compartilhou seu pensamento sincero.
– Não sei se é pra tanto, Giovana, Vitor e Sofia, até que são tolerados por eles, por enquanto ao menos. – Anita fez uma ressalva. – Mais minha mãe ainda quer controlar tudo né. – afirmou ela, entendendo que o olhar contrariado que Ben depositava sobre ela só queria significar uma coisa, de algum jeito em parte, ela também tinha herdado um pouco do jeito da mãe. – Ok, tá adito, eu também, só um pouco, a diferença é que eu controlo minha vida, e ela quer controlar a dos outros, dos filhos a todo custo. – comentou Anita entre gargalhadas animadas. – Pra ser mais realista, eu acho que eles ainda cultivam o adorno da família perfeita, os filhos perfeitos e obedientes, acho que os filhos pródigos que ganharam o mundo somos eu e você, mais pra os todos efeitos, eles não expõem jamais isso aos outros, Ronaldo ainda crê cegamente, que um dia você vai voltar, noivo... Dizendo que vai ser casar, com uma menininha certinha que você conhece há nãos, e todo mundo vai viver feliz pra sempre. – contrapôs ela, permitindo-se rir da cena que organizava em sua mente.
– Ah eu! — Eu por quê? — E você não, porque se meu pai pensa, tua mãe não é muito diferente não minha cara. – se defendeu ele. – Oh vai dizer que você não expõe teu namoro com o cara incrível, certinho pra Vera. – ele devolveu a pergunta.
– Ai golpe baixo sabia. – ela empurrou o ombro dele descontente. – Não, o menos possível, Gustavo que adorava ficar falando com a minha mãe o tempo todo, pra falar a verdade detesto falar da minha vida, e mais ainda que me aconselhem quando eu não peço. – Anita respondeu não muito afim.
– É só quero ver quando você tiver que explicar pra ela, que trocou o genro perfeito, pelo torto aqui. – alegou Ben.
– Hum e daí, quem decide isso ainda sou eu não é. – Anita se quer se importou. – Você não precisa me dizer em que acreditar Ben, eu sei, eu sei o que eu fiz antes, assim como sei o que to fazendo agora, minha mãe não seria tão eloquente a ponto de te acusar sei lá, de me enganar. – garantiu Anita. – Éramos inconsequentes talvez, totalmente movidos por uma paixão que fazia a gente achar que dava pra mudar o mundo através dela. – supôs, no instante que Anita tinha plena certeza de que os dois tinham culpa.
– Pode ser, só que eu também fui responsável pela brilhante ideia, de te induzir a uma fuga, fuga essa que mudou nossa vida de uma forma que nem da pra calcular direito. – Ben não se absteve.
– Mais tá feito não é, eu não me arrependo. – rebateu ela impulsiva. – E depois de algum jeito meio maluco, e mesmo que soe mentiroso até pra você, eu guardo sim com muito carinho, as coisas boas que ficaram lá trás, eu não tenho raiva do que eu vivi ou fiz, tenho sei lá de, de algum jeito não ter tentado fazer diferente, de não ter dito amém pra tudo, não sei direito. – Anita desabafou. — Só sei que, eu não posso me arrepender de tudo Ben, se for assim, eu estaria sendo uma pessoa doida, mal amada, histérica, até muito mais do que eu sou ou aparento. – Anita afirmou olhando para o nada. – Que que foi, tá me olhando assim porque. – Anita se surpreendeu com o jeito hipnotizado com que Ben lhe encarava.
– Sabe que... – ele se confundiu por um segundo, enquanto se perdia em encará-la. – Todo mundo deveria te conhecer de verdade, só pra não julgar através do que é perceptível, um estereótipo, aquilo que as pessoas acham que sabem de você, através de um pré — julgamento bobo. – afirmou ele.
– Bom se isso foi um elogio, muito obrigada, mais se não foi também nem precisa explicar. – ela disse brincalhona.
– Ah é, então tá. – Ben retribui em um sorriso provocante a puxando para perto de sim.
– Ben! – Anita o olhou sem aprovar, quando o sentiu a puxar com força, fazendo com que ela se debruçasse sobre ele, o garoto ignorou a reclamação com um beijo apenas.
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Sidney esperava Sofia, no restaurante em frente ao prédio que ela morava com Caetano e sua prima Zelândia, e o filho fruto da relação dela com o Caetano, que era irmão caçula da loira.
– Caramba Sofia! – Tava aqui quase passando mal, você estava super estranha ao telefone, o que foi. – o garoto foi logo indagando quando viu a garota vir até a mesa onde ele estava sentado.
– Oi. – É... – a loira foi atropelada pelas palavras, aparentando estar confusa. – A gente pode falar um pouco, eu liguei pra Ana, mais ela estava na faculdade, e bom Flaviana está no Rio. – justificou Sofia, se referindo as duas amigas mais próximas, que estavam ocupadas naquele momento para ouvi-la.
– Claro, senta aí, por favor. – o rapaz lhe pediu apontando para a cadeira a sua frente, constatando que o jeito calmo de Sofia demonstrava visivelmente que ela estava abatida.
Continuação no próximo capítulo....
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