Encontros, desencontros e novos encontros
84 Capítulo 84:
Notas iniciais
– Boa noite Family querida. – Anita entrou animada pela porta cumprimentando todos que estavam na sala, talvez fosse só entusiasmo por poder novamente chegar em casa, e ter os “pais” e irmãos por perto, ou de fato aquela alegria estranha que ocupava seu coração estivesse mesmo a dominando por completo, mas por algum motivo maluco e medo de atiçar seu nervosismo com tudo que ouviu mais cedo sob a presença das ondas de um mar revolto, e aquele por do sol que só um final de tarde no Rio de Janeiro tinha, ela como uma boa carioca não conseguia pensar diferente. Preferiu ignorar suas percepções a respeito de onde vinham seu entusiasmo e alegria, e só deixar tudo se acentuar a seu devido tempo.
– Até que enfim, vocês apareceram já achei que tinham tomado chá de sumiço, principalmente você não é Anita, nem te vi hoje. – Giovana grita da cozinha, intrigada com o sumiço de Anita, assim como também do irmão que saiu de casa fazendo mistério de onde ia quando ela perguntou.
– Relaxa Gio! – Anita bem que tentou não rir da forma como a ruivinha lhe dizia tal fato, mas não conseguiu ficar imune. — Ai que exagero, eu estava por aí. – Anita zoou, atirando a bolsa no sofá de qualquer jeito e vindo até ela. – Que isso, o que você tá fazendo. – perguntou Anita vindo a irmã decorando um bolo com morangos.
– Tira a mão da minha obra prima. – ela retruca para Anita, dando um tapa de leve em sua mão.
– Ai Gio, vai regular um morango agora, poxa vida. – Anita finge-se de chateada, ao instante que vê Ben parando ao lado dela.
–Ué, a Vera tem uma nova substituta agora. – Ben brincou com a caçula.
– Ai vocês são chatos não é. – Giovana resmungou, com uma careta aos dois. – Tavam onde, e juntos ainda por cima. – a ruiva indaga sem cerimonias, sua curiosidade era muito maior do que correr o risco de ouvir uma resposta atravessada dos “irmãos”.
– Quem te falou que estávamos juntos. – Anita mexe os ombros negando, talvez seu sorriso debochado a estivesse lhe entregando mesmo, por isso preferiu olhar séria para a ruivinha.
– Talvez porque entraram juntos pela porta. – Pedro salta do sofá e vem até eles.
– Ah mero detalhe. – ri Anita, enquanto encara Ben com deboche.
– Pois tive quase certeza que escutei a porta do carro bater duas vezes quando o Ben estacionou. Pedro cobrou com esperteza.
– Que isso gente interrogatório. – Ben perguntou calmo enquanto tentava fugir dos questionamentos de todos, não sabendo por que ao certo recuou em dizer que estava com Anita, não saberia explicar o que fazia passando à tarde com a garota jogado a areia da praia, deduziu por um segundo, enquanto tentava deixar as lembranças daquele dia bem longe de sua mente naquele momento ou caso contrário não saberia como agir.
– Não, eu no momento só queria saber onde a Anita estava, porque tá parecendo um camarão que fritou no sol a julgar pelas costas. – Giovana zomba ao perceber que a mais velha estava pra lá de queimada do sol, quando vê Anita caminhar até a pia e encher um copo com água e tomá-lo rapidamente.
– Estava na praia. – Anita não esconde, porque ela mentiria afinal, julgou em seus pensamentos. – Porque não pode agora. – ela retruca no segundo que tenta olhar para as costas para verificar se o que Giovana dizia tinha fundamento.
– Ela foi paquerar o vendedor de água de coco Giovana. – brinca Marcelo soltando o livro que lia sentado ao sofá e se juntando aos três, era tão nítido que a garota estava na verdade com o amigo que não resistiu em implicar, mesmo que ironicamente.
– Por quê? — Não achei que você tivesse algum problema com a classe operária, afinal estava hoje pela manhã lá no Embaixada servindo as mesas bem entusiasmado, a julgar pela companhia feminina do lugar bastante irisada. – Anita o provoca a altura.
– E você estava claramente com muito ciúmes. – Marcelo acusa achando graça.
– Eu não. – Anita nega desdenhando, o fitando escorada a pia. – Estava na verdade, com pena da coitada que for ter ciúmes de você, a concorrência parece ser bem desleal. – Né Meg. – brinca Anita desviando o olhar até a garota.
– Tá me comprometendo por que. – Meg afirma, fingindo que não entendia o porquê do questionamento da amiga.
– Porque eu sou má. – caçoa Anita, roubando do prato de Giovana um morango.
– Hahahha gente, vocês se amam e se odeiam né. – Giovana ria em gargalhadas desesperadas das duas.
– Infelizmente eu acabei descobrindo que não vivo sem a Anita. – Meg fez graça com a afirmação de Giovana, junto a um abraço na inusitada e grande amiga.
– Foi mal, não queria atrapalhar. – Sofia disse quando voltava da casa de Flaviana e percebia as risadas entrosadas dos presentes a sala, se sentiu não fazendo parte da reunião de todos, em outras ocasiões, isolar-se em seu quarto era até melhor e ela nem se importaria, mas hoje fazer isso a deixava incomodada, principalmente em pensar em como todos a julgariam por isso, a julgar pelas vezes que ouviu de Vitor e Giovana tal caso.
– A gente só estava jogando conversa fora Sofia, fica aí. – pediu Anita, constatando que o clima com a irmã não estava bom desde mais cedo, tentava entender a irmã, queria se dar bem com ela, mais tudo sempre parecia se encaminhar ao fato de que ambas não tinham o dom de conseguirem se entender, por mais que tanto Anita quanto Sofia quisessem muito, a loira sentou ao sofá mesmo desconfortável. — É reciproco, com certeza. – disse Anita entre risadas se soltando de Meg.
– Não, quase irmãs, até porque se a Anita continuar usando tuas roupas Meg, daqui a pouco começo a confundir as duas, no mínimo de costas não é, cabelos quase na mesma altura, claro e cacheado, tá muito estranho isso gente. – Giovana garantiu com deboche pela situação.
– Ih Gio, não inventa eu iria ter que clarear muito o cabelo pra ficar da cor do da Meg. – Anita afirmou rindo sem parar.
– Pode até ser, mais confesso que quando te vi, a primeira coisa que eu raparei foi o cabelo, nunca te vi tão loira. – a menina contrariou.
– É eu quis passar por estrangeira mais não deu muito certo. – zoou Anita de si mesma, Giovana estava certa, ela sempre temeu mudanças, mas parece que a vida realmente lhe deu inúmeras oportunidades de mudar seus conceitos a julgar pelo contexto de sua vida hoje.
– Ai Anita. – Meg ria. – Também até eu achei estranho, quando você pintou, a doida tava com o cabelo bem escuro me volta à noite desse jeito pra casa. – a americana argumenta lembrando-se da cena.
– Também, acho que ou eu pintava pra ver se melhorava um pouco ou ficava careca, meu cabelo tava mal, todo quebrado, não via uma hidratação há séculos, até porque entre trabalhar e estudar, mal sobrava tempo pra dormir e olhe lá. – justificou-se, ela sempre foi descuidada mesmo, e quando a rotina agitada não ajudava as coisas pioravam gradativamente. – E não vem não tá, porque a senhora corta, pinta esse cabelo aí umas seiscentas vezes por ano, o que eu não entendo é como tá sempre assim cumprido. – implica Anita fazendo a estrangeira gargalhar apenas.
– Mais e eu fosse você ficava ainda mais loira Anita, tá lindo. – afirma Giovana a elogiando.
– Eu não estou loira Giovana, você tá achando isso porque faz tempo que não me vê. – achou graça ela.
– Tá bom, mais vamos jantar e depois comer meu bolo lindo gente. – diz Giovana orgulhosa de sua criação.
– Oba, eu adorei o assunto. – Marcelo brincou do sofá. – Até porque entre falar de vocês duas, eu ainda prefiro olhar, a beleza aos olhos é muito mais encantadora. – afirmou ele não escondendo o olhar encantado que direcionava a Meg.
– Ótimo eu ajudo, mais antes vou tomar um banho. – disse Anita, precisava livrar-se de sua aparência de praia, por um segundo agradeceu os irmãos terem esquecido os questionamentos a respeito de onde ela andou toda à tarde.
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Depois do jantar...
– E aí quem lava a louça? – Pedro pergunta interrompendo a falação de todos.
– Hum que tal todo mundo, cada um vai até a pia e lava seu pratinho. – sugeriu Anita sorrindo esperta a todos.
– Aff, eu to cansadão. — Vitor se defende para não fazer a tarefa.
– Ai nossa, eu também to muito cansada gente, esse dia foi no mínimo diferente. – confessa Anita, concordando com garoto, mesmo que seu objetivo não fosse também fugir de ajudar com a limpeza da cozinha.
– E eu vou fazer meu dever. – informa Pedro seguindo pela escada.
– Bom eu vou indo pro meu quarto, amanhã contribuo com a louça do café, boa noite fui. – Vitor empurrou o prato e saiu em retirada.
– Marcelo junta os pratos ali e me ajuda a levar pra cozinha. – ordenou Meg ao garoto que parecia desatento.
– Porque eu? – o rapaz questiona se despertando.
– Não sei Marcelo, porque me deu vontade talvez, custa ajudar. – a loira retrucou ironicamente.
– Ela é sempre cheia de vontades Marcelo, acostuma. – Anita alfineta diante da discussão do suposto casal, levantando e se dispondo a ajudar também.
– Então tá né, bora ajudar. – o rapaz moveu-se sem contrariar.
– Nem vem que eu não vou agradecer. – Meg ri da forma como ele a olha.
– Nessa caso você nem precisa pedir mesmo Meg. – Ben se pronunciou risonho. — E o Marcelo é extremamente empenhado quando o assunto é lavar louça, principalmente quando ele se muda pra minha casa, por exemplo, aí toda noite que eu chego em casa tá lá aquela pilha de louça sob a pia que mais parece algum monte altíssimo tipo Cordilheira dos Andes, Monte Evereste, algo do tipo. – Ben faz graça com a disposição do amigo.
– Caramba vocês são um casal do mau hein. – Marcelo retruca falastrão se referindo a Anita e o amigo, que pareciam dispostos a zombar de si em poupá-lo.
– Opa casal gente, como assim isso aí. – Giovana indaga em extremo deboche desdobrando em olhar as expressões de Anita e Ben, que pareciam anestesiados com a circunstância.
– Modo de falar Giovana, só pra assimilar que eles são chatos ao quadrado. – desconversou Marcelo, retirando os pratos e os encaminhando até a pia como Meg havia pedido.
– Mais esse negócio da louça na casa desse aí eu explico, estava mal, fazendo um estágio dificílimo para a faculdade, namorada me manda passear, perco meu emprego, esse aí amigo que só, preocupado com a louça, enquanto eu me deprimia somente, isso que a gente recebe por confiar nas pessoas. – o garoto afirma, risonho e ousando dizer que estava ofendido no tom de voz.
– Ah agora eu entendi tudo. – Ben ironiza não muito convencido, talvez parte das justificativas do amigo fosse mesmo verdade, mas também bancar o malandro era algo que já estava inserido em seu DNA.
– Vou ligar pro Junior tá, mais se vocês quiserem minha ajuda, pode deixar minha parte na pia, que depois eu lavo. – informou Giovana ajeitando sua cadeira e saindo apressada para fora.
– Tá bom pode ir. – Anita riu da irmã por um segundo, e pensou que de um jeito bobo invejava Giovana por poder ligar para o namorado, num ímpeto de contar como foi seu dia ou simplesmente matar as saudades, ser apenas uma jovem despreocupada que ainda conseguia acreditar na beleza do amor sem desconfiar, sentia falta dessa fase, não sabia exatamente do que, mas sentia, talvez hoje ela ligasse, não por sentir falta, por querer falar somente ou sei lá, mas se Anita se conhecia seria para reclamar algo, se viu rindo de suas próprias trapalhadas.
– Óh podem parar com o papo, vamos arrumar essa bagunça mesmo, ou eu vou fazer como o Vitor, vou desertar. – acusa Anita interrompendo a falação dos demais.
– Hei você ficou chateada. – Marcelo perguntou a Meg que parecia muda.
– Não por que. – ela garantiu.
– Não por nada, é que eu falei de namoro sei lá mais o que, achei que. – ele disse desajustado.
– Achou errado, eu não tenho porque ficar com ciúmes do teu passo né. – a loira falou fingindo desinteresse.
– Ah bom. – diz ele sorridente, lhe roubando um beijo carinhoso.
– Para. – Meg o repreende sorrindo debochada.
– Olha se vocês querem continuar aí, eu deixo a louça todinha pros dois. – Anita interrompe os beijos dos dois ao perceber que estava sobrando consideravelmente na situação.
– Ah sem problemas. – reforça Ben sorridente.
– É, e pra que? – Marcelo dispara soltando a estrangeira. – Pra vocês continuarem de onde a gente parou. – ele acusa.
– Não, não, pode parar. – Ben tenta argumentar sem segurar o riso.
– Eu nem comecei amigo. – gargalhou o garoto.
– Olha só vamos combinar uma coisa, ninguém fala de ninguém e ponto. – sugeriu Anita impaciente ao perceber que viraria alvo das implicâncias de Marcelo e Meg.
– Ai como vocês são. – a americana faz-se de chateada.
– Vocês são dois anjos né. – ironiza Anita com deboche.
– Somos. – o casal assente positivamente, enquanto Ben fica mudo.
– Eu só vim pegar um copo com água, não vou atrapalhar. – Sofia garante, ao ver o silêncio ocupar o espaço das risadas e frases faladas ao mesmo tempo, quando ela entra na cozinha.
– Não Sofia. – Meg se pronuncia.
– Nem um pouco, bom você não jantou, acho que ainda sobrou frango e salada, tá na geladeira. – anunciou Anita, desconfiada que o isolamento da irmã tinha a ver extremamente com a presença dela.
– Obrigada, mas não to com fome mesmo. – a patricinha justificou sua ausência, no instante que os três amigos se entreolhavam confusos.
– Sofia, você pode ficar aqui na cozinha, na sala, não precisa ficar isolada no quarto. – Anita sugeriu tensa e se vendo chateada com o jeito arredio da loira.
– Não precisa Anita, são os teus amigos, não tem porque eu querer ser aceita não é. – Sofia responde um tanto rígida dando as costas a todos que pareciam não entender sua reação.
– “Sofia não querendo se impor para ser aceita”. – Anita só ficou a martelar a frase em sua mente, não reconhecendo a irmã por tal argumento, Sofia era altiva, exibida, e extremamente segura de si, o porquê de soltar tal fato agora, realmente nada estava em seu lugar, e pela primeira vez ela teve plena consciência disto.
– Hey, desistiu da louça. – Marcelo questionou ao constatar que a garota parecia fora de órbita e presa em seus pensamentos.
– Não é, gente vamos terminar isso aqui né. – ela balbuciou confusa, desfazendo a confusão que se formava em sua cabeça.
– Tá não é, mais você tá legal. – Meg devolveu com outra pergunta.
– To, to sim. – Anita somente confirmou esboçando um sorriso de canto.
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– Porta que bate duas vezes, esse Pedro nem é esperto. – Anita comentava chegando à cozinha e pegando Ben ainda de pé.
– É, o pequeno pegou toda esperteza da família pra ele, sem sombra de dúvidas. – Ben respondeu rindo, soltando o copo que segurava.
– Você acha que ele cogita que nós não estávamos juntos, não só juntos, mas sim bem juntos. – Anita disse debochada pegando a jarra com suco da geladeira e depositando sobre a mesa, enquanto procurava um copo na bandeja.
– Acho que não, mais digamos que a nossa presença um do lado do outro, desperta alguma curiosidade nas pessoas, ou algo do tipo. – falou Ben, era tão fácil chegar a tal conclusão.
– É, a gente não seria estupido de cometer o mesmo erro não é. – Anita zoou deixando o suco de lado e vindo beijá-lo.
– Nunca principalmente você. – Ben concordou sendo conduzido pela felicidade que inebriava suas ações e pensamentos desde o dia anterior. – a futura arquiteta, tão segura de si, implacável, determinada, não iria cair no mesmo conto do passado, jamais. – ele fez graça, a fazendo apenas repousar a cabeça em sua ombro, ao tempo que Anita apenas ria alegre a cerca das colocações dele.
– Deus, o que acontecendo com a gente, me diz. – Anita perguntou, ela não sabia explicar o porquê da sensação leve que dominava seu corpo, ela só conseguia sentir, sentir aquela alegria que ocupava parte de si.
– Eu não sei mesmo. – Ben respondeu se vendo compartilhar da falta de sabedoria do assunto que ela tinha, era só felicidade, apenas pensou ele, ainda não havia planos, decisões, ou futuro, era só um presente que lhe trazia e o fazia contemplar uma felicidade imensa. – Mais eu não posso dizer que não to gostando. – afirmou ele olhando fixamente para uma Anita que permanecia muda com um sorriso no rosto apenas, e foi o que os dois fizeram, olharam-se procurando alguma coisa que os fizesse ter certeza do que acontecia. Mais ambos não chegaram à conclusão alguma, os sorrisos só se estenderam, enquanto Ben retirava suave os fios dos cabelos de Anita que se encontravam em seu rosto, para logo depois aproximar seu rosto ao dela para um beijo lento e que carregava a urgência de um amor, que precisava ser vivido, um amor que ao passe renascia, acordava e ao mesmo tempo brotava com outra força, com outra forma de amar, era esse o sentimento que os dois diziam desconhecer tanto, talvez soubessem, mas por alguma razão suas mentes e corações achavam que era muito cedo para isso, até para confidenciar tal fato a si, simplesmente era melhor viver, comtemplar aquele sentimento do que se preocupar em dar um nome a ele.
– Hum me diz uma coisa, o que você vai fazer amanhã bem cedo, óbvio além de dormir. – perguntou ele pausando o beijo sem ar.
– Como assim, porque você quer saber isso? – Anita devolvia confusa no instante que sorria somente.
– Não, tava pensando numa coisa aqui. – disse Ben sem detalhes.
– O que você vai aprontar comigo hein. – Anita desconfiou do sorriso travesso e cheio de intenções de Ben.
– Eita meu deus, olha se eu não me recordasse da toda tua desconfiança pra tudo, eu acharia que isso é porque tá nem aí pra mim né. – Ben rebateu escondendo o riso, não conseguindo entender, porque ela era sempre tão desconfiada. – Não confia em mim? – ele confrontou.
– Não, olha aqui, eu sou maluca, mais não burra a esse ponto, ainda mais conhecendo muito tuas ideias mirabolantes pra tudo. – Anita desdenha verdadeira, admitindo que desconfiava dele.
– Ok, eu já dei motivos pra isso, mais é só um lugar, se você tiver livre pela manhã. – se justifica ele. – Eu não vou usar aquela clássica pergunta, se algum dia eu te meti em alguma roubada, porque a resposta seria duvidosa. – gargalhou ele confessando.
– Ainda bem que você reconhece. – Anita concordou alegremente. — Eu não vou fazer nada de manhã. – ela se rendeu. – Mais cuidado hein, antes de mais nada lembra que eu sou a pessoa mais medrosa do mundo. – ela brincou.
– Tá bom, 5: 30 aqui em baixo, assim não dá tempo de alguém dar um flagra na gente. – sugeriu ele. – Ou você nem sabe mais o que é acordar cedo. – desafiou.
– Afff, eu tenho cara de dondoca agora. – ironizou Anita. – Combinado, cuidado hein, olha bem o que você vai me aprontar. – avisou ela uma segunda vez.
– Ok. – Ben fingiu que aceitava o aviso.
– Agora eu vou dormir mesmo, se não é né vai ficar meio difícil deu pular tão cedo da cama. – Anita concluí.
– Boa noite. – Ben lhe desejou juntamente com um beijo empolgado.
– Boa noite. – ela rebateu o encarando em sorriso audacioso nos lábios, colocando um pouco de suco no copo depositado sob a mesa e saindo com ele em mãos.
– Meg, Meg, acorda só um segundo. – pedia ela apressada quando entrou no quarto.
– Ai o que. – murmurou à estrangeira se erguendo com sono.
– Eu preciso confessar uma coisa, antes que eu exploda. – dizia Anita sorridente, não sabendo o que fazer com sua inquietude que era imensa.
– Hãm, aí Anita tá me achando com cara de Igreja pra ter confessionário, e ainda 24 horas é. – a loira afirma confusa, seu sono não a deixava prestar atenção com clareza no que Anita tentava falar.
– Não, é que eu e o Ben. – Anita procurou explicar, se sentando a cama da amiga.
– Ahan tão juntos e daí. – deduz a garota.
– Tá tão na cara assim, a gente deu tanta bandeira desse jeito. –Anita se preocupa, será que ela e Ben já eram o assunto da casa.
– Não, até menos do que seria o normal pelo contexto enfim, eu é que sou detalhista mesmo. – a loira se explica.
– Ai ufa! – Anita não pode conter um suspiro aliviado. — Tá a gente tá junto, é juntos, não sei exatamente qual o significado disso, mais nós estamos juntos. – ela confirma meio confusa. – Eu to sentindo uma coisa, uma leveza, uma sensação de... – confessa Anita sem saber direito como explicar, mas Meg só se divide em bocejos e mais bocejos. – Não sei, só sei que eu sinto, como se eu não conseguisse pensar em desfazer o sorriso do meu rosto, por exemplo, chega a estar doendo à bochecha, to rindo de qualquer coisa. – admite. – Não seio o que é isso, mais há muito tempo eu não sentia isso, essa plenitude toda, essa vontade de sair gritando ao vento, simplesmente pirando por aí, sem nenhum motivo a mais. – acrescenta Anita, não sabendo esconder o que sentia.
– Ahann tá entendi. – reforça Meg dispersa.
– A coisa mais perto que eu me lembro disso nos últimos tempos, foi quando meu chefe me promoveu, só que durou horas, e não era com essa força toda não, e eu to a quase há dois dias assim Meg, eu sei que não vai passar amanhã, eu ou acordar assim, ansiosa, nervosa, histérica, mais assim, sentindo essa vontade de viver, viver um sentimento que eu nem sei ainda o que é. – Anita afirma em um sorriso de leveza ao rosto.
– Já, já você descobre, pode crer. – sugere a loira, sentindo suas pálpebras pesarem pelo sono. — E parabéns, vocês merecem, torço muito, mais agora me deixa dormir, que to muito cansada, beijinho boa noite, te amo, e não me odeia por querer dormir. – alegou a loira, se aconchegando em sua cama novamente.
– Valeu pelo conselho sábio. – Anita tentou ralhar com a amiga, mais hoje realmente ela não estava com humor pra cultivar maus sentimentos, era alegria somente. – Melhor eu dormir mesmo não é, ou vou ficar doida e com sono só. – percebeu ela indo em direção a sua cama.
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