Encontros, desencontros e novos encontros
82 Capítulo 82:
– Graças a deus esse café ficou pronto tava morrendo de fome. – Giovana finalmente se viu podendo sentar a mesa, depois de ajudar os irmãos com o preparo do café.
– Realmente a mamãe aqui faz falta, já to ficando com saudade dela. – dizia Pedro.
– Daqui a pouco eles estão de volta. – alegou Vitor para consolar o irmão caçula.
– E a Anita, alguém chamou ela, pra tomar café. – Giovana indagou ao não ver a presença da garota à mesa.
– Eu bem que tentei, mas ela virou pro outro lado e seguiu dormindo, eu acho. – Meg afirmou. – Também eu cheguei super tarde ontem e ela ainda tava acordada eu nem vi a hora que ela foi dormir. – a americana manifestou.
– Coisa de ser, de arquiteto, quando começa com uma ideia não para mais. – falou Marcelo aos sorrisos servindo-se. – Aliás, o projeto que ela tava desenvolvendo era irado, eu vi umas coisas ontem à tarde. – elogiou ele.
– A gente eu vou chamar ela, se não coitada vai ficar sem café, com esse bando de dragões aqui. – Giovana alegou arredando a cadeira e levantando apressada.
– Não precisa, eu já estou aqui. – disse Anita se aproximando a passes lentos e confusos, ouvindo a voz da roqueira em meio ao burburinho de todos reunidos a mesa para dividir o café da manhã. – Quer dizer, parte de mim tá aqui, acho que se eu continuar sentindo sono desse jeito, daqui a pouco eu durmo e não acordo mais gente. – pensou ela, puxando uma cadeira para sentar aos bocejos.
– I'm so sorry! – Mas... — Uma coisa. – proferiu Meg, fitando Anita sentada de frente para ela na mesa. – Você já experimentou dormir como gente normal, porque pensando com calma, você não deve fazer isso desde o ano passado, não é. – falou a loira.
– Ai tá bom mamãe já entendi. – Ironizou Anita junto a um sorriso debochado no momento que procurava o prato com pão com o olhar. – Pode parar com o discurso. – pediu no instante que puxava uma xícara vazia do centro da mesa tentando arrumar concentração suficiente, que a deixa-se tomar seu café mesmo com todo sono.
– Onde vocês estavam ontem hein. – Anita questionou discretamente a Marcelo que estava ao seu lado.
– Eu? – o garoto apontou para si mesmo confuso.
– Não, minha mãe. – ela debochou irônica, se livrando dos óculos escuros.
– Vem cá, você é curiosa ou é só descarada. – implicou ele entre risadas.
– Eu diria, hum os dois talvez. – não negou Anita.
– A gente foi jantar tá, satisfeita. – contou o garoto.
– Aham e pelo jeito o restaurante que vocês foram só fechavam no dia seguinte. – ela disfarçava o riso descrente com a explicação dele. – Sei não hein, pra mim isso aí já passou de paixão pra amor. – alfinetou ela.
– Ah é, você diria o que? – Pra eu tomar cuidado. – ele riu.
– Ohu gente, o que vocês cochicham aí hein. – Meg perguntou desconfiando da falação dos dois. — Posso saber. – perguntou Meg jogando um guardanapo em direção dos dois.
– Nada, eu só tava dizendo pra Anita, que hoje vai dar uma praia estonteante. – desconversou Marcelo.
– E o que os dois iriam fugir pra praia também. – a loira ficou sem se convencer.
– Não, eu não. – garantiu Anita. – Aliás, falando em fuga, o dona Giovana e seu Vitor onde vocês estavam ontem. – questionou Anita ainda intrigada com o sumiço irmãos.
– Eu tava com a Clara porque, a gente foi em um show lá no Leblon. – falou o garoto.
– Não por nada, é que eu liguei pra casa da Clara, e a dona Giovana não estava por lá como me disse ao telefone. –cobrou Anita, fazendo a ruivinha lhe olhar desconfortável.
– Ai Anita eu, esquece tá. – retrucou a menina.
– Poxa Anita, qual foi, vai ficar no nosso pé agora. – Vitor especulou.
– Não, de modo algum, só não esquecem que o Ronaldo quando foi viajar foi bem claro de que não queria ninguém de estripulia por aí, não é. – relembrou Anita, se preocupando em não aborrecer os pais antes do dia dos dois retornarem de viagem. – Mais pelo visto as coisas por aqui estão mais amenas também não é, mais de qualquer jeito, tomem cuidado. – Você acham que já sabem tudo, só que não né. – comentou não muito convencida.
– Anita... Não entendi agora, se você não tem nada contra, porque tá pegando no pé dos dois. – Sofia se manifestou, não compreendendo o excesso de intromissão da irmã mais velha. – Tá se doendo por que. – Sofia mostrou indiferença.
– Eu to me doendo? – Anita balançou a cabeça seguido de uma leve risada, para um silêncio ensurdecedor profanado pelos demais se espelhar pelo cômodo. — Que isso Sofia, pirou. – Anita não entendeu o porquê do questionamento. – Você agora defende a Giovana e o Vitor, as coisas mudaram mesmo por aqui, pelos visto os tempos da ditadura só duraram nos meus anos de falta de compreensão. – Anita a encarou debochada, enquanto os demais só viam um mal estar se fazer presente a mesa.
– Não, não to defendendo ninguém, mas se você nem aqui estaria, afinal estava de passagem comprada para voltar pra casa, está se metendo na vida dos dois porque. – a loira procurou se explicar calma, talvez houvesse exagero e falta de de dino para se expressar em suas colocações mesmo. – Só porque minha mãe já foi bastante intolerante com você, agora você quer pregar as mesmas coisas com eles, me poupe. – Sofia ficou sem compreender o jeito que Anita parecia sempre querer controlar tudo a sua volta, mesmo que isso não a interessasse.
– Você não escutou direito o que eu disse não é possível. – Anita pregou com indignação na voz, ajeitando os cabelos e usando os óculos como tiara, para afastar os fios de cabelos do rosto, impaciente com as acusações da loirinha.
– Você é que não entendeu o que disse eu acho, você não está mais aqui, não depende da compreensão deles mais pra nada, cuida da tua própria vida, e quer pregar que nós sejamos tratados da maneira como você foi um dia, pra mim isso é coisa mal resolvida e nada mais. – Sofia se revoltou com o olhar autoritário que recebia da irmã mais velha.
– É realmente. – Anita levantou da mesa arredando a xícara ainda vazia e o prato com uma fatia de pão partida ao meio dentro, mais para o centro da mesa, com um ar de que tanto fazia. – Eu nem estou aqui, nisso você tem razão e em Londres ou não, minha estadia aqui é temporária, agora Sofia... – pausou Anita para pegar uma maçã na fruteira que se encontrava perto de Pedro. – Você já devia de ter entendido que pai e mãe, não dão bronca porque gostam, alguns anos há mais fazem eles terem certeza onde dói, quando a gente se machuca, se é que você tomou alguma bronca na tua vida minha cara. – desafiou Anita, estampando nos lábios um sorriso descrente. – E quanto a arrependimento em relação ao o que eu não fiz, fiquem tranquilos, eu fiz muita besteira na minha vida, e nem sempre recebi o sucesso de volta, nisso você tá certa. – ela concordou sincera. – Agora me arrepender não, mais tinha uma coisa que eu devia de ter feito sim, quando eu fui embora. – Anita estendeu um olhar fixo a Sofia, enquanto percebia os olhares aflitos de Meg e Marcelo sob ela. – Ter te dado uma boa surra, assim pelo menos você teria motivos pra achar que a recalcada sou eu, e sem medo de errar, ou você acha que eu tenho algum medo de ser a vilã dessa história, eu não tenho problema nenhum hoje em usar os rótulos que as pessoas me destinam. – disparou ela sem receios do que os demais pensariam, talvez tivesse sido a forma mais rápida de sanar a sucessão de coisas mal resolvidas que as unia uma a outra. – E realmente que bom que algumas coisas acontecem quando a gente não consegue juntar maturidade o suficiente e egoísmo por completo, caso fosse assim o mundo se transformaria num campo de guerra minado de assassinatos, terceira guerra mundial definitivamente não seria um bom começo de século. – ela ironizou irritada, com a forma que a mais nova colocava as coisas, como se ela não tivesse motivos para tratar as coisas com um olhar radical.
– Anita olha só. – Sofia suspirou incomodada, constatando que havia acontecido uma sucessão de assuntos mal interpretados pelas duas.
– Um bom dia pra vocês, tchau to saindo pra ver umas coisas. – a menina disse fitando as caras perplexas de todos. O único que parecia mais surpreso que assustado com o comportamento audacioso dela era Ben, o garoto a fitou se afastar parecendo entender que aquela Anita não seria "compreensiva" a ponto de deixar ninguém desestabilizar ou lhe trazer algum tipo de sentimento que fosse sinonimo de sofrimento para si. – Podem continuar, sem incomodo, por favor. – alegou ela, saindo pacienciosa até a porta, todos só souberam observar a situação com perplexidade.
– Bom é... – Do que nós falávamos mesmo. – Marcelo esboçou um sorriso constrangido enquanto tentava quebrar o silêncio.
– Estou saindo também, bom dia pra todo mundo. – Ben se apressou em sair, com intuito de ainda alcançar Anita.
– Eu me doendo! – balbuciou Anita com certa ira acumulada, escorada ao muro perto ao casarão pensando que rumo tomar. – Sofia é incrível mesmo, e você Anita podia parar de falar tudo que te dá na telha, sua besta, se vai acabar ferrada ainda se continuar com essa mania de cuspir os sapos que te destinam. – ela cantarolou achando que poderia ter feito uma tremenda burrada em não deixar barato as alegações da irmã, porque loucura ela simplesmente não levantou da mesa e saiu, teria sido mais digno, compreendeu.
– Heiii! – Ben a chamou numa voz calma.
– Aiii... – Susto garoto. – Anita proferiu dispersa.
– Calma eu só quero falar com você, e não te matar. – ele ficou a rir da cara de apavorada dela.
– Olha aqui, se veio aqui dizer que eu estou errada, que a Sofia só estava tentando ajudar, que eu fui muito injusta com ela, que devo pedir desculpas, esquece, pode dar meia volta e ir embora, dispenso o sermão tá legal. – Anita alegou sem paciência para ouvi-lo.
– E eu vou me arriscar a tentar, só se for pra você virar o jogo, e eu for o achincalhado da vez não é. – Ben se negou a dar importância para os argumentos dela.
– Sabe o que eu acho, que eu perdi a irmã, e consequentemente eu perdi a paciência pra aturar esses tipos de comentários. – a garota admitiu decepcionada com o ocorrido.
– Bom pode até ser, mas eu não vim falar do aconteceu lá na mesa. – garantiu ele se aproximando dela com um leve sorriso.
– Já sei, veio garantir que eu não vá, esquecer o que a gente conversou ontem, vem cá me diz, isso tudo é trauma ou é só pra encher minha paciência mesmo. – Anita o cobrou debochada.
– Eu diria que é pior do que isso, é pressa mesmo. – alegou Ben, a encurralando contra o muro e lhe dando um beijo com vontade.
– Você tá querendo levar um flagrante também, me agarrando no meio da rua. – Anita se afastou dele observando em volta atenta, mais já rindo.
– Ah foi mal, esqueci que ainda somos muito novos pra esse tipo de coisa, ainda mais em público, não é. – Ben implicou com ar de deboche.
– Eu vou lá no Embaixada pegar umas contas que o Ronaldo me pediu pra dar uma conferida e depois a gente conversa, apesar de que eu sei que isso não é uma boa ideia, não é. – ela se comprometeu, mesmo imaginando qual seria a pauta da conversa.
– Bom pra quem esperou semanas pra que você se decidisse o que são horas. – o garoto zombou.
– O que não é nada grave, estamos a quase quatro anos adiando essa conversa, vai reclamar do que agora. – alfinetou Anita, e os dois caíram na risada.
– Oi, oi bom dia. – Omar os abordou com um sorriso animado.
– Opa, tudo bem Omar. – Ben se afastou de Anita disfarçando o sorriso constrangido, que a garota apenas ignorou.
– Tudo sim, bom é na verdade eu vim procurar você Anita, Ronaldo me ligou avisando que tinha deixado uma pasta com alguns documentos, tinha avisado a você o lugar exato onde estava. – ele disse receando ter chegado em uma hora ruim, já que seus pensamentos se confundiam a respeito do que havia visto.
– É eu estava indo pra lá por conta disso mesmo. – Anita ajeitou os cabelos, sorrindo confusa.
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