Notas iniciais
Boa leitura a todos!!!

– Realmente eu devo estar sem o menor juízo. – Proferiu Ben, desapontado com as próprias decisões. – Aconteceu alguma coisa pai? – Disse ele desconfiando de Ronaldo após vê-lo se aproximar com uma cara tensa.

– É aconteceu. – Suspirou Ronaldo. – A Bernadete me ligou, parece que aconteceu alguma coisa lá no galpão da empresa. – Exclamou ele, com nervosismo.

– Oi amor, demorei muito. – Vera entrou empolgada pela porta.

– Não imagina. – Ronaldo respondeu, a cumprimentando com um beijo.

– Eu vou largar essas sacolas lá em cima, e vou até lá fora, tinha um carro chegando e parando aqui em frente, acho que era a mãe do Vitor e da Giovana. – Informou Vera.

– Ah tá. – Ronaldo pronunciou preocupado, enquanto ela caminhava até a escada. – E agora o que eu faço. – Ele se perguntou.

– É melhor você falar pra Vera né pai, até porque você não conseguir sair daqui sem ela notar. – Afirmou Ben, sem ver muita solução.

– Não, a Vera iria cair em nervosismo, e eu sei que ela não pode se aborrecer. – Ronaldo justificou. – Quem sabe você vai lá ver o que a Bernadete quer meu filho. – Sugestionou Ronaldo.

– Bom se for pra ajudar, tudo bem, eu não estou fazendo nada mesmo. – Não viu problema ele.

– Obrigada. – Agradeceu. – Agora é melhor a gente encerrar o assunto, que a Vera esta vindo aí. – Disse Ronaldo, avistando a mulher de volta.

– Ronaldo você não foi ver quem era. – Questionou ela, o vendo ainda parado de papo com os garotos.

– Ah eu já estava indo. – Garantiu ele disfarçando em meio a um sorriso.

– Então vamos que eu vou junto com você. – Falou ela, contente.

– Sim. – Concordou ele, saindo logo atrás dela.

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– Bernadete o que aconteceu você tava com uma voz tão estranha no telefone. – Anita perguntou já aflita, entrando pela porta, após ter recebido um telefonema. — Fala o que houve. – Anita disse da ex-madrasta.

– Ai ainda bem que você veio. – Respondeu ela de maneira nervosa. – Que alguém apareceu. – Suplicou agradecendo.

– Fala logo, por favor. – Pediu Anita novamente.

– Bernadete, meu pai disse que... – Ben entrou no local agitado também. – Tudo bem Anita. – Proferiu ele, ao encontrar a figura da garota com o olhar de forma inesperada.

– Ah não. – Disse ela, contrariada pela surpresa. — O que você faz aqui, tá me seguindo é. – Anita retrucou ao vê-lo.

– Não minha cara. – Ben garantiu. — Mesmo que os teus belos olhos sejam um ótimo convite pra isso, o meu mundo não gira em torno de você Anita. – Ben falou, um tanto frio com a garota.

– Palhaço. – Anita resmungou, para ela mesma, sem que ninguém escutasse.

–Bom eu não sabia o que fazer, eu liguei pro Ronaldo pra explicar, mas ele não vinha nunca, aí liguei no teu celular Anita. – Bernadete tratou de se explicar.

– Exato Bernadete, só que a Vera chegou bem na hora que ele iria sair pra vir aqui, e não sabendo o que inventar pra ela, meu pai acabou pedindo pra mim ver o que estava acontecendo. – Ben justificou o fato dele estar ali.

– Tá essa parte eu já entendi, mas o que tá havendo. – Anita preferiu voltar-se para o que interessava, a cara preocupada de Bernadete.

– É o que foi afinal. – Perguntou Ben também, se vendo confuso.

– Eu não quis ligar pra Vera porque, a gente ela deve estar tão feliz com a festa, já recebendo os convidados dela. – Ela começou a explicar. – Hoje é domingo não é, e de novo, tem um vazamento horrível em um dos banheiros próximo a cozinha, a gente já chamou a companhia que cuida disso aqui, mas pelo jeito fizerem algo bem mau feito, porque tá tudo inundando de novo, eu liguei pra eles, e eles não atendem, e eu não sei o que faço, tem um monte de encomenda gente, e eu prometi pra Vera que cuidaria de tudo por conta da festa, porque tinham muitas encomendas agendadas não deu pra fechar, ou iríamos perder os prazos. – Disse ela assustada. – E isso aqui esta virando o Titanic, tá alagando tudo, meu pai. – Falou Bernadete descompensada, a respeito do que faria.

– É no fundo tudo acaba com uma boa tragédia, como no Titanic, tudo afogado. – Afirmou Ben disperso, ironizando enquanto fitava Anita com os braços cruzados, parecendo atônita com a situação.

– É histórias de amor tendem a serem estúpidas, e com um final babaca e trágico, a idiota foi lá entrou navio, acho que ia ser feliz pra sempre e se deu mal, burra mal sabia que tinha ganhado muito mais se tivesse ficado na dela, olhando pro teto. – Anita rebateu a afirmação dele percebendo certa ironia que era com certeza para ela.

– As pessoas realmente cheias de ideias, fazem isso mesmo, pouco de amor que lhes é dedicado, mas um dia os tontos que acreditam em amor aprendem, a deixarem de ser imbecis, e os que se diziam espertos só lamentam, o que perderam. – Ben alfinetou de volta, não se dando ao trabalho de olhar para a garota. — Pra sempre. — Acrescentou.

– Ai gente, o filme foi meio ilusório, mais a tragédia foi séria, doidos vocês. – Bernadete proferiu, sem entender muita coisa.

– É. – Anita voltou suas atenções para encara-lo, Bernadete se viu ignorada. – Vai ver se isso te aconteceu, você deve ter sido otário primeiro, não ter percebido o que se passava com você, ter feito muito mais pouco ainda, do amor que era dedicado a você, ter trocado uma ametista verdadeira, por um rubi falso, as pessoas apenas não são otárias e iludidas pra sempre, só isso. – Anita retrucou impaciência.

– Dizer que morreria por amor, que era ser capaz de dar a vida por alguém, deve ter sido realmente a coisa mais sem noção, que esse cara do filme fez, vai saber e talvez ele tenha até se arrependido mesmo. – Ben não se deu por vencido, atacando a garota de forma sarcástica outra vez.

– É gente, mas quem não iria querer passar algumas horas ao lado de um Leonardo DiCaprio gente. – Soraia se manifestou.

– Sorai, xiu, quieta. – Bernadete repreendeu, percebendo algo errado.

– Bom, é Bernadete onde é o vazamento, eu vou dar uma olhada e de repente eu penso em alguma coisa. – Disse Ben, se preocupando com o que realmente interessava.

– Falou o bonzão. – Anita implicou, irritada com ele.

– Você tem uma ideia melhor, rainha da esperteza. – Ben devolveu.

– Realmente não. – Ela bufou, mas acabou admitindo.

– É então gente, é na segunda porta a direita, virando o corredor. – Explicou ela.

– Eu vou ver o que houve também. – Falou Anita caminhando até a porta.

– Ai vai ficar difícil assim. – Quase gritou ela. — Pra passar nós dois, não dá pra esperar. – Anita resmungou, quando os dois se chocaram na passagem da porta.

– Passa então caramba, por educação, não por você. – Suspirou fundo o garoto, para não perder a paciência.

– Eu não vou nem me dar o trabalho de agradecer. – Anita disse com desdém, passando.

– Eu não esperava nada, menos que isso de você. – Ben retrucou, caminhando logo atrás dela.

– Jesus, mais o que tem com esses dois. – Soraia comentou com cetro espanto para Bernadete.

– Eu não sei, mais se for o que eu penso, a Vera pensa que ganhou essa batalha com a vida. – Bernadete comentou. – Amor mal resolvido, menina ainda vai dar o que falar isso aí. – Afirmou ela. – Não sei o que é, mais que tem uma coisa muito estranha ali, isso tem. – Imaginou ela. – E como tem.

– Nossa mais tá horrível, isso aqui mesmo. – Anita percebeu ao entrar primeiro no cômodo, e avistar banheiro bastante alagado.

– Foi trabalho mal feito isso aqui, está na cara, se a tua mãe e a Bernadete quisessem, com certeza elas podem processar a pessoa que cuidava da manutenção do serviço, porque isso aqui tá e muito com cara de coisa mal feita. – Ben afirmou, fechando a porta para que água não se espalhasse.

– Minha mãe vai surtar se souber disso. – Previu ela, se apavorando.

– Meu pai não vai falar nada pra ela, porque justamente sabe que ela não pode se aborrecer. – Afirmou Ben.

– E agora o que a gente faz? – Perguntou a garota perdida com a situação.

– Ué, eu é que tenho que te dar uma resposta. – Ele sorriu debochado com a alegação. — Você não é, muito inteligente, bem resolvida, se vira caramba. – Ben disse implicando.

– Deixa de ser cretino. – Xingou ela, emburrada. — E você veio fazer o que aqui, jogar as coisas na minha cara, aliás, porque que você não comprou direto lá da casa do Marcelo, uma passagem de volta pros Estados Unidos, e não foi de uma vez. – Anita viu-se sem paciência, pra as ironias do garoto. – Enquanto você arruma um jeito de me atacar à gente morre afogado aqui sabia, e o pessoal não pode trabalhar na cozinha. – Afirmou ela.

– Olha francamente, morrer em qualquer situação que envolva você, seria muita ironia do destino comigo, então pode ficar despreocupada que eu não pretendo. – Ben esclareceu, insatisfeito, enquanto ela o ignorava solenemente. — Pensei que você tivesse dito que queria que eu viesse, praticamente implorou pra eu vir na festa dos nossos pais. – Falou Ben, devolvendo as acusações.

– Eu implorei. – Ela se espantou. – Não, não, Benjamim eu acho que você tá com um probleminha no ouvido, não ouviu direito, eu disse apenas que você não precisava generalizar as coisas e deixar de vir na festa, pela mamãe e pelo teu pai, somente. – Anita explicou seu lado.

– Ah o que inevitavelmente era argumento, suficiente pra eu aparecer, não é Anita. – Ben respondeu, não se deixando levar pelas palavras dela.

– E veio porque, pra que. – Anita questionou enfurecida. – E tá tirando a camisa por que. – Completou ela ao perceber o gesto dele.

– Nossa! — Quantas perguntas numa frase só, você é ótima mesmo em colocar os outros contra a parede Anita, pena que quando é com você, ao contrario, você fica como uma menininha assustada sem saber o que fazer. – Disparou Ben, sorrindo debochado. – E foge né. – Disse ele, jogando a camisa em cima da bancada da pia. – Foge porque sabe que as tuas vontades não são o suficiente pra te impedir de fazer nada, tem coisa que a gente não controla. – Afirmou encarando Anita que não parecia nada satisfeita. – Eu vim porque eu quis, me deu vontade, e depois o Marcelo iria vir de qualquer jeito pra se despedir da Meg, não tinha cabimento, eu não vir, e afinal também eu quis ajudar ele, não foi isso que eu vim fazer no Brasil festejar com minha família. – Falou Ben, observando o vazamento na parede.

– Exato, somente isso, eu também. – Anita concordou, emburrada pela resposta atravessada dele.

– E eu tirei a camisa porque alguém vai ter que dar um jeito nisso aqui, ou a conta de água vai ser enorme, e como a Bernadete disse elas precisam da água pra trabalhar não da pra simplesmente fechar o registro. – Ben completou. – Eu tenho um compromisso depois, aliás já vou ficar bem atrasado por conta disso aqui, eu não vou conseguir passar lá no casarão pra me trocar de novo. – Justificou ele.

– Ah imagino o tipo de compromisso que você deve ter. – Esbravejou Anita intrigada, cruzando os braços com a cara amarrada.

– Meu deus, mais deixa de ser chata uma vez na vida, e ajuda em alguma coisa. – Ben afirmou, revirando os olhos.

– Ah Ben, vai te cata, você acha o que, que manda em mim. – Anita disse irritada. – E quanto ao fato de você me acusar de ser a fujona da história, não fui eu que me mandei pra casa do amigo, pra não encarar, ah quer saber esquece. – Se irritou ela.

– Então faz um favor pra mim, e cala a boca e se concentra no que realmente interessa. – Ele disse incomodado. – Eu não mando em você, mais a gente não pode passar o dia aqui, já tinha até gente chegando ao casarão pra festa, vai querer o que passar o evento inteiro em um banheiro que esta cada vez mais alagando e comigo, ainda por cima. — Justificou.

– É, pois se for assim eu realmente prefiro, morrer afogada aqui, do que ter que olhar pra tua cara. – Retrucou ela.

– Ah é, então já que é assim, sinta-se a vontade pra começar a ensaiar um afogamento, olha acho que tem água o suficiente pra você ir treinando já. – Sorriu ele malicioso. – Eu também não pretendo passar nem uma hora do teu lado, imagina mais que isso. – Desdenhou o garoto, a alfinetando. – Mais se fosse o caso. — O garoto argumentou. – Ai eu ia ser obrigada realmente a pensar em alguma coisa mais interessante pra gente fazer. – Ben afirmou voltando um olhar debochado para ela.

–Você tá pensando que eu sou o que Ben, olha aqui você me respeita tá legal, não é só porque você já foi um erro de percurso na minha vida, que você tem o direito de falar assim comigo. – Rebateu a garota ofendida.

– Hey calma, em nenhum momento eu pensei em perder o respeito por ninguém aqui, aliás, eu não sou disso e você sabe muito bem, seja lá com quem for, você é que maliciando coisa, onde não tem. – Ele quis se explicar.

– Acho bom, até porque o que menos me custa, é enfiar a minha mão na tua cara como eu fiz naquele dia. – Disse ela, não se dando por vencida.

– Aliás, voltando ao assunto, você não acha que eu ando sendo um erro de percurso muito recente, não, assim como repetitivo demais. – Ben provocou. – Teu namorado iria adorar saber disso, porque você não o convidou pra festinha em família Anita, aposto que ele iria adorar. – Disparou ele. — Ou ele não veio, porque você sabia que iria se sentir intimidada, e não ia segurar a onda. – Afirmou ele cobrando uma resposta.

– Por quem, por você. – Anita disse. – A coitado. – Riu ela, sarcástica. – De você, né. – Deixou claro ela, devolvendo a provocação dele. – Acredita você não sabe muita coisa de mim, e acho que você também não gostaria de saber, essa coisa de família feliz Ben, não satisfaz mais, eu não vou criar uma situação simplesmente pra ficar bem com eles, aparências são coisas que sem dúvidas eu dispenso, mais se meu coração me pedisse, eu teria trazido ele sim, porque não, você me deu uma ótima sugestão, aliás. – Falou a garota.

– Tem razão, eu sempre fui o coitado dessa história. – Disse ele, se vendo em um misto de ciúmes e desapontamento. — Afinal eu te deixei me fazer de idiota. – Respondeu Ben, sério, incomodando com as palavras dele, Anita se viu arrependida por algo dito em um impulso.

– Eu não te fiz de idiota, as coisas simplesmente aconteceram, eu não tinha como adivinhar, e eu tentei me explicar, você preferiu fazer as malas e ir pra casa do Marcelo. – Anita ainda argumentou, para se defender.

– Pode ser. – Disse Ben, pegando uma toalha que estava pendurada, para tentar cessar o vazamento. – Fala pra Bernadete fechar o registro lá em segundo, por favor. – Pediu Ben, desconversando, quando percebeu que ambos não chegariam a lugar nenhum com a conversa.

– Eu acho que eu sei onde é, outro dia eu tive aqui, e elas estavam com o mesmo problema. – Disse Anita, se sentindo meio exausta devido a toda falação.

– Então anda, corre lá e fecha, tá esperando o que ainda. – Disse ele, impaciente.

– Você não sabe pedir nada com um pingo de educação, ou faz de propósito mesmo. – Ela afirmou cruzando os braços e não se movendo de onde estava.

– Anita eu posso te falar com toda clareza do mundo, que o cano não vai esperar você ficar me perguntando coisas ridículas e eu te respondendo, vai acabar com a água do prédio inteiro desse jeito, agora você me diz como todo mundo vai trabalhar aqui. – Ben rebateu. – E me diz o que você tem hein, se eu te trato bem, eu estou dando em cima de você, se eu trato sem rodeios é porque eu sou mal-educado, não tem algo errado aí não. – Ben completou, confuso.

– Você acha que tá sempre com a razão, né. – Disse ela não se convencendo.

– Em tudo eu já não sei, mas nesse caso eu acho que sim. – Ben afirmou. – Agora fecha a droga do registro, se você sabe onde é pelo amor de deus. –Insistiu ele.

– Droga. – A garota saiu bufando, indo fechar.

– Assim tá bom. – Alfinetou, ele rindo. — E multo obrigada. – Falou Ben achando graça do jeito emburrado dela.

– Pronto fechei. – Disse ela de volta. – Mais continua vazando água. – Observou ela.

– O que foi, descobriu que gritar com o vazamento, não vai resolver o problema. – Ben respondeu as risadas.

– Eu não vou n3m te responder tá. – Disse ela emburrada.

– Acho que agora parou um pouco. – Afirmou Ben, tentando fazer o vazamento parar. – Vai parar de reclamar agora. – Disse ele.

– Muito engraçado. – Retrucou Anita, em meio a uma careta. – Não vai achando que eu vou agradecer, porque não vai rolar. – Ou pior não é, durou muito pouco, essa tua arrumação. – Riu ela ao perceber a água jorrar pior que antes. – Grandes coisas, não é. – Ralhou ela, pegando a toalha seca que estava sob a mesa e caminhando até ele.

– Você fechou o registro que passa corrente de água pra cá mesmo. – Perguntou ele.

– Ah não vem, não põe a tua incompetência em cima de mim não, tá legal. – Achincalhou ela, sentindo os pingos de água que jorravam ininterruptos a molhando inteira.

– Ah é então porque você não resolve. – Devolveu ele, tentando ajuda-la. — To começando a achar que não vai adiantar Anita, melhor você pedir pra Bernadete chamar alguém. – Supôs ele.

– Não, eu não vou, não vou importunar a minha mãe com isso agora, o telefone do cara que faz os serviços tá com ela, e como eu vou achar outra pessoa em pleno domingo. – Se recusou ela.

– Anita, que você não queria preocupar a Vera a até vai. – Respondeu ele a entendendo. – Mais você quer parar de ser teimosa, a única coisa que a gente vai conseguir é uma inundação por completo. – Argumentou Ben, ao pressentir que a situação já havia saído de controle.

– Esquece Ben, eu me afogo aqui, mais essa porcaria vai ter que parar de esguichar água. – Anita contrapôs irredutível.

– Parou. – Falou ele surpreso.

– Ai parece um sonho até. – Afirmou ela, respirando aliviada.

– É mais não vai da pra nem pensar um ligar a torneira não. – Disse ele.

– O que é problema mínimo, não é, ainda sim vai continuar tendo água na cozinha. – Afirmou ela.

– Ai caramba. – Ben pronunciou, rindo, observando ela ao lado com os cabelos e roupas totalmente encharcados.

– Pode falar qual é a graça. – Anita retrucou séria, passando a mão ao rosto para secar alguns pingos de água.

– Bom se você já tinha feito o cabelo pra festa pode esquecer, você tá toda molhada, literalmente. – Afirmou ele, tentando se conter.

– E você também, olha que chato. – Anita resmungou. – Ah me erra Ben. – Falou Anita dando as costas a ele, tirando o casaco que escorria água.

– Anita. – Alertou ele ao vê-la escorregar, o que não foi o suficiente para evitar que ela viesse ao chão.

– Realmente eu devo estar com os dois pés esquerdos hoje, não é possível. – Resmungou ela, sentando ao chão. – Ficar toda encharcada deve ser só o começo do dia. – Reclamou impaciente.

– Vem cá eu te ajudo a levantar. – Disse o garoto estendendo a mão a ela. – Se tá legal, se machucou. – Questionou Ben.

– Bom tirando meu estado deplorável, de quem foi arrastada mar adentro, acho que eu to bem. – Anita respondeu, soltando a mão dele.

– Você tá linda molhada, quanto a isso você não precisa se preocupar. – Afirmou ele, os dois passaram a trocarem olhares confusos por alguns instantes.

– É, eu vou procurar uma tolha no armário, a gente vai precisar eu acho. – Respondeu Anita, de forma desconfortável. – Ali. – Disse ela apontando para a porta que dava para outra peça.

– Tá – Falou Ben, entendendo a retirada estratégica da garota, sem impedi-la.

–Ai meu deus Anita, o que você tá fazendo da tua vida. – Murmurou ela entrando e se escorando aporta. – Eu não acredito que a mamãe ainda tem isso. – Disse Anita com certa alegria ao olhar para o lado, e ver o mobile, que havia presentado a mãe, ainda pendurado. – Dona Vera e sua surpresas sempre. – Falou ela lisonjeada. — Não. – A garota falou mudando seu semblante sereno pra um grande susto. – Ah... – Gritou ela em um uníssono.

– Anita o que foi hein. – Perguntou Ben ao ouvi-la.

– Ben vem cá. – Berrou ela novamente.

– Olha aqui, se você viu uma barata e se assustou, eu juro que eu mato, faço você... – Desandou o garoto falante, entrando no local.

– Olha. – Pediu Anita.

– Mais o que, uma cobra. – Afirmou ele espantado.

– Não sei, mais eu não to gostando disso. – Disse ela, de forma assustada.

– Como esse bicho entrou aqui. – Se perguntou ele.

– Não faço ideia, mais a cara dela, não me agrada. – Anita afirmou paralisada. – E eu to indo tchau. – Afirmou a garota passando devagar em direção aporta novamente.

– Anita espera. – Falou ele a segurando.

– O que. – Ah não, eu não vou salvar cobra nenhuma, eu não sou abrigada a amar todos os seres vivos ok. – Disse ela negativa.

– Deixa de ser chata, esse tipo de cobra não costuma atacar não, não sei como ela veio parar aí, mas com certeza não foi querendo picar o teu pé, aliás, nem venenosa ela é – Falou ele.

– Ben eu dispenso as tuas falações ecológicas pro meu lado, tá bom. – Anita afirmou, nervosa.

– Então é melhor a gente avisar alguém né, vai que alguém dá de cara com ela aqui. – Especulou o garoto. – Vai ser uma confusão. – Justificou Ben.

– Até que enfim você disse alguma coisa que preste. – Anita cochichou, o puxando para fora com ela e fechando a porta.

– Olha não precisa falar baixo, a cobra não vai te entender não. – Se divertiu ele com o jeito dela.

– Bernadete. – Anita disse aflita ao chegar à cozinha com Ben, onde ela e Soraia conversam com uma senhora. – Eu tenho uma coisa muito surreal, pra te falar. – Ela disse, ainda assustada.

– Anita. – A mulher ficou um tanto quanto espantada com tal cena. – Que isso? – Perguntou ela gesticulando.

– Com certeza, não é nada do que você deve estar pesando. – Ben interrompeu ao constatar.

– Então vocês me expliquem gente, porque eu to passando mal já. – Fez drama ela.