Encontros, desencontros e novos encontros
63 Capítulo 63:
Notas iniciais
– E aí tudo certo. – Questionou Meg após encontrar Anita, sentada na calçada perto à praça.
– O que você acha. – Anita retrucou. – Óbvio que não ficou nada certo. – Disse ela com desânimo para responder.
– Ai situação difícil hein. – Meg se sensibilizou por ela.
– Já nem sei mais. – Anita disse, a garota a sua frente ficou em silêncio, mas não soube o que dizer de imediato e apenas sentou-se ao lado de Anita.
– Na verdade o que você vai fazer agora? – Né porque agora o Ben já sabe do Gustavo, e isso dá o direito dele pensar o que quiser. – Meg desandou a falar, estando tão confusa quanto à amiga. – E ele, o Gustavo será que percebeu algo. – Acrescentou nervosa. – Anita! –Hey, Hoou, fala alguma coisa. – Meg chamou sua atenção. – Parece que congelou aí. – Alegou, enquanto Anita apenas remexia nos cabelos.
– Ai Meg! — Não sei, também o Ben que pense o que ele quiser. – Se manifestou. – Também to nem aí. – Não se importou Anita. – E você quer que eu faça o que? — Esbravejou, sob os olhares atônitos de Meg. – Chore, me descabele, eu já fiz isso demais, agora chega. – Afirmou.
– É mais sei lá. – Meg proferiu confusa. – Complicou. – Expos ela.
– É complicou. – Falou ela irônica de volta. – E vou fazer o que, me atirar de um alto do prédio, me jogar na frente de um ônibus, agora por exemplo. – Falou ela vendo um ônibus cruzar a rua.
– Ué não sei, você tá tão imóvel aí, que eu to até estranhando. – A loira afirmou, em parte estranhando todo controle da garota.
– Ah também não adianta, eu querer controlar as coisas, agora já foi, eu namoro o Gustavo, se o Ben não quiser entender isso, e ainda querer tirar as conclusões tortas dele, eu é que não posso fazer nada, eu já me expliquei, se ele não acreditou paciência. – Anita afirmou, sentindo certa irritação pela teimosia do garoto.
– É mais também, alha só a situação. – Disse Meg, querendo que Anita entendesse um pouco o lado de Ben.
– Não é algo muito normal. – Admitiu ela. – Mas você conhece o Ben, ele vai criar as melhores teorias pra essa história, nas quais na maioria das vezes a vilã, sou eu, e provavelmente até ele acertar em alguma coisa, a gente já discutiu o equivalente pra um século. – Anita foi prevendo. — Na boa eu é que não vou ficar esquentando muito a minha cabeça. – Afirmou. – Mesmo que isso tudo tenha feito um estrago em mim também. – Ela se viu decepcionada.
– É difícil. – Respondeu Meg, ao vê-la com certo descontentamento por trás do olhar.
– Eu vou lá no salão tá, Serguei tinha me convidado pra fazer alguma coisa no cabelo, e eu já estou bem atrasada. – Comunicou Anita, tentando se desligar de toda aquela confusão por um momento que fosse.
– Vai então, pode ser bom. – Meg aderiu à ideia.
– É, eu vou tentar viver um dia de cada vez, não é, também não adianta eu querer controlar o mundo, colocando as minhas amarras nele. – Disse ela. – Se bem que, a coisa mais certa no momento, é a minha passagem de volta pra Londres. – Proferiu Anita repensando.
– Não se pune vai, você não tem culpa, talvez sei lá, a vida tenha, ela quis assim. – Meg argumentou ao ver o semblante entristecido da garota, querendo levantar seu astral.
– É to tentando. – Garantiu Anita, esboçando um sorriso.
– Oie, cheguei. – Falou Flaviana entrando animada pela porta do salão.
– Amor, eu já estava achando que você tinha se perdido nesse Rio de Janeiro a fora. – Serguei pronunciou brincalhão.
– Não, foi o transito, tá infernal, e achar um taxi então. – A morena justificou, soltando a bolsa. – Confesso que um motorista particular caía bem nessa horas, é que da uma saudade pequena dos tempos mais folgados, agora minha mesada virou pingo d’água, tipo quando faz seca no nordeste, suado e muito bem contado. – Reclamou um pouco ela.
– Pensei que você não tivesse se arrependido de ter voltado. – Serguei disse estendendo o braço para puxa-la.
– Não, não é isso, é que eu posso até me acostumar com a vida classe média, mas minha alma jamais. – Afirmou Flaviana se explicando.
– Ai tadinha da minha maluquinha, abandonada, escravizada pelo dinheiro pra sempre. – Seguei pronunciou, zombando por um momento dela.
– Eu sou, muito. – Flaviana retrucou seguido de um beijo bastante empolgado.
– Gente oi. – Anita disse ao entrar. – Atrapalhei né, cheguei na hora bem erada. – Brincou ela com os dois.
– Não, imagina eu tava te esperando mesmo. – Serguei respondeu alegre.
– To atrasada né, foi mal eu tive uns probleminhas. – Anita se justificou.
– Imagina. – Falou ele. – Até porque se você não viesse iria te buscar. – Brinco Serguei rindo.
– Certo. – Ela sorriu e respondeu.
– Bom gente, eu vou deixar vocês aí, e vou comer alguma coisa, nem almocei direito hoje, passeio o dia correndo literalmente. – Disse Flaviana se desprendendo do namorado. – Tchau Anita, fica a vontade. – Ela falou vindo cumprimentá-la.
– Obrigada. – Respondeu Anita, avistando Flaviana, se dirigir para o outro cômodo.
– Bora começar. – Perguntou Serguei com empolgação.
– É mais cuidado hein, olha bem o que você vai aproveitar comigo. – Brincou Anita.
– Ok. – Ele disse apontando para ela sentar na cadeira.
– O que você ta fazendo aí. – Ben questionou, depois que entrou pela porta do quarto, ao voltar de uma volta pelo bairro para arejar a cabeça um pouco.
– As minhas malas. – Afirmou Marcelo. – Já fiquei tempo tem demais aqui, tanto que já to azedando. – Disse o garoto, terminando de juntar suas coisas.
– Poxa Marcelo, logo agora. – Ben reclamou. – Minha cabeça tá um purê desandado, de tanta coisa ruim, e você ainda me diz que vai embora, cara eu vou enlouquecer aqui. – Argumentou Ben.
– Velho, eu não posso mais ficar aqui, to tempo demais já. – Ele se explicou. – E depois eu tenho mesmo que fazer uma visita pra minha mãe, ela não vai me perdoar se eu não for passar uns dias com ela. – Falou o garoto querendo que Ben entendesse seus motivos.
– Assim só pra saber, você iria se importar se eu fosse junto. – Ben perguntou, vendo que se afastar de tudo aquilo fosse o único jeito de não pensar tanto.
– Não, minha mãe é legal, e depois eu fiquei na tua casa, não é. – Marcelo respondeu, não entendo onde o amigo queria chegar.
– Então eu vou com você. – Afirmou Ben decidido. – Posso?
– Mais e a Anita, você tá fazendo isso de cabeça quente, Ben eu não sei não. – Marcelo quis alerta-lo. – O pessoal não vai gostar muito disso. – Comentou ele.
– Eu tenho que pensar em mim, a Anita não vai largar aquele cara pra ficar comigo, eu tenho quase certeza disso. – Proferiu Ben, em misto de chateação e decepção.
– Quase, você ouviu isso. – Ele contrapôs. — Você ainda tem uma esperança. – Marcelo soltou.
– Porque eu não aprendo não é, já apanhei tanto por causa dessa minha quase obsessão pela Anita, e pelo visto não foi o suficiente. – Ben rebateu exausto.
– Bom se você tá ciente disso, pode vir comigo, mais eu não sei não hein. – Marcelo aceitou o pedido do amigo, mas ficou com receio.
– Eu vou, eu preciso sair daqui, não tá dando, não quero ficar cruzando com a Anita, vai ser melhor assim. – Disse Ben disposto, há dar um tempo para seus dilemas. Marcelo apenas se sentou pensativo, tentando entender a atitude do amigo e se ele não tinha feito mal em ter concordado.
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