Encontros, desencontros e novos encontros
60 Capítulo 60:
– E a aí gente, temos almoço ou ainda não. – Anita gritou para Vera e Meg, que estavam na cozinha.
– Quase, isso se o Marcelo não cortar todos os dedos picando a cebola, e a gente não ter que levar ele pra um pronto socorro urgente. – Alfinetou Meg ao ver o menino meio atrapalhado.
– Relaxa, se bem que, até que. – Marcelo falou, sorrindo debochado.
– Não termina a frase, porque se não quem vai cortar um dos teus dedos sou eu. – Meg retrucou brava, fazendo Vera e Anita rirem.
– Eu já vou ajudar, pra a integridade dos dedos do senhor aí. – Anita disse rindo.
– Eu sei cortar a cebola, essa pessoa boa aqui é que tá me zoando. – Garantiu ele. — E me desconcentrando também. – Marcelo devolveu, sem se importar com a presença dos demais.
– Ó comadres não se matem por favor olha a mamãe, ela não pode se incomodar. – Anita repreendeu, Marcelo e Meg que implicavam um com o outro trocando acusações, mais não conseguiu ficar sem rir da situação.
– Quer dizer que você não hesitou em reestabelecer a tua relação com a Giovana. – Pronunciou ele, chegando por trás de Anita, que observava a bagunça na cozinha. — Depois de hoje sem duvidas ela vai te adorar eternamente. – Ben afirmou, no ouvido da garota discretamente quando se aproximou.
– Como assim? – Anita virou-se para ele, desconfiada das palavras do garoto. — Tá querendo dizer o que, que eu comprei a Giovana com um vestido, pra ela não surtar de novo, quando descobrir que eu vou voltei a ficar com você. – Anita disse, não gostando da afirmação.
– Não, mais mesmo assim você foi bem esperta, eu diria. – Disse ele, querendo contornar a situação.
– Você nem termina teu pensamento, se não quiser levar uma na cara aqui mesmo. – Anita quase cochichou de volta, sem paciência. — Eu não compro as pessoas nem com palavras falsas e muito menos com objetos de valor. – Afirmou ela taxativa. – Até porque, você não vale a minha conta no banco zerada, nem por um decreto meu caro, já que a família é grande. – Anita falou, fitando o garoto com certa audácia.
– Já entendi, mais se você quiser me explicar melhor, eu não vou me importar. – Respondeu Ben com um sorriso, levando a mão contra ao rosto dela.
– Não Ben, aqui não, eu prefiro que ninguém saiba, pelo menos até a gente ter o mínimo de certeza no que tá fazendo. – Anita argumentou se esquivando do toque do garoto.
– Ok. – Ele teve que concordar. – Mais enquanto isso, eu faço o que, porque isso não diminui minha vontade de te beijar. – Disse o garoto a encarando.
– Hum, pensa no passado, você vai ter bastante coisa pra lembrar. – Anita sussurrou debochada, e foi para a cozinha dar uma ajuda para Meg e Vera.
– Ai, eu juro que eu não entendo essa mulher. – Marcelo achou melhor abandonar a cargo de ajudante. – Porque uma hora ela te da a maior condição, e depois te da essa fora. – Concluiu ele.
– É meu caro eu, que pensei que a partir de agora a onda iria ser só uma morala, mais tá mais pra tsunami mesmo. – Proferiu Ben, vendo razão nas palavras do amigo. – Mais e a ai, beijou muito a Meg lá na cozinha. – Ben fez graça.
– Ah vai pro inferno você. – Marcelo se irritou. – Quase perdi foi meus dedos, isso sim, não conseguia tirar o olho dela. – Disse ele aos suspiros.
Todos almoçaram em plena sintonia e entrosamento, inclusive Sofia que parecia ter atendido as palavras de Anita, procurando não se colocar para fora da família, com suas próprias suposições, a respeito do que todos pensavam de si mesma, Vera e Ronaldo não conseguiam esconder a alegria de terem os filhos todos ali, reunidos em volta da mesa como era a tempos atrás, eles não podiam negar que sentiam uma falta enorme da agitação que ter todos reunidos era, das risadas que já eram certas, mas a enorme confusão que sempre se instalava sem dúvida o que se sobressaía eram os sorrisos dos filhos que sempre cativavam seus corações.
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– Nossa sapato, cretino acabou com meu pé. – Anita conversava consigo mesma, enquanto se livrava dos sapatos de salto bege, que haviam lhe deixado com os pés bastante doloridos. – Porcaria, mais também o que eu queria, andei feito louca com a Meg naquele shopping. – Achincalhou ela, jogando longe um dos pares. – Tá bom, a culpa é minha não do sapato. – Repensou a garota desistindo de jogar o outro que estava sendo segurado por ela, se dirigindo ao guarda-roupas em seguida.
– Anita oi. – Sofia, parou na porta, chamando por Anita. – Posso entrar, se eu não te incomodar. – Perguntou ela, com receio da resposta.
– Como você mesma disse mais cedo a casa também é tua, não é. Anita devolveu as próprias palavras da garota.
– Certo, com licença. – Disse ela adentrando e sentando a cama, enquanto Anita encarava a caçula atenta. – Eu vou ser rápida, eu queria me desculpar por meu “piti” mais cedo, e te dizer que no fundo você tá certa não adianta eu me punir tanto pelo que passou, e não é sendo mesquinha e egoísta que eu vou mudar o que todo mundo pensa de mim. – A loira exclamou indo direto ao assunto
– Sem problemas, até porque você não fez nada pra mim te desculpar de alguma coisa, e eu não acho que você seja isso, talvez insegura e até um pouco mimada, como eu te disse, mais eu te entendendo, não é, a gente conviver com nosso erro, e com certeza e pior ainda achar que as pessoa estão nos apontando ele, toda hora, não é fácil. – Anita expos. — Pelo contrário é torturante. – Anita completou sentando na cadeira de frente para a loira.
– Na verdade, de ver assim de novo, mexeu comigo, com você foi diferente sabe, com o Ben tanto faz, ele nem fala tanto comigo, e com certeza por esse motivo também, mais eu acho que o nosso laço de irmãs tá pesando muito mais, sei lá deve ser isso, eu já nem sei. – Sofia confessou, confusa.
– Eu sei. – Entendeu ela. — Talvez eu não tenha uma opinião exata do que mais me incomodou em estar aqui de novo, te dizer o que mais mexeu comigo, mais eu confesso que com você foi diferente, quando eu cheguei eu troquei um abraço acanhado contigo, e já com o Ben, eu sai xingando ele lá no aeroporto mesmo quando a gente se encontrou, ou seja, com ele eu tive uma reação, contraditória talvez, mas tive. – Falou Anita compreensiva. – Mais como você eu travei mesmo, não sabia como falar e nem me dirigir. – Confidenciou ela.
– Anita eu me senti uma tola hoje, pelas coisas que eu pensei, mesmo que por um momento, eu não quero cultivar nada disso, eu juro pra você, por isso que eu decidi enfrentar o almoço, eu agora eu sinto que, que eu fiz a coisa certa, porque eu não me senti excluída de nada, eu vou ter que começar aprender a separar as coisas sabe, como eu sempre fiz, antes de aprontar algo tão feio como da ultima vez. – Disse ela, sincera. – É que também têm tanta coisa, o Sidney, por exemplo, a gente discutiu e ele voltou pra São Paulo sem me dar um tchau, e sabe eu me senti esquisita com isso, como se ninguém desse importância pra mim, ai eu não sei o que pensar. – Sofia acabou contando para Anita, seus pensamentos a respeito do garoto.
– Você gosta dele. – Anita questionou sorridente.
– Não sei, mais as vezes eu me sinto tão bem do lado dele que eu esqueço que ele é só um tosco, que um dia me deu a pior lição da minha vida. – Desabafou ela.
– Bom, isso eu não posso te afirmar, também não tenho nenhuma convivência com o Sidney hoje, mais aquela história da Meg, que ela me contou meio por alto, não procede os dois não tem nada, e nem vão ter, eu acho. –Anita quis tranquiliza a garota. –Na verdade eu acho mesmo que coraçãozinho da Meg bate por outra pessoa, mais deixa pra lá. – Anita riu ao se lembrar de Marcelo.
– É eu fui meio sem noção de sentir ciúmes disso, por isso que eu nem quis perguntar nada para ela, também eu não tinha esse direito. – Sofia alegou, mais calma.
– É talvez, não sei, mais conversa com o Sidney, quem sabe você não tá sofrendo sem saber do que realmente se passou. – Aconselhou Anita querendo ajuda-la.
– É uma hipótese mesmo que eu não acredite muito nela, isso é pra eu aprender a dar condição pra fantasma do passado. – Sofia se irritou com a própria atitude.
– O que você sente pelo Sidney, hein Sofia de verdade. – Anita acabou questionando a irmã, mais uma vez, ficando ainda mais intrigada depois das últimas palavras dela.
– Ai Anita, é como eu te disse. – A loira ensaiou em enorme suspiro ao lembrar do garoto. – Eu acho que eu nem sei, sabe, mais sei lá, o Sidney pra mim, é como uma chuva calma em dia de verão, parece que trás uma paz pra gente, respirar aquele cheiro de terra molhada. – Disse ela, melancólica.
– Bom eu diria que isso é paixão. –Anita riu. – Mais quem tem que saber é você. – Completou ela.
– Nossa não é pra ser chata não, mais você tem que tá errada, porque se não eu estou numa tremenda fria. – Sofia respondeu, pensando se a irmã não podia estar certa.
– É a vida é meio louca, às vezes ela prega umas peças na gente que dá até medo mesmo. – Anita disse, enquanto pesava em seus pensamentos os últimos dias movimentados que ela havia tido.
– Obrigada pela conversa, mesmo. – Disse Sofia olhando para irmã com certa admiração, seria tão fácil se ela tivesse o dom de Anita, sempre ver os dois lados da situação e saber separa-los, se suas próprias conclusões e daquilo que ela queria de verdade para si.
– Olha só não fica me agradecendo muito, ou se não eu fico mal acostumada e ai, é coisa é feia. – Anita brincou. – Como uma boa arquiteta se me derem a sala pra mim reformar, e deixar eu me apossar de um outro cômodo da casa, quando ver eu reformo ele inteira. – Disse ela, feliz pela aproximação das duas.
– Ok, eu vou me lembrar disso. – Sofia respondeu com um sorriso. – Bom mais agora, eu tenho que ir, tem uma loja lá na Barra que pediu pra ver meus desenhos. – A garota contou empolgada.
– Que ótimo, então boa sorte. – Anita desejou, orgulhosa pela irmã.
– Tá muito obrigada de novo. – Riu a loira. – Tchau. – Disse ela levantando.
– Tchau. – Anita respondeu de volta.
– Anita, será que eu posso te pedir um abraço. – Sofia questionou receosa.
– Pedido aceito. – Anita levantou-se e as duas se envolveram em um abraço apertado.
– Bom agora eu vou indo, até porque isso aqui não é novela mexicana pra gente ficar de “chororô”. – Disse Sofia com certa emoção.
– Eu concordo. – Anita riu.
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