Notas iniciais
Mais um, bom eu vou tentar postar outro ainda hoje, espero que eu consiga... Muito obrigado por lerem e comentarem!!!

Por Anita.

Eu me levantei de onde estava, me dirigi ao banheiro devagar, já que a mamãe dormia serena ainda, encarei meu rosto desconcertado refletido no espelho, mês cabelos um pouco bagunçados, liguei a torneira, joguei uma água fria no rosto, eu peguei uma escova de cabelos e um rabicó e amarrei meus cabelos em um coque, mexi na bolsa em busca de uma escova de dentes que havia se perdido em meio a tantas coisas. Depois de alguns instantes eu saí do banheiro devagar, e abri com cuidado a porta do quarto, saí por ela a fechando com mais cuidado ainda, coloquei minha jaqueta que estava recostada sobre as alças da bolsa dentro da mesma, arregacei as mangas da blusa preta que eu vestia. Já que pelo que eu pude perceber de relance pela janela do quarto, o sol já nascia forte lá fora, o dia não iria demorar para ser invadido por um calor escaldante. Tentei catar meu celular em meio a tantas coisas, que carregava na bolsa, depois de acha-lo eu procurei o nome da Meg na agenda, eu precisava falar com ela.

– Meg você não pode dizer pra mamãe que eu fui me encontrar com o Ben. – Eu quis alerta-la, quando nos conversávamos no corredor próximo ao quarto da mamãe logo depois dela chegar.

– E eu digo o que? – Meu deus. – Ela respondeu atônita, enquanto procurava uma desculpa.

– Ai não sei, sei lá diz que eu fui numa reunião de trabalho, enrola, não sei. – Disse afoita e sem paciência para arrumar um desculpa melhor.

– Reunião! – Anita acorda, a gente não tá em Londres, lá já é um pouco mais tarde, mas aqui o dia mau começou, são sete e pouca da manhã. – A Meg argumentou, com aquele olhar irônico, que me deixava nervosa.

– Tá, tá, já entendi, então não diz nada, diz que eu não expliquei, enrola, que a até a volta eu invento uma desculpa. – Justifiquei, querendo me apressar.

– Vai então. – Falou ela concordando.

– Tá olha, as dez o médico deve vir pra dar alta pra mamãe, bom o Ronaldo, alguém deve aparecer aí, mas se não você leva ela pra casa, eu acho que eu vou conseguir voltar aqui, mas mesmo assim é melhor você ficar sabendo. – Fui me explicando.

– Claro né, vocês vão levar uma manha inteira pra uma misera conversa, se bem que, do jeito que vocês tem coisas pra falar, sei não. – Meg implicou, travessa enquanto bocejava.

– Muito engraçada você, pra quem foi tirada da cama as seis da manhã. – Eu ironizei.

– Ai o que eu não faço por você, quem diria. – Respondeu ela. – Mais brincadeiras a parte, boa sorte, e que tudo dê certo, que tudo ocorra da melhor forma, da forma que você deseja também. – Felicitou ela com um sorriso.

– Muito obrigado, eu vou precisar, não é, vou mexer em um vespeiro, e eu sei. – Afirmei. – Tchau. – Me despedi, e me dirigi ao elevador.

Andei a passos lentos pelo corredor, até a porta que dava para a saída, depois de sair do elevador me perguntando o que uma conversa com o Ben agora me reservaria, tudo já tinha dado errado, saído diferente do que planejamos, não sei se eu posso me considerar alguém que planeja o futuro ou alguém que já planejou aos mínimos detalhes, mas com certeza alguns dos caminhos que me levaram até aqui, foram de uma grande contradição, em relação a aquilo que eu podia imaginar, o problema não era lembrar do que passou, não que toda humilhação e medo que presenciei em minha vida, não fossem coisas dolorosas, mais o pior, sem dúvida era olhar pro Ben, ele era como uma foto de um momento do passado, um rascunho, algo que trazia as lembranças mais malucas do passado e a correnteza da mina trajetória a tona. Essa história só me traria problemas e eu odiaria isso, só que ao mesmo tempo eu parecia ter uma curiosidade sem tamanho de procurar entender o que estava se passando comigo, talvez eu precisasse disso pra resgatar algo dentro de mim, que eu não sabia exatamente o que era, mas que podia me fazer falta, daqui alguns anos quando eu olhasse para trás.

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– Ah Ben, que inferno, porque você não desliga esse celular pra dormir, ou talvez colocar no silencioso, já ouviu falar nisso. – Marcelo se despertou já resmungando, quando acordou devido ao toque do celular do amigo. – O Ben, acorda aí, atende essa porcaria. – O garoto se ergueu na cama, e pegou um travesseiro que estava ao lado e jogou em direção do amigo.

– Ai vem cá educação mandou lembranças pra você. – Ben retrucou de volta levando a mão ao bidê para apanhar o celular.

– Falou o super-educado, com essa droga de celular me acordando a essa hora da manhã, atende isso de uma vez, ou desliga, não é. –Afirmou ele com o sono lhe dominando.

– Eu não conheço esse número não. – Pronunciou ele, encarando a tela do celular.

– Tá vendo desliga isso, só pode ser algum desavisado, ou pior telemarketing logo cedo esse povo adora fazer isso, vai ver é pra pegar a gente com sono e assim cair na deles, por pura falta de capacidade pra racionar devido ao horário. – Respondeu Marcelo, escorando a cabeça na guarda da cama.

– Não sei. – Disse Ben, já atendendo ao telefonema. – Anita. – Proferiu o garoto ao ouvir a voz dela.

– Ai meu deus! – Declaração de amor, há essa hora, eu mereço vocês. – Marcelo esbravejou impaciente.

– Fica quieto, coisa reclamona. – Rebateu Ben sem paciência, para as lamentações dele.

– Também não falo mais nada. – Resmungou ele de volta, apenas restando atenção em parte da conversa dos dois.

– Fala comigo, agora? – Repetiu Ben.

– É, eu vou pagar uns contas da festa da mamãe numa floricultura aqui na Barra. – Anita argumentava. – Olha só não estou te obrigando não, vem se você quiser, mais só depois não fica enchendo meu ouvido dizendo que sou eu que te ignoro, porque não vai colar. – Disse ela, já se irritando.

– Eu não disse isso Anita, é só me vi surpreso, mas eu vou sim, me dá meia hora que eu chego aí. – Respondeu Ben, fitando os olhares de indignação que Marcelo lhe lançava, por ser acordado tão cedo, por uma coisa tão simples.

– Tá então eu vou te esperar aqui no calçadão perto da praia. – Alegou Anita, desligando o celular em seguida.

– Eu não vou nem te dizer o que eu penso sobre isso. – Marcelo proferiu, observando Ben devolver o celular a mesa.

– Ah e o que você pensa, o gênio. – Ben retrucou com ironia.

– Tua família vai pirar com isso, só quero ver quando eles souberem que você tá pegando a Anita e de novo, não é. – Disse ele, prevendo certa confusão.

– E caso você não saiba, eu nunca foi bom de acatar ordens deles. – Afirmou Ben, mas não o deixando de lhe dar razão.

– É só que desse vez eles vão te expulsar daqui no primeiro avião de volta pros Estados Unidos, e se bobear vão te dar até a passagem pra não correr o risco de você não ter como ir. – Marcelo ponderou. – E eu vou levantar não é, porque agora eu não durmo mais. – Disse ele de cara fechada. – Liga pra minha mãe, ela deve estar preocupada comigo. – Falou levantando.

– É né deve estar se perguntando em que roubada você se enfiou dessa vez pra não ter voltado pra casa. – Implicou Ben, enquanto procurava algo para vestir no guarda-roupa.

– Não pior que você, que tem a moral lá em cima, por estar de caso com a filha da madrasta não é. – Disse ele devolvendo. – Tua mãe iria amar saber disso. – Exclamou o garoto as risadas. – Desculpa, mais eu não resisti. – Marcelo pronunciou saindo pela porta as gargalhadas, enquanto Ben balançava a cabeça negativamente, incomodado com as insinuações do amigo.