Encontros, desencontros e novos encontros
56 Capítulo 56:
Notas iniciais
– É tão esquisito ver as coisas de uma janela de hospital. – Afirmava Vera a Anita, ao observar a noite que já caía, trazendo junto a arejem fria que entrava impiedosa, que se deparava com seu rosto.
– Olha pelo lado bom, pelo menos você tá bem, consegue ir até a janela, e mais vai deixar isso aqui amanhã mesmo. – Disse Anita se levantando de onde estava, e caminhando até ela, olhando por um momento para o céu estrelado.
– Às vezes você é dona de um otimismo, do que eu me orgulho muito. – Vera respondeu, com um olhar de encantamento para a filha.
– Eu? – Anita se questionou com um sorriso. – Não. – Alegou ela, em total sinceridade, Anita não se considerava alguém otimista, o que soava contraditório para alguém que era tão compenetrada com suas decisões, mesmo que essa não fosse sua atual situação, devido aos contratempos que a vida lhe mostrava. – Eu só tento, ver as coisas do ângulo que seja mais satisfatório, talvez isso não seja otimismo, mas sim, uma forma de driblar os problemas, e acreditar que tudo tenha uma função, a falta de coragem e frustração também, e tudo que possa vir depois. – Afirmou ela com um sorriso.
– Você sempre foi tão dura na queda, forte, desde pequenininha, levava um tombo e no instante seguinte já estava de pé de novo, não dava tempo pra ninguém te levantar, caía e levantava como se nada tivesse acontecido, agia como se não fosse nada, mesmo que houvesse muitos arranhões, sempre tão diferente da tua irmã, vocês só dividiram o mesmo berço quando eram bebês, porque os gostos jamais. – Disse Vera de forma emotiva.
– Bom é. – Pronunciou Anita, engolindo em seco as confissões de Vera. – Eu sempre caí muito, vai ver era por isso, tenho um péssimo hábito que eu ainda não perdi, e mais distração é meu segundo nome, e me render fácil, não é algo que pratique com veemência, talvez isso justifique as minhas diferenças com a Sofia. – Afirmou ela. – E mais eu ainda caio, e feio não é, esse é um hábito, eu ainda não perdi, ser estabanada. – Brincou Anita, fazendo a mãe rir.
– É, mas o que eu estou querendo dizer é que, desde menina você parece ser a mais forte, você transformou a forma como você reagia aos teus tombos, pra tua vida, sempre lutando de um jeito que eu jamais fiz, se tivesse feito, talvez muita coisa teria sido diferente, minha filha. – Rebateu Vera. – Você não herdou os meus medos Anita, assim como a Sofia. – Supôs Vera.
– Herdei, mas assim como você eu soube tira-los do meu caminho a cada dia, e a Sofia não é uma menina insegura mãe, nunca foi, você esta enganada. – Anita retrucou, tentando entender onde ela queria chegar com aquela conversa. – E sofrimento, não é algo que eu desconheça, ao contrário, eu sei muito bem o que é, e como ele pode ser duro e horrível, principalmente quando a gente não tiver ninguém pra segurar a nossa mão, e nos tirar do buraco do qual estamos. – Anita afirmou, fitando no fundo dos olhos de Vera. – É nessa hora que a gente, ensina pra nós mesmos, como se levantar sozinho, e cada vez que a situação se repete, isso se torna ainda mais forte. – Completou.
– É, a Sofia é insegura sim, e sempre escondeu isso, e hoje ela luta contra os fantasmas que as atitudes dela semearam na vida dela, eu sei, eu conheço as duas muito mais do que vocês imaginam Anita, vocês ocuparam o mesmo lugar na minha vida e na minha barriga. – A mãe afirmou a garota.
– O que você tá querendo me dizer, que eu tenho que me acertar com a Sofia, simplesmente pra ela se sentir bem e voltar a ser plenamente feliz de novo. – Anita disparou. – Mãe a Sofia não se preocupou em saber como eu vive esses anos, ela pode até ter pensado, mas não tentou, ela errou, não eu, eu não queria destruir o laço que nos unia, eu disse isso muitas vezes pra ela, o problema não foi o que ela queria, mas sim a forma como ela lutou pra ter, e por uma piada ou ironia da vida, a coisa em questão, ou melhor o cara em questão não foi de nenhuma das duas. – Anita completou, despreocupada.
– É a Sofia infelizmente procurou isso, e eu desejaria muito poder ter evitado, a magoa que as duas provocaram. – Disse Vera, vendo razão nas palavras de Anita em relação à irmã.
– É mais eu não desejo mau nenhum pra ela, e culpa porque, faz tanto tempo isso, porem passar a mão na cabeça dela e dizer que ela não foi errada, isso eu não vou fazer, não fiz, não faço, e nunca vou fazer. – Ela deixou bastante claro. – E você não tem culpa, de nada, éramos jovens, sem razão de muita coisa, e relapsos com as consequências, se a Sofia aprendeu alguma coisa de bom com isso, já foi alguma coisa, eu quero um dia realmente poder dizer com certeza que os erros dela, não me afetam mais e que a gente possa se dar bem. – Anita expôs. – Da minha parte eu vou evitar ao máximo jogar essa história na cara da Sofia, agora quanto ao Ben eu não posso garantir. – Proferiu ela.
– O Ben continua o mesmo pelo visto gentil, educado, prestativo e lindo ele não mudou muita coisa, continua com a mesma carinha de antes. – Balbuciou Vera com certo carinho pelo enteado, Anita apenas se aproximou mais da janela e encarou a rua lá em baixo, ignorando parte das afirmações de Vera.. – Não acha. – Indagou ela.
– Sei lá, se acha que eu iria reparar no Bem, porque mãe. – Anita devolveu não respondendo nada conclusivo. – Tá querendo chegar aonde dona Vera, falando no Ben porquê. – Anita perguntou, enquanto franzia a testa de maneira desconfiada.
– Eu filha não, você tocou no nome dele, eu só comentei. – Vera justificou, com um sorriso descompensado. – E depois ele não foi só o filho o filho do Ronaldo, virou meu filho também. – Argumentou.
– E com isso eu perdi o posto de a mais velha da família, devido a alguns meses. – Ironizou, se impressionando com a capacidade que o garoto tinha de sempre estar no meio de sua vida, mesmo quando ela não queria e nem pensava. – Ah, e fui eu que toquei, nossa nem me liguei, também não foi por nada. – De repente a garota que talvez fosse ela que estivesse com seus pensamentos invadidos pelo garoto, não Vera, o que a fez não ter paciência para a situação.
– Na verdade é bom saber que mesmo depois de tudo a Cícera não terminou de manipular o pobre do menino, depois de ter levado ele daqui, do jeito que levou. – Vera explicou.
– É mais ele foi embora porque quis, não sei também. – Anita retrucou se vendo incrédula. – De repente o Ben que eu conhecia não existia. – Supõe ela, confusa, já que parte das atitudes do passado do ex-namorado, eram totalmente diferentes das que ela esperava na época.
– No fundo nós todos ficamos sem saber o que o levou de verdade a viajar com a Cícera, ele queria tanto morar no Brasil construir a vida dele aqui. – Falou Vera repensando algumas coisas que se passaram naquela época.
– É muito. – A menina respondeu a mãe, com certo pesar. – Mais minha mãe linda, vamos dormir não é, a senhora tem que descansar, porque amanhã é dia de ir pra casa. – Disse Anita, comtemplando o céu estrelado, enquanto ela percebia Vera lhe encarando com um olhar curioso.
– Tem razão meu anjo, meu sonho se realizou eu vou embora daqui, ai como eu quis isso. – Afirmou Vera, contente por ir embora daquele lugar que ela considerava exaustivo e angustiante de permanecer, mas que para ela devido a situação se fez necessário. – Eu só fico preocupada com você filha, a noite toda aqui, vai pra casa, eu estou bem. – Falou Vera, sentando a cama.
– Não tem problema, não custa, eu estou acostumada a dormir pouco mesmo, e com o fuso- horário daqui com o de Londres, deu uma bagunçada maior no meu sono, não se preocupa, quantas vezes você não perdeu noites de sono por mim, não custa retribuir. – Exclamou Anita, para afastar os anseios de Vera.
– Ai filha mais mesmo assim, os pais nunca param de se preocupar com os filhos, talvez o que muda é que os filhos acabam se preocupam com a gente também. – Respondeu ela de volta para a filha.
– Válido, bom se vai dormir, eu vou até a cantina comer alguma coisa, qualquer coisa é só me chamar. – Falou Anita com um sorriso.
– Vai pode ir, eu vou ficar bem, sem dormir já é ruim, não quero que você fique sem comer também. – Afirmou ela, retribuindo o sorriso.
– Claro, então eu vou. – Anita pegou a bolsa de cima de uma mesa que ficava perto da janela e saiu em seguida pela porta.
A garota andou pelos corredores, visualizando aquelas paredes brancas, discretas, sem cor alguma, que para ela já soava contraditório para alguém que tinha dentre suas maiores paixões a decoração e arquitetura, hospital nunca foi seu lugar favorito e as lembranças que sua mente tinha daquele lugar, não eram nada satisfatórias, tanto quando dizia respeito a vida dela, quanto da vida de alguém, mas aquele lugar repleto de barulhos sutis, pessoas com cara de sono e exaustão, até mesmo de sofrimento, o que foi exatamente o que ela viu no rosto de uma moça que acabara de passar por ela, sua mente já andava agitada demais para se sentir confortável naquele ambiente, ela andava ansiosa demais, com a paciência beirando o nada, e saber o que estava lhe tirando seu autocontrole, a deixava ainda pior. Ela foi até a cantina escolheu um sanduiche qualquer do cardápio e comeu enquanto tomava um suco de morango. Foi caminhando pelo corredor para retornar ao quarto da mãe, tentando decifrar onde seus caminhos iriam parar, depois de tantas coisas que estava se desenhando para acontecer, ela sentia que Vera parecia querer entender, onde a garota do passado havia ido parar, pois a Anita de hoje era tão desconhecida e talvez muito diferente da filha que ela conheceu, e distancia das duas nos últimos anos talvez tivesse criado um abismo bastante significante na relação de mãe e filha das duas, Anita não sabia como expressar sua rela personalidade hoje para Vera, e com os contornos que a situação de sua vida havia tomado nos últimos dias, desvendar as perguntas da mãe talvez fosse uma tarefa ainda mais difícil. Anita sentou numa cadeira em frente a um altar com a imagem de nossa senhora que se concentrava na outra parede, olhou aos arredores, para o corredor ao seu lado, que de instantes em instantes as pessoas sumiam por ele, e se permitiu pensar em Ben, e na relação conturbada que os dois deixaram quando colocaram um ponto final em toda história de ambos, ela passou as mãos nos cabelos e estampou um sorriso que continha ironia no rosto. Pensando se ela realmente era muito tola, por ainda mencionar o menino em seus pensamentos, ou realmente a história dos dois tinha ficado pausada em algum lugar, como um céu estrelado que mesmo que aja noites de violentas tempestades um dia ele volta a brilhar, pensar em Ben nunca foi um exercício que ela praticava, nem que ela gostava de ver se concretizar, mais ela tinha que admitir que o nome do garoto nunca saiu de sua cabeça, Anita viu sua mente escapar dela mesma, e percorrendo alguns dos momentos felizes dos dois, e principalmente as brigas que levaram ao “fim definitivo”, de qualquer caminho que eles pensaram em trilhar juntos.
Pensamento...
– Oi. – A garota bateu a porta do quartinho de Omar.
– Anita. – Ben parecia não acreditar quando abriu a porta e a viu parada ali, a sua frente.
– Eu sei que eu disse que eu não iria mais te procurar, já que você anda mito ocupado com a tua mãe e ainda mais com teu futuro filho. – As palavras dela eram ovacionadas por um rancor mutuo. — Só que eu esqueci de fazer um coisa. – Afirmou ela, parando a sua frente.
– Que coisa. – Perguntou ele, suplicando que fosse algo que lhe fizesse ter um fio de esperança.
– Isso. – Disse a garota tirando do bolso do casaco um anel.
– Você tá mesmo decidida a me esquecer, não é. – Falou Ben, após um suspiro.
– To e muito, eu quero realmente um dia poder lembrar disso tudo e dizer pra mim mesma que você não significa nada pra mim, que eu esqueci, esqueci das tuas atitudes tortas, da tua mãe manipuladora e da mãe do teu filho, cínica e vitima, e também realmente prefiro achar que o fato dela ser minha irmã não me afeta em nada. – Falou ela, extremamente magoada.
– Anita você tá sendo muito dura comigo. – Ben proferiu sem saber o que fazer para mudar os pensamentos da garota. – Você quer eu faça o que, Anita infelizmente não existe a possiblidade deu não assumir esse filho, meu pai e a Vera não iriam concordar com isso, e nem eu, isso não é algo digno, por mais que eu me ache capaz de fazer qualquer coisa por você. – Disse o garoto em suplica.
– E você acha mesmo que eu quero que você faça isso. – Anita devolveu sem paciência.
– Então, eu sei que você me disse que não iria me esperar e nem queria mais nada comigo. – Alegou ele se aproximando dela. – Me dá mais um tempo, me da uma chance de tentar resolver isso, eu vou tentar e muito, mais não vai embora espera mais um pouco, por favor. – Praticamente implorou o garoto.
– Não, eu não posso, sabe por que, eu estaria perdendo a única gota de amor próprio, que me sobrou. – Anita respondeu, afastando a mão dele de perto dela. – Será que você não percebe que o que pesa, não é esse filho, mas sim a forma como você tá assumindo ele, deixando a Sofia se enfiar no meio da gente, no meio do sentimento que você diz ser tão imenso, você faz tudo que ela quer Ben, é só ela estalar os dedos que você vai correndo, quantas vezes você já fez isso Ben, você não quis nem contar da gente pra mamãe e pro Ronaldo. – Anita esbravejou de volta angustiada.
– Não as coisas não são desse jeito Anita, você só esta pensando em você, você tá incompreensível, você não tá levando em conta o peso que isso tudo tem pra mim, você acha mesmo que eu queria ser pai na minha idade e justo de um filho da Sofia, sendo que é você que eu amo. – Afirmou ele, entristecido pela situação. – As vezes que eu te deixei pra resolver algo com ela foi porque, ela não podia contar com ninguém mesmo, naquele dia que eu te deixei me esperando, quando você me chamou pra ir naquele cursinho pré-vestibular que a gente estava pensando em fazer, em cima da hora a Sofia me ligou, eu quis falar com você, mais não consegui, eu tinha que ir naquela consulta com ela era um dever meu, e no dia que ela passou mal, ela tava no meio da rua, e não podia deixar de ir depois que ela me ligou. – Ele quis se defender.
– Só que não foram só essas vezes, não é, foram muitas, você não foi até no jantar que a gente combinou pra comemorar meu aniversario. – Retrucou abalada. — E deixa eu adivinhar porque? — A Sofia passou mal, ela e esse filho são mais importantes pra você, só você não vê, a intrusa, sou eu – E mais, não me pede pra ser boazinha e complacente, porque pra aturar tudo isso, só não sendo humana, que sofre e sente também, e eu já sofri e muito, e não me chama de egoísta porque eu não sou, e pedi demais um pouco de atenção, do cara que eu amo. – Gritou ela, enraivada. – E sempre assim não é Ben, a Anita entende, a Anita é boa, a Anita é super compreensiva, e deixa pra lá, é a Anita ela vi perdoar, o argumento que todo mundo usou a vida toda pra pisar na bola comigo, eu nunca pedi atenção de ninguém Ben, eu nunca manipulei, usei nada, e nem cobrei nada de ninguém, ao contrário da Sofia não é, que agora mais do que nunca precisa de apoio, apoio que eu nunca tive de ninguém, eu dava pros outros, mas ninguém dava em troca não é, porque eu sou forte, boa, só que eu sou humana droga, eu sofro, e erro como todo mundo, até você vai ignorar isso, com o discurso da garota linda por dentro que entende tudo. – Disse ela, completamente magoada com ele.
– Não, mas infelizmente nesse momento, eu não tenho como mudar o jeito que as coisas estão, e acredita eu queria muito, se você não for um pouco mais paciente comigo, e tentar entender tudo isso, acabou realmente Anita, porque o que você quer de mim, eu não sei como te dar. – Ben afirmou, desolado.
– E você acha que eu achei que iria ouvir, outra coisa da tua boca, eu não vim aqui com esperanças de mudar isso, você já fez a tua escolha, e foi a medida que você não vê tudo que eu estou passando, a verdade é que você sempre olhou o sofrimento que eu causei em você não é, não o que eu também sofri, a raiva que você sentiu de mim pela minha falta de lucidez diante disso tudo que o Antônio fez, engoliu a tua capacidade de me compreender, aliás não só a tua, a de todo mundo. – Anita rebateu, com os olhos marejados e cheios de decepção. – E quer saber de uma coisa, ter um filho não é fácil, você deve tá com a cabeça ruim mesmo, mas pensasse nisso antes de ir pra cama com a Sofia, eu não ajudei você a causar essa situação, foi você, só você, e antes que você me acuse de todo sofrimento que eu te causei e que foi isso que te levou, eu também tava mal, no chão, mais eu na fui pra cama com o Antônio, e nem com nenhum outro com o pretexto de curar as minhas magoas. – Anita respondeu impiedosa. – Mais isso deve ser principio de menina boba e romântica, não é, passa a vida toda esperando o cara ideal, e quando pensa que achou o cara incrível, você descobre que de perfeito ele não tem nada, é muito pior, muito mais torto do que aqueles que você esperava que te fizessem de idiota, só que dessa vez você se viu surpresa, vocês garotos sempre usam a mesma desculpa mesmo, isso não é somente um clichê de série adolescente, dormi com outra porque você me deixou mal, isso é somente a maior prova de que o amor que você diz tanto sentir por mim, que você enche a boca pra falar não foi capaz de segurar os teus impulsos, mas com você não tinha muitas opções a garota em questão a escolhida tinha que ser justo a Sofia, se é que foi só com ela, vai ver você deu sorte. – Anita disse um tanto irônica.
– Eu sei que eu errei, e se eu te disser que na manha seguinte, eu não me arrependi disso eu estaria te mentindo, mas me arrepender e me culpar por isso não vai mudar o que houve, não vai fazer as coisas serem diferentes. – Ben se viu desapontado. – Mais não, não faz pouco do amor que eu dediquei a você, porque isso não é justo, isso eu não mereço Anita. – Quase implorou o menino.
– Eu tenho que ir, só vim te devolver isso, eu não podia ficar com ele, porque quando você me deu esse anel, aquele dia na praia eu ainda acreditava na gente, acreditava que nós podíamos enfrentar mais essa, mais não dá, é demais pra mim ver o cara que eu amo planejando um filho, o enxoval, a vida, do bebê que vai ser meu sobrinho, eu não quero odiar essa criança, eu não posso, e eu não quero odiar você, seria a coisa mais injusta que eu faria depois de tudo que eu lutei pra te livrar das ameaças do Antônio, pra te ver em segurança, e ao mesmo tempo isso não significa que eu vá continuar com esse sentimento porque eu não vou, que se dane, mais eu vou te esquecer porque isso é uma forma pra mim procurar a minha felicidade, eu não vou virar a garota amarga que não suportou ver a irmã ser mãe do filho do namorado, a pessoa rancorosa e fechada que todo mundo espera, pode ter certeza, e muito menos a tonta estupida que vai chorar pelos cantos toda vez que algo der errado na vida dela, cuida da Sofia e dessa criança, ela é apenas uma garota ingênua, que acha que tudo é um máximo, mais não é, ser mãe muito cedo vai ser um fardo tenebroso até pra ela, quando a ficha cair mesmo ela vai se ver muito perdida, e essa criança não vai ter culpa dos caminhos que a gente fez. – Anita confidenciou. – Mesmo com tudo dando errado o autor da minha história, ainda sou eu, e eu vou continuar sendo, pode ter certeza. – Pronunciou ela largando o anel sobre a mesa e dando as costas, Ben apenas ficou encarando a figura da garota saindo pela porta, como se tentar absorver o que se passava ali lhe tivesse tirado suas reações, sua mente apenas conseguia materializar que era surreal acreditar que sua história com Anita havia tido aquele fim e nada mais, ele se viu anestesiado nas próprias decepções incapaz de reagir a qualquer coisa naquele momento.
– Como eu fui burra. – Disse Anita, enraivada ao se lembrar das suas últimas palavras para Ben, ao mandar ele apoiar a irmã, mesmo sofrendo com aquilo, mas, agora sabendo que tudo não foi um golpe da irmã, seus pensamentos foram voltando a realidade com o barulho de uma porta se abrindo perto de onde ela estava sentada.
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