Notas iniciais
boa leitura...

_Kira, espere, você vai se machucar. –gritava Bily correndo atrás da pequena garota, que já se livrara das sandálias altas e agora estava descalça, tropeçando no vestido e atravessando as ruas sem ver.

Ela podia ouvir o ruivo, mas não queria ouvir, queria ficar sozinha, esquecer tudo, queria mantê-lo longe, principalmente manter a ELE longe, porque no fim ele tinha razão e ela não queria aceitar isso.

Kira correu pela avenida, e tentou entrar no parque central, lá ela poderia se esconder de Bily, então foi atravessar a rua, sega pelas lágrimas e não viu que um carro vinha em alta velocidade, enquanto ela cambaleava no vestido cumprido que ela tentava erguer com as mãos sem sucesso, e por isso foi quase atingida, se não fosse por Bily ter pulado contra ela, e os dois rolarem pro outro lado.

_Você é maluca Kira? –ele esfolara todo o terno, uma manga rasgou, enquanto ela esfolara os ombros de pele alva, e o vestido delicadamente perfeito em seu corpo.

Ela o olhou, ainda assustada, olhando pra ele meio esfolado, e então voltou a chorar, convulsivamente. Havia beijado o namorado da amiga, enquanto só queria estar nos braços do primeiro cara que havia a beijado.

Bily ficou aflito, vê-la naquele estado era terrível, daria sua vida pra vê-la sorrir meiga e encabulada, então a abraçou forte, ainda sentados na sarjeta, e apertou-a forte, vendo que ela fazia o mesmo com ele.

Eles ficaram um bom tempo daquela forma, mas as pessoas começaram a olhar, a parar e os encarar, então ele resolveu tirar ela dali, a suspendeu e foi caminhando com ela até o parque, onde ela o levou até o lugar favorito de sua mãe, onde ela se escondia as vezes, e onde passara ótimos momentos com as amigas e por uma briga descomunal com seu pai.

Os dois se sentaram, e então ela foi se acalmando, tendo as mãos dele nas suas.

_O que houve Kira?

Ela virou o rosto, não queria e não sabia responder, então ele segurou o queixo dela e encarou seus olhos profundamente.

_Se não quiser dizer, não precisa, mas não fique assim, eu estou do seu lado, sempre.

_Menos quando estiver com outra garota, ainda mais se ela estiver no seu colo. –ela disse azeda, mas ainda sim rubra, se lembrava da cena.

_Está falando da festa no nosso apartamento?

_Deixe pra lá, eu nada tenho com isso. –ela virou o rosto de novo.

_Ficou com ciúme de eu estar ficando com outra garota? –ele perguntou assustado, mas com seu sorriso safado brincando nos lábios.

_Porque teria ciúmes de você? –ela disse com a voz mais meiga novamente, como lhe era comum.

_Não sei, esperava que você me explicasse.

_Não, eu já disse, não tenho nada com isso, você pode levar quantas garotas quiser pra sua cama, e depois, só estou dizendo que não sou assim tão importante pra ter você me amparando sempre.

_Primeiro, não levei a menina pra cama, aliás, ela nem perto do meu quarto passou, segundo, já te deixei na mão alguma vez pra você dizer que não te ajudo sempre que precisa? E terceiro e mais importante, você é a garota mais importante no mundo inteiro pra mim.

Bily e Kira se encararam, ambos surpresos pelas palavras que escaparam da boca dele, mas ele não voltou atrás, ficou apenas esperando a reação dela.

_Quando beijou pela primeira vez Bily? –quis saber Kira.

_Vixe, agora me apertou sem me abraçar. Isso é mesmo necessário?

_Me diz.

_Eu tinha dez anos de idade.

_Quando... –ela corou violentamente e ele percebeu o que ela queria dizer com aquele rubor e aquela pausa. –Quero dizer... Quando você fez... Pela primeira vez.

_Quer saber quando transei pela primeira vez? Pra que?

_Me diz, por favor.

Ele desviou o olhar um pouco, estava sem graça. Sempre se gabava de suas conquista e de sua fixa corrida, mas com Kira era diferente, ela era um poço de ingenuidade e pureza.

_Com quinze. –ele respondeu por fim.

Ela ficou de boca aberta.

_E ainda tenta dizer que sou a mais importante? –ela disse depois de um tempo. –Por quê?

_Pra nós homens as coisas são diferentes. Vocês vêem a primeira vez de tudo como se fosse algo mágico, que deveria ser eterno, pra nós não, a vontade fala mais alto e boa, nos rendemos aos nossos desejos. Quando dormimos com uma garota, geralmente não pensamos em nos casar com ela no dia seguinte, mas não as destratamos por isso. É normal todo mundo sentir desejo e respeitar a outra pessoa, mas pra mim sempre foi só isso. Então eu voltei pra cá naquele verão, achando que iria ser tudo azul como costumava ser pra mim, iria curtir minha liberdade e aproveitar minhas vontades, mas você chegou e mudou tudo, Kira. Naquela noite que dançamos juntos, eu senti um prazer imenso de só ter sua companhia e te fazer feliz; não chegava a ser o prazer de um orgasmo... –ele sorriu, adorava provocar aquela sensação nela, de ficar rubra e encabulada. –Mas foi incrível, e fez algo dentro de mim bater tão forte, como não tinha acontecido com ninguém. Depois foi aquela brincadeira, por alguma razão eu queria muito seu beijo, e nã
o entendia porque você relutava, eu não sou acostumado com a palavra não, sou mimado, confesso, e por isso fiquei insistindo, queria saber o que tinha de errado, e então na outra noite você me beijou, eu quase cai de costas de susto, mais a vontade de provar sua boca foi maior, e então nos beijamos, de um jeito que nunca beijei ninguém, com uma garota diferente de qualquer outra. Ai veio a festa em que você encontrou a Rym, nunca tinha te visto daquele jeito, e me surpreendi com como você pode ser, e achei incrível, foi muito corajosa, e depois voltamos a nos divertir e a nos aproximar. Eu podia ter feito a festa no nosso apartamento com a ajuda dos meninos, mas assim arrumava uma desculpa pra ficar perto de você, e me arrependi, te desejava muito, te quero muito, e ainda por cima esse coração idiota que dispara toda vez que te vê. Não sei se isso é o que chamam de paixão Kira, mas sei que estou de quatro por você, e com uma vontade insana de te beijar de novo.

Ela ouviu cada palavra, mas era difícil compreender, ele estava mesmo dizendo que estava se apaixonando por ela?

_Fiquei preocupado quando te vi sair daquele jeito da festa e mais louco quando você quase foi atropelada. Eu não consigo imaginar nada de errado acontecendo com você, e eu tenho sempre que fazer alguma coisa, te proteger. –ele respirou fundo e continuou olhando nos olhos dela. –Eu sei que você espera seu príncipe encantado, que aquele beijo foi pra você um erro e eu sou o último ser da face da terra que você olharia e sentiria algo diferente, e por tudo isso não espero que você retribua o que sinto, mas gostaria muito de participar da sua vida, de nos reaproximar, como era antes desse um ano que se passou, pelo menos até você achar a pessoa que iria tomar esse lugar na sua vida e muitos outros lugares também.

_Você é filho de um Sabaku e uma Yamanaka, como pode ser tão burro? –ela disse um pouco vermelha, mas decidida, deixando ele meio abobalhado. –Será que não percebeu mesmo como fico perto de você? Como você mexe comigo e como fiquei depois daquele beijo, que por sinal, Bily, foi o primeiro de toda a minha vida? –uma pontada bateu no coração dela, queria dizer que tinha sido o único também, mas Jhon mudara isso. Ela não retribuíra o beijou, mas não o repeliu como devia, e a consciência voltou a pesar, enquanto o sonho que vivia ali com o ruivo que mexia com seu coração, ia se desfazendo, como poderia dizer a ele que havia beijado o namorado da irmã dele, e sua melhor amiga?

_O primeiro? Aquele dia... –ele estava assustado, mas muito feliz.

_Eu gosto muito de você Bily, desde que éramos crianças e fomos pra sua casa, ouvir os discos de seu pai escondido, enquanto te ensinava alguns golpes de boxe, que eu não consigo parar de achar que você era diferente pra mim, me fazia sentir algo diferente.

_Engraçado, naquele dia tive certeza que você era a menina mais bonita que eu já tinha visto, e acho isso até hoje. –ele sorriu, acariciando o rosto dela.

Bily aproximou seu rosto do dela, e encostou sua testa na dela, enquanto dizia divagar, tentando controlar a ansiedade, o coração e a respiração:

_Não sabe como fico feliz de saber que fui o primeiro a provar seus lábios, isso me deixa... Nem sei... Não tenho palavras pra descrever.

_Eu estava com medo, eu achei, e ainda acho, que não sou a garota certa pra você e que você nunca vai levar uma menina a sério, mas não mudaria nada, com certeza foi melhor do que eu poderia querer.

_Eu levo todas as garotas a sério, Kira. –ele disse sério, até meio seco. –Só não pensava em nada duradouro, como penso com você, ainda mais agora...

_Você ficaria comigo?

_Se eu ficaria, ou se eu namoraria? –ele sorriu de canto, bem ao seu estilo, vendo a menina ficar vermelha e intrigada. –Você não é garota que fica com caras por ai, e eu adoraria ser o único a experimentar essa boca.

Kira sentiu o mundo despencar sobre sua cabeça, e começou a chorar novamente, deixando Bily aflito, ela queria sair de perto de si.

_Me desculpe, não foi minha intenção dizer nada de errado.

_E você não disse, só disse a coisa certa...

_Então não entendo, Kira.

_Esse é o problema. Porque de repente você começa a fazer e a dizer a coisa certa? Eu não sou mais uma garota na sua mão Bily, eu estou muito apaixonada, e não vou parar na sua cama por uma noite, então para de tentar se aproximar e me encantar, não perca seu tempo, porque a garota sem graça e sem força própria que eu sou não é garota pra você.

Ela se levantou, não queria dar chance pra ele dizer mais nada. Estava se sentindo mal, irritada por não ter evitado Jhon, por se sentir usada, insuficiente, e ainda ter que abrir mão do único cara que a tirou do chão e a deixou sem ar.

_Espera. –ele segurou a mão dela. –Eu não sei o que está havendo, mas você está muito enganada em relação a mim e principalmente ao que eu sinto. Não estou te usando, eu não faço isso, e muito menos com você. Eu não sei se você entendeu, mas no que eu disse, as entrelinhas é que eu adoraria fazer de você minha namorada. Eu sei que é estranho e tudo isso é muito confuso, mas não misture as coisas, você pode não querer apostar em nós, mas não diz que é porque eu sou um canalha, porque nunca a tratei assim.

Ela o encarou nos olhos, ele estava sério como jamais estivera antes, e segurava a mão dela com cuidado, e ela só se sentia ainda pior. Como quebrar a confiança de Linda e de Bily? Como não percebera ou se afastara do que ele fizera? Ela não conseguia encarar aquele par de olhos, aquelas boca, aquele homem e fingir que não fizera nada de errado, que tinha sido só um erro, porque o conhecia suficientemente bem pra saber como ele reagiria se soubesse e o sonho que ela poderia começar a viver se tornaria um pesadelo, e ela seria culpada, o traía.

_Estou confusa Bily, estou cansada, estou com raiva, me dá um tempo vai.

_Não quero te forçar a nada Kira, não mesmo, só estava afim de te dizer tudo isso, de deixar que você saiba o que eu sinto, porque eu acho terrível as pessoas esconderem seus sentimentos. Por mais que dê medo, a gente tem que dizer, tem que tentar, só isso que estou fazendo. Eu gosto de você Kira, isso é fato, mas não se preocupe, não vou forçar a barra.

Rla olhou pra ele e pensou em todas as noites que se pegava pensando no ruivo, e depois que o beijou, não conseguia esquecer o quanto se sentia bem nos braços dele. Por mais que Cris fosse considerado um Deus Grego, enquanto os outros não ficavam nada atrás, Kira só conseguia ver aquela beleza estonteante no ruivo. Seus olhos verdes intensos, sua boca de lábios precisos, seus cabelos cor de fogo, seu corpo atlético, e ela só uma garotinha tímida e retraída que nunca pensou que fosse ter aquele monumento dizendo que gostava dela, sem que ela pudesse retribuir.
_Eu sinto muito... –ela disse chorosa. –Mas não posso ficar com você.

Ele respirou fundo, jamais dissera que estava apaixonado por ninguém, e na primeira vez já era jogado de escanteio.

_Tudo bem, eu entendo...

_Não, me deixe terminar. Não posso ficar com você, mas quero que saiba que ainda conto com você do meu lado, que possa me entender sempre, e sempre me ouvir.

_Farei isso, eu prometo.

_Obrigada.

Ela o abraçou forte, adoraria um novo beijo, mas sua consciência não permitia, então apenas deixou ele aninhá-la nos braços e os dois ficaram assim por um tempo.

_Vou ligar pra sua irmã e dizer que te deixarei em casa, eles devem estar preocupados.

Ela fez que sim com a cabeça e ele ligou pra Tamie, acalmou a loira e depois estendeu a mão a Kira, ajudando ela a se levantar junto com ele.

_Vou chamar um taxi.

Eles foram caminhando pra fora da reserva, um carro os aguardava do lado de fora. Os dois entraram e o motorista os olhou curioso, pensava de onde duas pessoas tão bem apessoadas vinham tudo rasgados.

Desceram na porta da casa da morena, e Bily acariciou o rosto dela.

_Espero que continuemos amigos ao menos.

_Sempre, eu espero.

_Vai ficar tudo bem mesmo? –ele indagou vendo que ela ainda parecia muito triste.

_Vai sim. Mais uma vez obrigada, e desculpa toda a confusão.

_Está tudo bem, precisando disponha. –o sorriso dele saiu diferente, carinhoso, e ela sentiu o coração apertar, seria mesmo possível um cara como ele estar tão transformado por um sentimento tão forte por alguém como ela?

Eles não disseram mais nada, então ele deu um beijo no rosto dela, que a deixou rubra, e depois foi embora, o táxi ainda o esperava, e ela ficou na porta de casa, vendo o carro se afastar, depois foi pro seu quarto e trancou a porta, se jogando na cama.

Agora sabia que sensação diferente era aquela por Jhon, era medo. Ela sentira que algo estava errado, e não fora capaz de se afastar a tempo, então se colocou a chorar, tudo o que queria era se jogar nos braços de Bily e esquecer que Jhon existia, mas não podia fazer uma coisa nem outra, no entanto, podia nunca mais ver o moreno e se dedicar a amizade ao ruivo.

Se ao menos o Sabaku tivesse dito tudo aquilo horas antes... Muita coisa poderia ser evitada, mas o destino quis assim, o que se pode fazer se a vida é cheia de encontros e desencontros?

Notas finais
sim minha gente, Jhon causou grandes estragos, mas ainda pode fz pior... Kira e Bily teram que por a cabeça no lugar...
bjos e até o proximo...