Encontros E Desencontros - 2 Temporada
11 Capítulo 11 - Entendimentos
Notas iniciais
boa leitura...
_O que é isso? –indagou Gaara ao ver as malas da filha sendo postas na sala.
_São minhas coisas papai, eu vou embora.
_Embora pra onde? –indagou Ino atordoada e preocupada.
Bily entrou pela porta, estava com uma cara péssima, e ficou encarando as malas da irmã, mas essa pareceu que não o via.
_Eu vou voltar pra capital, vou arrumar outra faculdade pra fazer e depois ver se arrumo algum trabalho.
_Você tem trabalho, tem uma eleição pra ganhar, que coisa é essa agora? –disse Gaara franzindo o cenho.
_Papai, quando eu tinha uns sete anos vocês me acolheram, cuidaram de mim e sempre foram ótimos em tudo, eu acreditei que teria uma família de novo, mas agora consigo ver que jamais as coisas vão ser assim, eu serei sempre a garota adotada, a mulher que vai viver a sombra do seu nome e da sua carreira e eu não quero nada disso, estou farta disso tudo.
_Linda, seu pai e eu te amamos como nossa filha, desde o momento que a vimos; eu quando a conheci naquela ponte e seu pai quando a viu comigo no apartamento, nós lutamos por você porque te amamos, sempre foi assim, você é nossa filha mais velha, mesmo não sendo de mim que você tenha vindo...
_Você carrega meu nome porque é assim que deve ser, uma filha deve carregar o nome de sua família, e você pode dizer o que quiser, mas eu sei e você sabe que essa é sim sua família.
Linda não pode mais segurar, as lágrimas lhe correram pelo rosto.
_Toda entrevista, toda campanha, é sempre a mesma coisa, a filha adotiva do presidente, estou farta disso, estou farta de não ser bem vinda.
_Não importa o que os outros digam minha princesa, você é nossa filha. Pra mim e pro seu pai você é sim nossa filha e pronto.
_E não é bem vinda aqui desde quando? –falou Gaara com seu jeito imperativo.
Bily que já se sentia um lixo, agora pensava que não merecia nem mesmo os esgotos como moradia, como pudera fazer aquilo com sua irmã? Linda era pra ele sua heroína, seu exemplo, queria muito ser como ela, mas não era, era diferente, sabia que jamais estaria a altura de sua família, jamais conseguiria ser o presidente da republica, e não queria isso, queria ser grande naquilo que gostava, mas ele era diferente de sua irmã, ela era dócil, bondosa, corajosa e muito batalhadora, ela pensava no bem de todos, se esforçava em estudos e afins pra ser sempre melhor, e ele nunca seria nem metade do que ela era.
Ele estava muito triste por vê-la daquele jeito e mais triste ainda de ver o sofrimento que aquela brincadeira idiota estava provocando em seus pais. Gaara seria pra si sempre o exemplo de homem perfeito, perfeição que ele não sabia reproduzir, Ino era a primeira dama mai s bela e engajada na carreira do marido que todos já haviam visto, ela vivia em obras de caridade e estava sempre ao lado de Gaara.
Resumindo, pra Bily todos ali, naquela família eram perfeitos, enquanto ele era a ovelha negra do lugar.
_Linda, minha querida, não fique assim, seja lá o que tenha acontecido, esqueça, você não pode sair daqui, esse é seu lugar. –disse Ino acariciando o rosto e os cabelos da filha.
A garota não pode se controlar, o abraço terno de sua mãe sempre fora um santo remédio pra tudo em sua vida, assim abraçou a mãe e chorou mais um pouco, ela agora não era mais a menina mirrada e mal cuidada que cabia nos braços de Ino, era uma mulher grande e vitoriosa, maior que a loira, mas ainda assim sentia como se fosse aquela garotinha de sete anos que molhara Ino no chuveiro em uma noite fria.
_Linda, você vai ficar conosco, não vai? –indagou Gaara por fim.
_Papai, eu...
_Bom, você não vai a lugar nenhum mesmo, não vou deixar e você pode ter ai seus vinte quatro pra vinte e cinco anos que eu não me importo, ainda sou seu pai.
Linda adorava o jeito de seu pai, ainda mais quando ele dava aquelas duras de maneira tão divertida, então ela beijou a mãe e o pai e forçou um sorriso.
_Eu os amo muito.
_E nós a você. –disseram os dois em coro.
Bily olhou a cena dos três e resolveu que ali não era mesmo seu lugar, então saiu e foi para seu quarto. Estava cansado, seu corpo todo doía, e as lembranças da noite anterior não eram nada boas, a irmã lhe odiando, Kira lhe olhando com medo, os amigos contra ele, com razão, tudo era um pesadelo.
Ele fechou os olhos pesados, mas os olhos castanhos de Linda lhe vieram a mente, aquilo o perturbava muito, então resolveu ir tomar um banho, deixar que a água tentasse levar aquelas coisas ruins.
Bily entrou no banho e ficou lá por longos momentos, a vontade de chorar foi mais forte que seu orgulho, então ele deixou as lágrimas rolarem, enquanto a água morna varria seu corpo, quando não tinha mais como chorar e sua pele como reclamar, ele saiu do chuveiro, se trocou e voltou pro quarto, onde seu pai o esperava, ele só pensou que aquela seria mais uma discussão como a que acontecera antes de chegarem àquela cidade.
_O que disse a sua irmã? –seu pai era direto.
_O que ela falou que eu disse?
_Ela não nos contou nada, mas tenho certeza que você disse alguma coisa pra ela.
_A garota deve estar de TPM e a culpa é minha?
_Bily, eu tenho cometido um erro muito grande, tenho lhe visto como um adolescente rebelde e irritadiço, mas eu estou errado, você está só com dezessete anos, mais já é responsável pelos seus atos, tem uma vida própria e eu devo lhe tratar como homem que está se formando, mas fica difícil fazer isso, ainda mais quando você age feito um moleque e faz mal a sua irmã.
_Eu sei que ela sempre foi a favorita, mas sei também...
_Pode parar ai. Quem foi que disse que ela é a favorita? Eu acho que é até o contrario muitas vezes. Linda é nossa filha mais velha, ela veio pra nossa casa já crescidinha, e já com alguns ideais e vivência, nós a criamos e a amamos como filha, então veio você, o nosso garotinho mais novo, o mimamos de mais, esse foi nosso erro. Ino e eu sempre morremos de amores por vocês dois, mas sempre tivemos medo do que minha carreira faria a vida de vocês, eu quase perdi sua mãe por esse medo dela, e você não faz idéia do quanto ela teve de abrir mão pra ficar comigo e cuidar de vocês, e por isso mesmo fizemos suas vontades, deixamos você com uma idéia errada desse mundo. Bily, você é nosso filho, filho de Gaara e Ino, não do presidente, não da primeira dama, e nosso amor é incondicional e igual entre vocês dois.
_Ela é perfeita. –disse Bily baixando a cabeça. –Ela é a garota mais bonita que já vi, a mulher mais bem sucedida de sua idade, é inteligente, amorosa, meiga, determinada, não dá pra não gostar mais dela, não dá pra não me sentir um lixo perto dela e eu sei que cometi um erro enorme com ela ontem, nunca queria dizer o que eu disse, mas acabei falando, não sei como me desculpar, mas sei que nunca serei igual a ela.
_Não quero que você seja igual a ela, ninguém quer isso, queremos que você seja você mesmo e tenha orgulho disso. Com a manada de garotas atrás de você, duvido que não lhe achem um garoto bonito, é inteligente sim, quando quer alguma coisa é a pessoa mais obstinada que já vi, ajuda quem te pede ajuda e é muito forte e corajoso, porque do contrario não conseguiria manter sua vida e sua personalidade sendo observado pelo mundo todo.
_Eu simplesmente não consigo me desculpar com ela, mas não quero que me odeie.
_Linda não é nossa filha de sangue, mas não poderia ser mais parecida conosco, principalmente com sua mãe...
_Elas falam iguais, riem iguais e tem o mesmo jeito bom de ser. –ele disse revirando os olhos.
_Exato, e ela é assim desde pequena, e eu sei que é quase irritante. –disse Gaara com um sorriso de canto. –Mas elas são tão parecidas que tem uma capacidade enorme de amar e de perdoar dentro delas, sendo assim, fique calmo, ela não vai te odiar, e quando se sentir pronto, peça desculpas. Só não deixe seu orgulho falar muito alto, porque se não você perde a sua maior parceira, que é sua irmã.
Ele ficou pensativo, mas gostou de falar com o pai, era a primeira vez que tinham uma conversa seria sem trocarem alfinetadas e sem se decepcionarem.
_Obrigado pai, eu vou pensar sobre isso.
_Não por isso meu filho. –ele bagunçou os cabelos de fogo do garoto. –Agora vamos, temos um almoço na casa do Naruto.
_Acho que o pessoal não vai querer me ver.
_São seus amigos de verdade?
_Os melhores.
_Então relaxa, eles vão adorar te ver.
Gaara sorriu e saiu do quarto, então Bily foi se arrumar pro almoço, teria que olhar nos olhos de Kira e não os sentir amedrontados, por alguma razão, aquela bonequinha de porcelana lhe era muito especial, e como sendo a mais frágil delas, não queria causar nenhum dano permanente a aquela garotinha doce e meiga.
Quando a família Sabaku chegou, os dois filhos ficaram surpresos ao verem Jhon lá também.
_O que ele faz aqui? –falou Bily azedo.
_Quem é ele? –indagou Ino.
_O namorado da sua filha. –disse o garoto ainda mais azedo.
_Para, ele não é meu namorado, é só um amigo.
_Eu sei bem que tipo de amigo ele quer ser.
_Nem todo homem é cafajeste como você, Bil.
Era bom ouvir ela lhe chamar pelo diminutivo, como sempre fazia quando não estavam brigando, mas foi ainda melhor ver o que seu pai disse em seguida.
_Todos os homens são como seu irmão, o que é preciso saber é se eles amadurecem ou não, e quando isso acontece, de modo que até eu saber quem é esse sujeito e qual as intenções dele com minha filhinha, ele é sim um cafajeste.
_Oras, papai. –ela disse inquieta, mas se divertindo com o ciúme do pai.
Eles cumprimentaram todo mundo, e Jhon foi devidamente apresentado como um amigo aos pais da morena.
_E ai turma?
_Fala cabeça de fósforo. –disse Paul sorrindo.
_O que o Cris tem? –perguntou o ruivo.
_Está com medo do Naruto, ele vai falar com ele hoje sobre a Tamie. –anunciou Aiko.
_Xi, que barra.
_A Tamie vai reunir os pais depois do almoço e eles vão conversar. –disse Paul sorrindo.
_Sei bem que conversa. –disse o ruivo também sorrindo, e feliz por tudo parecer normal por ali.
Os dez, nove filhos e Jhon, estavam na sala conversando e jogando vídeo game, enquanto seus pais conversavam em volta da mesa com os quitutes de Hinata.
Eles almoçaram e depois Tamie fez como havia pensado, pediu pros pais irem pra varanda e foi buscar Cris.
_Que minha mãezinha santa me proteja. –disse o moreno se levantando.
_Para de tremer, que coisa. –disse Jum dando um tapa na mão do irmão. –Se aquiete, se não vou ficar com aquela vozinha me atormentando pelo seu nervosismo.
Ele não teve tempo de responder, Tamie o puxou pela mão e o foi arrastando até a varanda.
_Linda, sei que seu pai não vai gostar muito, mas topa ir tomar um sorvete comigo?
_Meu pai tem aquela marra mais é sossegado, e depois é só falar com minha mãe, então vamos sim. –ela se levantou, cochichou qualquer coisa com a mãe e depois saiu de mão dada com Jhon.
_Aiko, me empresta aquele seu livro pra eu terminar de ler? –pediu Nayumi.
_Claro, mas está com a Kira.
_Está lá no meu quarto, sobre a escrivaninha, podem ir lá pegar, e tem mais dois junto, já terminei de lê-los. –disse a morena.
_Vamos lá que você escolhe os que você quer. –disse Aiko se erguendo e saindo com Nayumi.
_Bom, vou aproveitar que o pessoal se dissipou um pouco e vou me desculpar com você Paul e com você Kira, não foi nada culpa de vocês, agi feito um idiota, e sei disso, então me desculpem e se tranqüilizem, depois vou falar com minha irmã também.
_A gente só ficou na pilha, mas já está tudo certo, bom vai ser ver vocês dois se dando bem. –disse Paul.
_É verdade, e me desculpe por não ter participado da brincadeira, não é nada por ser você Bily, eu só não...
_Não me deve explicações Kira, está tudo bem, e espero estar tudo bem com vocês também.
_Eu sei que tava bancando a marrenta, mas a gente te entende também Bily, por nós está tudo como sempre. –disse Jum.
Os quatro sorriram.
_Parece que a galera esqueceu da vida, que tal a gente dar uns perdidos por ai também? Um cineminha ia cair bem hoje. –sugeriu Paul.
_Por mim está topado, vai ser bom relaxar, e depois não quero estar aqui quando meu irmão anunciar o namoro, por mais que eu ame a Tamie, tenho ciúmes do meu irmão. –disse Jum sorrindo.
_Então vamos. –disseram Kira e Bily.
Eles saíram de fininho e foram pro cinema, na fila, Shiu veio falar com Jum.
_Olá Uchira.
_Oi Shiu, como vai?
_Tudo bem. Curtindo o cinema?
_É, a gente tava de bobeira.
_É, programa de casal não tem muitas opções, não é?
_Oh, não, é só um programa de amigos.
_Então não tem problema ir com vocês?
_Claro que não.
Paul achou muito estranho aquele tom dócil na voz de Jum, mas as coisas fizeram mais sentido quando ela ficou meio encabulada ao receber o toque da mão daquele garoto na dela, deixando o Nara com uma sensação péssima e já não gostando dele.
_O que vamos assistir? –perguntou Kira.
_Que tal uma comedia. –sugeriu Paul.
_Não, é muito bobo, ainda mais que só tem comedia romântica, vamos assistir aquele filme de terror. –disse Shiu.
Kira tremeu todinha, odiava filmes de terror como aquele em cartaz, não tinha medo, só odiava todo aquele sangue.
_Eu concordo com o Paul, não estamos em clima de morte, é pra relaxar. –ajudou Bily tentando agradar Kira a fim de ela esquecer aquele olhar amedrontado.
_Porque não vão vocês ao filme de comedia? Eu e o Shiu vamos ao de terror. –disse Jum sorrindo besta, fazendo o outro sorrir triunfante.
_Vai na sessão sozinha com ele? –disse Paul erguendo uma sobrancelha.
_O que tem de errado? –ela perguntou brava.
_Nada, não tem nada. –disse Paul tranquilamente, mas com o olhar diferente. –Podem comprar as entradas.
Kira, Bily e Paul foram pra uma sala do cinema, enquanto Jum e Shiu entravam em outra.
_Eles estão ficando Kira? –perguntou Paul a garota, que ficou rubra instantaneamente.
_Paul, eu não sei se...
_Não vou dizer nada pro Cris, fica tranqüila, só queria saber.
_Bom, então eu conto... Na verdade ainda não, mas a Jum gosta daquele carinha, e acho que vão ficar hoje, já que se encontraram.
_Hum...
_Paul, agora eu posso fazer uma pergunta?
_Claro, Kiki.
_Você se importa? Digo, com a Jum estar gostando de alguém.
_Eu deveria? Aliás, eu poderia?
_Bom, assim como Cris pode gostar da minha irmã, você também poderia gostar dela, aliás, você sempre está a postos pra salvá-la e cuidar dela.
Paul encarou os olhos azuis de Kira, mas não disse nada, e então as atenções se voltaram para a tela que começava a exibir os trelês pro filme, enquanto a sala ficava escura.
O Nara mais velho estava olhado pra tela e via tudo o que era apresentado ali, mas sua mente vagava pelo tempo e ia até a alguns bons anos atrás. Ele, Kira, Nayumi e Jum brincavam a beira da piscina, enquanto os outros andavam de bicicleta. A rosada não sabia nadar até então, por isso ela ficava mais afastada dos demais, porém, a uma certa altura da brincadeira, Cris passou com a bicicleta muito rápido por ela e ela se assustou, dando alguns passos pra trás, sem medir a distancia, assim ela caiu na água, Paul que estava próximo ao ocorrido não pensou nem duas vezes, pulou na água e a tirou de lá.
Jum nunca se esquecera daquele gesto, assim como o loiro também não. Ele ainda tinha a temperatura da pele dela, a cor de seus olhos e lábios, assim como o modo que se sentiu quando a tirou da piscina, e depois daquilo ele foi vê-la na casa dela dias depois, e lhe deu uma flor, uma rosa branca que roubara do jardim de sua casa, dizendo que ele sempre cuidaria dela.
Os anos se passaram e ele cuidou dela naquela noite semanas atrás depois da festa em que ela brigara com o irmão e de novo cada sensação ficou dentro dele, gravada, mas o que mais o perturbava naquele momento era aquele beijo. Jum tinha os mais deliciosos e perfeitos lábios que ele já provara.
_Paul... Paul...
_Desculpe, o que foi?
_Cara, o filme acabou... –disse Bily o cutucando.
Paul nem se dera conta por quanto tempo havia ficado preso a lembrança e os pensamentos de Jum, só agora via que as letras se apossavam da tela.
_Acabei me distraindo.
_Pode fala, você estava era dormindo, não é? –disse Bily sorrindo.
_É, pode se dizer que estava.
Ele se levantou da cadeira e então saíram da sala, encontrando Jum os esperando sozinha.
_Oras, o que faz aqui? –indagou Kira.
_A minha sessão acabou um minutinhos mais cedo, então tava esperando vocês.
_E o Shiu?
_Ele já foi. –ela disse simplesmente.
_Bom, já que é assim, que tal irmos beber alguma coisa, toda aquela pipoca está me matando de sede. –falou Bily.
Os outros concordaram e foram, mas algo estava diferente, Paul e Jum nãos e encaravam.
Notas finais
bjos e até o proximo...
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