Encontros, Acasos e Amores
17 It's MINE
Notas iniciais

Parte 1
Los Angeles estava frio naquele dia especial. Dia do aniversário de casamento de Effie e Haymitch. É mais uma data em que a família Mellark fazia de tudo para se comemorar juntos. Esse ano a comemoração seria na casa do filho número 4 do casal Effie e Haymitch. Peeta Mellark havia sido o artilheiro do campeonato de futebol no seu time Los Angeles Galaxy, no fogo final da temporada ele sofreu uma lesão grave no joelho — o que o impedia de andar -, por isso a família estava toda em sua mansão em Malibu. Seus irmãos mais velhos, Finnick que era ginecologista, Delly a advogada da família e Cato que era empresário do irmão jogador, estavam passando essa fase morando alguns dias com o irmão, lhe fazendo companhia e o animando, pois Peeta já havia completado 30 anos e se machucar nessa fase era um tanto quanto preocupante para seu contrato com o time. E seus irmãos mais novos Cinna, que havia assumido há pouco tempo a sua homossexualidade, Thresh, que estava se preparando para ir para faculdade, ainda moravam no sítio da família com os pais e avó Mags.
Os nove membros da família Mellark estavam fazendo o almoço daquele dia especial, Effie fazia questão da ajuda deles nos afazeres a fim de tornar a data mais especial e inesquecível para ela e para os filhos. O único filho que já havia se casado era Finnick, mas sua mulher havia morrido em um acidente de carro há quatro anos atrás. Esse ano especificamente, nenhum de seus seis filhos haviam trazido namoradas e Effie sonhava em ter noras, genro e netos. Queria ver o seu sítio cheio de crianças pequenas. Queria ter tido mais filhas, pois a sua filha Delly só pensava no trabalho.
— Peeta faz quanto tempo que você não abre as tuas correspondências? — perguntou a mãe ao ver ao lado do balcão as inúmeras cartas acumuladas.
— Nem sei mãe, alguma hora eu olho — disse o loiro que estava sentando e sua perna estendida numa cadeira, mesmo assim ele batia um bolo para a sobremesa daquele almoço.
— E se tiver algo importante? — A mãe começou a analisar cada envelope, tentando separa-los por ordem de importância. Effie se deparou com um envelope todo azul e que no remetente lia-se: FOXFOX BANCO DE SÊMEN DA CALIFÓRNIA.
— Filho o que é isso, banco de sêmen? — Bastou Effie falar a última frase que tinha a atenção de todos que estavam na cozinha. Ela prontamente entregou a carta ao filho e esperou atentamente que ele a abrisse. Cato e Delly logo se juntaram ao lado do irmão para poder saber qual era o seu conteúdo.
Caro doador 7257
É com grande satisfação que o informamos que sua doação de sêmen foi bem sucedida, deixando mais um cliente feliz. O comprador de número 2133 encontra-se realizado com a sua doação. Informamos que seu cadastro ainda se encontra em nosso banco de dados, mas não temos mais material disponível, se o senhor desejar comparecer ao nosso Centro de Coletas será bem recebido.
Sem mais,
FOXFOX BANCO DE SÊMEN DA CALIFÓRNIA.
Peeta, Delly e Cato estavam pálidos, um olhava para o outro tentando entender a situação, e tanto Haymitch, quanto Effie os encaravam procurando explicações.
— Vocês não haviam resolvido essa situação? — Peeta procurou uma explicação dos irmãos mais velhos.
— Sim, eu fui lá... Conversei com a administração. Eles me garantiram que haviam tirado seu sêmen do banco de dados e...
— PEETA MELLARK VOCÊ DOOU SÊMEN? — Haymitch bravejou segurando os ombros da esposa que havia fraquejado diante da situação.
— Eu... Eu doei, foi uma aposta com o pessoal do time. Eu fiz a doação, mas alguns dias depois pedi pra Delly resolver essa situação pra mim.
— Eu não tenho nada a ver com essa história. — Cato levantava as mãos declarando sua ignorância sobre essa situação.
— Por quê vocês dois fizeram isso? Nós criamos vocês com o amor fraternal de base. Sempre tentamos lhes mostrar a importância da família. Na estrutura sólida da educação de uma criança. Como você pode ser tão irresponsável meu filho...?
— Peeta engravidou alguma solteirona de 40 anos que não teve capacidade de encontrar um cara — brincou Finnick, mas logo recebeu um olhar frio de advertência da mãe e engoliu o riso.
— Ou pior, engravidou alguma jovem modelo que é casada com um velho babão que não tem mais capacidade de dar conta da mu... — Cato também se calou diante da fisionomia nervosa dos pais.
— Ou um casal lésbico — opinou Cinna.
— O que você tinha na cabeça garoto?
— Pai, eu tentei voltar atrás...
— Como será que é viver com o fato de ter um filho de sangue, que você nunca irá conhecer? Que nunca irá acalmar seu choro, lhe dar ensinamentos de vida, amor e carinho? — A mãe lhe fez essa pergunta diretórica, deixando o filho envergonhado e saiu da cozinha afim de se acalmar.
— Resolva isso da melhor maneira possível Peeta Ryan Mellark, e vocês terminem logo o almoço que estou com fome! — disse o pai saindo da cozinha indo atrás da esposa, deixando seus filhos pensativo.
— Cara, você é fenomenal como vai fazer agora? — perguntou Thresh.
— Pode ser algum engano, eu ainda tenho guardado o requerimento de cancelamento de doação e a carta resposta. Nós vamos resolver isso Pee.
— Delly espero mesmo que seja algum engano, já pensou no que a imprensa vai falar se souber dessa história? Eles vão cair matando em cima do Peeta, como foi uma aposta com o time pode até recair sobre seu contrato. Resolvam logo isso. — ordenou Cato sério, pois estava preocupado com a carreira do irmão.
Os cinco irmãos encheram Peeta com piadinhas sobre a paternidade, e quando os pais voltaram para seus afazeres culinários, todos ficaram sérios e Peeta agradeceu a Delly mentalmente, quando esta mudou de assunto. Tirando aquele clima tenso que se instalou sobre eles.
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Katniss alisava carinhosamente sua barriga de oito meses e dez dias, sonhando com o momento em que veria seu filho pela primeira vez. Ansiava em sentir seu cheiro de bebê e sua pele macia. Ainda não conseguia saber se era um príncipe, ou uma princesa, pois em todos os seus ultrassons o bebê estava com as perninhas fechadas, ou se escondia em suas costelas. Anteriormente sonhava em ter um menino, mas depois de tanto tentar e no esforço que fez para conseguir engravidar, independente do sexo que viria seria bastante amado. Seu bebê era tão calminho, pouco se mexia na barriga e quando o fazia era movimentos leves.
Katniss suspirou diante a tantos sonhos que estavam prestes a se realizar e se lembrou de tudo o que passara até esse momento.
Se lembrou dos sete anos em que ela passou ao lado do ex noivo Gale. Ele era um pouco frio nos seus tratos, igual seu pai. Gale e o Sr. Everdeen eram sócios de uma grande empresa de advocacia no centro de Nova York. Ambos trabalhavam muito e mantinham suas parceiras como verdadeiras socialites. Só que Katniss não gostava do jeito da mãe e não queria se espelhar nela, Katniss queria autonomia, ter seu próprio sustento. Ela havia começado o curso de direito, juntamente com seu namorado Gale. No segundo semestre ela bateu o pé com a família para mudar de curso e foi estudar literatura. Sempre teve o sonho em ser editora, ou jornalista. Mas sempre foi podada pela mãe e pelo pai. Sua mãe queria que Katniss estudasse moda e seu pai Direito. Porém Katniss conseguiu vencer essa batalha e concluiu seu desejado curso. Trabalhou em algumas editoras contrariando a família. Assim que terminou a faculdade Katniss e Gale foram morar juntos. Ambos desejavam formar uma família, mas nunca conseguiram esse feito. Até que ela foi procurar ajuda médica e descobriu a infertilidade do seu companheiro. Seu médico indicou uma clínica de doação de espermas e ambos foram atrás da doação. Lhes foi informado que para acontecer a fertilização ambos precisavam passar por testes psicológicos e comprovarem uma relação saudável e estruturada. Com essas informações eles decidiram oficializar a união. Só que Katniss não esperava ir sozinha para a igreja. Gale não compareceu ao casamento, Katniss foi humilhada pelos pais que a culparam pelo abandono.
No dia seguinte ao casamento ela recebeu uma ligação de sua amiga da faculdade propondo que ela começasse a trabalhar na sua Editora Californication e aceitou agradecendo aos céus por poder se mudar e ir para longe da família e da humilhação que passara. Após alguns meses de trabalho Katniss estava resolvida.
" Nunca mais vou confiar em homens, vou ter minha família. Há várias mulheres que criam seus filhos sozinhas e com louvor, por que eu não posso?"
Assim, Katniss aos 28 anos fez uma fertilização in vidro a fim de conceber seu filho tão desejado, e para ela até o momento não havia arrependimentos. Ela já amava tanto essa criança. Tinha sonhos e anseios de que nunca mais se sentiria sozinha nessa vida.
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Desde o recebimento da carta, Peeta e Delly entraram numa longa batalha judicial contra a Foxfox, como de fato eles venderam um material que era para ter sido descartado. A empresa foi obrigada a revelar a identidade do comprador. Katniss Everdeen, esse nome fazia o sangue de Peeta correr gelado por seu corpo. Tentou o máximo possível adiar o encontro, mas segundo os dados passado para ele, Katniss já estava chegando ao fim da gestação. Peeta e Delly contrataram um detetive para descobrir mais sobre a gestante, mas o pouco que ele conseguiu descobrir era que Katniss não era casada. Não vivia com um homem e trabalhava numa editora no centro de Los Angeles. Peeta tinha até o endereço dela, passou algumas vezes em frente ao prédio, mas ainda faltava coragem para encará-la.
— O Senhor veio ver o apartamento que está para alugar? — perguntou um velho, que se identificou como síndico do prédio em que Katniss morava. Peeta prontamente afirmou e subiu a fim de olhar o apartamento que o homem lhe oferecera.
— É um apartamento muito aconchegante. Ele possui 2 quartos, sendo um suíte, um banheiro social, sala de estar, sala de jantar, cozinha e um escritório, a vista é bem bonita... — Peeta deixou de prestar atenção no que o velho dizia ao ver a morena de olhos cinzentos e barriga redonda andar com certa dificuldade pelo corredor.
O detetive que Peeta contratará lhe informou que Katniss não era casada e sempre estava junto com uma outra mulher e seu filho. Ele até ouviu várias piadinhas dos irmãos sobre ele ser o pai do filho de um casal lésbico, mas se ela é realmente lésbica era uma pena, pois Katniss tinha uma beleza delicada e feminina.
— Se o senhor alugar o apartamento vai ter essa moça como vizinha. Fique tranquilo pois ela é muito calada, reservada e quanto ao bebê que em breve terá, as paredes são aprova de som...
Logo após a visita ao apartamento, Peeta a reconheceu de longe, ela e uma mulher de cabeleira longa e ruiva tomavam sorvete no café ao lado do prédio que estava, ambas pareciam muito apreensivas na conversa. A ruiva em todo o momento limpava os lábios de um garoto de no máximo cinco anos que estava junto delas. Peeta logo concluiu "essa deve ser a parceira dela". Ambas eram mulheres muito bonitas e elegantes, Peeta tomou coragem e se aproximou um pouco delas a fim de ouvir um pouco da conversa, mas ao se aproximar Katniss olhou para ele e o encarou. Ele sustentou seu olhar e pensou "é agora ou nunca".
— Oi, você é o... — Katniss o cumprimentou, pois o reconheceu como o jogador de seu time preferido.
— O doador 7257 de sêmen da Foxfox, e você é Katniss Everdeen compradora 2133. Eu sou o pai do seu bebê! — O nervosismo de Peeta era tanto que ele nem mediu as palavras, quando viu já havia lhe contado. Katniss empalideceu, ficou com a boca seca.
— Seu pervertido, doente mental, serial killer, tarado... SAI DE PERTO DA MINHA AMIGA AGORAAA! — A ruiva gritou, chamando a atenção de todos na rua e começou a empurrar e dar tapas em Peeta, que tentava se defender da ruiva endemoniada.
— VOCÊ NÃO É NADA DO FILHO DELA, SAI DAQUI CAPETA!
— Me deixe explicar sua louca! — Peeta tentava inutilmente se defender, segurando as mãos da ruiva, mas tinha medo de lhe machucar e piorar a sua situação.
— Annie! — chamou a morena, que não prestou atenção na amiga. — ANNIEEE SOCORRO! — Tanto Annie, quanto Peeta olharam para Katniss e viram suas calças molhadas.
— Ai amiga agora não, pelo amor de Deus segura essa criança — falou a ruiva, sentando a amiga num banco e pegando na mão do seu filho que embora estivesse um pouco assustado com a situação não parou de tomar o seu sorvete.
— Meu Deus, o que eu faço! Annie me ajuda! — suplicou a morena, Peeta prontamente tomou a frente.
— Respire fundo pelo nariz e solte pela boca. Venha, vou levar você para o hospital — disse ele, se oferecendo para ajudar e já a pegando no colo.
— Não... — Um suspiro. — Posso ir sozinha... — Outro suspiro. — Agora, minha mala — Um grito de dor.
— Se demorar mais um pouco, você terá esse bebê aqui na calçada — Disse Peeta aflito.
— Sai daqui seu safado, eu vou levar a minha amiga — vociferou Annie tentando tomar a morena do colo dele.
— Me diga em que hospital está seu obstetra. Eu a levo lá. Você busque a mala dela e nos encontramos lá — ponderou o loiro. — Aquele rapazinho é seu filho? É melhor ficar de olho nele também. — Annie se sentiu envergonhada, pois diante dessa situação havia esquecido completamente que seu filho a observava. Ela se abaixou, falou algumas palavras para a criança, que concordou e apoiou a decisão do loiro.
Peeta colocou a morena no banco de trás de seu SVU e tentou trocar algumas palavras com a jovem, ela só o informou qual era o hospital que ele deveria ir, e soltava alguns lamentos e maldições aos gritos. Ele agradeceu aos céus, pois o hospital ficava a uns 20 minutos de onde estavam e pelos gritos e as caras de dor da morena, parecia que eles não tinham muito tempo.
Peeta estacionou o carro de qualquer jeito, pegou a morena no colo e saiu correndo hospital a fora pedindo ajuda. Os enfermeiros rapidamente vieram ao seu auxílio, colocando Katniss numa maca e a levaram pelo corredor a fora.
— Senhor, por favor me acompanhe aqui. — Peeta entrou em um estado de torpor, não conseguia entender o que acontecia a sua volta. Só seguia as ordens dos enfermeiros. Quando se viu, estava todo vestido de verde, limpando o suor da testa da morena, e recebendo o aperto dela nas mãos, enquanto essa fazia força aos gritos. O mundo de ambos parou na hora que ouviram o choro forte de um bebê que acabara de chegar ao mundo.
— Garota de pulmões fortes e decidida. Parabéns papai e mamãe, é uma menina linda! — disse o médico, ao segurar a menina no colo. A enfermeira rapidamente limpou o bebê e colocou nos braços de Peeta, o bebê ao sentir o calor humano parou de chorar.
Os olhos dele se encheram de lágrimas. Como poderia um ser tão pequeno ser tão lindo? Sua boca delicada, seu nariz arrebitado, sua bochecha vermelha e seus fios pretos eram a coisa mais linda que ele já havia visto, mas quando o bebê abriu os olhos ele viu o azul turquesa que havia herdado de sua mãe e passado a sua filha. FILHA, agora ele era pai e quando se deu conta disso, seu coração falhou uma batida, seu estômago gelou e seu peito se inflamou de amor por aquela criatura tão pequena.
— Deixa eu ver a minha filha. — A voz cansada da Katniss o tirou daquela bolha de amor, ele prontamente colocou a pequena no colo da mãe.
— Oi meu amor, você é muito mais linda do que sonhei, meu anjo. Mamãe te ama muito, meu amor. — Ao dizer essas palavras o bebê sorriu, a pequena prestava tanta atenção na voz da mãe. Ao ver a cena, Peeta se sentiu abençoado. Nunca pensara em passar por emoções tão fortes assim. A enfermeira pegou o bebê do colo da mãe e disse que necessitava fazer os exames padrões ao recém-nascido, enquanto eles preparavam a mãe para ir pro quarto. Peeta foi encaminhado prontamente pro quarto da mamãe e do bebê, onde preencheu algumas fichas e tirou um pouco de sangue. Segundo a enfermeira era um procedimento padrão para a saúde da criança.
— Há uma senhora lá fora chamada Annie, que gostaria de entrar no quarto, mas ela está com uma criança pequena e a criança não pode entrar no quarto. Quer que eu lhe avise para esperar um pouco que, assim que a mamãe e o bebê chegarem no quarto, você fica com o filho dela para ela ver a amiga? — sugeriu a enfermeira, Peeta só assentiu. A enfermeira saiu pela porta e Katniss entrou numa cadeira de rodas segurando um pacotinho verde-bebê. As duas estavam coradas e pareciam brilhar. Era evidente que a mãe, assim que como ele, estava apaixonada pelo recém-nascido, pois seu olhar de ternura e amor era palpável. Mas ela se assustou quando viu a figura musculosa do loiro no quarto.
— Isso só pode ser um pesadelo — murmurou a morena. — Você não precisa estar aqui – disse ela levantando calmamente da cadeira, colocando o bebê com cuidado no berço e sentou em sua cama.
— Ela é minha filha também — afirmou o loiro olhando pra pequena que estava num sono tranquilo.
— Vamos dar o primeiro leite para ela mamãe? — Interrompeu a enfermeira e o pediatra entrando no quarto, esta não reparou no clima tenso que estava no quarto. Peeta observou atentamente todos os conselhos que a enfermeira e o pediatra davam para eles. Viu como a pequena abocanhou avidamente o seio da mãe e sorriu com ternura ao descobrir o nome que a mãe dera ao bebê. Willow, ele repetiu várias vezes em pensamento esse nome, e de repente era o nome mais bonito que ele ouviu na vida, e não desejava nunca mais ficar longe de sua filha. No mesmo instante uma idéia lhe passou em mente. Logo ao se despedir do pediatra e da enfermeira, Peeta disse a Katniss que ia chamar Annie pra conhecer a pequena. Ao sair do quarto ele respirou fundo buscando calma no fundo do seu ser, ao ir para a sala de espera viu Annie, e a mesma estava com o rosto vermelho de fúria andando de um lado para o outro na sala. Parecia a própria encarnação do demônio e o pequeno estava sentado na cadeira brincando com um celular, completamente alheio à fúria da mãe. Peeta deu mais uma respirada funda tomando coragem e foi falar com a garota.
— Annie. — Lhe chamou cautelosamente.
— O que você está fazendo ainda aqui, seu louco? — Ela realmente estava furiosa, ele constatou.
— Pelo o que fui informado, você não pode ir ao quarto da sua amiga acompanhada do pequeno, eu fico com ele enquanto você vai lá ver ela e a Willow.
— Meu filho não fica com estranho, seu cretino. — Annie se surpreendeu com o jeito do loiro, ele parecia ser muito prestativo, mas não confiava em homens.
— Hei, campeão você está com fome? — Peeta desconsiderou a teimosia da ruiva e convidou o pequeno pra comer um lanche, só nesse momento que o pequeno foi olhar para o homem que estava inclinado olhando para ele, e sorriu reconhecendo seu ídolo.
— Mamãe, mamãe olha é ele, é ele... — A ruiva não entendia. — O jogador do meu vídeo game mãe – insistiu o pequeno revirando os olhos diante a ignorância da mãe.
— Eu sou, Peeta Mellark o jogador do Los Angeles Galaxy. — Ele se apresentou formalmente pra ruiva e lhe estendeu a mão — eu não sou nenhum louco, muito bem pedófilo. Só quero ajudar você e a Katniss espera lhe ver!
Annie apertou levemente a mão de Peeta se dando por vencida, pois queria ver a amiga e assim se dirigiu ao quarto de Katniss e Peeta foi levar o pequeno Mike Cresta para a lanchonete do hospital. No caminho ligou pra Delly relatando brevemente onde estava e o que acontecera e perguntou para ela, o que ele deveria fazer de agora em diante, e seguiu à risca tudo o que a irmã lhe mandara.
— Amiga, nossa princesa se adiantou. Eu queria tanto estar com você na hora do parto, eu sinto tanto — lamentou pra amiga ao lhe dar um abraço.
— De onde surgiu aquele cara?
— Ele é o Peeta Mellark, o jogador! Ele te contou por que encasquetou que é pai da Willow?
— Não, ele deve ser completamente louco. Como vamos saber se é mesmo quem diz ser, ou se não é um cara parecido com esse jogador? Melhor ligar para a polícia.
— Sim, eu vou ligar e me informar. Vamos tirar aquele louco daqui e você vai me contar como foi o parto...
As amigas se animaram ao conversar sobre o parto e sobre a pequena Willow.
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Uma hora mais tarde ele bateu na porta do quarto, e em seguida entrou juntamente com Mike no colo, e uma loira de olhos verdes assustando as duas mulheres que estavam no quarto.
— Ué, não podia ficar mais de uma pessoa no quarto? — perguntou a ruiva.
— Há algumas vantagens em ser famoso. Prazer Delly Mellark, irmã e advogada do bonitão aqui. — A loira apontou para o irmão que ainda segurava o pequeno Mike nos braços.
— Me dê meu filho, seu louco! — disse a ruiva tomando o menino sonolento dos braços dele.
— O pequeno está cochilando — avisou Peeta, e Annie acomodou o pequeno no sofá o cobrindo com uma das mantinhas de Willow, que ela havia trazido, conforme eles tinham combinado quando Katniss entrou em trabalho de parto. Delly olhava apaixonadamente a pequena que dormia num bercinho ao lado da cama da mãe.
— Delly, acho que todos aqui merecem explicação do que aconteceu, e ninguém melhor do que você para explicar. — O irmão chamou a atenção da loira com os olhos suplicante.
— Então, nem sei por onde começo... — Annie e Katniss olhavam atentamente para Delly, e Peeta olhava admirado o sono da filha. — Eu tenho aqui comigo uma cópia do processo. Meu irmão fez uma aposta idiota com seus companheiros de time de futebol, por isso fez a doação de esperma. Só que alguns dias depois ele voltou atrás e a Foxfox disse que haviam destruído todo material doado, mas pelo visto eles não o fizeram. Dê uma olhada no processo. — Delly estendeu a cópia a Katniss e tanto ela quanto e Annie olharam atentamente as folhas.
— Não pode ser, eu pedi um moreno alto de olhos verdes. Não um loiro de olhos azuis, isso só pode ser um engano!
— Eu menti na minha descrição. Sinto muito por estarmos nessa situação... — Peeta tentou se explicar.
— Olha... senhora ou senhorita Everdeen? — perguntou Delly, curiosa para saber qual era o estado cívil da morena e o porquê ela escolheu engravidar por inseminação.
— Senhorita, mas pode me chamar de Katniss.
— Katniss, sua pequena lembra muito meu irmão quando era recém-nascido...
— Todos os recém-nascidos são iguais com cara de joelhos — ressaltou Annie.
— Sim, mas já fizemos um teste de DNA com um pedaço do cordão da bebê, o resultado sai amanhã, guardamos algumas células tronco do cordão para prevenção. Até lá, você não poderá registrar a menina, pois se ela for mesmo filha do meu irmão, vai ter o nome dele e a guarda compartilhada.
O mundo de Katniss caiu naquele momento, ela perdeu a cor e a fala por alguns instantes.
— Não, não... Minha filha, minhas regras eu tenho direito sobre ela. Eu comprei o esperma com a garantia de que o doador não saberia, e não se intrometeria na educação da minha filha. Ela é minha, e ninguém vai tirar ela de mim!
— Katniss, eu sei que você tem razão sobre os termos em que comprou o esperma mas...
— Senhorita Everden para a Doutora, e não tem mais nada que vocês queiram aqui... saiam agora!
Os Mellarks nunca viram uma mulher tão brava e alterada, devido ao estresse da nova mãe, e as ameaças e xingamentos de Annie, eles resolveram deixá-las e sair do quarto do hospital.
— Eu pedi para você falar, porque achei que teria mais tato para lidar com a situação. O que você acha que as duas estão pensando de mim? — Peeta repreendeu a irmã.
— Me desculpe, me vi em um tribunal, acho que peguei pesado com elas. Me desculpe — ambos suspiraram — Mas que menina mais linda Pee, você viu que delicinha? admirou a irmã toda boba.
— Espero poder conviver com ela e a ver crescer. Tenho medo da Katniss não deixar.
— Claro que vai, assim que sair o resultado do exame vou marcar uma audiência — a irmã deu de ombros.
— Espere um pouco Delly, vou tentar resolver do meu jeito.
Na manhã seguinte quando Peeta foi ao hospital não encontrou as duas, elas haviam recebido alta uma hora antes de sua chegada. Peeta foi informado que Katniss não havia conseguido registrar a pequena, pois o exame de DNA apontava ele como o pai e como ele havia assinado o contra-cheque e todas as despesas do parto, somente ele poderia registrar a filha e assim o fez.
Willow Everdeen Mellark.
Ele se sentiu orgulhoso ao ler a certidão rosa, e fez uma pequena prece para dar certo todas as decisões que tomara.
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— É muita falta de sorte mesmo a minha! — praguejou Katniss — depois de passar o inferno, na hora que consigo realizar meu sonho vem esse furacão chamado Mellark, devastar a minha vida. Se viu a arrogância daquela advogada? — comentou Katniss ao dar de mama para sua filha.
— Pior, é você não poder registrar a Willow sem ele — Disse Annie arrumando algumas coisas no quarto de Katniss.
— Confesso que economizei um pouco, por ele ter pago todas as minhas despesas, mas eu não esperava ter que procurá-lo para registrar minha filha.
— É amiga, você está enrolada. Eu queria ficar mais um tempo aqui, mas preciso trabalhar e ir na reunião da escolinha do Mike. Ah amiga, você viu que alugaram o apartamento da frente? Eu espero que eles não façam muito barulho e não acorde a minha afilhada.
Annie se despediu da amiga e seguiu seu rumo. Katniss ficou atarefada tentando organizar a sua nova rotina. Definiu horários para amamentação, troca de fraldas, banhos, sonecas tentava de uma forma, ou de outra manter a organização, e se adaptar a nova moradora da casa. Ouviu alguns barulhos de mudanças, mas não fez questão de ir conhecer seus novo vizinho. Tinha que aproveitar todo o tempo possível em que sua filha dormia para organizar sua casa e seus trabalhos na editora.
Quando o relógio bateu 18h Willow acordou em seus plenos pulmões. Katniss tentou de tudo, amamentou, deu um banho, tentou pôr pra dormir, mas nada fazia a pequena parar de chorar. Katniss já não sabia o que se fazer, e se juntou a filha com as lágrimas. Foi nessa hora que a campainha tocou.
— Minha florzinha os vizinho vão reclamar! — Tentou consolar a filha mais sem sucesso, a campainha tornou a tocar, e Katniss prontamente foi atender, se deparando com dois loiros em sua porta. Um já lhe era conhecido, o outro loiro alto, dos olhos verdes e charmoso, era uma novidade.
— Oie Katniss, esse é meu irmão Finnick. Finn essa é a Katniss, mãe da minha filha Willow. — Peeta fez as apresentações e prontamente entrou dentro do apartamento da morena, sem ser convidado.
— Como você entrou nesse prédio? — Katniss perguntou embalando a pequena.
— Agora sou seu novo vizinho — respondeu pegando cuidadosamente a pequena de seu colo.
— Olha Finn, que lindinha a minha princesa. Não há bebê mais bonito do que ela — disse ele suavemente mostrando a pequena para o irmão. No momento em que ele a pegou no colo a pequena já parou o berreiro, e ao conversar com o pai e conhecer o tio, Willow já esboçou um pequeno e singelo sorriso.
"Traidora" Katniss pensou.
— Eu fiz de tudo um pouco para ela parar de chorar — lamentou.
— É o mel que o papai tem, né meu amor? – esclareceu Peeta suavemente enquanto balançava a pequena e Finnick acariciava suavemente sua bochecha gorducha.
— Você ainda não me disse o que veio fazer aqui — ralhou ela, lhe direcionando um olhar frio.
— Eu registrei Willow hoje, a certidão dela está no meu bolso de trás, pode pegar aqui.
Katniss meio desconfiada foi ao lado do loiro e puxou delicadamente a certidão rosa de seu bolso. Tentou ignorar o perfume importado misturado com seu cheiro natural de homem e se concentrou no nome que estava escrito na certidão.
"Willow Everdeen Mellark" sua bebê tão desejada e querida, agora tinha um pai. "Peeta Ryan Mellark", avós paternos, tios e tias que ela nunca tinha visto e ela ia ter que dividir sua pequena, e essa idéia lhe abriu um buraco no estômago.
— Eu vou contratar um advogado para verificar o que posso fazer nessa situação e se você poderá visitar minha filha e se puder quais são os dias e a hora.
— Katniss, o exame de DNA já saiu, Willow é minha filha. Eu quero ser presente na vida dela. Quero lhe dar amor e carinho, assim como recebi de meus pais. Quero dar tudo o que há de melhor pra ela e ajudar a lhe dar a melhor educação. Mas quero fazer isso junto com você, sem tirar a sua autoridade como mãe e sem discordar com você.
Aquelas palavras abriram alguns buracos no muro que Katniss tentava subir, pois seu sonho sempre foi formar uma família, onde pai e mãe criavam filhos com amor e dedicação.
— Eu não sei, não o conheço. Não confio em você. — A morena era taxativa, Peeta bufou.
— Eu sei que deve ser muito difícil pra você. Passou a gravidez toda sozinha. Você comprou um sêmen, tinha garantias que não saberia quem seria o doador e teria o bebê só para você. aí do nada aparece o doador na sua porta. Eu sei que é assustador. Mas olhe o meu lado, uma aposta infantil, que para mim já havia sido solucionada. Eu não esperava ser pai assim dessa maneira, eu queria que as coisas fossem de maneira tradicional… — ele parecia ler mentes.
— Então vá embora, esqueça que conheceu a Willow. Ela não vai se lembrar. Eu lhe garanto que posso dar uma boa vida — ela se aproximou dele tentando pegar a menina de seu colo.
— Não é assim, ela é parte de mim, eu me apaixonei por ela desde do momento que a vi nascendo. Meu coração já é dela, e eu não posso viver em paz sabendo que tenho uma filha que não me conhece. E outra, seria justo com Willow crescer sem o amor e o carinho do pai? Seria justo pra ela ser ignorada pelo seu progenitor, pelos seus familiares? Te garanto que tanto eu, como meus familiares já amamos muito, nossa pequena e queremos fazer de tudo por ela e por você. Pois você nos deu o melhor presente do mundo Katniss, e eu não sei como lhe agradecer.
Foi nesse momento que o muro dela desabou, as lágrimas encheram os seus olhos e ela se deu por vencida. Afinal, ele parecia ser uma boa pessoa e estava certo sobre o futuro da filha, não era justo negar a ela um pai, não nessas circunstâncias. Mas disfarçou e não deu o braço completamente a torcer.
— Eu não lhe conheço e não confio em você. Vamos aos poucos ver o que podemos fazer, e depois o juiz vai dizer o que é melhor — concluiu achando que essa era o mais sábio a se fazer.
E assim passaram a tarde, Katniss teve uma conversa interessante com Finnick depois de saber que ele era ginecologista e obstetra. Reparou como Peeta tinha jeito em cuidar de um recém-nascido. Ele tinha mãos suaves e era cuidadoso com a pequena, ela ficava calma em seu colo e não chorava. Às 20h30 Finnick se despediu dos novos pais e pediu para Katniss deixar ele visitar a sobrinha sempre. Ele era tão simpático, e irresistível que ela não conseguiu negar o pedido. Sutilmente Katniss pediu para o loiro ir embora junto com o irmão, pois em breve ia dar de mama para a pequena. Peeta foi embora junto com o irmão, mas meia hora depois voltou com os cabelos molhados pelo recente banho.
— O que você está fazendo? — perguntou a morena ao ver o loiro indo direto para a sua cozinha com inúmeras sacolas.
— Você precisa manter uma alimentação saudável! — afirmou colocando diferentes frutas na fruteira e legumes em cima da mesa da cozinha. — Precisa comer bastante alimentos que contenham ferro para melhorar a produção de leite, além de ter que beber bastante água. Também trouxe queijo e iogurtes. Lembre-se sempre em tomar bastantes líquidos, e comer bastante saladas e cuidado com o açúcar e chocolate pra princesa não ficar com cólicas. Te trouxe chocolate meio amargo, 80% cacau, e amargo pois a quantidade de açucar é menor. Acredito que o choro de hoje à tarde foi por causa das cólicas, reparou como ela parou quando a segurei colocando sua barriguinha no meu peito? Ela tem os olhos curiosos...
Ele conversava e cuidava da alimentação das duas como se fossem velhos conhecidos, "de onde saiu esse homem?" Katniss se perguntou mentalmente.
— Eu vou dar mama pra ela, você parece que está em casa… Então sinta-se a vontade — Ela saiu da cozinha, meio abalada com as atenções do loiro, nunca ninguém havia se importado com a sua alimentação.
Seu pai nunca se importava com isso e sua mãe lhe influenciava a fazer dietas loucas para ter um corpo perfeito. Katniss queria ser diferente do seus pais e ensinar a filha a se alimentar de maneira saudável e viu que o loiro era regrado e entendia sobre alimentação. Ele é atleta, certo?
Katniss pegou a filha no colo, sentou-se na poltrona de amamentação e pôs o bico do seu seio nos lábios da pequena que começou a sugar avidamente. Ela se perdeu nesse momento. Era uma sensação tão boa poder alimentar sua filha, uma conexão tão incrível.
— É mágico não é? — Peeta entrou no quarto da pequena, assustando Katniss e estendeu um copo de suco de morango. — É bom ingerir bastantes líquidos, e morango além de ser rico em vitaminas faz bem pros dentes. — O loiro se sentou no chão olhando atentamente pra pequena que até suava diante do esforço que fazia pra mamar. Peeta tinha tanta ternura no olhar, paixão, devoção era exatamente esse olhar que ela sonhava ver em Gale quando ambos faziam planos de engravidar.
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— Annie, ele veio aqui em toda troca, banho e hora de mamar. Eu não sei o que eu faço, ele até me trouxe chocolate amargo, para não dar cólica na Willow — desabafou Katniss ao telefone.
— Eu li algumas coisas sobre ele na internet. Peeta Mellark artilheiro do último campeonato, jogador dos Los Angeles Galaxy, modelo da Fila, tem umas fotos dele de cueca que são bem interessantes...
— Annie foco! — advertiu Katniss.
— No Wikipédia diz que ele é um cara reservado e família. Ele não tem antecedentes criminais, nem envolvimento com escândalos. Namorou uma modelo não muito famosa há alguns meses atrás uma loira Glimmer, conhece?
— Nunca gostei de moda.
— Sua mãe deve saber quem é... bem, nas fotos de eventos do time ele sempre aparece com aquela loira advogada que é irmã dele e outra que nossa...
— Nossa o que? Fala aí. — Katniss ficou nervosa.
— Entra aí na internet e olha a foto da mãe dele.
Katniss prontamente atendeu o pedido da amiga ao ver as fotos...
— Merda! — murmurou Katniss dando um longo suspiro.
— Willow é a cara da avó paterna, só os cabelos que são seus amiga, ainda bem que a genética é boa amiga, já pensou se eles fossem feios? — Annie soltou uma gargalhada diante ao silêncio da amiga continuou. — Você já apostou na loteria alguma vez? Por que você é uma mulher de sorte — concluiu a ruiva.
— Você chama isso de sorte? Fui abandonada no altar por meu namorado cujo me relacionei por sete anos. Comprei um esperma pra não ter que dividir minha filha com ninguém e o que descubro? Minha filha tem uma família enorme e o seu pai vive na minha porta – enumerou exasperada.
— Katniss, o pai da Willow tenta ser presente e cara, ele é um famoso jogador de futebol. Sabe quantas Marias chuteiras desejam estar no seu lugar?
— Não quero discutir isso agora, mesmo por que ele acabou de chegar e Willow acabou de acordar, parece que ele entende a minha filha melhor do que eu. Depois conversamos. Beijos amiga.
Assim se passou os primeiros dias de Willow, a adaptação dos pais a criança. Peeta sempre se fazia presente ajudava no banho e nas trocas, fazia comidas pra mãe lactante, observava apaixonadamente a amamentação. Até em uma tarde ele não aparecer, Katniss estranhou um pouco a ausência do loiro, mas continuou com seus afazeres, juntamente com sua amiga e seu afilhado. Por volta das 20h Katniss ouviu a batida na sua porta.
— Hei, você demorou. — Katniss notou as sacolas nas mãos dele.
— Eu fui no shopping encontrar a Delly e vi um vestido lindo e entrei na loja, não resisti, olha que lindo...
Peeta mostrou uma infinidade de vestidos, conjuntinhos, sapatinhos e alguns acessórios femininos todos nas cores vermelho, rosa, verde e até um vestidinho laranja. Todas as peças bem femininas e delicadas, diferentes do enxoval que Katniss havia comprado na gestação, onde só havia peças de cores neutras, pois ela não sabia qual era o sexo do bebê. A morena se derreteu toda, diante de tantas peças delicadas e bonitas.
— São lindas, eu ainda não tive tempo de ir comprar algumas femininas para a Wi, obrigada — confessou e logo agradeceu.
— Olha, até que você tem um bom gosto, pensei que só entendia de futebol e não de laços, fitas, frufrus e etc... — relatou Annie admirando as compras do loiro, Peeta revirou os olhos disfarçadamente, aquela ruiva gostava de implicar com ele.
— Desculpe a intromissão, mas você nunca me disse nada sobre a sua família, eles são vivos?
— São, por que? — Katniss ficava um pouco ressabiada em falar sobre a família.
— Vocês vão passar as festas de final de ano juntos?
— Acredito que não. Eles moram em Nova York e são muito ocupados, Willow é muito pequena para viajar de avião, vamos ficar aqui e passar as festas com Annie e Mike.
— Eu sei que é muito cedo pra isso, mas se você quiser posso levar vocês para passar as festas com a minha família. Eles moram no interior do estado em uma fazenda, tem lugar para vocês, pra Annie e Mike se eles quiserem ir. Ou se você não quiser, eu fico aqui com vocês, faço um jantar especial para nós, o que acha? — sugeriu o loiro encarando as duas mulheres em sua frente.
— Na fazenda dos pôneis tio Peeta? — perguntou Mike que parecia alheio a conversa dos adultos.
— Que pôneis meu amor? — Annie perguntou ao filho.
— O tio Peeta me falou que os pais dele têm pôneis na fazenda deles e que um dia ia me levar lá. Posso ir mamãe?
— Nós vamos pensar jogador! — disse Annie, sua frase serviu tanto para seu filho como para o loiro.
Parte 2
Os Mellarks
Katniss se viu dentro do SVU ouvindo músicas infantis sendo cantaroladas por Annie e seu filho, Willow olhava atentamente a ruiva e fazia uns murmúrios como se também quisesse cantar. Peeta ajudava cantando uma ou outra parte da música, e ela se perguntava como foi que sua vida chegou nesse ponto. Em suas viagens em família ela nunca pôde cantar musiquinhas infantis, eram sempre viagens silenciosas e monótonas, onde seu pai passava a maior parte do tempo no telefone e sua mãe analisava seus cabelos e unhas.
— Kat? — Peeta tocou levemente em sua coxa e ela se assustou, pois estava em outra dimensão se lembrando da infância, aquele simples toque fez chamas subirem pelo seu corpo e pararem em suas bochechas.
— Desculpa me distraí.
— É adorável a forma que suas bochechas ficam vermelhas. — Ele lhe lançou um sorriso torto e a encarou profundamente com seus olhos azuis.
— O que você dizia?
— Eu quero que você me perdoe e não repare, pois, minha família é um pouco exagerada. Eu conversei com eles sobre sua timidez. Eles me prometeram que iam maneirar, mas não quero que você se assuste.
— O que você acha que nos espera quando chegarmos?
— Balões, gritos, perguntas, presentes e perguntas... abraços e mais perguntas...
— Está bem, obrigado por me avisar.
E foi deste modo como ele descreveu, assim que o carro parou na frente da fazenda as mulheres do carro se assustaram com o tamanho do cartaz de boas vindas na fachada da casa. Saiu uma infinidade de pessoas porta a fora e vieram receber Katniss e Annie com beijos e abraços. Muitos tinham balões cor de rosa desejando um gracioso “bem-vinda” a Willow, e quando Katniss percebeu estava sendo abraçada e beijada por uma idosa que estava aos prantos. Era tantas pessoas falando junto que ficava difícil focar em uma pessoa só.
— Peeta que linda sua mulher... olha que mulher linda Effie e enfim tenho uma bisneta com a sua cara minha filha — dizia a senhora agarrando Katniss. — Quando vai ser o casamento? Quero que use meu vestido de noiva.
— Mamãe deixe Katniss respirar e entrar. Venha querida vamos nos conhecer do jeito certo. — Effie muito educada e calma levou Katniss e os convidados para dentro da enorme sala da casa. Katniss procurava com os olhos onde estava sua filha e a viu no colo de Peeta distribuindo sorrisos para um monte de loiros bonitos.
— Sou Effie, a mãe de Peeta e queria lhe agradecer pelo presente que você nos deu querida.
Katniss não sabia o que dizer, Effie lhe deu um abraço tão caloroso e cheio de amor que a morena ficou sem palavras e abalada, pois nunca havia recebido um abraço tão caloroso assim de sua mãe. Effie tinha um rio de lágrimas quando pegou a neta no colo e viu os olhos curiosos da pequena que era cópia dos dela, e Katniss notou naquelas pessoas — que até então não sabia identificar como sua filha, embora pequena — era amada e tinha uma família grande.
— Vocês fizeram um bebê lindo Docinho. Ainda bem que você é muito bonita senão eu iria perder um dinheirão pros meus moleques.
— Kat esse é meu pai, Haymitch. — Peeta os apresentou e Katniss viu a maior parte dos garotos tirar US$ 5 dólares da carteira e dar ao senhor.
— Fizemos um bolão lindinha. A maioria achava que a compradora do material do bonitão era velha, lésbica ou feia. A sorte está ao meu favor.
— Esses homens... – Effie balançou a cabeça. — Venha querida, minha neta precisa comer e você descansar, vou te levar ao quarto. A matriarca Mellark a levou para o andar de cima no quarto que pertencia ao pai de sua filha. Katniss foi surpreendida com um bercinho e uma cadeira de amamentação do lado da enorme cama de casal.
— Esse quarto é do Peeta, quando ele nos confirmou que você viria, mandei reformar o bercinho dele e ele trouxe essa cadeira, disse que queria o máximo de conforto a você e a Willow. Sabe, eu amo todos meus filhos, mas Peeta é tão sensível por de trás dessa casca do esportista que ele tem. Ele vai ser muito bom pra você e pra Willow.
— Ele já é um bom pai. E por isso eu não... É que... — Katniss não sabia se era certo conversar sobre seus sentimentos com Effie, mas ela lhe dava tanta segurança e calma.
— Você pode confiar em mim querida, nós temos um laço que nunca será desfeito. Você é a mãe da minha neta e eu já lhe amo por isso. — Katniss se sentiu segura para abrir seu coração.
— Quando comprei o esperma eu queria ter um bebê pra cuidar. Uma companhia pra nunca mais me sentir sozinha e acho que fui muito egoísta em não pensar em dar um pai pra minha filha, mas estava tudo bem, aí aparece o Peeta e está cuidando dela e de mim... e agora a família toda com faixa e balões como se fossemos importantes para vocês. Eu não quero dividir a minha filha, porque tenho medo que tomem ela de mim. — grossas lágrimas corriam pelo rosto da morena.
— Eu sei querida, muita informação de uma vez só. Você está assustada. Não queremos tomar a Willow de você. Queremos somar na vida dela, ser a vó, o vô, o pai, os familiares e nunca ser a mãe, queremos ser parte da vida de vocês e não só da vida dela. Peço desculpas por toda essa loucura, as vezes os Mellark assustam.
Nessa hora Delly se juntou a mãe, Katniss pôde observar como as duas eram parecidos.
— Katniss, eu lhe devo desculpas pela maneira que lhe tratei no hospital, me empolguei. Levo meu trabalho muito à sério. E eu fiquei tão feliz por saber que tenho uma sobrinha, e fui falando sem pensar. Meu irmão brigou comigo depois, e ele tem razão, eu não tinha o direito de falar daquele jeito. — Delly tinha lágrimas nos olhos e estava realmente arrependida. Katniss concordou com um aceno e Delly lhe deu um abraço.
— Bem, vou terminar o jantar e trazer algo pra você comer enquanto amamenta. Com licença. — Effie deixou a filha e Katniss conversando, e foi cuidar de seus afazeres.
— Eu nem me lembro mais o que aconteceu Delly, não precisa se desculpar — falou Katniss.
— Willow é muito linda, e amada. Você é muito corajosa em tomar essa decisão e seguir adiante. Ter uma filha sozinha não deve ser fácil.
— No começo não foi, mas não tenho nenhum arrependimento. Faria tudo de novo se fosse necessário, Willow é calma e doce.
— Ela deve ter puxado esse lado de você. Peeta sempre foi muito agitado e chorão, mas muito amoroso e cuidadoso. Espero que ela não puxe as travessuras que Peeta fazia, senão você vai ter cabelos brancos antes dos quarenta.
Ambas riram e começaram a compartilhar histórias de infância. Até Delly ser solicitada, pois iria ajudar na sobremesa do jantar.
Katniss não queria admitir, mas sempre sonhava em ter uma família assim, alegre e divertida, e agora sua filha poderia desfrutar de uma família grande e amorosa, de um pai que sempre a pegava no colo e falava palavras amorosas, isso era muito mais do que Katniss queria.
— Amiga? — Annie a chamou entrando no quarto.
— Onde está o Mike?
— Peeta e os gostosos irmãos dele o levaram para ver os pôneis. Eu nunca vi tanta gente bonita por metro quadrado. Toda vez que vir aqui, você vai me trazer também, promete? — pediu a amiga se jogando na cama
— Annie, estou assustada!
— Assustada estou eu, com a sua sorte! Até a velha vovó Mags é legal. E aquele médico Finnick é um deus grego — disse Annie se abanando.
— Você gostou daqui, não é?
— Katniss, eu sei que você tem medo, mas olhe através dele. Sua filha está tendo uma oportunidade para poucos. Peeta é bom pai, só pelo fato dele procurar saber quem é você e reconhecer a paternidade, e trazer vocês para conhecer toda a familia mostra que ele ama muito a filha. E, amiga criar um filho sozinha não é fácil. Mike todo ano faz um presente pra dar pra um pai que não tem, e isso machuca profundamente meu coração. — Annie tinha lágrimas nos olhos. — Queria que o traste do pai do Mike tivesse um terço do carinho que Peeta tem com a Willow. — Katniss segurou a mão da amiga tentando lhe passar algum conforto.
— Garotas?
Finnick e Peeta entraram no quarto interrompendo a conversa. Peeta carregava uma bandeija com suco, pães de queijo e cookies para a mãe lactante.
— Annie deixa os pais aí balançar sua filha e vamos jogar Xbox comigo pois estou sem dupla no campeonato de dança. — Finnick convidou e Annie saiu saltitante com o convite do médico, dando uma piscadela pra amiga, ela já havia secado disfarçadamente as lágrimas.
— Está com fome? — perguntou o loiro colocando a bandeija na cabeceira da cama.
— Amamentar me dá sede. — Ele estendeu o copo com o suco para ela que agradeceu bebendo todo o conteúdo.
— Me desculpe! — pediu o loiro.
— Pelo quê?
— Minha família te assustou.
— Só um pouco, mas eu gostei deles, me senti querida.
— Você é querida, é a mãe da maior preciosidade da minha vida.
Ambos olhavam pra pequena que mamava avidamente.
— Ela tem os olhos seus e da sua mãe.
— As expressões também, mas o nariz e a boca dela são seus. — Peeta sentou na cama ao lado de Katniss.
— É justo, eu a carreguei por quase nove meses, tive a dor do parto. Ela tinha que parecer comigo mesmo. — Peeta deu uma gargalhada e ela o acompanhou. Ele ficou olhando Katniss com seus olhos profundamente azuis.
— Seu sorriso é incrível. Deveria sorrir mais vezes. — Katniss não lhe disse nada, mas encarou o olhar. — Acredito que terei trabalho espantando os marmanjos, se Willow herdar a beleza desse seu sorriso. — As faces deles estavam tão perto que Katniss sentiu o hálito de menta do loiro, essa aproximação lhe trouxe as borboletas no estômago, a batida frenética do coração, o arrepio na espinha, a boca seca e as mãos suadas. Willow resmungou mostrando que já estava satisfeita e sonolenta, Katniss não soube o que dizer estava tão envergonhada.
— Coloco ela pra arrotar e dormir, você quer tomar um banho, ou comer antes de descer? — perguntou o loiro.
— Eu fico com o banho, depois janto com a família toda.
— Dentro do armário tem toalhas. Fique à vontade, meu quarto é seu quarto. — Ele lhe lançou mais um de seus sorrisos torto enquanto suavemente fazia Willow arrotar.
— Obrigada. — Ela lhe agradeceu envergonhada, os dois já compartilhavam uma intimidade familiar que ela não sabia explicar como e quando aconteceu, só sabia que gostava de poder ter alguém tão próximo para poder compartilhar esse aprendizado de cuidar da filha.
Assim que ela saiu do banho deixaram Willow dormindo no barcinho que pertenceu a Peeta do lado de uma babá eletrônica, mas em todo momento uns dos avós, ou os tios iam olhar a pequena.
O Jantar foi alegre, Effie fez de tudo para Katniss se sentir à vontade no meio dos Mellark e Annie parecia que era da família. Ela e Finnick trocavam olhares e gracejos em todo momento. Mike estava feliz pois, tinha crianças para brincar com ele. Willow acordou um pouco depois do jantar, após tomar um banho e ser trocada ela ficou junto com seus familiares recebendo mimos e presentes. Quando começou a dar sinais de cansaço, Katniss subiu ao quarto para alimentar a filha novamente e a por para dormir. Peeta já havia subido afim de tomar um banho, chegando no quarto a morena encontrou o loiro só de cueca e com os cabelos molhados.
— Ui, desculpa... volto depois.
— Não, eu já estou terminando, não precisa sair. — Ele rapidamente pôs a calça de um pijama e uma camiseta, Katniss sentada na cama amamentando a filha não conseguia deixar de admirar o físico atlético do loiro, como Annie disse era bem interessante o observar de cuecas, pois suas coxas e seu traseiro era formidável. Assim que terminou de se arrumar ele também se sentou na cama pra olhar a filha.
— Eu não me canso de olhá-la, acho que nunca vi nada tão lindo — comentou o loiro fissurado na filha.
— É, realmente é mágico e lindo amamentar. É engraçado como a cabeça muda depois da maternidade. Antigamente eu tinha tanto receios e medos. Demorou mais de dois anos pra meu namorado ver meu seio e você no mesmo dia que o conheci já me viu praticamente nua. — Ela deu um riso sem humor. — Eu era tão medrosa e agora me sinto capaz de qualquer coisa pra ver minha filha bem!
— Você já é uma mãe incrível Katniss. me desculpa por ficar tão em cima de você, é que, não consigo ficar longe dela, mas você nunca me disse por que comprou um esperma. Você é tão bonita, doce, simpática poderia estar casada com um cara que lhe desse um filho.
— Eu fiquei num relacionamento durante sete anos. Eu morreria por ele, pois o amava de verdade. Mas ele era infértil, por isso entrei em contato com a Foxfox. Nós buscamos um doador com as mesmas características dele. E estava tudo certo pra casarmos e fazermos a fertilização, mas ele me abandonou no dia do casamento e eu dei seguimento aos meus planos.
— Ele deve ser muito idiota por te deixar. Ele perdeu uma mulher incrível.
— Não tenho essa certeza, se ele me abandonou devo ter feito algo errado, pelo menos foi isso que meus pais falaram.
— Duvido muito que tenha feito. Você ainda tem contato com seus pais?
— Difícil, mas... eu não quero. Meu pai e meu ex são sócios, minha mãe é uma socialite, eles são muito conservadores e não apoiaram minha decisão de ter Willow. Acham que eu deveria perdoar a humilhação que Gale me fez passar e me sujeitar a vida que ele queria pra mim.
— Então você não vai apresentar Willow para eles?
— Um dia ela vai conhece-los, e eu não quero pensar nisso agora. Estou feliz pois Willow vai ter amor de avós e de tios e tias, espero que ela não sinta falta deles.
— Eu vou me esforçar para não faltar nada pra ela e nem pra você, eu te prometo.
Katniss lhe deu um sorriso fraco, Peeta era um homem tão incrível. Annie estava certa, Katniss teve sorte por ter comprado um esperma dele.
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Katniss acordou naquela manhã com o som de seu celular tocando insistentemente, viu a sua pequena dormindo tranquilamente no meio da cama e Peeta ao lado dela. Eles haviam compartilhado uma cama e tinham uma filha juntos, mas nunca haviam tido um relacionamento. Katniss riu da ironia do seu destino virou de lado e pegou seu celular verificando as várias chamadas perdidas e uma mensagem da sua irmã.
De Primrose: Que surpresinha cabeluda essa a sua, obrigada por agitar as nossas festas de fim de ano. Papai até fretou um jatinho para irmos te ver. Já, já estaremos aí em LA. Mamãe, papai, eu e Gale.
Katniss levantou num pulo e foi ao banheiro afim de ligar pra sua irmã. No terceiro toque Prim atendeu.
— Hei, Bela Adormecida já era em tempo. — Prim tinha um sarcasmo que irritava sua irmã.
— Bom dia pra você também, Prim.
— Mamãe está tão chateada com você, acabamos de sair do seu ap. e não lhe encontramos!
— Aonde vocês estão? — perguntou Katniss que já suava frio com o fato de ter que encontrar seus pais, ela ainda não se sentia pronta para esse confronto.
— Vamos pra um hotel aqui em LA, papai e mamãe querem conhecer a neta.
— Como vocês ficaram sabendo?
— Além de você ser matéria de capa dos jornais e sites de fofoca, por ter engravidado de um jogador de futebol. Papai colocou um detetive para saber os detalhes escabrosos.
— Ai meu Deus! Que jornal, que sites? Prim mais tarde te ligo a Will acabou de acordar.
Katniss ouviu o choro fraco da sua filha no quarto e sentiu seus seios pesados de leite, sabia que estava na hora de alimentar sua pequena. Peeta tentava consolar a pequena com palavras carinhosas, quando Katniss entrou no quarto.
— Hei, Princesa olha a mamãe aqui, ela vai dar o seu lentinho, pra você crescer e ficar bonita que nem ela. — Assim ele passou a pequena para os braços da mãe. — Bom dia Kat, espero que tenha dormido bem. — Ele lhe deu um beijo na testa. — Vou buscar seu café e preparar um banho pra Will. Ele se virou afim de sair do quarto, e Katniss o chamou.
— Você sabe alguma coisa sobre matérias na internet sobre nós? — perguntou Katniss.
— Não vi nada, quem faz essa parte de Marketing é meu irmão Cato, vou perguntar pra ele sobre algo, ou se você quiser tem um notebook na última gaveta do criado mudo. Pode utiliza-lo.
Katniss não perdeu tempo, enquanto sua filha mamava ela entrava nos sites de fofoca. Viu várias fotos de Peeta na loja de roupas de infantis, comprando um bebê-conforto, juntamente com Delly, e depois andando com elas numa das paradas da viagem. Havia fotos deles bem sugestivas como a matéria, pareciam uma família de verdade. Os paparazzi até clicaram um beijo que ele dava na pequena que estava nos braços dela, ele segurava sua a cintura e ambos estavam com sorrisos largos.
"O nosso bonitão realmente foi enlaçado, e os pombinhos não perderam tempo! Desejamos muita saúde e felicidades pra mais nova Mellark".
— Cato me disse que não havia visto nada demais.
— O nada de mais do Cato tirou meus pais e meu ex de Nova York e os trouxe pra cá, eu não queria ir embora, mas acho que terei que encontrá-los.
— Por que não combinam deles virem pra cá? Acho que Finnick, Cato e Marvel não vão se incomodar em dividir quartos e assim teremos três quartos livres pra eles?
— Não sei se é uma boa ideia.
— Vamos Kat, tudo pela nossa pequena. Assim eu e meus pais podemos conhecer os seus.
— Meus pais são difíceis Peeta.
— Por isso mesmo, e outra eu também sou responsável por Willow, e não quero ela perto do seu ex. Na verdade, nem ela nem você.
— Gale faz parte do pacote da minha família Peeta.
— E eu? Você é a minha família agora, sou pai da sua filha e estarei ao seu lado pro que der e vier, vamos convida-los pra cá.
Antes de fazer a ligação para os pais, Katniss pediu a opinião da amiga.
— Katniss você fica muito vulnerável ao lado deles. É melhor você enfrentá-los juntamente com o Peeta, senão vai falar "amém" pra tudo o que eles lhe impõe.
— Não Annie, eu mudei. Faço tudo pela minha filha.
— Não duvido, mas também não ponho a minha mão no fogo por você. Só veio pra Califórnia, porque o Gale e seu pai estavam viajando e você fugiu da sua mãe. Vai ser bom ter apoio da família Mellark, pelo o pouco que vimos, eles te dão opções de escolha. E Peeta vai te defender com unhas, dentes, coxas, pernas, bíceps, advogados e etc. — Annie deu um suspiro sonhador.
— Annie acorde — Katniss lhe deu um cutucão — Então vou ligar pra eles virem pra cá?
— Melhor convide eles para jantar em algum restaurante por aqui por perto, leve o Peeta junto e veja o que eles querem. Eu fico aqui de olho na Willow eu e a Effie cuidamos dela. Aí você e o Peeta podem decidir se querem, ou não que eles conheçam a pequena.
— É uma ótima ideia, mas não sei se deixo Willow aqui.
— Você vai deixar leite, pode ficar tranquila eu vou cuidar dela e para Effie é Deus no céu e Willow na terra. Nada de ruim vai acontecer com a sua filha. Pode começar a se ordenhar ai e vai tudo dar certo!
E assim ficou decidido, Katniss combinou de se encontrar com os pais e Gale num restaurante a 50km da fazenda da família Mellark, e seguiu juntamente com Peeta com um frio na barriga. Não sabia o que lhe esperava, mas o loiro tentava lhe dar força e em todo momento lembrava que estava com ela. E ao entrar no restaurante quando Peeta segurou a sua mão ela lhe agradeceu o apoio e só soltou a mão dele quando o apresentou para seus pais.
— Oh minha filha, como seu rosto está gordo e com rugas, e está com barriga, cheia de culotes. Não tem malhado? Seu cabelo está sem corte e cadê a maquiagem? — perguntou a Sra. Everdeen medindo o corpo da filha.
— Mãe, faz um mês que dei à luz.
— Sua filha está fantástica assim, acho incrível como muda o corpo de uma mulher que acabou de gerar uma vida. A propósito, sua neta tem os traços delicados de Katniss e tenho que agradecer a senhora, pois vejo que a beleza da minha filha é herança de família — disse o loiro todo galante e com orgulho da filha.
— Eu sou muito nova para ter netos, por favor, não vamos falar disso agora! — A senhora Everdeen evitava olhar para o loiro, agia como se ele não estivesse presente e a vaidade da mãe enojava Katniss. como ela podia dizer palavras tão rudes assim?
— Então, você é o tal jogador de futebol do Galaxy? — Gale media Peeta com um olhar de desprezo e ironia.
— Sim, eu mesmo. — Peeta tinha um semblante tranquilo e confiante.
— Fiquei sabendo que você se machucou na última temporada. Se não melhorar como vai sustentar a criança e as baladas que vocês jogadores vivem?
— Creio que isso não seja da sua conta!
— Vamos Mellark, você não joga mais, vai sustentar uma criança como?
— Eu tenho meios de vida honestos que podem sustentar quantas crianças eu quiser.
— Ótimo, fique com essa criança agora, e crie ela na roça que você vem e nos deixe colocar a vida da minha filha de volta nos trilhos corretos. — o pai de Katniss dizia com a voz carregada de autoridade.
— O que o senhor, meu pai disse, sobre a minha filha? — Katniss tentava ser o mais suave e educada possível.
— Olhe pra você Katniss, e olhe para esse cara, não lhe eduquei para ficar andando pra cima e pra baixo como se fosse uma Maria chuteira. Você estudou nos melhores colégios para ser uma lady, seu futuro já está decidido. A criança ficará com o pai e nós vamos voltar para NY e você será a Sra. Hawthorne como tinha que ser desde o início. E se, você quiser ter um filho daqui cinco ou seis anos, Gale vai cuidar disso pessoalmente pra não acontecer esse caos, pois nem para comprar um esperma você serve!
— Eu não posso abandonar a minha filha. — Katniss murmurou com lágrimas escorrendo pelos olhos.
— Vamos embora Katniss — disse Gale se levantando e puxando a morena pelos braços, Peeta prontamente se levantou junto e se pôs na frente dela.
— A Kat vai mesmo embora, mas vai comigo cuidar da nossa filha.
— Rapaz, não se intrometa num assunto de família. — O Sr. Everdeen era bem ameaçador.
— Família? — Peeta riu com escárnio. — A última coisa que vocês representam é uma família. Família ama, cuida e apoia. Não obriga e oprime, a natureza está fazendo Katniss ser uma mãe maravilhosa, e minha filha precisa dela como ela precisa da minha filha. E nem você, e nem ninguém vai desfazer a minha família. — Peeta estava vermelho de fúria, estava tão ameaçador que dava medo em quem passasse.
— Sua Família? Duvido que a madre Tereza e você tenham alguma coisa. Katniss é morna numa relação sexual e você deve viver em puteiros. Não vai demorar muito pra enjoar dela e a trocar por alguma vadia qualquer. A melhor coisa é a Katniss não se iludir com você. — O soco que Gale tomou lhe quebrou o nariz. Peeta falou com os dentes cerrados e com ódio no olhar.
— Eu não sou você e nunca fui homem disso, e se você desrespeitar novamente a mãe da minha filha lhe quebro todos os dentes. — Ele olhou novamente para os pais da Katniss e disse: — Vocês não sabem o valor e a coragem que a filha de vocês tem. E eu vou fazer o maior esforço possível para que nunca minha Kat e minha filha precise de nenhum de vocês. Que nunca lhes falte amor, carinho e atenção. E se, a Kat quiser entrar em contato com vocês vou estar aqui para apoia-la, pois eu sei o verdadeiro significado da palavra "família". Vamos Kat — Ele colocou as mãos na cintura dela e a conduziu para fora do restaurante. Assim que Katniss entrou no carro desabou em lágrimas, Peeta prontamente lhe abraçou sussurrando palavras de conforto.
— Se você quiser, nós nunca mais vamos ver esses três, e Willow não precisará deles.
— Eles odeiam a nossa filha, acho que nunca me amaram. — Katniss dizia entre lágrimas. — Eu só fui um capricho deles. Uma pessoa para eles mandarem e desmandarem.
— Mas agora você é amada, não precisa deles. Tem a mim, e não vou lhe abandonar por nada desse mundo Kat! — Peeta lhe deu um beijo na testa, segurou o rosto de Katniss com as mãos e secou as suas lágrimas com beijos. — Eu não quero me aproveitar de você nesse momento, mas se não fizer isso sinto que meu coração vai parar de bater — Katniss entendeu o que ele quis dizer e ela mesma se ergueu afim de colar seus lábios no dele.
A firmeza e a segurança do beijo aqueciam seu coração ferido. Era um verdadeiro consolo pra sua alma.
— Vou te levar para um jantar decente e se divertir um pouco. O que você gosta de fazer?
— Peeta não me leve a mal, mas a minha única preocupação agora é Willow. Vamos pra fazenda?
— Kat, você já comeu em algum fast-food?
— Uma vez escondido da minha família, fui com Annie e paguei o lanche. Meu pai descobriu pela fatura do cartão e tomei uma bronca federal e fiquei semanas de dieta.
— Vamos passar em um no caminho, estou varado de fome e também com saudades da minha princesa. — Peeta tinha um sorriso encantador
— Peeta sobre o nosso beijo eu acho... — Ele não deixou ela terminar a fala, e beijou a novamente, a deixando totalmente sem ar.
— Desde o primeiro momento que te vi perdi a fala. Faz tempo que queria te beijar e as vezes sonho em ter você nos meus braços. Queria ter gerado a Willow com amor de verdade, mas sou grato pela forma que ocorreu as coisas, pois agora tenho a Willow e você por perto.
— Você é perfeito. Annie estava certa, eu tive sorte em ter comprado seu esperma.
— Se você quiser te dou mais deles e de graça — ele exibiu um sorriso tão safado, que fez Katniss sentir tantas sensações que havia esquecido.
— Vamos conversar sobre isso mais pra frente. — Ambos riram e se beijaram, a volta pra fazenda foi leve, eles pareciam estar no céu. Mesmo dirigindo Peeta buscava segurar nas mãos dela em todo momento, vez e outra ele lhe dava alguns beijos nos nós dos dedos. Ele era um rapaz doce, gentil e apaixonante e Katniss não se sentia culpada por deixar florir esse sentimento.
Quando eles chegaram na fazenda encontraram Willow acordada e cheia de energia no colo de Finnick, no meio da bagunça. Annie, Mike e os demais estavam jogando videogame. Annie esbanjava alegria, fazia muito tempo que Katniss não via amiga feliz assim. Os Mellark estavam fazendo muito bem para elas. Mike parecia uma criança mais feliz brincando com Cato, Haymitch e Delly. Effie deu um beijo e um abraço em Katniss.
— Willow é tão tranquila, não deu um pingo de trabalho, não vejo a hora dela crescer pra podermos brincar mais.
— Obrigado por ficar com ela, Effie
— Imagina querida, quando quiser sair com as tuas amigas, ou com o Peeta podem deixar Willow comigo. E seus pais vem almoçar aqui amanhã?
Só a menção dos pais fez os olhos de Katniss se encherem de lágrimas, que não passaram despercebidas pelos olhos da matriarca que delicadamente segurou em seus braços e a levou para a cozinha.
— Vocês jantaram, querida?
— Comemos um lanche no caminho. O jantar não deu muito certo. — Katniss lhe disse sentando no balcão da cozinha.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— O que você quer comer?
— Não tenho fome Effie, obrigado.
— Então vou lhe dar um chá com bolo e cookies que acabaram de sair do forno...
Effie era amável e contava muitas histórias engraçadas dos filhos
— Fofinha, deixe a Docinho respirar um pouco, você a enche de histórias. E o cheiro desses cookies está me dando água na boca. — Entrou o patriarca na sala, pegando alguns cookies da bandeja que estava em frente de Katniss.
— Eu gosto de ouvir histórias, não se preocupe Effie. E esses cookies estão ótimos. E pelo que eu sei, eles são todos pra mim — brincou a morena.
— Espero que eles lhe deem dor de barriga docinho — brincou Haymitch. — Você e o moleque pensam em ter mais filhos juntos?
— Haymitch! — Effie chamou atenção do marido.
— Fofinha eu sou direto, se você não tem reparado as trocas de olhares entre eles, eu tenho. E ter mais crianças correndo por essa casa seria do nosso gosto. Seus filhos são muito moles, estamos ficando muito velhos e só temos uma netinha.
— Katniss querida não ouça o que esse homem diz. Ele é sem noção. — Katniss ficou sem graça.
— Quem é sem noção? — Peeta entrou na cozinha, pra deixar a situação mais constrangedora, ele sentou ao lado da morena.
— Quero mais netos iguais a Willow, Peeta. Quando vocês vão encomendar mais?
— Pai daqui uns dois anos quem sabe, né Kat? — Ele se sentou ao lado dela e lhe deu um beijo nas costas da mão.
— Dois anos é muito tempo moleque.
— Então fale com Delly, Cato, Finnick, qualquer dos meus irmãos que estão na idade de gerar filhos, a minha parte já foi feita. Eu agora quero aproveitar as minhas princesas — ele disse abraçando Katniss por trás, Effie pulou de felicidade quando reparou que eles estavam juntos e vovó Mags não media esforços para agradar a nova neta.
Katniss se sentia um pouco desgastada emocionalmente após o fracassado jantar, agora não tinha dúvidas que a família desprezava seus sonhos e desejos até chegaram a ordenar que ela abandonasse sua filha. Katniss deu boa noite aos Mellark e foi tomar um banho e se arrumar pra dormir, Willow ficava muito bem no colo da avó e com os paparicos do pai, e a morena já confiava plenamente na família. Quando Katniss subiu as escadas e foi se dirigindo ao corredor dos quartos onde estava hospedada viu uma visão que até então não imaginara.
— Annie? — Katniss assustou o casal que estava se amassando numa parede dos corredores. — Tem um quarto atrás dessa porta que vocês estão encostados. Deste jeito podem chocar alguém com essa demonstração gratuita de filme pornô.
— Ha-ha... engraçadinha — Annie falou terminando de se arrumar, Finnick estava vermelho como os cabelos de Annie. — Eu queria mesmo falar com você.
— E seu filho? — perguntou a morena.
— Ele correu tanto hoje que já está dormindo. Vem, vamos conversar quero saber tudo o que aconteceu.
— E o Finnick? Acho que a conversa dele vai ser bem melhor que a minha.
— Não amiga quero todos os detalhes do jantar, depois terminamos, né Finn? — Annie saiu arrastando Katniss ao quarto, mas antes de fechar a porta deu uma piscadinha pro Finnick que lhe retribuiu com um sorriso enorme e galante.
— Pensei que odiava os homens — comentou Katniss tirando seus sapatos.
— E odeio, mas o Finn não é um homem comum. Seria uma idiota se deixasse um deus grego desse passar. Mas não vim aqui falar de mim. Como foi o jantar com a família Adams? — Katniss a repreendeu com um olhar. — Sua mãe é uma bruxa, sua irmã uma tapada e seu pai um feiticeiro!
— Você esqueceu do Gale, que me pediu para reatarmos nosso relacionamento.
— O quê? Ele teve coragem de te pedir isso?
— Annie sabe, no fundo eu me sinto aliviada. Eu consegui ter minha filha e olha a família que agora temos, e Peeta é tão maravilhoso com ela e comigo. Confesso que fiquei um pouco chateada com a forma que eles me trataram. Mas agora eles viram que eu não estou sozinha e que Peeta vai lutar por mim e por Willow.
— Hummm temos um romance aí amiga?
— Temos o seu e do Finn. — Ambas riram.
— Os Mellark são maravilhosos, Haymitch está incentivando o Mike a chama-lo de vovô e Effie faz todas as vontades dele. Ela fez bolo de chocolate pra ele, e Haymitch o levou junto com os outros pra caçar. Fiquei tão preocupada, mas Haymitch lhe deu um estilingue, falou que ele precisa sair um pouco dos eletrônicos e viver suas próprias aventuras. Nunca vi meu filho tão feliz. — A voz de Annie estava embargada devido a emoção. — Effie me trata como filha, passei uma tarde incrível com elas, até Delly é um doce, mesmo falando muito. Eu não quero nunca mais me separar deles Katniss. como pode existir uma família tão boa? — Katniss enxugou as lágrimas do rosto da amiga.
— Não vamos amiga. Acredito que eles gostaram de nós também. — Elas se abraçaram.
— E o que eu faço com Finnick, ele é tão fofo e galanteador? — perguntou Annie abraçada a amiga.
— Conquiste ele Annie, faça tudo pra vocês dois serem felizes e tudo o resto se encaixa.
— E você amiga?
— Eu vou me virando aqui, perdendo os meus medos aos poucos e agora minha atenção toda é pra Willow.
Quando Katniss saiu do banho já vestida com seu pijama, Peeta colocava Willow no seu bercinho.
— Ela mamou, o leite que você tirou no caminho, eu troquei e ela dormiu rapidinho — ele relatou.
— Ela é boazinha. — Katniss disse olhando pra filha.
— Puxou ao pai, mamãe diz que nem parecia que tinha bebê em casa quando eu nasci. Que chorava só quando estava doente.
— Delly me disse o contrário — concluiu Katniss com um sorriso.
— Delly é uma mentirosa — Disse o loiro enlaçando a cintura da morena que estava se sentindo mais leve e feliz, como nunca havia sentido antes.
— Eu fico hipnotizado com esse seu sorriso Katniss — ele disse num sussurro ao seu ouvido.
— Então vem aqui ser meu cobertor de orelha que hoje está frio. — A morena pediu lhe dando um beijo singelo.
— Sempre que desejar — disse o loiro aos beijos com a sua morena.
Eles dormiram agarrados naquela noite fria, Katniss tinha um sorriso enorme no rosto e se sentia segura nos braços do loiro, e ela havia arrebatado o coração do loiro. Tudo em Katniss o fascinava, ele sentia que seu coração ia parar quando ela sorria, ou lhe beijava. Peeta já não imaginava como seria sua vida longe dela, naquela noite ele prometeu a si mesmo que faria de tudo pra sempre arrancar um sorriso daqueles lábios e assim ganhar um beijo e ficou imaginando quantos filhos teria com ela e quais seriam os seus nomes.
Na manhã seguinte enquanto a família tomava seu café animada com as histórias da tarde de caça dos Mellark uma visitante apareceu na porta da fazenda.
Primrose Everdeen era muito parecida com a mãe, seus cabelos loiros e seu porte esbelto lembrava muito Clara Everdeen quando mais nova, e ela era tão vaidosa e vulgar quanto a mãe, sua roupa apertada deixava pouco pra imaginação.
— Katniss, eu trouxe um presente pra minha sobrinha, não podia voltar pra Nova York sem conhecer a pequena. — Sua voz fina e seu jeito fresco de falar embrulhou o estômago da morena.
— Vêm, Willow ainda não acordou. — Katniss a levou ao quarto pra irmã ver sua filha e poder ter uma conversa mais particular com ela.
— Ela é linda Katniss, pelo tanto de gente loira que vi lá embaixo seu sangue é forte, o cabelo dela é totalmente seu. Sua filha vai ter trabalho com esse cabelo quando crescer — brincou a irmã.
— Willow parece um pouco com a minha sogra, Effie. Você quer pegar um pouco ela?
— Não tenho jeito com bebês. Gale está uma fera, nunca o vi tão bravo. Acho que caiu a ficha que ele te perdeu mesmo, e que você está apaixonada pelo pai de Willow e que ele agora não tem vez.
— Eu não me importo nenhum pouco com o que ele ache, ou deixa de achar.
— Uau, quem é você e o que fez com a minha irmã? — Primrose estava surpresa com a atitude da morena.
— Eu mudei Prim, tenho uma família de verdade agora. Uma que eu posso rir, contar e ouvir histórias, brincar. Uma que eu posso contar quando preciso, e que me ama de verdade. E tenho uma filha pra cuidar, não posso mais dizer amém a tudo que nossos pais exigem de mim. E sobre Gale, ele é parte do meu passado.
— Papai disse que vai te deserdar, e mamãe disse que você se envolveu com o pior tipo de pessoas que existe. Os esportistas sem classe social. E se nega a te reconhecer como filha, mamãe acredita que vamos perder status social.
— O azar é deles Prim, não meu. Pela primeira vez na vida me sinto feliz e completa, e eu sinto muito que eles não querem partilhar minha felicidade. Willow ia aquecer o coração deles, mas a escolha é deles e não minha. — Prim sorriu.
— Fico feliz por você, e te desejo sorte. Eu nunca te disse isso e nunca mais vou dizer Katniss, mas eu estou admirada com a sua determinação e coragem. Acho que o que você tem agora é uma recompensa pelos dissabores que passou. Se um dia eu me rebelar contra os Everdeen vou lhe procurar, mas por enquanto eu gosto dessa vida de patricinha que tenho.
— Você é a Clara todinha Prim e me procura sempre que quiser. — As irmãs deram um terno abraço.
— Você vai me mandar fotos da Willow, não vai? — A voz de Prim embargou
— Sim Prim, pelo menos uma por mês.
Primrose foi embora levando um amargo capítulo da vida de Katniss: Os Everdeen. Agora tudo era um passado distante e o que importava na vida de Katniss era sua filha e o pai dela. Eles eram seu lado mais doce, as melhores companhias que ela poderia ter. Cada dia ao lado deles era um novo aprendizado, era muito amor, carinho e dedicação. Mesmo com a nova temporada do campeonato Peeta estava junto com as suas meninas, cumprindo com sua promessa fazendo todo o possível pra fazer Katniss feliz. Peeta pôde acompanhar o nascimento dos dentinhos e os primeiros passinhos, as primeiras palavras da sua pequena e isso lhe deu o desejo de ter mais filhos. Desejo esse que Katniss também sentia, mas para tudo há um tempo certo e no momento Katniss Mellark queria curtir seu marido, seus sogros, cunhados e sobrinhos, e Annie estava grávida da sua pequena Aurora Mellark.
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