Encontros

14 Décimo Terceiro Encontro - Os Uchihas


Notas iniciais
Hi o/ Voltei depois de quase um mês, mas como sabem, essa fic nunca teve promessas de datas certas Hahaha' Espero que gostem do capítulo, que ficou imenso, mas ao que tudo indica, teremos mais família Uchiha no Décimo quarto encontro, tchram. Boa Leitura!

19 de Janeiro de 2015


O Natal e Ano Novo haviam sido o melhores da minha vida e não, eu não estou exagerando, até porque os últimos cinco anos eu havia comemorado as festividades junto com as enfermeiras e alguns bobões feridos graças a imprudência com fogos de artifício.


Mas 2015 já havia começado com o pé direito, primeiro porque eu estava com meus pais e meu namorado, é pois é, namorado e fora isso, estava em Paris, cidade luz, eu realmente não precisava mais de nada!


Mas tudo que é bom não dura tempo suficiente, já estava acostumada a isso, mas dessa vez foi difícil me soltarem da cama e me convencerem que estava na hora de voltar para Tókio, mas uma coisa eu sabia, Paris havia tornado-se muito importante para mim.


–- Doutora Haruno Sakura -- Ouvi meu nome sendo anunciado, eu estava no vestiário trocando de roupas e secando os cabelos. Tinha acabado de sair de uma cirurgia longa e estava realmente cansada -- Doutora Haruno Sakura, favor dirigir-se a recepção.


Provavelmente não tinham me encontrado em meu consultório e o único modo de me achar nesse hospital imenso era pelo auto falante. Terminei de me arrumar e segui até a recepção, poderia ser algo simples como um atendimento a familiares, como podia ser algo terrível como Tsunade me procurando.

Mas em ambas as hipóteses, eu queria apenas não ter sido chamada.



***

–- Sakura já deve estar vindo, ela saiu do centro cirúrgico há poucos minutos -- A mulher morena de cabelos repicados falou – Provavelmente foi tomar banho – Sorriu debruçando-se ao balcão.

–- Claro, eu espero – Dei dois passos para trás e me encostei na pilastra, era impressão minha ou estava brotando enfermeiras e auxiliares para me encararem naquela recepção?

***

Passei pelas portas do centro cirúrgico com um único pensamento

“Que não seja Tsunade, que não seja Tsunade, que não seja Tsunade”

Estava tudo bem entre nós, sempre estava na verdade, mas ontem eu cometi o ato impensado de esquecer o Tonton no PetShop, Tsunade estava em um spa desde a noite anterior e eu havia ficado encarregada de leva-lo para o banho semanal, nada complexo, porém lembrei do pobre porco quase 00h00 e precisei da ajuda de Jiraya e de Sasuke e quase da policia diga-se de passagem para conseguir resgatar o pobre animal que ficou preso na loja já fechada, nada disso aconteceria se eu por acaso tivesse atendido as quase 20 ligações da mulher da Pet, mas estava tudo sob controle...

Pelo menos até Tonton contar os momentos de terror que havia passado pensando ter sido abandonado, e não me perguntem, mas Tsunade possui uma conectividade incrível com aquele porco rosa.

Mas ao chegar a recepção, quase me esgueirando pelos cantos para dar tempo de fugir, vi a figura que não imaginei ver tão cedo, já que depois de ontem eu acreditava ser Haruno “namorada doida” Sakura, para Sasuke. Todavia, ele era persistente e estava ali, meio encolhido no sofá da recepção, mas ali, e isso que importava.

–- Uchiha Sasuke quer falar com a senhora – Mei, a recepcionista nova aproximou-se segurando pranchetas e suspirando atrás de mim, Sasuke causava essas coisas, bem lembrava, mas seria um problema se o hospital todo decidisse fofocar sobre “Porque o delegado esta aqui para conversar com a Dr.Haruno?”.

–- Entendi – Virei de costas batendo as mãos e despertando a atenção das mulheres para mim – Vamos todas voltar a nossos afazeres, vocês não querem que eu avise Tsunade dessa moleza toda, não é? – O nome de Santa Tsunade tinha poder e com esse mesmo poder os corredores ficaram limpos e apenas os pacientes e acompanhantes andavam por eles.

–- Colocando ordem? – Sasuke levantou-se com aquele modo manso e contido dele.

–- Sou pupila de Tsunade, a coisa que eu mais coloco nos lugares é ordem – Sorri – E bom, surtar de vez em quando faz muito bem, recomendo.

–- Que tipo de recomendação médica é essa? – Murmurou incrédulo e divertido

–- Uma eficaz – Finalizei – Mas me diga, se não esta aqui para me prender, o que exatamente quer de mim?

–- Falar em particular, podemos? – Curvou o canto dos lábios e eu sabia que boa coisa não vinha desse simplório gesto.

–- Claro, me acompanhe! – O guiei até meu consultória, entramos e quando a porta se fechou, esperei ser agarrada, mas eu esquecia que Sasuke era cavalheiro demais para algo assim, principalmente em um hospital. Sentei em minha cadeira e ele sentou a minha frente – Quer uma consulta gratuita?

–- Não, isso você me dá quase todos os dias, mesmo que eu não peça – Retrucou e ponto para ele.

–- Certo, então...? – Apoiei os cotovelos na mesa

–- Vim para te fazer um convite.

–- Convite? – As pessoas nunca me faziam bons convites, eu poderia esperar algo catastrófico. Já estava sentada, e agora muito bem agarrada ao apoios de braço na cadeira.

–- Hai! – Sorriu – Meus pais estão te convidando para um jantar na sexta-feira.

–- Seus...pais? – Não que eu não desejasse conhecer os país de Sasuke, até porque Harunos e Uchihas eram ótimos amigos, mesmo que eu não fizesse ideia disso anteriormente, mas ainda não me sentia preparada para um jantar na casa dos pais do meu “quase” primeiro namorado. Ah, por favor, quantos anos você tem Sakura? – Que bom! – Sorri amarelo, eu precisava de uma desculpa, uma desculpinha sequer, eu precisava de... meus olhos pararam no calendário. – Ah que pena, tenho plantão na sexta, sem Tsunade e Shizune aqui eu... – Vi o moreno encostando na cadeira, cruzando os braços sobre o peito e sorrindo de canto.

–- Você esta com medo, não esta?

–- Morrendo – Mordi o lábio inferior – É tão evidente?

–- Você é bem óbvia Sakura – Abriu um sorriso de dentes brancos e pela primeira vez, eu teria batido meu salto 15 neles por me chamar de óbvia. -- Você vai comigo ou não?

–- Vou – Falei depois de segundos silenciosos – Vou, fazer o que? – Dei de ombros – Sexta-feira?

–- Te pego as 19h na porta do seu apartamento, não se atrase – Levantou-se e eu levantei para abrir a porta do consultório – Não será pior do que sua mãe falando para todas as amigas que éramos noivos quando mal nos conheciamos.

–- Obrigada por me lembrar desse evento, guardo ele com carinho em um armário no coração chamado “vergonhas” – Sorri cinicamente e ele riu, aquela risada gostosa que poucas vezes o via dar.

–- Nos vemos sexta – Inclinou-se levemente e selou nossos lábios por alguns segundos

–- Nos vemos sexta! – O empurrei porta a fora do meu consultório e o vi cruzando o corredor.

Confesso que deveria ter dito que meu plantão de sexta não era mentira ou enrolação e que ele de fato existia, mas agora só me restava dar um jeito, afinal, Haruno Sakura sempre dava um jeito!

Por que ninguém me avisou que namorar seria uma provação dia a dia?

***

20 de Janeiro de 2015

–- Mãe, vocês acabaram de voltar de Paris – Falava enquanto a via dobrar as roupas e colocar na mala

–- Sei disso querida, tenho calendário em casa – Sorriu e vi meu pai atravessando o quarto com uma caixa daquelas espreguiçadeiras infláveis de piscina.

–- Se sabe, então porque estão fazendo as malas, novamente?

–- Estamos indo para o Brasil – Meu pai completou enquanto sentava na mala e fechava o zíper – Terá uma conferência de empreendedorismo lá e eu preciso ir, negócios musume, negócios.

–- Brasil? – O encarei – Negócios? – Cruzei os braços – Ah pai, conta outra, no Brasil agora é verão, vocês estão indo se entuchar em algum Resort do Nordeste que eu sei.

–- Isso vem no pacote – Minha mãe respondeu e fechou a mala também – Sobre seu jantar com os Uchiha, não à nada para se desesperar, eles são uns amores – Sorriu – Será uma noite e tanto, pena que não estaremos lá.

–- Claro, pena! – Completei – Bom, já que vão ao Brasil, pelo menos me tragam aquelas castanhas deliciosas que eles vendem por lá.

–- Não esqueceremos! – Papai completou e saiu puxando a mala de rodinhas pela casa, conclui finalmente que eu deveria ter seguido os passos deles e me tornado empreendedora, pelo menos estaria saindo para viajar e não para mais um plantão de 24hrs.

Tranquei toda a casa depois que eles partiram de táxi e suspirei resignada, onde eu fui amarrar meu burro?

***

–- Se sou eu que estou em crise, porque são vocês que estão acabando com a minha comida? – Perguntei observando a comilança no meio da minha sala e a bolinha do Goku correndo para cima e para baixo.

–- Estamos te dando força amiga – Temari respondeu – Já que você não come muito, fazemos isso por você.

–- Agradeço, mas não precisa acabar com o meu estoque de tudo o que tenho na geladeira e armários – Respondi mastigando um cheetos -- E se não como muito, é porque não sobra muito o que se comer.

–- Mas e ai, você já pensou com que roupa vai? – Ino parou de comer, encostou-se no sofá e perguntou.

–- Não faço a minima ideia, mas tenho tantos vestidos no armário que algum deles deve servir.

–- Brancos?

–- Querida, sou médica, não carnavalesca – Desdenhei – Meu armário é todo branco por motivos óbvios.

–- Você é tão obvia – Ino sorriu

–- Obvio vai ser o encontro da minha mão na sua cara! – Sorri de volta – Palhaça!

–- Sakura se veste bem – Hinata surgiu na discussão – A roupa não será o problema, agora os ataques de nervos que ela tem com responsabilidades ligadas ao relacionamento sério com Sasuke, isso sim é preocupante.

–- Vocês comem toda minha comida e ainda por cima me chamam de neurótica? – Afundei no sofá – Por Deus, sou muito paciente, realmente. – Goku pulou no meu colo e eu o afaguei – Vão me ajudar em algum coisa ou vieram porque não tinha jantar na casa de vocês?

–- As duas coisas – Ino levantou e todas as seguiram – Vamos escolher uma roupa e te dar dicas de comportamento.

–- Isso, ah... – Tenten levantou-se em um pulo, literalmente – Nada de consultas “grátis”

–- Todo mundo anda cismando muito com isso, eu em – Peguei Goku do sofá – Vocês não veem que eu posso ter salvado milhares de vidas?

–- Você é tão estranha Sakura – Temari meneou negativamente e eu tive vontade de joga-la de cabeça da janela do meu apartamento.

Com certeza, tinha as piores amigas do mundo e com mais certeza ainda, não conseguia viver sem elas.

Droga!

***

23 de Janeiro de 2015 — 00h45

–- Pela última vez, não sei o que esta acontecendo – Dei de ombros – Você e aquele seu porco maluco estão delirando, como assim eu esqueceria Tonton no PetShop? Que tipo de irresponsável eu seria Tsunade? – Me fiz de besta – Me sinto ultrajada.

–- Esse discurso não me engana – Sorriu levantando-se da minha cadeira – Tonton me contou.

–- Tonton não fala Tsunade, você precisa aceitar isso! – Ela me encarou

–- Mas Jiraya fala! – Sorriu triunfante e passou pela porta – Plantão dobrado de final de semana Sakura.

–- Mas Tsu... – Por pouco a porta não pegou em meu nariz – Jiraya idiota! – Resmunguei. Eu estava realmente tomando uma bronca e de quebra, levando um castigo graças a um porquinho rosa?

Mas o que importava no momento, é que é sexta feira, eu estava à dois dias no hospital porque troquei o plantão de hoje e eu tenho um jantar para comparecer, o plantão dobrado que começaria as 7 da manhã de amanhã, por hora, era mero detalhe.

Virei a noite e por volta das 8h consegui sair do hospital, eu estaria esgotada para o jantar, mas como sempre, manteria a pose, ficaria no salto alto e sorriria para qualquer situação.

Sorria e acene

Passei o dia no spa que Tsunade frequentava, como sabia que não conseguiria dormir muitas horas, pois precisava me aprontar, decidi unir o útil ao agradável e me aprontar enquanto relaxo, era tão genial.

Tomei banho de sais, fiz massagens com óleos perfumados, tomei mais banhos com pétalas de rosas e outras flores que nem conhecia, cochilei em todos os processos e no fim, estava com unhas feitas, cabelo escovado, maquiagem impecável e pronta para ir me vestir em casa.

Claro, eu devia estar muito desesperada para deixar Ino, a estilista, escolher a minha roupa, tanto que me olhava no espelho e não via nada além de preto e não sabia se gostava ou não, porque no fim das contas, havia muitos anos que não entrava qualquer peça preta no meu armário.

Mas segundo Ino, era inverno, então eu deveria usar cores escuras, como preto, azul royal e vinho, que eram tendência e blá blá blá... Mas depois de vestida e de uma boa observada no espelho, gostei de como tudo aqui caia, até o lenço, por mais espalhafatoso que fosse, esquentava e protegia bem o pescoço, então eu estaria bem com isso.

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Joguei o sobretudo por cima, coloquei as luvas de couro e desci, estava muito frio nesses últimos dias, e quando digo frio, quero dizer, havia bonecos de neve nas ruas, pessoas limpando as calçadas com pás e muita neve caindo do céu para quem quisesse ver, sem falar das estradas congeladas e escorregadias.

Esperei Sasuke por poucos minutos, antes dele aparecer radiante e vestido de preto, sinceramente, eu não gostava dessa cor em mim, mas nele, ficava magnifica, como todas as outras.

–- Preto? – Me encarou sorrindo

–- Não vamos falar sobre isso! – Me adiantei e segui até o carro, era realmente complicado andar nas calçadas ultimamente, tudo escorregava e a possibilidade de cair de bunda não eram remotas, principalmente quando se tratava de minha pessoa. Apenas fiquei aliviada quando entrei no carro.

Já que eu tomei três escorregões no processo

–- Hoje esta nevando muito – Sasuke falou assim que entrou no carro e limpou a neve dos ombros – Veio preparada para encarar o frio?

–- Preparada basicamente para encarar qualquer coisa – Sorri e selei nossos lábios rapidamente quando nos aproximamos – Agora vamos antes que eu desista.

–- Tcs – Completou depois de sorrir

Sasuke e eu não nos víamos todos os dias, duas ou três vezes na semana era o máximo que conseguíamos ficar juntos, por isso Paris foi tão importante, foram 15 dias de amor sem qualquer interrupção, o que ajudou na relação e fez com que superássemos o medo da ausência na vida um do outro.

Agora, como um casal, compartilhamos plantões e marcamos folgas juntos, era o máximo que podíamos fazer, mas estávamos encarando tudo isso muito bem, obrigada. Sasuke além de cavalheiro e cortês era respeitoso e um tradicional japonês, que na rua pegava apenas na minha mão, nada mais.

Era carinhoso na medida dele, alguns beijinhos quando ninguém estava perto, alguns afagos quando ninguém estava olhando, sorrisos gentis e olhos apaixonados sempre que nos víamos, nada à moda ocidental como eram os casais parisienses. Em parte eu não gostava, pois como nos víamos pouco, seria bom ter um beijo roubado em nossos escassos encontros, mas por outro lado eu achava romântico e lindo que ele fosse desse modo comigo fora e fosse Uchiha Sasuke, o viril Uchiha Sasuke quando estávamos sozinhos, eram dois pesos e duas medidas que eu aprenderia lidar.

Chegamos a casa dos pais dele sem eu sequer perceber, por não poder fazer meu plantão hoje, eu havia pego o de quarta feira e emendado com o de quinta, ou seja, sendo otimista eu estava a umas 60 horas sem dormir de verdade, a base de pequenos cochilos de 30min no máximo. Mas eu precisava resistir a esse jantar, ser gentil, cortês e principalmente, ser aprovada pelos pais de Sasuke.

–- Cuidado -- Ele abriu a porta do meu lado e estendeu a mão, tomando cuidado para que eu não escorregasse na fina camada de gelo que cobria as pedras da entrada, subimos as escadas e ele abriu a porta da “singela” mansão Uchiha, ele não parecia tão rico assim quando nos conhecemos. -- Tire o casaco -- Ele tirou a jaqueta de couro e eu entreguei o meu sobretudo e as luvas, preferi deixar o lenço, porque pelo menos quebrava aquele preto fúnebre que eu vestia.

–- TIA! -- Não consegui dar um passo antes que uma pequena criatura de cabelos negros se prendesse a minhas pernas, me apoiei na porta e sorri em seguida, me abaixei e o deixei me abraçar e claro, puxar meus cabelos. Até porque, minha noite não podia começar de forma mais normal do que um quase tombo na porta de entrada.

–- Hey Koji -- Sorri tirando aquelas mãos danadas de perto dos fios e afaguei seus cabelos -- Parece que cresceu!

–- Dois centímetros tia Sakura -- Ele afastou-se orgulhoso enquanto eu levantava e encarava Sasuke sorridente.

–- Ual, você será um mocinho bem alto -- Koji pegou minha mão me puxando para a sala -- Devagar Koji-kun -- Sasuke colocou meu casaco no cabide e começou a nos seguir, logo dei de cara com quatro cabeças que levantavam-se elegantemente e sorriam de forma doce.

–- Koji, assim você vai machucar a tia Sakura -- Itachi caminhou até o filho e pegou-o no colo, me encarou e sorriu me cumprimentando -- Como vai Sakura?

–- Muito bem, e você Itachi?

–- Poderia estar melhor se esse rapazinho não desse tanto trabalho -- Sorriu simpático como sempre e caminhou até a esposa, Akane me cumprimentou animada também.

–- Sakura, esse é meu pai, Uchiha Fugaku e minha mãe, Uchiha Mikoto -- Sasuke aproximou-se de mim apontando para os pais, me curvei educadamente e logo recebi um sorriso de volta, isso era bom, não era?

–- É um prazer finalmente conhece-la Sakura -- Mikoto sorriu aproximando-se -- Conheço a tanto tempo sua mãe, mas nunca tive a oportunidade de conhecer sua filha ocupada.

–- É um prazer conhece-la Mikoto-sama, Sasuke fala muito bem da senhora -- Ela me abraçou levemente

–- Esse moleque só fala bem da mãe -- Fugaku aproximou-se gentil -- Seja bem vinda a nossa casa, e espero que Sasuke esteja sendo um bom homem com você.

–- Claro, um cavalheiro, como o pai suponho -- Sorri me curvando novamente com sua nova aproximação

–- Viu Akane, era assim que você tinha que ter agido com meus pais da primeira vez, não tremendo de medo -- Itachi falou e Akane bufou o ignorando, antes que algo mais pudesse ser dito, Koji pulou a meus pés e começou a tagarelar.

–- Koji, deixe a tia Sakura -- Akane pegou o garotinho pela mão

–- Pode deixar, não me incomodo – Sorri deixando que ele falasse à vontade.

–- Vamos jantar, podemos conversar a mesa, será mais agradável -- Mikoto caminhou elegantemente e todos a seguiram, Sasuke e eu fomos atrás.

–- Não foi tão ruim, não é? -- Perguntou divertido

–- Até agora, tudo sob controle -- Assenti e sentamos a mesa.

A refeição foi tranquila, fizeram algumas perguntas não tão difíceis de responder, comentaram coisas engraçadas sobre Sasuke e eu agradeci a Kami por meus pais não estarem lá, pois ambos sabiam coisas humilhantes demais de minha pessoa. Koji entrometia-se o tempo todo na conversa, e ele era tão desenvolto que despertava atenção de todos os adultos com as palavras, quando Itachi comentou que agora eu era realmente tia dele, e não apenas "tia" ele voou em meu colo e me abraçou, animado e quente, quente até demais.

–- Akane -- Chamei e logo obtive toda a atenção da mesa -- Koji esta doente?

–- Resfriado -- Assentiu -- Ele brincou na neve a dois dias atrás, e foi inevitável.

–- Entendo -- Não dê consultas Sakura, não dê consul... -- Koji, diga A bem grande para a tia. -- O que foi? Sou médica, da licença. Ele me obedeceu, claro que eu não era pediatra e nem tinha um palito para abaixar a língua dele, mas era evidente e quão inflamada estava sua garganta. -- Não é resfriado -- Conclui e Akane me olhou preocupada -- Mas também não é nada para se desesperar, sorri e levantei.

–- Então, o que é? -- Sasuke perguntou me vendo seguir até minha bolsa, era pequena, mas tinha exatamente o que eu precisava. Peguei o que queria e segui até a mesa voltando a sentar.

–- Koji esta com uma inflamação de garganta, esta no começo, mas mesmo assim -- Mostrei o vidrinho de spray, era mel misturado com um antibiótico homeopático, eu sempre tinha na bolsa, pois minha garganta costumava inflamar, e devo dizer que Koji tinha sorte de eu sequer ter aberto esse vidrinho. — Abre a boca -- Pedi e sorri, ele no mesmo momento me obedeceu, espirrei duas vezes e ele fechou a boca franzindo o nariz.

–- É ruim tia! -- Concluiu

–- Na primeira vez que você passa sim, depois melhora -- Pisquei lhe entregando o vidrinho, encarei Akane que sorria levemente -- Não há nada forte na mistura, é homeopatia, funciona tão bem quanto um antibiótico comum -- Sorri -- Mas sem nenhum efeito colateral, aplique três vezes ao dia, duas espirradas, será o suficiente para que não tenha mais febre e a garganta desinflame -- Koji correu para o pai que lhe tomou nos braços.

–- Obrigada Sakura, eu ia realmente pedir que desse uma olhada em Koji, mas você é bem perceptiva -- Agradeceu

–- Imagina, precisando -- Voltei-me a mesa e dei de cara com os pais de Sasuke. -- Lamento, eu geralmente...

–- Sasuke já nos contou querida -- Mikoto respondeu animada -- Se você realmente faz isso com pessoas desconhecidas, deve ser engraçado -- Riu junto a Fugaku.

Tudo estava indo muito bem, mas muito bem mesmo até a sobremesa, quando Mikoto notou uma leve tremedeira em minha mão que segurava o garfo.

–- Querida, você esta tremendo, tudo bem? -- Larguei o talher no mesmo momento e sorri, sem graça

–- Claro, estou ótima -- Firmei minha mão e coloquei a frente do corpo -- Foi impressão, apenas -- Garanti, mas eu sabia que o que ela tinha visto era real.

Uma das minhas principais qualidades era conhecer meus próprios limites, e eu os conhecia muito bem, estava exausta, linda, mas exausta, cansada, com sono, e eu já disse exausta? E o primeiro sinal disso era tremedeira, se por acaso eu não tivesse comido, sentiria enjoos horríveis, mas o que mais me incomodava era a tontura, que ia e vinha, olhei no relógio, quase 20h30 da noite, havíamos conversado bastante, comido bem, nos conhecido e a partir de agora, o quanto antes eu fosse embora, melhor para a conservação da boa imagem que passei até o momento.

–- Fico aliviada que tenha sido apenas impressão -- Mikoto sorriu

–- Sakura -- Fugaku me chamou pela primeira vez aquela noite, havíamos conversado, mas até agora, ele não havia direcionado nenhuma pergunta a mim -- Você como médica, recebe muitas ligações nas madrugadas, sai muito de casa para o hospital?

–- Quando eu era mais jovem sim, agora, depois de alguns anos no hospital e estando em um cargo mais alto, isso acontece poucas vezes -- Respondi sinceramente -- Meu telefone pouco toca e...

Vocês se lembram da Lei de Murphy, correto?

Aquela, que me acompanha fielmente na vida e que dita "Tudo que pode dar errado, dará errado, principalmente se você for Haruno Sakura"

Pois é, porque é nessa hora que ela lembra que eu existo e baixa a bandeira branca de trégua. Antes que eu concluísse a resposta, um telefone começou a tocar, todos a mesa olharam ao redor e eu tive vontade de me desintegrar em neve para debaixo da mesa, porque era MEU telefone tocando.

–- Ele pouco toca, mas ainda assim, toca -- Respondi sem graça me levantando e colocando o guardanapo sobre a mesa, todos prenderam um sorriso divertido nos lábios quando alcancei a bolsa. E para piorar minha situação, era Tsunade. -- Alô?

–- SAKURA! -- Tive certeza que não foi apenas eu que ouvi

–- Tsunade, fale baixo -- Murmurei envergonhada -- O que você quer?

–- Por que não me atende em casa em? Me faz gastar créditos -- Onde estava a parede mais próxima para eu bater a cabeça? Ouvi risadas ao fundo e percebi que a conversa não era privada.

–- Fale baixo, estou ocupada agora, o que quer? – Implorei – E pare de ser tão mão de vaca, credo!

–- Mão de vaca? Não sei onde estou com a cabeça que não te dou umas boas bordoadas. – Tão delicada como um coice de cavalo – Enfim, você já deve estar sabendo da nevasca, seu plantão de final de semana foi adiado e...

–- Como assim nevasca? -- Ajustei minhas costas eretas e parei de cochichar

–- Como assim nevasca? Sakura, em que mundo paralelo você esta? -- Perguntou -- Há uma hora mais ou menos começou, esta em toda Tokio e parece que só acaba domingo -- Corri até a janela não me importando com olhos que repousavam nas minhas costas, lá fora, a paisagem era toda tomada de branco, o carro de Sasuke estava quase soterrado por neve.

–- Por Kami -- Murmurei e logo vi Sasuke ao meu lado -- Tsunade, e o hospital?

–- Embaixo de neve! Quem esta dentro não sai e quem esta fora, não entra. -- Murmurou tão nervosa quanto eu -- Não me desespere esta bem, sei o que isso acarreta.

–- Isso é péssimo! -- Dei dois passos para longe da janela -- O reator de energia não vai aguentar se a força acabar, nunca enfrentamos algo assim Tsunade.

–- Sei disso, conversei com Masuda, o diretor do Hospital Central e ele disse a mesma coisa, não há como entrar ou sair, além dos reatores estamos com grandes problemas com os feridos em acidentes. -- Suspirou -- As viaturas foram proibidas de sair, você sabe o que isso significa, não sabe?

–- Coisa boa que não é! -- Respondi, eu zelava pela vida das pessoas e a neve em si, já causava inúmeros acidentes, imagina uma nevasca dessas proporções, que fecham hospitais e aparentemente, o país. -- O que você vai fazer?

–- Estou em alerta, Shizune também, assim que a nevasca acabar, teremos que assumir nós três o hospital e sabe Kami quando sairemos de lá -- Suspirou -- Prepare-se para trabalhar dobrado e torça para que a luz não acabe.

–- Manterei o celular ligado, me ligue quando souber de qualquer novidade -- Ela assentiu e desligou em seguida.

Eu ainda encarei o celular por alguns segundos, nesses momentos era muito complicado ter a profissão que tinhamos, pois Tsunade e eu compartilhávamos do sentimento de derrota que era não poder fazer nada a pessoas que realmente precisavam, não havia sensação pior.

–- Você esta bem Sakura? -- Mikoto aproximou-se tocando em meus ombros e eu virei para encara-la, sorri levemente

–- Estou, mas acho melhor... ir embora -- Olhei novamente e agora faltava pouco para o carro de Sasuke sumir, o que diabos era aquilo tudo de neve?

–- Não à a minima possibilidade de você sair dessa casa essa noite -- Fugaku levantou-se -- Dormirá aqui, e quando a nevasca passar, poderá ir embora em segurança.

–- Desculpe, eu... -- Olhava para janela, para Fugaku, para janela, para Fugaku. Queria estar no hospital, ajudando os residentes e as enfermeiras a encararem essa situação, também queria estar em casa, Goku estava sozinho e eu morria de preocupações com meus móveis, porque o filhote eu sabia que ficaria bem, agora minhas coisas, talvez não tivessem a mesma sorte, mas ao mesmo tempo, a ideia de dormir em uma cama quentinha ao lado de Sasuke era aconchegante.

–- A não ser que você tire uma maquina de neve de dentro dessa sua bolsa, não existe possibilidade de sair daqui hoje -- Sasuke sorriu triunfante, porque sabia que tinha razão.

–- Tudo bem, mas... não tenho roupas -- Apertei o celular em mãos, Akane pulou rapidamente do sofá e sorridente completou

–- Te arrumarei algumas peças, vou deixar em cima da cama de Sasuke, esta bem?

–- Mas... -- Mikoto virou-se para mim sorrindo

–- Não somos ingênuos em pensar que você e Sasuke não dormem juntos querida, até porque o plano de Paris também foi nosso -- Estava a ponto de ter um colapso, eu desmaiaria se não mantivesse força de vontade o suficiente para enfrentar tantas vergonhas.

Aquela noite estava longe de acabar?

***

Depois de passar algumas vergonhas, conversar mais um pouco e colocar Koji para dormir, já que ele pedirá com tanto carinho, sentei no sofá para uma rodada de vinho com a minha cabeça rodando. Olhei no relógio que marcava 23h45 e eu realmente não sabia como sobrevivia acordada até aqui, tudo bem que eu perdia grandes detalhes da conversa, recusava o vinho todo o tempo e me perdia no crepitar das chamas da lareira, mas até ai, ninguém parecia notar que eu estava entrando no mundo dos sonhos de olhos abertos.

–- Querida -- Mikoto me chamou e com um pulo despertei, Sasuke me puxou para mais perto no sofá e segurou minha mão, mas ele não entendia que quanto mais próxima eu estava, mas a ponto de apagar eu ficava. -- Posso te fazer uma pergunta?

–- Até duas! -- Respondi sem pensar e me soquei mentalmente, eu não estava falando com a desmiolada da minha mãe -- Quer dizer, claro -- Sorri

–- Há quantas horas você não dorme? -- Ops

–- Como? Bom... é, não sei -- Meu raciocínio estava lento -- Um momento -- Comecei a contar nos dedos, eu deveria considerar os cochilos como horas dormidas? -- Talvez umas 50h ou 55h -- Respondi compenetrada em minhas contas. Estava mais para 60h completas, mas eu era médica, não matemática.

–- Horas? -- Itachi perguntou arregalando os olhos

–- É, bom, na verdade talvez... umas 60h ou 62h, mas se descontar os cochilos -- Levei as mãos aos lábios

–- Acho melhor então ir dormir, é muito tempo acordada para uma pessoa só -- Mikoto parecia preocupada

–- Não, imagina -- Sorri -- Fazia isso na faculdade, emendava o estágio, com as aulas de Tsunade e as aulas da faculdade, era bem comum.

–- Mas a idade passa para todo mundo -- Mikoto sorriu encarando Sasuke -- Leve-a até seu quarto musuko, deixemos Sakura descansar -- Sasuke se levantou e eu me levantei junto, fiquei tão zonza que me sentia dando um duplo carpado de costas, mas eu sobreviveria.

Espera um momento, Mikoto havia acabado de me chamar de velha?

***

Subi as escadas com Sasuke, me troquei e deitei, ele sentou-se a meu lado

–- Não vai dormir? -- Perguntei

–- Vou apenas dar boa noite a meus pais, já volto! -- Ele respondeu e eu assenti vendo-o cruzar as portas, encarei o teto por breves segundos, tudo tinha saído razoavelmente bem, não tinha passado nenhuma vergonha, pelo menos não pior do que já era narrada nas conversas, havia angariado a simpatia dos pais de Sasuke, o carinho do sobrinho e a amizade do irmão e da cunhada, tudo parecia muito bem.

Mas agora, eu precisaria sobreviver ao fim de semana.

***

–- Estou muito feliz com sua escolha musuko -- Meu pai disse assim que voltei a me sentar no sofá -- Sakura é uma menina muito boa, dedicada ao que faz, e simpática, não Mikoto?

–- Ela é uma graça Sasuke -- Minha mãe parecia feliz -- Os Haruno são pessoas maravilhosas e engraçadas por natureza, Sakura tem as características dos pais, tão espirituosa.

–- Fico contente que gostem dela, me alivia ter a aprovação de todos -- Respondi, eu estava realmente feliz por Sakura ser bem aceita, logo de primeira.

–- Mas você musuko -- Minha mãe apontou o dedo em minha cara – Esta realmente fazendo tudo o que pode nessa relação?

–- Hm? – Como assim? Eu estava... não estava?

–- Querida -- Meu pai levantou pegando na mão de minha mãe -- Sasuke saberá lidar com a namorada, é o começo da relação.

Misteriosamente, todas as mulheres da casa ficaram bravas com os homens, Akane sequer se despediu e subiu as escadas com minha mãe, para Itachi e meu pai sobrou correr atrás perguntando o que havia acontecido.

Subi as escadas em seguida, Sakura já dormia e assim que me troquei, deitei a seu lado, ela se remexeu e aproximou-se mais de mim, ela era tão linda e doce, tão perfeita para mim que eu achava incrível te-la encontrado por acaso, eu sabia que ela estava se esforçando para ser uma boa namorada, driblando seus medos de dar errado para que tudo desse certo entre nós e então, eu me senti mal, como se eu não estivesse fazendo minha parte, como se eu não estivesse demonstrando o quanto a amava.

A abracei para que dormíssemos próximos e sorri satisfeito com a sensação deliciosa que sua respiração tranquila me provocava quando batia em meu pescoço, ela era a mulher perfeita para mim e eu me dedicaria para ser o homem perfeito para ela.

Notas finais
E então, gostaram? A primeira aparição dos Uchihas na fic foi singela, por isso talvez capítulo que vem tenha mais deles. Espero que tenham gostado desse capítulo e dos acontecimentos. Agora que minhas férias respiram com ajuda de aparelhos, talvez eu volte a atualizar com menos espaços, saibam apenas que eu nunca abandonaria a fic na reta final, okay? O agradecimento da semana vai para a Mary Stuart pela linda recomendação, obrigada pelo carinho e espero que continue aprovando a fic. A todas que deixaram seus reviews, obrigada, li cada um e adorei todos, em breve responderei