Encontro inevitável
5 Capítulo 5 - A menina do deserto
Notas iniciais
No deserto, passava um senhor. Esse usava um jaleco branco, óculos e tinha um bigode branco, assim como seus cabelos.
Ele procurava por ajuda, pois seu carro havia quebrado, mas era bem improvável disso acontecer, já que se encontrava em meio de um deserto...
Parecia impossível, mas naquele exato momento passava uma garota por lá. Ela caminhava com uma pequena maleta nas mãos e, usava roupas simples e surradas.
Vestindo uma regata preta e calça marrom de cintura alta com rasgo na perna, tinha preso um cinto passado com alguns objetos nele e calçava luvas pretas de dedos cortados. Os sapatos eram medíocres; pretos e de material emborrachado. Sem hesitar, o homem pede ajuda a ela...
Senhor: Ei, moça! Por favor, me dê um minuto de sua atenção! – ele acenava para que a garota o notasse.
Garota: O que houve?! – diz um pouco mal educada e grosseira.
Senhor: Ah, muito obrigado! Ainda bem que você passava por aqui. Meu carro quebrou e eu não tenho bateria no celular para pedir ajuda, será que a senhorita teria um celular para me emprestar e pedir ajuda?
Garota: Não. – diz de forma seca – Mas posso ver o que aconteceu com esse carro...
Senhor: O-o quê? Como assim?? – ela passa por ele e simplesmente se dirige onde estava o carro e dá uma verificada em sua parte mecânica.
O senhor a olha de forma abobada, não entendendo muito bem o que se passava...
Senhor: Espere; só um momento... Por acaso, a senhorita sabe como consertar veículos?? – ele chega por detrás dela e olha por cima de seus ombros, verificando o que ela estava fazendo.
Garota: É, sei sim... – diz sem muita emoção, apenas um pouco de sarcasmo se fazia presente em sua fala – ...e, pelo visto, o problema maior era com alguns dos fios que se conectam para dar a partida. Se inverter a polaridade, causam uma espécie de explosão em pequena escala, que faz com que os cabos conectores se soltem uns dos outros, impedindo a corrente elétrica de chegar até a vela de ignição, assim ele para de funcionar... – nesse momento, a jovem se enche de propriedade para falar do assunto – Pronto, está arrumado.
Senhor: Nossa! Vejo que entende realmente do assunto... Muito obrigado pela ajuda!! – ele põe a chave no contato e a gira, comprovando que o carro funcionava perfeitamente – Não tentei arrumar meu carro antes, pois não trago comigo as ferramentas para consertá-lo, mas se soubesse que o problema era tão simples, nem teria a incomodado... – o senhor diz agradecido e aliviado – Agora me diga, minha jovem, quanto lhe devo pelo conserto?
Garota: O quê?! – ela se espanta com o que ele lhe diz – Quer pagar pelo conserto?!
Senhor: Claro, a senhorita perdeu seu tempo me ajudando com o carro, esse é o mínimo que poderia fazer... – ele diz com sinceridade ao querer recompensá-la.
Garota: Na-não tem que me pagar nada... Não fiz nada de mais... – ela diz de modo receoso, ainda descrente do que ouviu do senhor.
Senhor: Ora, está bem. Mas deve haver uma forma de agradecê-la pela gentileza. Talvez uma carona até a sua casa, que tal?! – ele diz sem segundas intenções – Não a vi com nenhum veículo, e com certeza deve ser muito exaustivo andar debaixo desse sol escaldante até sua casa. Ande, aceite minha carona!
Garota: Não vai ser preciso, pois já estou em casa...
Senhor: O quê? Como assim, não entendi o que quis dizer com isso... – ele se encontrava confuso.
Garota: Digo que não precisarei de uma carona, pois minha casa é o deserto. Eu moro aqui.
Senhor: Meu Kami-Sama! Não pode ser... Como uma jovem pode morar num deserto como esse?! – ele fica chocado com a notícia – Desde quando mora no deserto??
Garota: Já tem cerca de seis meses...
Senhor: Ó céus... – ele se espanta novamente – Mas me diga, minha jovem, como sobrevive num lugar como esse?!
Garota: Não me orgulho muito do que faço, mas vivo de oportunidades, de pessoas, que assim como você, param por aqui com algum problema... Daí vem meu sustento.
Senhor: Então que-quer dizer que você ia me roubar?!
Garota: Não!... EU NÃO SOU LADRA! – ela se enfurece com a suposição do homem – Apenas cobro pelos consertos nos veículos... Todos saem com seus respectivos pertences!
Senhor: Me desculpe, não quis te ofender... – ele se desculpa com sinceridade – Mas, então o seu trabalho é honesto, não tem porque ter vergonha!
Garota: É que não os roubo como o imaginado, mas o preço do conserto que é muito alto...
Senhor: Bem, mas pelo menos você é paga pelo conserto, não os toma dinheiro... – ele faz uma pausa – Me diga, quantos anos você tem para mexer com veículos, garota?
Garota: 14. Eu tenho 14 anos.
Senhor: Então é mais jovem que imaginava! – o senhor se espanta com a pouca idade da garota e, de sua habilidade e conhecimento sobre mecânica – É quase uma criança ainda... E, onde estão seus pais, menina?
Garota: Pais?... Hunf! Não sei, eu não tenho... – diz com certa frieza e deboche, porém o homem percebe um pouco da dor ao falar sobre os pais que não tinha.
Senhor: Eu, eu sinto muito, menina... Ninguém merecia passar por essa situação em que você se encontra, muito menos uma garota com a mente tão brilhante e privilegiada como a sua... É um desperdício de talento e inteligência. Seu futuro poderia ser brilhante se desenvolvesse essa sua capacidade!...
Garota: Infelizmente, isso não basta para ser alguém na vida! O que adianta ser brilhante e talentosa, se não tenho a oportunidade de pôr em prática minhas habilidades ou desenvolvê-las?! – a garota diz com indignação na voz.
Senhor: Tem razão, menina. Tem razão... E eu vou te dar a oportunidade de mudar de vida.
Garota: O quê? Mas, como assim?! O que quer dizer com isso?! – diz, confusa com a afirmação do homem.
Senhor: Por acaso, você conhece a Corporação Cápsula? – ele a indaga.
Garota: Sim, claro que conheço. É uma das maiores e mais reconhecidas empresas do mundo, se não a maior... Por quê?
Senhor: Bem... É porque eu sou o cientista e fundador da Corporação Cápsula, e fico agradecido com os elogios... Hehe.
Garota: O quê?! Então você é o dono da Corporação Cápsula?!... – a expressão de surpresa era evidente em sua face.
Senhor: É. Sou sim... E estou te oferecendo a oportunidade de mudar de vida, menina.
Garota: Mas, como?
Senhor: Venha junto comigo e, eu te oferecerei estudo e moradia; tenho muito espaço na sede da empresa, que é onde também se encontra minha casa... – e ele lhe diz o que pode oferecer – Aprenderá tudo sobre tecnologia e ciência. Todo meu conhecimento será passado a você, que se tornará minha aprendiz. O que acha?
Garota: É uma proposta muito boa, mas...
Senhor: “Mas” o quê??
Garota: Não posso aceitar. – diz de modo seco.
Senhor: Mas...por quê?!!
Garota: Porque não quero ser um empecilho na vida de ninguém. Não quero ser sustentada por uma pessoa, principalmente que acabei de conhecer...! – orgulhosa demais para aceitar essa proposta, nega viver às custas de alguém; mesmo que essa fosse a oportunidade de mudar drasticamente sua vida... A garota tinha recusado a oferta, mas, de repente uma voz diz o contrário e tenta convencê-la de ir junto do senhor.
Yamcha: Não! Você não tem que ir com ele...
Garota: Yamcha?... Mas... – ele a interrompe.
Yamcha: Não, você não pode recusar essa oferta. Essa é a chance que você tem para mudar de vida. Isso não é digno de uma garota tão inteligente e talentosa como você... – ele diz com um pouco de tristeza, mas sabia que era o melhor para ela – Ande, aceite e vá junto com ele. No deserto, não vai ganhar nada nem crescer na vida... Seu futuro merece mais que isso aqui.
Garota: Tem certeza disso?...
Yamcha: É, tenho. Tenho sim. Vai lá! – um sorriso um pouco amargo se forma.
Garota: Está certo, tem razão. – ela se vira para o homem – Eu aceito, irei junto com você, Doutor.
Senhor: Que maravilha! Então vamos, suba no carro. – ele abre a porta do carro para que ela entrasse.
Garota: Mas eu volto aqui um dia... Não se preocupa, tá?! – diz de forma debochada e com um sorriso de lado no rosto.
Yamcha: Ah, que bom! Quem sabe um dia eu apareço na cidade pra te fazer uma visita, hein... Haha.
Garota: Hunf! Tá certo, até um dia desses... – ela sobe no carro junto do senhor e parte rumo à cidade.
Yamcha: Até um dia! – ele olha com ternura para sua amiga, e parecia que já sentia saudades dela – Se cuida, viu...
No carro...
Senhor: Agora vamos até a cidade, aposto que irá adorar lá! Têm várias tecnologias e veículos de todos os tipos! – ele se anima com a descrição das coisas da cidade – Bem, agora que será minha aprendiz e morará comigo, aprenderá a encapsular objetos e, quem sabe com o passar do tempo, crie suas próprias invenções... Eu tenho uma filha com quase a mesma idade que a sua, ela tem apenas dois anos a mais que você e também é uma cientista...! Sabe... Agora que percebi, ainda não sei qual o seu nome. O meu é Doutor Henri Brief, mas pode chamar apenas de Doutor Brief...
Garota: Hum, está certo, Doutor... – ela dá uma pausa entre as palavras – Aiyme.
Dr.Brief: O que disse?
Aiyme: É Aiyme. Meu nome é Aiyme...
Dr.Brief: Aiyme... É um belo nome!
E assim, Aiyme via o árido deserto passar diante de seus olhos, mas agora enxergava-o de modo diferente... Pela janela do carro, ela o observava e se debruçava, colocando a cabeça apoiada na palma de sua mão. Aiyme via a trilha de sua vida tomar um rumo diferente, e a partir daquele momento, seu futuro mudaria muito...
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