Encontro em família.
3 O segundo convite.
Notas iniciais
— YO, SHINO!
Shino agradeceu ser um ninja quando conseguiu evitar, por muito pouco, cortar os dedos fora. Embora estivesse acostumado com as aparições escandalosas de Kiba, ficava impressionado em como o garoto que, ironicamente, também era um ninja, conseguia ser tão espalhafatoso.
— Oh, Shino! — Kiba ficou olhando para o amigo, parado, o encarando com a faca na mão e o dedo estranhamente levantado. – Foi mal cara, te assustei? — Kiba se aproximou tentando segurar o dedo de Shino para ter certeza de que estava tudo bem. – Você se cortou?
— Tá tudo bem! — Shino recolheu a mão voltando a cortar as frutas. – Já estou acostumado com esse seu jeito de ser.
— Oe, que jeito? — Kiba levantou uma sobrancelha desconfiado.
— Único. — Kiba soltou outra risada escandalosa e colocou uma sacola sobre a bancada onde Shino estava. – O que é isso? — Shino estranhou Kiba trazer algo.
— Eu trouxe mais damascos. Semana passada você disse que uma velha levou todos e você não conseguiu comprar nenhum. Minha mãe conseguiu poucos também, mas ela nem gosta de damascos, só compra porque… cê sabe, né.
— Sim, eu sei, Kiba.
Com a ajuda de Kiba, Shino levou as frutas mais um jarro de suco para a sala, onde passaram toda a tarde assistindo filmes. Já no início da noite, subiram até o quarto de Shino por pura insistência de Kiba. Shino retirou uma grande caixa de cima de um dos pilares de madeira que sustentava o teto. Despejou todo o conteúdo em cima da cama. Kiba remexeu tudo, até se cansar, deixando claro na expressão de insatisfação, que não havia encontrado o que buscava.
— Po, Shino! Só tem as velhas revistinhas em quadrinhos aqui, de quando a gente ainda era um bando de pirralhos.
— E o que você esperava, Kiba?
— Ué, não sabe não, é?
— … – Shino não respondeu, mas, tinha uma ideia do que Kiba queria dizer com aquilo.
— Shino… — Kiba passou a desviar os olhos meio nervoso. – você não, sabe… você não…
— Me masturbo?
— OE, NÃO ERA ISSO QUE EU IA PERGUNTAR; QUANTA INDELICADEZA! — Kiba sentia que poderia queimar ali, mesmo com Shino o olhando através dos óculos escuros. – Eu só ia perguntar se você não tinha nenhuma revista de conteúdo adulto; descarado!
— Ah, sim. Não, não tenho.
— Então, como você… como consegue…
— Ficar duro?
— CARAMBA, SHINO! EU TO TENTANDO TER UMA CONVERSA CIVILIZADA COM MEU MELHOR AMIGO; POSSO?
— Eu não gosto de pessoas de mentira! Por isso não uso revistas.
— Isso quer dizer que você… você…
— Sim eu me masturbo.
— CARALHO! MAS QUE DROGA SHINO! — Kiba se virou de costas para Shino, corado até a ponta do nariz. Shino riu um pouco. Embora não fosse do seu feitio estressar Kiba de propósito, estava achando aquelas reações bem divertidas. – Eu ia dizer que então você tem alguém de verdade.
— Eu “penso” em alguém de verdade. — Kiba se virou de uma vez, encarando Shino com extrema curiosidade. Jamais em toda a sua vida, poderia imaginar que Shino pudesse ter alguém assim. Kiba se aproximou um pouco, se corroendo de curiosidade para saber quem era a inspiração das pervertidades de Shino. – Se eu “tivesse” alguém de verdade, eu faria mais que só me masturbar.
Shino pensou em tapar os ouvidos, antes que Kiba começasse a gritar e xingar feito louco. Mas, para sua surpresa, Kiba apenas enfiou a cara no travesseiro e ficou ali, quietinho.
— Shino… a calma excessiva na voz do amigo, deixou Shino em alerta. Shino ajeitou os óculos pelo menos umas três vezes antes que Kiba pudesse ao menos piscar.
— Sim? — Shino se remexeu um pouco nervoso. Puxou as pernas cruzando-as, a fim de liberar um pouco mais espaço para Kiba, caso o amigo resolvesse se aproximar.
— Você já tem algum compromisso pra sábado?
— Não. — a resposta veio tão rápido que Shino nem teve tempo de pensar se realmente já não tinha nada marcado, não que se importasse, desmarcaria na hora. Embora, estivesse mesmo esperando algo para agora.
— Então, eu queria… é que… você gostaria de…
— Sim. — Shino ajeitou os óculos mais uma vez. – Eu… adoraria.
— Oe! Mas eu nem disse nada ainda! — Kiba rolou um pouco mais pra perto. Shino também se aproximou discretamente. – Eu ia te convidar pra jantar.
Shino ficou observando Kiba admirar a moldura do teto em uma falha tentativa de evitar qualquer contato visual. Não entendeu a dificuldade de Kiba para convidá-lo pra jantar, afinal, já perdera as contas de quantas vezes fez suas refeições na casa do garoto nos últimos anos. Os jantares na casa de Kiba eram os melhores. Tsume costumava ser uma ótima companhia. Shino gostava do humor e comportamento peculiar da mãe de Kiba. Mas, apreciava ainda mais sua hospitalidade, principalmente quando Tsume insistia que ele dormisse por lá mesmo, dizendo que era muito tarde pra voltar pra casa. A mulher ainda fazia Kiba ceder a sua cama a Shino, que até sentia pena do amigo, mas, não dispensava poder passar a noite sentindo o perfume de Kiba no travesseiro.
— Oi, Shino. Cê tá viajando?
— Desculpe Kiba, eu me distrai! Eu vou é claro.
— Calma, não é um simples jantar! É jantar fora, sabe… — Kiba ignorou os movimentos exagerados de Shino. – Tipo um…
— Encontro. — Shino pareceu surpreso com a própria conclusão.
— Hein? — Kiba também se assustou com a palavra “encontro” mas, era exatamente isso que sua mãe disse ser. – Bem… sim!
Um longo silêncio se instalou no quarto, fazendo Kiba voltar a afundar a cara no travesseiro.
— Kiba! Quer dormir aqui hoje?
— É tá bem tarde mesmo né! — Kiba olhou pela janela – Tudo bem, acho que minha mãe não vai se importar. Kiba ameaçou se levantar já pegando um travesseiro.
— Você não gostaria de dormir aqui na minha cama? — Shino voltou a ajeitar os óculos em um óbvio sinal de nervosismo.
— Mas, e você Shino, vai dormir onde? — não demorou nada para a cor da pele de Kiba mudar de tom, dando indícios de que finalmente havia entendido o convite de Shino. – Oe, não vai querer dividir a cama comigo, né.
— Isso nem passou pela minha cabeça.
— Que bom, porque isso ficaria bem esquisito.
— Com certeza.
— E… e eu me mexo muito à noite. Eu poderia me enroscar em você enquanto durmo.
— Uhm, isso seria realmente difícil de lidar. — Shino observou por alguns segundos Kiba olhar em volta nervoso. – Tudo bem… — Shino se levantou puxou um futon extra de dentro do baú ao lado da cama. – … eu posso esperar até sábado à noite.
— Quê? — Kiba perguntou olhando para Shino que já se ajeitava pra dormir.
— Eu disse, “boa noite”, Kiba.
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