Encontro de Almas- volta às origens
3 Reconexão
Depois de comer os meus dois pratos de comida durante o almoço e contarmos pro pai sobre a viagem, fui para o quarto desfazer as malas ‘da viagem’, eu suspirei aliviada que estava tudo lá, não pude deixar de pensar na minha scooter que ficara para trás. Sorri nostálgica, ao lembrar que eu tinha comprado ela dois anos antes de me formar na faculdade.
Foram tantas aventuras que tivemos com ela, os treinos que eu e a Bi fizemos até ela se sentir segura para me deixar rodar a cidade com a minha vespa, os passeios que fiz com as minhas amigas na garupa, até a Nay comprar a própria moto e apostar corrida comigo nos sábados e nas férias pois as ruas estariam vazias.
São anos que eu tenho esperanças que voltarão. Liguei o meu smartphone, e para meu completo alívio ele estava funcionando, como esperado Instagram ainda não tinha como acessar, pois não havia sido inventado, mas o twitter, YouTube e Facebook estavam mais que disponíveis.
“Agora a pergunta é... como tem coisas da viagem pra Disney misturada com as coisas do ‘futuro’ é uma boa pergunta, mas uma coisa é certa, eu não vou questionar, apenas aproveitar.” Decidi.
Fui arrancada dos meus pensamentos com o toque estridente e escandaloso do smartphone minúsculo, não fazia sentindo ser tão alto, olhei a tela, era a Luana, sorri, primeira pessoa que eu conversaria agora que estava de volta.
“Oi amiga!” Disse a Lua empolgada.
“Oi Lua! Tava morrendo de saudades de ti!” Exclamei, o que não era mentira, com a faculdade nos afastamos um pouco.
“Eu também! Vamos no parcão? Eu, tu e a Luci? A gente quer saber tudo da viagem!” Disse ela com a empolgação e curiosidade que eu sentia tanta falta.
“Amanhã? Eu preciso desfazer as malas ou a mãe me mata!” Disse eu fazendo o drama típico de uma guria prestes a fazer 15 anos.
“Claro amiga! Quantas malas extras tu trouxe?” Perguntou a Luciana, ela me conhece tão bem.
“Três, eu nem sei como deixaram passar no aeroporto.” Comentei brincando, mas a verdade, eu não fazia ideia como meus pais não estranharam as duas malas a mais.
“Claro que tu exagerou.” Luana soltou uma gargalhada.
“Eu sei.” Ri alto. “Que horas amanhã?” Perguntei.
“Depois do almoço, pode ser?” Luciana perguntou.
“Claro, a gente toma uma vitamina no saúde no copo antes de chegar no parque.” Sugeri.
“Perfeito amiga, a gente se vê amanhã então.” Disse a Lua e encerrei a ligação.
Encontrei em um canto da mala, as lembrancinhas que meu eu adolescente havia trazido para minhas amigas. Separei, e fui tirando as coisas de dentro das malas, colocando o que iria para o armário dentro do armário, o que seria devolvido para a Bi, em uma gaveta na minha cômoda que ficava trancada e nem minha mãe ou a nossa funcionária do lar tinha acesso, pois a chave ficava comigo.
Os materiais escolares que eu trouxera dos Estado Unidos para este ano, eu já pus em cima da escrivaninha, ao lado do notebook que o pai me dera de natal, meus queridos livros que estavam cobertos com uma jacket de couro sintético, que cobriam as capas originais, permitindo eu lesse eles mesmo em público, e os CDs e DVDs, coloquei tudo na minha estante.
O iPod eu pus dentro da mesinha de cabeceira, ele era o último modelo lançado em 2030 e a Bi me dera de aniversário naquele ano, não dava pra sair mostrando, nem o smartphone
Eu tenho que ser honesta aqui, eu me lembro tudo sobre o futuro, tudo sobre o passado, mas não tenho a menor ideia como eu e a Bi chegamos neste ponto, talvez isso era parte da viagem, afinal viagens no tempo tem uma penca de regras, eu só não lembro quem sugeriu isso em primeiro lugar e como a gente chegou aqui, mas o fato é... que anos depois do ensino médio eu me recusava a falar sobre o que aconteceu naquela época.
“Terminei!” Exclamei aliviada, me espreguiçando. ‘Eu agora tenho que pensar nas tais extracurriculares para a escola, o pai fez favor de me lembrar que eu ainda não escolhi nenhuma.’
Sentei na cadeira da minha escrivaninha e comecei a ler as listas de matérias extracurriculares, elas não pareciam nada ruim, na verdade eu inclusive marquei algumas.
“Judô seria divertido, música também, eu não posso sair tocando violão sem saber, e tem um clube de leitura e produção textual, espero que o pai e a mãe não pensem que seria demais.” Decidi mostrar para eles.
Depois que arrumei tudo, decidi vestir uma camiseta do Hard Rock Miami, que eu comprara em 2026, ninguém iria suspeitar, visto que eu havia ido para Miami e Orlando na viagem.
Saí do quarto e corri escada abaixo, procurei ao redor da casa, não tinha ninguém, então olhei no pátio de trás, não pude deixar de sorrir ao ver os meus pais sentados, abraçados no balanço de jardim.
“Pai, mãe... eu escolhi as aulas.” Disse eu. Sentando no banco em frente ao balanço
“Ah que bom, segunda podemos ir juntos fazer a tua matrícula.” Disse a mãe. “Quais aulas tu escolheu, Julinha?”
“Música, Judô e tem uma lista de clubes também, eu quero o de leitura e produção textual.”
“Judô não é uma arte marcial tailandesa?” Perguntou o pai, que é professor de História na faculdade.
“Japonesa.” Corrigi. “É uma forma de defesa pessoal, e eu li em algum lugar que isso é bom para superar o bullying.” Comentei, na real foi a Bi que tinha me explicado isso, mas não iria contar pra eles.
“Assim como música e escrita, e como tu tem um violão agora... eu acho que seria uma boa ideia, mas tu não prefere cursinho de violão em vez de aula extracurricular? Não é só instrumento musical.” O pai sugeriu.
“Tá! Eu topo.” Disse animada. “Ou tu me ensina, né pai, tu tocava na adolescência, e fez música na faculdade.” Lembrei, vi o brilho de profunda alegria nos olhos dele, sabia que ele iria gostar do meu pedido. “Mas eu acho que a aula de música seria importante pra aprimorar técnica vocal.” O que não é mentira.
“Eu acho que talvez seja uma boa ideia.” Concordou a minha mãe. “Tudo bem, vamos fazer isso então, Mas não esqueça, tu tem o cursinho de inglês ainda.”
“Eu do conta, prometo.” Garanti.
Sabia que daria, na época da faculdade eu tinha a agenda cheia, trabalho, estágio e ainda a faculdade em si, eu dei conta naquela época, daria conta agora.
“Planos pro final de semana?” perguntou o pai.
“Sim, a Lua ligou, elas querem se encontrar no parcão depois do almoço amanhã, tudo bem?” Perguntei esperançosa.
“Tu já desfez as malas?” Perguntou minha mãe.
“Já sim, pode revisar, tá tudo arrumadinho no meu quarto, inclusive os materiais escolares que eu comprei em Orlando no parque do Harry Potter. Eu só não escrevi as matérias porque não sei quais são.” Esclareci, dando de ombros, embora uma eu soubesse, inclusive já sabia o nome dos professores.
“Sobre isso Julinha... esse ano vai ser diferente, tá? Tu não vai ter mais ciências, estudos sociais, nem ensino religioso pois não é uma escola religiosa.”
“Ainda bem!” Agradeci. “Então eu vou ter menos matérias?” Me fiz de salame, até porque eu não podia simplesmente saber como o ensino médio funcionava.
Meus pais riram da minha falsa ingenuidade. “Não, ciências vai ser dividida em três matérias, Física, que é o estudo dos movimentos e outras coisas, Química, estudo dos elementos que existem desde o ar até o que tu acha no laboratório de ciências.”
Quase vomitei, só de lembrar, eu odeio química e física embora ame muito biologia genética, células, nervos, estas coisas.
“Além das duas tem Biologia, que é o estudo dos organismos humanos, desde as células até os teus cromossomos, que são elementos que determinam o teu gênero.”
“Isso é incrível!” Eu exclamei, os olhos arregalados, eu nem acreditava que estava tão empolgada para estudar isso de novo. “Eu vou me dedicar ao máximo para esta matéria, e descobrir como posso usar biologia para me tornar uma escritora melhor!” Disse eu empolgada.
“Bem, se tu criar um personagem Hermafrodita, por exemplo, tu tem que entender, como o código genético de uma pessoa assim funciona, e criar o personagem o mais próximo com a realidade possível.” A mãe comentou.
“É isso!” Disse eu ainda mais empolgada. “O que mais vai ter de matéria este ano?” Perguntei superanimada, embora eu já soubesse, mas eu estava empolgada pra me dedicar ao máximo no meu segundo round fazendo o ensino médio, mesmo que tecnicamente eu estava com 33 anos, e já tinha todo o conhecimento.
“História, Geografia, e Sociologia, além das que tu já está acostumada.” Disse a mãe. “Mas tu pode escolher outra língua estrangeira que não inglês, já que tu já faz o cursinho. “
“Tem Japonês, na escola nova?” Perguntei super empolgada, se eu tivesse aulas de Japonês, eu não precisaria fingir que não sei falar.
“Que interesse súbito pela língua japonesa, é esse?” Perguntou o pai.
“Ah, isso é porque tinha uma casal de japoneses no mesmo hotel que nós, né Julinha? A Ju queria ajudar eles em volta do hotel, mas eles não falavam inglês.” A mãe correu a explicar, e eu me senti imensamente grata por ela.
“Exatamente, eu me senti mal por não saber a língua e não poder ajudar eles, daí pensei que talvez, aprender japonês seria uma boa ideia, mesmo que talvez seja mais difícil, e depois do ensino médio talvez eu até faça um cursinho, já vou ter me formado no cursinho de inglês mesmo.” Comentei dando de ombros. “Eles até ensinaram algumas palavras, a moça lá me chamava de diuriachan.” Contei, ainda bem que isso era verdade, tinha acontecido mesmo.
Depois que a mãe falara do casal eu me lembrei deles, até me deram os users deles no MSN, que me fez lembrar de outra coisa, me deixando extremamente empolgada.
“Okay, se tu quer aprender japonês na escola, nós te matricularemos nesta disciplina em vez de inglês, mas dedicação, hein.” O pai disse firme, mas o sorriso brincalhão, não deixava ele soar autoritário.
“Pode deixar pai! Eu vou me dedicar imensamente pra isso.” Prometi. “Quando tu vai começar a me ensinar violão?” Perguntei ansiosa, eu queria tocar.
“Podemos começar hoje, se tu quiser.” Disse o pai, eu pulei do banco e me atirei no colo deles abraçando os dois, eu já havia decidido, iria fazer tudo diferente, inclusive me aproximar mais dos meus pais nesta vida nova.
POV Rubi
Fui ao parque da redenção no meio da tarde, apenas para meditar, junto a estátua do buda que tem em uma área mais privada. Não sabia exatamente o que estava acontecendo comigo, o que eram aqueles sentimentos turbulentos de vazio. Uma longa meditação poderia certamente me ajudar, a acalmar meu coração.
Arrumei uma mochila, vesti roupas confortáveis, saí do meu apartamento e peguei o ônibus, cheguei ao parque e me dirigi diretamente ao recanto oriental, coloquei a canga em cima da grama macia e sentei em posição de lotus.
Fiz os exercícios de respiração, me colocando em estado meditativo, talvez isso iria me ajudar a resolver, fosse lá o que estivesse acontecendo, senti ao meu redor uma energia calma e curativa, como uma carícia sem toque, como se alguém estivesse tirando a dor de dentro para fora, cobrindo aquele vazio, ou pelo menos assegurando que o vazio, iria ser preenchido em breve.
Não pude deixar de me sentir mais calma e leve quando retornei de meu estado meditativo, olhei em volta, e vi algo surpreendente, não sabia se estava imaginando, mas pude ver rastros de luz prateada em frente a mim, talvez tivesse sido efeito da meditação, não tinha certeza.
“Bem, como eu to aqui... acho que vou dar uma volta, aproveitar o resto da tarde, talvez até um sorvete.” Decidi, sorrindo suavemente, me sentindo completamente relaxada e restaurada.
Me sentia muito mais animada quando cheguei em casa, até comprara algumas decorações e panos de pratos decorados, para o meu apartamento, no brique da redenção, a sensação que eu tinha era de pura paz.
No fim, a série ficou esquecida, fiz uma janta leve depois de organizar minhas compras e fui para o escritório, revisar tudo que já havia preparado para levar na segunda feira, primeira matrícula da minha vida, mal podia esperar para conhecer meus futuros alunos.
Depois de uma chuveirada, voltei ao meu quarto, era quase oito da noite, ainda cedo demais para dormir, fiquei pensando no que fazer, até ver minha antiga guitarra parada em um canto do quarto, sorri levemente. Levei a case até a sala, sentei no sofá, tirei o instrumento de dentro.
Depois de afinado, toquei algumas das minhas músicas favoritas, o bom é que meus vizinhos amavam quando eu tocava, e tínhamos gostos parecidos, então não havia reclamação alguma contra às vezes em que eu tocava guitarra.
POV Julia.
Eu não podia acreditar o quão difícil era fingir que não sabia algo, o pai me re-ensinou o básico do básico na primeira aula, afinação primeiro, que eu usei um afinador que ele tinha, Visto que há muito tempo eu parara de usar, também, me ensinou o dedilhado e os acordes, que tive que forçar a endurecer os dedos para fingir dificuldade.
Depois disso fiquei no pátio, praticando o que o pai tinha me ensinado, como estava sozinha, pude fazer com mais naturalidade. Ainda assim mantendo a fachada para caso alguém aparecesse de surpresa eu não seria pega na mentira.
“Oi, maninha, praticando?” A Milla perguntou apontando para o violão.
“Uhum, o pai te contou que eu pedi pra ele dar aula?” Perguntei.
“A mãe contou, eu perguntei onde você estavam e ela me contou, deixa eu ver o que tu aprendeu?” Pediu a Milla sentando ao meu lado,
Assenti e comecei a mostrar pra ela, olhando nas folhas de acordes colocadas no estande, fingindo pensar em como fazer. Posicionei os dedos e comecei como G. A Milla não pode deixar de sorrir enquanto eu tocava os acordes.
“Tu tá te saindo bem, pegou mais rápido que eu.” Comentou ela soltando uma risadinha.
“Ah, tu sabe... o pai tocou o violão dele pra nós tantas vezes eu acho que memorizei os movimentos.” Dei de ombros, parecia razoável.
“Faz sentido, só dá uma pausa, tá? Vai doer os dedos.” Disse ela,
“Tá, então onde tu te enfiou a tarde toda?” Perguntei colocando meu violão na case, com mais cuidado que o necessário.
“Ah, fui encontrar meus colegas da faculdade.” Ela contou animada.
“Imagino que tu já tá com saudades deles, não quis descansar da viagem?” Perguntei.
“Não, eu tive uma boa noite de sono, e dormi no avião também.” Comentou ela. “Enfim, acho que essa viagem te fez bem... tu parece mais leve, sabe?”
“Talvez.” Concordei, embora eu soubesse que a viagem não tinha nada a ver com isso. “Mana... eu tenho uma pergunta estranha pra ti...”
“Tu sempre tem alguma pergunta estranha, qual é a da vez?” Perguntou ela rindo.
“Se viagem no tempo fosse possível... tu faria isso? Mudaria alguma coisa?” Perguntei, eu sabia que podia fazer uma pergunta hipotética com este assunto, não era algo estranho.
“É complicado né? Sei lá... se eu pudesse impedir o que te aconteceu ano passado, eu voltaria.”
“E pra salvar a vida de alguém que não deveria ter morrido, tipo suicídio ou algo do tipo?” Tentei trazer um pouco do que eu estava vivendo para a nossa realidade.
“Sem pestanejar, eu certamente voltaria... Ju...” Minha irmã hesitou, as mãos trêmulas, vi medo nos olhos dela.
“NÃO! Eu jamais pensei nisso, nem quando as coisas aconteceram.” Eu nem me liguei que poderia preocupar a minha irmã quando fiz essa pergunta, tentei passar o máximo de verdade possível na minha afirmação.
“Ufa! Que susto! Mas porque a pergunta?” Eu pude ver alívio na expressão dela. “Alguma amiga tá com problemas?” A Milla perguntou.
“Eu espero que não, de verdade, eu sei que a Luci e a Lua ainda sentem o divórcio dos pais, eu acho que isso que me fez perguntar, é recente, e eu não estava muito lá por elas por causa do meu drama, mas me pergunto se eu pudesse fazer algo pra impedir... talvez... se tu tivesse algum amigo, alguém fora da família que tá na pior, e tu não tivesse se esforçado mais e o pior acontecesse... tu voltaria”
“Sim, se pudesse voltaria, e teria esperança que este amigo não se tornaria um serial killer no futuro.” Ela brincou, rindo alto, mas não pude deixar de pensar que talvez eu pudesse estar prestes a salvar um assassino.
Dei um abraço apertado na mana, grata por ela sempre ouvir minhas viagens, e fomos para dentro de casa, quando entrei no meu quarto, liguei o computador, e recoloquei o violão em seu lugar, encostado no guarda-roupa, decidi acessar o twitter, no meu smartphone da minha época, me perguntando o que tava acontecendo atualmente.
“Felipe Neto falando mal da Dilma, ah isso aconteceu mesmo, eu inclusive deveria lembrar mais coisas dessa época, melhor lugar pra isso é em site de notícia.” Pensei esperando o notebook carregar.
Eu me dei conta do quanto teria que me atualizar, ou reatualizar, lembrar de gírias da época entre, notícias, tv, cinema, bandas.
“Deuses! É muita coisa.” Bufei. “Deus, Julia, não esquece, no singular.” Sussurrei suspirando pesado. “Muita coisa pra lembrar.”
Acessei o MSN, primeira coisa, melhor forma de lembrar de gírias da época era falando com amigos no MSN ele visitando os grupos, tive uma pontinha de esperança que a Leti, estaria lá, Beta era muito nova pra isso ainda, apenas nove anos de idade.
Não pude deixar de me sentir nostálgica, lembrei que estava no grupo de Xena, mas agora eu iria me enfiar no grupo de glee também. Talvez a Leti estaria lá, ela era apenas quatro anos mais nova que eu.
“Não, também é muito cedo, ela só tem 11 agora.” Bufei. “Vou stalkear a Nay!”
Que falta fazia o chat GPT nessas horas, sério. Eu não fazia ideia do que tava acontecendo na vida da minha futura melhor amiga. Comecei a fazer todas as pesquisas possíveis, ver o que estava em alta, me atualizar no YouTube, ver o que eles estavam falando, talvez até ver dicas de séries e filmes, só pra lembrar o que eu gostava.
Meu cérebro estava fritando quando a mãe finalmente me chamou para jantar, eu estava morta já fazendo pesquisas e anotações para não dar informações do futuro, como trocar o nome do presidente, nem queria pensar o que aconteceria se eu dissesse que o Bozo foi presidente antes do Lula! ‘Deuses, daria muita merda!’ Pensei e me xinguei por usar o plural de novo.
“To faminta!” Disse animada, sentando na minha cadeira, atacando a cesta de pães.
“E eu to exausta, vocês não tem ideia, eu tive que vir de taxi pra casa, levou uma hora para aparecer um, porque não tinha ônibus!” Milla exclamou frustrada.
Isso me trouxe desbloqueou mais uma memória, os protestos por causa da greve dos transportes públicos, mesmo que não me afetasse, pois eu andava a pé maior parte do tempo, mas depois de ir e voltar de ônibus da faculdade, até conseguir carona com a Bi na volta quase todos os dias, eu podia entender os sentimentos da mana perfeitamente bem.
“Não queria tá na tua pele.” Comentei.
“Espera tu chegar na faculdade.” A Milla zombou, o pai e a mãe assentiram.
‘Como se eu já não soubesse.’ Pensei.
Depois da janta, fui tomar banho, vestir meu pijama e fui para a sala onde meus pais já me esperavam, desci com os dvds da primeira temporada de Glee, fiquei com medo de quebrar assistindo o minha série favorita, como se fosse a primeira vez, lembrando da Bi assistindo comigo.
Quando o quarto episódio finalmente terminou, me despedi dos meus pais e da mana, corri pra cima e me atirei na cama de bruços, agarrando o travesseiro, chorei até dormir
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