Encontro de Almas- volta às origens
4 Parcão
Notas iniciais
POV Julia
Sábado, eu estava super empolgada de encontrar a Lua e a Luci, antes de descer para almoçar já me apressei para arrumar a mochila que comprara no hard rock de Orlando nas férias daquele ano.
Pelo menos algo era daquele ano, pois a camiseta certamente não era, estava vestindo uma camiseta preta da Alanis que comprara na California quando a Naya nos arrastou junto a ela e a Stella durante as férias de verão de 2026.
Como não poderia vestir nada temático de Hollywood e a mana me apresentara Alanis outubro do ano passado, quando a minha vida se tornara um inferno na outra escola, fazia sentido vestir uma camiseta com a cara dela estampada.
Peguei o presente e as lembrancinhas que comprara para as gêmeas, coloquei na mochila, junto aos documentos, carteira e um bloquinho de anotações tipo chaveirinho com o rosto do Mickey na capa, que prendi na mochila, onde tinha anotado tudo que precisaria saber sobre o que acontecera no Brasil em 2011, além das gírias mais usadas, graças ao grupo de Xena no MSN, e desci para me juntar aos meus pais na cozinha.
“Já vi que tá pronta para encontrar com as gêmeas né?” Milla brincou.
“Uhum, elas vem me pegar aqui depois do almoço, já que fica mais perto do parcão, vamos a pé.” Contei, sorrindo nervosamente, morrendo de medo que eu acabaria contando algum evento do futuro.
“Por que tá ansiosa? Tu conhece as gêmeas há anos, tuas melhores amigas.” O pai perguntou preocupado.
“Ah, eu to com medo que elas não gostem do presente e das lembrancinhas.” Menti. “Eu comprei uma pantufa pra cada uma do parque do Harry Potter, mas elas podem ter deixado de gostar... adolescentes trocam de gosto como trocam de roupas, tu sabe pai!” Comentei dando de ombros me servindo de arroz no prato.
“Bem, isso pode ser, mas tenho certeza, que mesmo que deixaram de gostar da saga, elas vão ver que tu estava pensando nelas, filha.” A mãe disse carinhosamente.
“Eu duvido que elas não gostem, depois de vocês passarem horas fazendo teorias dos livros, ou fazendo os testes do buzzfeed mais de uma vez, ou mesmo reassistindo os filmes, e indo ao cinema com roupas temáticas, acho brabo elas simplesmente deixarem de gostar.” Comentou a mana.
“Tem razão, além do mais eu comprei as pantufas das casas delas, não tem com que me preocupar.” Concordei, sorrindo levemente, embora a verdadeira preocupação continuasse.
Uma hora depois do almoço, a campainha tocou, Pulei do sofá ansiosa, morria de saudades delas, principalmente da nossa amizade nos tempos da escola, seria bom rever as duas do jeito que elas estavam agora.
Corri até a porta, ouvi as risadas dos meus pais e da mana ecoando atrás de mim, peguei a mochila que havia deixado no aparador da entrada e abri a porta com a minha chave.
Quando tive uma visão maior do portão da entrada, senti meus olhos se encherem de lágrimas, um nó na garganta, ver a Luci vestindo uma camisa azul claro de mangas curtas, jeans de corte reto e um sapatênis, os cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo alto. Enquanto a Lua, vestia uma camiseta baby look com cachorro no peito, um all star preto e uma bermuda jeans. Era muito nostálgico.
“Eu senti tanto a falta de vocês!” Exclamei correndo até o portão, as lágrimas caindo. Minhas mãos estremeciam enquanto eu falhava em acertar a chave na fechadura.
“Ai amiga, não exagera, foi menos de um mês! A gente se viu na entrevista, teste e orientação, lembra?” Luci me relembrou com carinho na voz.
“Eu sei, mas parece mais!” Reclamei, minha voz e minhas mãos tremiam, meus olhos estavam embaçados.
“Me dá logo essa chave!” Exigiu a Lua, suspirei aliviada, ela também tremia e tinha lágrimas nos olhos.
Entreguei a chave, ela passou pra Luci. “Vai mana veia, abre isso!” Luana mandou, Luciana soltou uma gargalhada, e finalmente abriu o portão.
Lua me puxou para um abraço apertado, Luciana se juntou a nós, eu podia sentir que pra elas também pareceu muito mais que apenas um mês. Senti meu corpo relaxar completamente no braços das minhas melhores amigas, era como se agora eu não tivesse mais nada com que me preocupar, mesmo que não pudesse contar para elas, eu sabia eu elas iriam me apoiar mesmo sem saber, em que estavam apoiando.
“Vamos?” Perguntei chutando a porta de ferro com a sola do all star roxo que eu vestia.
“Vamos” Disse a Luci empolgada.
Nos soltamos e fomos conversando, sobre as férias, enquanto seguíamos pela lombinha que levava até a rua que dava no parque, antes de contar sobre as minhas aventuras na Disney, eu queria saber sobre elas.
“Ah, a gente foi pra Natal com a Lu a mãe marcou a viagem em Janeiro, assim não arriscava de chegar depois das aulas começarem.” Contou a Luci.
“Faz sentido, se divertiram lá? Natal é legal? Nunca fui, só pra Bahia mesmo.” Perguntei animada para saber.
“Ah, é legal sim, e as praias são lindas eu passei mais tempo dentro da água, do que fora. Já a Lua passou a tarde toda tomando banho de Sol um dia, tu tinha que ver as costas dela quando voltamos para a casa que a mãe alugou pra gente ficar lá.”
“Amiga! Como tu esqueceu algo tão básico como protetor solar!” Eu broqueei.
“Mas eu passei, várias vezes!” Ela se defendeu, o rosto bronzeado estava corado.
“Ela passou fator 15.” Luci acusou com um sorriso travesso.
“Lua!” Eu exclamei pasma. “ A gente tem a pele papel misturado com leite, tem que pôr fator cinquenta, eu pus quando visitamos Miami.”
“Mas eu queria me bronzear.” Ela explicou.
“Colocasse fator trinta então, não fator 15.” Reclamei.
“Tu tá parecendo a Lu quando a Lua chegou em casa aquele dia.” Luci zombou.
Eu corei. “Caguei pra isso, vocês são minhas melhores amigas, eu nasci antes então assim como a Lu, eu tenho o direito de dar uma de irmã mais velha.” Pontuei. “Vocês são como minhas irmãs.” Dei de ombros ‘mesmo que a gente acabou se afastando um pouco na faculdade’
Elas me abraçaram de novo, no meio da calçada. “Awn, nossa amiga superprotetora!” Brincou a lua, mas a voz dela tava embargada.
“Sou mesmo!” Disse orgulhosa. ‘e eu vou proteger vocês ainda mais este ano’ pensei. Nos afastamos e seguimos a caminhada. “Eu sei que vocês não gostam de tocar nesse assunto, mas... como tão as coisas em casa?”
“A viagem foi basicamente a mãe compensando a gente pelo stress que o processo do divórcio tá causando em nós.” Luci me contou, apertei as mão em punhos.
“Desculpa... com todo o meu drama, eu não tava lá pra vocês.” Falei baixinho.
“Hei! O teu drama, foi tão ruim ou até pior que o nosso drama! Não tinha como tu saber que um mês depois do pai pedir a separação por ter uma segunda família, a Sara iria ameaçar contar pra todo mundo que tu gosta da outra fruta!” Luana me defendeu.
“Amiga, tu fez o que tu pode para nos ajudar, mas a tua situação tava um verdadeiro inferno, então não tem que se culpar, okay?” Luci pediu.
“Mesmo? Tem certeza?” Perguntei, as duas assentiram. “Okay, já que vocês não me culpam por isso, vamos planejar todas as travessuras que faremos em sala de aula pra animar os colegas e professores, né?” Dei uma piscadela, Lua sorriu grande e a Luci bufou frustrada.
“Olha, o saúde no copo!” Anunciou a Lua empolgada, quando viramos a esquina.
“Finalmente! To morrendo de calor.” Comentei aliviada.
“Eu sei, essa segunda lomba é um inferno, ainda mais com esse calorão.” Luci reclamou.
“Eu queria a minha vespa nestas horas.” Reclamei.
“Ai amiga! Eu não vejo a hora de fazer 18 e ter um carro.” Comentou a Luciana.
“Eu também quero uma vespa!” Disse a Lua.
“A gente pode apostar corrida pelas ruas vazias da cidade, nos finais de semana né?” Brinquei com a Lua, lembrando que fazia isso com a Nay.
“Vocês são doidas.” Luci rolou os olhos.
“Mas é divertido e a adrenalina é incrível.” Dei de ombros. “Pelo menos eu imagino que seja.”
“Deve ser sim, moto é incrível!” Disse a Lua.
Quando as pessoas na nossa frente se moveram finalmente pudemos fazer nossos pedidos.
“Oi, gurias, o que vão querer hoje?” Perguntou a vendedora.
“Ai eu quero um suco de melancia, pode virar todo o gelo no copo se tu quiser.” Pedi, ela soltou uma risadinha.
“Eu quero um açaí com banana, por favor.” Pediu a Lua.
“Pra mim uma vitamina de maçã com banana por favor.” Pediu a Luci.
“Vão comer aqui?” Perguntou ela, apontando as mesinhas em frente a banquinha.
“O que vocês acham gurias?” Perguntei, virando para elas.
“Ah eu acho que sim né, depois a gente segue pro parcão.” Disse a Lua.
“Concordo.” Disse a Luci.
“Então a gente vai comer aqui.” Disse eu, olhando para a vendedora.
Depois de pagarmos, escolhemos uma das mesinhas e sentamos ainda conversando, a conversa mudou para as minhas férias, contei em detalhes a minha experiência nos parques da Disney e Universal, especialmente no parque do Harry Potter.
“Ai que inveja amiga!” Exclamou a Luciana.
“Assim como a mãe de vocês tava compensando, eu não tenho dúvida que a minha também tava.” Comentei. “Vocês lembram que ela ficou puta comigo, quando ouviu a história distorcida daquelas freiras duas caras né? Ela só acalmou a periquita quando a sora Carmela e a sora Ana me defenderam.” Lembrei e as duas assentiram, pude ver a máscara de ódio na cara das duas. “Então, eu não tenho dúvidas que ela me deu a viagem pra compensar pelo castigo injusto.”
“Tu tem um bom ponto amiga.” Comentou a Luci.
“Pois é, às vezes nossos pais acham que tão arrasando, mas na verdade tão só ferrando conosco.” Concordou a Lua.
“Pode ser... mas sabem... depois que a mãe entendeu direito o que aconteceu...ela basicamente mandou aquelas freiras do capeta de volta pro inferno, e foi junto com a sora Ana e a sora Carmela na SEC fazer escândalo, nunca vi a mãe tão vermelha.” Comentei rindo,
“Sério amiga?” Perguntou a Luci com os olhos arregalados.
Assenti afirmativamente, soltando uma gargalhada.
“Uhum, só faltou os cartazes de protesto, embora a sora Carmela tenha sugerido, e a mãe contou que tinha um monte de rolo de cartolina no banco de traz do carro dela.”
“Eu posso imaginar a sora Carmela parada na frente da escola que nem um dois de paus segurando cartaz!” Disse a Lua rindo alto, eu e a Luci concordamos com uma gargalhada alta.
Depois de terminarmos, agradecemos pelos sucos e o açaí e fomos para o parque, encontramos uma sombra perto do laguinho, compramos pipoca e sentamos embaixo das árvores, peguei os presentes e as lembrancinhas de dentro da minha mochila e entreguei pra elas.
“Aqui, isso é pra vocês.” Disse eu entregando os pacotes.
“Ai amiga! Não precisava!” Disse a Lua já destruindo o pacote com a pantufa vermelha com o escudo da Grifinória. “Ai amiga! É lindo, eu amei o escudo em alto relevo, e parece ser tão macia!”
“Pois é, eu comprei da Lufa-Lufa pra mim, minha casa né!” Dei de ombros.
“E tu pegou a da minha casa!” Luci exclamou me apertando num abraço, deixando a pantufa com o escudo da Corvinal em cima da grama. “Valeu amiga.”
“Ah, mesmo que o Buzzfeed insista em te colocar na Sonserina, eu sei melhor que ninguém que tu realmente pertence à Corvinal.” Comentei dando de ombros. “Então eu comprei as pantufas da casa certa.”
“Valeu, vou usar muito!” Prometeu a Luci.
“Eu também, no inverno, porque agora, nem rola.” Lua rolou os olhos e rimos alto. “E os botons do Mickey e da Minie, amei.”
“Eu adorei os moedinhas do pateta.” Comentou a Luci sorridente.
“A mana sugeriu os chaveiros de metal, mas são tão cliché, eu queria dar algo mais original, a Lua pode pôr os botons na mochila dela, e tu pode colocar as moedinhas no teu mural de anotações, porque elas são imantadas.” Sugeri.
“Verdade, ou no porta retrato de imã do pateta que tu me deu.” Comentou a Luci.
“Pois é, mas daí tu decide o que tu vai fazer, eu só achei a tua cara. E o pateta é o teu favorito.” Disse eu.
“Pois é, e eu amei que tu me deu os bloquinhos de anotações em forma de coração dos personagens são tão fofos, dá até pena de usar.”
“Isso só vai te dar mais incentivo para as aulas de artes, em vez de anotações, tu pode desenhar neles.” Dei de ombros. “Por falar nisso, o que vocês escolheram das extracurriculares?”
“Ah eu escolhi fotografia.” Lua contou empolgada. “O pai me deu uma câmera profissional.”
“Eu escolhi música.” Disse a Luci
“Também, e Judô.” Contei. “Algum clube?” Perguntei.
“Uhum, Debates.” Contou a Luci.
“Eu escolhi o jornal da escola.” Contou a Lua. “E tu amiga?”
“Leitura e produção textual.” Dei de ombros.
“Eu nem sei porque eu perguntei, era meio óbvio.” Disse Lua rolando os olhos.
“Pois é, o de esportes que não seria né?” Comentei rindo alto.
“Eu sei!” As duas exclamaram soltando uma gargalhada. “Ah por sinal, eu vou fazer Japonês em vez de Inglês.”
“Sério!?” As duas exclamaram arregalando os olhos, me olhando como se uma segunda cabeça tivesse crescido.
“Ah, é que tinha um casal Japa no mesmo hotel que eu, fiquei curiosa com a língua deles, ainda mais que eles me deram os users deles no MSN e o e-mail pessoal, então eu tenho que aprender para conversar com eles.” Dei de ombros. “Até me ensinaram algumas palavras.” Contei animada.
“Ai amiga, que legal, pois nós escolhemos espanhol, já que já fazemos o cursinho.” Contou a Luci. “Espero que tu não te importe, mas eu me recuso a aprender aqueles hieróglifos.”
“Ideogramas, não te preocupa, vocês não precisam fazer.” Prometi. “Mas eu não duvido que vá ser divertido aprender.” Comentei animada. “Ah, o pai tá me ensinando a tocar violão.’
“Sério?” Perguntaram.
“Já sabe alguma música?” Luana questionou, os olhos mel brilhando em empolgação.
“Comecei ontem, ele me ensinou o básico do básico, afinação, dedilhado e a posição dos dedos para os acordes. Falta muito pra passar para músicas.” Expliquei.
“Faz sentido, mas que legal né? Aprende logo, eu me junto no teclado e a Luci na voz, e faremos uma banda.” Sugeriu a Lua.
“Certamente, e podemos convidar ....” Me Interrompi, tive que me conter para não continuar.
“Convidar quem?” Luci perguntou se empolgando.
“Algum colega que toque guitarra.” Sugeri, me dando os parabéns por ter pensado rápido. ‘Nice save.’ Pensei suspirando de alívio.
“Ah, certamente!” Lua confirmou.
“Seria superdivertido, com certeza.” Anunciei.
“Mas acho que tu ficaria melhor na voz Ju.” Disse a Luci, hesitante.
“Que nada, eu posso ter a voz boa, mas tu tem uma técnica ainda melhor, e a tua voz alcança notas altas, combina mais com banda do que a minha.” Pontuei.
“Mas eu não sou muito de chamar a atenção.” Luci insistiu.
“Eu sei disso, mas é exatamente por isso que tu precisa ficar no vocal, tu surpreenderia todo mundo.” Disse a Lua, e eu assenti veemente.
“Ai, eu não sei gurias.” Luci continuou hesitando.
“Tem tempo, não precisa decidir agora, mas pensa nisso tá?” Insisti.
“Amiga!” A Luana exclamou super empolgada, “Eu tive uma ideia incrível! Porque tu não muda de estilo, algo mais roqueira.” Ela me perguntou. “Depois do que aconteceu ano passado, pra ninguém te encher o saco, o que tu acha? Umas roupas legais, que te deixem mais durona.”
“É isso, ano novo, escola nova, Julia nova! O que tu sugere?” Perguntei já imaginando muitas possibilidades com a ideia que a Lua me deu.
“Aquelas botas coturno, sabe?” Perguntou ela.
“Camiseta de banda.” Disse a Luci com um sorriso enorme.
“Uma jaqueta preta com spikes!” Disse eu animada.
“E os acessórios, tipo piercing e mechas coloridas” Lua sugeriu.
“Como o Felipe Neto?” Perguntei gargalhando. Elas assentiram rindo alto. “Mas piercing tem que ser falso, a mãe jamais concordaria.”
“Com certeza. Seria divertido, também uma sombra mais escura nos olhos, e um delineador.” Comentou a Luci.
“Ah, mas eu não vou fazer isso sozinha, vocês também, algo mais discreto pra Luci, até porque não combina contigo, e algo mais ousado pra Lua.” Comentei.
“Amei! Vamos fazer isso, a gente convence nossos pais durante a semana e vai no shopping escolher no final de semana que vem.”
“Eu tenho a jaqueta perfeita em casa, só preciso um coturno e uns piercings, também umas cartelas de brinco autocolantes, não vou sair furando orelha ou nariz.” Afirmei decidida, ‘nem a pau faria isso’
No fim, eu usaria meu estilo da outra linha do tempo no colégio, mas em vez de usar isso pra me proteger, eu usaria isso para mostrar quem manda. Linha do tempo nova, Julia nova.
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