Encontro ao acaso
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Minha primeira fanfic ShikaTema. A ideia surgiu devido ao primeiro desafio do mês relacionado a lugar e eu escolhi trem.
Confesso que na hora que a inspiração bateu a ideia me pareceu boa, mas estou meio receosa de postar.
Temari deixou-se escorregar no banco do trem sem cerimônia. Que alívio a aula de Direito Penal ter sido cancelada e ela poder pegar o trem em um horário mais vazio! Mesmo pegando o trem em seu ponto final, dificilmente ia sentada, sua rotina era pesada e ela não tinha energia para sair correndo feito um animal assim que a porta do vagão abrisse, de todo modo, ela agredecia por poder ir sentada hoje.
Era sexta-feira e ela estava bem cansada. Suna era um bairro um pouco afastado da cidade e a melhor faculdade de Direito ficava no lado oposto fazendo com que a menina acordasse antes que o sol nascesse todos os dias. Além disso, era uma aluna dedicada que gostava de cumprir todos os trabalhos passados pelos professores e naquela semana em especial parecia que todos os professores haviam combinado de passar textos imensos para os alunos lerem.
Suspirou exausta pensando no quanto não teria sido bom aceitar o convite de Tenten para ir a um bar mais tarde. Se não morasse tão longe, aceitaria sem pestanejar, seria bom sentir o álcool descendo por sua garganta , trazia uma sensação relaxante. Sim, ela podia ir dormir na casa da amiga, mas Kankuro estava em seu ápice de mal humor e se tinha uma coisa que o irritava era um dos irmãos dormir fora de casa.
Pegou sua garrafa térmica de café e tomou um gole do líquido que ainda estava morno. Achava ridícula essa regra de Kankuro, tudo bem que ele havia assumido o papel de chefe da casa depois que o pai deles havia morrido, porém Temari já era maior de idade e era frustrante já estar no quarto período da faculdade e ainda ter que pedir permissão pro irmão mais velho.
—Estação de Konoha. – avisou o maquinista fazendo Temari se sobressaltar. Já estava na metade do caminho e não havia notado o quão cheio estava o trem.
—Licença. – a loira ouviu uma voz mais grave falar enquanto várias pessoas olhavam naquela direção. Um menino que devia regular idade com ela tentava chegar ao meio do vagão com uma mochila de seu tamanho e nos braços um livro azul com o título em letras garrafais “Cálculo”. Ele andou até a metade do corredor do vagão, colocou a mochila no chão entre seus pés enquanto segurava o pesado livro com seu braço esquerdo.
—Quer que eu segure? – perguntou Temari indicando o livro nos braços do garoto, “Até que ele é bonitinho”, pensou. Ela olhou para seu colo e viu seu inseparável Vade Mecum com seus incontáveis posts-its, quantas vezes não foi sua salvação alguém segurar seu tão precioso livro? E por que não puxar assunto com um garoto bonito no trem?
—Obrigado. – ele agradeceu entregando o livro a ela, Temari o colocou embaixo do seu e notou os rasgos na capa e as orelhas que se formavam ali. –Estudante de direito? – ele perguntou o óbvio fazendo-a revirar os olhos. Pelo visto, era um idiota.
—Estudante de engenharia? – ela retrucou com o óbvio. Mesmo que vários outros cursos, como administração ou economia, também tivessem cálculo em sua grade, apenas os estudantes de engenharia andavam por ai exibindo seus enormes livros. Ela nunca os entenderia.
—Engenharia mecânica. – ele disse tirando uma caneca térmica de sua mochila e tomando um gole. Temari o encarou, era incomum em pleno verão as pessoas levarem seus próprios cafés em canecas térmicas. –Que foi? – ele perguntou curioso e a menina apenas tirou sua caneca da bolsa, pelo visto o vício pelo café era algo comum. –Semana pesada, não é? Tive três provas essa semana, a prova de cálculo é segunda e fui obrigado a ir a Suna devido ao aniversário de um amigo.
—Também indo a Suna? – ela perguntou curiosa, dificilmente pessoas de outros bairros iam até Suna fazer alguma coisa, é o que acontece quando se mora no fim do mundo. Até que não era tão ruim conversar com um desconhecido no metrô, mas que Kankuro nunca soubesse disso.
—Sim, Naruto, um amigo meu da engenharia elétrica, está fazendo aniversário e me obrigou a ir de qualquer jeito.
—Ele te obrigou? – Temari arqueou a sobrancelha achando aquele menino cada vez mais idiota. Já era um homem e dizia que o amigo o havia obrigado? Como ela havia pensado que ele era interessante quando o viu?
—Amendoim? – perguntou o vendedor ambulante passando por eles. –Apenas 5 por 10.
—Não, obrigada. – recusou Temari entediada, era o décimo vendedor de amendoim que passava. O rapaz com quem conversava apenas rejeitou com um gesto de cabeça.
—Aaah, Naruto fica muito problemático quando se discorda dele. É um saco. – ele dizendo bocejando.
—Naruto... – murmurou Temari pensativa, não lhe era um nome estranho. –Está falando de Uzumaki Naruto? – perguntou, mas em seguida se arrependeu. Uzumaki Naruto era amigo de seu irmão mais novo, Gaara, mas não morava em Suna, e sim em Konoha. O garoto arregalou os olhos levemente em espanto.
—Ah, então você também conhece o problemático. – ele disse com sua voz arrastada, realmente parecia estar com muito sono.
—Meu irmão e ele são amigos, mas pensei que Naruto morasse em Konoha. – ela comentou não entendendo porque aquele loiro barulhento iria comemorar o aniversário longe de casa.
—Seu irmão? – o garoto perguntou confuso. A cidade não era pequena o suficiente para encontrar pessoas que conhecem seus amigos num vagão aleatório do trem. – Por acaso você seria irmã do Gaara?
—Sim. – ela respondeu atônita também, o mundo era tão pequeno. – Sabaku No Temari, prazer em conhece-lo.
—Nara Shikamaru. – ele retribuiu. –Foi por conta de Gaara que Naruto resolveu ir para um bar em Konoha, algo do tipo o irmão ou a irmã mais velha não permitir que ele durma na casa de outras pessoas. – a garota fechou a cara. – Seria por sua culpa? – ele perguntou receoso notando que havia falado mais do que devia.
—Não. – ela disse revirando os olhos, — É o idiota do Kankuro. Deixei de sair com uma amiga por conta dessa regra besta dele.
—Estação de Suna. – anunciou o maquinista novamente.
—É aqui que descemos. – disse Shikamaru colocando sua pesada mochila nas costas e pegando não só seu livro como o Vade Mecum de Temari.
—Essa mochila não está pesada o suficiente? – ela questionou preocupada, parecia ser peso demais. – Eu posso carregar os livros.
—É só um pouco mais pesada que o normal já que irei dormir na casa do Sasori tive que trazer algumas roupas. – ele disse abrindo um sorriso despreocupado enquanto ela se questionava de onde o loiro irritante conhecia seu vizinho. Sasori era uns bons anos mais velho que eles.
Os dois caminharam em silêncio depois que saíram da estação, mas não era aquele silêncio constrangedor. Era um silêncio calmo e cheio de paz que ambos apreciavam. Como a casa de Sasori era apenas há uma quadra de distância da casa de Temari, Shikamaru resolveu leva-la até a porta de casa.
—Obrigada pela companhia. – ela respondeu realmente agradecida, ter voltado pra casa conversando com aquele rapaz desconhecido fez o cansaço do dia diminuir um pouco e a pressão de estudar abaixar.
—Por nada. – ele respondeu calmo. –Obrigado por levar meu livro. – disse devolvendo o livro em perfeito estado da menina o que contrastava com o seu que estava surrado.
Eles se encararam sem saber mais o que dizer. Como você se despede de alguém que acabou de conhecer no trem?
—Bem, a gente se vê outro dia. – o rapaz disse e Temari sabia que era só por cortesia, o irmão mais novo raramente levava amigos para casa e ela nunca saia com o grupo dele.
—Até mais. – ela disse abrindo um leve sorriso e num ato inesperado até pra ela mesma, deu um beijo na bochecha do rapaz.
—Problemática. – ele disse corado antes de se virar de costas e acenar indo embora.
Cerca de duas horas depois, Gaara chegou de sua aula. Temari estava sentada na escrivaninha em seu quarto com incontáveis papeis ao redor numa tentativa frustada de estudar Direito Constitucional. Sua mente não parava de viajar até a figura do rapaz que conheceu no trem e por que ela havia beijado-o? Certo, tinha sido na bochecha, entretanto não era o tipo de demonstração normal da parte dela.
‘Ele era bonitinho.”, ela pensou sublinhando de marca texto uma frase que julgou importante do seu texto. “Mas foi só isso, um crush do tren que eu nunca mais irei ver, mesmo sendo amigo do amigo do meu irmão e do meu vizinho.”, repetiu mais uma vez mentalmente. Era muita coincidência para sua cabeça.
—Temari? – disse Gaara interrompendo seus devaneios entrando em seu quarto. –Voltou cedo da aula hoje.
—Ah, o professor de Direito Penal faltou. – ela comentou empurrando seus papeis para o lado. Mordeu o lábio para segurar a vontade de perguntar ao irmão sobre Nara Shikamaru. – O que houve? – perguntou estranhando, dificilmente Gaara aparecia em seu quarto.
—Desculpe interromper seu estudo. – o rapaz um pouco envergonhado. –Me sinto culpado por estar te pedindo isso. – disse o mais novo adquirindo uma tonalidade rubra em suas bochechas da cor dos seus cabelos. –Mas você teria como ir ao aniversário do Naruto comigo?
—Pra que? – Temari perguntou tentando se mostrar indiferente, porém parte dela comemorava por ter a oportunidade de encontrar o menino do trem novamente.
—Hinata, a namorada de Naruto vai estar lá. Além dela, Sakura é a única menina, mas está tão acostumada a andar com os garotos que Naruto está preocupado de sua namorada ficar deslocada, Hinata é muito tímida. Ele pediu para te chamar e vale lembrar que vai ser aqui perto para que Kankuro não encrenque sobre eu voltar tarde para casa ou dormir na casa dos outros. – o ruivo explicou já sabendo que a resposta de Temari seria não, não se atrapalhava sua irmã mais velha enquanto ela estudava. Ainda assim, ele sabia que era tentador para a irmã.
—Ok, eu vou. – Temari tentou parecer indiferente e Gaara se segurou para não questionar.
Antes de saírem, enquanto Temari retocava seu batom vermelho uma última vez com um leve sorriso nos lábios, Gaara e Kankuro trocaram olhares preocupados tentando descobrir o que havia acontecido com a irmã mais velha.
Notas finais
Deem seu feedback para que eu possa melhorar no desafio da semana 2 :D
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