Encontro Selvagem

10 Destino Cativo


Depois da partida de Atreya de Anurigama, a vida parecia ter voltado ao normal para Kalika. A rotina de trabalhar no campo de arroz e brincar com Raktabīja, ouvir as desagradáveis fofocas das mulheres do vilarejo, como tudo costumava ser antes. Mas as informações circulavam entre o povo do vilarejo à sua revelia.

Passadas duas semanas desses eventos, Kalika chegou em casa para o jantar num dia qualquer e sua mãe lhe perguntou:

— Kalika, você sabe onde está seu pai? Ele não voltou para o jantar.

— Não o vi o dia inteiro, mamãe. Quer que eu peça para o Jaimini buscá-lo na goshala?

— Por favor. Ele deve ter dormido no trabalho, aquele irresponsável. — Zombou a mãe.

— Já estou indo. — Jaimini se prontificou a sair, adiantando-se a caminho.

Chegando na goshala, porém, Jaimini foi surpreendido pela informação de que seu pai não havia aparecido para trabalhar naquele dia. Buscando mais informações, ele se dirigiu ao ponto de reunião dos homens, a grande árvore, embora já fosse noite e ela estivesse desocupada. Mas quando um caçador desocupado passou andando pelo local, Jaimini o abordou.

— Seu pai? Ele partiu numa expedição com os caçadores. Como ele não te avisou? — Contou o caçador solitário.

Jaimini levou a notícia à sua casa, e sua família a recebeu com completo estranhamento.

— Ele nem caça, aquele idiota, sabe nem segurar uma lança, pra que partiu numa expedição de caça? — Resmungou a mãe.

Mas não havia o que ser feito se ele já tinha partido. O que se poderia fazer era esperar o retorno da expedição para então perguntar ao homem o que ele tinha na cabeça pra se unir a ela. Mas, passados alguns dias, os caçadores voltaram ao vilarejo, sem o vigia de vacas. A esposa os questionou furiosa, deixando os caçadores, que traziam quilos e quilos de carne e peles para alimentar e vestir o vilarejo, bastante acuados.

— Ele se juntou a outra expedição? Como puderam deixá-lo fazer isso! Ele não tem a menor ideia do que está fazendo, vai acabar morto por aí!

— Senhora, nós também não entendemos o que ele estava fazendo, mas não podíamos impedi-lo! — O líder da expedição se justificou, mostrando as palmas, bastante melindrado. A mãe de Kalika e Jaimini voltou pra casa bufando e com passos violentos, sem nem saber mais de quem estava com raiva.

Na manhã seguinte, ainda inconformada, a mulher perdia o olhar no nada enquanto bebia seu desi daru.

— Nunca esperaria isso do seu pai, Kalika. Será que ele resolveu virar caçador? Com essa idade? — Ela especulou.

— Eu não sei o que se passa na cabeça dele, mas fico até feliz, sabe? — Kalika respondeu casualmente. — Ao menos vai conhecer outros lugares, sem passar a vida inteira preso em Anurigama.

— Falando em passar a vida inteira, quando é que você pretende se casar, menina?

— Hora de trabalhar. Vou à plantação. Bom dia. — Kalika desviou do assunto sem mostrar incômodo nenhum.

Verdade era, entretanto, que a indiferença na resposta da moça era devida ao seu costume com a pressão para assumir seu lugar de esposa, que ela tanto temia. Kalika sabia que não tinha como convencer os moradores, especialmente mulheres, de que estaria melhor sem se casar. Não era a essa a função da mulher dentro da comunidade. Uma hora, inevitavelmente, o casamento viria, e enquanto lhe fosse possível, ela apenas daria as costas para ele, sem se esforçar em lutar contra.

Nenhuma notícia foi recebida sobre o pai de Kalika por seis meses. Kalika já tinha completado dezoito anos quando voltou a vê-lo numa grande surpresa.

Uma carruagem reluzente, puxada por cavalos, evidentemente feita de madeira das mais refinadas, entrou em Anurigama sem cerimônia. Aquela cena chamava a atenção dos moradores porque não era comum haver veículos no vilarejo, menos ainda veículos altamente refinados como aquele. Quando o pai de Kalika saiu da carruagem, ninguém o reconheceu de dastar e sherwani. Farshid saiu da carruagem e o seguiu a uma distância razoável.

Ele andou sem ser reconhecido até a plantação. Todos observavam com curiosidade, especialmente mulheres, que se aproximavam com pretensões de ser notada por um homem rico. Chegando à plantação, chamou a filha pelo nome:

— Kalika!

Ela o olhou por sobre o ombro, levantou-se sem pressa e se aproximou, imaginando ser mais um pretendente que tentaria impressioná-la com riquezas. Mas reconheceu que era o pai quando se aproximou.

— Ora, finalmente você voltou. Por que está vestido assim? — Indagou. Mas ao perceber quem estava atrás dele, ela imediatamente se surpreendeu, arregalando os olhos. — Farshid? Por que está com o Farshid, papai?

— Eu sinto muito, senhorita Kalika. — disse Farshid, em seu costumeiro tom pétreo, mas não deixando dúvidas da veracidade de suas palavras.

O pai finalmente começou a falar, com um sorriso malicioso:

— Como pai da noiva, me é uma honra cumprir a tarefa de levar minha filha até o casamento com o nobre Atreya em Khambhat!

Kalika deu dois passos para trás. Sentiu sua cabeça ficar leve.

— Casamento Prajapatya. — Explicou o pai. — Eu propus a Atreya. E nunca tinha visto uma pessoa tão feliz em toda a minha vida.

— Não! — Protestou ela.

— Você não tem escolha dessa vez, Kalika. Seus dias de rebeldia acabaram.

— Não! — Kalika repetiu o grito, pondo-se a correr.

— Não seja ingrata, menina! Honre sua família! — Esbravejava o pai, indo ao encontro da filha, mas foi detido por Farshid, que segurou seu braço.

Ele se virou para o guarda-costas, cheio de ódio.

— Não coloque suas mãos em mim, garoto! Você é um mero serviçal! — Livrou-se da mão de Farshid com violência, tentando empurrá-lo, mas Farshid não reagiu.

Em poucos minutos a notícia não apenas tinha se espalhado, mas era assunto de conversa em todos os círculos sociais de Anurigama. Em parte alguma se falava de outra coisa que não o casamento Prajapatya de Kalika e Atreya. Todo o vilarejo o recebeu com grande alegria, totalmente alheio aos sentimentos da moradora envolvida.

Kalika se pôs a chorar numa clareira próxima. A mesma em que conhecera Raktabīja quase seis anos antes, salvando-o dos dholes. O tigre apareceu para confortá-la, deitando-se ao seu lado e deixando que se apoiasse em seu pelo.

— Oh, Raktabīja. Que bom que você veio me consolar. Mas essa pode ser a última vez que eu te vejo, meu amigo! — Declarou ela, entre as lágrimas. — Eu vou me mudar para uma terra distante, pra viver com um homem estúpido. Oh, Raktabīja! Eu invejo tanto a sua liberdade! — O tigre grunhiu, o que Kalika entendeu como um sinal de empatia.

— Kalika! — Chamou a voz de Jaimini, distante. Ele logo surgiu dentre as tecas. — Oh! Olá, Raktabīja. — Cumprimentou, ofegante. — Eu sabia que você estaria aqui.

— Estou tentando me esconder. — Justificou-se Kalika. — Mas não posso por muito tempo.

— Eu sei, Kalika. Eu queria poder te ajudar, mas. — Antes que terminasse a frase, Kalika já o abraçava, muito ternamente.

— Obrigada por me entender, Jaimini.

— Kalika. . . — Balbuciou o garoto, sem saber o que falar.

Enquanto isso, em Anurigama, o pai de Kalika conversava com o líder do vilarejo, contando suas aventuras em Khambhat.

Graças à mulher na plantação que ouviu a última conversa entre Kalika e Atreya, o boato verdadeiro de que ele lhe teria pedido em casamento se espalhou. Kalika nunca disse nada sobre o assunto, mas quando ele chegou às orelhas de seu pai, ele ficou indignado e resolveu partir para Khambhat para resolver as coisas.

Saindo da expedição de caçadores, ele teve que pular de uma caravana pra outra continuamente até encontrar uma que ia a Guzerate. Depois de quatro meses, conseguiu chegar em Kahmbat, sem fazer a mínima ideia de como encontrar Atreya, mas saiu perguntando pelas ruas até conseguir, o que lhe tomou alguns dias. Obviamente, não teve acesso ao mahal, que era largamente vigiado por guardas, mas conseguiu permissão para conversar com o mestre quando declarou que viera de Anurigama. No exato momento em que se viu na presença de Atreya, lançou-se prostrado ao chão e proferiu a declaração do Prajapatya:

— Possam os dois performar juntos seus deveres religiosos!

Atreya sorriu largamente tão logo percebeu o que estava acontecendo.

O pai de Kalika obviamente conhecia os sentimentos da filha, sabia que não queria se casar com Atreya nem com nenhum outro homem. Mas sabia que não haveria outra chance como aquela para nenhuma mulher em Anurigama e entendia que o casamento de Kalika e Atreya era o melhor termo para o longo histórico de rebeldia da filha. Não permitiria que a rebeldia de Kalika privasse a sua família e o seu vilarejo de tamanha honra. O chefe do vilarejo concordou totalmente.

Quando Kalika e Jaimini voltaram ao vilarejo, foram ovacionados por todo o povo, que não fazia a menor ideia de quão abalada a garota estava por dentro. Foi direcionada proativamente para sua casa, onde presumivelmente entraria pela última vez.

A mãe tentou recebê-la com um abraço, mas Kalika a repeliu.

— Sei que está chateada, filha. — declarou ela. — Mas você não faz ideia da oportunidade que está tendo! Eu daria tudo pra estar no seu lugar! Qualquer mulher deste vilarejo daria!

— Então case você com aquele idiota.

— Não seja assim, filha. Sua vida em Kahmbat vai ser incrível! — Ela finalmente mudou para um tom mais sério e prosseguiu: — Mas você sabe que não pode recusar o Prajapatya. Você traria grande desonra à nossa família e ao nosso vilarejo se o fizesse.

— E sob a desculpa da honra, vocês vão me aprisionar como a um animal domesticado. Eu não vou gastar minha saliva discutindo com você, sei que você não vai entender.

— Kalika. . . — A mãe começou a dizer, mas foi interrompida quando Farshid entrou pela porta sem avisar.

— Oh! O guarda-costas de Atreya! Que honra recebê-lo. Como posso. . .

— Senhora, por favor nos dê licença? — pediu Farshid prontamente. O semblante da mãe de Kalika alterou-se imediatamente, mostrando incômodo, mas afinal entendeu ao pedido do homem.

Tão logo ela saiu, Farshid passou a dizer:

— Eu tentei impedir, senhorita Kalika. O mestre Atreya me pediu diretamente para te escoltar até Khambhat. Assim que soube do Prajapatya, eu imediatamente me opus e tentei convencê-lo do contrário. Foi a primeira e única vez que neguei minhas ordens.

— Agradeço, Farshid. Mas infelizmente isso não me ajuda. Eu conheço Atreya. Sei que nada no mundo o faz mudar de ideia.

— Não posso impedir o casamento, senhorita Kalika, mas se não fosse eu, outro soldado te levaria até Khambhat, e isso seria muito pior. Vou te conduzir em segurança até lá, e assim que você estiver no mahal, eu vou pedir demissão. Não vou assistir o casamento. Eu sinto mui. . . — Antes que terminasse de falar, Kalika já o estava abraçando.

— Obrigada, Farshid. Ahura-Mazda está orgulhoso de você. — Farshid ficou completamente imóvel. Se fosse um combate de espadas, Kalika teria vencido.

Mesmo depois que o abraço se desfez, o homem continuou imóvel e mudo por tempo suficiente para que Kalika indagasse:

— O que foi? — Farshid ainda levou um longo momento para recobrar os sentidos e dizer:

— Essa foi a primeira vez que alguém me deu um abraço. — Kalika riu. A primeira vez que ria desde que soubera de seu destino.

— É gostoso sentir o afeto dos outros, não é? Humanos ou tigres. Pena que nossa vida cheia de obrigações força a gente a abrir mão disso.

Farshid recobrou a postura. Estava quase deixando que seus sentimentos interferissem no seu trabalho, coisa que fora treinado a vida toda para impedir. De costas e prestes a deixar a casa, ele disse:

— A carruagem sai com você pela manhã. Temos uma frota esperando para te receber em Tiruchirappalli, de lá seguiremos para Khambhat. Você pode levar sua família ou alguma amiga com você, se quiser. — Saiu sem esperar resposta.

Kalika recusou-se a passar em sua casa a sua última noite de liberdade. Sem se importar com perguntas ou buscas de sua família ou de outros moradores do vilarejo, saiu à noite para encontrar Raktabīja sob o céu estrelado. Chamou-o incansavelmente, mas ele não apareceu. O tigre só comparecia quando queria.

Pela manhã, vestindo um sari rosa muito elegante e pela primeira vez na vida com um bindi na testa, tão elegante quanto jamais estivera, Kalika estava prestes a partir.

— Povo de nurigama, vamos nos despedir com alegria da jovem Kalika. — chamava o chefe do vilarejo, empolgado.

As mulheres formavam a linha de frente da multidão reunida em frente à casa de Kalika para vê-la usando os trajes matrimoniais. Quando a porta se abriu e a mulher saiu, a empolgação da multidão morreu como o latido de um dhole ao ouvir o rugido de um tigre. Os olhos cerrados, a cabeça baixa e os lábios comprimidos. Jamais se vira tamanha tristeza num semblante. A alegria da multidão imediatamente converteu-se em vergonha. Ninguém tinha coragem de dizer uma palavra.

Apenas duas pessoas se manifestaram, e ambas para a completa surpresa de Kalika. O primeiro foi Parashara.

— Kalika! — Ele chamou-a, aproximando-se com uma lança de prata em punho, enrolada num chaddar vermelho.

— Parashara? — Estranhou Kalika.

— Que o espírito mais indomável a jamais habitar Anurigama leve a terras distantes o nosso legado caçador. Você não é caçadora, Kalika, mas teria sido uma caçadora incrível se eu tivesse te treinado. Você é capaz de domar tigres selvagens, você tem mais coragem e determinação que qualquer homem da minha equipe de caçadores. Foi uma honra dividir essa modesta terra com você por todos esses anos, Kalika. Por favor, aceite esse presente. É minha melhor lança.

Melindrada, ela apenas recolheu a lança e seguiu seu caminho. Parashara retirou-se rapidamente. O segundo homem a abordá-la para a despedida foi também um caçador. O caçador grisalho que lhe ensinara sobre os tigres tantos anos antes. Diferente de Parashara, ele não se aproximou com um presente, e sim com um conselho:

— Quando estiver em Guzerate, procure por um lugar chamado Vihara de Valabhī. Tenho certeza que lá você vai ser feliz.

Kalika cumprimentou com um aceno com a cabeça o respeitável ancião pela última vez. Entrou na carruagem e partiu. Saindo de Anurigama, pela janela ela viu Jaimini, postado ao portão do vilarejo. Com Jaimini ela não precisava trocar nenhuma palavra. Eles se entendiam. Apenas de vê-lo ali, ela sabia exatamente o que ele tinha a comunicar. Ele cuidaria de Raktabīja. Ele se tornaria o maior caçador de Anurigama, o sucessor de Parashara, e em tal posição, jamais permitiria que qualquer humano fizesse qualquer mal ao tigre.

— Eu te visito em Kahmbat a cada três ou quatro anos para mandar notícias. — Limitou-se a dizer o rapaz. Kalika acenou com a cabeça.

Mas a carruagem seguiu ainda algumas dezenas de metros selva adentro quando os cavalos interromperam euforicamente sua corrida, relinchando e levantando aos ares suas patas dianteiras. Um obstáculo intransponível surgira no caminho. O condutor começou a gritar assustado:

— Farshid! Socorro!

Farshid abriu a porta da carruagem tão logo pôs a cabeça para fora, percebeu qual era a ameaça: um tigre.

Sentado, imponente, com o rabo serpenteando e lançando seu olhar mortal para a carruagem. Por nada sairia do caminho.

— Senhorita Kalika, seu amigo veio se despedir. — Anunciou Farshid.

Kalika saiu às pressas da carruagem, já com os olhos úmidos. Assim que a viu, Raktabīja levantou-se e se aproximou com seus passos furtivos de caçador, para desespero dos cavalos.

— Raktabīja! — Clamou ela. Quase caiu da carruagem tanta foi a pressa com que desembarcou, mas Farshid a ajudou a se apoiar.

Assim que a humana estava com os dois pés no chão, o tigre acelerou seu passo, indo ao encontro dela animado e pondo as patas em seus ombros.

Kalika o abraçou com mais força do que nunca antes e deixou as lágrimas escorrerem.

— Raktabīja! Raktabīja, meu amor! — Ela chamava comovida pelo seu nome.

— Leve o tempo que precisar, senhorita Kalika. — admoestou Farshid.

Kalika engoliu em seco, deu um beijo demorado na testa e em seguida no focinho do tigre, limpou suas lágrimas com os dedos e então passou a dizer:

— Raktabīja, essa é a última vez que nos vemos. Você foi o melhor amigo que eu já tive na vida. — Sua voz embargada ia gradativamente retornando ao tom normal. — Eu passei o máximo de tempo que pude com você, mas ainda me parece que não foi tempo suficiente. Eu não sei como vai ser minha vida lá em Khambhat, mas sei que nunca vou viver nada igual ao que vivi com você, meu amigo. — O ronronar e o rabo serpenteante. As respostas que Kalika sempre recebeu como uma profunda conexão com um animal de outra espécie. — Eu sei que esses tempos nunca vão voltar, mas sou feliz por eles terem existido. Eu vou contar sobre você aos meus filhos e a todas as pessoas que eu conhecer. Se existe algum jeito dos tigres contarem histórias uns aos outros, conte você também aos outros tigres sobre mim. Nenhum humano e nenhum tigre jamais viveram uma amizade tão bonita quanto a nossa, Raktabīja.

Ela o abraçou novamente e deixou as duas últimas lágrimas escorrerem. Raktabīja respondeu com lambidas no rosto. Kalika se levantou e proferiu suas derradeiras palavras:

— Adeus, Raktabīja.

E, como se tivesse entendido, o tigre respondeu com seu mais poderoso rugido. Virou-se, dando as costas para os humanos e num salto grandioso voltou para as profundezas da selva. A selva, seu lar. Sua eterna moradia selvagem.

Notas finais
O final "verdadeiro" da história não foi muito mais feliz que o final alternativo em que Raktabīja morre, mas eu fico feliz em me dar por satisfeita sem um final feliz, acho que esse é um sinal de amadurecimento da escrita. Eu imaginei também um prólogo, que provavelmente nunca vou escrever, em que Jaimini, já adulto e líder dos caçadores de Anurigama, conhece um caçador de um vilarejo próximo e o reconhece como o assassino da mãe de Raktabīja. Esse caçador lhe contaria do dia em que encontrou uma tigreza com filhote e matou a mãe pra ficar com a pele, mas o filhote escapou. Pela cronologia, Jaimini conseguiria entender que esse filhote era Raktabīja. Mas não houve espaço na história para encaixar essa cena. Depois desse final tão grandioso, fechar a história com um prólogo seria, a meu ver, um anticlímax. Então esse é o fim de Encontro Selvagem, uma história que eu amei escrever. Obrigada por ter lido.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!