Encontrando nossos corações

4 Aos meus melhores amigos - ESPECIAL


Notas iniciais
E aiiii, pessoal! acabei de escrever esse capítulo, porque essa semana passei por uma situação meio triste meio engraçada: triste porque meu melhor amigo vem tendo problemas na vida amorosa dele, engraçada porque eu sempre estive nesse papel intermediário, como amiga de duas pessoas que têm problemas no relacionamento delas. eu já tinha acabado de escrever o próximo do ron, mas achei que seria interessante colocar o ponto de vista do harry também! não coloquei muuuuuitos detalhes do que acontece nos livros, porque essa fic narra o ponto de vista de cada um, né, e eu coloquei uma reflexão que eu já tive na vida como uma reflexão do harry sobre os dois melhores amigos dele. enfim, espero de coração que vocês gostem, eu amei escrever esse capítulo, achei fofo! beijos e boa leitura ♥

Harry

Minha intuição sempre me dizia que isso poderia acontecer um dia, porque depois de tantos anos convivendo com aqueles dois, eu poderia dizer que os conheço mais do que a mim mesmo.

O que não é de todo mentira, já que sempre tem algum detalhe novo e assustador sobre minha vida que eu geralmente desconheço.

Mas mesmo em meio ao caos, histórias mirabolantes, boatos, falatórios e polêmicas sobre ser o Eleito, os melhores momentos da minha vida foram os que Ron e Hermione estiveram comigo. E eu não os trocaria nem por uma vida mais tranquila.

Desde o primeiro momento, soube que a amizade dos dois era muito diferente da minha amizade com ambos. Ron, apesar de sempre ter demonstrado seus medos e inseguranças, era sempre mais relaxado na minha presença do que quando Hermione estava por perto. Talvez isso se deva às brigas, que acontecem desde nosso primeiro ano em Hogwarts. E na realidade, não posso culpar Hermione de se irritar com ele na maioria das vezes. Parece até que ele faz de propósito.

Talvez se deva ao fato de que, à medida que fomos ficando mais velhos, os sentimentos de meu melhor amigo foram ficando confusos. Ele sempre teve esse lado protetor com a própria irmã – o que me faz temer pela nossa amizade, já que me encontro completamente apaixonado por Ginny –, e desde que salvamos Mione de um trasgo no primeiro ano, sempre foi ele o primeiro a tomar uma iniciativa mais corajosa para defendê-la. Digo isto porque foi ele quem vomitou lesmas quando quis azarar o Malfoy no primeiro ano, ou que enfrentou uma acromântula gigante para podermos resolver o mistério da Câmara Secreta – e posso lhes assegurar que ele se muniu de uma coragem surpreendente ao ver Hermione petrificada.

E Ron tem um verdadeiro pavor de aranhas, ainda mais as gigantes.

Não quer dizer que eu não a ame. Eu a amo, e sempre vou fazer de tudo para que esteja segura. Mas Ron passou por muito mais do que eu para que ela ficasse bem.

A não ser, é claro, quando ele resolvia descontar suas frustrações nela. Isso me colocou inúmeras vezes no papel de melhor amigo de duas pessoas que muito provavelmente não voltariam a se falar.

E posso dizer que minhas tentativas de fazer com que eles voltassem a ser amigos sempre tiveram umas falhas bem grandes.

Ron é um cara que sempre sofreu dos nervos, além disso, ele sempre teve uma forte questão sobre ser o segundo, ou de não ser importante o suficiente. Ele é o filho mais novo de todos os seus irmãos, e Ginny é a filha que a sra. Weasley sempre desejou. Então os holofotes nunca ficaram por muito tempo em cima dele.

E infelizmente, ser o melhor amigo de Harry Potter lhe causava a mesma sensação.

Ele nunca reclamou abertamente sobre isso, mas no quarto ano, onde muita coisa mudou, entendi um pouco mais esse sentimento que parece corroê-lo como ácido. Nós brigamos porque meu nome saiu no Cálice de Fogo e Hermione me explicou que ele ficou com ciúmes. Me lembro que queria dar a ele uma resposta bem mal criada e rude, o que só pioraria a situação. Só voltamos a nos falar quando ele percebeu que minha fama me rendeu um encontro com um dragão, que podia ter me matado.

Pelo menos daquela vez, ele entendeu que ser famoso, pelo menos no meu caso, é uma droga.

E dentro de todo esse contexto, depois que eu também passei a prestar mais atenção a esses detalhes, comecei a reparar que Ron nunca era alvo das risadinhas femininas – eu sempre odiei essas risadinhas – ou ele aparentemente ainda não se ligava nisso. Na verdade, ele não se ligava nas meninas que tinham em Hogwarts, que na minha opinião, eram mais legais que as de Beauxbatons.

Pode ser que ele não tivesse tido tantos problemas envolvendo o sexo oposto se ele olhasse mais de perto.

Depois que ele se traumatizou ao convidar Fleur Delacour para o Baile de Inverno, ele ficou realmente chateado por não ter um par, mesmo que ele tentasse esconder. E quando Ron ficava chateado com alguma coisa, ele sempre descontava em Mione. Eu podia ouvi-lo resmungar coisas do tipo “Quem precisa ir a um baile idiota?” ou “Ninguém é legal o suficiente para mim.”. Não sei vocês, mas eu não considero esse discurso como o de quem não está ligando.

No final das contas, eu também poderia ter convidado a Mione, mas eu me apaixonei por Cho, queria convidá-la a todo custo, e cheguei tarde demais. Pensando melhor agora, seria ótimo se Hermione tivesse ido comigo, me pouparia muitos constrangimentos e eu ficaria muito mais a vontade. Mas ela nos confidenciou que já tinha um par, depois que Ron deixou bem claro que não a enxergava como uma garota até então.

Acho que ela não gostou muito do comentário de meu pobre amigo.

Bem, de resto, vocês já devem saber: Baile, Krum, briga, e mais uma vez eu voltei a ser amigo de duas pessoas que se distanciaram por não saberem o que sentiam um pelo outro.

Por mais que eu nunca tenha gostado dessa situação, entendia que às vezes era necessário.

Mione sempre foi a mais centrada de nós três, ou pelo menos, ela sempre tinha uma resposta para suas perguntas, o que de certa forma é um cenário mais reconfortante. Mas acho que em relação ao Ron, ela nunca foi muito racional.

Eu via o quanto ele mexia com ela; todos os comentários que ele fazia, ela rebatia e eles passavam horas discutindo, se deixasse. Às vezes eu ficava irritado, outras eu ignorava..., mas eu via o quanto ele tinha um talento para tocar no coração dela, seja por bem, seja por mal.

De nós três, ela sempre foi a mais discreta também. Eu só sabia dos amassos dela com Krum porque ela me contou, e não foi de uma forma direta. Estávamos na biblioteca – o lugar preferido de Hermione – e ela me contou que ela e o apanhador não conversavam muito, que o lance era mais físico. Confesso que senti a temperatura do pequeno cubículo subir, porque ela parecia estar prestes a entrar em combustão quando ia dizendo isso.

Não me importei, porque além de tudo, ela havia me dito que tinha se sentido linda pela primeira vez na vida.

Agora, dois anos depois, eu posso dizer que realmente, Hermione roubou a cena naquele dia. Eu estava embasbacado por ter cruzado com Cho, mas minha melhor amiga era a menina mais bonita daquela escola, com seu vestido azul esvoaçante e cabelos sedosos. Até sua postura, normalmente curvada por causa dos livros que carregava, estava ereta, leve, como se ela fosse o próprio vento, deslizando delicadamente pelos degraus. Não parecia precisar de maquiagem, apesar de ela ter me dito que estava usando um pouco, porque ela brilhava como uma veela, resplandecente e linda.

E quando a vi sorrir para o Krum, pensei sinceramente que qualquer cara seria muito sortudo de tê-la como parceira. Ela estava simplesmente radiante, e eu fiquei muito feliz ao vê-la daquela maneira.

Obviamente, Ron pensou o mesmo, mas como sempre, seu ciúme fez com que a noite de minha amiga fosse pelo ralo.

Depois daquele dia, comecei a observá-los melhor. Apesar das repostas ácidas e do ar de desprezo que Hermione tinha algumas vezes, eu sempre via um brilho nos olhos dela. Ron parecia despertar um fogareiro que ela exibia quando falava de qualquer assunto que julgasse fascinante. E isso começou a me alertar de que um dia eles poderiam passar da fase das implicâncias, da amizade.

Todavia, esse ano foi completamente diferente.

Por mais que eu já suspeitasse, lá no fundo, que eles poderiam ser sim um casal, acho que me distraí e não acompanhei o suficiente que a intensidade dos sentimentos de ambos foi crescendo. E não digo só pelo fatídico dia de que Ron a acusara de beijar o Krum, nem pelas lágrimas magoadas de Mione depois dessa acusação, mas principalmente pela forma quase palpável de que esses sentimentos pareciam se apresentar.

Alguns dias depois do incidente com Ginny e Dean, Ron me perguntou o que nosso colega de quarto via em sua irmã. Eu poderia lhe responder o que realmente pensava, mas não ia ajudar em nada. Respondi apenas que Ginny era bonita, inteligente, engraçada... e parei por aí, para não me meter em problemas – minha vida já estava cheia deles. Mas posso jurar que o escutei resmungando todas as qualidades que ele via em Hermione. Bem promissor.

***

— Lavander e eu temos química – Ron repetia isso todas as vezes em que eu revirava os olhos para mais uma demonstração desnecessária de afeto da nova namorada de meu amigo.

Olha, eu adoro quando o Ron está de bom humor. Mas desde que ele começou a sair com Lavander, ou ele passa o dia inteiro a beijando – de forma bem explícita, devo acrescentar – ou ela nos segue o dia todos pelas aulas, intervalos, refeições e treinos de quadribol. E eu estava começando a me cansar. Infelizmente, pude constatar que Ron não tinha se tocado dos sentimentos dele.

Torço para que seja logo, porque eu não aguento mais escutar “Uon-uon!” por toda a escola.

Como eu não queria piorar a situação, passava muito tempo quieto. Além de claro, nunca ter conversas mais sérias quando Lavander estava presente. Ter momentos a sós com Ron era algo que estava ficando muito difícil. E Hermione, que tinha mais matérias que nós dois, passava muito mais tempo na biblioteca do que de costume, já que ela se recusava a estar no mesmo ambiente que nosso amigo. Então não passávamos muito tempo tagarelando.

Suspeitava que minha voz ia sumir por falta de uso.

Mas acho que ela precisava mais de mim do que ele, porque eu sabia que ela o amava. O jeito de olhar dela começou a mudar, como se ela tivesse entendido finalmente o que se passava em seu coração. Alguns dias depois do beijaço de Ron na sala comunal, a encontrei em um corredor vazio, sozinha. Vê-la daquela forma era bem doloroso, porque ela não tinha muitos amigos, e eu sabia que o momento estava sendo difícil. Sentei-me ao lado dela e a abracei. Odiava quando ela estava triste daquele jeito, e xinguei Ron mentalmente por não perceber a mulher maravilhosa que ele estava deixando passar.

— É assim que você se sente, não é? – a voz dela estava de partir o coração – Quando você vê Ginny e Dean...

Apenas confirmei com a cabeça, ela já sabia. Ela não deixava os menores detalhes escaparem. Penso que ela sempre se preocupou mais com os sentimentos das pessoas do que o Ron fazia. Não era difícil admitir qualquer tipo de emoção em relação a outra pessoa com ela. Porque ela me fazia sentir que tudo ficaria bem, por mais inexperiente que eu fosse.

Quanto mais o tempo passava, mais eu admirava o quanto Hermione permaneceu forte, não podendo se esquivar do novo casal no horário das aulas que tínhamos juntos. Ela parecia focar totalmente em seu rendimento, e começou a melhorar mais ainda nos estudos – se é que era possível. Quando se sentia sobrecarregada, ela apenas se sentava perto de mim e passávamos horas abraçados, sem dizer nada, ou estudando... até deixei de ficar irritado quando ela implicava com o livro do Príncipe Mestiço, pois ela sempre parecia se animar mais um pouco.

De qualquer forma, não sei dizer a vocês como isso vai terminar. Ron vai continuar sendo insensível e imaturo até se dar conta de que seus sentimentos são o que são. Ou até ele perder o coração de alguém que é tão importante para nós. E Mione vai continuar se escondendo pelos cantos, sempre se negando a dizer o que sente, por achar que ele não vai encarar a verdade com maturidade.

Mas aconteça o que acontecer, quero que eles sejam intensamente felizes, pois eles são as pessoas mais importantes no mundo para mim.

Notas finais
O HARRY É MUITO FOFO, CARA! ah, e só pra esclarecer aqui: o que eu percebi durante a saga é que o harry sempre foi mais "controlado". quer dizer, ele só foi dar uma porrada no draco no quinto livro, se fosse comigo... kkkk brincadeiras a parte, eu sempre vi essa lado mais protetor, de fazer no impulso, vindo do ron. ao mesmo tempo, a hermione e o harry tinham uma amizade mais de conversas. de modo que os três eram melhores amigos, mas o ron era mais pras paradas da convivência e a hermione, de falar que questões mais profundas, como os sentimentos do harry pela cho e pela ginny.. enfim, acho que vocês me entenderam, né? kkk eu amo a amizade do harry e da hermione, apesar de achar a do ron mais divertida. porque ela sempre se mostra mais vulneravel ou tem a chance de falar o que sente sem ter alguem pra debochar dela. isso porque eu não falei daquela cena linda que eles dançaram em reliquias da morte ♥ me empolguei, mas eu amei real escrever esse capitulo! espero que também tenham gostado, e me digam o que vocês acharam! até o próximo ♥