Encontrando Seu Lugar.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Leo acordou ouvindo um leve murmúrio. Sentou-se e coçou a cabeça repleta de cachos negros coberto por uma fina camada de poeira. Tentou se lembrar a onde estava e o que estava fazendo ali. Quando conseguiu se lembrar, desejou não tê-lo feito.
Olhou ao seu redor, analisando pela primeira vez o lugar em que se encontrava. Parecia uma caverna, cheia de estalactites e estalagmites . Tudo tinha um sinistro tom azulado mas algumas chamas alaranjadas brilhavam ao longe, permitindo que o semideus distinguisse algumas formas contra as paredes de pedra. Um cheiro fétido de monstros em decomposição preenchia o lugar. Em suma, era assustador.
Leo voltou a ouvir o leve murmurar e então aos pouco uma coluna de fumaça começou a se formar a sua frente. O garoto se levantou de súbito e se deparou com uma figura masculina corcunda e perneta, com densos cabelos negros desgrenhados e uma barba emaranha incandescente. Haviam graxa e rugas de expressão em seu rosto e era levemente estrábico.
- Hefesto ! – Arfou Leo diante da visão horrendamente confortante do pai.
- Claro que sou eu. Achou que fosse quem ¿ Afrodite ¿ — Resmungo o deus ferreiro.
- Mas o que... o que faz aqui ¿
- Estou cumprindo uma promessa, garoto – Leo o olhou sem entender – Venha comigo, Leo, e vai entender.
O semideus hesitou mas por fim acabou o seguindo. Começaram a caminhar por um corredor de pedra azulado e frio, margeado por saliências pontiagudas e a luz bruxuleante das chamas misteriosas. Leo ouvia uivos, rosnados, gritos e gemidos que o faziam se encolher e vez por outra, sombras de demônios disformes se formavam nas paredes. O filho de Hefesto tinha a impressão de que se o deus não estivesse com ele, ele sairia correndo como uma garotinha.
Hefesto devia estar exercendo algum tipo de mágica, pois quando Leo se deu por si, eles estavam as margens de um buraco negro de aparência nada convidativa.
- O que fazemos agora ¿ — Perguntou o garoto
-Como assim ‘’o que fazemos agora’’ ¿ Nós pulamos, oras ! – Leo torceu o nariz para o buraco mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, sentiu a mão de Hefesto o empurrando para o vazio.
Ainda um pouco atordoado, percebeu que estava de pé ao buraco novamente, mas seria o mesmo buraco ¿ Leo percebeu que não, as paredes da caverna haviam mudado, assim como os sons e o clima do lugar. Ainda estava em um lugar desagradável, mas bem menos desagradável . Quando ele e o pai saíram da caverna, ele percebeu aonde estavam agora.
- Pelos Deuses, estamos no mundo inferior ! – Hefesto o olhou e assentiu. O palácio negro de Hades se erguia imponente a frente deles, seguido dos campos dos Asfódelos com seus choupos acinzentados.
- O que viemos fazer aqui ¿ — Perguntou Leo com uma centelha de esperança na voz. Talvez e só talvez o pai iria falar com Hades e tirá-lo dali ! Mas Hefesto não respondeu e a esperança de Leo voltou a minguar.
Andaram por entre os campos dos Asfódelos até chegarem numa encruzilhada. O deus seguiu em frente e Leo não tinha idéia de onde eles iriam parar. Podia ouvir os sons das torturas eternas vindas dos campos da punição e pensou por um momento que talvez o pai o estivesse levando para lá. Mas porque ¿ Foi então que o semideus viu. Ao longe, viam-se campos verdes e ensolarados, mesmo sem nenhum sol. Haviam grandes casa brancas e uma energia positiva emanava de lá. Então era para lá que estava ainda ¿ Para o Elísio ¿ Leo não ousava acreditar !
Chegaram finalmente a um belo portal feito de pedra branca onde lia-se ‘’Campos Elísios’’ em grego antigo. Ao atravessarem o portal, o queixo de Leo caiu. Era tão bonito quanto o Olimpo ! Mas isso não era o mais emocionante, o melhor eram as pessoas que esperavam por eles. Dispostos meio de qualquer jeito, estava uma pequena multidão.
A primeira pessoa que Leo avistou foi um rapaz afro-americano musculoso com a camiseta do Acampamento Meio Sangue e a seu lado havia uma linda garota morena de olhos azuis. Valdez sabia exatamente quem eram. Beckendorf, antigo líder do chalé de Hefesto e sua namorada, Silena beauregard. Ambos sorriam para ele de forma afetuosa. Bem ao lado deles, haviam duas garotas vestidas com roupas prateadas. A primeira era ligeiramente familiar, tinha olhos escuros penetrantes e usava um gorro verde. A outra tinha um ar de princesa e usava uma espécie de tiara, parecida com a que Thalia, irmã de Jason, usava. As garotas se mantinham meio afastadas de um garoto alto e loiro com uma cicatriz que atravessava seu rosto. Leu arquejou, aquele era Luke, o filho de Hermes que se sacrificara para deter Cronos. Ao lado de Luke se encontrava um garoto magro usando um tapa olho. Uma mulher asiática com uniforme militar vinha em seguida. Sentado em uma cadeira de rodas, perto da mulher, estava um senhor idoso que era o reflexo de Leo. Era Sammy Valdez, seu bisabuelo ! E ao lado do velho...
Leo perdeu o ar e o coração falhou uma batida. A mulher que se encontrava agora a frente de Leo tinha pele morena e cachos negros e compridos. Ela usava um macacão verde folgado e seus olhos escuros transbordavam de bondade. O filho de Hefesto correu até ela.
-Mama ! – Gritou Leo afundando nos braços quentes de Esperanza Valdez.
- Mi hijo, mi héroe ! – Murmurou a mãe, passando a mão nos cabelos empoeirados do filho – Você está tão bonito, querido !
- Diga a isso as garotas, mama! – Disse Leo mal escondendo a felicidade de estar junto a mãe novamente.
- Tenho certeza de que elas sabem – Riu Esperanza. Mas antes que qualquer um dos dois pudesse dizer qualquer coisa, ouviram um pigarro forte atrás de si. Era Hefesto.
- Bom, acho que vou indo. – A mãe de Leo se levantou e caminhou até o deus e pegou suas mãos. Ele corou tanto que deu para perceber apesar na fuligem e barba em seu rosto
- Esperanza, eu...
- Shhh – Fez a bela mulher. – Você é tem um bom coração, querido. O melhor dos corações. Você cumpriu sua promessa e manteve nosso hijo em segurança .
- Mas o deixei fechar as portas, eu...
- Você sabia tão bem quanto eu que esse era o destino dele. Ele estava bem. Ele estava aqui. É tudo o que importa. – Hefesto corou um pouco mais e quando Esperanza ergueu-se nas pontas dos pé para beijar-lhe e testa, a raiz dos cabelos do deus em entraram em chamas. Esperanza apenas riu delicadamente.
- Você fez a mesma coisa no dia em que nos conhecemos
- É que não é todo dia que se conhece uma mulher tão bonita, mesmo que...
- ...mesmo que se tenha cinco mil anos de idade. – Completou a morena rindo. Leo pensou que se o pai havia conquistado o coração de uma mulher como sua mãe remungando e entrando em combustão toda vez que ela prestava atenção nele, então ele, Leo, também tinha chances de conquistar uma garota incrível. Esperanza soltou as mãos do deus e se dirigiu a Leo, segurando seus ombros.
- Ãh, bem, vou indo agora então – Disse Hefesto sem jeito – Você fez um bom trabalho, meu filho.
Leo apenas assentiu sem fala. Nunca se sentirá tão orgulhoso de si mesmo como se sentia agora. Seu pai o chamara de filho e estava com sua mãe. Isso era tudo o que podia pedir.
Hefesto se desfez em uma coluna de fumaça, deixando o pequeno grupo para trás.
- Venha, mi hijo, venha conhecer sua nova casa. – Disse a mãe de Leo, puxando-o para si. Leo concordou e olhou novamente para as pessoas perto dele. Cada um deles tinha feito coisas tão impressionantes quanto ele, mas lá estavam, ao lado dele. E ele olhou para cima. Sabia que em algum lugar no mundo mortal, seus amigos estavam pensando nele.
Leo sorriu ao entender. Ele nunca esteve nem nunca estaria sozinho.
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