Enchanted

3 Lembrança - Parte 2


Notas iniciais
Oi oi! Espero que gostem da leitura e apreciem o máximo que conseguirem! BOM LEITURA ♥

Lembrança — Parte 2

Winthrop

Narração em 3ª pessoa

10 anos antes

Quase toda a população de Winthrop estava ali, esperando o Rei Frederick chegar e finalmente entrar na Floresta. Muitos acreditavam que ele sairia de lá vivo, pois ele foi um homem que desde muito pequeno viveu e amou a natureza, e com o mesmo amor a natureza lhe retribuía. Muitas vezes se via o Rei andando pela grande vila e sempre que ele via algum animal ou planta machucada ele tratava dela ou dele com muito cuidado. Em seu castelo a fauna e flora era bastante extravagante, com um lindo, se não por dizer perfeito, jardim aos fundos do terreno, onde as flores eram grandes e continham uma cor vivaz e alegre, e os animais de pequeno porte eram frequentes no lugar, sempre pulando, correndo ou se rastejando.

Contudo, é claro, existiam aqueles que não acreditavam que ele conseguiria, e por mais que essa fosse a menor parte, ainda sim eles tinham algum poder de persuasão no povo, falando sobre os antepassados que tentaram, e sempre enfatizando o fato de que naquela Floresta Encantada ninguém entraria e conseguiria sair vivo. Esses cidadãos são os de famílias que acreditam em tradições mais antigas, e é normalmente dessas famílias que se ouvem grande parte das teorias sobre aquela floresta. Existem na vila muitas famílias antigas, e de cada uma se ouve uma coisa, também tendo muitas vezes contradições dentro da própria família, que tinha mais de uma teoria, mas em todas, absolutamente todas as teorias sobre a floresta consta-se que ela é amaldiçoada, e que ela nunca deixará de ser.

Entretanto, naquele dia, mais uma pessoa tentaria desvendar seus segredos, e essa pessoa acabara de chegar naquele amontoado de pessoas. Quando o Rei Frederick chegou ao local houve um grande alvoroço e um silencio imediato e extremo, sendo logo cortado pela própria voz do Rei que conversava com um de seus soldados que insistia em ir com ele, e ele recusava.

Logo depois da conversa entre o chefe e seu subordinado o rei entrou na floresta. Todos os seus parentes lhe deram um abraço e falaram-lhe palavras de encorajamento, e no momento em que Kristopher, seu neto foi falar com ele, viram-se lagrimas do menor banharem seu rosto enquanto o homem tentava o acalmar. Era muito comum ver o garoto chorar, muitos achavam que ele não era digno de ser o neto do Rei e diziam que ele nunca seria um rei digno para governar no futuro, pois ele estava sempre chorando quando se machucava e vivia muito grudado ao avô, fazendo com que muitos o achassem dependente do homem, contudo, naquele momento, todos se comoveram com o amor dos dois.

Pouco depois que Frederick entrou na floresta algumas pessoas se dispersaram, mas grande parte da multidão ainda continuava ali, a espera de que logo surgisse o homem de olhos negros dizendo que estava tudo bem e que descobrira os segredos daquele antigo lugar. As pessoas voltaram a conversar, e os dois filhos mais novos do rei voltaram para o castelo juntamente com os seus filhos.

O príncipe Edward ficou com seu filho, que olhava fixamente para a floresta, como se já visse seu amado segundo pai sair de lá e vir abraça-lo dizendo que estava tudo bem e que estava ileso.

— Meu querido, você não quer voltar para o castelo e esperar seu avô lá? – tentou conversar Edward, com seu filho.

— Não papai, pode ir, eu vou esperar o vovô aqui mesmo. Eu dei o meu lobo para ele, eu sei que tudo vai dar certo, mas quero ser o primeiro a abraça-lo quando ele sair. – o garoto disse virando brevemente seu olhar para o pai.

Por mais que ele amasse o avô com todas as forças, ele nunca se esquecia de seu pai, mas ele parecia estar sempre ocupado, e por isso o garoto procurava o Rei. Por mais que devesse ser ao contrário e seu avô estar mais ocupado que seu pai, isso não acontecia pois aquele homem era capaz de largar tudo para ficar com os netos e filhos. Já Edward vivia maior parte do tempo no mundo da lua, pensando na mãe de seu filho. Ele também seria capaz de largar tudo pelo filho, mas por estar sempre distraído não percebia que muitas vezes o filho o procurava e ele não dava bola.

Acontecia muito de Frederick estar ocupado com conversar sérias ou qualquer outra coisa do tipo, e ao ver que seu amado neto estava passando em frente a sua sala para tentar brincar e logo depois desistir ao ver que o avô não podia sair, ele próprio pedia um tempo na conversa que estava tendo e saia para se divertir com o neto. Seu pai, por mais que fosse com mais dificuldade também via seu filho procura-lo e desistir, por isso, sempre que via o acontecido ele saia para brincar com o filho, assim como o avô, pois amava o menor, tanto quanto o filho o amava.

Seus quatro primos, na maioria das vezes não brincava com Kristopher, pois diziam que ele era mimado pelo seu avô e seu pai, e por isso ele não seria alguém que os quatro brincariam. Eles sempre acusavam o garoto por chorar muito e diziam que ele era fraco, e isso envergonhava o mais velho, fazendo com que ele sempre se isolasse dos filhos de seu tio e ficasse só até o momento em que teriam que se juntar todos para saborear o banquete, mas nem seu avô ou seu pai alguma vez perceberam que os primos humilhavam o garoto.

O pai de Kristopher percebia que naquele momento, em que ele esperava o avô, nada iria convencê-lo a fazer algo e sair de onde estava, por isso resolveu simplesmente ir ao castelo pegar comida para seu filho e voltar para onde estava.

Enquanto Edward ia para o castelo, o jovem pensava em muitos de seus momentos com Frederick, e via que ele era muito feliz com o avô. Pensou também em seu pai, e em como devia agradecer por ter alguém tão bom quanto ele alguém que podia ser chamado de pai. O garoto se perdera completamente em seus pensamentos que meu percebera que uma garota sentara ao seu lado.

— Oi – a menina de olhos castanhos avermelhados, e longos cabelos trançados alaranjados disse, assustando o menino.

— A-ah, o-oi, você me assustou – disse, com sua mão por cima do coração, sentindo as batidas descompassadas.

— Desculpa – disse com um sorriso aberto – eu sou Brynhild, mas pode me chamar de Bryn, eu acho mais fácil.

— Prazer Bryn, eu sou... – Kristopher ia falar mas foi interrompido.

— Kristopher, filho de Edward, e neto do nosso Rei Frederick. Candidato a Rei para a geração próxima a de seu pai. – ela dizia, como se fosse algo simples e logo sorriu – Eu sei quem você é.

— Acho que ninguém nunca me apresentaria assim. – ele riu meio envergonhado e abaixou o olhar – Muitos não acham que eu mereça algum dia ser o rei de Winthrop.

— Não pense isso Krist, eu acho que você deve ser um rei! – ela falou com determinação na voz, como se fosse para mostrar ao garoto que dizia a verdade.

— Por que?

— Por que? Porque você gentil. – a menina sorriu e encarou o garoto de olhos negros que olhava para dentro de seus olhos – Muitas vezes eu te vejo pela vila, você sempre é gentil com todos, mesmo com os que te maltratam e falam mal de você. Já vi muitas vezes você escutar algumas pessoas falando mal de você pelas costas, e mesmo assim você aparecia na frente delas e cumprimentava-as sem nenhuma raiva. Poucas vezes vi em você uma expressão que mostrasse raiva, só via as vezes quando você aparentava estar decepcionado, mas logo um sorriso aparecia em seu rosto e você falava com eles. Pode até ser que depois você parecesse triste de novo, mas você se mostrava forte na frente de todos. – ela disse tudo, ainda olhando nos olhos do menino, enquanto ele não conseguia nem ao menos piscar por ouvir tão esplendorosas palavras dirigidas a ele. Acreditava ele que até hoje, ninguém nunca falara tão belas palavras sobre ele.

— Eu... Eu realmente nem sei o que dizer diante do que você me falou. Sempre achei que ninguém nunca me via triste. Peço desculpas por te mostrar essa expressão minha Bryn. – ele falou, logo depois de despertar do seu transe e parar de olhar fixamente para a garota.

— Ei Krist, se você se desculpar por isso eu vou te bater! – ela disse demostrando uma leve raiva em sua voz, e o garoto olhou assustado para ela, pois até hoje, nenhuma pessoa da vila havia o tratado como uma pessoa normal. Todos agiam como se não devessem falar com ele, pois era o filho do príncipe e pensavam que nada deviam fazer. – Não me olhe assim Krist. Não precisa ficar assustado, eu só não gosto de ver você falando coisas tão para baixo. Não precisa se desculpar por ficar triste, isso é normal. Então, não ouse mais falar isso na minha frente, amigo!

— A-a-amigo? – o garoto perguntou gaguejando de surpresa, mas ainda assim ficou extremamente feliz por ouvir essa palavra.

— É claro! Ou você não quer ser meu amigo?

— Cla-claro que quero! Eu sempre quis ter um amigo da minha idade. – ele disse e a garota sorriu de orelha a orelha, fazendo o garoto corar ao ver que ela era realmente bela e também sorrir verdadeiramente – Obrigado por tudo Bryn.

— Não fiz nada Krist. Eu só vi você aqui e como sempre quis ser sua amiga, hoje eu tentei vir conversar. – ela riu e colocou as mãos apoiadas no chão, mais atrás do corpo, jogando-o para trás, sendo sustentado pela força dos braços – Mas, acho que agora eu tenho que ir. Será que podemos nos ver outro dia Krist?

— Cla-claro que sim Bryn. Pode ser amanhã perto da fonte? – ele perguntou meio envergonhado.

— Yeah! Então até amanhã na fonte Krist. – ela sorriu e se levantou juntamente com o garoto. – É uma promessa?

— É uma promessa. – disse e os dois mostraram seus dedos mindinhos, cruzando-os, em prova daquela promessa. – Então, até amanhã na fonte Bryn.

A menina simplesmente sorriu e saiu correndo, sendo seguida com o olhar pelo garoto. Quando ela saiu de vista, ele voltou a se sentar e olhar para a floresta, mas agora, sua preocupação era menor e ele estava feliz.

— Ei garotão. – seu pai lhe chamou a atenção um tempinho após ele ter se sentado no chão novamente. – Por acaso está com fome?

— Com certeza papai. – o menor sorriu e se levantou para ajudar o pai arrumar as coisas no chão e finalmente comer.

Enquanto os dois estavam comendo ficavam conversando sobre várias coisas aleatórias e logo acabaram com os lanches que o pai havia trazido, mas a conversa não terminou e eles ficaram ali por muito tempo ainda.

Notas finais
Espero que gostem da nova personagem ♥ eu amo ela *--* Obrigada pelos comentários do capítulo anterior! Amo todos vocês ♥ Críticas construtivas são SEMPRE bem vindas e amo interagir com meus leitores. ♥ Até o próximo :3